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Arquivo da Categoria Moda

terça-feira, 11 de maio de 2010 Beleza, Moda | 20:08

Sua Hora Pode Ser Agora

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Eu leio todos os comentários que vocês deixam no blog (aliás, muito obrigada!) e vários, se não a maioria, carregam a pergunta de como se tornar uma modelo Plus Size. Esperei por uma boa oportunidade e agora posso respondê-la com a merecida atenção. Por enquanto, – até onde eu sei -, há um único evento de moda dedicado ao público GG no Brasil: o Fashion Weekend Plus Size. É o melhor mercado de passarela para as modelos de grandes medidas. No dia 15 de maio, será feito o casting (a seleção das meninas que vão desfilar) para a próxima edição do evento, que acontece entre 23 e 24 de julho, com desfiles das coleções primavera/verão 2011. Que tal se arriscar e iniciar na carreira de modelos grandes!?

Pré-requisitos

A altura mínima é de 1,65 m, o quadril deve medir no máximo 1,30 m e o manequim, obrigatoriamente, deve ser de 44 para cima. Mas, o principal: você deve estar disposta a desfilar de biquíni. Afinal, nas passarelas do evento serão apresentadas peças para ser usadas nas estações mais quentes do ano.

 

Não é preciso ser agenciada. O evento será bem democrático: dará chance às modelos mais experientes, às gordinhas que nunca realizaram um trabalho como Plus Size e às que trabalham na área esporadicamente, como é o meu caso. Basta ter pelo menos três fotos profissionais (15×21 ou maiores, tiradas por um fotógrafo, que vai cuidar da luz e ter cuidados de tratamento de imagem adequados):

  • uma de rosto;
  • uma de corpo inteiro;
  • outra (a escolher).

Não é necessário levar uma foto usando biquíni ou maiô, como antes divulgado. Leve a peça de banho para desfilar diante da comissão julgadora no dia da seleção!

Para quem busca realizar um sonho e nunca fez um book, vale a pena correr para providenciar este material, que deverá ser entregue à produção do evento no dia do teste.

Não há limite para idade. “Teremos tanto grifes de modinha/joviais quanto de modelagens mais sóbrias, para um público de maior idade”, disse Renata Poskus ao FATshion. Ela é uma das principais responsáveis pela realização do FWPS. “Na edição anterior, tivemos uma modelo de 36 anos e outra de 15. A segunda esteve acompanhada dos pais durante todo o tempo.”

O dia D

Cuide do make! Há castings que pedem cara lavada, mas neste você deve ir com uma maquiagem leve, como um corretivo, pouca base, pouco pó e pouco blush. O rímel está liberado! Não deixe os olhos carregados para não correr o risco de “enganar” os produtores.

Arrume os cabelos! É imprescindível que os fios estejam limpos, cheirosos e ajeitados. No meu caso, farei escova e chapinha. Mas para quem tende a ter cachos, por exemplo, assuma-os com capricho.

O motivo de tanta vaidade? Além de tirar nossas medidas, durante a seleção de casting vão nos fotografar e filmar para o teste de fotogenia.

 

O evento

O 1º Fashion Weekend Plus Size aconteceu no dia 24 de janeiro deste ano e recebeu editores de moda, emissoras de TV e críticos do segmento para a apresentação de coleções outono/inverno em tamanhos grandes.

Nos dias 23 e 24 de julho, acontece a segunda edição do Fashion Weekend Plus Size. “Os desfiles do primeiro dia são destinados a grifes de atacado. Vamos receber lojistas, pessoas a fim de fazer negócios, adquirir novas coleções. Trata-se de oportunidade para fornecedores de matéria-prima também. No segundo dia, será realizado o grande ’show’, onde prometemos mostrar ao público o que ele pode usar na próxima estação”, disse Renata.

Embora eu não tenha desfilado na primeira edição do FWPS, algumas modelos Plus Size com quem encontro em bastidores comentaram suas participações e espero que entrem em acão, novamente, nesta segunda edição do evento. São elas: Jovianny Alessandra, Simone Fiuza e Alessandra Linder. “Posso dizer que o FWPS foi uma experiência única! Acredito que foi uma ideia ousada da dupla Renata Poskus e Andrea Boschin, que deu certo. Sem esquecer dos grandes lojistas que tornaram o evento um verdadeiro sucesso! Desfilei para a grife Eveíza, loja que abriu o desfile com roupas superantenadas e modernas. Em seguida, desfilei para a Exuberance, com tecidos leves e super confortáveis (moda casual). No da Amália Gasparini, usei roupas de alfaiataria: puro luxo! E para a Impression Brasil, que encerrou os desfiles com vestidos de noiva, com  designer único, a emoção contagiou!”, conta Jovianny.

Jovianny na primeira edição do FWPS: à esquerda, no desfile da Eveíza; à direita, vestida de noiva para a Impression Brasil (Fotos: Arquivo Pessoal)

Alessandra Linder também conta como foi desfilar para o único evento de moda exclusivamente GG do Brasil: “Foi muito gratificante. Já tinha desfilado algumas vezes, mais nada tão grandioso e com mídia, como foi o FWPS. Esse evento deu oportunidades não só para modelos da grande São Paulo, mas como no meu caso, que sou de Americana – cidade localizada a 130km de São Paulo. Nos bastidores, acabei conhecendo muita gente e fiz grandes amizade. Profissionalmente também foi muito bom, pois dali surgiram várias oportunidades de trabalhos. Acredito que o 2° FWPS vai ser melhor ainda e espero mais uma vez poder participar!”

Alessandra Linder no desfile da FWPS, em janeiro de 2010, com peças da Amália Gasparini e Milanina (Fotos: Arquivo Pessoal)

Ah, a propósito, prepare-se para fazer novas amizades já na fila do casting. Afinal, nós gordinhas somos sempre muito simpáticas, não? (risos)

Bom… Tente relaxar. Para passar confiança na hora do teste, é necessário estar calma e sentir-se segura. E não trata-se de um bicho de sete cabeças. Basta ser você mesma! Você é fotogênica? Boa! Tem um sorriso lindo? Opa! Cuida da pele e dos cabelos? Perfeito! Durma bem, coma bem, esteja com a depilação em dia (claro!), use uma roupa bonita e confortável.

Lembro-me que na primeira vez que desfilei, tirei fotos no backstage, deitei no chão entre as modelos, comi chocolate e estava na maior alegria. Não há motivo para temer quando o assunto é trabalho… Ainda mais um trabalho onde você sente-se sempre bela e é fotografada e admirada por muitos, né? A seleção de casting é só o primeiro passo…

Canal de acesso

Para preparar este post para vocês, tirei minhas dúvidas através do casting@fwps.com.br. Se você ainda tiver dúvidas, pode fazer o mesmo!

Serviço para quem não possui experiência na área ou realiza trabalhos com pouca freqüência:

Data

Sábado, 15 de maio

Horário

das 10h às 16h

Local

Senac Lapa Faustolo

Rua Faustolo, 1347

Lapa – São Paulo/SP

Para quem é de outro Estado e/ou vive da moda Plus Size, posando para catálogos de grifes GG e realizando trabalhos na área com frequência, uma nova seleção de casting acontece no dia 22/5 (sábado), no mesmo local.

As candidatas farão o teste por ordem de chegada. Boa sorte para todas nós!

Autor: Carla Manso Tags:

segunda-feira, 26 de abril de 2010 Moda | 07:20

Beth Ditto: Eu Quero Algumas Peças da Nova Coleção!

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A americana Beth Ditto, de 29 anos, é vocalista da banda The Gossip, estilista e, na minha opinião, uma grande mulher, não só por pesar 95 kg e usar o manequim 54, mas por não ter receio de ousar na hora de se vestir e ter orgulho de ser como é.

Confesso que a primeira impressão que tive dessa gordinha foi bem ruim. Ela me assustou um pouco, assim como fez com parte do seu público. A forma que ela havia encontrado de traduzir sua forte personalidade e atrevimento sobre os palcos foi ficar de lingerie durante os shows.

Nos palcos, Beth Ditto chegou a perder o bom senso (Fotos: Reprodução)

Quando os níveis de adrenalina baixavam, Beth exibia sua alma jovem, criativa e sensível ao usar peças descoladas, coloridas e que respeitavam o formato de sua silhueta. Pronto! A grife britânica Evans, especializada em moda para o público GG, descobriu a musa do punk-rock, e em julho de 2009 era lançada a primeira coleção de roupas, sapatos e acessórios assinados por Beth Ditto, vestindo a partir do manequim 44.

Fotos do lançamento da coleção de Beth Ditto para a Evans: o macacão azul é um sonho! (Fotos: Divulgação)

Na época, enquanto desenhava suas primeiras peças, Beth cedeu entrevista ao jornal inglês The Observer: “As formas pra uma pessoa gorda precisam ser diferentes. Em alguns desenhos o pessoal da Evans estava cético, mas eu disse ‘confiem em mim’. E então, quando a modelo colocava a roupa, todos diziam ‘ah, agora entendi’”.

Ela criou modelos baseando-se no seu dia-a-dia. As viagens com a banda pediam peças mais leves e suas apresentações precisavam de um look moderno. Batas? Nunca! Kaftas? Jamais! Foram criados mini-vestidos, leggings e macacões de estampas e pegada dos anos 80. O vestido roxo que vemos na imagem acima não é uma graça? Com o resultado final deste trabalho, passei a admirá-la, mesmo que a sua música não agrade muito aos meus ouvidos.

Beth também optou pelo preto ao criar a coleção para a Evans (Fotos: Divulgação)

Em 2006, Beth ganhou o título de A Pessoa Mais Fantástica do Rock pela NME*; em 2007, foi nomeada a Mulher Mais Sexy do Ano, pela NME Awards e em 2008, ganhou o título de Artista Internacional do Ano, pela Glamour Awards**. Além disso, já posou nua e causou nos recheios das revistas LOVE e On Our Backs, entre outras, o que só comprova que ela realmente se dá muito bem com o corpo que tem.

Quanto mais eu busco informações sobre a vida e o trabalho da Beth, melhor percebo que o peso desta mulher não é empecilho para que ela conquiste o seu espaço e seja parabenizada pelo seu trabalho. Ela arregaçou as mangas, mostrou que tem atitude e talento para a música e para a moda, e agora é ícone fashion e a responsável pela cultivação da boa autoestima de milhares de fãs espalhadas pelo mundo. Sensacional!

Beth Ditto na capa da revista londrina Attitude, no Brit Awards 2010 e estampando a Jalouse (Fotos: Divulgação e Reprodução)

Devido ao sucesso nas vendas dos modelos, a Evans anunciou a chegada, em setembro, de uma segunda coleção assinada por Beth, que já está sendo projetada e promete brilho e glamour para a gordinha arrasar na noite. E eu só sei de uma coisa: eu quero algumas peças!

* NME: New Musical Express, uma famosa revista britânica de música que anualmente premia figuras do meio, através do NME Awards

** Glamour Awards é uma cerimônia anual de premiação organizada pela revista feminina Glamour

Por hoje é só! Na próxima quinta-feira (29) tem mais!

Autor: Carla Manso Tags:

terça-feira, 13 de abril de 2010 Moda, Personal stylist | 12:39

Na hora das compras é preciso paciência

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Optar por fugir do padrão de beleza estipulado como o “normal” pelo mundo da moda, e endossado pela mídia, requer cuidados, uma dose de criatividade e… muita paciência. Não é fácil manter o guarda-roupa em dia e é praticamente impossível amar todas as peças que você tem dentro dele. Sempre tem uma blusinha que poderia ser mais comprida, uma calça que deveria ser mais larga, um vestido que poderia ser um pouco mais curto…

Essa dificuldade não é exclusiva das gordinhas. Não é de hoje que ouvimos reclamações de mulheres muito altas, muito baixas ou muito magras. E mesmo as que se enquadram totalmente nos padrões muitas vezes reclamam: “Eu não tenho nada para vestir!”. No caso das gordinhas, encontrar peças ideais para o corpo, e que casem com a personalidade e o gosto pessoal, é um desafio, senão um drama! Então decidi contar como costuma ser o meu dia de compras, citando lojas e descrevendo peças à venda na cidade de São Paulo, onde eu nasci e moro até hoje.

Uma vida sem grifes

Na minha primeira ida ao shopping após me assumir como gordinha, cheguei à conclusão de que teria que abdicar de “lojas de etiqueta” como M.Officer, Operarock, Ellus, Diesel, Colcci e Zara, já que em geral tais grifes não trabalham com manequins superiores ao 44. Uma peça ou outra você até encontra no manequim 46, mas, em geral, lojas mais populares estão mais próximas da realidade e vestem grande parte das pessoas acima do peso no Brasil, que, segundo dados de 2004 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), totalizam 39 milhões.

Meu manequim é 46/8. No shopping, eu encontro o manequim 46 na C&A, que está com peças lindas e modernas até o dia 30 de abril, resultado da parceria criada com a grife carioca Espaço Fashion. Na semana passada, comprei uma calça bem justinha, que agora laceou e está uma delícia. Ela é levemente afunilada, tem lavagem mais clara atrás e na frente, com puídos (um termo usado na moda para definir pequenos rasgos) na região das coxas. Os bolsos, feitos com pedaços de jeans de diferentes tonalidades, têm aplicações de tachas.

Detalhe do bolso da calça; Eu, com a mesma calça da coleção Espaço Fashion da C&A (R$ 99) e blusa de uma lojinha do bairro da Lapa (R$ 25) (Foto: Marjorie Yamaguti)

Ainda em lojas de shopping, fico à vontade naquelas que são exclusivamente destinadas ao público GG, como Program, que veste até o 54 e está no Shopping Tatuapé e no Internacional de Guarulhos, entre outros.

A Eveíza oferece peças modernas, mas em São Paulo – no Shopping Mega Polo – só trabalha com atacado. Em Fortaleza (CE), as lojas da Eveíza no Shopping Iguatemi e Jardins Open Mall vendem no varejo.

Na rua, a melhor opção é o Brás. Minha amiga Simone Fiuza, que tem 1,70 kg, 96 kg, também atua no mercado como modelo Plus Size e aparece sempre muito bem vestida em programas de TV e seleções de castings, confirma: “Adoro comprar roupas em lugares populares no Brás e na rua José Paulino, na região do Bom Retiro. Garimpo muito até encontrar peças descoladas com preços acessíveis para o meu manequim, 48. Gosto de usar shorts e saias, que geralmente encontro na Cambos Jeans, acessível apenas para atacado”, conta.

Simone Fiuza veste colete Kauê (R$ 115), camiseta Kauê (R$ 74) e shorts Cambos Jeans (R$ 25) (Foto: Arquivo Pessoal e Carla Manso)

A Palank Fashion tem mais de 10 unidades espalhadas pela cidade de São Paulo e, embora seja um pouco mais cara, oferece peças do tamanho 46 ao 56. Vale a pena ter uma peça ou outra para ocasiões especiais, porque os modelos são lindos e modernos.

Em Brasília também tem uma grife especializada em tamanhos Plus Size, mas que eu ainda não tive a oportunidade de conhecer: “As gordinhas estão convidadas a virem à Maria Fofa, a loja que criei em Brasília, minha cidade, já que as mais cheinhas tinham dificuldades em encontrar roupas”, disse Silvania Pintor, leitora do FATshion, entre os comentários do post de estreia do blog.

Por hoje é só… Mais sobre esse assunto nos próximos posts. Dicas de onde encontrar roupas para tamanhos grandes são bem-vindas!

Autor: Carla Manso Tags:

terça-feira, 30 de março de 2010 Beleza, Moda, Noias | 08:27

Um vai e vem para o mesmo lugar

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Eu nunca fui magra, e na adolescência não conseguia me sentir bonita. Demorou para que eu aprendesse a me curtir, e hoje, mesmo fora do peso ideal, sei que posso me vestir bem e não discuto mais com o espelho… muito menos com a balança!

Adolescência obesa

Até os oito anos, posso dizer que fui uma criança normal — ou fofinha. Comia muito bem e minha mãe me vestia com um guarda-roupa típico de menina mimada. Meu armário estava repleto de vestidos — com babados, rendas ou estampas delicadas –, saias, sapatilhas, botas, meias-calças, boinas, tiaras.

Durante o meu primeiro ano de vida e aos quatro anos: bem vestida, de maneira adequada para cada ocasião (Fotos: Arquivo Pessoal)

Quando eu tinha nove anos, meus pais se separaram. A partir daí, comecei a exagerar nas guloseimas. Repetia o prato de comida com frequência e “assaltava” o freezer da padaria, levando para casa sorvetes e mais sorvetes. Em pouco tempo, perdi todas as minhas peças caprichadas e renovei meu figurino na Side Play – na época, loja de bastante sucesso entre os pré-adolescentes -, com meias, camisetas, calças e blusas de moleton com estampas de personagens dos desenhos animados. Minha mãe se desesperou.

Aos 13 anos eu pesava 100 kg, e não conhecia a vaidade. Passei a ser vigiada no quarto, na sala e na cozinha, mas encontrei a solução: comer na casa de uma amiga. Fui descoberta e novamente me safei: me mudei para a casa do meu pai.

Dos nove aos 13 anos, atingi os 100 kg e deixei a vaidade de lado (Fotos: Arquivo Pessoal)

A roupa que cabia em mim

Eu era aquela típica menina que ouvia todo dia: “Você tem um rosto lindo!”. Perdi as contas de quantas vezes meu rosto foi elogiado e meu corpo depreciado… Quando achei que poderia me esconder para fugir das críticas e dos maus olhares, passei a usar blusa de moletom de manhã, de tarde e de noite, sem levar em consideração a temperatura que fazia. Isso me transformou em motivo de chacota na nova escola, onde minha família decidiu que eu faria o colegial.

Durante a adolescência, a finalidade do moletom era a de esconder as gordurinhas (Foto: Arquivo Pessoal)

Os alunos pertenciam a uma classe social superior à minha e sofri diferentes tipos de preconceito nos três anos que fiquei por lá. As garotas se vestiam com calças de grife, Colcci, Zoomp e Diesel, enquanto eu usava a que cabia em mim e no meu bolso, e que, nitidamente, não tinha etiqueta invejável. A sensação de inferioridade era tremenda, inclusive dentro de casa, já que o meu irmão seguia a genética da família e não apresentava tendência à obesidade.

Ao lado do irmão mais velho: aos quatro anos, aos 14 e aos 18: superação (Fotos: Arquivo Pessoal)

O fim do moletom

Um belo dia, a mãe de uma amiga querida me convidou a dialogar com o espelho. Juntas, analisamos minhas curvas usando a blusa de frio, e depois sem ela. Só então eu pude notar que aquela peça de roupa larga, que escondia minha barriga, me fazia parecer ainda mais gorda. No dia seguinte,  decretei a abolição do moletom.

Muito prazer, vaidade

Pedi ajuda para quem não mediria esforços para me ver feliz: minha mãe. Em seis meses eliminei 30 kg. Aos 15 anos, fui dos 97 kg aos 67 kg, após uma temporada num spa, aplicação de enzima e drenagem linfática. Eu não conhecia mais o gosto de um chocolate ou de uma picanha, mas já podia entrar em uma calça da M.Officer e distribuir abraços a todos que me elogiavam, sem medo de ser desprezada. Nessa época, descobri como era ser popular e ainda estava livre dos camisetões. Uhu! Fiz mechas loiras no cabelo e passei a alisá-los para ir à escola. Eu era outra pessoa.

Ao me deparar com produtos de beleza, tentei correr atrás do tempo perdido e experimentei diferentes cores de cabelo, cortes e penteados (Fotos: Arquivo Pessoal)

Se eu me identifiquei com aquela nova Carla? Sinceramente? Não. Nem um pouco. Ganhei novos amigos e recebi convites para festas e encontros. Mas passei a viver para os outros, comer para os outros, me vestir para os outros. Acordava mais cedo para escovar e chapar o cabelo com receio de decepcionar a turma. Eu havia mudado minha aparência, mas não a minha mente. O novo corpo não me realizava e eu continuava frustrada. Voltei a comer.

Tentativas de emagrecimento

Entrei na faculdade usando manequim 42 e lutando contra a balança, porque não queria engordar e ser isolada mais uma vez. Tomei inibidor de apetite (sibutramina) sem me importar com os riscos à minha saúde. Meu primeiro namorado, assim como colegas de classe e do trabalho, reclamavam das minhas mãos sempre geladas, do meu desânimo e principalmente da minha constante alteração de humor, efeitos colaterais decorrentes do uso freqüente da medicação. Tentei, então, fazer famosas dietas, como a da USP, a do tipo sanguíneo e a da sopa. Tentei também seguir os Vigilantes do Peso. Nada adiantou.

Durante tratamento com inibidor de apetites: peso ideal e falsa alegria (Fotos: Arquivo Pessoal)

O ponteiro da balança começou a subir e não me convencia a fechar a boca. Afinal, conforme eu engordava, meu namorado apaixonado me achava ainda mais linda e eu não tinha mais a quem decepcionar. Na faculdade fiz um novo círculo de amizades, com pessoas de diferentes etnias, estereótipos e classes sociais, e não sentia necessidade de me adequar. Ufa! Toda essa luta não foi em vão, já que passei a gostar de jogar os cabelos mais louros para um lado e para o outro. Também adorei estreitar relações com o lápis de olho, o corretivo, a base, o pó, o blush e o rímel, e vira e mexe caprichava na maquiagem principalmente para me sentir bem, não exclusivamente para agradar os outros. Ainda descobri a existência de lojas como Zara, Khelf, Opera Rock, Triton, TNG, C&A, entre outras, de onde, garimpando, conseguia embaralhar peças de roupa e criar diferentes visuais sem gastar muito. Usando manequim 44/46, comprei calças, blusinhas, uma bela bota e acessórios.

Mostrar meu braço gordo? Jamais!

Embora eu tivesse aceitado que seria gordinha, tirar a roupa era uma questão mais delicada. Eu era complexada e nem a minha mãe conhecia mais a cor das minhas pernas. Eu pisava nas areias da praia de calça bailarina e nunca era vista de blusinha regata. Mostrar meu braço gordo? Jamais! É meu, é mole, é branco demais e ninguém precisa ver. Deixe que vejam meus olhos e meus cabelos, que sempre foram elogiados. Já não está bom? Eu não tinha saia, bermuda, shorts ou vestido. Achava um absurdo quando alguém dizia que era normal uma gordinha exibir as pernas. Iniciei um namoro e engravidei. Cheguei aos 105 kg num piscar de olhos e fui obrigada a deixar as minhas amadas calças de lado, por falta de numeração. As saias iam até a canela ou o pé, e eu me sentia um monstro.

Grávida de cinco meses; No chá de bebê, com um barrigão de sete meses, 103 kg e inchada (Fotos: Thalita Zaffalon/Arquivo Pessoal)

Aos 20 anos, mais gorda do que nunca e até com o nariz inchado, era impossível me achar bonita. Com os hormônios à flor da pele, eu estava chata e infeliz. Meu filho nasceu, eu o batizei de Lucas, mas foi difícil assumir o papel de mãe. Como eu amaria alguém sem antes me amar? Porém, durante os momentos de amamentação, alguma coisa aconteceu… Refleti e percebi que meu corpo, que até então era tratado com desprezo por muitos, inclusive por mim, agora era o responsável pela alimentação e sobrevivência de um ser que mirava o olhar no meu e segurava as minhas mãos. Ele se sentia acolhido naqueles braços que me envergonhavam.

Prestes a beijar o Lucas pela primeira vez; Lucas com um ano e meio: lindo, bonzinho, um anjo na minha vida! (Fotos: Eric Zafalon/Arquivo Pessoal)

Vida nova

Hoje eu estou em paz com cada pedacinho do meu corpo. É difícil uma mãe não dar razão ao filho, e o meu, que está com três anos e meio, vive dizendo que eu sou linda. Outro dia ele acordou me chamando de princesa. E eu realmente sou uma princesa… Vivo com o meu pequeno príncipe dentro de um humilde castelinho. Juntos, adoramos comer chocolate! (risos)

Troca de carinho nas areias de uma praia de Floripa (SC) (Foto: Vanessa Mendes)

Agora que já falei do meu filho, vou dar voz à minha mãe, Tania Queiroz, que me ajudou a vencer o preconceito que um dia eu tive de mim mesma. Quem sabe outras mães possam ajudar suas filhas a superar a falta de amor-próprio.

“Nossa cultura apresenta padrões de beleza que reforçam a magreza e a Carla sofreu muito no processo de seu desenvolvimento. Eu, como mãe, sempre priorizei a sua felicidade. Para vê-la mais feliz, busquei fazer a vontade dela, procurando caminhos e tratamentos para ela emagrecer. Muitas vezes funcionou, ela alcançava o peso ideal, mas em pouco tempo recuperava o peso antigo. Confesso que o fato de seu peso estar acima do considerado ‘ideal’ nunca me afetou, pois sempre vi minha filha pelo que ela é, pensa, sente, age e reage. O corpo é apenas uma forma, e ela está além dessa forma.”

Vaidade transferida de filha para mãe (Foto: Arquivo Pessoal)

Por hoje é só. No próximo post vou contar o que fiz para tentar me enquadrar no padrão fashion vigente.

Autor: Carla Manso Tags:

quinta-feira, 25 de março de 2010 Moda, Noias | 09:30

Você é Plus Size?

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Onde e quando tudo começou…
Meu primeiro trabalho como modelo Plus Size foi aos 16, sete anos atrás. A revista “Figurino – Tamanhos Grandes” precisava de uma garota para clicar em um jardim da Zona Oeste de São Paulo vestindo peças de verão. Uma amiga que havia participado da publicação anterior – e não poderia ser fotografada para duas edições seguidas – foi contatada e falou sobre mim. Ou seja: ter uma indicação de alguém de dentro é muito bom, como em qualquer lugar do planeta.

Tarde de princesa
Na época, como havia uma grande carência de modelos do segmento, uma descrição que fiz de mim mesma por telefone foi o suficiente para que a produção me aprovasse. Já no primeiro trabalho minhas fotos ilustraram seis páginas da revista, depois de uma cansativa, porém adorável, tarde de fotos. Fotógrafo, maquiador, cabeleireiro, jornalista responsável pela matéria, produtora, todos elogiavam meus olhos e minha pele, enquanto alisavam meus cabelos, arrumavam minhas unhas e pintavam meu rosto. Eu  me sentia uma princesa, ou talvez uma estrela de Hollywood. Para as fotos calcei sapatos baixos e vesti peças claras, nos tons de rosa e azul. Naquele dia, vivendo esse momento mágico de ser vestida por alguém, estava achando tudo lindo e nem me incomodei com o modelo das roupas, que eram bem caretas. Voltei para casa como se tivesse acabado de acordar de um sonho. Olhei para o espelho e mandei: “Fui notada e elogiada. E agora?”

No backstage do meu primeiro desfile Mega Polo, quando meu manequim era 44. Hoje visto 46/48

Uma agência na minha vida
Depois desse primeiro editorial, eu conheci outras modelos, tive novas indicações, fiz  uma série de trabalhos: mais fotos para revistas, matérias para a TV, ensaios para sites e desfiles. A carreira de modelo ia acontecendo, mas sempre a deixei em segundo plano, porque a minha faculdade de Comunicação Social, os estágios e um trabalho fixo na área de Jornalismo sempre foram prioridades (explico o porquê mais para frente, em um novo post!). Foi no backstage de um destes desfiles que conheci Simone Fiuza, a dona da agência GGliter (lê-se “Gê Gliter”). Atualmente, é ela quem me indica para participar de eventos de moda e busca novos trabalhos para mim, assim como para outras 45 modelos agenciadas.

Look Book Coleções Outuno/Inverno 2010 do Mega Polo Moda (Fotos: Eduardo Martins)

Mulherões em ascensão 
A demanda de trabalho para as modelos que fazem publicidade direcionada ao público GG cresce diariamente. Cada vez mais lojas produzem peças para o nosso tamanho, e catálogos, desfiles e ensaios para sites aparecem com frequência. No dia 24 de janeiro deste ano, por exemplo, aconteceu a primeira Fashion Weekend Plus Size, em São Paulo: mulherões vestiram peças de 10 marcas diferentes, lançando tendências de vestidos de festa, de noivas, streetwear e lingerie. Na média, uma boa modelo faz de um a três trabalhos semanais. E as modelos que não vêem tal profissão como prioridade na vida, como no meu caso, mas mandam bem na passarela, realizam pelo menos dois trabalhos anuais, mesmo que ainda não exista um calendário fixo de eventos Plus Size. Estamos aqui torcendo para que um dia entrem no roteiro a FATshion Week e o Rio FATshion.

Você é Plus Size?
Existe modelo Plus Size de manequim 44 e existe modelo Plus Size de manequim 52. O IMC (índice de massa corporal, que mede o percentual de gordura que você tem no corpo) e os números acusados pela balança não são os principais pré-requisitos na seleção de uma modelo para tamanhos grandes. Essencial é ter um rosto bonito, ser vaidosa (as unhas devem sempre estar bem feitas, e a pele e o cabelo bem cuidados), fotogênica e medir no mínimo 1m 60. Seios grandes ou pequenos, tanto faz. Cintura marcada ou o corpo mais redondinho. Coxas grossas ou mais finas. Rosto magro ou mais cheinho. Tem trabalho para todas! Porém, pude notar que, na maioria das vezes, eventos de moda e revistas optam pelos manequins 44, 46 e 48, com altura mínima de 1m 70, enquanto lojas têm preferência por 50 e 52 para criar catálogos e peças de divulgação.

Regra básica
Não pode ter vergonha! Já pensou se a modelo não quer ficar de lingerie no backstage de um desfile? A marca é anunciada e as peças não desfilam. O fim! Por isso, a modelo Plus Size deve ser muito bem resolvida com o próprio corpo e assumir uma possível flacidez, a lingerie um pouco maior e suas curvas acentuadas. Para olhar com confiança para o público e para a câmera fotográfica, você tem que confiar em você!

Maio de 2009: manequim 46 e curvas assumidas

Por hoje é só… No próximo post, vou contar como me assumi como uma gordinha e como tentei, antes disso, de tudo para emagrecer.

Autor: Carla Manso Tags:

terça-feira, 23 de março de 2010 Moda | 19:04

Um dia na vida de uma Plus Size

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Eu peso 87 kg, tenho 1m 70, sou jornalista e… modelo! Há alguns anos essa afirmação seria motivo de chacota no meio da moda, mas hoje em dia muitas gordinhas vivem da publicidade de roupas e produtos destinados ao público GG. Conheço de perto esse mercado, e por isso decidi contar aqui, no blog FATshion, algumas histórias de bastidores e ensinar o caminho das pedras para quem quiser tentar a sorte como modelo Plus Size.

Para começar, vou mostrar o que rolou na preparação para o desfile do Mega Polo Moda, que aconteceu no início do mês em São Paulo.

Mais de 40 modelos Plus Size foram chamadas para o casting, que escolheria apenas 10 para pisar na passarela. Como pré-requisito, precisamos de um belo sorriso e um manequim mínimo de 46. Foram selecionadas profissionais de até 105 kg e as silhuetas variavam: quadril largo e cintura fina, coxas grossas e seios médios, costas largas ou não – o importante era ter grandes curvas.

Ok, o dia D chegou. Cabelo e maquiagem deveriam ser nossas principais preocupações, mas um café da manhã era servido e não perdemos a boquinha livre. Pães de queijo, misto frio, leite com chocolate, bolo de coco e outras “cositas mas”.

Carla Manso (eu), Jovianny Alessandra, Thami Fatal, Simone Fiuza, Andréa Delgado, Bianca Raya, Celina Lulai, Adriana Macioli e Alessandra Linder (Foto: Arquivo Pessoal)

Hora de arrumar as madeixas e pintar o rosto, que obrigatoriamente deve chegar sem nenhum vestígio de maquiagem. A prioridade é sutilmente dada às modelos “tradicionais”, mas a gente não se abala e na primeira oportunidade senta na cadeirinha dos sonhos. Nessa hora, percebemos que o penteado das magrinhas ganhou um rabo-de-cavalo com trança, enquanto o cabelo das gordinhas se mantém solto para moldar nossos rostos mais cheinhos. “Vocês ficam sempre à vontade, né? (risos)”, brinca a modelo magrinha Gabriela Gomes, de 19 anos, que vira e mexe se depara com colegas de tamanhos grandes em trabalhos de moda.


Eu, Juliana Telhada, Alessandra Linder e Jovianny Alessandra no make-up (Fotos: Andréia Delgado e Carla Manso)

Noto que algumas Plus Size usam cintas modeladoras, “para a roupa cair melhor e também para preservar o corpo, porque alguém pode gravar vídeos e jogar na Internet, como já fizeram uma vez”, conta Bianca Raya, com receio de virar piada virtual.

Nas araras

Entre as 310 confecções que desfilam no Mega Pólo Moda, 15 possuem peças em tamanhos grandes. Algumas lojas são exclusivas do público GG e outras costuram para diferentes silhuetas. Vale lembrar que esta é a 8ª edição do evento. “É fato que o segmento cresceu. Participei de outras seis edições e posso afirmar que o número de confecções, inicialmente, era bem inferior”, afirma Simone Fiúza, modelo Plus Size e dona da agência GGliter, da qual faço parte.

No primeiro desfile, agendado para às 10h30, temos Naif, Jes e Program:

Simone Fiuza veste casaco Program e Alessandra Linder usa Jes (Fotos: Marcia Fazoli/Divulgação)

O desfile das 12h recebeu Karina Bacchi no Mega Pólo Modas. Não aguentei e fui perguntar para ela o que achava do trabalho das Plus Size:

Karina Bacchi e a modelo Andréa Delgado no backstage (Foto: Carla Manso)

“Eu já vi ensaios do segmento, inclusive o da Fluvia Lacerda como Gisele Bündchen. Vamos mostrar para as adolescentes que acompanham a passarela e colocam a saúde em risco se esforçando demais para emagrecer que não é só a magra que se veste bem. Eu levanto a bandeira das baixinhas e há quem levante a das gordinhas”, disse a recém-milionária, vencedora do reality show “A Fazenda”, da Record. Para quem não sabe, Fluvia Lacerda é uma modelo de 29 anos que se tornou referência entre as gordinhas. Ela vive em Nova York e é mundialmente conhecida como ‘Gisele Bündchen Plus Size’.

Fluvia Lacerda, modelo internacional, conhecida como ‘Gisele Bündchen Plus Size’ (Foto: Divulgação)

E, por aqui, as grifes Eveíza, Shine e Grande Porte Morena:

Adriana Macioli usa vestido da Eveíza e Bianca Raya desfila modelito da Shine (Fotos: Marcia Fazoli/Divulgação)

O segmento está em ascensão, mas ainda é comum que profissionais do meio desconheçam o Plus Size. “É brincadeira, né? Não? Nossa… Mas é bom que este tipo de trabalho exista, principalmente no Brasil, onde os estereótipos são inúmeros”, palpitou Carlos Casagrande, sem esconder a surpresa ao descobrir que eu podia desfilar. O ator e modelo participa pela 3ª vez do Mega Pólo Moda, mas mal enxergava as poucas modelos que desfilavam para tamanhos grandes em edições anteriores. O modelo Felipe Juan, de 26 anos, contou: “É a primeira vez que vejo o trabalho Plus Size de perto.”

No backstage, com Carlos Casagrande (Foto: Arquivo Pessoal)

Eu, de terninho da Minas Center, e Juliana Telhada com figurino Pérola Oriental (Fotos: Marcia Fazoli/Divulgação)

Embora as modelos Plus Size estejam à vontade nas passarelas, as coleções ainda não refletem nossos desejos fashionistas. O sentimento geral é de que as peças não condizem diretamente com o que gostaríamos de usar no dia-a-dia. Afinal, idade e centímetros não representam a mesma unidade de medida. Quilos a mais não significam roupas menos jovens.

Eu e Jovianny Alessandra com peças da Dãrivam (Fotos: Marcia Fazoli/Divulgação)

Por hoje é só… No próximo post, vou contar como fui descoberta e como começou minha carreira de modelo Plus Size!

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