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quinta-feira, 25 de março de 2010 Moda, Noias | 09:30

Você é Plus Size?

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Onde e quando tudo começou…
Meu primeiro trabalho como modelo Plus Size foi aos 16, sete anos atrás. A revista “Figurino – Tamanhos Grandes” precisava de uma garota para clicar em um jardim da Zona Oeste de São Paulo vestindo peças de verão. Uma amiga que havia participado da publicação anterior – e não poderia ser fotografada para duas edições seguidas – foi contatada e falou sobre mim. Ou seja: ter uma indicação de alguém de dentro é muito bom, como em qualquer lugar do planeta.

Tarde de princesa
Na época, como havia uma grande carência de modelos do segmento, uma descrição que fiz de mim mesma por telefone foi o suficiente para que a produção me aprovasse. Já no primeiro trabalho minhas fotos ilustraram seis páginas da revista, depois de uma cansativa, porém adorável, tarde de fotos. Fotógrafo, maquiador, cabeleireiro, jornalista responsável pela matéria, produtora, todos elogiavam meus olhos e minha pele, enquanto alisavam meus cabelos, arrumavam minhas unhas e pintavam meu rosto. Eu  me sentia uma princesa, ou talvez uma estrela de Hollywood. Para as fotos calcei sapatos baixos e vesti peças claras, nos tons de rosa e azul. Naquele dia, vivendo esse momento mágico de ser vestida por alguém, estava achando tudo lindo e nem me incomodei com o modelo das roupas, que eram bem caretas. Voltei para casa como se tivesse acabado de acordar de um sonho. Olhei para o espelho e mandei: “Fui notada e elogiada. E agora?”

No backstage do meu primeiro desfile Mega Polo, quando meu manequim era 44. Hoje visto 46/48

Uma agência na minha vida
Depois desse primeiro editorial, eu conheci outras modelos, tive novas indicações, fiz  uma série de trabalhos: mais fotos para revistas, matérias para a TV, ensaios para sites e desfiles. A carreira de modelo ia acontecendo, mas sempre a deixei em segundo plano, porque a minha faculdade de Comunicação Social, os estágios e um trabalho fixo na área de Jornalismo sempre foram prioridades (explico o porquê mais para frente, em um novo post!). Foi no backstage de um destes desfiles que conheci Simone Fiuza, a dona da agência GGliter (lê-se “Gê Gliter”). Atualmente, é ela quem me indica para participar de eventos de moda e busca novos trabalhos para mim, assim como para outras 45 modelos agenciadas.

Look Book Coleções Outuno/Inverno 2010 do Mega Polo Moda (Fotos: Eduardo Martins)

Mulherões em ascensão 
A demanda de trabalho para as modelos que fazem publicidade direcionada ao público GG cresce diariamente. Cada vez mais lojas produzem peças para o nosso tamanho, e catálogos, desfiles e ensaios para sites aparecem com frequência. No dia 24 de janeiro deste ano, por exemplo, aconteceu a primeira Fashion Weekend Plus Size, em São Paulo: mulherões vestiram peças de 10 marcas diferentes, lançando tendências de vestidos de festa, de noivas, streetwear e lingerie. Na média, uma boa modelo faz de um a três trabalhos semanais. E as modelos que não vêem tal profissão como prioridade na vida, como no meu caso, mas mandam bem na passarela, realizam pelo menos dois trabalhos anuais, mesmo que ainda não exista um calendário fixo de eventos Plus Size. Estamos aqui torcendo para que um dia entrem no roteiro a FATshion Week e o Rio FATshion.

Você é Plus Size?
Existe modelo Plus Size de manequim 44 e existe modelo Plus Size de manequim 52. O IMC (índice de massa corporal, que mede o percentual de gordura que você tem no corpo) e os números acusados pela balança não são os principais pré-requisitos na seleção de uma modelo para tamanhos grandes. Essencial é ter um rosto bonito, ser vaidosa (as unhas devem sempre estar bem feitas, e a pele e o cabelo bem cuidados), fotogênica e medir no mínimo 1m 60. Seios grandes ou pequenos, tanto faz. Cintura marcada ou o corpo mais redondinho. Coxas grossas ou mais finas. Rosto magro ou mais cheinho. Tem trabalho para todas! Porém, pude notar que, na maioria das vezes, eventos de moda e revistas optam pelos manequins 44, 46 e 48, com altura mínima de 1m 70, enquanto lojas têm preferência por 50 e 52 para criar catálogos e peças de divulgação.

Regra básica
Não pode ter vergonha! Já pensou se a modelo não quer ficar de lingerie no backstage de um desfile? A marca é anunciada e as peças não desfilam. O fim! Por isso, a modelo Plus Size deve ser muito bem resolvida com o próprio corpo e assumir uma possível flacidez, a lingerie um pouco maior e suas curvas acentuadas. Para olhar com confiança para o público e para a câmera fotográfica, você tem que confiar em você!

Maio de 2009: manequim 46 e curvas assumidas

Por hoje é só… No próximo post, vou contar como me assumi como uma gordinha e como tentei, antes disso, de tudo para emagrecer.

Autor: Carla Manso Tags:

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