O CHICAGO ESTÁ EM UMA SINUCA DE BICO
O Chicago está numa enrascada danada. E ela atende pelo nome de Luol Deng.
Nos últimos dias comentou-se que o Bulls poderia fazer uma troca com o Orlando envolvendo Joakim Noah e ele próprio na qual o time da Flórida mandaria para a Cidade dos Ventos Dwight Howard e Hedo Turkoglu, mais compensações a serem discutidas.
Acontece que Luol não está bem. Sua munheca esquerda, lesionada no começo deste ano, voltou a incomodar o sudanês naturalizado britânico.
Havia a possibilidade de uma cirurgia, mas fosse esta a opção Deng ficaria três meses do lado de fora. Assim como Kobe Bryant, que faz qualquer coisa para não entrar na faca e desfalcar o time, Luol optou por descansar e evitar ser operado.
Acontece que o punho doente não melhora. E aí reside o problema.
Na derrota de ontem para o Orlando em pleno United Center, diante de 22.127 torcedores, Deng foi um desastre. Anotou apenas cinco pontos, fruto de uma cesta de três e dois lances livres convertidos.
Seu desempenho foi o seguinte: arremessou nove bolas (apenas nove) durante a partida e encestou só uma, exatamente a de três mencionada acima. Dessas nove, cinco foram triplas. E os dois lances livres convertidos foram os únicos cobrados durante a partida. Muito pouco.
Importante: dos últimos 41 arremessos, Luol (foto AP) converteu apenas 14, o que dá um aproveitamento modesto de 34,1%.
“Não gosto de falar sobre meu pulso, mas vou ter uma conversa com o staff médico (do Bulls) e com Thibs (Tom Thibodeau)”, disse o ala depois da derrota. E o que ele vai falar com estas duas entidades da franquia? Que ele quer descansar alguns jogos porque… Ora, porque o pulso está doente muito!
Por isso o Chicago está numa enrascada.
Hoje, Luol não passaria em um exame médico rigoroso e seria vetado pelos doutores do Orlando em uma possível troca com D12. E hoje Deng não poderia executar o papel que a ele Thibs impõe durante as partidas, que é o de ser o fiel escudeiro de Derrick Rose.
Por conta disso, do péssimo basquete jogado por D-Rose e do grande basquete jogado por Howard o Orlando venceu a partida de ontem à noite no United Center por 99-94. Com isso, colocou um ponto final em uma sequência de oito vitórias do tricolor de Illinois.
Resta saber o que o futuro reserva a Luol Deng.
Uma troca envolvendo o jogador, creio eu, está descartada. Se eu fosse GM ou dono de uma franquia não pegaria o ala do Chicago nessas condições.
O futuro do time no campeonato não está descartado, pois o descanso desejado por Luol pode ser benéfico e mesmo que funcione como um paliativo, seu efeito pode ter a duração desejada, fazendo com que o jogador suporte as dores até o final da temporada para fazer a cirurgia nas férias.
Mas pode não funcionar. Afinal, o comprometimento dos ligamentos do pulso esquerdo surgiu no começo de janeiro. Luol ficou de fora algumas partidas. Voltou. Suportou um mês e meio de trabalho. Agora abre o bico. Será que vai dar certo?
O Bulls está mesmo numa enrascada.
OPOSTOS
Derrick Rose fez uma de suas piores partidas com a camisa 1 do Chicago Bulls. Marcou apenas 17 pontos, frutos de um aproveitamento de 6-22 (27,3%) de seus arremessos, sendo que foram 2-6 (33,3%) nas bolas triplas. Deu nove assistências, é verdade, mas o papel de D-Rose não é este. Seu papel é pontuar e conduzir o time em quadra. Dar assistências é o papel que cabe, por exemplo, a Rajon Rondo, que não tem aptidão para pontuar.
Rose foi um desastre ainda maior do que Luol Deng, que tinha a desculpa da munheca adoentada.
Não dá para jogar bem todas as noites, já dizia Michael Jordan. E não dá mesmo. Jogar mal faz parte do jogo. Mas o problema é que D-Rose pareceu medrar diante da defesa adversária. Passou-me esta impressão, pois esteve receoso de encontrar-se com o gigante Dwight Howard dentro do garrafão do Orlando Magic.
Por falar em D12, o pivô do Orlando fez de seus marcadores gato-e-sapato. Fiquei com pena de Omer Asik.
D12 terminou a partida com 29 pontos e 18 rebotes. Tocos? Só três. Achou pouco? Eu também. Mas olhando a partida a gente pôde ver que não apenas D-Rose evitou as infiltrações, temeroso de levar um tapão de Howard, os outros jogadores do Chicago também. Por isso, apenas três todos.
Uma observação: aquela jogada em ponte-aérea entre ele e Jameer Nelson (o baixinho bate pra dentro, finge que vai fazer a bandeja e levanta a bola para a enterrada de D12) é espetacular. Dá para fazer muitas e muitas vezes. Não sei por que não é executada com assiduidade.
Se fosse, o Orlando ganharia com ela. E nós também.
CRONÔMETRO
Na capa da seção de esportes da edição eletrônica do diário “Orlando Sentinel” há um cronômetro que faz a contagem regressiva até a 0h do dia 16 de março, horário de Nova York.
E por que esse dia? Porque a NBA não permitirá mais trocas após as 24h de 15 de março.
Desta forma, angustiados com a possibilidade de perder seu maior jogador desde Shaquille O’Neal, todos em Orlando estão de olho no relógio.
A contagem regressiva mostra que faltam seis dias, tantas horas, tantos minutos e tantos segundos para o fim do “deadline” estabelecido pela liga.
D12 fica ou não em Orlando?
Esta é a grande questão a ser respondida neste momento na NBA.
O que eu acho? Não sei; sinceramente, não sei.
DALLAS
No Arizona, o Dallas continuou sua história de altos e baixos na temporada. Perdeu para o Phoenix por 96-94.
A derrota confirmou-se no fim. Depois de Grant Hill ter perdido um par de lances livres, o Mavs teve a chance de empatar e mandar a partida para a prorrogação, mas Rodrigue Beaubois falhou na última bola arremessada.
Escrevo o que li, pois a partida não vi (ops!).
Notas relacionadas:
- FINALMENTE O CHICAGO JOGOU
- COM AUSÊNCIAS, CHICAGO CAI DE PRODUÇÃO E PREOCUPA
- CHICAGO: VITÓRIA PARA ENTUSIASMAR E ASSUSTAR

REALEZA
QUARTETO











