SINAL DE ALERTA EM BOSTON
O sinal de alerta está ligado em Boston. O Celtics voltou a perder mais uma.
São seis derrotas nos últimos oito encontros. Pior: três delas nos três últimos confrontos.
O revés agora foi para o irregular Houston (89-85), que ainda por cima não pôde contar com Tracy McGrady, lesionado no joelho esquerdo.
E aconteceu dentro de seu TD Banknorth Garden, onde não perdia havia 13 partidas. Ou seja, desde 14 de novembro, quando foi dobrado pelo Denver.
O que acontece com o Boston?
Por mais que se olhe para a estatística num todo (nos últimos 8:34 minutos, por exemplo, o time só acertou duas cestas), pra mim o grande problema do time é aquele que todos sabem: banco.
É muito difícil o trio formado por Kevin Garnett (foto AP ao lado de Kendrick Perkins), Paul Pierce e Ray Allen levar o time nas costas o campeonato todo. Já o fez no campeonato passado.
Agora, alguém mais tem que aparecer para ajudar. É cansativo e desgastante demais.
Quando Doc Rivers tem que recorrer ao banco, ele faz-se de surdo. Não ajuda em nada.
É só comparar o que fez o banco de um e de outro time.
Enquanto os reservas do Celtics marcaram 23 pontos, 11 rebotes e um desarme, os ajudantes do Rockets anotaram 32 pontos, 18 rebotes, sete assistências e um roubo de bola.
A diferença é gritante.
Por mais que se credite a derrota ao baixo aproveitamento dos arremessos (30-70, 42.9%; os triplos, 6-15, 40.0%), o problema está no banco.
Por isso mesmo o time busca de todas as maneiras acertar com Stephon Marbury. Como procurou um acordo com Dikembe Mutombo – que preferiu o Houston – e depois, com a negativa do congolês, tentou dissuadir P. J. Brown da aposentadoria, também infrutiferamente.
Se o Celtics não arrumar, rapidamente reservas confiáveis, o sonho do bicampeonato – ou seu 18º. título – não vai passar de uma quimera.
TRILHA
O Denver segue na trilha certa. A tabela marcou sete jogos consecutivos dentro de seu Pepsi Center. Já venceu três deles.
Percorreu quase que a metade do caminho.
E sem Carmelo Anthony (foto AP), ontem, bateu o Miami por 108-97.
Não perde há cinco partidas e das últimas dez venceu oito.
Com a vitória diante do Heat, passou a ocupar, novamente, a segunda posição na Conferência Oeste, passando a perna no San Antonio. Tem que se aproveitar dessa generosidade, porque em fevereiro o calendário será perverso: dos 12 embates, oito (consecutivos) serão em terras estranhas.
Vencer agora e aumentar a poupança de vitórias é extremamente importante para dar confiança e uma gordurinha para se queimar lá na frente.
LITUÂNIA
Chauncey Billups fez 21 pontos, mesmo desempenho de J. R. Smith. Mas os também 21 tentos anotados por Linas Kleiza é que foram o diferencial para o Denver vencer o Miami.
O lituano acertou quatro de seus seis arremessos triplos. O time da Flórida encostava, ameaçava passar à frente e Kleiza embiroscava mais uma de três e nocauteava o oponente.
Foi o grande nome da vitória do Nuggets (pegou ainda sete rebotes), embora a mídia norte-americana tenha protegido os seus colocando-os lado a lado com Kleiza.
NENÊ
O são-carlense teve atuação regular: 14 pontos e seis rebotes.
O bom foi que ele deixou ontem a camisa por dentro do calção e pôde se concentrar mais na partida.
LIMITE
Leandrinho pode fazer chover dentro do US Airways Center que não vai ter jeito. Terry Porter limitou-o a pouco mais de 20 minutos e ponto final.
Ontem, o paulistano marcou 18 pontos, cinco a menos do que o cestinha do time, Amaré Stoudemire. Teve bom aproveitamento nos arremessos (6-10 [60%] no geral, 3-5 nos triplos [60%], 3-3 (100%) nos lances livres), mas mesmo assim não teve a permissão do treinador para jogar mais.
Resultado: o time perdeu para o médio Indiana por 113-110.
A gente fala muito sobre Nenê e Rajon Rondo, mas temos que ficar de olho em Danny Granger (foto AFP). O ala do Indiana tem jogado muito.
Ontem fez 37 pontos e foi o artilheiro da partida. Tem 25.8 pontos de média no campeonato. É o quinto melhor neste fundamento.
E forte candidato ao Most Improved Player desta temporada.
BRIGA
Enquanto o Boston se afasta da primeira colocação, Cleveland e Lakers seguem brigando pela primazia maior da competição. Quem ficará na frente?
Os dois voltaram a vencer ontem.
O Cavs passeou diante do Charlotte: 111-81; o Lakers visitou o Golden State e ganhou por 114-106.
O recorde caseiro do Cleveland nesta temporada mostra 18-0. Nenhum outro time está sem perder diante de sua massa.
O Cavs parece-me pronto para voltar às finais da NBA. Mas, desta vez, ao contrário do que aconteceu diante do San Antonio, há duas temporadas, quando foi varrido, pronto também para o seu primeiro troféu de campeão.
LeBron James é o diferencial, todos sabem. Ele amadureceu demais em relação à última temporada.
Muitos dizem que isso é fruto dos Jogos Olímpicos de Pequim. Outros garantem que ele está sabendo exercer melhor sua liderança, em benefício próprio e do grupo.
Pra mim ele deixou de ser um exibicionista à cata de números. É mais um jogador do time, pronto para exercer sua individualidade quando for necessário.
Quando não for, guarda-se para não desgastá-la à toa.
Kobe Bryant já assumiu esse papel há algum tempo. Longe está o tempo em que ele entrava em quadra para fazer 80 pontos.
Não se ganha campeonato assim.
Ontem Kobe cravou 21 pontos, mas quem brilhou foi Pau Gasol, que anotou 33 e ainda pegou 18 rebotes, sua melhor marca na temporada.
Desgastar-se pra quê?
Apenas quando for necessário.
Ontem, nem Kobe e nem LeBron precisaram vestir a roupa de super-herói para fazerem seus times vencerem.
Quando for preciso, eles estarão prontos.
VAREJÃO
O capixaba, assim como Nenê, foi OK no jogo de ontem contra o Bobcats: 14 pontos, seis rebotes, duas roubadas de bola e um toco.
Nada para fazer a gente se levantar da cadeira e dar um soco no ar, em comemoração.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Boston, Cavaliers, Celtics, Cleveland, Denver, Houston, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, leandrinho, LeBron James, Linas Kleiza, NBA, Nuggets, Paul Pierce, Phoenix, Ray Allen, Rockets, suns













