O Indiana foi o único time na rodada de ontem que se classificou para as semifinais dos playoffs. Esperava que fossem dois. O Lakers deveria estar nessa relação também. Ao contrário do Pacers, que deu apenas um pequeno vacilo na série, perdendo o primeiro jogo em casa, o time californiano vem titubeando demais. Tivesse o Nuggets um time melhor e mais experiente poderíamos ter uma surpresa neste confronto.
Jogando em casa, o Indiana, ao contrário do Lakers, não deixou escapar a oportunidade de avançar na competição. Fez incontestáveis 105-87 e mostrou uma vez mais que o revés da primeira partida foi apenas um acidente de trabalho, como eu disse aqui neste botequim aos parceiros que falaram em “decepção”. Playoff é assim mesmo. Muitas vezes um time com a vantagem de quadra perde um jogo em casa e se recupera logo na sequência. Lembro-me que nas finais de 1991, o Chicago tinha melhor campanha que o Lakers e fez o primeiro jogo em seu extinto Chicago Stadium. Perdeu. Muita gente achou que não tinha como reverter diante de uma equipe que contava com Magic Johnson, James Worthy e Byron Scott. Mas o Chicago era mais time que o Lakers e venceu os quatro jogos seguintes, três deles em Los Angeles.
Playoff, como disse, é assim mesmo. A menos que seja uma série como a do Memphis contra o Clippers. Há muita igualdade. Uma vitória roubada na casa do inimigo pode determinar o classificado. Não é o caso do confronto entre Lakers e Denver e nem era na série Indiana x Orlando. O Lakers vacila — e isso é algo que deve preocupar a todos que estão ligados à franquia, seja afetiva ou profissionalmente.
SURPRESA
O confronto contra o Denver era para estar resolvido. Mas o time angelino, como se diz por aí, tem dado um mole danado, volto a dizer. Por mole danado podemos entender a fragilidade de Andrew Bynum em alguns jogos desta série. Ontem o pivô do Lakers voltou a hesitar. Disso se aproveitou JaVale McGee, um jogador mediano, que tornou a deitar e rolar em cima de Bynum, tido por muitos (inclusive por mim), como um dos melhores da posição na atualidade.
É inadmissível Bynum deixar McGee anotar 21 pontos e pegar 14 rebotes, seis deles no ataque. Não bastasse isso, Kenneth Faried pegou nove ressaltos. Faried tem 9,8 rebotes de média nesta série é de responsabilidade de Pau Gasol. Que o espanhol é soft, isso a gente sabe. Os longos cabelos de Faried, aos olhos de Gasol, devem transformá-lo numa espécie de Sansão, impossível de ser dobrado. Deve ser isso.
O que quero dizer é que Bynum e Gasol não podem tomar um vareio de bola de McGee e Faried. McGee, como disse, é um jogador mediano; Faried, já falei, é apenas um “rookie”, com muito potencial, é certo, mas ainda assim um novato.
Os dois, Bynum e Gasol (ou McGee e Faried, depende de sua leitura), são os maiores responsáveis por esta série ainda não estar resolvida.
DIFERENÇA
Tendo um adversário fragilizado pela frente, desfalcado de Dwight Howard, seu principal jogador, o Indiana liquidou a fatura e agora descansa à espera do vencedor da série entre Miami e New York, que deve ser definida esta noite, com vitória do Heat no sul da Flórida.
Mas eu dizia que o Indiana deu um pequeno tropicão, mas nada que tirasse o time do eixo. Ontem, comandado mais uma vez por Danny Granger (25 pontos; foto Gety Images), o time liquidou a fatura. Leandrinho fez apenas sete nos 20:29 minutos em que ficou em quadra. Atirou apenas quatro bolas contra a cesta adversária (pouco para o potencial dele), mas ajudou nos rebotes, por incrível que possa parecer: pegou seis.
Por falar em rebotes, a decepção desta série, pra mim, foi o pivô Roy Hibbert. Selecionado para o “All-Star Game” desta temporada, cantado em prosa e verso por muitos frequentadores deste botequim, indicado por mim mesmo como um dos candidatos para ocupar a vaga de Dwight Howard na seleção dos EUA que vai a Londres, Hibbert fraquejou diante de Glen Davis, o substituto de D12. Davis terminou a série com médias de 19,0 pontos e 9,2 rebotes. Mesmo tendo 2,06m de altura, impôs-se diante dos 2,18m de altura de Hibbert, que terminou este confronto passando-nos a impressão de ser um molengão. Teve médias de 11,0 pontos (só isso?) e 10,8 rebotes. Alguém pode apontar o dedo para os tocos que ele deu neste embate: 3,8 de média. Realmente, extraordinário. Mas aí eu aponto o dedo novamente para a altura de Hibbert: 2,18m.
FELICIDADE
Fiquei feliz com a classificação do Indiana. Feliz por Frank Vogel, que parece despontar como um dos melhores treinadores desta nova safra da NBA. E feliz porque o Pacers jogou basquete e não se preocupou em baixar o sarrafo, como fez no ano passado na série diante do Chicago.
É claro que muito disso tem a ver com a aposentadoria do obtuso Jeff Foster.
IRONIA
Coisas da vida, muitos costumam dizer nesta situação. E é verdade: o melhor jogador do Boston foi o responsável pela derrota do time ontem diante do Hawks.
Quem acompanhou o jogo de Atlanta viu Rajon (foto Getty Images) interceptar um lateral cobrado por Josh Smith a pouco mais de dez segundos para o final e o placar mostrando os definitivos 87-86 a favor do time da casa. E o que fez Rondo? Nada; ou melhor, atrapalhou-se com a bola, indo para o canto da quadra depois de Kevin Garnett ter feito o corta-luz em cima de Smith, que o marcava. Armou para si mesmo uma armadilha, pois ao ir para o canto da quadra, facilitou a marcação de Al Horford, que apareceu em socorro a Josh Smith. Rajon se enroscou com a marcação e o ataque que poderia ter dado a vitória e a consequente classificação ao Celtics, não existiu.
Coisas da vida, digo eu agora. Rajon Rondo tem uma gorda poupança no C’s. Pode errar que não dá pra reclamar dele.
DIFERENÇA
Al Horford fez ontem seu segundo jogo nesta série. Marcou 19 pontos e pegou 11 rebotes. Deu ainda três tocos e igual número de assistências e desarmes.
Ficou muito claro que com ele desde o início o Celtics teria muitas dificuldades para reverter a série como reverteu.
O próximo confronto está marcado para quinta-feira, agora em Boston. Não acredito que o C’s vai dar o mesmo vacilo que o Lakers deu em Los Angeles.
MUDANÇA
O Chicago saiu da UTI. Está agora no quarto. Venceu ontem o Philadelphia em seu United Center por 77-69 e prolongou a série. Quinta-feira os dois times volta a se enfrentar, desta feita na Pensilvânia. O Sixers deve liquidar a fatura neste jogo.
O Bulls faz o que pode. Enfrenta problemas sérios como a contusão de seu melhor jogador e a ausência de seu principal pivô. Derrick Rose, o comandante do time, não volta mais nesta temporada. Joakim Noah, que mais uma vez ficou no banco em trajes civis e com o pé engessado, quem sabe possa jogar amanhã à noite.
Some-se a isso o fato de o Chicago ser um time completamente sem noção quando ataca. Não consigo detectar nenhuma jogada ensaiada. Os jogadores jogam por instinto. A única coisa que eu ouço Tom Thibodeau dizer é: “Move the ball!”. OK, vamos rodar a bola, mas em que direção? Pra quem? Pra onde?
Thibs é um excelente técnico, todos nós sabemos. Mas ele sofre de miopia ofensiva. Quando o time não tem D-Rose e quando Luol Deng não está inspirado, fica difícil vencer. A direção do Chicago deveria pensar seriamente em contratar Mike D’Antoni para treinar o time ofensivamente. Se isso acontecer, o Bulls vai sofrer bem menos quando não puder contar com D-Rose e quando Luol estiver com bloqueio de criatividade.
Fica a sugestão.
REFORÇOS
Muitos torcedores do Bulls dizem, e com razão, que o time precisa ser reforçado. Eu mesmo já disse isso e até sugeri, ao final da temporada passada, que se fizesse uma troca com o Orlando mandando para a Flórida Joakim Noah e Luol Deng por Dwight Howard. Hoje eu mesmo não colocaria mais Luol, mas Joakim sim. Quem sabe ele e Carlos Boozer, neste caso com o Chicago pegando o mico do Hedo Turkoglu.
Outros tantos parceiros reclamam do time e pedem o fim de tudo. Discordo. Esse time já mostrou que tem valor. Já mostrou que se bem conduzido é utilíssimo. Que o Bulls tem que arrumar outra estrela eu concordo, mas desfazer-se desse time eu discordo. Não se pode desfazer uma equipe que mostrou ser competente e competitiva da noite para o dia sem pagar um alto tributo por isso. Sim, pois a remontagem de uma equipe demanda tempo de maturação. Esse time está maturado, precisa apenas de alguns ajustes para fazer o “upgrade” rumo ao título.
Volto a dizer: o Bulls precisa de um assistente técnico que ensine o time a atacar e fazer uma troca pegando um apoio de ouro para D-Rose. Se tiver que abrir mão de dois importantes jogadores, que se abra. Caso contrário, vai continuar sempre assim: melhor campanha na fase de classificação, debacle nos playoffs.
FADA
A menos que desça em Chicago a mesma fada que esteve em Dallas na temporada passada e que com sua milagrosa varinha de condão transforme o Chicago, mesmo sem D-Rose, em um time campeão, como ela fez com o Mavs.
Eu nunca acreditei em conto de fadas, mas depois do que aconteceu na temporada passada eu já não duvido de mais nada.