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14/08/2008 - 08:54

EXPORTAR É O QUE IMPORTA

PEQUIM (nem paga IPI) – Está vendo a moça da direita aí na foto? Seu nome é Jun Gao, tem 39 anos, e em 1992, nos Jogos de Barcelona, ganhou uma medalha de prata. Para a China. Hoje, defende a equipe americana. Crystal Xi Huang é a outra garota, esta americana, descendente de chineses, claro.

A história de Jun Gao é curiosa. Ela não gosta de jogar ping… digo, tênis de mesa. “Meus pais me mandaram para uma escola em Pequim, e na China não se diz ‘não’ aos pais”, declarou ao “USA Today” no ano passado (não, não tenho o recorte guardado, está na biografia dela). Depois da medalha de Barcelona, parou de jogar. Casou-se com um programador de computadores americano, Frank Chang, ganhou cidadania nova, foi convidada pelos EUA para jogar pelo país em 1997 e está aqui, de volta à China, mas com outra bandeira no peito. O detalhe é que o uniforme que enverga é chinês: a equipe americana de tênis de mesa, vejam como são as coisas, é patrocinada pela marca esportiva Li Ning, que pertence ao ex-ginasta chinês que acendeu a pira no Ninho de Pássaro sexta-feira passada (a Nara Alves escreveu sobre a marca, uma mistura de Nike com adidas; leia aqui).

A China tem um zilhão de praticantes de ping… digo, tênis de mesa, e a equipe nacional, apenas seis representantes. Sobram chineses e chinesas boas de raquetinha, então o negócio é exportar. Como as regras olímpicas de nacionalidade não são lá muito rigorosas — basta lembrar que a Geórgia disputou o vôlei de praia, no feminino e no masculino, com duplas brasileiras que não têm a menor idéia do que seja a Ossétia do Sul — , muitos países vieram buscar gente aqui para representá-los na modalidade.

Bati o olho na lista de inscritos para as provas individuais de tênis de mesa. Há chineses e chinesas vestindo as camisas da Austrália, Áustria, Canadá, Congo, República Dominicana, Espanha, França, Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Polônia, Estados Unidos, Argentina e Ucrânia.

Me parece uma esculhambação uma chinesa na delegação do Congo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:

25 comentários para “EXPORTAR É O QUE IMPORTA”

  1. Luiz Manoel Guimarães disse:

    Por que na delegação do Congo, cara-pálida? É esculhambação geral mesmo. Puro negócio. Não que deva haver a obrigação de se ter nascido no país que se vá representar, mas acredito que deveria haver uma ligação significativa, representada, por exemplo, por pelo menos cinco anos de naturalização, domínio fluente do idioma etc. O que se vê são atletas formados com recursos de uma nação (Cuba, por ex.), mas defendendo outras. Uma sacanagem. E, aproveitando, avise aos seus pupilos no Grande Prêmio que qualquer cifra ou número em geral menor do que dois deve ser expresso no singular. Eles estão escrevendo coisas como “1,5 milhões”. Depõe contra, e muito, a qualidade do site. Abraços.

  2. Roger Ferreira disse:

    Esses jogos de Pequim são o maior exemplo da hipocrisia (agora globalizada) das nações. Tudo é programado para funcionar da maneira que esses dominadores de 1,3 bilhões de tristes chineses (verdadeiros robos). É facil fazer um campeão quando se pega uma criança de 6 anos em um pais pobre e se prepara com fortunas como se vivesse em um pais de primeiro mundo (digo imperialista) e o restante do povo passa miséria. Nós aqui devemos dar medalhas de lata, alumínio (reciclado), papelão e plástico pet aos nossos esportistas. Esses sim lutam sozinhos e são campeões quando pegam um quarto, quinto, décimo lugar porque espelham a realidade do nosso país. Um povo esforçado e abandonado que constrói sua força com o amor dos pais e muito sacrificio individual.

  3. Marcus V. disse:

    Ei Flávio, muito bom seu texto. Parabéns!

  4. Cristiano Azevedo disse:

    “Anything is possible” é o slogan da marca Li-Ning.

  5. Huang disse:

    E os “brasileiros” que servem seleções estrangeiras no vôlei de praia? no futebol?

  6. Ubaldir jr. disse:

    Verdade. Esse negócio de globalização não combina muito quando o assunto é esporte.
    Deixe eu aproveitar a oportunidade e parabenizar mais uma vez o Gomes por seu trabalho. Por incrível que pareça, o seu blog (ou blig, vá lá)é o local mais agradável de se acompanhar as curiosidades e manchetes olímpicas, dando um banho nos sites das todas poderosas empresas de mídia brasileiras.
    Parabéns. Quando o assunto é política, não sou muito alinhado às suas idéias não, mas você, em questões profissionais, é “o cara”.
    Abraços a todos.

  7. Milton disse:

    Agora eu entendi porque que os geraldinos chineses aplaudiam maqueiro e locutor de estádio…”anything is fake”…

  8. Pedro de Oliveira disse:

    Deixa o pessoal jogar! Como vocês são chatos.

  9. Kempes disse:

    Ia ser uma boa importar uns chineses p/ jogar no lugar do Hugo Hoyama…assim o Brasil ñ passaria vergonha em mais um esporte…viva o mundo globalizado…

  10. Ronald disse:

    Uma congolesa com traços orientais?? Nunca viste uma? Bom, acho que não existe mesmo.Deve ser a tal da globalização….

  11. wanderlei disse:

    Gomes,
    dia desses, por acaso, andei lendo seus textos, pela primeira vez.
    Gostei de todos. É bem por aí – o que dizem nos comentários anteriores. Parabéns. Estou de olho em suas manifestações.
    um abraço

  12. Rodrigo Moraes disse:

    Concordo com a opinião do LM Guimarães: deveria haver alguma regulamentação pra essas mudanças de camisa. Acho que é um direito do ser humano mudar-se de país, buscar uma melhor condição de vida, e daí representar esse novo país como sendo seu. Mas não é isso o que acontece. Aliás, acontece o mesmo aqui dentro do Brasil, mais especificamente no Estado de SP, onde há os Jogos Abertos, disputados por cidades, e muitas cidades contratam atletas de outros lugares só pra constar medalha, sendo que muitos sequer sabem onde fica a cidade que defendem.

    Em contrapartida, agradeço, a essa falta de regulamentação, a oportunidade de ver aquela Cristine Santanna jogando volei de areia pela Geórgia. Ô, lá em casa!

  13. Jonny'O disse:

    Parabéns Flávio pelo grande trabalho “Olimpico”.

    Uma visão sempre marcante e por vezes desconcertante do que se passa despercebido .

    Agora essa coisa de naturalização pode até estar dentro das leis do esporte ,mas que é um exagero e estão tirando proveito a torto e a direito é brincadeira .

    Acho que não dá nem para comemorar uma medalha assim ,fica até ridículo .

  14. clébio bahia disse:

    No tenis de mesa, para jogar o mundial por um país, é preciso ser naturalizado a mais de 5 anos, deve ser alguma norma da ITTF, mas não sei se vale nas olimpíadas.
    Ainda nesse esporte, que eu pratico e admiro muito, e não sei porque quem não pratica chama de ping pong na intenção de “pirraçar “.
    Vale ressaltar a quantidade de chineses naturalizados, é absurda, inclusive, na América do Sul, tem um, naquele país cheio de cabeludos, tirados à europeus, só assim mesmo para tentarem nos vencer.
    Ahhh, outro detalhe, a China é tão forte, mas tão forte, que cada país pode levar 3 atletas, e com isso, nas olimpiadas, não teremos o nº 3, 7, 18, 24 porque são chineses e a delegação já está saturada, lembrando que atletas como o Monteiro ou o Hoyama, nº 66 e 155 respectivamente participam.
    Lá os caras detonam mesmo!

  15. disse:

    E aqui, a cada ping de cerveja, agua mineral, e demais engarrafados, vai ter um contador ligado direto a dona Receita.
    Pong para controlar evasão de impostos.

  16. Wilton Pinheiro disse:

    Como você falou, na primeira reportagem sobre as olimpiadas,
    que nada mais lhe surpreendia, após ver a abertura das olimpiadas em Moscou com o ursinho, porque agora você esta
    admirado com a exportação de atletas??

    RESPOSTA DO FG

    Eu realmente me enganei naquele texto. Ainda tem coisa que me surpreende, sim. Como a chatice de alguns leitores.

  17. Belair disse:

    Carái, agora vai tê um monte de neguim sabendo QUANTAS o Dú tomô, cacete… é mais uma maneira de aplicar a lei seca.

  18. Carlos Fraga disse:

    Flávio, vc é impagável

    “qualquer valor que estiver escrito no meu contra-cheque, é pouco”

  19. Vecchio disse:

    Acredito que é melhor um autêntico chinês do que qualquer “Nike” ou “Adidas” falso. Viva o Li Ning autêntico !!!

  20. sérgio barros disse:

    Flávio,
    isso não é tão recente e tão longe….

    Há vários anos cidades contratam atletas “de fora” para representá´-las nos Jogos Abertos do Interior, que ainda é um grande acontecimento esportivo.

    Lembro na década de 80, quando ainda lutava judô, e que Santos terminava em segundo lugar repetidamente, e São Caetano em primeiro. Só que São Caetano não tinha tradição nem “produção” de atletas e esporte que correspondesse ao resultado final. Daí percebeu-se que eles contratavam atletas de fora, alguns até já famosos.

    De alguns anos para cá, descambou de vez e se vê até quem já foi a Olimpíadas e um dia já foi profissional – algo triste para um evento que primava em revelar novos valores e incentivar a prática esportiva entre a comunidade das cidades.

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