CURITIBA – Foram 3:56 minutos perfeitos. Os melhores desta temporada. E foram os últimos de uma partida de basquete importantíssima.
Kevin Garnett tinha acabado de derrubar sua 10ª. bola contra a cesta do Lakers. Colocou o Boston na frente em 81-79.
O coração dos 18.997 torcedores californianos que ocuparam todas as poltronas do moderníssimo Staples Center quase saiu pela boca. O tempo era longo, mas o adversário era o Boston.
Mais uma derrota? A pergunta martelava a cabeça dos fãs, que ainda tinham bem nítido em suas retinas os jogos finais da temporada passada, quando o Celtics fez 4-2 e conquistou seu 17.o título de campeão da NBA; o nono em cima do time de Los Angeles em 11 finais entre eles.
Mas foram, como disse, 3:56 minutos perfeitos. Os melhores desta temporada. E derradeiros.
Kobe Bryant e principalmente Pau Gasol (ambos em foto da AFP) trataram de aniquilar as pretensões do alviverde de Massachusetts, que imaginava repetir a dose do campeonato passado, quando vencera as duas partidas entre ambos na fase de classificação.
Ou seja: seis vitórias do Boston contra apenas duas do Lakers no torneio anterior.
Mas Kobe e Gasol resolveram que a história seria contada de maneira diferente desta vez. E conseguiram o que planejaram.
Primeiro, Kobe empatou o jogo em 81 pontos. Depois, deu três assistências para Gasol fazer seis pontos, que na verdade foram sete, pois uma falta cometida por Paul Pierce no terceiro arremesso consecutivo de Gasol possibilitou um lance livre de bonificação.
A corrida estava em 7-2 (Garnett fez mais dois pontos depois de Gasol ter acertado o segundo ataque consecutivo). Mas é importante que se diga que ela só foi possível graças à marcação agressiva que o time californiano fazia naquele momento.
O ápice defensivo foi a 1:16 minuto do final, quando Gasol deu um toco humilhante em cima de Ray Allen. No contra-ataque, Ariza recebeu sozinho e cravou no aro alheio, ampliando a corrida para 9-2.
E o marcador foi para 90-83; a 1:12 do final.
Gasol voltou à cena na jogada seguinte quando deu outro toco, este em cima de Paul Pierce, a 57 segundos de o cronômetro zerar. Enterrava ali a derradeira esperança do Celtics em fazer um milagre.
Kobe fez seu 27º. ponto com 26 segundos ainda para se jogar e colocou números definitivos no confronto mais esperado desta temporada.
Lakers 92-83 Boston.
A descrição desses 3:56 minutos faz-se necessária porque, como disse, foram os mais perfeitos desta temporada.
O próximo confronto entre ambos será no dia 5 de fevereiro, desta vez em Boston.
FIM DA LINHA
Com a derrota, o Boston perdeu uma invencibilidade de 19 partidas. Foi a maior série invicta do Celtics em toda a sua história repleta de conquistas.
Perdeu também uma série de dez partidas sem ser derrotado no estrangeiro.
Deixar invencibilidades para trás é duro, mas esta foi mais doída ainda, pois aconteceu diante do seu maior rival.
Mesmo que no confronto direto o time leve vantagem.
OUTRO LADO
Em contrapartida, o Lakers ampliou sua série invicta no Staples Center. Agora são 12 jogos sem ser derrotado diante dos fãs.
A última – e única – derrota em casa aconteceu diante do Detroit, no dia 14 de novembro passado. O Pistons venceu por 106-95.
Portanto, faz 41 dias que o Lakers não vai cabisbaixo para o vestiário doméstico.
NÚMEROS
Este foi o jogo (foto Reuters de Kobe, Pierce e Garnett) de número 269 entre as duas equipes. O Celtics leva a melhor. Venceu 151 embates enquanto o Lakers ganhou 118, num total de 269 enfrentamentos.
O time de Massachusetts soma agora 28.620 pontos diante da franquia californiana. O Lakers pulou para 28.074.
O Celtics marcou uma média de 106.4 pontos; o time californiano depositou 104.4 no aro inimigo.
FEITO
Phil Jackson, 63, chegou ontem à vitória de número mil em sua carreira como treinador. Profissão que se iniciou há 18 anos, dirigindo Chicago de Michael Jordan.
Na cidade dos ventos conquistou seis títulos; na do cinema, outros três.
É, ao lado de Red Auerbach, o treinador mais vitorioso na história da NBA.
Phil chegou a milésima vitória depois de ter trabalhado em 1.423 partidas. Superou Pat Riley, que chegou à marca após 1.434 jogos.
Juntou-se, além de Riley, também a Lenny Wilkens, Larry Brown, Don Nelson e Jerry Sloan.
Todos venceram mais de 1.000 partidas na NBA.
APARÊNCIAS
Na quarta-feira em disse aqui neste botequim que os jogadores mantinham a aparência num clima de cordialidade. Coisa nenhuma.
Sasha Vujacic, armador do Lakers, naquele mesmo dia, declarou o seguinte sobre a rivalidade entre Lakers e Celtics:
– Eu não uso [roupa] verde por causa do Boston. Eu não gosto do Boston de jeito nenhum. Vocês [jornalistas] podem dizer que eu os odeio, pouco me importa.
O ataque verbal não parou por aí:
– Eu não quero ouvir o nome deles de jeito nenhum. Não vejo a hora de jogar contra eles. Estou falando em nome de todos os torcedores do Lakers: nós os detestamos mais do que qualquer coisa.
Perguntado se nunca mais iria usar verde, Sasha respondeu:
– Quer que eu seja sincero? Quando a gente der um pé na bunda deles [Boston] eu voltarei a usar verde.
CELEBRIDADES
Os atores Mark Wahlberg (foto Reuters), Kevin James, Dustin Hoffman, Samuel L. Jackson, Denzel Washington, George Lopez e Adam Sandler, mais o rapper Snoop Dogg viram a partida ao vivo no Staples Center.
Todos torciam para o Lakers.
Os que escolheram o Celtics e que estiveram em Los Angeles foram o cantor Prince, o campeão mundial de boxe dos meio-médios, o filipino Manny Pacquiao, e o cunhado de Kevin Garnett, o produtor musical Jimmy Jam.
VÂNDALOS
O vandalismo não é privilégio nem de países em desenvolvimento e nem de torcedores de futebol.
Anteontem à tarde, depois de um treino de arremessos, o técnico Phil Jackson e o armador Sasha Vujacic tornaram público o que ocorreu depois do último jogo da série final da temporada passada, quando o Boston ganhou o campeonato: vários torcedores do Celtics jogaram pedras e chacoalharam o ônibus do Lakers que deixava o TD Banknorth Garden.
Isso tem acontecido sempre que Celtics e Lakers se enfrentam em finais. Sempre foi assim, mas, é bom que se frise, ocorre apenas em Boston.
E o que chama a atenção é que a NBA nada faz para inibir esta situação. Deveria fazer como no futebol brasileiro: perda de mando de campo e multa.
O prejuízo seria astronômico.
O Celtics, além de pagar um valor a ser estipulado pela liga, teria também que indenizar os torcedores que compraram seus ingressos em pacotes ou isoladamente.
Deixaria de faturar dentro do ginásio, quando o consumo é intenso. Venda de comida, bebida e suvenires.
Ah, tem também o estacionamento, que é pago, cujo dinheiro arrecadado é do time.
E mais: o Celtics teria que gastar com hotel e transporte até a cidade onde a NBA determinaria que fosse(m) realizado(s) o(s) jogos(s) seguinte(s) por causa da punição.
Isso feito, e eu queria ver se o Celtics não tomaria providências para resolver a questão.
Duvido que, a partir de uma punição dessas, alguém chegaria perto do ônibus do Lakers – ou de qualquer outra equipe.
INGRESSOS
Cambista não é privilégio do futebol brasileiro. Tem no mundo inteiro.
Inclusive na NBA.
Ingressos para cadeiras de pista do Staples Center foram negociados por até US$ 10 mil.
Nas bilheterias, o mais caro passava pouco mais de US$ 2,7 mil.
Ágio de mais de 350%.
LÍDER
Mesmo com a derrota, o Celtics continua com a melhor campanha entre os 30 times participantes deste campeonato. Seu recorde: 27 vitórias e apenas três revezes. Percentual de 90.0% de aproveitamento.
O Lakers está em terceiro lugar no geral, com 24 triunfos e cinco contrariedades. Desempenho de 82.8%.
Em segundo está o Cleveland, com 25 vitórias e quatro derrotas (86.2%).
ÚLTIMA BOLA
Se emoção foi o que não faltou em Los Angeles, o mesmo a gente pode dizer do encontro entre Phoenix e San Antonio no Arizona. O final da partida, aliás, foi muito mais emocionante do que todo o jogo da Califórnia.
O Suns passou boa parte do encontro na frente. Vencia o jogo por dois pontos de vantagem (90-88) graças a dois pontos marcados por Grant Hill.
Quatro segundos para o final.
Tempo.
Gregg Popovich, o melhor técnico da NBA na atualidade, armou a jogada. De uma mente brilhante como esta e com jogadores como Toni Parker em quadra, não poderia dar outra.
Em quatro segundos Parker se infiltrou, veio a dobra e ele passou a bola para George Mason (foto Reuters). O tiro foi certeiro: bingo!
E de três.
Final de jogo: San Antonio 91-90 Phoenix.
EQUÍVOCO
O erro de Jason Richardson na jogada foi imperdoável. Ele não tinha nada que ter feito a dobra em Parker. Ao fazê-lo, deixou Mason completamente livre.
Parker estava marcado por Grant Hill e se fizesse a cesta, ela seria de dois pontos, que empataria o jogo e o mandaria para a prorrogação. Em casa, o Phoenix teria mais chances de vencer os cinco minutos extras, pois contaria com o apoio da torcida que lotou o US Airways Center, sem contar que o San Antonio é um time envelhecido e poderia abrir o bico.
Mas não; Richardson tomou uma decisão absurda que acabou custando uma vitória importante para o Phoenix dentro da Conferência Oeste.
COMO VINHO
Como disse, o San Antonio é um time idoso. Mas Tim Duncan parece vinho – desculpem-me a falta de criatividade; foi o que me veio à cabeça e falo aqui em nosso botequim sem pestanejar.
Mesmo com cinco faltas, não se omitiu. Ao contrário, marcou muito no final da partida. Conteve Amaré Stoudemire em três ataques consecutivos, mostrando toda sua categoria defensiva.
“O que Timmy fez na reta final da partida foi absolutamente espetacular”, definiu o técnico Gregg Popovich.
E foi mesmo.
Duncan terminou a partida com 25 pontos e 17 rebotes, três deles no ataque.
Senhores: estamos presenciando o jogar de um dos maiores atletas de todos os tempos na história da NBA.
TORCEDOR
Fim de jogo e nada ainda decidido.
Vamos imaginar este cenário num confronto qualquer envolvendo Cleveland ou Denver.
Onde estariam Anderson Varejão e Nenê?
Na quadra, claro.
Fim de jogo e nada ainda decidido entre Phoenix e San Antonio.
Onde estava Leandrinho?
No banco.
VEXAME 1
Shaquille O’Neal tornou-se o segundo jogador em toda a história da NBA a errar mais de cinco mil lances livres.
Juntou-se a Wilt Chamberlain.
VEXAME 2
O que o New Orleans fez diante do Orlando, na Flórida, foi de envergonhar seus torcedores.
O time tomou 30 pontos ao final do primeiro tempo: 61-31. Vantagem que subiu para 31 no comecinho do terceiro quarto.
A equipe da terra do jazz ainda fez uma corrida para descontar 19 pontos, mas acabou perdendo por 20 de diferença: 88-68.
O sérvio Peja Stojakovic, contundido, não pôde, mais uma vez, jogar. Mas ele não faria muita diferença se estivesse em quadra.
O fato é que o New Orleans oscila.
Começou mal, reagiu e agora acumula duas derrotas seguidas. E ambas por goleada.
James Posey ainda não faz a diferença que dele se esperava e David West, bem marcado, não consegue encontrar respostas para o aperto inimigo.
Sobra Chris Paul. Mas sozinho o maior armador do planeta não vai conseguir vencer jogos como os de ontem e nem aquele diante do Lakers.
O time teve um aproveitamento de apenas 33.3% de seus arremessos. Ridículo para quem quer, ao menos, reprisar a campanha da temporada passada.
SUPER-HOMEM
Dwight Howard (foto AP) terminou a partida com os seguintes números: 12 pontos, 15 rebotes (cinco deles no ataque) e três tocos.
Nada de excepcional; mas o suficiente para conduzir o time em quadra a mais uma vitória. No terceiro quarto, quando visitou a linha do lance livre, os torcedores na Amway Arena gritaram: “MVP, MVP, MVP”.
Exagero?
De jeito nenhum; Howard é forte candidato ao troféu de melhor jogador desta temporada regular.
ENTERRADA
Ontem, a NBA anunciou que Dwight Howard estará participando do “All-Star Weekend” na competição de enterradas. Vai defender o título do torneio passado, quando revelou sua identidade secreta e conquistou o troféu.
Estará ao lado de Nate Robinson, o baixinho do New York, e Rudy Gay, do Memphis.
O quarto competidor será escolhido pelos torcedores.
DUPLO DÍGITO
Anderson Varejão fez uma grande partida ontem com a camisa 17 do Cleveland. Deixou a quadra da Quicken Loans Arena com 13 pontos e igual número de rebotes, sendo que três deles foram no ataque.
Foi o melhor desempenho do capixaba nas sobras nesta temporada.
Seus números, de uma maneira geral, são bons: 8.8 pontos e 6.9 rebotes.
Ele conquistou seu quinto “double-double” nesta competição. É peça fundamental no esquema do técnico Mike Brown.
O jogo foi mais difícil do que o Cavs esperava. A vitória veio num apertando 93-89.
A 26 segundos do final e o Washington estava na frente em um ponto: 89-88. Foi quando Varejão acertou dois lances livres, Mo Williams repetiu a dose e Delonte West fez um e errou outro.
Uma corridinha de 5-0, com boa defesa, a garantir mais uma vitória.
Como se viu, final de jogo, tudo em aberto, e Varejão na quadra, participando. Fosse o Phoenix…
O triunfo representou a 15ª. vitória do Cleveland em casa. Nenhuma derrota.
Recorde da franquia.
Único time nesta temporada que ainda não foi derrotado como mandante.