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14/08/2008 - 04:18

O QUE MUDOU?

PEQUIM (debaixo d’água) - O vôlei brasileiro não é mais o mesmo. Não sou eu que estou dizendo, mas sim todos meus colegas que seguem o time de Bernardinho muito de perto, em todas as competições. Hoje, perdeu a primeira nos Jogos, 3 a 1 para a Rússia, a mesma Rússia que tirou dos brasileiros o terceiro lugar na Liga Mundial, cujas finais foram disputadas no Brasil.

Os meninos ganharam as duas primeiras partidas por aqui sem grandes dificuldades, 3 a 0 no Egito e 3 a 1 na Sérvia. Essa derrota de hoje não representa muita coisa no que diz respeito à caminhada atrás de uma medalha, mas tem um significado que, para os especialistas, supera a mera questão de classificação, pontos, saldo de sets etc. Significa que o time não é mais imbatível.

Nas mãos de Bernardinho, essa seleção tem resultados espantosos. Mas há que acredite que algo se quebrou antes do Pan, apesar do ouro no Rio. Foi o caso do Ricardinho, até hoje mal-explicado, ou simplesmente inexplicável, porque os dois lados deram suas explicações, e ninguém entendeu nada.

Ricardinho, garantem os especialistas, não tem substituto à altura na seleção. E o levantador é a alma de qualquer time. Os que vêm jogando são bons, claro. Mas não tanto quanto ele, que dava uma velocidade aos ataques brasileiros que até agora nenhum conseguiu igualar. Agrava a situação o fato de que um dos substitutos de Ricardinho é Bruninho, filho de Bernardinho — não sei por que no vôlei tem tanto “inho”, são todos grandões. E não se deve esquecer, também, que Ricardinho era o capitão do time. Ninguém é capitão à toa. Ele tinha a admiração e o respeito dos colegas.

Essa história toda, em resumo, pode estar eclodindo aqui. E o vôlei, que até o início do ano era aposta segura de ouro em Pequim, pode acabar decepcionando. Isso se a moçada não virar o jogo. Às vezes, uma derrota como essa de hoje para a Rússia serve para acordar o time, mostrar aos jogadores que eles não são imbatíveis.

“Ter a humildade de reconhecer que pode ser derrotado é o primeiro passo para encontrar o caminho da vitória”, disse Confúcio uma vez, quando levou um cacete de um discípulo chamado Ga-Fang-Yotung numa partida de ping-pong. Depois de dizer isso, não perdeu mais nenhuma. Arrebentou a raquete na cabeça de Ga-Fang-Yotung.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,

58 comentários para “O QUE MUDOU?”

  1. David disse:

    É nítido nos atuais levantadores a lentidão, falta de: criatividade, improviso, bloqueio, até as bolas de segunda que pegava qualquer bloqueio desarmado de surpresa. Ricardinho se movimentava muito mais por toda a quadra para recuperar e distribuir bem as bolas, fossem elas das pontas, do meio ou do fundo. Imagine se expulsássemos nosso filho – já que era uma família a equipe – de casa por que ele foi indisciplinado, sem chance de ajuste, e sem que os “irmãos” não pudessem nem abrir a boca. Ninguém sabe até hoje a verdade, e não pode negar a competência de Bernadinho. Agora é hora da superação. Será que vai?

  2. Justos disse:

    Bem feito para o técnico mercenário! Fica tentando promover o filhinho….

    VOLTA RICARDINHO!!!

    FORA BERNARDINHO!!!

    FORA BRUNINHO!!!

    GIBA, LARGA MÃO DE SER PUXA-SACO DO TÉCNICO SÓ PORQUE VOCE TAMBÉM ESTÁ FATURANDO COM OS COMERCIAIS E PROPAGANDAS.

  3. Montanaro disse:

    Bernardinho brigou com Ricardinho certo de que daria uma medalha de ouro para seu filhinho. Dançou. O cara fazia a diferença. Marcelinho (e até o Bruninho, vá lá) são bons levantadores. Corretos. Mas sí isso. Ricardinho é um fora de série. Nenhuma seleção do mundo o deixaria de fora. O gênio do Bernardinho deixou. Vai desandar igual maionese ruim.

  4. Léo Engelmann disse:

    Fico cá com meus botões imaginando Confucio joghando ping… hã… tênis de mesa filosófico.

    A frase é ótima. Já vai pro meu MSN. Não só a do Confucio, mas a do FG.

  5. Sergio Padilha disse:

    Essa história do Ricardinho lembra muito a do Romário no futebol antes do campeonato de 1994.Creio de fato que os levantadores atuais não conseguiram atingir o nível técnico do que saiu do time. entretanto não há mais tempo para novas convocações. Tem que ser com o grupo que está em Pequim. Eles (Marcelinho e Bruno) tem que arranjar a criatividade e a competência para voltar a surpreender os adversários. Se não acharem a tempo, só daqui a quatro anos com outro grupo…

  6. ale:-) disse:

    Não precisa nem ser especialista pra saber o que aconteceu.
    O Ricardo é o melhor do mundo com folga ( provavelmente o melhor de todos os tempos na posição )e todo mundo sabe disso, inclusive o bernardinho.
    O time todo é muito bom e pode sim ganhar o ouro sem o cara, mas se ele estivesse lá pode ter certeza que seria muuuito mais fácil.

  7. Milton Serra da Fonseca Junior disse:

    Sou um pouco suspeito para falar, pois tenho amizade com a família do Ricardinho e com ele próprio, por ser técnico de voleibol. Vou tentar equilibrar a voz do torcedor com a voz do profissional do esporte: a seleção brasileira, continua entre as melhores do mundo. As qualidades da Comissão Técnica e dos jogadores é indiscutível. Porém, existem pelo menos outras 5 ou 6 seleções de altíssimo nível, tão candidatas quanto nosso querido Brasil. É que cultuamos o fato de na era Bernardinho a seleção ter subido no pódium em praticamente todas as competições, e isto “nos garante” o direito ao ouro olímpico. No mundo do esporte a coisa não funciona bem assim. Chegar ao posto mais alto é muito difícil; e se manter no topo é mais difícil ainda. E a coesão do grupo num esporte coletivo como o voleibol é fundamental. Aí entra o episódio Ricardinho. Além de ter abalado a citada coesão do grupo, e não querendo desmerecer o bom trabalho tanto do Marcelinho quanto do Bruninho, o Ricardinho está muito acima da média dos levantadores que existem no mundo. Não só tecnicamente, mas principalmente nos aspectos táticos e psicológicos. Podemos ser campeões. Mas “perdemos um soldado” que poderia ser o diferencial. Milton Serra.

  8. 1000TON disse:

    Sou um pouco suspeito para falar, pois tenho amizade com a família do Ricardinho e com ele próprio, por ser técnico de voleibol. Vou tentar equilibrar a voz do torcedor com a voz do profissional do esporte: a seleção brasileira, continua entre as melhores do mundo. As qualidades da Comissão Técnica e dos jogadores é indiscutível. Porém, existem pelo menos outras 5 ou 6 seleções de altíssimo nível, tão candidatas quanto nosso querido Brasil. É que cultuamos o fato de na era Bernardinho a seleção ter subido no pódium em praticamente todas as competições, e isto “nos garante” o direito ao ouro olímpico. No mundo do esporte a coisa não funciona bem assim. Chegar ao posto mais alto é muito difícil; e se manter no topo é mais difícil ainda. E a coesão do grupo num esporte coletivo como o voleibol é fundamental. Aí entra o episódio Ricardinho. Além de ter abalado a citada coesão do grupo, e não querendo desmerecer o bom trabalho tanto do Marcelinho quanto do Bruninho, o Ricardinho está muito acima da média dos levantadores que existem no mundo. Não só tecnicamente, mas principalmente nos aspectos táticos e psicológicos. Podemos ser campeões. Mas “perdemos um soldado” que poderia ser o diferencial. Milton Serra.

  9. cidinha disse:

    Concordo com o Marcio Maia, a seleção ficou mais lenta, mais fácil de se marcar e apesar de o Marcelinho ser bom ele não tem o improviso que o ricardinho tinha, isso ficou evidente na partida de ontem. O time até jogou bem, mas estamos em uma competição que os detalhes são importantes. E o ricardinho seria esse detalhe. Pena, estou começando a achar que o que ocorreu na época do Pan vai se eclodir na pior hora possivel. O Brasil é a melhor seleção sem dúvida, mas acho que desde o PAN falta alguma coisa…. que foi perdida nesta disputa entre o Ricardinho e o Bernardinho…. Ahhh… comentarista da Globo e do SportTV comecem a analisar os jogos com a razão …. aquele gande time tambem pode ser derrotado… e não é só treino não. Fico assistindo os cometáriastas falando que a equipe é boa, que ela tá chegando…. atá a agora ainda nã9o sei onde… Pena…

  10. Edivaldo Tavares disse:

    A prepotência do treinador está fazendo efeito.O Brasil tornou-se uma equipe no nível das outras sem o Ricardinho.Vão dando adeus ao ouro.

  11. Confúndio disse:

    Os inhos do volei são os levantadores e os líberos. Com um bando de gente com mais de 2 metros, aqueles de um e oitenta e poucos serão inhos.

    Confúndio disse: Em terra de gigantes quem tem menos d 1,90 é pigmeu.

  12. mario disse:

    Ahhh…vão vocês todos chorar na rampa….eu sempre ouví dizer que o brasileiro tem memória curta…já esqueceram tudo que o Bernardo fez pelo volei, q até há pouco não existia. O Ricardinho é um indisciplinado…sempre se julgou o rei da cocada prêta. Se pediram prêle sair, bem feito, já foi tarde. Agora pode sim ser o fim de uma era…outras virão. Agora, deixem de ser idiotas e se conformem…a maioria de todos os nossos atletas é tudo meia boca…que choram as pitangas de felicidade qdo ganham um bronze mixuruca, que não faz juz à nossa grandeza. E a Globo faz côro…Ora, façam me o favor !!!

  13. hiroshi marcos velloso disse:

    Concordo com todos, mas há um fato preponderante nisto tudo, a equipe brasileira evoluiu com a entrada de Bernardo ao comando e suas estratégias mirabolantes, além do material humano necessário para que haja esse tipo de evolução no esporte, patrocínio muito oba oba, porém aconteceu com o time Brasileiro a mesma estória do time Italiano, aquele do PAPI, lembram, pois é, era imbatível mantiveram sua hegemonia durante 8 ligas mundiais, porém todas as outras equipes evoluíram, estudaram as jogadas, marcaram os pontos fracos dos adversários, além dos atletas que participavam de uma forte liga nacional naquele pais e que não havia até o momento no Brasil nada igual e ainda não há.
    O que devemos refletir agora mais do que nunca, é sobre uma renovação urgente não só no voley, mas em todas as modalidades esportivas, o que está acontecendo em Pequim é fruto deste desprestígio do esporte nacional, e de tudo que o pais precisa como fundo cultural para que possamos crescer ainda mais, os nossos ídolos não estão passando de meros coadjuvantes de oitavos lugares isso quando se classificam em uma semifinal, precisamos aprender com essas derrotas constantes que vem acontecendo, que é necessáio tirar essa peneira da frente do sol e investirmos pesado na cultura no preparo dos nossos atletas desde o berço, conforme a própria China vem fazendo e mostrando ao mundo que são capazes, e porque nós não podemos também.
    Afinal somos o pais de maior numero de miscigênação entre as pessoas, não passamos fome teóricamente, então precisamos buscar forças e entender que as crises no esporte são reflexo daquilo que vem acontecendo dentro de nossa própria casa.
    O Brasil não pode ser só pais do futebol, do voleyboll, tem que ser o país de todos os esportes sim, da cultura sim, da saúde sim, e de mais verdades, não aquelas que só podemos apontar como vaidades pessoais de colocar meu filho ou meu amigo no lugar do outro, nínguem é insubstituível, estamos aqui de passagem, outros virão e até melhores do que Ricardinhos, Bruninhos, Marcelinhos, Gibas, Bernardinhos.
    Existem valores demais no Brasil, e cabe a nós povão gritar mais por isso, porque o governo só faz aquilo que quer porque nós deixamos assim, temos que ser mais patriotas de coração e parar de encher estádios pra valorizar uma meia dúzia de fanfarrões, temos que cobrar mais das autoridades dos governantes da mídia, e principalmente de nós mesmos, porque se não formos unidos como os americanos são, patriotas como eles são mesmo com todo o racismo deles, nunca seremos vistos como pais sério como potência em qualquer coisa, o que dirá no esporte, O OLIMPÍADA ESTÁ SENDO UM FIÁSCO PRO BRASIL, E TEM GENTE APLAUDINDO E ACHANDO NORMAL.
    Que vergonha sinto de não ser pelo menos o 3º colocado no quadro geral de medalhas, temos que disputar o 31º lugar.
    PORRA QUE PAIS É ESTE
    QUE POVO É ESTE
    ETERNOS SUBMISSOS, CAPACHOS DOS AMERICANOS.
    QUANDO VAMOS TER ORGULHO DE SERMOS BRASILEIROS E LUTARMOS PELO 1º LUGAR.
    VAMOS ACORDAR PRA REALIDADE.
    TEMOS QUE MUDAR E MUDAR LOGO, RENOVAÇÃO JÁ
    EM TUDO
    PARA TUDO
    E POR TODOS NÓS

    Abração a todos e avante pátria amada BRASIL.
    ACORDA BRASILEIROS

  14. Tiago S. disse:

    Uma andorinha não faz verão, muita calma que foi a primeira derrota. Se for eliminado e tal ai beleza. O Dunga também vive fazendo as cagadas dele, deixa ser eliminado primeiro, porque antes disso não da pra apontar o principal culpado.

  15. Cabra disse:

    A seleção sem o Ricardinho é como tê-lo como adversário.

    Todos os outros times foram obrigados a correr atrás do perfil de jogo que se criou com ele na seleção. Então perdê-lo é dar dois passos pra trás.

    O time ruiu. Só não fica mais aparente porque ainda é uma equipe excelente.

  16. Fábio disse:

    Na verdade, quando ganhamos, os jogadores e o técnico são os melhores, imbatíveis, com ou sem Ricardinho, mas quando perdemos, rapidamente temos que achar um culpado e as razões da perda… O colega lá em cima comentou bem, já ganhamos tanto que já deu tempo das outras seleções estudarem nossas táticas, técnicas, jogadas, etc… É natural surgir uma época em que alguma seleção irá dar mais trabalho… E devemos lembrar que Giba não jogou o tempo todo contra a Russia. Abraço a todos

  17. Mario Sergio disse:

    Sem ofender as opiniões da galera mas , “nepotismo” , “improviso” são argumentos de que é mais torcedor e não admite a pequena superioridade dos adversários.
    Não existe jogador no mundo , rápido , que aliado ao treino ( cansativos treinos ) seja bom quanto o Ricardinho (opinião particular) . Mas eles brigaram … Pô , ninguém nunca brigou com alguém … E o mesmo já disse que mesmo com com as desculpas ele não volta mais pra seleção . “Ele disse.” Então o técnico chamou o Marcelinho que tinha experiência na seleção e vinha do título de melhor levantador da liga nacional , e o Bruninho receberia dois títulos semelhantes em seguida e também ganhava experiência acompanhando o time na liga mundial . E eles são o que melhor se encaixavam na seleção no momento , porque não adianta ser o rei do improviso se a jogada não estiver marcada … o time não é só o Ricardinho ( mesmo na sua indiscutível qualidade de melhor do mundo) e os outro melhores do mundo onde ficam?
    O brasil evoluiu esse esporte , talvez não é a hora de passar essa bola ?
    Eu li (acho que foi aqui no blog) de um cara super inteligente que diz.
    “-Que diferença tem torcer para brasileiros, finlandeses, espanhois, venusianos, marcianos se cada qual não vê méritos nas vítórias alheias?”
    (ed_fidelis)

  18. Pablo disse:

    Ah, demorou! Eu sabia que alguém tiraria do fundo do pântano o nome do Ricardinho pra explicar a má fase da seleção. Flávio, pelo amor de Deus, volei não é futebol. Não existe e nunca existiu essa história de um jogador insubstituível. Ainda mais o Ricardinho, que nunca foi essa coisa toda. Ausência por ausência, sinto mais pela do Nalbert. Um jogador completo. Nessa olimpíada a presença dele ajudaria muito. Ter jogadores experientes sempre foram fundamentais nas campanhas de ouro, vide Amaury (mesmo que nem tenha jogado, na prática) na fantástica seleção de 1992 e Maurício e Geovani na última medalha de ouro. Mas o Bernardinho preferiu levar o Samuel, um cara que ele mesmo parece ter pouca confiança. Agora, pelo bem do volei nacional, esqueçam o Ricardinho.

  19. carlos disse:

    sem ricardinho……….. sem medalhinha.

  20. Claudio Paes Leme disse:

    O comentário do Mário Sérgio é bem pertinente. Antes da caça às bruxas aqui no Brasil vamos lembrar que nem com o Giba hoje o Ricardo conversa e vai se naturalizar italizano. aliás ainda nessa linha linha o bulgaro Zlatanov, ex-melhor jogador da seleção bulgara, hoje é um dos destaques da azurra. É importante lembrar que mesmo os melhores perdem. Isso é o que diferencia o esporte. Talvez por estarmos mais acostumados a andar por aqui com as coisas do esporte motor, onde a lógica quase sempre prevalece, nas quadras e campos quando o favorito não consegue dar 100% e o adversário, mesmo mais fraco dá 115% o resultado muda e surpreende. Isso é o esporte. Finalizando o Bernardinho levou a seleção a um patamar que nenhuma outra equipe esportiva no Brasil teve a não ser no futebol o Santos de Pelé & cia. com tantos anos com vitórias e títulos. Antes de baixar o pau no cara vale analisar (e bem) o que ele trouxe para a seleção. Lembrem-se que ele foi contra a realização das finais da Liga Mundial no Brasil. Perder é um saco, mas faz parte do esporte.
    FG parabéns pela cobertura olímpica!

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