Como sabemos, está tudo definido; no Leste e no Oeste. Então, por que não começarmos a falar sobre os confrontos? E palpitar? Tem exercício mais excitante do que palpitar?
Vamos lá, pois, começando pela conferência que fica do lado do Atlântico.
Penso que é a mais previsível, pois existe grande diferença entre alguns times, especialmente entre os três primeiros colocados: Cleveland, Boston e Orlando.
Atlanta e Miami farão, seguramente, o confronto mais disputado da conferência.
CLEVELAND x DETROIT
O Pistons não é mais aquele time competitivo de temporadas passadas, quando até um título c0nquistou. Enfraqueceu-se com a saída de Chauncey Billups, o que quebrou o núcleo da equipe.
Pra piorar, demitiu – acertadamente, diga-se – o técnico Flip Saunders, mas contratou para o seu lugar o inexperiente Michael Curry. Outra aposta maluca de Joe Dumars, que também trouxe para o lugar de Billups o superado Allen Iverson.
Problemático e fominha, ele acabou interferindo negativamente no grupo e no jogo de Rip Hamilton, que até para o banco foi. Além de Hamilton, Rasheed Wallace e Tayshaun Prince são remanescentes importantes do time de 2004 que ganhou o título.
Mas não há a mesma química de então. E, além disso, para eliminar o Cleveland, um dos favoritos ao título, tem que ganhar um jogo fora – o que somente o Lakers conseguiu diante dos titulares do Cavs – e ainda manter-se invencível em casa.
Impossível.
Em contrapartida, o Cleveland é um time arrumado, ajeitado e azeitado. Muitos o consideram o melhor desta temporada, fruto do excelente trabalho de Mike Brown, ex-assistente de Gregg Popovich.
Conta com LeBron James (foto Reuters), para a grande maioria o MVP desta temporada. O jogo de LBJ cresceu não apenas pela força natural de seu jogo e amadurecimento em quadra. Cresceu também graças à chegada do armador Mo Williams.
Com ele no time, Brown passou Delonte West para a posição dois. Desta forma, os três jogam ao mesmo tempo e formaram um trio afinadíssimo, para desespero dos rivais.
E no garrafão Anderson Varejão e Zydrunas Ilgauskas põem a mão no peito de quem se atreve a entrar.
Previsão: Cleveland 4-0.
BOSTON x CHICAGO
Se Kevin Garnett não puder jogar os playoffs, o Celtics terá um pouco mais de trabalho para eliminar o Bulls. Se tudo não passar de um blefe de Doc River, o atual campeão da NBA varre o ex-time de Michael Jordan.
O Boston está um ano mais entrosado e confiante. E maduro – não velho, pois o time não dá sinais de que está com as pernas cansadas.
Pena que KG brigou bastante com as contusões, principalmente depois do ASG. Perdeu 22 dos últimos 26 jogos da equipe.
Mesmo que jogue, a pergunta que fica é: jogará no seu esplendor físico?
Não se esqueça: Garnett é o capitão e o melhor jogador desse time. Tem uma ascendência muito grande em relação ao time.
Paul Pierce pode fazer a diferença junto com Ray Allen. Mas será que ambos conseguirão impor-se sem a presença intimidadora de KG?
Neste primeiro round, penso que sim, pois o Chicago é um time absolutamente irregular que conta com um treinador novato e de qualidades bem discutíveis.
De qualquer maneira, como já disse aqui, Vinnie Del Negro fez um “upgrade” na campanha do time nesta temporada em relação à anterior. Mas será que foi ele ou Derrick Rose?
Ambos, diria, mas com a balança pendendo mais para o garoto.
Rose deve ser eleito o melhor novato desta temporada. Por se tratar de um “rookie”, oscila demais. Talvez isso explique a campanha irregular da equipe nesta temporada.
É a primeira vez que a maioria do elenco atinge os playoffs. E isso tem um peso muito grande.
Previsão: Boston 4-1 sem Garnett; com KG, 4-0.
ORLANDO x PHILADELPHIA
O Magic caiu muito de produção nos últimos jogos. Dos últimos dez, venceu apenas cinco.
Rafer Alston não foi o substituto ideal para o contundido Jameer Nelson. Falta qualidade na armação do jogo. O veterano Anthony Johnson também não tem estofo suficiente para agregar qualidade criativa ao time em um momento tão delicado com são os playoffs.
É certo também que a queda dos últimos jogos tem a ver com contusões. Especialmente de dois de seus principais jogadores: Dwight Howard e Rashard Lewis. Ambos foram poupados por causa de pequenas lesões.
Com eles em forma, não há como o Sixers conter o Orlando – mesmo sem uma grande armação. O time da Flórida tem uma intensidade de garrafão e um arsenal de bolas triplas que seguramente levarão o adversário a nocaute.
E rapidamente.
Previsão: Orlando 4-1.
ATLANTA x MIAMI
Aqui será o duelo de um time, um conjunto (Hawks), contra uma equipe que direciona todo seu jogo nos ombros de um fora-de-série (Heat).
O técnico Mike Woodson tem o Atlanta nas mãos. Ele forjou essa equipe já na temporada passada com muito cuidado e trabalho de quadra.
Nesta, um ano mais experiente e confiante, o Atlanta é inegavelmente o favorito diante do Miami.
Além do conjunto, há jogadores que podem desequilibrar no momento em que o jogo pedir por isso. Falo de Mike Bibby e Joe Johnson.
Os torcedores do Miami esperam que Dwyane Wade esteja inspirado e carregue o time nas costas nesta série. Mas Wade (foto AFP) não é Michael Jordan.
Será muito difícil que isso ocorra. Sozinho será como uma andorinha.
D-Wade precisa de um suporte, mas o Heat não tem a oferecer. Na próxima temporada, mais experientes, quem sabe Mario Chalmers e Michael Beasley venham a ser esse apoio; não no momento.
Além deste cenário que privilegia o Atlanta, não se esqueça que o time da Georgia tem a vantagem de quadra. A presença de D-Wade dará equilíbrio ao confronto.
Previsão: Atlanta 4-3.
OESTE
Esta conferência vai reservar os melhores jogos destes playoffs. E os mais longos também.
O Utah, em quem eu apostei em determinado momento da competição, caiu dramaticamente no final da temporada regular. É o time mais fraco da conferência do Pacífico.
Em compensação, não vejo fragilidade nos demais contendores. Se Atlanta e Miami vão fazer o confronto mais duro do outro lado do continente, deste lado há dois embates que serão decididos no último jogo: San Antonio x Dallas e Portland x Houston.
Os outros dois serão mais curtos.
LAKERS x UTAH
Ao contrário do que previ, o retorno de Carlos Boozer, após uma cirurgia no joelho, não fez a diferença esperada. Ele não foi o Karl Malone de Deron Williams, que sonhava em ser o novo John Stockton.
E Jerry Sloan, no banco, não pôde, por isso mesmo, dar robustez ao time. Talvez devesse ter previsto essa fragilidade de Boozer.
Entra debilitado para um confronto em que terá pela frente simplesmente um dos melhores times da temporada.
Do lado do Lakers, Andrew Bynum aproveitou os últimos embates da fase regular para recuperar a forma e o entrosamento. E mostrou que está bem, pois afinou-se perfeitamente com Pau Gasol e Lamar Odom.
O que preocupa é a queda de rendimento de Derek Fisher. Neste confronto, suas bolas de três podem não fazer tanta falta, mas nas duas etapas dos playoffs isso pode ser um fator negativo para o Lakers.
E para os que criticam Kobe Bryant (foto Reuters), chegou o momento em que o camisa 24 do Los Angeles mais gosta. Ele sente que está encostado na parede pelos seus desafetos.
Previsão: Lakers 4-0.
DENVER x NEW ORLEANS
O Hornets nem de longe se parece com aquele time da temporada passada. O time desandou neste campeonato, especialmente por causa das contusões de Tyson Chandler (pé) e Peja Stojakovic (costas).
É certo que elas atrapalharam muito. Mas Byron Scott parece que perdeu a receita que fazia desse time uma preocupação para os adversários.
É a equipe do “se”. Se Chris Paul estiver inspirado; se as bolas de três caírem; se James Posey repetir o que fez no Miami e no Boston; se Chandler e Peja estiverem com a saúde em dia…
Muitos “ses” para dobrar um adversário mais forte, mais entrosado e que ainda tem a vantagem de quadra.
O Denver, surpreendentemente para mim, fez uma ótima fase regular. A melhor, diga-se, de sua história, terminando em segundo lugar.
Mas não se esqueça: há momentos em que o quinteto em quadra entra em parafuso e surge o “cada um por si e Deus para todos”. Basquete de rua; basquete competitivo não se joga desta maneira.
George Karl, experiente em playoffs – foi vice-campeão da NBA dirigindo o Seattle na decisão diante do Chicago em 1996 –, não pode perder o controle do grupo – e do time em quadra. Carmelo Anthony tem que se comportar como uma estrela e não como uma prima-dona.
Se isso ocorrer, o time terá dificuldades.
J. R. Smith tem que saber fazer a leitura do jogo em quadra; o mesmo vale para Chauncey Billups, principalmente ele, o armador da equipe, que tem de conjugar o verbo sempre na primeira pessoa do plural.
Será o grande teste de Nenê nesses playoffs. E do jeito que ele mostrou-se maduro na fase regular, deverá adicionar muita qualidade ao time neste momento decisivo.
Previsão: Denver 4-2.
SAN ANTONIO x DALLAS
Como disse anteriormente, este é um confronto para ser decidido na sétima e última partida. O Spurs tem a vantagem de quadra, mas a ausência de Manu Ginobili pesa – e muito.
Roger Mason Jr. fez uma excelente “regular season”, mas sua experiência de playoffs é reduzidíssima: fez apenas dez partidas com a camisa do Washington. Não terá estofo para segurar o rojão e ser o substituto perfeito do argentino.
Além disso, o time está envelhecido. Falo principalmente de Michael Finley e Bruce Bowen. Tim Duncan é veterano, mas é um gigante, que sabe como se dosar em quadra e usar sua presença imponente para conter os adversários.
Mas está mais velho, não há como negar. E mais: terá agilidade para marcar Dirk Nowitzki? Ou será que Gregg Popovich vai dar a Matt Bonner esta espinhosa missão para poupar Timmy?
Já o Dallas cresceu muito no final da competição. Venceu dez de seus últimos 15 jogos.
Para isso contou com a volta de Josh Howard. Com ele o time fica muito mais forte em seu jogo interior e no perímetro também.
Sua presença em quadra acaba por interferir no jogo de Nowitzki. Dos últimos nove jogos da equipe, com Howard jogando, o alemão alcançou 30 pontos ou mais em cinco deles.
Some-se a isso a presença de Jason Kidd. Veterano, é verdade, mas jogador, como Duncan, afeito a esse tipo de situação.
Ainda sabe, muito bem, como conduzir uma equipe em quadra.
Série difícil, como disse, onde houve empate em 2-2 na fase de classificação.
Previsão: Dallas 4-3.
PORTLAND x HOUSTON
O Rockets tem jogadores mais experientes, técnico idem. Tracy McGrady não vai disputar os playoffs – o que é garantia de que o time está na disputa.
Mas…
O Portland é a grande sensação do momento na NBA. Venceu 54 jogos na temporada regular; dos últimos dez embates, ganhou nove – ironicamente, perdeu apenas para o Houston, no Texas.
Conseguiu uma vaga para os playoffs, o que não ocorria desde 2003. Foram seis anos de longa espera para uma torcida que é uma das mais barulhentas da liga e que promete, mais uma vez, fazer a diferença se for necessário.
Creia: ninguém gostaria de enfrentar o Portland neste momento. O time tem se imposto com muita facilidade diante dos oponentes.
Conta com um sistema defensivo dos mais sólidos, fruto do trabalho exaustivo do técnico Nate McMillan, obcecado pela marcação. Aliás, o pouco que LeBron James sabe sobre o assunto ele deve, como disse, a McMillan quando os dois trabalharam juntos no time dos EUA que se preparou para os Jogos Olímpicos de Pequim.
Brincadeiras à parte, T-Mac fará muita falta numa série como essa, onde o oponente, como vimos, prima pela marcação. Shane Battier é um excelente marcador, mas seu arsenal ofensivo é modesto.
Tem média de apenas 7.3 pontos por partida. E tendo que roubar uma vitória em campo alheio, isso é realmente preocupante.
Haverá duelos sensacionais nesta série. A saber: Luis Scola x LaMarcus Aldridge e o que envolverá Battier e Brandon Roy (foto AP) – isso se a missão não couber a Ron Artest também, o que dará mais emoção ainda ao encontro.
Série que vai chegar a sete partidas, não tenha dúvida. E a vantagem de quadra será muito importante para o Blazers seguir adiante na competição.
Previsão: Portland 4-3.