Ben Gordon matou a pau ao final do jogo. Disse ele: “Nós cometemos um monte de estupidez em quadra (…) Arremessos estúpidos, decisões estúpidas e defesa estúpida”.
E seguiu em seu discurso perfeito, após a derrota de ontem à noite do Chicago para o New Jersey por 111-99. Jogo onde a estrela maior foi o armador Devin Harris (foto AP), do Nets, que anotou 42 pontos, 19 deles no último quarto.
E quais foram essas estupidez?
Vamos a elas:
1) Arremessos estúpidos – como pode um time, no momento decisivo, ficar na mão de um jogador que não está acostumado a decidir uma partida? Tyrus Thomas fez a trinca de arremessos finais do Chicago no momento crucial – o primeiro deles vindo do banco, portanto, frio no jogo – e errou todos. Por que ele?;
2) Decisões estúpidas – como pode um treinador deixar seu armador principal, Derrick Rose, do lado de fora da quadra nos últimos 4:52 minutos, quando o jogo foi definido?;
3) Quem era o responsável pela marcação de Devin Harris?
Antes de virar-se de costas para os jornalistas e colocar um ponto final na entrevista coletiva dentro do vestiário visitante do Izod Center, Gordon encerrou a questão com uma frase lapidar: “Nós nos destruímos”.
Tudo isso, a meu ver, foi fruto da incapacidade de Vinnie Del Negro. Afinal, ele não é o treinador? Não é ele quem manda? Se todas essas bobagens foram cometidas, o culpado é ele.
Um treinador competente não deixaria isso acontecer.
Diria ele: Thomas, você vai para o garrafão atrás dos rebotes, nada de decidir porque você não está acostumado a isso; Derrick, o jogo está em suas mãos, porque DH está enlouquecido, trate de dar um jeito nisso, não dê espaço para ele arremessar, grude nele feito chiclete e depois me diga qual é o sabor; fulano, sicrano e beltrano, vocês vão fazer a ajuda no caso de DH cortar Derrick e tentar a infiltração, ele não pode ver o aro pela frente, quando ele olhar para a cesta não pode enxergá-la, tem que ver, isto sim, uma camisa vermelha diante de si.
Será que Del Negro fez isso?
Ele garante que sim, pelo menos no tocante a Harris. Eis sua justificativa após a partida:
“Nós não pudemos controlar sua penetração. Harris encontrou sempre seu caminho. Tentamos de tudo. Tentamos armadilhas, forçar o erro, [defesa] zona. Mudamos o marcador. Mas ele fez grandes jogadas. Eles vem fazendo isso contra um monte de times [neste campeonato]”.
Do jeito que Del Negro fala, o Chicago esteve diante de Magic Johnson e não de Devin Harris.
DESPERDÍCIO
O Chicago perdeu uma excelente chance de vencer a partida de ontem à noite. Quando o último quarto começou, o Bulls estava na frente em 78-74.
O time da cidade dos ventos dominou praticamente toda a partida. Foi então que Devin Harris entrou em cena para seu ato final e contou a história à sua maneira.
Fez 19 de seus 42 pontos neste tempo derradeiro, como disse, e comandou o time no quarto vencido por 37-21, que decretou o marcador de 111-99.
A derrota em si já é um ruim; ficou pior ainda porque o New Jersey igualou a campanha do Bulls.
Ambos têm 26 vitórias e 32 derrotas e um aproveitamento de 44.8%. Dividem a nona posição na Conferência Leste, mas o Bulls leva vantagem porque ganhou dois dos três confrontos realizados até o momento.
O quarto e último enfrentamento entre ambos ocorrerá no dia 4 de abril, no United Center.
Quem gostou do resultado foi o Milwaukee, que permanece na oitava colocação da conferência com um recorde de 28-32, o que representa um desempenho de 46.7%.
OUTRO LADO
É certo que Devin Harris não é Magic Johnson, mas que o armador do New Jersey vem matando a pau, isso ninguém discorda.
Antes do jogo de ontem diante do Chicago, DH tinha anotado 39 pontos na vitória do Nets sobre o Philadelphia por 98-96, também no Izod Center, com uma cesta no meio da quadra no segundo final.
Vinnie Del Negro tem razão: Devin vem destruindo defesas adversárias. Mais um motivo para debruçar-se sobre a prancheta e tentar conter os avanços do oponente.
Repito: DH não é Magic Johnson. O ex-armador do Lakers, este sim, quando estava em seus dias, era incontrolável.
Mas vamos dar, é claro, os méritos a Harris, um “all-star” que nós, aqui mesmo neste botequim, já dissemos várias vezes ser o futuro da armação na NBA ao lado de Deron Williams e, principalmente, Chris Paul.
E pensar que o Dallas o trocou por Jason Kidd… Só na cabeça de Mark Cuban.
Em 41:24 minutos, Harris acertou 14 de seus 23 arremessos. Mais ainda: atingiu o alvo em todos os 11 lances livres cobrados.
Fechou sua performance com seis assistências e mais quatro rebotes.
ÍCARO
O Detroit não para de perder. A derrota de ontem diante do Hornets, em New Orleans, por 90-87, foi a oitava consecutiva.
Quatro em casa e quatro fora.
Esta campanha pífia do Pistons deixa em aberto mais uma vaga na Conferência Leste. Ou seja: ao invés de uma, temos duas à disposição de Detroit, Milwaukee, Chicago, New Jersey e New York.
O Philadelphia está próximo, com uma derrota a menos que o Detroit (28-29), mas o Sixers tem se mostrado menos instável neste momento da competição, o que me faz a não colocá-lo, pelo menos por enquanto, no rol dos times que estão fazendo uma força terrível para não se classificar para os playoffs.
Mas voltemos ao Detroit, que é o tema deste capítulo.
Em seus últimos 24 combates, o Pistons conseguiu vencer apenas seis deles. Perdeu 18. As oito derrotas enfileiradas representam uma campanha que não era vista desde a longínqua temporada 1994-95.
O que ocorre com o Detroit?
Ora, nada mais nada menos do que fruto da inanição intelectual de seu GM, Joe Dumars. Ex-armador daquele timaço que ainda tinha Isiah Thomas e Dennis Rodman, bicampeão da NBA no final da década de 1980, Dumars revela-se um péssimo administrador.
Não vamos ficar aqui listando todas as suas bobagens. Mas duas delas não podem passar em branco: Michael Curry como treinador e, principalmente, a troca de Chauncey Billups por Allen Iverson.
Não há franquia que resista a tamanha tolice.
AUSÊNCIAS
É claro que a contusão de Allen Iverson, ainda no primeiro quarto (contratura nas costas), que obrigou-o a deixar prematuramente o jogo e a expulsão de Rasheed Wallace (foto AP) quando faltavam 7:55 minutos para a partida acabar tiveram um peso importante na derrota do Pistons.
O jogo estava no pau; o New Orleans vencia por 74-71 quando Sheed foi mandado mais cedo para o chuveiro. Se tivesse ficado em quadra, quem sabe, o resultado poderia ter sido outro.
Mas não foi; como não tem sido desde o dia 8 de fevereiro passado, quando o Detroit acabou derrotado pelo Phoenix por 107-97, dentro do Palácio de Auburn Hills; e nunca mais conseguiu vencer.
Eu não desejo o mal para ninguém, mas tomara que Iverson fique de fora alguns jogos. Com ele ausente, Michael Curry pode retornar Rip Hamilton para o quinteto titular, dar a ele mais minutos em quadra e deixá-lo ao lado de Rodney Stuckey na armação das jogadas.
Quem sabe as vitórias não ressurjam?
Amanhã o time enfrenta o Orlando na Flórida. Ótima oportunidade para se iniciar vida nova.
INCOMPETÊNCIA
O Denver pediu para perder o jogo, mas o Atlanta fraquejou no momento final.
Chauncey Billups anotou 33 pontos, mas quase chutou o balde a seis segundos do final ao errar um arremesso duplo com o marcador do telão central luzindo 110-109 para o Nuggets. Ronald Murray pegou o rebote.
O Atlanta saiu rapidamente para o ataque. Foi uma confusão só e o próprio Murray disparou o tiro final, de chumbinho, eu diria, que quase deu “air ball”.
E o resultado ficou mesmo nos 110-109 para o Denver.
O time colorado abriu 110-102 quando o mesmo Billups acertou dois lances livres a 1:57 minuto para o cronômetro zerar. Como disse acima, os jogadores, em quadra, parece que decidiram perder a partida.
Deixaram o Hawks fazer uma corrida de 7-0. Mas o time da Georgia se atrapalhou na última bola, como vimos, e deixou o Denver colocar um ponto final em uma sequência de três jogos com derrotas, que ajudou a franquia a permanecer na terceira posição da Conferência Oeste.
RETORNO 1
Boa notícia: Nenê, que ficou de fora do jogo de ontem contra o Atlanta e também não jogou diante do Boston, deve vestir a camisa 31 do Nuggets na partida diante do Lakers, amanhã à noite.
Jim Gillen, médico do time, garantiu que esta tarde Nenê treinando normalmente.
Ótimo: o Nuggets vai mesmo precisar da volta do são-carlense, pois o Denver não sabe o que é vencer o Lakers há dez jogos, se não estou enganado.
Se estive equivocado, por favor, corrijam-me.
RETORNO 2
O Utah enfileirou seis vitórias. Tudo começou com o triunfo diante do Lakers, no dia 11 passado, por 113-109, em Salt Lake City.
De lá para cá, diante de seus fãs, na EnergySolutions Arena, despachou Memphis, Boston, New Orleans e Atlanta. Ontem, bateu o Minnesota, no Target Center, por 120-103.
Isso mantém o Jazz na sétima posição do Oeste.
O campeonato da conferência referida está interessantíssimo. A partir do Denver, que tem 20 derrotas, há sete times brigando por seis vagas, pois considero Lakers e San Antonio nos playoffs.
É agora, a partir do fim do “All-Star Weekend”, que começa o segundo turno da competição. Quem for mais regular, não deixará escapar a vaga
.
Carlos Boozer (foto AP) está de volta ao Utah depois de ter perdido 46 pelejas. Regressou na vitória diante do Atlanta por 108-89.
Um reforço e tanto.
Ele está entrando aos poucos, ou melhor, tem tido poucos minutos à disposição. A economia é planejada; Boozer tem que devagarzinho recuperar a melhor forma física e técnica e, consequentemente, seu ritmo de jogo.
No embate diante do Hawks, foram 21 minutos em quadra e apenas dois pontos e cinco rebotes, além de dois desarmes.
Ontem, o medalhista de ouro olímpico já pontuou mais: 12 tentos. Mas fisgou menos rebotes: quatro. Mas teve um minuto a mais para se divertir em quadra.
Com Boozer de volta, o Utah vai crescer muito. Dados como: esta foi apenas a décima vitória do time em 28 jogos fora de casa não encontrarão mais espaços nas estatísticas.
Boozer, Deron Williams, Mehmet Okur, Andrei Kirilenko e Paul Millsap são jogadores que Gregg Popovich, Phil Jackson, Mike Brown, Doc Rivers e Stan Van Gundy gostariam muito de ter.
E eles estão reunidos em Salt Lake City, à disposição de Jerry Sloan, um gênio na arquitetura de times de basquete.
O Utah chega aos playoffs; aposto com quem quiser.