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16/08/2008 - 10:52

FERRARI E MCLAREN

PEQUIM (vamos tentar) – São quase dez da noite por aqui e fui dar uma olhada no quadro de medalhas até agora. Ainda saem mais algumas hoje, mas nada que altere o conteúdo desta reflexão, que se eu não colocar no ar neste exato instante, não coloco mais, porque vou acabar esquecendo. Sempre sigo a filosofia chinesa, nessas horas. Confúcio, centenas de anos antes de Cristo, já ensinava ao seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotong: “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, principalmente se tiveres um desejo incontrolável, porque amanhã pode ser feriado e vai estar tudo fechado”, e dizendo isso mandava o pobre Gah-Fang-Yotong à aldeia, longe pra cacete, para comprar pêssegos em calda. 

China e EUA não têm mais concorrentes em Olimpíadas, são como Ferrari e McLaren, e vão lutar medalha a medalha até o final. Na classificação geral, está 52 x 45 para os americanos. No critério dos ouros, a China lidera: 27 x 16. A terceira colocada, no total de medalhas, é a Austrália com 25. Pelos critérios dourados, a Alemanha aparece em terceiro, oito ouros, 18 medalhas no total. É a BMW Sauber.

A China passou a competir em Olimpíadas apenas em 1984 e já em Los Angeles ficou em quarto, com 32 medalhas, 15 delas de ouro. Foi ano de boicote, a URSS não apareceu, o que fez da Romênia, vejam só, a vice-campeã. Os EUA passearam, com 174 medalhas no total (83 ouros). Os romenos fecharam os Jogos com 53, sendo 20 de ouro. Na Olimpíada anterior, em Moscou, quem boicotou foram os EUA. E a URSS, claro, ganhou fácil, com a Alemanha Oriental em segundo.

Eu curtia a Guerra Fria. A Alemanha Oriental sempre foi uma baita potência olímpica. Em 1976, em Montreal, ficou à frente dos EUA. O mesmo aconteceu em Seul/1988. Muitas de suas conquistas, porém, foram contestadas depois que caiu o Muro. Acusam a gloriosa DDR de abusar do doping. E quem não abusou? Talvez tenham abusado um pouquinho além da conta, mas por que tanto rigor, ora bolas?

Mas voltemos à China, porque o que quero dizer aqui é que aquele duelo entre URSS e EUA acabou, pela boa razão de que a URSS não existe mais, e por isso agora é a vez e a hora dos chineses. Por um bom tempo as Olimpíadas terão essas duas potências batendo de frente no esporte, porque grana faz muita diferença, e é na China e nos EUA que está o dinheiro. Ao resto dos filiados à ONU, sobrarão migalhas.

Só por curiosidade, somei as medalhas já conquistadas em Pequim pelas repúblicas que formavam a URSS. Até agora, seriam 58 no total: 12 de ouro, 18 de prata, 28 de bronze. Um bom resultado, sem dúvida, que colocaria essa URSS virtual em primeiro lugar no total de medalhas, mas apenas em terceiro quando se consideram os ouros como critério de classificação.

Ao final dos Jogos, me lembrem de fazer essa conta de novo, ok? Quanto ao Brasil, com o ouro de Cielo hoje o país passou à 27ª posição, com um ouro e e quatro bronzes. À frente de países cuja qualidade de vida é bem melhor, como Suíça, Finlândia, Suécia, Áustria e Dinamarca. Mas atrás de outros que não são lá grande coisa no cenário geopolítico (tem hífen?) internacional, como Ucrânia, Eslováquia, Geórgia, Zimbábue, Azerbaijão e Mongólia.

Vamos ver no final. Até hoje, a melhor participação brasileira em Olimpíadas, no total de medalhas, foi em 1996, em Atlanta: 15, sendo três de ouro, três de prata e nove de bronze. Em ouros, a melhor foi em Atenas/2004: cinco.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , , , ,

30 comentários para “FERRARI E MCLAREN”

  1. Rianov disse:

    Vale lembra que sempre quando um pais “hospeda” as olimpiadas, seu numero de medalhes cresce. Não que eu esteja diminuindo a China, mas olhem o caso da Espanha, até este momento, ela só conquistou 3 medalhas e sediou as Olimpiadas a “pouco” tempo atras, em 92.

    Acho que em Londres o quadro de dominio dos EUA vai ser fácil

  2. Marcos Micheletti disse:

    O Brasil poderia ser comparado à Honda. O ouro do Cielo é uma espécie de pódio do Barrichello em Silverstone/. Aliás, o Cielo é mosca branca, num país em que o único esporte levado a sério é o futebol (em que pese toda sua desorganização).

  3. gustavo disse:

    UM OUTRO QUADRO
    Flávio, muitos utilizam o quadro de medalhas para mensurar o grau de desenvolvimento de um país. parece ser uma maneira sensata de se analisar o fato. parece…mas será que realmente é?
    Em minha modesta opinião, essa leitura deveria ser feita através da divisão do número de medalhas pelo número de habitantes do país em questão.
    Afinal, o país mais desenvolvido é aquele que tem a maior renda per capita e não o maior PIB, não é isso?
    Veja que interessante a comparação dos dois quadros ( tomei como base o quadro de medalhas do dia 15/08/08 e considerei o total de medalhas de cada país, ou seja, dei o mesmo valor para o ouro, a prata e o bronze , para facilitar o cálculo ).
    Quadro I ( PIB )
    1º Estados Unidos 48,
    2º China 41,
    3º Coréia do Sul 19,
    4º Austrália 22,
    5º Rússia 20,
    6º França 20,
    7º Alemanha 16,
    8º Itália 15,
    9º Japão 14,
    10º Reino Unido 9,
    11º Ucrânia 8,
    12º Cuba 8,
    13º Holanda 7,
    14º Coréia do Norte 5,
    15º Eslováquia 4,
    16º República Tcheca 4,
    17º Zimbábue 4,
    18º Azerbaijão 4,
    19º Romênia 4,
    20º Geórgia 3.
    Quadro II ( per capita )
    1º Austrália 1,100,
    2º Eslováquia 0,727,
    3º Cuba 0,701,
    4º Geórgia 0,652,
    5º Azerbaijão 0,493,
    6º Holanda 0,424,
    7º República Tcheca 0,392,
    8º Coréia do Sul 0,387,
    9º França 0,317,
    10º Zimbábue 0,312,
    11º Itália 0,258,
    12º Coréia do Norte 0,214,
    13º Ucrânia 0,170,
    14º Alemanha 0,195,
    15º Romênia 0,181,
    16º Estados Unidos 0,168,
    178º Rússia 0,140,
    18º Japão 0,110,
    19º Reino Unido 0,100,
    20º China 0,031).
    Acabo de decobrir o porquê de minha simpatia pela Austrália e de meu respeito por Cuba. Devo confessar que foi uma grata surpresa.
    Abs,
    Gustavo.

  4. gildo disse:

    Flavio,
    teu LADA tá maravilhoso aqui na LF!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Abraço,
    Gildo

  5. gustavo disse:

    UM OUTRO QUADRO – adendo
    Flávio, considerei o número de medalhas por cada milhão de habitantes.
    Abs,
    Gustavo.

  6. Flávio, sei que você recebe diversos elogios diariamente, mas esse meu é especial: Flávio você é do caralho! Porra, tu consegue enxergar e falar o óbvio que os outros, a maioria, jornalistas, alienados, não falam. Tu é o cara. Um espelho de jornalista genial. Tua cobertura blogueirística é um exemplo. A única coisa que você deve melhorar, ou melhor, aumentar é as notas dadas ao Barrica no site Grande Prêmio. Pô, chegar com a Honda no final de uma corrida já é um feito tão ou maior que ganhar uma medalha olímpica. Louros a “Butão” e Barrichello.

  7. Murillo disse:

    Não acho que os EUA recupere esta difirença e ganhe mais medalhas que a China na Proxima Olimpiadas não, realmente quando a olimpiada é disputada em um país este pais cresce, mas a China já vinha crescendo antes, a ultima olimpiada já tinha sido apertada e a China está crescendo muito em todos os aspectos, por isso acho que em Londres os EUA ficarão mais pra tras ainda.

  8. Alberto disse:

    Por que não colocar um peso para as medalhas e ver como fica o resultado final?

    Ex: ouro x 3, prata x 2 e bronze x 1.

  9. titiko disse:

    este é o retrato do esporte brasileiro, dirigentes corruptos e federações desorganizadas, assim como quase tudo no brasil.

  10. titiko disse:

    o brasil está lindo e maravilhoso, assim como os dirigentes e federações esportivas.

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