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domingo, 24 de maio de 2009 NBA | 11:08

LADRÃO PROFISSIONAL

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Travor Ariza na marcação de NenêE não é que ele estava lá novamente? Foi a repetição da história do primeiro jogo entre Lakers e Denver.

A roubada de bola de Trevor Ariza depois do lateral liquidou com a esperança do Nuggets em vencer a partida. Faltavam apenas 36 segundos para o fim do cotejo e desta vez, ao contrário do primeiro encontro em Los Angeles, quem cobrou a reposição de bola foi Kenyon Martin e não Anthony Carter.

Ou seja, um gigante e não um baixinho – e de nada adiantou.

“Trevor é muito astuto, tem grande envergadura, é bem rápido, é um ladrão de bolas”, definiu Kobe Bryant após a partida.

O que aconteceu foi o seguinte – se é que você não sabe: o Lakers vencia a partida por 97-95 a pouco mais de meio minuto para o final. Lateral para o Denver; K-Mart na bola.

O passe era para Carmelo Anthony, mas Ariza fez a leitura correta da jogada inimiga. Tomou a bola de Melo e recebeu a falta na sequência.

Foi até a linha do lance livre, acertou o par de arremessos e colocou o Lakers na frente em quatro pontos: 99-95.

Isso liquidou com as pretensões do Denver, como disse anteriormente.

Mesmo com a diferença caindo para dois pontos após dois lances livres de Carter terem atingido o alvo, Bryant fez o mesmo com quatro deles, colocando números finais no marcador em 103-97.

Mais um jogo emocionante deste que é, seguramente, um dos mais emocionantes playoffs dos últimos anos na NBA.

DIFERENÇA

A jogada de Trevor Ariza deu o tom final da partida. Mas o cara – como diz Romário – foi Kobe Bryant. O armador do Lakers anotou 41 pontos e destruiu a defensiva inimiga.

Recebeu marcação de um punhado de gente adversária, mas ninguém encontrou a medida exata para contê-lo em quadra. O camisa 24 fez nada menos do que oito dos dez pontos do Lakers no final da contenda.

Assim como LeBron James no Cleveland, Kobe Bryant carrega o Lakers nestes playoffs. Mas é claro que ele conta com ajuda.

O lance de Ariza, mencionado anteriormente, foi uma delas. Exímio ladrão de bolas “down the strecht”, o ala do Lakers também contribuiu com 16 pontos.

E não dá para esquecer o que Pau Gasol fez em quadra: 20 pontos e 11 rebotes.

O resto do time? Bem, Kobe jogou por ele.

Kobe Bryant

VANTAGEM

Com o resultado, o Lakers recupera a vantagem de quadra, pois abre 2-1 na série e joga mais pressão pra cima do Denver. Sim, pois nos dois primeiros embates, o Nuggets entrou sem qualquer responsabilidade: a obrigação de vencer era do Lakers, que atuava em seu ginásio.

Com a vitória no segundo encontro, o Denver voltou para casa pressionado pela necessidade de vencer os dois prélios seguintes para não devolver a vantagem de quadra para o time californiano.

Fracassou na primeira tentativa. Agora tem que vencer para sobreviver; a pressão aumentou ainda mais.

Se o time colorado voltar a perder amanhã à noite em seu Pepsi
Center adeus viola. O Lakers poderá fazer 4-1 na partida da quarta-feira e se qualificar para as finais desta temporada.

Portanto, vencer amanhã é fundamental para o Denver continuar vivo nesta série.

NÚMEROS

Depois de 16 jogos invictos em seu Pepsi Center, o Nuggets perdeu. Foi também a primeira derrota do time do brasileiro Nenê em casa nestes playoffs.

Por falar em Nenê, o são-carlense fez um ótimo primeiro tempo. Marcou 13 pontos e apanhou quatro rebotes.

Na etapa final… Bem, pegou mais dois rebotes e não marcou ponto algum. Enrolou-se uma vez mais com as faltas e ficou boa parte no banco de reservas.

Confesso que esperava mais de Nenê nos momentos decisivos. Quase sempre ele está do lado de fora.

E isso é emblemático; vai ao encontro do que disse Oscar Schmidt, se não estou enganado. Segundo ele, nossos jogadores da NBA não têm a responsabilidade de decidir partidas. Assim, quando estão na seleção brasileira e têm esta missão, não sabem o que fazer, pois, como disse, não estão acostumados a ela.

POBREZA

Já disse aqui neste botequim: o sucesso de um time ou outro passa pelo freio imposto ao principal jogador adversário.

Ontem a defensiva do Lakers conteve Carmelo Anthony, que tinha estraçalhado nos dois primeiros jogos. Depois de ter anotado 39 e 34 pontos respectivamente, na noite passada Melo marcou apenas 21 pontos.

Deles, apenas três foram no segundo tempo. No total, acertou só quatro de seus 13 arremessos.

Mesmo que você não consiga conter o principal jogador adversário, sua estrela precisa estar no nível da estrela inimiga. Foi o que ocorreu no segundo jogo da série, em Los Angeles.

Na noite de quinta-feira passada, Kobe marcou 32 pontos, mas Carmelo estava com a mão na forma, bem calibrada. Equilibrou o confronto.

Se o adversário contém seu principal jogador e você não faz o mesmo com o dele, não tem jeito.

E foi o que aconteceu ontem em Denver.

GARANTIDO

O próximo jogo, como disse, será amanhã à noite no Pepsi Center. Havia uma colisão de datas com um espetáculo (sic) de luta livre.

Mas os artistas (sic) briguentos foram deslocados para o Staples Center de Los Angeles e o Pepsi Center estará desocupado e a quadra de basquete continuará intacta.

FRASES

“Preciso de mais tempo em quadra”—Andrew Bynum.

“Você os terá se jogar melhor”—Phil Jackson.

Notas relacionadas:

  1. RECLAMAÇÕES QUE PROCEDEM
  2. A LÓGICA E A SURPRESA
  3. UMA VITÓRIA E TANTO
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 22 de maio de 2009 NBA | 11:59

UMA VITÓRIA E TANTO

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Kobe BryantDe heróis a vilões.

Trevor Ariza, que deixou a quadra do Staples Center, terça-feira passada, celebrado pela roubada de bola final diante de Chauncey Billups, ontem foi desarmado por Nenê a 15 segundos da última buzinada e perdeu a chance do ataque. O Lakers perdia por 103-101.

Derek Fisher, que no primeiro confronto da série acertou três bolas triplas e anotou um total de 13 pontos, ontem fez só três, fruto da única bola tripla que atingiu o alvo das cinco tentadas. Fish ainda arremessou mais quatro vezes, estes de dois pontos, todos equivocados.

Este foi o sentimento da torcida ontem ao deixar o Staples com o telão central do belíssimo ginásio de Los Angeles estampando a vitória do Denver por 106-103. Com ela, o Nuggets quebrou um tabu de 11 triunfos consecutivos do Lakers em playoffs e empata a série decisiva do Oeste em 1-1.

O próximo jogo está marcado para amanhã à noite, em Denver, às 21h30 de Brasília. O Nuggets não perde em seu ginásio desde o dia nove de março passado, tendo enfileirado um total de 16 vitórias.

Como o time colorado venceu? Alguns fatores foram importantes, entre eles a defesa em cima de Kobe Bryant (acima, em foto Getty Images).

O camisa 24 do Lakers anotou 40 pontos no primeiro jogo; ontem, marcou 32. O volume de jogo de Bryant na partida inaugural da série foi também muito maior.

Kobe arremessou um total de 28 bolas na terça-feira; ontem, caiu para 20. Isso foi fruto da ótima defesa exercida pelo Denver especialmente no último quarto.

É certo que Kobe fez nove pontos no período referido, mas eles foram frutos de duas bolas de três e uma de dois. Sabe quantas vezes ele visitou a linha do lance livre no quarto final?

Isso mesmo, nenhuma.

O Denver soube trancar a porta de seu garrafão, afastou Kobe do lance livre, o que foi uma esperteza e tanto, pois o jogador tinha acertado todos os dez arremessos da linha fatal.

Kobe é um gigante quando o jogo está para se encerrar. Na primeira partida, marcou 18 pontos no último quarto. Teve um volume muito grande; bateu nove lances livres e acertou todos.

Ontem, como vimos, isso não aconteceu.

Foi o que eu disse: se o Denver quiser vencer a série, precisa tirar um pouco do volume de jogo de Kobe Bryant. Especialmente no final das partidas.

Ontem, como vimos, isso aconteceu.

GIGANTES

Nene e Paul Gasol

Carmelo Anthony foi grande novamente. No primeiro jogo, anotou 39 pontos; ontem, 34.

Ao contrário do primeiro jogo, quando teve de levar o time nas costas, ontem Melo encontrou eco em Chauncey Billups. O armador, que tinha feito 18 tentos no embate de terça, anotou 27 na noite passada.

Ajuda e tanto.

Além dos dois, não há como não mencionar o trabalho de Nenê (acima, em foto Getty Images). O são-carlense foi igualmente um gigante em quadra.

Se não pontuou como o habitual, foi muito bem nos rebotes. Além disso, fez o desarme final que foi muito significativo também.

Nenê terminou a partida com seis pontos, nove rebotes, seis assistências (o líder do time na partida de ontem), três tocos e um desarme.

Palmas para o nosso brazuca!

Finalmente, Linas Kleiza surge do nada e acrescenta 16 pontos e oito rebotes. Esse tipo de surpresa, quando acontece, o adversário vai a nocaute.

Foi o que aconteceu com o Lakers ontem.

MOEDA

O que o Lakers tem que fazer para ganhar em Denver? Ora, aplica-se ao time de Los Angeles o mesmo que tenho dito sobre Kobe Bryant: é preciso diminuir o volume de jogo de Carmelo Anthony.

Mas aí pode surgir Chauncey Billups.

O que fazer?

Este é o problema: Kobe tem se desdobrado na marcação dos dois. Ontem Ariza ficou mais em Melo e Bryant em Billups.

Derek Fisher está velho e não consegue marcar o armador do Denver. Se Kobe gruda em Billups, Ariza tem que fazer o mesmo em Melo.

Enfim, seja quem for o parceiro de Kobe na marcação, este precisa ser mais eficiente e, como disse, diminuir o volume de um ou de outro.

Não vai ser fácil vencer em Denver – mas não é impossível de jeito nenhum. Como disse o técnico George Karl depois da partida, esta será uma série longa.

Não tem nada definido – assim como na série do Leste.

Notas relacionadas:

  1. UMA SURRA E TANTO
  2. PRÊMIO JUSTO; NÚMEROS, NEM TANTO
  3. FINAL DOS SONHOS
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , ,

sexta-feira, 20 de março de 2009 NBA | 12:32

FORA DE SINTONIA

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De fato o Lakers, neste momento, não dá pinta de que pode ganhar o título.

Eu sei, eu sei que quando o playoff começar, tudo muda. É a velha história de separar os homens dos meninos. E o Lakers já mostrou que é homem pra burro.

Sua história comprova isso.

A motivação na fase decisiva é outra, claro, e, consequentemente, o desempenho tende a crescer, pois o nível das partidas é elevado. A pressão nos jogadores aumenta; vem da torcida, da mídia, da comissão técnica e deles mesmos. E só os mais fortes sobrevivem a ela.

E o Lakers está acostumado a este cenário. Sua história comprova isso.

Não acredito que o grupo perdeu a motivação com o primeiro lugar garantido no Oeste. Afinal, o Lakers não teria que estar determinado neste momento para buscar o primeiro lugar na classificação geral do campeonato?

Sim, pois com ela a franquia terá a vantagem de jogar mais vezes em casa em todas as fases do playoff – inclusive na decisão do título. E então, por que esta apatia toda?

Ontem a história se repetiu diante do Golden State. O time, todavia, conseguiu evitar a derrota – o que não foi possível diante do Philadelphia.

Com uma marcação frágil no segundo tempo, os amarelinhos permitiram duas corridas ao Warriors e por pouco não perderam o jogo.

A primeira delas foi quase que ao final do terceiro período, que começou apertado, fruto do mau desempenho do Lakers no primeiro tempo, que terminou com a vantagem de apenas um ponto para os anfitriões: 52-51.

A bem da verdade, os angelinos fizeram primeiro uma corrida de 25-8 e abriram 18 pontos com uma cesta de três de Derek Fisher, que levou o marcador a 77-59 a 3:33 minutos do final.

Foi então que veio a primeira corrida do pessoal de Frisco. O Warriors marcou 12-0 em 2:08 minutos e cortou a diferença para 77-71.

O Lakers se recuperou e fechou o quarto em 82-73.

Voltou a abrir uma boa diferença e pulou com folga à frente em 16 pontos. Sasha Vujacic acertou os dois primeiros lances livres batidos pelo time no segundo tempo e jogou a vantagem para 95-79, isso a 7:43 minutos para o final da peleja.

Com uma marcação frágil, novamente o Lakers permitiu ao rival do norte tirar a diferença.

O Golden State fez a segunda corrida mencionada, que encurtou a vantagem dos caseiros para apenas três pontos. Stephen Jackson fez uma bandeja colocando o placar em 105-102 para o Los Angeles, a 2:39 minutos do buzinaço final.

O Lakers só não foi surpreendido novamente porque o GSW não soube tirar proveito da vantagem psicológica que tinha naquele momento – assim como ocorreu ao final dos terceiro quarto.

Sorte do pessoal da terra do cinema que o adversário é fraco e ainda por cima jogou desfalcado. Andris Biedrins, machucado, e Jamal Crawford, por decisão do técnico Don Nelson, ficaram de fora.

Fosse alguém mais competente e o Lakers teria perdido novamente. Por isso o jogo acabou em 114-106 para os angelinos.

CORREÇÕES

Ou correção?

Diria no singular. O principal problema do Lakers, neste momento, é sua falta de concentração.

Ela gera apatia, que produz erros.

Trevor Ariza foi um desastre – apesar de sua cesta de três ao final do jogo, que aumentou a diferença de três para seis pontos (110-104).

De resto foi um horror.

Mas Kobe Bryant (foto AP) foi imbatível. Cometeu cinco erros e acertou apenas nove de seus 25 arremessos.

Um desastre.

EMOÇÃO

A gente pode falar isso e aquilo do Lakers, mas ninguém pode dizer que não há emoção em seus jogos. Longe disso.

Ao contrário dos outros times grandes, que quando abrem uma boa vantagem tornam a partida um “jogo-treino”, o Lakers sai de sintonia e possibilita ao adversário entrar em sintonia novamente.

Não dá para desligar o computador quando o time abre 20 pontos, por exemplo, no último quarto.

Não é garantia de nada.

O cara pode ir dormir certo de que o time ganhou e no dia seguinte descobre que ele perdeu.

DIFERENÇA

O Cleveland precisou de uma prorrogação para construir sua 31ª. vitória dentro de casa. Mas foi diante do Portland, uma das forças desta competição: 97-92.

Justificado o tempo extra, portanto.

O jogo foi sensacional, como sensacional é a bola de Brandon Roy.

O ala/armador do Blazers parece um veterano, quando, na verdade, está apenas em sua terceira temporada na NBA. Dificilmente se equivoca nos momentos de pressão.

Ao contrário, torce para que eles surjam o tempo todo. Parece ser a fonte de energia que o jogador precisa para aumentar seu nível de jogo.

Como LeBron James ((foto AP ao lado de Roy).

LBJ fez seu sétimo “triple-double” na temporada – este, é verdade, com o auxílio da prorrogação – ou o 24º. de sua carreira. Foi um gigante em quadra.

26 pontos, 11 rebotes (todos defensivos) e 10 assistências.

Roy fez 24 pontos e acertou todos os 11 lances livres cobrados. Deu ainda sete assistências e apanhou igual número de rebotes.

O Cavs venceu ontem sua sétima partida consecutiva. Da última dúzia de confrontos, perdeu apenas um.

Do jeito que joga, sempre focado, dificilmente entregará novamente ao Lakers a vantagem na classificação geral. Até porque, se um tropeço ocorrer, a chance de o oponente também tropicar é muito maior.

Penso que o Cleveland fechará a fase de classificação em primeiro lugar. E, com isso, terá todas as vantagens possíveis e imagináveis quando o playoff chegar.

(Varejão terminou a partida com oito pontos e nove rebotes)

Notas relacionadas:

  1. BYNUM PODE FICAR DE FORA ATÉ OS PLAYOFFS
  2. PÉSSIMO EXEMPLO
  3. CONTUSÃO FORA DE HORA
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 11 de março de 2009 NBA | 11:15

PÉSSIMO EXEMPLO

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A NBA deixou bem claro que o pau pode comer nas 30 arenas entre os jogadores que nada irá acontecer aos briguentos. A não ser uma expulsão aqui e outra ali.

Suspensão?

Pra quê?

Claro que não.

O recado aos jogadores foi dado ontem depois que Stu Jackson, um dos vice-presidentes da liga e responsável pelo julgamento dos atletas, analisou as cenas da irresponsável jogada de Trevor Ariza diante de Rudy Fernandez. Segundo avaliação de Jackson, a expulsão do ala do Lakers do jogo foi suficiente.

Dá pra acreditar?

SUSPENSÃO

Quem pagou o pato nessa história foi o ala/pivô Lamar Odom (foto AP). Ele contrariou o regulamento da competição que impede qualquer jogador sair do banco de reservas durante uma briga.

E no jogo de segunda-feira, durante a confusão provocada pela violência de Trevor Ariza diante de Rudy Fernandez, Lamar deixou a área dos reservas para bater boca com Brandon Roy.

Pelo gesto, foi punido por Stu Jackson com uma partida de suspensão sem direito a pagamento, o que deu o valor de US$ 104 mil. Não vai enfrentar o Houston esta noite no Toyota Center.

Mitch Kupchak, GM do Lakers, disse: “Nós estamos frustrados com o que aconteceu e com as regras da liga”.

Pergunto: o que ele quis dizer com isso? Que está desapontado com a punição a Lamar ou a não punição a Ariza?

RESUMO

Juro que eu não consigo entender a mensagem que a NBA passa nesse caso. Quer dizer que um cara que coloca em perigo a vida – isso mesmo, a vida – de um adversário não é punido; quem bate boca é castigado?

Tem lógica?

Se tiver, eu não consigo enxergá-la.

PROBLEMAS

O Lakers terá sérios problemas no jogo desta noite com a ausência de Lamar Odom. O time, como sabemos, está sem Andrew Bynum, lesionado no joelho. Odom saiu do banco para resolver esse problema.

E está resolvendo bem.

Sem ele, especula-se que Phil Jackson vai recorrer a Josh Powell. Eu não faria isso; eu colocaria DJ Mbenga no lugar de Lamar e empurraria Pau Gasol para a sua real posição, ala/pivô.

Até porque o Houston tem no pivô Yao Ming, jogador de 2m27, uma de suas principais peças.

Mbenga tem jogado bem saindo do banco de reservas. Mas, é verdade, quase sempre entrou em quadra com a partida resolvida. E é um jogador da posição.

Além disso, com Powell, Gasol ficará no pivô. O espanhol tem 2m13 de altura e pesa 113 quilos. O congolês tem a mesma altura, mas tem dois quilos a mais de força.

Penso que no corpo-a-corpo Mbenga seria um problema maior para Yao do que Gasol.

Mas o basquete é dinâmico, possibilita substituições infinitas, e a qualquer momento. Mesmo que saia com Powell, se não estiver dando certo, P-Jax pode trocar quando desejar.

O Lakers que se cuide, pois a chance de se complicar esta noite é grande demais. Até porque o Houston vem jogando muito bem sem Tracy McGrady, que era uma espécie de estorvo para o técnico Rick Adelman, que tinha de utilizá-lo por ser a estrela da companhia.

Agora sem ele, Adelman encontrou em Shane Battier e Ron Artes a dupla ideal. Os dois, como disse ontem, são excelentes marcadores.

Artest, ainda contribui com quase 17 pontos por partida. Battier é bem mais econômico nos pontos – quase sete por jogo –, mas compensa esta fragilidade ofensiva, como disse, com uma defesa muitas vezes impecável.

E logo mais à noite (21h30 de Brasília, com transmissão ao vivo pela ESPN), Battier terá a missão de seguir os passos de Kobe Bryant.

ESCRITA

Enquanto o Lakers não vence fora de Los Angeles há três partidas, o Houston ganhou 11 de seus 13 jogos desde que Tracy McGrady deixou o time.

T-Mac, como se sabe, não jogará mais esta temporada por causa de uma cirurgia no joelho.

VIRADA

O Cleveland fez uma virada sensacional ontem à noite em Los Angeles. Chegou a ficar atrás no marcador em 19 pontos, mas ao final de 48 minutos de bola em jogo bateu o Clippers por 87-83.

Foi o segundo time nesta temporada a alcançar a marca de 50 vitórias – o outro foi o Lakers.

Se Dwyane Wade deu um show particular na vitória do Miami diante do Chicago, segunda-feira, ao anotar 48 pontos – mas com duas prorrogações, é bom que se diga –, ontem LeBron James não ficou atrás.

LBJ anotou seu quinto “triple-double” da temporada, o 22º. de sua carreira, ao estabelecer 32 pontos, 13 rebotes e 11 assistências.

King James foi fantástico, mas a bola de três que Mo Williams derrubou a 6.6 segundos do final e que colocou o Cavs na frente em 85-83, foi fundamental para a vitória do time de Ohio.

Williams cresce no momento certo da competição. Tem se mostrado um tormento para defesas adversárias especialmente com seus tiros longos.

O resultado disso, como já falei aqui em nosso botequim, é que a marcação afrouxa em cima de LeBron. Claro, pois se houver a dobra em cima de LBJ, alguém fica livre; e com uma troca de bola e movimentação eficientes, ela acaba nas mãos de Williams, livre de marcação para seu arremesso mortal.

GOSTEI

Anderson Varejão (foto Reuters) voltou a jogar bem. Deixou o parquete tricolor de Los Angeles com oito pontos e dez rebotes.

À sua maneira, vem ajudando – e muito – o Cavs no jogo interior da equipe. Sem falar no contágio positivo em cima dos companheiros.

O contrato do capixaba com a franquia mostra que ele pode optar pela permanência ou não em Cleveland na próxima temporada. Tenho certeza absoluta que o Cleveland vai fazer de tudo para não perdê-lo.

E isso significa abrir os cofres.

OBRIGADO

Quem agradece é o Denver.

O Phoenix voltou a perder. O quinto revés consecutivo aconteceu ontem, em casa, diante do Dallas, num confronto mais do que direto; diretíssimo.

Sim, pois, com a vitória do Mavericks por 122-117, o Suns fica agora cinco derrotas não apenas atrás do time texano, mas também do colorado: 30-25.

Dá, praticamente, adeus aos playoffs desta temporada.

Com isso, o Denver pode continuar errando e jogando a bolinha de sempre que vai chegar à fase decisiva da competição.

Dirk Nowitzki foi novamente o “factor” do Dallas. O alemão não mostrou um desempenho exemplar nos arremessos (13-27), mas no momento decisivo da partida ele praticamente não errou.

Fez 34 pontos e ainda por cima pegou 13 rebotes. É bonito ver Nowitzki jogar, especialmente quando ele faz o “fade-away jump”. Quase sempre a bola cai.

O alemão, além de ter um tiro quase que certeiro, vale-se muito de sua mobilidade no momento do arremesso. É difícil encontrar um ala/pivô com essa facilidade, especialmente nas bolas longas.

O Denver, como disse acima, agradece.

“Danke”!

(Leandrinho Barbosa fez 18 pontos e roubou duas bolas)

FIM

O San Antonio colocou um ponto final na série de seis partidas invictas do Charlotte. Os texanos foram impiedosos com a franquia em crescimento e venceram por 100-86.

Não dava mesmo para o Cats esperar outra coisa, pois nos nove confrontos anteriores o Spurs havia vencido oito deles.

A vitória foi muito importante para o San Antonio em termos de classificação dentro da Conferência Oeste. Com ela, a franquia permanece com três derrotas a menos que Houston, Utah, Portland e New Orleans, seus mais diretos perseguidores.

E confirma a boa fase do time de Gregg Popovich, que venceu seus últimos três jogos e nove das passadas dez partidas.

Tim Duncan (18 pontos e 11 rebotes) e Tony Parker (21 pontos e sete assistências) voltaram a luzir em quadra – como quase sempre acontece. Normal, portanto.

Gostaria, no entanto, de enfatizar a atuação de Roger Mason Jr (foto AP). Substituindo Manu Ginobili, o rejeitado jogador (passou por Chicago, Toronto e Washington) anotou 21 pontos. Seu desempenho nos arremessos foi muito bom: 8-16; 5-8 nas bolas de três.

Sempre que o time está apurado ofensivamente, lá vem Mason para resolver os problemas.

Será de extrema utilidade quando os playoffs chegarem e “El Narigón” estiver em forma novamente.

Notas relacionadas:

  1. NÚMEROS QUE ENGANAM
  2. UMA NOITE PARA OS BRAZUCAS ESQUECEREM
  3. UM ARGENTINO QUE VALE O QUE PESA
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 10 de março de 2009 NBA | 12:15

BRINCANDO COM A SORTE

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A sorte do Denver é o Phoenix. Não fosse o time do Arizona, e a franquia do Colorado, que já foi vice-líder da Conferência Oeste, poderia ficar de fora dos playoffs.

O time cai dramaticamente no campeonato.

Do “All-Star Game” para cá, foram 12 os jogos disputados pelo Nuggets; quatro as vitórias e oito as derrotas.

Dos últimos 11 jogos, venceu apenas três; dos passados cinco encontros, saiu vitorioso em só um deles.

Não que a distância para o Suns seja confortável; nada disso. São 25 derrotas do time colorado contra 29 do ensolarado.

Mas o Phoenix perdeu um de seus principais jogadores: Amaré Stoudemire. O ala/pivô, que também faz as vezes de pivô, tem um sério problema na retina e não vai mais jogar esta temporada.

E não há substituto à altura para ele. Tanto que o técnico Alvin Gentry improvisa Grant Hill na posição. E não está lá dando muito certo não.

O time de Leandrinho Barbosa, se formos também contar do “All-Star Weekend” para cá, em 12 compromissos, venceu a metade. A campanha é melhor do que a do Nuggets.

Mas esta pequena diferença – embora não seja confortável, como disse –, pode ser significativa no momento de se passar a régua ao final da etapa de classificação para apurar-se os oito classificados para os playoffs.

Denver Nuggets 
Denver Nuggets: sorte do time do técnico George Karl e a má campanha do Phoenix Suns 

CALENDÁRIO

O Nuggets tem uma ótima sequência de jogos. A tabela é extremamente generosa.

Os próximos cinco enfrentamentos são as chamadas babas. O time tem tudo para enfileirar cinco triunfos e dar uma boa respirada no campeonato.

Vejamos: amanhã, em casa, pega o Oklahoma City; no sábado, recebe o Clippers; dia 16, o New Jersey; dois dias depois, viaja para enfrentar o Memphis; e termina este ciclo hospedando o Washington.

Não é o calendário que se pediu a Deus?

JOGO

Mas o time tem que justificar em quadra o que lhe é favorável na teoria.

Ontem, na derrota diante do Houston (97-95), o que se viu no Pepsi Center foi uma equipe insegura e perdida em quadra.

A insegurança crescia à medida que os arremessos não caiam. O time acertou apenas 38.1% de seus tiros. Nenê foi o exemplo mais bem acabado da falta de pontaria do time.

Líder no quesito “percentual de acerto” na competição, o são-carlense foi um desastre ontem à noite. Encestou apenas quatro de suas 15 tentativas de cesta.

Ele que tem mais de 61% de aproveitamento, pelos números de ontem, ficou em 26.6%.

Carmelo Anthony, cestinha do time na competição, deixou a quadra com 21 pontos, mas teve um desempenho igualmente ruim: 8-21 (38.1%).

Chauncey Billups, que foi o artilheiro da equipe e da partida com 28 pontos, acertou uma bola a mais do que Melo numa mesma quantidade de arremessos. Seu percentual foi de 42.8%.

Quanto a Nenê, havia muito tempo que eu não via o brazuca tão perdido em quadra. Deixou o jogo com apenas dez pontos e oito rebotes.

Nene x Yao Ming
Yao Ming levou a melhor contra Nenê no duelo de pivôs de segunda-feira à noite

QUÍMICA

Gostei muito do que vi do Houston na partida. A contusão de Tracy McGrady fez o time se encaixar.

Com ele de fora, o técnico Ricky Adelman colocou Shanne Battier e Ron Artest juntos. Não o tempo todo, é verdade, mas em boa parte dos confrontos; especialmente quando a marcação tem que ser apertada.

Os dois jogadores são conhecidos principalmente pela qualidade defensiva que possuem. Ontem, Artest ficou em cima de Carmelo Anthony. Limitou a produtividade do ala do Denver, como vimos.

Mas os dois não são apenas marcadores. Pontuam também – e com qualidade.

Ontem, Battier não teve bom volume e consequente desempenho. Fez só oito pontos. Mas Artest anotou 22.

Outro que esteve bem foi o argentino Luis Scola. Embora tenha deixado o jogo mais cedo por ter estourado o limite de faltas, o argentino apanhou nada menos do que 15 rebotes, tornando-se o reboteiro da partida.

Já disse aqui, várias vezes, que não acredito no Houston. Mas os números não me são favoráveis.

Desde que T-Mac se machucou, o Rockets ganhou 11 de seus 13 compromissos.

É hoje o terceiro colocado do Oeste com 23 derrotas, três a mais do que seu rival estadual, o San Antonio.

Junto com o Utah, vai cutucar o Spurs o resto da fase de classificação brigando pelo segundo lugar da conferência.

REVÉS

A derrota do Lakers para o Portland, no Oregon, por 111-94, deixou o time da terra do cinema junto com o Cleveland. Ambos foram dobrados em 13 oportunidades neste campeonato.

Mas o time angelino, por ter feito uma partida a mais e vencido, aparece com um aproveitamento de 79.4%, enquanto que o Cavs exibe desempenho de exatos 79%.

Mas tem um aspecto importante nessa história: o Lakers varreu o Cleveland nos dois embates desta fase regular. Portanto, se terminarem empatados na campanha, os californianos terminam em primeiro lugar.

VIOLÊNCIA

Alguém viu a entrada que Trevor Ariza deu em Rudy Fernandez? Se não viu, eu conto e mostro.

O “rookie” espanhol, faltavam dois segundos para o final do terceiro quarto, recebeu um passe perfeito de Brandon Roy para, no contra-ataque, encestar mais dois pontos e colocar o Portland na frente em 30 (85-55).

Mas Ariza, irresponsavelmente, tentou dar um toco no adversário, como se fosse limpar o aro. Acertou o braço de Fernandez, que despencou de uma altura de mais de dois metros estatelando-se ao chão.

Bateu o lado direito do peito na quadra e depois de quase 15 minutos deixou o local em uma maca. Foi direto para o hospital. Felizmente, os exames mostraram que nada de grave aconteceu.

Ariza foi corretamente expulso da partida.

Agora, assista!

DESCULPAS

O ala do Lakers garantiu que não teve propósito algum de machucar Rudy Fernandez. Que assim seja; mas ele foi imprudente, isso ninguém pode questionar.

Claro, pois se errasse o movimento – como errou – poderia derrubar perigosamente o adversário – como derrubou.

“Eu não tinha intenção de machucar ele”, afirmou. Acreditamos, OK?

Mas que o senhor seja punido severamente pela NBA, pois lances desse tipo não podem acontecer mais.

Fernandez salvou-se de algo ruim ontem à noite. Será que a sorte abraçará outro jogador em situação semelhante?

É melhor não testá-la.

Por isso, a punição a Ariza torna-se necessária.

PREGUIÇA

O Lakers parecia um time sem qualquer objetivo em quadra. Não dava sinal algum de que se tratava do líder geral do campeonato e com objetivos claros de ganhar a competição.

Perdeu por 111-94, 17 pontos de diferença. Mas a vantagem do Blazers chegou a 30.

Ao final da partida, Lamar Odom disse: “Nós temos que respeitar nossos oponentes e tratá-los sempre como se estivéssemos jogando contra o Boston ou o Cleveland. Eles jogaram contra a gente como um time forte, um dos melhores da liga. Então, por que a gente não joga da mesma maneira?”

Verdade. O Lakers parece realmente ter menosprezado o Portland. Tratou-o como se fosse o Washington ou o Sacramento.

Pagou caro pela sua arrogância.

EMOÇÃO

Miami e Chicago fizeram um jogo repleto de emoções ontem à noite na Flórida. E com direito a duas prorrogações.

No final, deu Heat por 130-127.

O final da segunda prorrogação tem que entrar para a história da liga. Faltavam três segundos para o final e a bola estava nas mãos de John Salmons, que tentava uma infiltração.

Dwyane Wade tomou-a e partiu em disparada em direção à cesta. Não havia tempo hábil para uma bandeja segura. Por isso, D-Wade, antes da linha dos três, arremessou.

E a bola caiu.

Precisou-se de três horas e 17 minutos para apurar-se o vencedor.

DECLARAÇÃO

Empolgadíssimo com a vitória – e não era para menos –, o técnico do Miami, Erik Spoelstra, fez o seguinte discurso assim que entrou na sala de imprensa após a partida:

– Mr. Dwyane Tyrone Wade Jr., se ele não for considerado legitimamente um candidato a MVP, eu não sei o que ele precisa fazer.

Chover, eu diria…

Os maiores adversários de Wade na briga pelo troféu de melhor jogador da fase de classificação não Kobe Bryant e LeBron James. É o time do Miami, que é fraco e não proporciona ao jogador os holofotes da mídia.

De qualquer maneira, vamos destacar a atuação do camisa 3 do Miami: Wade terminou a partida com 48 pontos e 12 assistências em 50 minutos em quadra. Acertou 15 de seus 21 arremessos.

A mesma quantidade que Carmelo Anthony e Chauncey Billups atiraram na derrota do Denver, lembram-se?

ERRO

Quanto ao Bulls, Ben Gordon voltou a jogar muito bem. Terminou a partida com 43 pontos, sua melhor performance nesta temporada. Encestou oito bolas de três.

John Salmons, que foi desarmado por Dwyane Wade, não pode ser responsabilizado pela derrota. Tem se mostrado um jogador eficiente e extremamente ofensivo; ontem marcou 29 pontos.

O grande problema do Bulls foi que o técnico Vinnie Del Negro – sempre ele – não soube poupar os jogadores. Foram três horas e 17 minutos de partida, como eu disse.

Derrick Rose jogou 55 minutos; Salmons, 54; Gordon, 50; e Joakim Noah, 45.

No Miami, Wade atuou também por 50 minutos. Depois dele, Udonis Haslem jogou 46. Os demais, não chegaram a 40.

Quer dizer: o Miami chegou mais inteiro na segunda prorrogação.

Notas relacionadas:

  1. CENA EMBLEMÁTICA EM PHOENIX
  2. SINAL DE ALERTA EM BOSTON
  3. SUNS ATRÁS DA SORTE DO SPURS
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 12 de novembro de 2008 NBA | 13:57

O VÔO DO FALCÃO

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O Lakers aparecer com a melhor campanha da NBA – não importa o momento ou o campeonato –, não surpreende ninguém. O time tem história e camisa. E contou sempre com os melhores jogadores em toda a história da liga norte-americana. É o que acontece nesse início de torneio, quando a equipe amarelinha da terra do cinema tem um recorde de seis vitórias e nenhuma derrota.

Agora, o que surpreende é o Atlanta também aparecer com a mesma campanha do Lakers nesta temporada. O Hawks não tem muita história e nem contou com tantos bons jogadores em toda a narrativa da NBA.

Os 6-0 nesse início de competição é um feito que o Atlanta não conseguia desde a temporada 1997/98, quando a franquia conseguiu um recorde de 11-0. Impressiona também o fato de que quatro dessas seis vitórias foram obtidas em quadra estrangeira.

E foi o que aconteceu ontem à noite, quando o time da Georgia visitou o Chicago e sapecou 113-108 nos anfitriões. A equipe não tem os holofotes da mídia e nem dos torcedores de uma maneira geral. Responda rápido: quem é o técnico do Atlanta? Quem mesmo? Não se lembra, certo?

Pois é, o Hawks é assim mesmo. Está comendo pelas beiradas; mas não se sabe até onde o time pode chegar. Hoje à noite tem um teste e tanto pela frente: enfrenta o Celtics, em Boston.

Vai precisar contar com todos os jogadores atuando quase que em seu limite máximo; caso contrário, conquistar o sétimo triunfo consecutivo será difícil; ou melhor, quase impossível.

Ontem, diante do Bulls, o Hawks pôde se dar ao luxo de ver Joe Johnson, seu artilheiro no campeonato, acertar só quatro de seus 16 chutes, fazer apenas 17 pontos – oito a menos do que sua média – e mesmo assim vencer a partida.

Tudo porque Al Horford – filho do Tito, que jogou no Sírio, lembram-se? – fez o jogo de sua vida na NBA. Onipresente, foi uma tormenta na vida dos jogadores oponentes. Horford deixou a quadra do United Center com números que impressionaram os 21.738 torcedores: 27 pontos, 17 rebotes (seis no ataque) e seis tocos! Sua melhor performance nesta temporada em todos estes fundamentos.

Com o triunfo, o Atlanta não apenas manteve sua série invicta, mas também acabou com uma incômoda seqüência de sete jogos sem vencer em Chicago. A última vez que isso tinha acontecido foi em abril de 2004, quando Horford (foto AP) estava no último ano do ensino médio na Grand Ledge High School (Michigan).

As conquistas não estão vindo por acaso. Ano passado, mesmo com um recorde negativo (37-45), o Atlanta chegou aos playoffs e vendeu caro a vitória ao Celtics numa série que precisou ser disputada por completo. O triunfo do Boston por 4-3, muitos disseram, aconteceu porque o time de Massachusetts teve a vantagem do mando de quadra. Fosse o contrário, o Atlanta teria avançado para as semifinais da Conferência Leste.

O time está bem equilibrado. Conta com um armador do ramo, Mike Bibby, produto da Universidade do Arizona, cria de Lute Olson, a quem Leandrinho deveria visitar e pedir conselhos, disse-o ontem. Seu artilheiro, JJ, que ontem não foi bem, é um “All-Star”. E no garrafão, uma dupla quente, formada por Horford e Josh Smith, que não tem jogado há duas partidas por ter se contundido diante do Toronto no dia sete passado. Mas um georgiano de Tbilisi de 2m11 de altura, de nome esquisito, Zaza Pachulia, que se não tem números impressionantes (5.5 pontos e 5.7 rebotes e zero toco), tem feito muito bem o trabalho de bloqueio dentro do garrafão para Horford brilhar.

O jogo desta noite no TD Banknorth Garden é imperdível. Os holofotes que estavam direcionados apenas para o Boston terão de ser repartidos. Afinal, os comandados de Mike Woodson – o técnico que a gente não se lembrou do nome de imediato – merecem.

OUTRA MÁQUINA

Na temporada 2001/02 o Lakers começou o campeonato da mesma maneira que agora: sem perder. Naquela ocasião, o recorde inicial foi de 7-0. Resultado daquele bom princípio: ganhou o campeonato. Último título, aliás, que a franquia conquistou.

Mas ontem não foi fácil vencer a sexta partida consecutiva. O time teve que se desdobrar em quadra e defender muito, especialmente no segundo tempo, pois a defesa, no primeiro, foi uma peneira. Levou 60 pontos de uma equipe que vinha de uma derrota para o Clippers.

Com intensidade defensiva, o Lakers permitiu ao Mavs apenas 39 pontos em todo o tempo derradeiro. O grande destaque do time tem um nome que não soa familiar à maioria: Trevor Ariza. Ele foi o “key factor” para que a equipe do técnico Phil Jackson pudesse reverter um jogo que a muitos parecia perdido.

Ariza – que no “NBA Register” (o livro com o perfil dos jogadores) do ano passado aparecia como “Aziza” – jogou os 12 minutos finais da partida. Neste último quarto, pegou uma bola perdida na ponta-direita do ataque, livrou-se feito uma minhoca de Brandon Bass e Dirk Nowitzki e deu uma enterrada espetacular, colocando o Lakers na frente em 83-81.

Mas seu grande momento foi o toco desconcertante que deu em cima de Jerry Stackhouse quando o placar marcava 99-97 para o Lakers, a 45 segundos do final. Marcou 13 pontos, pegou seis rebotes (a metade no ataque), roubou três bolas e deu o toco mencionado. Tudo em 29 minutos.

O Lakers é assim: quando todos esperam mais um show de Kobe Bryant – como LeBron James tem feito com a camisa 23 do Cleveland –, aparece um sujeito não se sabe de onde e ele rouba a cena.

Coisas de um time campeão, diria o outro. Tem jeito mesmo, eu completo.

NA DESCENDENTE?

O Dallas perdeu quatro de seus últimos cinco jogos. Está com recorde de 0-3 em casa, o que não acontecia desde a temporada 1993/94. Na época, encerrou o campeonato com uma campanha medíocre: 13-69.

A torcida já pega no pé de Dirk Nowitzki, que feito o goleiro Marcos, do Palmeiras, saiu criticando seus companheiros depois da derrota para o Clippers. Ontem marcou apenas 14 pontos, com um aproveitamento amorfo de seus arremessos: 5-17. Pior: no último quarto, errou todos os seus cinco chutes.

Jason Kidd, que fez um “triple-double” ao anotar 16 pontos, 11 rebotes e 10 assistências, também não tem sido poupado.

O técnico Rick Carlisle saiu em defesa dos dois ao final da partida. Disse Rick: “Dirk Nowitzki e Jason Kidd são jogadores especiais e se tornaram grandes porque eles pedem a bola quando o jogo está sendo decidido. Dirk teve algumas oportunidades no final da partida, mas não foi feliz. Mas num todo, ele foi bem”. Foi nada, a gente viu os números.

Mark Cuban, dono da franquia, está sendo acusado de estar com as atenções divididas no momento, pois fala-se que ele está para comprar o time de beisebol do Chicago Cubs. Ele desmente categoricamente.

Mesmo fora de época, Dallas parece estar sendo varrida por um furacão.

BRAZUCAS

Os dois brazucas que entraram em quadra ontem foram bem; especialmente Anderson Varejão. Nenê até que não foi mal, mas produziu menos do que vinha produzindo.

Mas é sempre bom dizer: home sweet home. Ou seja: em casa tudo fica mais fácil, no aconchego do lar, com o calor e o carinho dos torcedores, com tudo familiar.

Talvez isso explique o desempenho melhor de um do que de outro.

Varejão jogou 23 minutos na vitória do Cavs sobre o Milwaukee por 99-93 (19.842 pagantes) e fez seu primeiro “double-double” da temporada, ao anotar 13 pontos e apanhar 10 rebotes (três deles no ataque). Melhor do que isso é ver que nos últimos três jogos Varejão soma 14.7 pontos e 7.3 rebotes de média por embate disputado.

Mas o mais legal é ver a química que existe entre o capixaba e o resto do grupo. Todos gostam dele. LeBron James também? Tenha certeza que sim. King James, aliás, parece ser o melhor amigo de Varejão – e vice-versa.

Trabalhar assim, sendo amado pelo “dono” do time, fica fácil, muito fácil. Mas isso não veio de graça, é importante ressaltar. É fruto do trabalho árduo do brasileiro.

Nenê jogou num ritmo mais lento do que nas últimas partidas. Teve a marcá-lo, é certo, um jogador diferenciado: Emeka Okafor. Foi, talvez por isso, menos eficiente no ataque, tendo terminado o embate com 12 pontos, sete a menos do que sua média nos três jogos anteriores. Nos rebotes, foram oito (um no ataque). Em compensação, deu quatro tocos, sua melhor marca nesta temporada.

De um modo geral, Nenê, que ontem completou 300 jogos na NBA (Leandrinho tem 360 e Varejão 239), foi bem e importante na não menos importante vitória do Denver diante do Charlotte (88-80, 10.753 pagantes), a terceira consecutiva da equipe, que agora tem um aproveitamento de 57.1% de seus jogos (4-3) e a sétima posição na Conferência Oeste.

UNSTOPPABLE

O que dizer de LeBron James (foto AP)? Ele parece incontrolável em quadra. Ontem marcou 41 pontos pela terceira vez nos últimos quatro jogos. É o cestinha da NBA com média de 29.8 pontos por partida.

Disparado, o melhor atacante da competição.

Mas não é só isso. Sua média nos rebotes, 8.4, é de irritar muitos pivôs e as 6.9 assistências por partida inveja muitos armadores.

Faz um início de temporada quase que impecável. O time vem de cinco vitórias consecutivas (duas delas fora de casa) e cresce a cada rodada.

Como crescem as chances de LeBron ser o MVP da temporada, embora seja muito cedo para a gente cravar nisso, reconheço.

ALL-STAR GAME

Começa amanhã a votação para o “All-Star Game” que será jogado em fevereiro do ano que vem em Phoenix. Qualquer um pode votar pela internet, através do site da NBA. A data limite é 19 de janeiro do ano que vem.

Um total de 120 jogadores (60 de cada conferência) foram selecionados para a cédula de votação. Brasileiros? Brasileiro, digo, pois apenas Leandrinho aparece. Uma injustiça com Nenê e Anderson Varejão.

Mas você pode corrigi-la votando em outro jogador que não aparece na cédula. É o que eu vou fazer: no Leste, um de meus pivôs será o Varejão; no Oeste, Nenê. E Leandrinho também receberá o meu voto.

Afinal, é uma festa.

Notas relacionadas:

  1. AH, OS BRASILEIROS…
  2. A DIFERENÇA QUE UM TIME FAZ
  3. O DESPERTAR DE UM GRANDE JOGADOR
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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