VELHA HISTÓRIA: TÉCNICO CAI, TIME MELHORA
Lá, como cá, é tudo igual. Ou então: no basquete acontece o mesmo que no futebol.
O que quero dizer? Ora, só uma criancinha não percebe que os jogadores do Phoenix estavam incomodados com a presença de Terry Porter no comando da equipe.
Bastou o treinador sair e pronto: do dia para a noite o time mudou da água para o vinho.
O pessoal do Phoenix estava jogando para derrubar o treinador antigo? Não dá para ninguém afirmar, a menos que algum jogador afirme isso publicamente – o que eu duvido que vá ocorrer, pois, como disse, nem sei se isso é verdade.
O que eu acho é que o grupo estava realmente agastado com a presença de Porter; por motivos que a gente não sabe exatamente quais são. Os atletas estavam desestimulados e sem vontade para trabalhar.
E sem estímulo, faz-se muito pouco – ou quase nada.
Vida nova, Alvin Gentry (na foto AP ao lado de Goran Dragic) no comando do time, e ontem foram 81 pontos marcados só no primeiro tempo; 140 no total.
Basquete envolvente, contagiante, digno de um time que tem pretensões na temporada – o que não acontecia até a noite de ontem.
E não importa que o adversário tenha sido o raquítico Clippers, que não pôde contar com o pivô Marcus Camby, com uma infecção no ouvido. E nem me venham dizer também que a expulsão de Zach Randolph, merecedíssima, ainda no primeiro quarto (deu um soco de canhota em Louis Amundson), também serve de justificativa.
A vitória de 140-100 foi conquistada mais pelo esforço dos jogadores, que afloraram todo o seu potencial técnico em quadra talvez pela primeira vez nesta temporada, do que pela ineficiência do oponente.
Ademais, a gente não pode se esquecer que o Suns já se curvou neste campeonato diante de equipes de qualidade duvidosa, como Charlotte e Minnesota.
Então, a vitória tem muito mais a ver com o alto astral do Phoenix do que com o baixo astral do Clippers.
CONSISTENTE
Leandrinho Barbosa fez 24 pontos e foi o cestinha da noite. Saiu jogando na vaga de Jason Richardson, que foi suspenso pela franquia por ter sido flagrado pela polícia do Arizona dirigindo acima dos limites de velocidade em uma estrada estadual. E com um agravante: o filho de três anos fazia companhia ao irresponsável pai.
O paulistano foi o que mais tempo ficou em quadra no jogo de ontem: 27:51 minutos. Mas permaneceu o último tempo sentado, junto com os outros titulares, vendo os reservas aproveitarem-se de um generoso “garbage time” que durou 12 minutos.
Seus 24 pontos foram desenhados conjuntamente com sete rebotes e cinco assistências.
Mas o melhor de tudo foram os cinco desarmes que Leandrinho fez durante o razoável período em que ficou em quadra.
Hoje o time volta a encarar o Clippers. Agora em Los Angeles.
Jason Richardson estará à disposição do novo treinador, Alvin Gentry. Vamos ver o que ele vai fazer.
Leandrinho (foto AP) não merece levar um “punch” como Louis Amundson tomou de Zach Randolph.
RAIVA
Dwight Howard estava irado. Com certeza estava.
A bola que Shaquille O’Neal jogou por entre suas pernas no “All-Star Game” do último domingo, em Phoenix, seguramente ainda martelava na cabeça do Super-Homem da NBA.
A bola humilhante e a kriptonita chamada Nate Robinson. O jogo, portanto, e o torneio de enterradas, do mesmo evento, realizado no sábado à noite.
E o que fez Howard?
Respondeu em quadra a todas as ofensas recebidas no Arizona.
Ontem, na vitória por 107-102 diante do Charlotte, o superpivô do Orlando marcou 45 pontos (sua maior pontuação desde que chegou à NBA, em 2004), apanhou 19 rebotes e deu oito tocos.
“Ele foi inacreditável”, disse o técnico Stan Van Gundy. “Ou melhor: fenomenal”.
Verdade.
A liga informou ontem mesmo que desde que os tocos começaram a ser computados nas estatísticas, a partir de 1973-74, nenhum jogador fez tantos pontos, apanhou tamanho número de rebotes e distribuiu esta quantidade de tocos.
Foi realmente fenomenal – e ele se chama Dwight, e não Ronaldo.
PROBLEMAS
O que se passa com o San Antonio? Outro dia o time perdeu para um Toronto que jogou sem Jermaine O’Neal (hoje no Miami) e Chris Bosh; ontem, foi derrotado pelo instável New York por 112-107, com direito a uma prorrogação.
Mas não pode perder para o Knicks?
Não, não pode; time que quer ser campeão não pode tropeçar do jeito que o Spurs vem tropeçando.
Há uma atenuante: a equipe jogou sem Manu Ginobili, que ficou em San Antonio para examinar melhor seu tornozelo direito, novamente com problemas.
O duro é que em quadra o armador Tony Parker foi um desastre nos acertos de seus arremessos: 5-20. Terminou com 14 pontos, para constrangimento da desconcertante Eva Longoria, sua mulher, que a tudo via em uma das confortáveis poltronas do Garden nova-iorquino.
Só Tim Duncan fez seu papel: 26 pontos e 15 rebotes.
A verdade é que quando um ou dois membros dos Três Tenores desafina ou não aparece para cantar, não há substitutos à altura – com raras exceções, como Roger Mason, que ontem anotou 20 pontos.
E os 33.3% de aproveitamento dos arremessos de três (8-24) não causam estranheza alguma.
O time depende demais dos Três Tenores – e qual a novidade nisso?
Sabe quem destruiu o San Antonio ontem à noite no Madison Square Garden? Ele mesmo, Nate Robinson (foto AP), o baixinho de 1m75 de altura, que já tinha aniquilado o Super-Homem na noite das enterradas do “All-Star Weekend”.
Robinson fez 32 pontos, o terceiro embate seguido com três dezenas ou mais na pontuação. Até aí, tudo bem, apesar de reconhecermos que é um feito e tanto.
Mas o que me chamou a atenção foram os dez rebotes que esse pixotinho apanhou. Três deles no ataque.
Está sendo chamado, merecidamente, de “Kripto-Nate”.
TRIPLE-DOUBLE
O Lakers se enroscou um pouquinho com o Atlanta, em Los Angeles, no primeiro quarto, mas depois passou por cima do adversário e venceu com tranqüilidade: 96-83.
Os holofotes, ao final da partida, não foram direcionados para Kobe Bryant. Foram jogados todinhos em cima de Pau Gasol.
O espanhol fez seu primeiro “triple-double” da carreira ao marcar 12 pontos, 13 rebotes e 10 assistências.
Eles (holofotes) resvalaram também em Lamar Odom, que marcou 15 pontos e pegou 20 rebotes. Nos últimos quatro jogos dos amarelinhos, Lamar teve uma média de 18.5 ressaltos por partida.
Bem superior aos 14.2 de Dwight Howard, reboteiro da competição.
Gasol surpreendeu; Lamar continua surpreendendo.
Quando Andrew Bynum voltar, com o nível de jogo que Odom vem apresentando, o Lakers, mais do que nunca, será o time a ser batido nesta competição.
ECONÔMICO
Kobe fez apenas dez pontos, sua menor pontuação na temporada.
Mas quem notou? Pau Gasol e Lamar Odom não deixaram.
SORRY
A NBA que me perdoe, mas esta noite em vou assistir um jogaço do “college”.
Já disse aqui que sou torcedor do Chicago. Mas meu afeto pela universidade de North Carolina é similar.
Gosto dos dois times por causa de Michael Jordan, claro.
Em meados da década de 1995, fui a Chapel Hill conhecer a cidade e o Dean Dome, ginásio onde joga o Tar Heels. Assisti uma partida entre Carolina e Georgia Tech.
Travis Best armava o jogo do Yellow Jackets e Rasheed Wallace e Jerry Stackhouse comandavam o time então treinado por Dean Smith – daí o nome da arena.
Hoje à noite, 22h de Brasília, Carolina recebe North Carolina State. Tar Heels está ranqueada em terceiro lugar, posição que ganhou após bater espetacularmente Duke dentro do Cameron Indoor por 101-87 e ter confirmado sua ótima fase vencendo Miami, também fora de casa, por 69-65.
Carolina não perde há nove partidas.
Momento para se ver dois jogadores que vão brilhar rapidamente na NBA: o armador Ty Lawson e o ala/pivô Tyler Hansbrough (foto Reuters).
O Bandsports vai passar a partida às 22h de Brasília, repito.
O divertimento será maior ainda porque Ivan Zimmermann vai narrar a contenda, com a competência e a irreverência de sempre, com os comentários precisos do treinador José Neto, assistente técnico e futuro sucessor de Moncho Monçalve na seleção brasileira.
Eu serei um dos espectadores. Convido a todos para não perder a noitada do “college”.
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