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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 NBA | 14:10

SINAL DE ALERTA EM BOSTON

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O sinal de alerta está ligado em Boston. O Celtics voltou a perder mais uma.

São seis derrotas nos últimos oito encontros. Pior: três delas nos três últimos confrontos.

O revés agora foi para o irregular Houston (89-85), que ainda por cima não pôde contar com Tracy McGrady, lesionado no joelho esquerdo.

E aconteceu dentro de seu TD Banknorth Garden, onde não perdia havia 13 partidas. Ou seja, desde 14 de novembro, quando foi dobrado pelo Denver.

O que acontece com o Boston?

Por mais que se olhe para a estatística num todo (nos últimos 8:34 minutos, por exemplo, o time só acertou duas cestas), pra mim o grande problema do time é aquele que todos sabem: banco.

É muito difícil o trio formado por Kevin Garnett (foto AP ao lado de Kendrick Perkins), Paul Pierce e Ray Allen levar o time nas costas o campeonato todo. Já o fez no campeonato passado.

Agora, alguém mais tem que aparecer para ajudar. É cansativo e desgastante demais.

Quando Doc Rivers tem que recorrer ao banco, ele faz-se de surdo. Não ajuda em nada.

É só comparar o que fez o banco de um e de outro time.

Enquanto os reservas do Celtics marcaram 23 pontos, 11 rebotes e um desarme, os ajudantes do Rockets anotaram 32 pontos, 18 rebotes, sete assistências e um roubo de bola.

A diferença é gritante.

Por mais que se credite a derrota ao baixo aproveitamento dos arremessos (30-70, 42.9%; os triplos, 6-15, 40.0%), o problema está no banco.

Por isso mesmo o time busca de todas as maneiras acertar com Stephon Marbury. Como procurou um acordo com Dikembe Mutombo – que preferiu o Houston – e depois, com a negativa do congolês, tentou dissuadir P. J. Brown da aposentadoria, também infrutiferamente.

Se o Celtics não arrumar, rapidamente reservas confiáveis, o sonho do bicampeonato – ou seu 18º. título – não vai passar de uma quimera.

TRILHA

O Denver segue na trilha certa. A tabela marcou sete jogos consecutivos dentro de seu Pepsi Center. Já venceu três deles.

Percorreu quase que a metade do caminho.

E sem Carmelo Anthony (foto AP), ontem, bateu o Miami por 108-97.

Não perde há cinco partidas e das últimas dez venceu oito.

Com a vitória diante do Heat, passou a ocupar, novamente, a segunda posição na Conferência Oeste, passando a perna no San Antonio. Tem que se aproveitar dessa generosidade, porque em fevereiro o calendário será perverso: dos 12 embates, oito (consecutivos) serão em terras estranhas.

Vencer agora e aumentar a poupança de vitórias é extremamente importante para dar confiança e uma gordurinha para se queimar lá na frente.

LITUÂNIA

Chauncey Billups fez 21 pontos, mesmo desempenho de J. R. Smith. Mas os também 21 tentos anotados por Linas Kleiza é que foram o diferencial para o Denver vencer o Miami.

O lituano acertou quatro de seus seis arremessos triplos. O time da Flórida encostava, ameaçava passar à frente e Kleiza embiroscava mais uma de três e nocauteava o oponente.

Foi o grande nome da vitória do Nuggets (pegou ainda sete rebotes), embora a mídia norte-americana tenha protegido os seus colocando-os lado a lado com Kleiza.

NENÊ

O são-carlense teve atuação regular: 14 pontos e seis rebotes.

O bom foi que ele deixou ontem a camisa por dentro do calção e pôde se concentrar mais na partida.

LIMITE

Leandrinho pode fazer chover dentro do US Airways Center que não vai ter jeito. Terry Porter limitou-o a pouco mais de 20 minutos e ponto final.

Ontem, o paulistano marcou 18 pontos, cinco a menos do que o cestinha do time, Amaré Stoudemire. Teve bom aproveitamento nos arremessos (6-10 [60%] no geral, 3-5 nos triplos [60%], 3-3 (100%) nos lances livres), mas mesmo assim não teve a permissão do treinador para jogar mais.

Resultado: o time perdeu para o médio Indiana por 113-110.

MIP

A gente fala muito sobre Nenê e Rajon Rondo, mas temos que ficar de olho em Danny Granger (foto AFP). O ala do Indiana tem jogado muito.

Ontem fez 37 pontos e foi o artilheiro da partida. Tem 25.8 pontos de média no campeonato. É o quinto melhor neste fundamento.

E forte candidato ao Most Improved Player desta temporada.

BRIGA

Enquanto o Boston se afasta da primeira colocação, Cleveland e Lakers seguem brigando pela primazia maior da competição. Quem ficará na frente?

Os dois voltaram a vencer ontem.

O Cavs passeou diante do Charlotte: 111-81; o Lakers visitou o Golden State e ganhou por 114-106.

O recorde caseiro do Cleveland nesta temporada mostra 18-0. Nenhum outro time está sem perder diante de sua massa.

O Cavs parece-me pronto para voltar às finais da NBA. Mas, desta vez, ao contrário do que aconteceu diante do San Antonio, há duas temporadas, quando foi varrido, pronto também para o seu primeiro troféu de campeão.

LeBron James é o diferencial, todos sabem. Ele amadureceu demais em relação à última temporada.

Muitos dizem que isso é fruto dos Jogos Olímpicos de Pequim. Outros garantem que ele está sabendo exercer melhor sua liderança, em benefício próprio e do grupo.

Pra mim ele deixou de ser um exibicionista à cata de números. É mais um jogador do time, pronto para exercer sua individualidade quando for necessário.

Quando não for, guarda-se para não desgastá-la à toa.

Kobe Bryant já assumiu esse papel há algum tempo. Longe está o tempo em que ele entrava em quadra para fazer 80 pontos.

Não se ganha campeonato assim.

Ontem Kobe cravou 21 pontos, mas quem brilhou foi Pau Gasol, que anotou 33 e ainda pegou 18 rebotes, sua melhor marca na temporada.

Desgastar-se pra quê?

Apenas quando for necessário.

Ontem, nem Kobe e nem LeBron precisaram vestir a roupa de super-herói para fazerem seus times vencerem.

Quando for preciso, eles estarão prontos.

VAREJÃO

O capixaba, assim como Nenê, foi OK no jogo de ontem contra o Bobcats: 14 pontos, seis rebotes, duas roubadas de bola e um toco.

Nada para fazer a gente se levantar da cadeira e dar um soco no ar, em comemoração.

Notas relacionadas:

  1. O TRIÂNGULO DO BOSTON É EQUILÁTERO
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  3. BOSTON ENTRA EM PARAFUSO
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 13 de dezembro de 2008 NBA | 12:50

VAREJÃO MOSTRA A CARA

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É este Anderson Varejão que a gente quer ver em quadra. Ousado, corajoso, determinado a jogar basquete, não apenas taticamente e a serviço dos demais, mas um basquete ofensivo também, a preocupar os adversários.

Na vitória de ontem do Cleveland sobre o Philadelphia por 88-72, o capixaba (foto Reuters) repetiu a dose anterior, contra o mesmo Sixers, quando foi um tormento para o “frontcourt” adversário.

Varejão fez ontem 17 pontos. Arremessou dez bolas contra o aro inimigo e derrubou sete delas 70% (muito bom!). Bateu três lances livres (pouco) e atingiu o alvo sempre.

Na partida anterior, foram 15 pontos. Doze chutes e seis deles certos (50%). Cobrou quatro lances livres (pouco) e acertou três 75%).

No primeiro combate contra o Sixers foram oito rebotes (dois de frente); no de ontem, sete (três no ataque).

Somando os dois jogos, temos as seguintes médias:

Pontos = 16.0
Arremessos executados = 11.0
Convertidos = 6.5
Rebotes = 7.5
Lances livres cobrados = 3.5
Certos = 3.0

Bons números, não é mesmo?

Agora vamos comparar o desempenho do brazuca com os outros 21 jogos disputados na competição.

As médias são estas:

Pontos = 8.2
Arremessos executados = 5.2
Certos = 3.0
Rebotes = 6.4
Lances livres cobrados = 3.2
Certos = 2.2

Poderia ser sempre assim – mas não é.

E eu pergunto: é pedir muito?

CLARO QUE NÃO

A resposta é: óbvio que não.

Quando a gente cobra aqui neste botequim maior participação de Anderson Varejão no jogo é porque a gente sabe muito bem que ele tem potencial para isso. O capixaba que a gente conhece não é esse da NBA.

É outro, que atuava em Franca, Barcelona e seleção brasileira.

Jogador atrevido, com olhos ferozes na cesta inimiga, destemido e que decidia jogos e mais jogos em favor de sua camisa.

O da NBA é outro jogador.

Por mais que Reggie Miller, por exemplo, o elogie, dizendo isso e aquilo, que ele é importante quando vem do banco, que está a serviço da coletividade e blábláblá; OK, a gente entende e concorda que isso é importante.

Mas o que pedimos é que ele possa ter alguns minutos de diversão em quadra.

E nada mais é divertido do que poder jogar pra si também – e não apenas para que os outros possam brilhar.

Varejão é uma peça importante na engrenagem do Cavs. Todo mundo sabe disso.

Quando seu contrato com a franquia acabar, ao final desta temporada, ele vai deitar e rolar. Os “coachs” da NBA conhecem sua inteligência tática; por isso ele se valoriza a cada partida em que coloca o tênis e o uniforme 17 do Cavs.

Mas o que os treinadores da NBA não sabem é que Anderson Varejão é capaz de ter 16 pontos em média por partida e 7.5 de rebotes.

Mas nós, brasileiros, sabemos disso.

VALORIZADO

O acordo de Anderson Varejão com o Cleveland, como escrevi acima, termina ao final desta temporada. Mas há uma cláusula que diz que ele tem a opção de jogar mais um ano em Ohio, se ele quiser, e receber mais US$ 17.1 milhões.

A opção é dele, friso.

O que isso significa?

Que ele pode ouvir propostas de outras franquias – ou mesmo renovar com o Cleveland em outros valores.

Mas para que ele possa mais do que deitar e rolar, ele tem que fazer mais vezes o que ele fez nestes últimos dois embates contra o Philadelphia.

E olha que ele teve pela frente dois grandalhões da pesada: Elton Brand e Sam Dalembert.

Que assim seja, Varejão!

MAIS UMA

O Cleveland ganhou novamente. Foi a 11ª. vitória consecutiva nesta competição. Igualou o recorde anterior da franquia.

O triunfo diante do Sixers significou também o 13º. jogo invicto dentro de sua Quicken Loans Arena, outro recorde. Apenas o Cavs ainda não foi derrotado em casa neste campeonato.

O Cavs tem agora 19 vitórias em seus últimos 20 jogos. É o segundo colocado no cômputo geral, atrás apenas do Boston – e à frente do Lakers.

Muitos ainda duvidam do potencial desse time. Querem vê-lo em ação “on the road”, no Oeste, diante de equipes como o próprio Los Angeles, além de San Antonio, Houston, Dallas, Utah, Denver e Portland.

Enquanto isso não ocorrer e o time se der bem, a desconfiança continuará.

O que eu acho?

Que o Cavs trará na bagagem, depois de uma excursão dessas, mais vitórias do que derrotas.

Pra mim o time está no ponto – ao contrário do Portland, como vimos ontem, e falaremos mais adiante.

EMOÇÃO

Quem foi dormir tarde e ficou vendo o embate entre Phoenix e Orlando não se arrependeu. Emoção foi o que não faltou ontem à noite no US Airways Center do Arizona.

Quem ganharia?

Não dava para saber.

A seis segundos do final o turco Hedo Turkoglu colocou o Magic na frente em 112-111. Pouco mais de três segundos depois, Grant Hill mudou a história: 113-112 para os anfitriões (foto AP).

Restavam ainda 2.7 segundos para o cronômetro zerar, mas a jogada armada pelo Orlando não funcionou e Rashard Lewis errou o alvo.

Uma vitória e tanto, justificando que um jogo de basquete tem emoção do começo, meio e fim – ao contrário do futebol, por exemplo, que é sonolento em sua maior parte do tempo e das partidas.

Mas que mesmo assim tem a preferência mundial.

Juro que não consigo entender.

COMO UMA LUVA

A frase é surrada, mas cai muito bem no contexto: Jason Richardson caiu como uma luva nesse time do Phoenix. Parece fazer parte do time há muito tempo. Bem entrosado, foi o que vimos em quadra ontem.

É jogador diferenciado, inteligente. Sabe encontrar os espaços e isso favorece o jogo dos armadores. Basta ver que ele encestou oito de seus 16 arremessos.

Ou seja: das 21 assistências dadas pelo Phoenix ontem, 38% delas foram frutos das mãos hábeis de Richardson.

O time perde em marcação, mas ganha em ofensividade com JR. Ele resgata a essência do jogo do Suns: o ataque.

Como se diz na NBA, “ataque vende ingressos e defesa ganha campeonatos”.

Você pode ter certeza que as confortáveis poltronas do US Airways Center estarão sempre lotadas. Em Phoenix, basquete significa jogar bola na cesta.

Mas não é esse o nome do jogo?

EQUILÍBRIO

Sim, é este, mas um time campeão é equilibrado. Defende e ataque com a mesma qualidade.

O Phoenix não tem esse equilíbrio – como não tinha a seleção brasileira de Telê Santana.

Mas um não foi e este não será campeão.

Falta equilíbrio.

LEANDRINHO

O paulistano fez o de sempre – e bem. Anotou 15 pontos (6-9, muito bom) em 20:41 minutos – sua média com Terry Porter.

Faltaram desarmes – nenhum. Volto a bater na mesma tecla: Leandrinho tem que ser um jogador mais eficiente neste fundamento; tem habilidade, rapidez e inteligência.

Aja, rapaz!

Seu grande momento foi a ponte-aérea feita com Jason Richardson, no segundo quarto. A bola de Leandrinho foi milimétrica, na medida para JR dar a enterrada da noite.

MAIS UMA

Segue o roteiro; o Boston ganhou mais uma. E não me venham com essa ladainha de que foi contra um time qualquer.

Foi diante do New Orleans.

O primeiro tempo mostrou equilíbrio. Terminou em 40-39 para o Hornets.

Dava a impressão de que ficaríamos com o coração na mão até o final.

Simples impressão, nada mais do que isso.

No segundo tempo, o Celtics imprimiu seu ritmo, fez 55-42 e somou sua 14ª. vitória consecutiva, igualando feito da equipe de 1986, que tinha Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parrish.

Tem agora, no geral, 22-2 – o melhor início de campeonato de toda a história da franquia. Está a uma vitória de igualar o desempenho do Chicago de Michael Jordan, que na temporada 1995/96 fez 23-2.

O Celtics parece imbatível dentro de seu TD Banknorth Garden. Computando-se as partidas de playoffs e finais da temporada passada, mais as deste campeonato, o Celtics tem um recorde de 32-2.

Do jeito que a carruagem caminha, acho que não tem pra ninguém. Deve dar Boston novamente.

O time que ficava nas mãos de Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen, tem agora um outro fator de desequilíbrio: seu armador Rajon Rondo (foto Reuters). Portanto, é um quadrade e não mais um triângulo.

REBOTE

O New Orleans não pôde contar com o pivô Tyson Chandler, que no treino da manhã sentiu dores no pescoço. Pra piorar, Peja Stojacovic, outro do “frontcourt” do Hornets, apanhou apenas um rebote durante os 29:43 minutos que ficou em quadra.

O sérvio tem apenas 3.4 rebotes de média na competição. Muito pouco. Tem que ajudar mais.

Outros jogadores importantes da posição – que completa o tal do “frontcourt” –, são mais eficientes. Carmelo Anthony tem 8.2 de média; LeBron James, 6.8; Paul Pierce, 6.0.

É como todos dizem na NBA: rebotes ganham campeonatos. Acho um pouco exagerado. Diria que eles ajudam – e como.

Se o New Orleans não melhorar este fundamento, vai ficar difícil repetir o feito da temporada passada. O Hornets ocupa a modesta 27ª. posição entre os 30 participantes quando o assunto são as sobras de uma partida.

Ele pega em média 39.05, atrás dos 43.25 que o Celtics fisga.

Se tecnicamente o Boston é melhor do que o New Orleans, o time da terra do jazz tem que desequilibrar o jogo usando outro argumento. Por exemplo, os rebotes.

Mas neste quesito a equipe também é suplantada pelo alviverde de Massachusetts.

Então…

OUTROS JOGOS

Lakers ganhou, San Antonio também. Tudo dentro da normalidade.

O único jogo que me chamou a atenção foi a vitória do Clippers sobre o Portland, no Oregon. Confronto que teve até prorrogação.

Como escrevi ontem, o Portland ainda não está maduro.

Se alguém discordou do que escrevi, acho que começa a mudar de opinião. O time perdeu quatro de seus últimos cinco jogos – dois deles em casa.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 NBA | 13:37

O TRIÂNGULO DO BOSTON É EQUILÁTERO

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A mídia bajula Kevin Garnett e Paul Pierce. Os torcedores também. Mas Ray Allen, um dos vértices deste triângulo recebe um tratamento menor.

Esse triângulo bostoniano, poucos percebem, é eqüilátero – e não isósceles. Os ângulos formados por Garnett, Pierce e Allen são equivalentes.

Ou seja: os três jogadores são importantes para o esquema do time do técnico Doc Rivers. Para cair no lugar comum, um completa o outro.

Para meu espanto, no entanto, não é assim que Ray Allen (foto AP) é visto pela maioria – é bom que se diga.

Ontem na vitória do Celtics sobre o Indiana por 122-117, com uma prorrogação, Allen foi sensacional. Anotou 35 pontos (sete deles no tempo extra, terminando como cestinha). Teve um desempenho fabuloso nos arremessos: 13-21 (62%). Bateu apenas dois corretos lances livres, deu só um par de assistências e apanhou igual número de rebotes.

Mas nem precisava mais do que isso.

Deixou a quadra exaurido, com cinco faltas. Teve de conter Marquis Daniels, melhor jogador do Pacers, que mesmo assim ainda conseguiu 26 pontos em 50 minutos de jogo.

Allen atuou 41 dos 53 minutos que durou a partida. Mas foi como se ele tivesse ficado em quadra o tempo todo.

Marquis que o diga.

THE TRUTH

Paul Pierce foi fundamental também na vitória do Boston. A sete segundos do final da partida, meteu uma bola de três no aro do Indiana e levou o confronto para a prorrogação.

105-105.

Salvou, é bom que se diga, a pele de Ray Allen, que tinha errado o arremesso triplo. Eddie House, para sorte do Boston, pegou o rebote e entregou a bola para Pierce. Ao recebê-la, viu os 2m03 de altura Danny Granger dobrar diante de seu campo de visão. Mas não se afobou. Fez o arremesso, preciso, como só os grandes jogadores sabem executar.

“The Truth” (A Verdade) anotou só 17 pontos (4-12, 33.3%). Mas com eles transformou-se no quarto maior cestinha da história do Celtics. Tem agora 17.346 pontos, ultrapassando os 17.335 de Kevin McHale, que ao lado de Robert Parrish e do aniversariante de ontem Larry Bird compunha um dos vértices de um triângulo eqüilátero que os torcedores mais velhos jamais irão se esquecer.

Mas Paul Pierce é o nosso tema de abordagem. Esqueçamos, pois, os veteranos. Já disse aqui em nosso botequim: Pierce é candidatíssimo ao MVP desta temporada regular.

RECORDE 1

A campanha do Boston é a melhor entre todos os 30 times da NBA: 20 vitórias e apenas duas derrotas – uma delas para este mesmo Indiana; a outra foi para o Denver de Nenê.

O time vem de 12 vitórias consecutivas. É sua maior série invicta desde a temporada 1985-86, quando fez uma corrida de 14 triunfos seguidos.

Tem mais “milestone” na parada: esses 20-2 equiparam o mesmo início de temporada do time de 1963-64, que tinha Bill Russell em seu pivô e Bob Cousy na armação das jogadas.

Falamos de antigos alviverdes campeões.

Do jeito que a carruagem desliza atualmente pelas quadras da NBA, acho que a história terá o mesmo final.

AGORA SIM

Ontem a defesa do Lakers funcionou. Tudo bem que o adversário foi o fraco Milwaukee, e que Michael Reed e Richard Jefferson, suas duas estrelas, tiveram problemas, especialmente Jefferson, que se carregou em faltas e atuou apenas nove minutos e contribuiu com apenas três pontos (1-4, 25%).

Mas Reed jogou mais: 21 minutos. Fez só dois míseros pontinhos, pois errou cinco de seus seis arremessos (16.6%). A metade desses chutes foram triplos; todos errados.

No geral, o Lakers limitou o Milwaukee a apenas 38% de acerto em seus arremessos (35-92). Nas bolas de três, o aproveitamento foi lastimável: 25% (4-16). Levou o adversário a cometer 19 erros.

Esta boa defensiva fez do Lakers o vencedor em 105-92.

JÁ O ATAQUE…

A ofensiva do Lakers, em contrapartida, foi um desastre. O time cometeu 25 erros – a maioria deles bobos, não-forçados, como se diz no tênis.

Lamar Odom, com cinco, e Kobe Bryant, com quatro, foram os jogadores que mais equívocos cometeram ontem.

Graças à defesa, como disse acima, o time venceu.

Lembram-se do que Adolph Rupp disse? “A defesa te salva nas noites em que seu ataque não funciona”.

Foi o que aconteceu ontem no Staples Center de Los Angeles.

RECORDE 2

O Lakers, como o Boston, perdeu apenas duas partidas. O Celtics só está na frente porque fez três partidas a mais: 22 contra 19. Isso dá ao time de Massachusetts um aproveitamento melhor: 90.9% contra 89.5%.

O time tem agora cinco jogos, sendo que quatro deles são fáceis. O Phoenix é o embate mais complicado.

Não que o Suns seja um primor de equipe. É que o Lakers não tem jogador tão bem.

Mas se repetir o mesmo obstinado desempenho defensivo de ontem, tudo vai melhorar. Agora, mesmo que cambaleie sem a bola, dá para vencer Sacramento (duas vezes, uma em casa e outra fora), Minnesota e New York.

O Lakers é muito mais time.

Cinco vitórias em cinco jogos. Com as três seguidas que a equipe já somou, pode fazer uma corrida invicta de oito partidas.

E quem sabe ultrapassar o Boston.

Sim, é bom fazer algo diferente do que aconteceu na temporada 1985-86, quando o time também começou com um 17-2. Como vimos, acima, naquele campeonato, o Celtics foi campeão.

MODERAÇÃO

Jogue com moderação. Ou melhor, seja moderado com o tempo em quadra de seus jogadores.

É assim que a comissão técnica do Lakers vem tratando esta temporada. Na vitória de ontem diante do Bucks, apenas Kobe Bryant jogou mais do que meia hora. Ficou exatos 30:36 minutos em quadra.

Os outros titulares atuaram menos de 30 minutos:

Derek Fisher = 24:03
Vladimir Radmanovic = 24:02
Pau Gasol = 29:27
Andrew Bynum = 29:16.

Os reservas importantes:

Lamar Odom = 22:21
Sasha Vujacic = 17:24
Trevor Ariza = 22:06
Jordan Farmar = 20:35

Desculpe, mas não vou tomar o seu tempo falando sobre a permanência em quadra de Josh Powell, Chris Mihm e do chinês Sun Yue – eles que me perdoem.

Bem, voltando ao que interessa, já conversamos aqui sobre esse tema: Phil Jackson não quer ninguém se matando em quadra. Fez uma projeção com sua comissão técnica e todos chegaram à conclusão de que o máximo que um jogador tem que ficar em quadra é 34 minutos.

A temporada é longa, muitos jogos são seguidos e em muitas situações não há tempo para se recuperar de uma lesão. Portanto, nada de dar sopa para o azar.

CHINA

Ok, ok, vamos traçar algumas linhas para Sun Yue (foto AP). Afinal de contas, trata-se de um chinês na NBA. E depois que estive em Pequim nos Jogos Olímpicos, vou sempre me derramar em elogios e ternura para com os chineses.

Fui tratado muito bem por aquelas bandas. Povo bom de coração, educado, sempre disposto a te ajudar.

Por isso, vamos a Sun Yue: o chinês fez seu primeiro jogo na NBA. Jogou com a camisa 9, marcou quatro pontos em 5:14 minutos de partida. Mas cometeu também quatro faltas.

Ainda não pegou o “time” do jogo norte-americano. Pelo pouco que mostrou, pode ser útil no futuro.

Foi aplaudidíssimo pelos 18.997 torcedores que foram ao Staples Center. Deve ter ligado para a família, assim que o jogo terminou.

TORCIDA

Chegou apenas mais um voto. Foi do Pedro Barros, torcedor do Lakers. Atingimos a marca de 131 internautas que aqui declinaram seu voto.

Penso que estamos perto de encerrar este escrutínio e fazer um quadro definitivo da preferência dos brasileiros que freqüentam este botequim. Vou aguardar até o final desta semana.

No início da outra, vamos lançar nova campanha. Na segunda-feira próxima eu digo qual será.

O novo atual quadro é este:

1)    Lakers – 25.2%
2)    Chicago – 14.5%
3)    Boston – 7.6%
4)    Detroit – 7.6%
5)    New York – 7.6%
6)    Phoenix – 6.1%
7)    San Antonio – 4.6%
8)    Milwaukee – 3.8%
9)    Cleveland – 3.0%
10)    Denver – 2.3%
11)    Houston – 2.3%
12)    Indiana – 2.3%
13)    Utah – 2.3%
14)    Dallas – 1.5%
15)    Miami – 1.5%
16)    Toronto – 1.5%
17)    Golden State – 0.7%
18)    Minnesota – 0.7%
19)    New Jersey – 0.7%
20)    Orlando – 0.7%
21)    Philadelphia – 0.7%
22)    Portland – 0.7%

Notas relacionadas:

  1. O TERCEIRO “DOUBLE-DOUBLE” DE NENÊ
  2. CUIDADO COM O FALCÃO
  3. MARTIN FOI DECISIVO PARA O DENVER
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , ,

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 NBA | 12:43

MARTIN FOI DECISIVO PARA O DENVER

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O resultado não diz o que foi a partida. Quem vê Denver 114-101 Chicago, vai achar que foi moleza.

Não foi.

O Bulls deu muito trabalho ao Denver, especialmente no final do terceiro quarto e início do último período. Esteve dois pontos na frente (99-97) a pouco mais de cinco minutos para o encerramento do confronto, quando o Nuggets fez uma corrida de 17-2 e colocou um ponto final na questão.

Carmelo Anthony foi importante para que o jogo terminasse em vitória dos anfitriões. Uma bola de três colocou o time na frente em 100-99 e na seqüência ele deu uma enterrada espetacular – mas nem de longe semelhante às de LeBron James – e jogou o time três pontos à frente.

Chicago pede tempo; os 16.202 torcedores quase derrubam o Pepsi Center contagiados pela reação do time e pela enterrada de Melo.

O tempo dos visitantes foi infrutífero, como se viu.

CLUTCH PLAYER

O termo define jogador que cresce nos momentos decisivos. Se Carmelo Anthony incendiou o Pepsi Center, como vimos, o cara do Denver nesse momento derradeiro foi Kenyon Martin (foto AP).

O maluco ala/pivô do Nuggets marcou oito pontos, apanhou quatro rebotes, deu uma assistência e um toco nos cinco minutos finais. Deixou a quadra como o melhor jogador da partida.

Seus números finais: 26 pontos (sua maior pontuação na temporada), oito rebotes (dois no ataque), dois tocos e um desarme.

Levou o moto-rádio.

TRIPLE-DOUBLE

Carmelo Anthony quase fez seu primeiro “triple-double” da temporada. Deixou a quadra com 21 pontos, 13 rebotes (três de ataque) e oito assistências. Duas a mais e seu sonho seria realizado.

Jogou muito, mas o moto-rádio ficou mesmo com Kenyon Martin pelo final da partida.

NENÊ

O são-carlense também brilhou nesse triunfo dominical. Nenê anotou 21 pontos (um a menos do que na vitória em LA diante do Clippers, sua fartura nesta competição), pegou seis rebotes (nenhum no ataque, isso não é bom), deu duas assistências e fez o mesmo número de desarmes.

E três tocos; o último deles, aliás, um primor, pra cima de Drew Gooden. Faltavam cinco segundos para o final do jogo (placar definitivo em 114-101) e Gooden quis fazer a graça de arremessar, quando todos sabemos que esse “garbage time” é feito para não se fazer nada.

Gooden arremessou e Nenê encarou o desafio. O medonho jogador do Bulls quase caiu no colo dos jogadores do Denver depois do toco recebido.

Foi o momento de Nenê na partida.

MÃO NA FORMA

Nenê, como vimos, terminou o embate com 21 pontos. Acertou sete de suas 13 tentativas, o que dá um aproveitamento de 53.8%.

Pouco para o seu rendimento na temporada. Se você não sabe, Nenê é o líder no fundamento neste campeonato. Estava com 64.7% de acerto, mas viu seu aproveitamento cair para 63.6% pelo desempenho de ontem.

O brazuca 31 do Denver errou bolas incríveis, especialmente uma ao final do primeiro quarto, sozinho, diante do aro. Ao invés de cravar, tentou uma largadinha que o deixou na mão.

REBOTES

Como falei acima, Nenê não foi bem nos rebotes. Seis é pouco para o seu tamanho – vertical e horizontal.

Nenê é grande pra xuxu; é visível. Na ficha da NBA, ele aparece com 2m11 de altura e 118 quilos. Músculo puro; nada de gordura.

Já vimos que ele usa muito de seu tamanho pra tirar os grandalhões oponentes do garrafão e abrir espaços para Kenyon Martin e Carmelo Anthony se fartarem nos rebotes. Mas Nenê precisa dizer para os companheiros: eu também quero pegar rebotes.

Por mais que o técnico George Karl e seus assistentes saibam do trabalho coletivo de Nenê, estatística conta.

E muito.

ZEBRA

O Minnesota entrou em quadra ontem à noite diante do Pistons, em Detroit, com um recorde de 2-9 (18.1%) e 0-5 “on the road”. Tinha pela frente um adversário favorito ao título da Conferência Leste e que conta com jogadores como Allen Iverson, Rip Hamilton e Rasheed Wallace.

E uma torcida feroz. Auburn Hills é o último destino escolhido pelos times da NBA. Dizem que é pior do que Salt Lake City.

E não é que deu Minnesota? 106-80. Isso mesmo, 26 pontos de vantagem.

Depois tem gente que diz que no basquete não tem zebra. Que o melhor sempre vence, isso e aquilo.

O que tem no basquete é que o sistema de playoffs não possibilita zebras. Mas ela pode ocorrer em uma partida ou outra, como vimos.

Os 22.076 torcedores viram-na desfilar ontem pelo impecável parquete do Palace of Auburn Hills. Sim, no basquete também tem zebra.

REGISTRO

Só para não deixar passar em branco: desde que Allen Iverson chegou, o recorde do Detroit é o seguinte: quatro vitórias e cinco derrotas. No revés de ontem ele marcou nove pontos (3-11) e deu apenas duas assistências.

Em contrapartida, seu rival, Randy Foye (foto AP), anotou 23 pontos e deu 14 assistências.

FAB FOUR

Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen são as três estrelas do Boston. São conhecidos como “The Big Three”. Os oponentes tremem diante deles.

Foi assim na temporada passada. Nesta, a história está se repetindo, pois o Celtics tem a segunda melhor campanha da NBA com um recorde de 12-2 (86.7%), atrás apenas do Lakers, que fez até agora 11-1 (91.7%).

Garnett, Pierce e Allen seguem barbarizando, mas um baixinho quer mudar a denominação estelar do Boston de “The Big Three” para “Fab Four”. Já escrevi e não custa repetir: Rajon Rondo será eleito o “Most Improved Player” desta temporada.

Ontem em Toronto ele calou os 19.800 torcedores que foram ao Air Canada Centre imprimindo um ritmo intenso no início da partida, o que possibilitou ao Celtics começar o encontro com um 10-0. Ginásio mudo, o Boston foi, após esse início avassalador, foi deslanchando aos poucos na partida, abriu uma diferença de 24 pontos e se deu ao luxo de poupar suas três estrelas.

Pierce atuou 24 minutos, Garnett 29 e Allen 31. Isso, mesmo jogando em quadra estrangeira e contra um oponente que não é de se desprezar, pois são poucos os times que podem contar com Jermaine O’Neal e Chris Bosh no pivô.

Poupou, é verdade, suas quatro estrelas, pois Rondo aloprou os oponentes apenas durante 26 minutos. Mas o suficiente para escrever a história da partida: Boston 118-103.

DEFESA

Se o Lakers voltou a vencer, sua defesa voltou a preocupar. Nos últimos cinco jogos, o time sofreu mais de 100 pontos em três deles. Detalhe: todos dentro de casa.

Antes de a temporada começar, Phil Jackson e companhia disseram que a defesa seria o diferencial do time nesta temporada. O começo foi muito bom, pois nos 7-0 iniciais em nenhuma partida o adversário atingiu a contagem centenária.

Mas bastou perder para o Detroit, em LA, por 106-95, no jogo que quebrou a invencibilidade da equipe, que a defensiva amarelinha abriu o bico.

Na vitória de ontem diante do Sacramento – nem precisa dizer que foi em Los Angeles, pois já abordamos este assunto –, o fraco adversário conseguiu marcar 108 pontos. Mas o ataque resolveu a questão ao registrar 118.

Quer dizer: o Lakers ganhou graças ao seu poderio ofensivo. Nada menos do que oito jogadores terminaram a partida com dez ou mais pontos. Ou, como eles dizem, com um “double-digit”.

Kobe Bryant foi o cestinha com 24 pontos, depois vieram Pau Gasol (16), Andrew Bynum (15), Lamar Odom (14), Vladimir Radmanovic (12), Trevor Ariza (11) e Derek Fisher e Jordan Farmar (dez pontos cada um).

Os 118 pontos anotados foram a maior pontuação do time nesta temporada, registre-se

Festa no vestiário? Nada disso; veja o que Kobe falou:

– Eu não estou satisfeito com esta vitória. Nós não melhoramos esta noite. Nós poderíamos ter feito uma defesa mais forte.

O Sacramento teve um aproveitamento de 53.4% de seus arremessos. Muito para quem quer recuperar um título que não vem há seis temporadas.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008 NBA | 13:04

CUIDADO COM O FALCÃO

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O Atlanta perdeu a invencibilidade ontem à noite. Mas deixou claro que seu início nesta temporada (6-0) não aconteceu por acaso.

A equipe quase venceu o Celtics fora de casa. Um arremesso de Paul Pierce (foto AP, no momento do arremesso) a 0.5 segundo do final da partida deu a vitória ao Boston por 103-102 num dos mais lindos jogos desta temporada – senão “o” mais lindo.

O Hawks joga que dá gosto de ver. E olha que ontem atuou novamente sem seu ala/pivô Josh Smith, que continua machucado no tornozelo. A impressão que fica é que se tivesse completinho da silva, poderia ter vencido a partida.

Os tiros de três quase quebraram o Celtics. A defesa alviverde – a melhor da NBA – não soube como controlar a artilharia adversária. Foram 13-22, num ótimo aproveitamento de 59.1%. Em contrapartida, o Boston acertou apenas cinco de suas 24 tentativas, num acanhado desempenho de 20.8%.

O último desses chutes longos do Atlanta, realizado por Marvin Williams, a 7.4 segundos do final, petrificou os 18.624 torcedores que ocuparam todas as cadeiras do TD Banknorth Garden a 7.4 segundos do final.

Mas, como escrevi acima, Paul Pierce, o falastrão, mostrou que é bom não só de garganta, mas jogando também: recebeu a bola de Kevin Garnett e no perímetro realizou o arremesso mortal para o falcão da Georgia.

A VERDADE

Quando tem que ser, tem que ser, não adianta. O lateral bola veio de Ray Allen para Kevin Garnett, que estava sendo marcado por Al Horford. Paul Pierce, que tinha Joe Johnson em seus calcanhares, recebeu e Johnson (2m01 de altura) ficou no corta-luz de KG. Horford sobrou na marcação de Pierce. Perfeito. Com seus 2m08 de altura e agilidade, pensei rapidamente: The Truth, mesmo tamanho de Johnson, não vai conseguir arremessar com conforto e vai errar.

Não errou.

Pierce fez 34 pontos, 23 deles no segundo tempo. Se o Celtics mostrou fraqueza nos lances de três, não foi por causa de seu camisa 34, que acertou três em sete arremessos. Nos lances livres, acertou 15 em 16.

Como disse o técnico Mike Woodson, do Atlanta, “grandes jogadores fazem grandes arremessos”.

SOLITÁRIO

Com a derrota do Atlanta, sobrou apenas um invicto nesta temporada: o Lakers. Os amarelinhos – que ontem jogaram de roxo, como fazem “on the road” – fizeram um jogo muito bom diante do New Orleans.

Mesmo atuando na terra do jazz, o Lakers dominou o adversário – que nunca liderou o jogo –, apesar do apagão do último quarto, quando viu uma diferença favorável de 21 pontos quase escapar por entre os dedos. Ela foi conquistada quando faltavam 11:57 minutos para o final, depois de Sasha Vujacic acertar dois lances livres e decretar: 73-52.

O Hornets, a partir daí, realizou uma corrida alucinada de 28-10 e na cesta de dois de Chris Paul fez a vantagem do oponente despencar para três pontos: 83-80. Faltava 1:32 minuto para o final. Foi então que o Lakers mostrou que é o Lakers: foi ele, desta vez, que fez uma corrida decisiva, marcou 10-6 e fechou a partida em 93-86.

O recorde, agora, é de 7-0, apesar da compreensível irritação de Phil Jackson ao final da partida.

DISCRETO

Kobe Bryant está sossegado neste início de temporada. Não deixou a New Orleans Arena pulando ou fazendo gestos para os 18.239 torcedores que mais uma vez lotaram todas as cadeiras do ginásio, ao melhor estilo de Paul Pierce.

Poderia, afinal dos dez pontos finais, ele fez sete, de seu total de 20. Foi uma bola longa de três e quatro lances livres certeiros, mostrando que tem a frieza dos grandes jogadores.

Mas não quis roubar a cena.

Lamar Odom e Derek Fisher fizeram dois desarmes nos segundos finais que ajudaram barbaramente na vitória do Lakers. O primeiro deles foi de Lamar, que tomou a bola de David West, que logo depois caiu na arapuca armada por Fisher.

Kobe sabe que jogador ganha partidas, time ganha campeonatos.

STRIKE

Shaquille O’Neal parecia uma bola de boliche derrubando as garrafinhas no final do corredor. Tudo por causa da contusão entre Matt Barnes e Rafer Alston. O ala do Suns deu uma ombrada… enfim, vocês já devem ter visto o lance pela internet – ou mesmo ao vivo, ontem à noite. Se não viram, vá ao site da NBA e confira, vale a pena. Ou então, dê uma olhada na foto (AP) abaixo e veja O’Neal derrubando todo mundo.

O fato é que o embate de ontem era para ter sido a batalha entre pivôs (Shaq x Yao Ming), mas acabou como a batalha do pivô. Ninguém ousou chegar perto de O’Neal.

O resultado da confusão foi bem tímido: expulsões de Barnes e Alston e faltas técnicas para Shaq, Steve Nash (que queria pegar Alston de qualquer jeito) e Tracy McGrady (deu um chega-pra-lá no canadense).

E morreu a história. Bola pra frente porque hoje tem outra rodada, amanhã também e assim sucessivamente.

É, mas isso lá nos EUA. Fosse no Brasil e Paulo Schmidt, procurador do STJD, iria requisitar a fita do jogo, ver o lance da briga e mandar punir meio mundo.

Freud explica.

LEANDRINHO

O Phoenix perdeu mais uma. Mesmo jogando em casa, foi derrotado pelo Houston: 94-82. Mas continua bem no campeonato: 6-3 (66.7%). É o terceiro colocado no Oeste.

Leandrinho parece que foi bem. Marcou 18 pontos, ajudou na defesa apanhando três rebotes e ainda roubou uma bola.

Não vi o embate, confesso; guio-me pelo “boxscore” – o que é perigoso, todos nós sabemos. Mas tomara que não ele não nos engane, pois, se verdadeiro, significou o segundo jogo consecutivo bem realizado pelo brazuca.

MILESTONE

Shaquille O’Neal entrou mais uma vez para a história da NBA. Não por causa da briga, mas porque anotou 18 pontos e ultrapassou John Havlicek, ex-jogador do Boston, na pontuação total da história da liga. Shaq tem agora 26.402 pontos na carreira, 10º. colocado na lista dos artilheiros.

NA MESMA

O San Antonio continua trilhando seu amargo caminho de derrotas – apesar da vitória diante do New York na rodada passada. Ontem, em visita ao Milwaukee, comportou-se como um bom visitante e perdeu a partida por 82-78.

Compreensível; o time joga sem dois vértices de seu triângulo mágico. Manu Ginobili e Tony Parker, contundidos, vêem tudo de fora, sem nada poder fazer.

Tim Duncan, coitado, solitário em meio a um bando de esforçados jogadores, continua pontuando. Ontem fez 24, mas dá sinais de cansaço quando o assunto é apanhar rebotes: fisgou só cinco.

Pior: foi humilhado pelo australiano Andrew Bogut, que a pouco mais de cinco minutos do final da partida deu uma cravada na cara de Timmy após pegar um rebote.

Resultado desta falta de disposição: o Bucks bateu o Spurs nos “boards” por 47-37 e isso foi decisivo para que o San Antonio perdesse novamente. E para um time regular e que não pôde contar com seu artilheiro, Michael Reed, que continua contundido.

Foi o quinto revés do alvinegro texano, que agora tem uma campanha de 2-5 (28.6%) o que lhe vale a 12ª. posição na Conferência Oeste. Ou seja: fora dos playoffs se o campeonato terminasse hoje.

MANU

O argentino fez ontem sua primeira viagem com a equipe. Efeito moral. Não adiantou, pois o time perdeu.

Manu Ginobili continua se recuperando da cirurgia que fez no tornozelo, contusão que se agravou quando ele disputou os Jogos Olímpicos de Pequim. Previsão de alta: daqui a quatro semanas. Mas “El Narigón” quer voltar sete dias antes.

Gregg Popovic tem um calendário no bolso de paletó. Todos os dias deixados para trás são riscados. Ele sabe que quando Manu voltar a situação será outra.

No campeonato passado, Ginobili foi o cestinha do time com 19.5 pontos de média. Perguntado se a posição do time na tabela de classificação e a contusão de Tony Parker poderiam acelerar seu retorno, ele respondeu: “Tenho que ser esperto nesse momento. Não posso precipitar nada e ver tudo piorar”.

Enquanto isso, o San Antonio segue perdendo. O próximo revés deverá ser novamente diante de sua torcida, amanhã à noite. Adversário: Houston.

DUELO ENTRE BRAZUCAS

Esta noite, às 23h de Brasília, Anderson Varejão e Nenê vão se enfrentar na Quicken Loans Arena, em Ohio. quando Cleveland e Denver se encontrarem. Os dois vão se tocar várias vezes durante a partida.

Varejão está com 8.8 pontos e exatos seis rebotes de média; Nenê marca 15.6 pontos e apanha 8.9 rebotes por partida.

Os números do são-carlense são melhores, mas ele fica mais tempo em quadra do que o capixaba: 27,7 minutos contra 21,3.

Quem vai levar a melhor?

SCORE MACHINE

Quantos pontos LeBron James vai marcar esta noite? Lembre-se que ele fez 41 em três dos últimos quatro jogos do Cleveland.

LAPSO IMPERDOÁVEL

O internauta Romario, que acaba de chegar ao nosso botequim, alertou-me para uma efeméride que não pode passar em branco de jeito nenhum aqui neste blog. Dwight Howard (foto AP), o melhor pivô da NBA na atualidade, fez seu primeiro “triple double” da carreira ao cravar 30 pontos, apanhar 19 rebotes e dar impressionantes dez tocos na vitória do Orlando sobre o Oklahoma por 109-92.

Foi fora de casa, não teve o calor dos torcedores do Magic. Mas mesmo assim foi muito comemorado.

Foi a primeira vez, desde Hakeem Olajuwon, na temporada 1986/87, que um jogador marca pelo menos 30 pontos, pega ao menos 15 rebotes e dá dez tocos.

Os números do Super-homem do Orlando são impressionantes. Um rebote a mais e eles seriam mágicos: 30-20-10.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008 NBA | 12:14

O TERCEIRO “DOUBLE-DOUBLE” DE NENÊ

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Valeu a pena, uma vez mais, ficar acordado para ver Nenê jogar. O brasileiro não negou fogo novamente e deixou bem claro que é um dos principais pivôs da NBA na atualidade. Entrar no garrafão do Denver só será possível se houver muita negociação; e Nenê não está aberto a ela.

Há alguns posts, fui injusto com o são-carlense dizendo que ele precisava de mais atitude em quadra. Foi depois da derrota para o Lakers, quando ele marcou oito pontos e pegou apenas cinco rebotes. Peguei-o em uma noite ruim. Nenê não se esconde em momento algum, briga pelo seu espaço o tempo todo nos dois garrafões e é um tormento para seus marcadores e para quem ele marca.

Sua atuação na vitória de ontem sobre o Memphis (100-90) foi muito boa, uma vez mais, especialmente no primeiro tempo, quando deixou a quadra com oito pontos e oito rebotes, sendo um deles ofensivo. Deu ainda três assistências e fez um desarme.

Mas seu melhor momento no período primeiro foi o toco humilhante que deu no armador Kyle Lowry, que se atreveu, com seu 1m83, a encarar um “face to face” contra os 2m11 do brasileiro. Foi no final do primeiro quarto. Os 14.359 torcedores que estiveram no Pepsi Center bem que poderiam ter saído do ginásio e comprado outro ingresso. Não seria demais.

Nenê fechou a partida com 18 pontos e 12 rebotes em 38:17 minutos dos 48 possíveis. Foi seu terceiro “double-double” da temporada em seis jogos. Outros virão, com certeza.

PQP, CADÊ O GASOL, NINGUÉM SABE…

Marc Gasol foi o pivô do Memphis. O espanhol debuta na NBA depois de ter vencido um mundial e conquistado uma medalha de prata olímpica. É um dos mais respeitáveis pivôs europeus. Muitos disseram que o verdadeiro Gasol é ele e não Pau, seu irmão.

Pois bem; ontem, diante de Nenê, ele conseguiu fazer apenas uma cesta em todo o jogo! No primeiro tempo, ficou completamente entregue ao brasileiro, pois não conseguiu arremessar nenhuma bola sequer contra o aro do Denver. Sua primeira cesta foi marcada no final do terceiro quarto, quando era marcado por Chris Andersen, no momento em que Nenê descansava.

Terminou o jogo com seis pontos e oito rebotes. A maioria deles feitos quando Nenê, como disse, estava no banco, descansando.

MOTOR SILENCIADO

Antes do jogo do Denver, vi o Boston silenciar os pistões de Detroit. Com uma defesa sólida, consistente, o atual campeão da NBA nada possibilitou aos anfitriões. Perdido em quadra, o Detroit somou sua segunda derrota em seu segundo embate com Allen Iverson em quadra: 88-76.

“De longe, foi a melhor defesa em todos os jogos desta temporada”, empolgou-se Doc Rivers ao final da partida na entrevista coletiva. “A gente tem defendido muito bem, mas esta noite passamos da conta”.

Rivers tem razão; o Celtics limitou o Pistons a um aproveitamento amorfo de 34,7% de seus arremessos. Forçou os caseiros a 17 erros, que redundaram em 23 pontos para os visitantes. O volume defensivo foi tanto que no segundo quarto o Detroit fez apenas 10 pontos e teve um ridículo desempenho de 18.8% de seus chutes.

Rip Hamilton, cestinha do Detroit na temporada, perdeu seus oito primeiros arremessos. AI foi outra decepção: fez só dez pontos e acertou apenas quatro de seus 11 “jumpers” (27.5%); deu quatro assistências em 31 minutos.

Os 22.076 torcedores (lotação completa) que foram ao Palácio de Auburn Hills ficaram boquiabertos com a qualidade do jogo do Celtics, em especial do armador Tony Allen (foto AP), que marcou 23 pontos e foi o cestinha da partida. Muitos deixaram o ginásio certos de que será difícil alguém segurar Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen nesta temporada.

O 18º. título não seria apenas quimera de torcedores fanáticos do Celtics. É mais do que crível.

PINGOS NOS “IS”

Voltando ao assunto da família Gasol e quem é quem, o melhor deles é Pau e não Marc. Ontem, na vitória do Lakers sobre o Houston por 111-82, o primogênito terminou a partida com 20 pontos, 15 rebotes e três tocos. Brilhou mais do que Kobe Bryant, que marcou 23 pontos.

Os amarelinhos estavam sendo surrados pelos texanos até o começo do segundo quarto, quando Aaron Brooks fez uma bandeja e colocou o Houston na frente em 32-16. Daquele instante em diante, o Lakers fez uma corrida de 95-50 e ganhou a partida com categoria.

“A partir do segundo quarto, começamos a trabalhar a bola melhor”, justificou Phil Jackson, na coletiva depois do jogo.

Ele tem razão. No primeiro quarto, o Lakers teve um aproveitamento pífio de seus arremessos: 5-17. Isso significou um percentual de acerto de 29.4%, contra 43.5% dos primeiros quatro jogos desta temporada.

A recuperação é significativa, porque não foi feita diante do Charlotte, por exemplo. Foi feita diante do Houston, um dos favoritos ao título da Conferência do Oeste. É bem verdade que a recuperação se deu dentro de casa, onde tudo é mais fácil. Mas recuperou, o que não aconteceu com o Detroit, por exemplo.

RUIM NA QUADRA, BOM NA…

Marko Jaric é um inexpressivo armador sérvio que perambula pela NBA. Depois de ter jogado na terra natal (Peristeri Nikas) e passar pelo basquete italiano (Virtus Kinder Bologna), desembarcou na NBA na temporada 2002/03 para defender o Clippers.

Lá disputou três campeonatos, tendo se transferido na seqüência para o Minnesota. Jogou outras três temporadas em Minneapolis e nesta foi para o Memphis. Ontem entrou em quadra pela primeira vez no torneio. Nos outros seis prélios, esquentou o banco o tempo todo. Jogo pouco mais de quatro minutos contra o Denver e não fez nada, absolutamente nada. Zerou em tudo!

Por que falo sobre Jaric? Porque o sérvio está noivo da top model brasileira Adriana Lima (foto), a terceira modelo mais requisitada do planeta, atrás apenas da alemã Heid Klum, mulher do cantor Seal, e, obviamente, de Gisele Bundchen.

Em outras palavras: Jaric, um desastre nas quadras, um sucesso fora delas. Adriana que o diga.

POPULARIDADE

Há alguns posts, um internauta parceiro deste blog – não me lembro mais que é – perguntou sobre a popularidade dos esportes nos EUA e onde se situava a NBA. Mandei um e-mail para a liga, em Nova York, e a resposta que obtive foi a seguinte, de acordo com uma pesquisa feita no final do ano passado pela ESPN:

1º) Futebol – 34.8%
2º) Futebol universitário – 25.8%
3º) Beisebol – 21.7%
4º) Basquete universitário – 17.7%
5º) NBA – 15.7%
6º) NASCAR – 14.9%
7º) Skate – 12.5%
8º) Esportes radicais – 11.9%
9º) Boxe – 11.4%
10º) Golfe – 9.8%
11º) Luta-livre – 7.9%
12º) Hipismo – 7.1%
13º) Hóquei – 6.9%
14º) Tênis feminino – 6.6%
15º) Soccer (futebol) – 6.5%
16º) WNBA – 6.4%
17º) Tênis masculino – 5.7%

Na época em que Michael Jordan estava em quadra, a NBA situava-se na terceira posição, atrás apenas dos dois futebóis, como diria Vampeta.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008 NBA, outras | 12:32

NÚMEROS QUE ENGANAM

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Olhar apenas os números de um jogador no “boxscore” é muito perigoso. Ao destacar a atuação de Anderson Varejão na vitória do Cleveland sobre o Dallas, ontem, eu mostrei isso.

O exemplo hoje vale para o Leandrinho (foto).

Quem pegar a estatística da partida de ontem na vitória do Phoenix sobre o New Jersey por 114-86, vai ver que o brasileiro marcou 12 pontos, apanhou seis rebotes, deu quatro assistências e roubou duas bolas. Bons números, sem dúvida alguma.

Mas sabe como ele os conseguiu? Praticamente no chamado “garbage time”. Ou seja: quando a partida já estava definida.

Vejamos…

Leandrinho entrou em quadra quando faltava 1:58 minuto para acabar o primeiro quarto. Substituiu Raja Bell, o titular de sua posição. Jogou exatos 8:05 minutos, pois voltou para o banco quando o cronômetro mostrava que faltavam 5:53 minutos para o final do segundo quarto.

Quando entrou, o placar do Izod Center mostrava 30-23 para o Phoenix. O jogo estava disputado. Ao sair, a vantagem subiu em dois pontos: 47-38. A partida continuava disputada.

Nesses 8:05 minutos, Leandrinho teve o seguinte desempenho: três pontos, um rebote, duas assistências e dois erros.

Voltou ao embate no início do último quarto. O placar mostrava 92-77. O jogo ainda não estava definido, afinal, havia um quarto pela frente. Mas estava bem encaminhado, ainda mais sendo o Nets o adversário. Nesse último quarto, com as favas praticamente contadas, Leandrinho teve a seguinte performance: nove pontos, cinco rebotes, duas assistências e dois desarmes.

Pergunto: os números de Leandrinho enganam ou não?

PERDENDO ESPAÇO

O que fica claro para mim é que, neste início de temporada, Leandrinho está perdendo espaço no time. O novo treinador, Terry Porter, valoriza a defesa.

Ainda não conseguiu acertá-la, é verdade, pois o Suns continua sofrendo muitos pontos de times fracos. Ontem, por exemplo, foram 55 no primeiro tempo.

Leandrinho nunca foi um bom marcador. É o protótipo do jogador brasileiro, não importa a modalidade: preocupa-se apenas em pontuar.

Seu negócio é arremessar bolas de três pontos. Poderia usar sua principal arma, a velocidade, para interferir na linha de passe do adversário e roubar bolas, muitas bolas, e – por que não? – ser o líder em “steals” da NBA.

Porter já conhece Leandrinho. Agora mais íntimo, deve ter visto muito mais de seu defeito defensivo. Poderia ajudá-lo a corrigir essa deformidade em seu jogo. Mas não sei se esta é uma meta estabelecida pelo treinador.

Portanto, não seria surpresa para mim se Leandrinho, logo mais, for trocado por alguém. E se isso realmente acontecer, tomara que não vá para o New York, pois Mike D’Antoni, seu antigo treinador no Arizona, gosta de esconder e não corrigir defeitos.

A FORÇA DO BOSTON

Acho que ninguém duvida da força do Boston. A derrota para o Indiana surpreendeu, mas isso acontece. O time mostrou novamente sua força ontem em Houston. Visitou um dos favoritos do Oeste e venceu por 103-99.

A partida foi de Ray Allen, não apenas pelos seus 29 pontos, sua maior pontuação nesta temporada. Allen foi grande na marcação também. Deixou a quadra quando faltavam apenas 33:9 segundos para o final e o placar mostrava 101-95 para o Celtics.

Fez uma falta para impedir Tracy McGrady pontuar. Foi a derradeira.

A defesa de Allen é subestimada por quase todo mundo na NBA. Vêem nele uma máquina de pontuar, mas não enxergam seu hercúleo esforço para diminuir os espaços dos adversários.

Ontem teve de controlar McGrady. Não dá para dizer que ele obteve sucesso pleno, pois T-Mac deixou o Toyota Center com 26 pontos e 50% de aproveitamento de seus tiros de quadra (9-18). Mas o armador do Rockets teve que suar mais do que o habitual para conseguir pontuar.

ENGAJADO

Ao tomar conhecimento que Barack Obama tinha praticamente garantido a vitória na eleição presidencial nos EUA, Ray Allen, ao final da partida, já no vestiário verde e branco, declarou: “Este é um momento histórico, mais do que a gente pode perceber. Nosso país será muito melhor. [Barack Obama] mostrou que não importa de onde você venha, quem são seus parentes, se você der duro; Obama tornou-se presidente e isso é o que ela [a vitória] significa”.

QUEDA LIVRE?

Não, não acredito que o San Antonio esteja em queda. O time está desfalcado de Manu Ginobili, ainda contundido, e por isso não está jogando o que pode.

A campanha é ridícula neste começo de temporada: três jogos e três derrotas. Só não é pior do que Clippers e Sacramento.

Mas mesmo sem Manu, o basquete do Spurs tem sido pobre. Tudo porque se resume a apenas dois jogadores: Tim Duncan e Tony Parker.

Isso ficou claro na derrota de ontem (98-81) para o Dallas, dentro de seu AT&T Center. Timmy fez 19 pontos e pegou 15 rebotes, enquanto que o marido de Eva Longoria (maravilhosa na foto acima com a camisa do Spurs) desespera-se em quadra para que seus companheiros – à exceção de Duncan – consigam pontuar. Não conseguiu; tanto assim que o francês terminou a partida com envergonhadas três assistências.

Também pudera, olha só o desempenho de alguns jogadores nas bolas de dois: Michael Finley, 1-6; Matt Bonner, 0-5; Ime Udoka, 0-4; Bruce Bowen, só três arremessos durante o jogo, dois certeiros. Bonner conseguiu ainda a proeza de errar também seus três arremessos triplos, enquanto que Finley, um especialista, acertou apenas um em três tentados.

Assim não dá. Com o econômico desempenho dos companheiros, Parker foi ao ataque e deixou 22 pontos na cesta do Dallas.

Se os outros jogadores não melhorarem e Manu ficar de fora, o Spurs pode continuar nesta estiagem de vitória.

Estou curioso para ver a partida desta noite contra o Minnesota, em San Antonio. Ganha ou não?

ALEMÃO

Se alguém imaginou que Dirk Nowitzki foi dominado por Anderson Varejão porque está em decadência, mostro seus números no triunfo do Dallas diante do San Antonio, no clássico texano: 30 pontos, sendo que arremessou 24 bolas, contra apenas 11 na partida contra o Cleveland.

Gente, vamos dar crédito ao Varejão. Ele merece.

E Nowitzki não está, de jeito nenhum, dobrando o fio. Ele ainda é o núcleo desse do Mavericks. Nele todo o jogo está concentrado.

CASO IVERSON/BILLUPS

Alguns internautas têm me chamado a atenção para o fato de que o Detroit, ao trocar Chauncey Billups por Allen Iverson, limpou seu “cap” para investir em LeBron James ao final da próxima temporada, quando o ala do Cleveland terá a opção de escolher o seu caminho.

Verdade; dei uma olhada no “payroll” do Pistons no começo da temporada 2010/2011 e o único jogador com contrato garantido era Tayshaun Prince, com US$ 11,1 milhões. Chauncey Billups estaria lá com vencimentos de US$ 13,1 milhões.

Escrevi acima “era” porque ontem a franquia renovou por mais três anos o contrato do ala/armador Rip Hamilton, que vai receber, anualmente, o que Billups iria ganhar se ficasse na “Motor Town” – daí Motown, corruptela do apelido da cidade.

Quer dizer: foi uma escolha do presidente Joe Dumars; preferiu Hamilton a Billups. Na comparação entre idades, Billups tem 32 anos; Hamilton, 30. Diferença pouca.

Eu teria optado por Billups, pois em caso de contratação de LeBron, o jogo dos dois se encaixaria. Tudo o que King James não precisa é de um companheiro a rivalizar com ele na pontuação. Tudo o que LeBron precisa é de um armador que entenda o jogo e de um pivô para protegê-lo.

Realmente, não consigo entender esse negócio.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008 NBA | 23:55

NBA TEM TUDO PARA REPETIR FINAL PASSADA

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O maior campeonato de basquete do planeta começa na noite desta terça-feira. Três jogos movimentam a rodada inicial: Boston x Cleveland, Chicago x Milwaukee e Lakers x Portland.

Infelizmente, nenhuma dessas três partidas será exibida ao vivo para o Brasil. A ESPN, que fará a transmissão dos jogos para o país, começa a mostrá-los a partir de amanhã, com o embate entre San Antonio e Phoenix, que na verdade será exibido na ESPN Brasil.

Ala/pivô do Cleveland, o brasileiro Anderson Varejão estará em ação logo mais. Os outros dois brazucas que atuam na mais rica, charmosa e importante liga de basquete do planeta estréiam nesta quarta: Nenê viaja com o seu Denver até Utah e pela tevê a gente poderá acompanhar Leandrinho jogando pelo Phoenix no Texas.

O Boston vai defender o título conquistado na temporada passada, como sabemos. E vem com força. Para isso, manteve seu triunvirato, com Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen, responsável pela ótima campanha que culminou num título que não vinha havia 22 temporadas.

Foi o 17º. da história da franquia, a que mais títulos conquistou na NBA. Em seguida vem o Lakers, com 14.

Por falar em Lakers, o time da Califórnia surge novamente como o grande rival do Boston nesta temporada. Se o Celtics tem sua trinca de ouro, o Lakers também a tem, com Kobe Bryant – o melhor jogador de basquete da atualidade em todo o mundo –, Pau Gasol e Andrew Bynum.

A ausência de Bynum, nas finais contra o Celtics, na temporada passada, foi, sem dúvida alguma, importante na perda do título. Desta vez o Lakers espera que nenhum imprevisto venha atrapalhar seu projeto de ser novamente campeão, o que não acontece há seis temporadas.

O campeonato, no entanto, não ficará restrito a Boston e Lakers. Outras franquias entram para valer na competição buscando conquistar o título. Do lado do Leste, Cleveland, que tenta ser campeão pela primeira vez, e Detroit, que já ganhou três títulos, são fortes concorrentes, enquanto que no Oeste há um concorrente a mais: New Orleans – outro que ainda não sentiu o gostinho de ser campeão –, o bicampeão Houston e o tetra San Antonio.

LeBron é a grande esperança do Cleveland. É uma máquina de pontuar; foi o cestinha da temporada passada com uma média de exatos 30 pontos por partida. O Cavs manteve a base, o que também foi feito pelo Detroit, que não tem uma estrela como o Cleveland, mas conta um conjunto que poucas equipes na NBA têm. E uma defesa de dar inveja a qualquer rival.

É exatamente no conjunto que o New Orleans aposta, além da qualidade de seu armador Chris Paul – o melhor da NBA. David West e Tyson Chandler completam o triângulo de craques do time, que ainda ganhou o reforço do ala James Posey, campeão com o Celtics no campeonato passado, excelente arremessador de três nos momentos chaves, como Robert Horry fez com Lakers e San Antonio.

O Houston vem com o reforço do maluco do Ron Artest. Joga muito, mas pode ter uma recaída durante a temporada e, com isso, comprometer o trabalho. Se tiver com a cabeça boa, ao lado de Tracy McGrady, Luis Scola e Yao Ming com certeza fará do Rockets uma das forças deste campeonato.

O Spurs está envelhecido, é verdade, mas não dá para desprezar a força de Tim Duncan. Tony Parker rivaliza com Paul na primazia da armação das jogadas na NBA, enquanto que Manu Ginóbili, se tiver com o joelho zero bala, com certeza vai decidir muitas partidas em favor do time texano, como fez nos três títulos conquistados.

Zebras?

Do lado do Leste, o Orlando, que tenta chegar pela segunda vez a uma final e, agora, ganhar o título. Não que o time não tenha condições de ganhar a competição. Tem, mas são nanicas se comparadas com Boston, Cleveland e Detroit. De qualquer maneira, time que tem um jogador como o pivô Dwight Howard – seguramente o melhor da NBA – não pode ser encarado como carta fora do baralho de jeito nenhum. Além de Dwight, o Magic conta também com Rashard Lewis, um dos novos craques da liga, ótimo pontuador, o que ajuda tirar o peso em cima de Howard.

Vale destacar também o Miami, que tem um título de campeão. Dwyane Wade está em forma e animadíssimo com o ouro olímpico conquistado em Pequim. Terá a seu lado não apenas a força do ala/pivô Shawn Marion, mas também a companhia de Michael Beasley, o segundo escolhido no draft deste ano, que muitos apontam como provável “Rookie of the Year”.

Do lado do Oeste, o Utah pode ser a surpresa. Vale para o time de Salt Lake City o mesmo que eu disse para o Magic: não que o time não tenha condições de ganhar a competição, mas sua força é menor se comparada com Lakers, New Orleans e San Antonio. De todo o modo, a inteligência do técnico Jerry Sloan e a qualidade do armador Deron Williams aliada ao ala Carlos Boozer são importantes trunfos para o Jazz tentar vencer seu primeiro campeonato na NBA depois de duas tentativas fracassadas diante do Chicago de Michael Jordan.

Estas são as principais forças, a meu ver, para ganhar o título desta temporada.

Mas vamos ver como ficam os classificados em cada conferência. Na minha opinião – quero ver a de vocês também – ficará assim:

CONFERÊNCIA DO LESTE

1 – Boston*
2 – Cleveland*
3 – Detroit
4 – Miami
5 – Orlando*
6 – Philadelphia
7 – Chicago
8 – Washington

CONFERÊNCIA DO OESTE

1 – Lakers*
2 – New Orleans*
3 – Houston
4 – Utah*
5 – San Antonio
6 – Dallas
7 – Phoenix
8 – Portland

* campeão de divisão

Nos playoffs, ficaria assim:

LESTE
1ª. rodada
Boston elimina o Washington
Cleveland passa pelo Chicago
Detroit vence o Philadelphia
Orlando ganha do Miami

2ª. rodada
Boston elimina o Orlando
Cleveland passa pelo Detroit

Final da Conferência Leste
Boston ganha do Cleveland

OESTE
1ª. rodada
Lakers atropela o Portland
New Orleans faz o mesmo com o Phoenix
Idem para o Houston com o Dallas
Utah bate o San Antonio

2ª. rodada
Lakers elimina o Utah
New Orleans passa pelo Houston

Final da Conferência Oeste
Lakers ganha do New Orleans

FINAL DA NBA
Lakers vai à forra e vence o Boston em seis partidas

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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