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quarta-feira, 8 de junho de 2011 NBA, outras | 14:58

A HISTÓRIA DO CAVALO QUE REFUGOU

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Bem, como tenho dito, a série será longa. E agora é o jogo cinco que será importantíssimo.

Sim, pois o perdedor jogará pressionado no jogo seis. E tem gente que prefere o campeonato de pontos corridos!

Bem, comparações à parte, agora é o jogo cinco que será importantíssimo, ia dizendo. Se o Dallas ganhar novamente, abre 3 a 2 na série. E o Miami entrará pressionado diante de seus torcedores, não podendo perder, pois se perder, perde o campeonato.

O oposto vale para o Dallas, que aí terá que ganhar duas contendas em quadra alheia. Difícil.

Esta final está espetacular. Casa cheia, torcedores se divertindo, times faturando, patrocinadores se esbaldando, tevês registrando ótimos índices de audiência — e tem gente que prefere o campeonato de pontos corridos!

Mas deixa pra lá, vamos falar do jogo de ontem.

“BALOUBET DU ROUET”

Amarelar é o sinônimo mais usual no caso de jogadores que se escondem e medram em jogos decisivos. Mas alguns poucos se lembram, nesta situação, do cavalo “Baloubet du Rouet”.

Quem é mais jovem e não conhece a história, eu conto — e vale um pouco da sua atenção, pois ela é boa.

“Baloubet du Rouet” era um cavalo de raça talhado para provas de salto. Era montado pelo cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa. Tinha sido tricampeão do mundo em 1998, 1999 e 2000.

Quando os Jogos Olímpicos de Sydney-2000 chegaram, Pessoa e seu “Baloubet du Rouet” entraram como favoritos ao ouro olímpico na prova do salto. Eles deixavam, havia três anos, os concorrentes comendo poeira, sempre.

No Brasil, todos contavam com este ouro e faziam as contas, antes de a prova começar, em que lugar o nosso país ficariam no quadro de medalhas depois que “Baloubet du Rouet” humilhasse novamente seus oponentes.

No dia da prova, no entanto, “Baloubet du Rouet” refugou. Sim, refugou! E não apenas uma vez: foram três!

Pessoa ficou com cara de tacho diante dos torcedores que acompanhavam a prova ao vivo e diante dos brasileiros que tinham acordado bem cedinho para ver um esporte que ninguém gostava e acompanhava, mas acompanhava porque iria nos dar o ouro olímpico.

Mas “Baloubet du Rouet” refugou. Três vezes, eu disse, mas nunca é demais lembrar. Com isso, Pessoa foi eliminado e o ouro esperado não veio, o que fez com que os milhões de brasileiro dissessem: “Ah, mas virá no futebol!”

Não veio também, pois o Brasil de Wanderley Luxemburgo foi eliminado por Camarões nas semifinais, com o defunto “gol de ouro”. Camarões que tinha nove jogadores em campo, mas tinha um coração do tamanho da África.

LEBRON = “BALOUBET DU ROUET”

LeBron James voltou a refugar nestas finais. Ontem chegou ao cúmulo de não atingir dois dígitos na pontuação.

Anotou apenas oito. Uma vergonha; sim, uma vergonha para um jogador que Scottie Pippen, o fiel escudeiro de Michael Jordan, disse que um dia poderá ser melhor que MJ. Quem deve estar com vergonha é Pip.

Ah, será que aquele jornalista que LBJ detonou na última coletiva fez a mesma pergunta ontem? Se você não sabe da história, lá vou eu novamente contar história.

E essa vale a pena também…

Gregg Doyel trabalha para a rede televisiva CBS. Depois do jogo de domingo, ele questionou LeBron sobre seu desempenho nos últimos períodos das três partidas finais, sugerindo que o ala estava “encolhendo” nos momentos decisivos.

LBJ, claro, não gostou da pergunta, mas não reagiu como Felipão ou Muriciy. Com a mesma elegância do terno verde petróleo que trajava, respondeu:

“Eu acho que você está concentrado em apenas um lado da quadra. Você só está olhando para estatísticas. Eu sou um jogador de duas vias. Uma vez que (Dwyane) Wade estava fazendo o necessário ofensivamente, nós demos a bola para ele. Você deveria assistir ao vídeo novamente e ver o que fiz na defesa. Aí você fará uma pergunta melhor amanhã”.

Doyel, não sei se estava lá e nem sei se perguntou. Mas se estava lá deveria ter perguntado:

“LeBron, que acontece com seu desempenho nos últimos jogos? Você está encolhendo nos momentos decisivos!”

Gostaria de ver a reação de LeBron.

RESPOSTA

Não sei se Gregg Doyel perguntou, ou se alguém perguntou, mas LeBron James disse o seguinte na coletiva de ontem: “Eu definitivamente não joguei bem ofensivamente”.

Ora, descobriu a pólvora!

LeBron James tem sido o “Baloubet du Rouet” destas finais. Suas atuações envergonham a todos que estão ligados a ele de um jeito ou de outro.

Há ainda mais dois jogos pela frente. Chance de ele fazer o que Dirk Nowitzki tem feito e, com isso, apagado definitivamente a fama de “amarelão”.

Mas no caso de LBJ, eu digo: “Baloubet du Rouet”.

DIFERENÇA

Em contrapartida, Dirk Nowitzki foi mais uma vez exemplar. Anotou 21 pontos, sendo que dez deles vieram nos últimos nove minutos de jogo, quando o Dallas reverteu uma desvantagem de nove pontos.

Quer mais? Tem mais: o alemão estava com febre. Dizem que a quentura do corpo chegou a bater nos 40 graus.

Contagiou seus companheiros — agora com febre, pois na quadra vem dando exemplos desde que estas finais começaram.

“Uma pessoa comum na situação que ele estava mal conseguiria levantar da cama”, declarou o pivô Tyson Chandler depois da vitória por 86 a 83, que empatou a série final em 2 a 2.

Seguramente contagiado pelo esforço do companheiro, Chandler fez um jogo de Nowitzki: anotou 13 pontos e pegou 16 rebotes, nove deles ofensivos.

Não apenas Chandler exibiu-se com muito mais vigor do que vinha fazendo, Jason Terry também. Jet, como é chamado pelos companheiros, vinha zerando em etapas finais e últimos quartos. Ontem anotou 17 pontos, sendo oito deles no último quarto, quando o time fez a virada que representou a vitória no final das contas.

Shawn Marion contribuiu com mais 16 e DeShawn Stevenson colaborou com outros 11, tendo acertado seus três primeiros chutes de três.

DeShawn, Chandler e Jet no último quarto quebraram o galho de Jason Kidd.

PERGUNTA

Como um jogador que não faz ponto algum e dá três assistências pode ficar em quadra por 38:58 minutos?

CRÉDITO

Se LeBron James refuga feito “Baloubet du Rouet”, o mesmo não se pode dizer de Dwayne Wade. Apesar da bobeira no final, quando deixou a bola escapar e pelos dedos ver escorregar a chance de levar o jogo à prorrogação, D-Wade novamente carregou o Miami nas costas: 32 pontos.

D-Wade falhou no fim como Dirk Nowitzki falhou no fim no jogo anterior. Vale pra D-Wade o que eu disse pra Nowitzki: por favor, não vamos condenar Dwyane pela derrota do Miami.

Ele tem levado o time nas costas.

Como Jack Brennan, o lutador-presonagem do conto “Cinquenta Mil”, de Ernest Hemingway, os braços de D-Wade, seguramente, pesaram no final da contenda.

Jack perdeu seu combate para Walcott (se é que perdeu mesmo, mas isso são outros quinhentos), pois seus braços pesaram no final da luta.

Wade tem pelejado praticamente sozinho contra a “guarda” montada pela defesa do Dallas. Tem conseguido machucar a zaga adversária, mas ainda não conseguiu o nocaute desejado.

ALGO MAIS?

Faltou dizer algo mais? Se faltou, por favor, digam.

EXPLICAÇÃO

Abro tarde este botequim, pois ontem fui vítima do vendaval que atingiu a Grande São Paulo. Fiquei 25 horas sem energia. Tive que sair de casa para ver o jogo.

Por isso, só agora abro o boteco.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

domingo, 22 de maio de 2011 NBA | 14:01

SÉRIE FINALIZADA?

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Sei não, mas acho que esta série do Oeste chegou ao fim. Com a vitória do Dallas por 93 a 87, o Oklahoma City tem que vencer novamente no Texas. Em decisão de campeonato (no caso de conferência), o esforço demandado para se ganhar na casa alheia é muito grande.

O OKC já tinha feito isso. Agora, ao perder diante de seus fãs, vai ter que fazer de novo. E ainda por cima, trata-se de uma equipe com técnico e jogadores inexperientes, ao contrário do Dallas, que tem um treinador rodado e jogadores veteranos e acostumados a jogos deste calibre.

Escrevi outro dia que técnico ganha jogo. Mas ontem Scott Brooks ou não mandou a rapaziada parar de arremessar de três ou mandou e não foi atendido — o que é muito pior, pois revelaria falta de comando.

Vou optar pela primeira alternativa. Como pode um time fazer 1-17 numa partida decisiva? 5,9% de aproveitamento; ridículo. Por mais que a marcação do Dallas tenha sido eficiente (e foi mesmo), vários arremessos não entraram porque os jogadores estavam descalibrados.

Então, o que deve fazer um comandante? Dar um basta.

Certa vez Oscar Schmidt disse que cestinha tem que ser “cara de pau”. Ou seja: está errando, continue tentando, pois uma hora as bolas começam a cair. Mas tudo tem um limite.

Ao insistir com esses chutes improdutivos, o OKC foi dando espaço para o Dallas crescer. E foi o que aconteceu.

Destaques do jogo:

1) Defesa do Mavs em cima de Kevin Durant. O aproveitamento da estrela do Thunder foi de apenas 7-22. Elogios parra Shawn Marion;

2) Tyson Chandler (foto AP) fez uma grandíssima partida, com 15 rebotes, seis deles ofensivos;

3) Jason Kidd voltou a jogar bem: 13 pontos, oito assistências e seis rebotes. E o controle do jogo nos momentos decisivos;

4) Distribuição dos pontos no Dallas;

5) Nick Collison encontrou a fórmula de se marcar Dirk Nowitzki. O alemão fez 7-21 e cometeu sete erros;

6) James Harden fez uma péssima partida: sete pontos; omisso boa parte do jogo:

7) Russell Westbrook fez 30 pontos, mas seu final foi bem ruim. Perdeu bolas, arremessou mal e tomou decisões duvidosas.

Pra encerrar: Kevin Durant deveria assumir o comando do jogo no final. Como fazem LeBron James, Dwyane Wade, Paul Pierce e Manu Ginobili. Não são armadores, mas no momento chave, eles têm a bola nas mãos. Kevin Durant deveria fazer o mesmo.

No instante derradeiro, o grande jogador, o “franchise player” tem que estar com a bola. Era assim como Michael Jordan e Magic Johnson. E é assim com Kobe Bryant.

Esse amadurecimento falta a Durant.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

sábado, 7 de maio de 2011 NBA | 12:36

A HISTÓRIA DE UM E DE OUTRO

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A matéria enviada pela agência de notícias Associated Press diz o seguinte em seu primeiro parágrafo: “Finalmente o verdadeiro Chicago apareceu nos playoffs”. Eu abriria o texto de maneira diferente: “Finalmente o verdadeiro Derrick Rose apareceu nos playoffs”.

É certo que o texto da AP continua e diz: “Naturalmente, Derrick Rose liderou o time”. Mas eu continuaria: “Naturalmente, quem ganhou com isso foi o Chicago, que venceu e recuperou a vantagem de quadra”.

Alguém pode dizer: “Sormani, a ordem dos fatores não altera o produto”. Altera sim; o Chicago depende de D-Rose, como todos os grandes times dependem de um grande jogador. Se ele não joga, por mais que o coletivo funcione, não tem como ser campeão.

D-Rose jogou uma barbaridade ontem em Atlanta. Foi o responsável pela vitória de 99 a 82, que poderia ter sido muito mais acachapante. Poderia ter passado a barreira dos 20 pontos. Aliás, passou, chegou em 22, mas o time aliviou no final e o Hawks tirou um pouco a diferença.

D-Rose mostrou por que foi eleito o MVP da temporada. Anotou 44 pontos — seu recorde não apenas em playoffs, mas em toda a carreira. Teve um ótimo aproveitamento: 16-27 (59,2%). Desse total, foram 4-7 (57,1%) nas bolas de três e 8-9 (88,9%) nos lances livres. Em pontos, foram assim dispostos:

Garrafão — 12 pontos
Meia distância — 12 pontos
Linha dos três — 12 pontos
Lance livre — oito pontos
Total — 44 pontos

Ou seja: não tinha o que fazer. Flutua? Ele acerta de meia e longa distância. Aperta? Ele infiltra. Congestiona o garrafão? Rápido do jeito que ele é, comete-se falta e ele vai para a linha do lance livre.

Foi uma atuação gigantesca.

No primeiro quarto ele fez 17 dos 29 pontos do Chicago. No segundo, apenas quatro, mas atuou 6:53 minutos. No terceiro, foi responsável, em pontos ou assistências, por 20 dos 24 tentos que o time anotou. E no quarto derradeiro fez dez dos 19 pontos que do Bulls.

O jogo de ontem foi o terceiro seguido que D-Rose arremessou 27 bolas contra o aro adversário. Mas nos dois primeiros, ele combinou para 21 acertos, o que deu um aproveitamento de 38,9%. Ontem, como vimos, subiu para 59,2%.

“É duro marcá-lo”, disse Jeff Teague, que vinha tendo sucesso na empreitada. “Quando suas bolas caem, ele é o MVP”, concluiu.

Teague sabe do que fala, pois, dos 44 pontos, 26 foram feitos enquanto ele marcava o armador do Chicago. Aliás, os pontos foram assim dispostos diante de seus marcadores:

Jeff Teague — 26 pontos (11-18)
Jamal Crawford — seis pontos (2-2)
Demais marcadores — 12 pontos (3-7)

Jon Greenberg, que escreve para o site da ESPN, no meio do texto em que exalta D-Rose escreveu algo que eu usarei para fechar o meu texto:

“Rose adicionou (aos seus pontos) sete assistências, cinco rebotes e cinco sorrisos”. Sim, D-Rose voltou a sorrir (Foto AP). E estando feliz é um jogador difícil de ser marcado.

Ele mostrou isso ontem à noite na Philips Arena.

OBSERVAÇÕES

O Chicago venceu a batalha no garrafão: apanhou 47 rebotes contra 34 do Atlanta. Joakim Noah pegou 15 e foi o reboteiro do time, seguido por Taj Gibson com 11. Josh Smith pegou 13 para o Hawks e nenhum outro jogador do time da casa chegou ao duplo dígito nos ressaltos.

Kyle Korver voltou a derrubar suas bolas de três. Foram 3-4. Terminou a partida com 11 pontos. Quando seus tiros acertam o alvo, alivia muito a pressão em cima de Derrick Rose e, consequentemente, do time. E Gibson, que pegou 11 rebotes, como vimos, anotou 13 pontos. Foi o único jogador do Bulls a ter um “double-double” no embate.

A marcação do Chicago foi tão eficiente que o Atlanta conseguiu arremessar apenas seis bolas de três. Encestou só uma, com Joe Johnson, o que deu um aproveitamento de 16,7%. Por falar em J.J. ele anotou apenas dez pontos (4-12). Jamal Crawford, o outro artilheiro do time, fez 7 (3-7).

Os dois combinaram para 17 pontos, com um aproveitamento de 36,8% (7-19). Na vitória do Hawks no jogo 1 da série, em Chicago, por 103 a 95, os dois foram responsáveis por 56 pontos da equipe. Tiveram um aproveitamento de 58,8% (20-34).

Josh Smith foi o melhor jogador do Atlanta. Mas a torcida está no pé dele. Foi vaiado em muitos momentos do jogo quando errava seus tiros. Acabou a partida com 7-14 (50,0%).

No total, nesta série diante do Chicago, atingiu o alvo só em 14 de seus 39 arremessos, o que dá um percentual de acerto de apenas 35,9%. Muito baixo para quem joga como ala-pivô e fica muito tempo perto da cesta.

No jogo de ontem, os lances livres também comprometeram o desempenho do time: 15-25 (60,0%). Josh foi o principal responsável pela debacle: 3-8 (37,5%).

CONCLUSÃO

A série está aberta, mas é evidente que depois da vitória de ontem o Chicago ganha uma força moral muito grande. No confronto diante do Indiana o time só conseguiu jogar bem a última partida, mas ela foi no seu United Center. Ontem o time jogou uma enormidade fora de casa.

FIM DA LINHA

Só um milagre. Sim, só um milagre fará do Lakers um time finalista na Conferência do Oeste.

No confronto de ontem diante do Dallas, teve o jogo nas mãos. No final, voltou a falhar.

Derek Fisher teve grande responsabilidade na derrota. A falta que ele fez em Jason Terry no final do jogo e o passe errado que ele deu para Lamar Odom, longo em seguida, foram lamentáveis. Um jogador com a experiência dele não pode fazer a falta que fez e nem errar um passe como ele errou.

A falta foi cometida com Terry acuado na lateral da quadra e com três segundos para estourar o tempo de posse de bola. O Dallas tinha 93 a 91 e sobrariam 15 segundos para o Lakers atacar para tentar empatar ou vencer com uma bola de três.

O passe mal dado foi um lateral após pedido de tempo (Terry acertou os dois lances livres e levou o placar para 95 a 91). A bola voltou para o Dallas e com 16 segundos para o final da partida.

Um desastre.

VERDADE SEJA DITA

Ok, Fish foi muito mal, mas a atuação de Kobe Bryant foi vergonhosa. Ele não pegou na bola nos minutos finais. Como disse ontem, ele tinha que jogar no seu limite máximo para o Lakers vencer e reverter a série.

Não jogou. Arremessou apenas 16 bolas durante o jogo, 11 a menos do que Derrick Rose na vitória do Chicago diante do Atlanta. Líder do time, melhor jogador da franquia, esperança de todos, atleta que pretende desbancar Michael Jordan e ser o maior de todos os tempos não pode ter uma atuação tão desprovida de alma e coração como Kobe teve ontem à noite.

No primeiro quarto, fez duas faltas e jogou só 6:27 minutos. Anotou dois pontos, frutos de seu único arremesso no período.

No segundo quarto, jogou 11:56 minutos e anotou sete pontos, tendo atirado três bolas contra a cesta do Dallas. Bateu também um lance livre e acertou-o.

Jogou todo o terceiro quarto e arremessou seis bolas, tendo acertado três. Acabou o tempo com seis pontos e não visitou a linha do lance livre nenhuma vez.

Finalmente, no último quarto, jogou 7:35 minutos (por decisão de Phil Jackson, diga-se) e voltou a arremessar seis bolas contra a cesta do Dallas; acertou duas e anotou quatro pontos. Não bateu nenhum lance livre.

Agora, atentem a isso: Kobe (Foto AP) entrou no último quarto quando faltavam 7:35 minutos para o final. O Lakers vencia por 79 a 71. Acertou um arremesso de dois pontos a 5:46 do final e outro a 4:33. Depois disso, ele ficou 4:18 minutos seu chutar nem uma bola sequer contra a cesta do Dallas!!!

Depois de ter feito dois pontos a 4:33, ele voltou a arremessar a 15 segundos do final e tomou um toco de Jason Kidd. Três segundos depois, mandou uma bola de três que não chegou ao destino desejado.

A 4:33 minutos do final, quando acertou seu último chute, colocou o Lakers na frente em 87 a 81. Depois disso, como relatei, foram 4:18 minutos sem arremessar!!!

E o Dallas tirando a vantagem; e o Dallas tirando a vantagem. E deu no que deu.

Como disse, verdade seja dita, Fish foi mal no final, mas a derrota de ontem tem que ser creditada na conta de Kobe Bryant. Ele foi omisso no jogo quando o time mais precisou dele.

Seus números finais: 17 pontos. Fez 8-16 nos arremessos, mas 0-3 nas bolas de três e bateu apenas um lance livre na partida! Uma vergonha!

GASOL

O espanhol foi outra vergonha do Lakers. Tudo bem que marcar Dirk Nowitzki é tarefa das mais difíceis. Mas pontuar contra o alemão é das tarefas mais fáceis; o germânico parece jogador brasileiro defendendo. Ou seja: não marca ninguém.

Mesmo diante de um adversário desses, Gasol fez apenas 12 pontos, 5-13 nos arremessos. Conseguiu ir à linha do lance livre em apenas três oportunidades.

Até tapa no peito ele tomou de Phil Jackson, mas não adiantou.

“Soft”, realmente, muito “soft”.

PERGUNTA

Quem é mais “soft”? Pau Gasol ou Carlos Boozer?

DALLAS

Vamos ao Dallas, afinal, o time texano é, ao lado do Memphis, a sensação da Conferência Oeste.

Jason Kidd voltou a fazer um grande trabalho defensivo em cima de Kobe Bryant. J-Kidd conhece Kobe, não o teme, gosta de enfrentá-lo. Vem colocando Kobe no bolso nesta série.

Dirk Nowitzki (Foto AP), nem precisa dizer, é o homem deste confronto. Ontem, 32 pontos, sendo que teve um aproveitamento de 12-19 nos arremessos (63,1%). E ainda pegou nove rebotes.

Pegou nove rebotes, fez 32 pontos e botou o dedo na fuça de Pau Gasol e disse pro espanhol: “Você é soft!” Claro que ele não disse isso, é apenas um devaneio de minha parte para ilustrar a defesa que o germânico tem feito em cima de Gasol.

Tyson Chandler, coitado, vara-pau do jeito que é, magrinho e fraquinho, tem feito das tripas coração para conter Andrew Bynum. Obteve sucesso apenas no primeiro jogo. Ontem, Bynum fez 21 pontos e pegou dez rebotes. Foi o melhor jogador do Lakers.

Mas Chandler luta como um guerreiro, é de emocionar o seu esforço. Com ele, tem subtraído alguma coisa do jogo de Bynum, com certeza.

J-Kidd, Dirk e Chandler. Mas o cara do Dallas ontem foi Peja Stojakovic. Alguém em sã consciência podia imaginar que o veterano sérvio, que estava praticamente aposentado, viesse do banco e anotasse 15 pontos em momentos cruciais?

Realmente, não há como perder quando:

1) Seu melhor jogador continua em alta;
2) O melhor jogador do time adversário é omisso;
3) Vem um cara aposentado do banco e faz 15 pontos.

CONCLUSÃO

O Lakers está virtualmente. Mas ainda existe um fio de esperança — porque é o Lakers.

Se o time da Califórnia vencer o próximo jogo e repetir a dose em Los Angeles, a série ficaria em 3 a 2 para o Dallas. E a pressão aumentaria dramaticamente para os texanos.

Sim, pois eles se veriam na obrigação de ganhar o sexto jogo em casa, pois, caso contrário, a decisão voltaria para LA.

É isso que o Lakers tem que fazer; é isso que o Dallas tem que evitar.

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sexta-feira, 6 de maio de 2011 NBA | 12:54

AS CHAVES DOS CONFRONTOS DESTA NOITE

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Depois de um dia de descanso, a NBA está de volta. E dois favoritos ao título entram em quadra para tentar reverter a situação.

Às 20h de Brasília, o Chicago vai a Atlanta disposto a vencer um dos dois próximos jogos marcados para a Geórgia para, com isso, recuperar a vantagem de quadra. Às 22h30, com transmissão ao vivo pela ESPN, o Lakers leva seu drama ao Texas e tenta vencer pelo menos um jogo para não ser eliminado.

Quais são as chaves destes dois confrontos? Vamos a elas:

ATLANTA x CHICAGO

ATLANTA
1) Jeff Teague – Tem que manter o nível de marcação a D-Rose. Sua tática de “flutuar” e exigir do adversário os arremessos tem surtido efeito. Além disso, tem levado o adversário a cometer erros, como no jogo passado, quando D-Rose se equivocou em oito oportunidades;
2) J.J. – Não pode oscilar como nos dois primeiros jogos. Na primeira partida, vencida pelo Atlanta, teve um excelente desempenho nos arremessos: 12-18 (66,7%). Na derrota, sua performance baixou para 46,7% (7-15);
3) Jamal – Eleito o melhor reserva da temporada passada, Crawford foi um desastre na partida derrotada: 2-10 (20,0%). Em contrapartida, na vitória, fez 22 pontos (8-16; 50,0%). Portanto, se ele não aparecer para o jogo, vai ficar difícil para o Atlanta;
4) Josh Smith – Não vem fazendo uma boa série. Nos dois confrontos, acumulou média de 10,5 pontos e seis rebotes. Nos arremessos, 7-25 (28,0%). Muito pouco para quem joga dentro do garrafão. Tem que melhorar;
5) Rebotes – O Atlanta está apanhando do Chicago neste fundamento. Nos dois jogos, pegou uma média de 38,5 e possibilitou ao adversário 43,6. Caiu se comparado com a fase de classificação, quando pegou 45,3 por jogo e limitou o oponente a 43,0. O problema, como se vê, se resume a seus próprios rebotes;
6) Tocos – Vem muito bem neste fundamento, pois tem uma média de nove por jogo, contra 6,1 na fase de classificação. Fundamento que ajuda demais na defesa e no moral do time;
7) Kirk Hinrich – Faz muita falta, pois sem ele Teague fica sobrecarregado e Jamal tem que jogar fora de sua posição em alguns momentos do jogo.

CHICAGO
1) D-Rose – Está com 24,5 pontos de media, mas com 38,8% de aproveitamento nos arremessos. Tem que começar a encestar de média e longa distância até para evitar o desgaste físico das infiltrações. Precisa também diminuir os erros: no jogo passado, cometeu oito, como vimos;
2) Luol – O sudanês naturalizado britânico fez dois ótimos jogos diante do Hawks. Está com 17,5 pontos e 9,0 rebotes de média. Tem que continuar assim para aliviar a pressão em D-Rose;
3) Boozer – O ala-pivô tem que melhorar sua performance. Está com aproveitamento de 43,5% nos arremessos. Muito pouco para quem joga debaixo da cesta. No jogo passado, mesmo com o Bulls vencendo, ele fez 4-12;
4) C.J. Watson – Há que ser mais aproveitado. Para isso, tem que melhorar seu desempenho em quadra. No jogo passado, atuou apenas oito minutos. Se não produzir, não tem como se dar descanso a D-Rose;
5) Kyle Korver – Tem que melhorar seu desempenho nos arremessos. Não está conseguindo se livrar da marcação adversária. No jogo passado, fez 1-9 no total de arremessos, sendo que nas bolas de três teve um desempenho de 1-5;
6) Defesa – No primeiro jogo da série, vencido pelo Atlanta, o time da Geórgia teve um aproveitamento de 51,3% de seus arremessos; no segundo, vencido pelo Bulls, caiu para 33,8%. O Chicago tem que segurar o adversário neste patamar;
7) Garrafão – Este duelo é fundamental no confronto. No jogo passado, o Bulls levou a melhor em 58-39.

DALLAS x LAKERS

DALLAS
1) Dirk Nowitzki – O alemão faz uma série excelente. Está com uma média de 27,4 pontos por jogo e um desempenho de 46% nos arremessos. Para o sucesso do Dallas, é fundamental que ele continue assim;
2) J-Kidd – O veterano armador do Dallas cometeu nove erros nos dois combates diante do Lakers; média de 4,5 por partida. Tem se atrapalhado com a bola em momentos importantes. Há que se evitar isso. Experiente e ótimo marcador, tem que ser destacado para seguir os passos de Kobe Bryant nos momentos chaves do jogo;
3) J.J. Barea – O armador porto-riquenho surpreende neste confronto diante do Lakers. Está com dez pontos de média por jogo e 4,5 assistências. Tem mostrado um jogo consistente e o resultado é que tem ficado cerca de 16 minutos em quadra por partida, o que ajuda (e muito) no descanso de J-Kidd;
4) Chandler – Tem travado um duelo interessantíssimo com Andrew Bynum. Limitou o jogo do oponente no primeiro embate da série: oito pontos e cinco rebotes. É importante para o Dallas que Chandler controle Bynum;
5) Brendan Haywood – Seus números não impressionam, mas ele tem sido fundamental para o descanso de Tyson Chandler. Quando entra no jogo, tem defendido muito bem;
6) Defesa – O Mavs fez um excelente trabalho defensivo na última vitória. Segurou o Lakers em 81 pontos, quando a média do time na fase de classificação foi de 101,5. Além disso, o time angelino tinha um aproveitamento de 46,3% de seus chutes na fase regular e nesta série caiu para 41,9%;
7) 3 pontos – O rendimento do Lakers caiu nos arremessos principalmente por conta da ótima defesa dos chutes longos que o Mavs vem fazendo. Na fase de classificação, os californianos encestavam em média 35,2% de suas bolas de três; nesta série, caiu para 17,9%;

LAKERS
1) Confiança – É fundamental para o Lakers reverter esta série não perder a confiança. Se deixar de acreditar que é possível reverter, esquece;
2) Conversa – Andrew Bynum disse que o time não tem conversado em quadra. Se não houver comunicação, fica difícil, principalmente na defesa;
3) Ron-Ron – Foi expulso merecidamente no jogo passado depois de dar um tapa no rosto de J.J. Barea. Resultado: acabou suspenso por uma partida pela NBA. Vai fazer muita falta, pois, embora não defenda como na temporada passada, ainda assim pode criar armadilhas para os oponentes;
4) Matt Barnes – Sem Artest, terá papel fundamental na partida desta noite. É a chance de provar que o Lakers fez um bom investimento ao contratá-lo;
5) Defesa – Há que se defender Nowitzki. É difícil? Sim, claro que é, mas não é impossível. Lamar Odom tem se dado melhor do que Pau Gasol. Tem que ganhar mais minutos em quadra para esta missão;
6) Pontaria – Dois reservas desapontam até o momento: Shannon Brown e principalmente Steve Blake. Brown está com média de seis pontos, mas não acertou nenhuma bola de três até o momento. Blake está zerado no confronto embora tenha jogado quase que 19 minutos em média por partida;
7) Kobe – Não tem jeito: se não jogar no limite máximo de seu jogo, vai ficar difícil. Black Mamba é a chave deste confronto para o Lakers. Além disso, se sobrar a bola final, tem que derrubar; não pode falhar. Segundo levantamento do site da ESPN dos EUA, Kobe falhou em suas últimas cinco tentativas nesta temporada.

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terça-feira, 26 de abril de 2011 NBA | 10:49

TIM DUNCAN: AOS 35, UM HOMEM CANSADO

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Tim Duncan fez ontem 35 anos. Com esta idade, Michael Jordan conquistava seu último título na NBA e saía de cena com aquele arremesso em cima de Bryon Russell, no estouro do cronômetro, e levava para casa não apenas mais um anel, mas também o seu sexto troféu de MVP das finais.

Tim Duncan fez ontem 35 anos. Mas ao contrário de MJ, parece-me um homem cansado. Nem de longe lembra aquele jogador que por muitos é considerado o maior ala-pivô da história da NBA. Seus movimentos são lerdos, sua velocidade parece não ser mais a mesma e seus reflexos não estão mais em dia.

Tim Duncan fez ontem 35 anos. Parece-me não assustar mais os oponentes. A reverência do passado não existe mais no presente. Antigamente, jogador que fosse enfrentá-lo seguramente dormir pouco na noite que antecedia o confronto. Hoje, creio, o oponente de Timmy tem que ser acordado, senão perde a hora e o café da manhã.

Tim Duncan fez ontem 35 anos. Nem de longe, nestes playoffs, lembra aquele jogador que conduziu e ajudou a conduzir o San Antonio a quatro títulos na liga. Nem de longe lembra aquele menino que chegou à NBA em 1997 querendo provar para alguns que não seria no novo Brad Daugherty.

Timmy parece um homem cansado, de movimentos lerdos e confusos. Sua caligrafia, hoje, parece garrancho.

A série ainda não acabou. Aos gênios, como Timmy, a gente concede sempre o benefício da dúvida. Por causa dele o San Antonio ainda está vivo na série; embora pareça morto.

CARA NOVA

O Memphis do primeiro tempo foi um; do segundo, foi outro.

O time do Tennessee foi para o vestiário perdendo por dois pontos: 50 a 48. Como diz o relato da AP, a gente não sabe o que o técnico Lionel Hollins falou para o grupo no intervalo, mas o que ele falou mexeu com o grupo.

O Memphis fez 30 a 15 no terceiro quarto e ali praticamente liquidou a fatura. Quando Shane Battier encestou uma bola de três a 5:43 minutos do final do confronto, levando o placar para duas dezenas de vantagem para o Grizzlies (94 a 74), o time da casa acabava de fazer uma corrida de 46 a 24 desde que o segundo tempo tinha começado. E Gregg Popovich mandou a segunda unidade para a quadra.

A partir dali começou a pensar no jogo 5 da série, marcado para esta próxima quarta-feira, descansando seus titulares.

O jogo acabou com uma vantagem de 18 pontos para o Memphis: 104 a 86. Era para ter acabado 20 se Daniel Green não fizesse uma ridícula cesta a um segundo do final e fosse vaiado por isso. Mas esta diferença chegou a flertar com os 30 pontos. Foi mesmo uma lavada.

O time está marcando muito e quando tem a posse de bola sabe o que fazer com ela. Tony Allen tem sido, pra mim, o jogador desta série. Tem abafado o jogo de Manu Ginobili.

O argentino, uma vez mais, ficou abaixo do que pode render — estaria também cansado? Seus “crazy shots”, que Popovich prefere chamar de “unusual”, não caem mais com tanta frequência.

E Tony Parker parece-me um armador completamente perdido em quadra, com sua correria infundada e por isso mesmo infrutífera. Não tem feito o time jogar, como deveria, pois tem gente a seu lado que sabe jogar.

Os Três Tenores, como JP os batizou, desafinam neste momento.

SPLITTER

Veio do banco pela primeira vez nesta série e jogou 22 minutos. Fez dez pontos e pegou nove rebotes. Sobre Splitter eu falo mais pra frente.

NENÊ

O outro brasileiro da rodada foi Nenê Hilário: dez pontos e nove rebotes. Seu Denver conseguiu evitar a “varrida”. Venceu por 104 a 101. Creio ter sido o último suspiro de um time moribundo.

O Denver, infelizmente, não tem ninguém para marcar Kevin Durant. Nem no tamanho e nem na bola.

DALLAS

Não vi o jogo do Mavs. Mas é claro que ao perceber os 14 pontos e 20 rebotes de Tyson Chandler eu quase caí da cadeira.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 28 de dezembro de 2010 NBA | 17:57

POR QUE O DALLAS VENCE TANTO?

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Parece mesmo impossível bater o Dallas quando ele chega da mala e cuia pra te visitar. O Mavs perdeu apenas uma vez nesta temporada quando jogou fora de casa. E o autor da “façanha” foi o New Orleans, no distante 17 de novembro. Naquela oportunidade, o time venceu por magérrimos 99 a 97.

Outras dez partidas permearam esta derrota. E em todas o time texano venceu. Nestas pelejas, teve uma média de 112,3 pontos anotados e 103,7 tentos sofridos. Ou seja: tem deixado embaraçado seus adversários diante dos fãs por uma média de 8,6 pontos.

Pouco? É, não é muito, mas é o necessário para fazer deste o time mais temido quando sua delegação desembarca no aeroporto local.

Ontem eu pensei que o time perderia esta panca toda. Afinal de contas, Dirk Nowitzki, o astro-mor da companhia, deixou o jogo no começo do segundo quarto, quando ainda faltavam 9:10 minutos para o período terminar. Deixou o jogo e não voltou mais.

Pois bem, quando todos pensaram que desta segunda-feira a invencibilidade não passaria, o Dallas venceu. E venceu por quê? E eu sei lá! Não sei; não consigo encontrar explicações.

Não me venham dizer que é por causa da defesa. Já vimos que o time toma 103,7 pontos de média nas vitórias fora de casa. Não me venham com essa história de que a defesa zona confunde o adversário, pois o time não marca zona o tempo todo. E não me venham dizer que é por causa de Jason Terry, que sai do banco arrebentando, pois ontem ele anotou apenas 13 pontos. E nem me digam que é por causa dos arremessos de Jason Kidd, pois nesta temporada ele está mal: 37,0% de aproveitamento contra 42,3% e 41,6% das duas anteriores. E nem é por causa da distribuição de jogo de J-Kidd, pois neste campeonato ele tem uma média de 8,8 assistências por partida, quase que a mesma das anteriores.

Seria por causa da Nowitzki? Claro que não, pois ontem Dirk (foto AP) mal jogou. E na vitória diante do Miami, lembram-se, ele quase enterrou o time no último quarto e acabou salvo por Terry.

Ah, e não me venham dizer que é por causa da defesa de Tyson Chandler, pois ele ainda me parece horroroso! Ontem, em meia hora de jogo, pegou dez rebotes contra um time que não tem pivôs. Tocos? Não, toco: um só, apesar de ser um varapau de braços e pernas longos, frutos de seus 2,16m. Aliás, Chandler é apenas o 24º. colocado neste ranking de tocos.

Por que o Dallas vence e vence tanto? Eu ainda não descobri. Mas estou pesquisando. Se alguém souber, por favor, conte-me.

Notas relacionadas:

  1. MAIS UMA DOS CARAS
  2. COM VOCÊS, DALLAS MAVERICKS!
  3. POR QUE O DALLAS SUCUMBE
Autor: Fábio Sormani Tags: , , ,

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 NBA | 18:37

VAREJÃO NO KNICKS. JÁ PENSOU?

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O New York já articula um plano B no caso de não conseguir contratar Carmelo Anthony. Há, na verdade, dos planos, o B e o C. O B fala em Andre Iguodala, ala do Philadelphia, que segundo Mike D’Antoni, técnico do Knicks, cairia como uma luva no sistema “run and gun” que ele tanto gosta de utilizar.

Mas acontece que em Nova York ninguém acredita que o Sixers vai aceitar a proposta da franquia. E qual seria? Eddy Curry e outro jogador a ser escolhido. Mas acontece que o contrato de Curry (US$ 11,27 milhões) expira ao final desta temporada. E como o pivô nova-iorquino vive mais no DM do que em quadra, dificilmente o Sixers renovaria com ele.

Em outras palavras: trocar Iguodala com o New York seria apenas “limpar o cap”. E em Nova York ninguém acredita que isso vá ocorrer.

Por isso, foi arquitetado um plano C. E no que consistiria ele? Mudança completa de rumo. Ou seja: o time não iria mais atrás de um ala, como Melo e Iguodala. Iria atrás de um companheiro de garrafão para Amar’e Stoudemire.

E quem seria esse jogador? Anderson Varejão. E por que essa mudança de rumo? Pela leitura que faço, é o seguinte: o Knicks quer desafogar Amar’e, pois ele é o único homem grande do time que sabe jogar basquete. Os outros tentam, se esforçam, mas esbarram numa série de barreiras.

Segundo o técnico Mike D’Antoni, o Knicks não tem oferecido muita resistência aos adversários exatamente porque Stoudemire luta sozinho contra a rapa. “Nós precisamos de mais tenacidade no garrafão e Andy (como Varejão é conhecido) pode nos dar isso”, teria dito D’Antoni à direção da franquia.

Se Varejão (foto GettyImage) for mesmo contratado, seria um alívio para Amar’e. Ele não teria que se desgastar tanto como ocorre no momento. Teria alguém ao lado dele para ajudar nos rebotes defensivos e ofensivos; teria alguém ao lado dele para ajudar a defender; teria alguém ao lado dele para dar trombadas nos adversários; e algumas coisas mais.

E o resultado disso é que teríamos um Amar’e mais descansado, mais inteiro, para fazer exatamente o que ele mais sabe fazer: pontuar. Consequentemente, o rendimento do ala-pivô do Knicks tenderia a aumentar.

De qualquer maneira, apenas com Amar’e e Raymond Felton, ainda assim ficaria faltando um ala para aliviar um pouco a pressão em cima de Stoudemire. Mas com a vinda de Varejão, não haveria a necessidade de um Carmelo ou de um Iguodala. Um ala de menor nível poderia resolver a questão.

CONVERSA

Batendo um bom papo de basquete com um amigo, ele me disse: “Sormani, você está falando, com razão, sobre a belíssima temporada do Nenê. Mas eu acho que a temporada do Varejão é do mesmo nível”.

O capixaba tem boas médias neste campeonato: 9,4 pontos e 9,6 rebotes. Quase um “double-double”. Já fez oito duplo-duplos na temporada. Mas não é apenas isso o que conta. O principal do jogo de Varejão não aparece nas estatísticas. É sua tenacidade, como disse Mike D’Antoni. Tenacidade, obstinação, desejo, luta, garra, paixão, coração, alma. É anímico.

E isso não se ensina na escola, nem no “high school”, nem no “college”, nem nos clubes e nem em lugar algum. Isso está dentro de cada um de nós. Há os têm em maior e os que têm em menor grau.

E o grau de Varejão é altíssimo.

RODADA

O Dallas sapecou mais uma. E outra vez diante de um time da Flórida. Passou ontem à noite pelo Orlando por 105 a 99.

O Magic perdeu uma grande chance de ganhar a partida. Mesmo contando com apenas um pivô, pegou mais rebotes (40-38). Dirk Nowitzki e Jason Kidd entortaram o aro. O alemão fez 4-13 nos arremessos (8-8 nos lances livres, que salvou sua atuação), enquanto que J-Kidd anotou (4-12). Jason Terry veio do banco e não foi espetacular como no jogo contra o Miami: 13 pontos (5-10). E Tyson Chandler (16 pontos, quatro rebotes e nenhum toco) perdeu o controle sobre Dwight Howard (26 pontos, 23 rebotes e dois tocos).

Mesmo com tudo isso conspirando a favor, o Orlando perdeu. E perdeu por quê?

Aguardo respostas de vocês.

SURPRESA

Por falar em derrota, a surpresa da rodada de ontem ficou por conta da vitória do Milwaukee Bucks sobre o Lakers, em Los Angeles: 98 a 79. E não foi uma vitória qualquer, foi uma VITÓRIA!

Foram 19 pontos de diferença.

Os erros nos arremessos de três machucaram o Lakers: 2-13 (15,4%). Dos titulares, nenhum acertou nem uma bola sequer. Derek Fisher: 0-1; Kobe Bryant: 0-2; Ron Artest: 0-1; Lamar Odom: 0-2; Pau Gasol: 0-0.

Mesmo já podendo contar com Andrew Bynum (18 minutos, seis pontos, três rebotes), o Lakers perdeu o duelo dos rebotes: 39 a 35. Bynum está nitidamente fora de forma — o que é compreensível. Possivelmente, ainda inseguro — o que também é compreensível.

O Lakers não vive um bom momento. Se continuar assim, não ficará em boa posição nem na semifinal e muito menos na final da conferência.

Isso significa perda do campeonato? Claro que não. Como disse certa vez Rudy Tomjanovic, “jamais subestime o coração de um campeão”.

PERGUNTA

Ontem eu perguntei: será que o San Antonio pode igualar ou mesmo bater o recorde do Chicago? Na temporada 1995/96, o Bulls perdeu apenas dez partidas durante a fase de classificação.

Hoje, com um terço do campeonato disputado, o Spurs perdeu apenas três partidas. Mas terá uma sequência complicada pela frente neste mês e meio que vem pela frente.

Em dezembro o time pega em casa Denver e Lakers; sai para enfrentar Orlando e Dallas. Em janeiro, encara o Oklahoma City, Dallas, Denver e Houston em casa; viaja para pelejar contra New York, Boston, New Orleans e Utah.

Em fevereiro o bicho vai pegar. O time fará nada menos do que nove partidas seguidas fora de casa! Na sequência: Portland, Lakers, Sacramento, Detroit, Toronto, Philadelphia, Washington, New Jersey e Chicago. Ufa! Muito jogo, muito aeroporto, muito hotel, muito hot-dog, muito hambúrguer. Rapaziada, não é mole não.

Em março e abril… Bem não quero nem ver.

A conclusão que eu chego é: não, o San Antonio não deve bater o recorde do Chicago.  Aliás, acho que dificilmente algum time, um dia, conseguirá ao menos igualar esta façanha de Michael Jordan e companhia.

Notas relacionadas:

  1. VAREJÃO É O DESTAQUE NA ABERTURA DA NBA
  2. VAREJÃO ANULA NOWITZKI DENTRO DE DALLAS
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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 14 de dezembro de 2010 NBA | 18:04

POR QUE O DALLAS SUCUMBE

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E depois dizem que não tem zebra no basquete. Algumas já aconteceram nesta temporada, mas a de ontem em Dallas foi demais. Alguém, em sã consciência, podia imaginar que o Milwaukee pudesse ganhar do Mavs? Alguém podia imaginar os 103 a 99 em favor do pessoal de Wisconsin, ainda mais porque no segundo quarto o time chegou estar 20 pontos atrás?

Creio que não.

Eu também não esperava pela derrota. Pelos meus cálculos e observações, o Dallas chegará aos playoffs. Deve fazer boa campanha na primeira rodada e cai na semifinal ou para o Lakers ou para o San Antonio. Os motivos eu já expus, de maneira enfática e veemente, o que acabou por desagradar a esmagadora maioria dos frequentadores deste botequim, que talvez esperassem uma análise mais branda e doce do time texano.

Aliás, acho que vale a pena mais um pitaco nessa história da qualidade do time do Dallas. É a questão Dirk Nowitzki.

Disse que falta alguma coisa pra ele. Fiquei pensando cá com meus botões, olhando o jogo de ontem diante do Bucks, puxando pela memória, buscando estatísticas, lendo. O que falta para o jogo do alemão?

Puxa vida, o cara é grande pra chuchu (2,13m), tem boa velocidade pro tamanho dele, arremessa como poucos na liga (de perto, de meia e de longa distância), tem experiência. Então, o que falta para o jogo dele?

Nowitzki (foto AP) padece de um mal que mata alguns jogadores: a indefinição de posicionamento. Ele é ala-pivô, mas na verdade não é. Não é porque não tem jogo de ala-pivô. Não atua tão bem de costas para a cesta como os jogadores da posição. Posiciona-se mais como um ala. Busca as beiradas da quadra, abandona seu companheiro de garrafão.

Seus pontos, por conta deste posicionamento, saem de arremessos de média e longa distância. Dificilmente a gente vê o alemão fazendo cestas usando o corpo do adversário como alicerce, buscando o contado, brigando no corpo a corpo, trombando. Não; como disse, seus pontos saem de arremessos de média e longa distância.

Se formos posicioná-lo como um ala, aí Nowitzki mostra outros defeitos: não tem velocidade, agilidade e nem habilidade para a função. Pra atacar e defender. Na defesa, seria facilmente batido — aliás, a defesa é a maior deficiência do jogo do germânico.

No ataque, iria se valer de sua altura, é claro, mas teria dificuldades para encontrar espaços, pois não tem velocidade para a posição. Quando tivesse que recorrer ao drible para sair da marcação e rumar para a cesta, mostraria deficiências quanto à habilidade e novamente sentiria a falta da velocidade.

Não se engane quanto aos dribles e as fintas que ele aplica nos seus adversários hoje em dia. Uma coisa é fintar e deixar para trás um ala-pivô; outra é fazer tudo isso pra cima de um ala, mais ágil e mais rápido do que um ala-pivô.

Assim, quando chegam os playoffs — e um novo campeonato começa —, ele não encontra repertório para evitar a marcação adversária. Nos playoffs, o jogo é outro, diferente, é mais de contato, é físico. A arbitragem é mais permissiva quanto às faltas. E tudo isso dificulta o jogo de Nowitzki. Ele é grande, mas não é forte.

Sem respostas para estes problemas, o time sucumbe nos playoffs. Sim, sucumbe, pois está todinho nas mãos do alemão.

Tem sido assim, a história não mente.

PSICOLÓGICO

Analisei Nowitzki apenas do ponto de vista técnico e tático. Não falei da parte psicológica.

Para muitos, mais do que esses defeitos que eu exibi acima, o grande problema do alemão é sua falta de estofo emocional nos momentos de grande pressão, nos momentos decisivos.

E eu também concordo com isso. O jogo nos playoffs é muito mental também.

DUELO 1

Jason Kidd teve muitas dificuldades diante de Brandon Jennings. Atrevido, habilidoso, veloz, Jennings maltratou J-Kidd. Não que o veterano armador não tivesse jogado bem. Claro que jogou. Mas faltaram-lhe pernas para acompanhar o atrevido, habilidoso e veloz Brandon Jennings.

“Ele estava determinado, você poderia ver isso em seus olhos”, disse o técnico Rick Carlisle sobre Jennings (foto AP).

Agora, esta é boa: domingo à noite, Jennings e Kidd foram jantar juntos. A conversa versou sobre a posição de armador. Jennings ouviu o tempo todo; J-Kidd falou o tempo todo.

Deveria ter ficado de boca fechada. Ensinou demais, pagou caro no dia seguinte.

DUELO 2

Tyson Chandler procura até agora por Andrew Bogut. Embora tenha dado um toco espetacular em cima de Ersan Ilyasova a 50 segundos do final da partida, dando esperanças ao Dallas de conseguir a vitória, o fato é que Chandler não conseguiu marcar o australiano—e o australiano foi um dos jogadores decisivos para a vitória do Bucks.

Bogut acabou a partida com 21 pontos e 14 rebotes. Fez 1-6 nos lances livres; fosse mais competente e sua pontuação teria sido maior. Bogut tem um ganchinho ambidestro que dificulta muito a marcação.

Fosse mais forte e seria “unstopable”.

RECORDE

O Miami enfileirou sua nona vitória, agora diante do New Orleans (96 a 84). Tão importante quanto, foi que ela veio novamente por duplo dígito. Se repetir a dose contra o Cleveland, nesta quarta-feira, iguala o recorde de Washington Capitols (1946/47), New Jersey Nets (2003/04) e Houston Rockets (2007/08), que fizeram 11 vitórias seguidas com duplo dígito de vantagem para os oponentes.

Alguém viu o jogo? Se viu, viu também que ele foi de Dwyane Wade: 32 pontos. E LeBron James, vendo que o companheiro estava “on fire”, entregava-lhe a bola sem remorso ou dor alguma.

Prova clara de que o trio está afinado. Prova clara de que a fogueira das vaidades, que muitos imaginavam que pudesse crepitar em Miami por conta da reunião de tantas estrelas, não está acesa — e nem sabemos se será; ao que tudo indica, não.

O New York procura um ala para juntá-lo a Amaré Stoudemire e Raymond Felton e fazer do Knicks um time para brigar novamente por títulos. O New York fala em Carmelo Anthony.

Sinceramente, não sei se seria uma boa. Tem momentos que eu acho que sim; tem momentos que eu acho que não. Melo não parece ser parceiro, não tem a humildade e o desprendimento de LBJ.

Melo quer a bola o tempo todo. Quer a bola para jogá-la em direção à cesta. Não sabe assistir. Não é humilde. Parece-me jogar mais para as câmeras do que para o time.

Será que um cara desses vai agregar ou subtrair?

Por isso que eu acho que LBJ seria a melhor adição que o New York poderia ter feito. Infelizmente para os torcedores nova-iorquinos, King James preferiu os mares do sul à agitação e efervescência da metrópole.

Notas relacionadas:

  1. VAREJÃO ANULA NOWITZKI DENTRO DE DALLAS
  2. ZEBRA COM NOME EM DALLAS
  3. COM VOCÊS, DALLAS MAVERICKS!
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 NBA | 18:42

MOMENTO PARA REFLETIR

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Fiquei lendo as manifestações de muitos parceiros deste botequim até agora. Algumas me chamaram demais a atenção. Não foi a maioria; uma minoria, eu diria; mas elas representam o que talvez a maioria dos nossos frequentadores pensa.

Vamos por partes.

Digamos que eu tenha pegado pesado em relação ao Dallas. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou dado a hipérboles. Sou um ser hiperbólico — se é que existe esta palavra.

Ao dizer tudo o que disse do Mavs, eu apenas quis frisar que o time não me passa confiança e que não aposto nem um centavo sequer nele pelos motivos que eu expus. Jason Kidd é veterano de pernas cansadas que não sabe arremessar. Seu reserva é ruim. Dirk Nowitzki é um belíssimo jogador, mas nos momentos cruciais ele nega fogo. Jason Terry é fominha como Carmelo Anthony e não sabe diferenciar o momento do arremesso do momento do passe. E Tyson Chandler, repito, eu acho horroroso.

Fiz questão de deixar claro, no entanto, que não tenho visto o Mavs jogar. Fiz uma análise dos números e do passado desses jogadores. Alguém disse que Chandler está jogando muito bem. Prometo, vou olhar, mas tenho muitas dúvidas de que vou ver algo diferente. Ninguém pode mudar tanto de uma temporada para outra. Em todo o caso…

Isso é uma coisa.

A outra coisa foram ataques gratuitos a jogadores brasileiros. Alguns foram mencionados — outros não. Mas não importa.

O que me chamou a atenção foram algumas manifestações — não apenas neste post, mas em outros também — de alguns de vocês que se dizem inconformados pelo fato de eu não falar mal dos brasileiros na NBA. E não vou mesmo falar mal deles!

Eles, para mim, são vencedores. Deixaram um mundo para trás. Deixaram casa, família, amigos, costumes, cultura e tradição. E foram desafiar o desconhecido.

Quem morou fora do Brasil sabe do que eu falo. Nós, brasileiros, não somos muito bem vistos. Tratam-nos (nem todos, é verdade) como os nordestinos são tratados lamentavelmente no sudeste e no sul do país. Discriminam-nos como os nordestinos são discriminados nestas regiões; felizmente, é bom que se diga, há uma parcela da população que não se comporta desta maneira abominável, desprezível. Nem aqui e nem lá.

Mas de uma maneira geral, é assim que é.

Foi neste mundo que os nossos brasucas foram viver. Onde a maioria discrimina, onde se fala uma língua incompreensível, onde se come uma comida com gosto amargo, onde se esbarra em gente distante, que não tem o “calor humano” que ajuda a nos caracterizar.

No trabalho, num primeiro momento, chega-se e não se sabe do que se trata. O técnico fala, não se sabe o que ele quis dizer; o companheiro de time brinca, não se sabe o que ele quis dizer; fala-se “boa noite” para o porteiro, ele responde algo e você não faz ideia do que se trata.

Chega em casa, cansado, liga a televisão. Não se entende nem uma palavra sequer. Vai à mercearia comprar alguma coisa e surge a dúvida, não tem para quem perguntar, porque não se sabe perguntar e nem entender a resposta.

Tudo isso junto traz solidão. Solidão deprime. Depressão é horrível.

Eles venceram tudo isso. Estão na liga e são chamados pelo nome. Estão na NBA e lá conquistaram seu espaço. Têm o reconhecimento de todos: técnicos e jogadores adversários, técnicos e jogadores do mesmo time. E da mídia também.

Eles podem não ser um Kobe Bryant ou um LeBron James — e não são mesmo. Mas não são umas geringonças que boa parte dos frequentadores deste botequim acha que eles são.

Não vou falar mal dos brasileiros do jeito que muitos querem que eu fale. Isso, jamais! Pois, como disse, eles são vencedores, são guerreiros, transformaram-se em heróis para mim. É lógico que não ficaram imunes às críticas por conta disso. Já critiquei todos eles.

Já disse que Nenê precisa ir mais nos rebotes, que Varejão tem que ser mais audacioso com a bola nas mãos, que Leandrinho tem que usar mais seus longos braços para roubar bolas.

Já critiquei-os. Quem está comigo neste boteco desde que ele foi aberto sabe disso.

Mas se alguém espera que um dia eu me levante neste botequim para falar mal gratuitamente de qualquer um dos nossos brasucas, que eu vá ridicularizá-los como alguns fazem, pode tirar o cavalo da chuva. Se alguém quer ler algo desse tipo, que bata em outra porta.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010 NBA | 17:47

COM VOCÊS, DALLAS MAVERICKS!

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Confesso que não tenho visto o Dallas em quadra. Os texanos não jogam o basquete eu gosto de ver. E como eles fazem parte da Conferência Oeste, onde os jogos começam tarde pra chuchu, eu não vejo o Mavericks jogar.

Poderia fazer um esforço e ir dormir mais tarde, como faço com Lakers, San Antonio e Denver, por exemplo. Mas, como disse, o Dallas joga um basquete que eu não gosto de ver.

A começar por Jason Kidd, um mão de pau de marca maior que compensa sua deficiência nos arremessos com passes muito bem dados para seus companheiros pontuarem — isso é verdade.

Dirk Nowitzki (foto AP), ao contrário de J-Kidd, sabe arremessar. Mas não gosto do jogo do alemão. Sei lá, falta alguma coisa. Eu o acho desengonçado, não vejo beleza em seu jogo. E o cara tem cara de sonso. Pra deixar o meu nariz ainda mais torcido em relação a ele, na final da NBA em 2006, quando o Mavs tinha a faca e o queijo na mão para ganhar o título, ele pipocou.

Jason Terry é um fominha de maior. É uma espécie de Carmelo Anthony em proporções reduzidas. Quando foi eleito o sexto homem há duas temporadas, uma das maiores vergonhas da NBA, pois Lamar Odom jogou muito mais do que ele e ficou chupando o dedo.

J.J. Barea, o reserva de J-Kidd, é hilário como jogador. Não tem o menor cacoete para estar na NBA. Quem sabe em uma liga porto-riquenha, no NBB ou mesmo em algum campeonato menor da Europa ele pudesse jogar. Mas na NBA! Ora, façam-me o favor!

Shawn Marion tem a mecânica de arremesso mais desengonçada que eu já vi. Arremessa da altura do peito, parece arremesso do feminino.

Tyson Chandler, como se diz por aí, é horroroso!

Um time estranho; um time esquisito. Por quem eu não dou nem uma pataca sequer. Duvido que ganhe a conferência; duvido que chegue à final. Sucumbe diante de Lakers ou Spurs numa semifinal — isso se chegar à semifinal.

Mas…

Mas o Dallas está jogando o fino da bola no momento. Os números, pelo menos, delatam isso. É o segundo no Oeste e ostenta a mesma posição no campeonato como um todo. Atrás apenas do San Antonio.

Bateu na noite desta terça-feira o Golden State em seu American Airlines Center e completou dez jogos seguidos só vencendo! Aliás, não é inédito; esta é a nona vez que o time texano enfileira dez vitórias — e isso mostra como esse time é pipoqueiro e sempre abre o bico nos momentos decisivos. Nada, nada e morre na praia — como sempre.

Pediram-me para eu falar do Dallas. O que eu tenho a dizer é isso. Se o time ganhar o campeonato (o que eu du-vi-do), eu quebro a cara.

Mas acho que não precisarei nem procurar um ortopedista e muito menos um cirurgião plástico quando o inverno chegar.

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  1. VAREJÃO ANULA NOWITZKI DENTRO DE DALLAS
  2. ZEBRA COM NOME EM DALLAS
  3. DECISÃO PERIGOSA
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  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. Última