UMA VARRIDA E A VAGA
SÃO PAULO — De volta ao lar, onde vi ontem à noite o Orlando tornar-se o primeiro time a se classificar para as semifinais de um dos playoffs. Sua incontestável vitória diante do Charlotte, na Carolina do Norte, por 99-90, provou uma vez mais que o time da Flórida é um dos mais fortes desta temporada.
O placar final da série comprova: 4-0. Uma varrida, como os americanos gostam de dizer. Foi, diga-se, a segunda vez que o Magic conseguiu varrer alguém em uma série de playoff. A primeira ocorreu diante do Detroit, em 1996.
Uma vez mais Dwight Howard não pôde dar sua cota de contribuição — e ela não é pequena. O Super-Homem do Orlando voltou a ter problemas com as faltas — saiu eliminado da partida com seis no total — e adicionou apenas seis pontos em 23 minutos dos 48 disponíveis em uma partida da NBA.
Parece o bobo da corte. Além de cometer faltas, quando a partida está no pau e próxima do fim o adversário faz o “hack-a-shaq” em cima dele, pois seu aproveitamento nos lances livres é tão constrangedor quanto o de Shaquille O’Neal.
Bate mais palmas no banco, incentivando os companheiros em quadra do que coloca seu basquete eficiente a serviço da equipe.
Mas tudo bem, o Orlando é um time e conta com jogadores de alto calibre. Já falei aqui de Jameer Nelson. Ontem, o baixinho de 1m83 de altura anotou 18 pontos. Brilharam a seu lado Rashard Lewis (17) e Vince Carter (21).
Carter, aliás, começa a provar nestes playoffs que sua vinda para a franquia, no lugar de Hedo Turkoglu, adicionou mais qualidade ao Orlando. VC pode não ter a mesma força defensiva do turco, mas é boa também. E em contrapartida, pontua muito mais e este desequilíbrio é maior que o de Turkoglu.
Outro registro importante: o Magic encestou 13 de suas 33 bolas de três, enquanto que o Charlotte, com a mão descalibrada, derrubou só cinco de suas 19 tentativas. Este desempenho explica também mais uma vitória do Orlando.
Com a classificação, o Orlando espera agora pelo encerramento da série entre Atlanta e Milwaukee, que está emocionante.
IGUALDADE
Mesmo sem o pivô Andrew Bogut, lesionado e fora da temporada, o Milwaukee joga de igual para igual com o Atlanta. Ontem à noite, em Wisconsin, bateu o rival por 111-104, num final emocionante, com a equipe da Geórgia tentando a virada nos últimos segundos.
Mas, ao longo do prélio, sempre que tentava algo mais contundente, aparecia Carlos Delfino e jogava um balde de água fria em suas pretensões. “El Lancha”, anotem aí, por favor, é o melhor jogador argentino da atualidade — excetuando Manu Ginobili, é claro, Manu que ratificou semana passada o que já tinha dito anteriormente: não irá ao Mundial da Turquia.
Mas eu falava em Carlitos, o melhor dos argentinos que estarão no torneio turco. Foram nada menos do que seis bolas triplas que saíram de suas mãos e acertaram o alvo. Ele mandou oito contra o aro adversário, o que dá um excelente aproveitamento de 75%.
Mas não foram apenas bolas de três. Teve até enterrada, para deleite dos 18.717 torcedores que compraram todos os tíquetes disponíveis. Delfino terminou a peleja com 22 pontos.
Quem também brilhou foi o novato Brandon Jennings. Aqui abro um parêntese: as atuações de playoffs não devem contar, mas os jornalistas que vão escolher o “Rookie of the Year” certamente que serão influenciados pelo desempenho de Jennings nesta nova fase da competição. Na minha opinião, Tyreke Evans jogou mais que Brandon na fase regular e, por isso, deve ficar com o R.O.Y. desta temporada, mas…
Mas voltando a Jennings, o novato fez ontem 23 pontos, seis rebotes e quatro assistências.
Como eu disse que o Bucks é um time, cito também os 22 pontos de John Salmons (que coisa!), os 11 de Ersan Ilyasova e os dez de Luc Richard Mbah a Moute, um camaronês que joga feito Anderson Varejão. Seu basquete reluz pouco no “box score”, mas dentro das quatro linhas tem a energia e a disposição do capixaba, aquele vigor que contagia todo o time e não o deixa esmorecer em momento algum e faz o mais sonolentos dos torcedores ver o jogo com a palma da mão suada o tempo todo.
A série está empatada em 2-2. Quarta-feira os dois times voltam a se enfrentar, desta vez em Atlanta, onde os fãs locais esperam que Al Horford peleje mais contra os adversários do que contra as faltas.
VIRADA
O jogo começou e eu fiquei atônito. O Portland dava um chocolate no Phoenix em plena US Airways Arena. Fez 10-0 e chegou a liderar a contenda em 14 pontos — é certo que no primeiro quarto, mas era significativo demais para não ser chocante.
Aos poucos o Suns foi se ajustando em quadra e suas bolas teimosas passaram a descer abraçadas pela redinha adversária. Assim, o time foi aos poucos baixando a diferença, chegou à igualdade, engatou uma sexta marcha e deixou para trás o oponente, que não sentiu mais nem o seu cheiro. Chegou a abrir vantagem de 27 pontos.
Dois jogadores vindo do banco foram o destaque do time do vale do sol: Channing Frye e Jared Dudley. Frye só começa sentado, mas é titular, pois seu tempo de quadra indica isso. Ele anotou 20 pontos e confiscou oito rebotes. Dudley, este sim um reserva, cravou um ponto a menos , sendo que encestou cinco de suas nove tentativas de três.
Frye estive 27 minutos em quadra; Dudley, 25.
Já Leandrinho Barbosa… O paulistano jogou 19 dos 48 minutos disponíveis. Cravou sete pontos, frutos de um aproveitamento ruim nos chutes: 3-11. Fez feio mesmo foi nas bolas de três: 0-4 — e a gente sabe muito bem que esse tipo de lançamento é o carro-chefe de seu jogo.
Paciência; um dia depois do outro, nada melhor do que isso. Leandrinho tem basquete de sobra para colocar uma pedra neste assunto e escrever novo e importante capítulo em sua participação nesses playoffs já nesta quinta-feira, quando a série volta para o Oregon.
Dito tudo isso, apesar do susto inicial, a vitória por 107-88 foi mais do que justa, foi justíssima. E mostrou que o Phoenix, que agora tem 3-2 no confronto, é sim senhor um dos fortes candidatos ao título do Oeste, especialmente porque o Lakers não é nem sombra do time que encantou a todos na temporada passada.
RODADA
Por falar em Lakers, o time angelino entra em quadra esta noite. Os olhos do mundo estarão voltados para o Staples Center de Los Angeles. Afinal, depois de ter aberto 2-0 na série, os amarelinhos foram para Oklahoma e viu o adversário empatar o confronto em 2-2.
O Thunder, novato em playoff com esta certidão, está empolgadíssimo. E os atuais campeões da NBA mostram-se assustados e com a auto-estima em baixa.
Mas antes de Lakers e Thunder entrarem em quadra, o Boston recebe o Miami às 20h de Brasília e deve fechar a série em 4-1. Uma hora mais tarde o Cleveland deve fazer o mesmo com o Chicago em sua Q Arena. Às 22h30 o Dallas tenta manter-se vivo neste embate texano diante do San Antonio, pois perde por 3-1.
Será que teremos três 4-1 antes de o Lakers definir o seu futuro?
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Brandon Jennings, Carlos Delfino, Channing Frye, Dwight Howard, Ersan Ilyasova, Jameer Nelson, Jared Dudley, Leandrinho Barbosa, Luc Richard Mbah a Moute, Rashard Lewis, Vince Carter



REAL

O Denver construiu ontem à noite sua terceira vitória na temporada. Bateu o Memphis por 133-123; não foi fácil.

REALEZA
QUARTETO

7º.) Clippers — Blake Griffin (foto AP) deverá causar um grande impacto na equipe. O moleque dá mostras de que chegou preparado para o jogo da NBA. Em apenas 28 minutos de média nos primeiros sete cotejos como profissional, fez 13.7 pontos e apanhou 8.1 rebotes. Levou o time ao primeiro lugar no Oeste na “Pre-Season”. Mas o primo pobre de LA não se resume apenas a Griffin. Há jogadores bons e experientes como Marcus Camby (que será muito importante no aprendizado de Griffin), Ricky Davis e principalmente Baron Davis.
Ano passado, vocês devem se lembrar, ao lado de Mario Chalmers e Darrell Arthur ele foi pego num quarto de hotel com duas prostituas e uma quantidade de maconha não divulgada.
