BUUUUUUUU!!!!!
PEQUIM (hoje já é amanhã) – Voltei agora há pouco do Estádio dos Trabalhadores. Fui ver Argentina x Sérvia, futebol masculino. Já tinha notado ontem, no jogo das meninas, que o público chinês se comporta de maneira estranha em algumas situações. Os caras que carregam a maca, por exemplo, foram muito aplaudidos em suas três ou quatro intervenções. E o locutor do estádio também, quando anunciou que os acréscimos seriam de três minutos.
O estádio estava bem cheio hoje: 53 mil pessoas. Mas não havia muvuca nenhuma do lado de fora. Para todo o sempre será um mistério para mim a zona que são os jogos de futebol no Brasil. Qualquer jogo. Qualquer joguinho de dez mil pessoas pára o trânsito, tem fila na bilheteria e não dá para entrar no banheiro.
O Estádio dos Trabalhadores não tem estacionamento subterrâneo, nem estação do metrô que desemboca no meio do gramado. Mas recebe (e se despede de) 53 mil pessoas com um sossego de irritar. Juro que procurei uma fila. Ou algum tumulto perto dos portões. Nada. Para não deixar passar o evento em branco, saí de dentro do campo e atravessei no meio do público que deixava as arquibancadas puxando minha mochila, o que quase levou um argentino careca com cara de lutador de jiu-jítsu ao solo. Ele deu um tropeção de respeito. “Atropeçou”, como eu dizia quando era pequeno. E ainda me pediu desculpas.
O técnico da Argentina deixou os caras bons do time no banco: Riquelme, Aguero e Messi. Colocou um bando de reservas em campo e mesmo assim a vitória foi tranquila, 2 a 0, e ainda perderam um pênalti. O mais interessante do jogo acabou mesmo sendo a torcida. Desde o primeiro tempo eu notava gritos estridentes da chinesada: “Méxi, Méxi, Méxi!”. Queriam o Messi de qualquer jeito. Quando o treinador alvianil de longos cabelos fez a primeira alteração, não era o Méxi, mas outro jogador qualquer.
Aí o cara despertou a ira da chinesada. Cada vez que a Argentina tocava na bola era um “buuuuu” ensurdecedor. A bola passava para os pés de algum sérvio, e as vaias viravam aplausos imediatamente. La pelota voltava para os argentinos, mais vaias. Lateral para os sérvios, aplausos. E quando a bola não estava nem com um, nem com outro, voltava o coro: “Méxi, Méxi, Méxi”.
E foi assim até o último minuto. Encheu bem o saco, para dizer a verdade. O insensível do treineiro alvianil não quis nem saber e não colocou o Méxi, nem o Riquelme, nem o Arguero. No fundo, não precisava. Mas podia fazer pelo menos um agrado àquele monte de gente. Para eles pararem de gritar.
Agora a Argentina pega a Holanda. O Brasil ganhou da China e enfrenta Camarões, carrasco olímpico de outros carnavais. E eu publico mais uma foto minha, o que é meio ridículo, mas foi a única que se salvou deste evento, porque não fui eu que tirei. As demais ficaram muito ruins. Para fotografar futebol precisa daquelas lentes enormes que custam o preço de um carro.
Eu prefiro carros a lentes.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: Argentina, Futebol, Messi

Essa foto é prestação matrimonial de serviço?
Com 1.000.000.000 eles são organizados, civilizados e educados. Imagine o Brasil com este número de pessoas,qualquer partida de truco ia ser um inferno.
É maneiro, mas tu tá cansado, hein…
fala da jade barbosa *&%¨%*& rsrs
Eita, Flavio, depois de ter dado um tempo com a F1, aí está você de novo, cobrindo um evento internacional. Rapaz, mas você gosta, hein?! hahaha
Engraçado é o tamanho da lente dos caras, tem quase 1 metro de comprimento…
E aí, FG, dá Brasil?
Abraço!
Prezado Flavio,
Para nós aqui no Brasil parece que a olimpíada é grandiosa em termos de espaços esportivos. Porem é totalmente desprovida de emoção pelo “distanciamento” dos chineses. Para os espaços não ficarem vagos o governa força claquetes, parece haver poucos estrangeiros e a cidade parece estar sempre poluida. As provas de ciclismo mostravam isso de forma contundente, por terem imagens externas acompanhando o percurso.
É isso mesmo, afinal qual é o clima desta olimpiada ? Isso ninguem relata claramente daí, seja nos blogs ou nas varias modalidades de reportagens. Espero que voce comente este aspecto olimpico em suas materias da China. Não quando chegar ao Brasil.
atcs,
Antonio
Sem comentários!
cara, essa chamada “Chinês aplaude até maca” tá engraçada demais…. ótimo post e parabéns pela cobertura, realmente de qualidade.
Pois é Flávio, sem confusão na saída e na entrada de um jogo de mais de 50.000 pessoas, tão diferente daqui. Existe outro tumulto que parece ser só do Brasil. Fila, tumulto e gente demais em agencias bancárias. Conheço poucos países fora o Brasil , mas não vi nem a quantidade a agências daqui muito menos a fila e o tumuldo daqui, na verdade parece que estão sempre fechadas.
Vopce que já andou por tantos lugares é um fenômeno brasileiro mesmo a chatice e filas dos bancos?
esse negócio de gritar mexi mexi, sei nào…. por acaso era propaganda de cueca (mash) ou de motel ? E esse shampoo é bom, mas será que não faz crescer pelo na palma da mão?
Num clássico até que tranquilo, lá no Panetone (Cícero Pompom de Toledo), logo que terminou o jogo, um Pancrácio-Mor se aproximou do meu grupo dizendo para levantarmos e sair. Eu disse que preferia esperar um pouco para evitar todo aquele tumulto. 10 minutinhos. E não é que a azêmola pegou o cacetete e saiu dando toco na turma, berrando: “eu disse que é para sair já!”.
A coleção deste tipo de comportamento dos PMs testemunhados por mim nos estádios já tá grandinha. Eu me pergunto: quem treina esses caras? de onde vem isso?
Por essas e outros eu rachei o bico quando a torcida do Boca espancou-os poraqui. Nosso desejo naquela altura era sim poder arrancar pedaços de pau das cadeiras para devolver a agressão!
Educação logo!
Um abraço Flavio, a cobertura está show!
(depois de respirar fundo, pois sim apanhei) Bem, também fico imaginando como é duro para os caras lhe dar com aquela turma de quase-bandidos que ganham ingressos e se organizam em bandos. Sobra para nós…