O New York já articula um plano B no caso de não conseguir contratar Carmelo Anthony. Há, na verdade, dos planos, o B e o C. O B fala em Andre Iguodala, ala do Philadelphia, que segundo Mike D’Antoni, técnico do Knicks, cairia como uma luva no sistema “run and gun” que ele tanto gosta de utilizar.
Mas acontece que em Nova York ninguém acredita que o Sixers vai aceitar a proposta da franquia. E qual seria? Eddy Curry e outro jogador a ser escolhido. Mas acontece que o contrato de Curry (US$ 11,27 milhões) expira ao final desta temporada. E como o pivô nova-iorquino vive mais no DM do que em quadra, dificilmente o Sixers renovaria com ele.
Em outras palavras: trocar Iguodala com o New York seria apenas “limpar o cap”. E em Nova York ninguém acredita que isso vá ocorrer.
Por isso, foi arquitetado um plano C. E no que consistiria ele? Mudança completa de rumo. Ou seja: o time não iria mais atrás de um ala, como Melo e Iguodala. Iria atrás de um companheiro de garrafão para Amar’e Stoudemire.
E quem seria esse jogador? Anderson Varejão. E por que essa mudança de rumo? Pela leitura que faço, é o seguinte: o Knicks quer desafogar Amar’e, pois ele é o único homem grande do time que sabe jogar basquete. Os outros tentam, se esforçam, mas esbarram numa série de barreiras.
Segundo o técnico Mike D’Antoni, o Knicks não tem oferecido muita resistência aos adversários exatamente porque Stoudemire luta sozinho contra a rapa. “Nós precisamos de mais tenacidade no garrafão e Andy (como Varejão é conhecido) pode nos dar isso”, teria dito D’Antoni à direção da franquia.
Se Varejão (foto GettyImage) for mesmo contratado, seria um alívio para Amar’e. Ele não teria que se desgastar tanto como ocorre no momento. Teria alguém ao lado dele para ajudar nos rebotes defensivos e ofensivos; teria alguém ao lado dele para ajudar a defender; teria alguém ao lado dele para dar trombadas nos adversários; e algumas coisas mais.
E o resultado disso é que teríamos um Amar’e mais descansado, mais inteiro, para fazer exatamente o que ele mais sabe fazer: pontuar. Consequentemente, o rendimento do ala-pivô do Knicks tenderia a aumentar.
De qualquer maneira, apenas com Amar’e e Raymond Felton, ainda assim ficaria faltando um ala para aliviar um pouco a pressão em cima de Stoudemire. Mas com a vinda de Varejão, não haveria a necessidade de um Carmelo ou de um Iguodala. Um ala de menor nível poderia resolver a questão.
CONVERSA
Batendo um bom papo de basquete com um amigo, ele me disse: “Sormani, você está falando, com razão, sobre a belíssima temporada do Nenê. Mas eu acho que a temporada do Varejão é do mesmo nível”.
O capixaba tem boas médias neste campeonato: 9,4 pontos e 9,6 rebotes. Quase um “double-double”. Já fez oito duplo-duplos na temporada. Mas não é apenas isso o que conta. O principal do jogo de Varejão não aparece nas estatísticas. É sua tenacidade, como disse Mike D’Antoni. Tenacidade, obstinação, desejo, luta, garra, paixão, coração, alma. É anímico.
E isso não se ensina na escola, nem no “high school”, nem no “college”, nem nos clubes e nem em lugar algum. Isso está dentro de cada um de nós. Há os têm em maior e os que têm em menor grau.
E o grau de Varejão é altíssimo.
RODADA
O Dallas sapecou mais uma. E outra vez diante de um time da Flórida. Passou ontem à noite pelo Orlando por 105 a 99.
O Magic perdeu uma grande chance de ganhar a partida. Mesmo contando com apenas um pivô, pegou mais rebotes (40-38). Dirk Nowitzki e Jason Kidd entortaram o aro. O alemão fez 4-13 nos arremessos (8-8 nos lances livres, que salvou sua atuação), enquanto que J-Kidd anotou (4-12). Jason Terry veio do banco e não foi espetacular como no jogo contra o Miami: 13 pontos (5-10). E Tyson Chandler (16 pontos, quatro rebotes e nenhum toco) perdeu o controle sobre Dwight Howard (26 pontos, 23 rebotes e dois tocos).
Mesmo com tudo isso conspirando a favor, o Orlando perdeu. E perdeu por quê?
Aguardo respostas de vocês.
SURPRESA
Por falar em derrota, a surpresa da rodada de ontem ficou por conta da vitória do Milwaukee Bucks sobre o Lakers, em Los Angeles: 98 a 79. E não foi uma vitória qualquer, foi uma VITÓRIA!
Foram 19 pontos de diferença.
Os erros nos arremessos de três machucaram o Lakers: 2-13 (15,4%). Dos titulares, nenhum acertou nem uma bola sequer. Derek Fisher: 0-1; Kobe Bryant: 0-2; Ron Artest: 0-1; Lamar Odom: 0-2; Pau Gasol: 0-0.
Mesmo já podendo contar com Andrew Bynum (18 minutos, seis pontos, três rebotes), o Lakers perdeu o duelo dos rebotes: 39 a 35. Bynum está nitidamente fora de forma — o que é compreensível. Possivelmente, ainda inseguro — o que também é compreensível.
O Lakers não vive um bom momento. Se continuar assim, não ficará em boa posição nem na semifinal e muito menos na final da conferência.
Isso significa perda do campeonato? Claro que não. Como disse certa vez Rudy Tomjanovic, “jamais subestime o coração de um campeão”.
PERGUNTA
Ontem eu perguntei: será que o San Antonio pode igualar ou mesmo bater o recorde do Chicago? Na temporada 1995/96, o Bulls perdeu apenas dez partidas durante a fase de classificação.
Hoje, com um terço do campeonato disputado, o Spurs perdeu apenas três partidas. Mas terá uma sequência complicada pela frente neste mês e meio que vem pela frente.
Em dezembro o time pega em casa Denver e Lakers; sai para enfrentar Orlando e Dallas. Em janeiro, encara o Oklahoma City, Dallas, Denver e Houston em casa; viaja para pelejar contra New York, Boston, New Orleans e Utah.
Em fevereiro o bicho vai pegar. O time fará nada menos do que nove partidas seguidas fora de casa! Na sequência: Portland, Lakers, Sacramento, Detroit, Toronto, Philadelphia, Washington, New Jersey e Chicago. Ufa! Muito jogo, muito aeroporto, muito hotel, muito hot-dog, muito hambúrguer. Rapaziada, não é mole não.
Em março e abril… Bem não quero nem ver.
A conclusão que eu chego é: não, o San Antonio não deve bater o recorde do Chicago. Aliás, acho que dificilmente algum time, um dia, conseguirá ao menos igualar esta façanha de Michael Jordan e companhia.