SOZINHO, DUNCAN NÃO FOI PÁREO PARA O DENVER
OK, o “backcourt” do San Antonio esteve enfraquecido sem Tony Parker e Manu Ginobili. Sem eles em quadra, fazer a dobra em cima de Tim Duncan torna-se tarefa das mais fáceis.
Com essa tática simples, o Denver controlou Timmy e conseqüentemente o Spurs. E venceu a partida de ontem à noite por 91-81, mesmo jogando fora de casa.
Kenyon Martin marcou Duncan a maior parte do confronto – pensei que, pelo tamanho do pivô do Spurs, Nenê (foto AP) fosse grudar nele o tempo todo –, enquanto que o brasileiro deu uma mão e tanto, especialmente no terceiro quarto, quando o 31 de Nuggets teve a incumbência de vigiar a estrela texana.
Martin e Nenê cumpriram muito bem o papel que coube-lhes ontem à noite na cidade do Álamo e no final a vitória do Denver foi apenas questão de tempo. Sozinho, Duncan não iria mesmo conter e depois derrubar o “frontcourt” colorado.
Nenê deixou a quadra com 16 pontos, nove rebotes e dois tocos. Martin fez dois pontos a mais, pegou dois rebotes a menos e desarmou o oponente duas vezes também. Foram o diferencial do Nuggets ontem à noite, que somou sua quarta vitória consecutiva e fez 7-3 nos últimos dez jogos.
“Desde que aqui cheguei, eles [Nenê e Kenyon] têm controlado o garrafão a cada partida”, declarou Billups, depois do encontro. E têm mesmo; e ontem, para a chateação dos 16.559 torcedores que estiveram no AT&T Center.
O Denver continua atrás do Utah na Divisão Noroeste e na Conferência Oeste no critério de desempate. Mas do jeito que o time vem jogando, assumir a liderança da divisão e pular do quinto para o terceiro lugar no lado do Pacífico é questão de tempo. Não muito, diria.
QUEDA DO TABU
O Cleveland perdeu sua invencibilidade de oito jogos. Foi dobrado pelo Pistons, em Detroit, por 96-89. LeBron James teve um horroroso aproveitamento em seus chutes. Errou todos os quatro arremessos triplos e acertou só oito dos 21 de dois.
Deixou a quadra do The Palace of Auburn Hills (22.076 pagantes) com 25 pontos, mas foi mal nos rebotes (só seis) e nas assistências (idêntico número).
Varejão? Cumpriu – e bem – o seu papel. Anotou apenas cinco pontos, mas contribuiu demais nos rebotes, tendo pego 11, um deles no ataque. Fez dois desarmes e ainda deu um toco. Foi o jogador do “frontcourt” do Cavs que mais tempo ficou em quadra (34 minutos), numa clara demonstração de confiança do técnico Mike Brown.
Se a nona vitória seguida não veio, vamos culpar a mão descalibrada de LeBron. Quando isso acontece, vencer torna-se missão impossível (tema do filme, por favor).
DEFESA
É claro que o baixo aproveitamento de LeBron James (38%) tem a ver também com o ótimo trabalho defensivo realizado pelo Detroit. O time marcou como nunca.
Foi a primeira vez que o Cavs ficou abaixo dos 90 pontos na atual temporada e dos oito jogos invictos, a média da equipe era de 105.5 pontos por partida e em apenas uma delas, contra o Milwaukee (99-93), não atingiu a contagem centenária.
E King James, nos oito triunfos, pontuou em média 33.7. Como disse, o Detroit marcou muito bem.
O plano do técnico Michael Curry era fazer o Detroit controlar bem o garrafão (22 pontos para os grandalhões do Cleveland) e isso forçou o oponente a arremessar bolas longas. E como a noite não estava boa, o aproveitamento foi comprometedor: 8-22 (36.3%).
Estratégia bem pensada e bem executada. Vitória justa.
ARREMETEU
O Atlanta voltou a vencer (91-87 diante do Washington) depois de quatro derrotas seguidas. O time atuou novamente sem seus dois principais pivôs, Al Horford e Josh Smith, mas seus dois armadores titular, Mike Bibby e Joe Johnson, juntos, fizeram 44 da pontuação final – quase 50% – e tudo ficou mais fácil.
A ajudar, o desempenho do ala/pivô Marvin Williams. O ex-jogador de North Carolina anotou 21 pontos e pegou 14 rebotes, seis deles no ataque.
O adversário também deu uma mãozinha, é claro. O Washington tem um recorde de 1-8 nesta temporada e sem seu mentor, Gilbert Arenas, o time parece barata tonta em quadra.
Mas não importa; o que interessa é que venceu. E a franquia espera que a afluência de público aumente na Philips Arena, pois ontem só 14.416 estiveram presentes e testemunharam a volta da vitória.
VINGANÇA
Bobby Jackson, que foi envolvido na troca do ala Bonzi Wells e Mike James na temporada passada, retornou ontem ao berço do jazz e destruiu os planos do Hornets em vencer a melhorar seu recorde (5-5). Jackson esteve incontrolável.
Especialmente no último quarto. O início do período final marcava 77-76 para os anfitriões, mas Jackson marcou oito pontos (duas bolas de três), pegou um rebote, roubou duas bolas e deu três assistências, liquidando as pretensões do New Orleans e dos 15.533 torcedores que, catatônicos, mal podiam acreditar no que viam no telão central da New Orleans Arena: 105-96 para o Sacramento.
Isso mesmo, para o Sacramento.
Perder para o Kings já é duro; em casa então, é pior ainda. E para agravar ainda mais, o time da capital da Califórnia jogou sem três titulares, todos machucados: Francisco Garcia, Kevin Martin e Mikki Moore.
O que acontece com o Hornets? Está muito claro: a defesa é uma peneira.
CLÁSSICO NO TEXAS
Com Dirk Nowitzki marcando 24 pontos e pegando 12 rebotes (todos na defesa) e Jason Terry vindo do banco e contribuindo com mais 31 pontos, o Dallas visitou o Houston e sapecou o adversário fazendo 96-86. O Toyota Center estava lotado (18.203 torcedores), mas nem o barulho da torcida, pedindo defesa, foi suficiente para que o time conseguisse controlar seu rival estadual.
A ausência do pivô Yao Ming, contundido, explica boa parte da derrota, mas é inaceitável que uma equipe, jogando em casa, perca para um adversário que está juntando os cacos nesse início de competição e ainda por cima não pôde contar com seu segundo artilheiro. Machucado no tornozelo, Josh Howard viu a partida do lado de fora.
O interessante é que o Dallas conseguiu sua terceira vitória consecutiva. Essa trinca de triunfos foi obtida fora do lar, onde, aliás, o recorde do time é de 0-5.
SURPRESAS
Acabasse hoje o campeonato e San Antonio e Dallas, duas equipes do Texas e que sempre estão entre as melhores, estariam fora dos playoffs. Do lado leste, tudo em ordem; nenhuma surpresa.
A turma do Pacífico, que diz ter os melhores times, coloca um deles entre os oito melhores com um recorde inferior a 50%. É o Golden State, com 45.4% (5-6).
E no enfrentamento entre equipes das duas conferências, o Leste leva vantagem sobre o Oeste por 31-22.
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