NOITE VERDE E AMARELA NA NBA
Só Leandrinho ficou abaixo; Nenê e Varejão arrebentaram.
A noitada de ontem (sexta-feira) não poderia ter sido melhor para os brazucas da NBA. Os três venceram.
O capixaba do Cleveland fez 26 pontos e bateu seu recorde pessoal de tentos na liga. Tivesse um aproveitamento melhor nos lances livres (8-13, 61.5%) e talvez chegasse aos 30 pontos.
Precisa treinar mais; ele sabe disso.
Varejão (foto AP) apanhou também oito rebotes, quatro deles no ataque, e fez três desarmes.
Jogou uma barbaridade.
Quando faltavam 5:33 minutos para o jogo findar, Mike Brown, técnico do Cavs, tirou-o definitivamente de quadra. Saiu aplaudidíssimo; e abraçado calorosamente pelos companheiros, especialmente Zydrunas Ilgauskas, que, com uma pequena fratura no pé esquerdo, de molho ficará nos próximos 30 dias.
Chance para Varejão crescer ainda mais, pois, como ontem, titular será nos jogos futuros do time neste período.
Como vimos, o capixaba ajudou, demais, o time na vitória diante do frágil Chicago por 117-92. Com ela, o Cavs manteve a invencibilidade em casa nesta temporada: 17-0.
Nenê não ficou atrás. Ao contrário: foi ainda melhor.
Com a camisa 31 do Denver, mesmo sendo generoso com seus companheiros na hora de pegar rebotes, deixando a eles muitas sobras que ele próprio poderia ter catar, o são-carlense marcou 27 pontos e apanhou 14 ressaltos (cinco ofensivos).
Seu aproveitamento nos arremessos beirou a perfeição. Nos chutes com a bola em movimento, acertou dez em 11 tentados (90.9%); nos lances livres, sete em oito (87.5%).
Deu ainda quatro assistências, que poderiam ter sido cinco se Carmelo Anthony não tivesse deixado escapar um passe de costas que o brasileiro deu-lhe após pegar uma sobra de um lance livre desperdiçado pelo próprio ala.
Se Varejão jogou uma barbaridade, Nenê extrapolou.
Foi o melhor jogador do Denver em quadra no dramático triunfo colorado diante do frágil Oklahoma City por 122-120.
Pena que Leandrinho não pôde acompanhar o desempenho de seus dois compatriotas.
Vamos considerar que o retorno de Steve Nash atrapalhou os planos do paulistano, que mostrou números inferiores ao final da vitória do Phoenix por 106-98. Leandrinho deixou o parquete do US Airways Center com 12 pontos e cinco rebotes defensivos.
Roubou ainda duas bolas; poderia ter sido mais, mas acredito que aos poucos ele vai melhorar seu desempenho neste fundamento. Parece estar mais atento.
RELÓGIO
O tempo de permanência em quadra tem muito a ver, também, com o desempenho de cada um. Enquanto Varejão atuou 31:09 minutos e Nenê 40:17, Leandrinho teve a seu dispor apenas 22:53.
Isso nada mais é do que o reflexo da importância de cada um deles dentro de suas respectivas franquias.
Ao contrário dos dois pivôs, que são homens de confiança de seus treinadores, Leandrinho (foto Reuters) nada mais é do que uma opção de banco.
Não era assim nos tempos de Mike D’Antoni.
Ao assumir o Suns no começo desta temporada, Terry Porter escreveu um roteiro para o time e reservou um papel bem secundário ao armador brasileiro. Leandrinho tenta dar mais vida ao seu personagem, mas suas falas são limitadas.
Por isso, sugerimos, várias vezes, a mudança de palco.
EMOÇÃO
E o final do jogo do Denver contra o Oklahoma City, hein? Que não viu, perdeu.
Haja coração, diria o outro.
Faltando apenas 2.9 segundos para o final da partida, o ala Kevin Durant, um jogador espetacular, 33 pontos, estrela solitária da companhia, mandou uma bola de três que lambeu as redes coloradas.
Thunder 120-119 Nuggets.
George Karl pediu tempo e armou a derradeira jogada. Tudo funcionou, especialmente porque a mão de Carmelo Anthony estava calibradíssima.
O fominha ala do Denver mandou também uma bola tripla que igualmente escorreu pela redinha do aro de Oklahoma, para imensa frustração dos 18.613 torcedores que lotaram o Ford Center.
Sinceramente, quando o chute de três de Durant entrou, eu vi a viola em cacos.
HUMOR
De bem com a vida, o técnico George Karl, na entrevista coletiva depois da partida, declarou: “Quero me mandar o mais rápido possível daqui antes que o xerife nos prenda por roubo”.
De fato, a vitória do Denver foi roubada do Oklahoma City.
Todo time campeão precisa de três jogadores que desequilibram. Esta é, basicamente, a regra.
O Chicago de Michael Jordan tinha também Scottie Pippen e Dennis Rodman; o Lakers de Magic Johnson contava com Abdul-Jabbar e James Worthy; ao Boston de Larry Bird somavam-se Kevin McHale e Robert Parrish.
Atualmente, o Celtics conta com Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen; o San Antonio tem Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili; o Lakers, Kobe Bryant, Pau Gasol e Andrew Bynum.
A mídia colorada cita sem economia os três “factors” do Denver: Chauncey Billups, Carmelo Anthony e Nenê (foto AP).
Finalmente!
Os três, ontem, marcaram 82 dos 122 pontos do time. Ou seja: 67.2% dos tentos anotados pelo Nuggets.
DROGA
A defesa do Denver, ontem, foi um fiasco. O que me dizer de 64 pontos sofridos só no primeiro tempo?
Imperdoável.
Não apenas porque o Thunder é o pior time da liga, mas sofrer 64 pontos num só período, seja lá de quem for, como disse, não tem desculpas.
O aproveitamento do Thunder diz bem como passiva foi a zaga colorada: 58.4% (45-77) nos arremessos com a bola em movimento, sendo que, destes, 8-13 foram nas bolas de três (61.5%).
E mais: os jogadores do banco do Denver levaram uma surra do pessoal do Oklahoma City: 41-18.
J. R. Smith, que até ontem tinha 13.7 pontos de média, anotou apenas sete. Ou seja: quase que a metade de sua contribuição.
Mas o problema não foi pontuar pouco. O maior problema foi permitir aos jogadores adversários pontuarem demais.
120 pontos do Oklahoma City, que tem média de 94.38 no campeonato (já computado o jogo de ontem), como já disse, é imperdoável.
CALMARIA
Ao contrário do encontro de Oklahoma, o enfrentamento de Ohio foi absolutamente sossegado. Como previsto, o Chicago não foi páreo para o Cleveland.
O massacre só não foi mais contundente porque o técnico Mike Brown mandou os titulares para o banco.
No mesmo momento (5:33 minutos para o final) em que trocou Anderson Varejão por Sasha Pavlovic, Brown deu descanso permanente para LeBron James (substituído por Wally Szczerbiak) e Mo Williams (Lorenzen Wright).
Anteriormente (8:53), Delonte West, outro titular, já tinha saído para a entrada de Daniel Gibson.
Antes ainda (10:18), Ben Wallace deixou a quadra da Quicken Loans Arena para a entrada de J. J. Hickson.
Uma farra só permitida por um time tão sem vida como o Chicago.
NÚMEROS 1
Nos quatro jogos em que Anderson Varejão saiu como titular, suas médias foram: 16.8 pontos e 8.5 rebotes.
Mike Brown deveria refletir em cima desses números.
RECORDE
LeBron James fez ontem seu 18º. “triple-double”. Marcou 16 pontos, 10 rebotes e 11 assistências.
Disparado, o melhor jogador da NBA no momento – consequentemente, do planeta.
PIOR
A pergunta que fica é: quem é pior no momento, Chicago ou Oklahoma City?
Páreo duro.
Dia 10 próximo, no United Center, os dois estarão medindo forças. Medindo fraqueza, aliás, seria o termo mais apropriado.
PENEIRA
A defesa do Chicago continua uma… ops, quase que eu escrevi; continua frágil, para não baixarmos o nível.
Ontem, pela terceira vez em quadro jogos, sofreu mais de 60 pontos no primeiro tempo.
Uma vergonha.
TEMPO QUENTE
Joakim Noah e Andres Nocioni discutiram duramente dentro de quadra no terceiro período. Apesar de maior no tamanho, apostaria minhas fichas no argentino em caso de os dois terem partida para as vias de fato, como se escrevia antigamente nas crônicas policiais.
Já viu argentino apanhando? Como toda exceção tem regra, eles saem correndo quando um uruguaio bate o pé.
Bem, voltando ao tema, depois do jogo, Noah tentou colocar panos quentes no episódio: “Isso é coisa de jogo, não tenho qualquer problema com Noce”.
O relacionamento entre alguns jogadores não é nada bom. O clima, portanto, é ruim. Vinnie Del Negro, o treinador, está perdendo o controle do grupo.
John Paxson, o GM do time, precisa tomar alguma providência. Ou trocando jogadores ou demitindo o treinador.
Do jeito que está, não dá para ficar.
NÚMEROS 2
Foi a 94ª. vez na carreira que Kobe Bryant (foto AP) marcou 40 pontos ou mais. Ontem, anotou estas quatro dezenas diante de um Utah que joga sem Carlos Boozer, um de seus principais jogadores.
Azar deles – pensou Kobe; não tenho nada com isso.
Kobe agora está em terceiro lugar na lista.
Wilt Chamberlain ultrapassou a barreira dos 40 pontos em 271 oportunidades. Depois dele vem Michael Jordan, que alcançou o feito em 173 oportunidades.
Números individuais são importantes, mas o coletivo fala mais alto.
O que interessa mesmo é que o Lakers venceu mais uma: 113-100.
Com isso, segue com o mesmo número de derrotas que Boston e Cleveland. E mantém, mais do que nunca, acesa a chama de ficar em primeiro lugar na classificação geral do campeonato para ter todas as vantagens possíveis quando os playoffs começarem.
Mas voltando às individualidades, Trevor Ariza foi importante para a vitória, assim como Kobe. O jogo estava ainda aberto (99-93), quando o ala interceptou um passe de C. J. Miles e marcou mais dois pontos e sofreu falta. Aproveitou a bonificação e mandou o placar para 102-93, isso a 2:21 minutos do final.
Dez segundos depois, fez o mesmo em relação a Deron Williams e marcou mais dois pontos: 104-93.
Fim do sonho do Utah em vencer em Los Angeles.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Bulls, Carlos Boozer, Cavaliers, Chicago, Cleveland, Denver, Kevin Durant, Kobe Bryant, Lakers, leandrinho, LeBron James, Michael Jordan, NBA, Nenê, Nuggets, Oklahoma City, Phoenix, suns, Utah, Wilt Chamberlain










