LeBron James destruiu o Boston. É claro que ele contou com a preciosa ajuda de seus companheiros, mas não estivesse ele em quadra, do jeito que esteve, o Cleveland não teria deixado o parquete da Quicken Loans Arena com o placar favorável em 98-83.
LBJ (foto Reuters) fez 38 pontos, apanhou sete rebotes, deu seis assistências, roubou quatro bolas e deu três tocos. Some-se a isso o fato de que ele aniquilou Paul Pierce, para muitos o melhor jogador do Celtics.
O convencido jogador do Boston teve uma atuação para ser apagada de seu “pen drive”. Anotou apenas 11 pontos, pois encestou só quatro de seus 15 arremessos. E cometeu cinco erros, o que é mais vexatório.
O fato é que o Cleveland entrou em quadra como se fosse disputar um jogo de playoff. A energia era idêntica. Dentro e fora da quadra.
A torcida teve a mesma conduta dos jogadores. Transportou para janeiro o comportamento que costuma ter em maio, junho, quando chega a fase decisiva da competição.
O Celtics, ao contrário, entrou em quadra fora de foco. Parecia que estava enfrentando o Charlotte, quando na verdade estava medindo forças com seu principal adversário no Leste.
Parecia, também, jogar com o peso de três derrotas consecutivas nas costas (agora são quatro) e um recorde de 3-7 nos últimos dez confrontos.
O Cleveland, quando tem o Boston pela frente, entra em quadra com a faca entre os dentes. Se o oposto não for verdadeiro daqui para frente, o representante do Leste nas finais desta temporada deverá o ser o time de Ohio e não o de Massachusetts.
INVENCIBILIDADE
Com a vitória de ontem, o Cleveland aumentou sua invencibilidade dentro da Q Arena para 19 partidas. É o único time na NBA que não perdeu em casa nesta temporada.
Se somarmos seus três últimos embates nos playoffs do campeonato passado, a invencibilidade passa para 22 jogos.
E sabe contra quem foram esses enfrentamos?
Exatamente contra o Boston.
Quer dizer: já são quatro os jogos que o Celtics não consegue bater o Cavs quando o palco é a arena de Cleveland.
Fico me perguntando: quem será capaz de bater o Cavs na Q Arena?
SIGNIFICADO
Nos EUA muitos – quando digo muitos falo de torcedores e mídia – pensam como outros tantos brasileiros quando o assunto é esse tipo de campeonato: fase de classificação seguida dos playoffs.
O que quero dizer é que o raciocínio destes é: a temporada regular não conta, o que vale é o que vem depois.
Engano, pois o jogo de ontem contou muito.
Deixou o Boston com três derrotas a mais (seis contra nove), o que dá certa gordura para o Cleveland queimar mais pra frente se precisar.
Deixou o Boston com a autoestima em baixa. E isso é o mais importante, porque a vitória de ontem, 15 pontos de vantagem, foi um triunfo psicológico do Cavs.
Se tudo correr dentro dos conformes, os dois times devem fazer a final da conferência. E aí o Cleveland vai tirar proveito do que foi feito ontem à noite na Quicken Loans Arena.
Mas o Boston pode mudar este cenário – ou igualá-lo.
Dia seis de março próximo as duas franquias voltam a se encarar. Desta vez no TD Banknorth Garden de Boston.
Vamos ver como o Celtics e sua fanática torcida vão se comportar. Com certeza teremos a repetição da atmosfera de ontem.
E no dia 12 de abril, quando os dois oponentes se encontrarem pela última vez pela fase de classificação, novamente teremos um clima de playoffs. Desta feita, uma vez mais na Q Arena.
Uma nova rivalidade na NBA?
Só o tempo dirá, pois ninguém sabe ainda qual será o futuro de LeBron James.
POR FORA
O Orlando vem quieto, comendo pelas beiradas. Sem alarde e os holofotes da mídia, o Magic atropelou ontem o Atlanta, na Flórida, por 121-87, e com a derrota do Celtics já é o segundo colocado no Leste – e o terceiro na classificação geral.
O time foi bem equilibrado na partida de ontem. Sem essa de números estratosféricos para um e nada para os demais.
Hedo Turkoglu fez 21 pontos, seguido de Dwight Howard (foto AP) com 16; J. J. Reddick, 15; Jameer Nelson, 14; Rashard Lewis 13; e Courtney Lee 11.
A marcação também funcionou, pois limitou o Atlanta a apenas 35.0% de seus arremessos. Num comparativo, o Orlando encestou 40 das 83 bolas: 48.2%.
Além disso, nas de três, o Orlando acertou o dobro em relação ao adversário: 16-8.
Foi superior também nos rebotes: 55-38.
Enfim, um banho de bola – e não foi contra um adversário qualquer. O Atlanta é o quinto colocado no Leste com uma campanha de 22 vitórias contra 13 derrotas.
ENTÃO…
Então que se o Boston não se cuidar, ele poderá fazer uma semifinal contra o Orlando com a desvantagem de quadra.
E nos playoffs passados a gente viu muito bem que o time tem dificuldades quando joga fora de casa.
E o Orlando está, como falei, equilibrado.
Disse outro dia, conversando com um parceiro deste botequim, que não sinto força no Orlando para fazer final nem de conferência e nem de NBA. Acho que falta ao time um armador mais experiente que Jameer Nelson.
O moleque é bom jogador, mas requer mais vivência de quadra para tornar-se o condutor do time e um jogador mais decisivo do que é hoje em dia.
DESPERDÍCIO
O Denver perdeu um jogo ganho diante do Detroit. Dominou toda a partida, mas no final fraquejou e saiu derrotado por 93-90.
A 20 segundos do final, Tayshaun Prince entrou pela diagonal direita e no melhor estilo Manu Ginobili derrubou a bola que colocou o Pistons na frente pela primeira vez na partida: 87-86. O técnico George Karl (foto AP) foi ao desespero.
Depois foi aquela sequência de falta e lance livre que poderia ter levado o jogo à prorrogação se J. R. Smith tivesse aproveitado os três arremessos que teve à disposição quando o cronômetro marcava 5.5 segundos para o final da partida.
Poderia ter empatado em 91 pontos; mas errou o primeiro.
Não se pode culpar J. R. pelo acontecido. O time passou 2:40 minutos sem acertar nem um arremesso sequer. Nesse período, a equipe fez apenas quatro pontos, fruto de quatro lances livres.
E arremessou apenas três bolas contra a cesta do Detroit, assim mesmo, a última, no desespero, com o cronômetro zerando com a bola no ar.
Ontem a gente pôde ver como Carmelo Anthony faz falta ao time.
FRIEZA
Aaron Aflalo foi o nome do jogo. Frio feito um iceberg, acertou os oito lances livres a que teve direito. Todos no final da partida.
Cem por cento para um jogador que tinha uma média de acerto de 73%.
Não era mesmo o dia do Denver.
VINGANÇA
Allen Iverson, ao contrário do que imaginei, não foi vaiado impiedosamente pelos torcedores do Denver. Um “boo” aqui outro ali e nada além disso.
Era a primeira visita de AI ao Colorado depois da troca com Chauncey Billups em 3 de novembro passado. Ele não se mostrou nem mais e nem menos motivado por causa do ocorrido.
Jogou apenas mais uma partida em sua carreira na NBA.
Estava apagado no jogo, com um aproveitamento muito ruim de seus arremessos. Tinha acertado apenas dois dos 12 tentados nos três primeiros quartos.
No último, todavia, passou para 4-6, embiroscou oito de seus nove lances livres, tendo anotado 13 pontos exatamente quando a partida se fechava.
Totalizou 23 tentos, sete a menos do que Chauncey Billups.
Pontuou menos, mas ganhou o duelo.
PATÉTICO
Não há outra palavra para definir o final da partida de ontem entre Lakers e Indiana. Faltavam três segundos para o jogo findar e o time de Los Angeles pulou à frente em 121-119 – que acabou sendo o placar final.
O técnico Jim O’Brien, do Pacers, pediu tempo. O narrador da FSN de Los Angeles dizia: “É cedo para se comemorar a vitória”. Alertava com um fuzuê danado dos torcedores ao fundo, depois da cesta final de Kobe Bryant que deu a vitória aos amarelinhos.
O Indiana voltou à quadra; foi cobrado o lateral. A bola caiu nas mãos do pivô Jeff Foster, que não fez absolutamente nada. Ao ouvir a buzina soar, assustou-se e arremessou – já não valia mais.
Deu “air ball”.
Patético.
ARBITRAGEM
Outro dia, torcedores do Lakers reclamavam neste botequim da arbitragem na derrota para o New Orleans.
Agora eu quero ver o que eles vão dizer sobre o assunto. Sim, porque ontem, a falta que desclassificou Danny Granger do jogo não aconteceu.
E Granger, com seus 2m03 de altura era o marcador de Kobe Bryant. Com ele de fora, o nanico do Jarret Jack (1m91) teve que vigiar Kobe na bola derradeira.
Com 12 centímetros a menos diante de si, Kobe fez a cesta mais fácil da temporada e levou o Lakers à mais uma vitória no campeonato.
Tivesse sendo marcado por Granger, faria os dois pontos?
BRAZUCAS
Anderson Varejão (na foto AP com Mo Williams e LeBron James) foi o destaque dos brazucas na rodada de ontem. Jogou 35:06 minutos. Marcou 14 pontos e apanhou nove rebotes. Ficou a um para novo “double-double”.
Foi muito importante no momento do corta-luz. Ajudou demais LeBron James na pontuação.
Teve seu esforço reconhecido por LBJ e pelo treinador Mike Brown.
E também pela mídia norte-americana.
Nenê ficou em quadra 35:53 minutos. Fez um ponto a mais do que Varejão e pegou o mesmo número de rebotes.
Tivesse se esforçado um pouco mais e teria feito um duplo-duplo.
Num comparativo, enquanto Varejão voa nas bolas à procura do rebote, Nenê se limita a apanhá-lo se ele chega a suas mãos. Tivesse, como disse, a mesma garra do capixaba e estaria certamente com o “double-double” de média na competição.
Mas não é da natureza do são-carlense. Não adianta a gente querer de uma pessoa o que ela não é capaz de fazer.
Quanto a Leandrinho, foi importante na vitória do Phoenix diante do Dallas por 128-100. Vitória, vírgula, uma lavada, isto sim.
Jogou apenas 19:22 minutos. Mesmo assim, marcou 20 pontos, com um ótimo aproveitamento nos arremessos: 8-11.
Nas bolas de três, 2-2; semelhante desempenho nos lances livres.
Fica menos em quadra para dar espaço a Jason Richardson. Não justifica. O ex-ala do Charlotte fez um ponto a mais do que o paulistano, tendo jogado exatos 33 minutos.
Ou seja: 10:38 minutos a mais.
Tempo para Leandrinho ter feito pelo menos mais uns seis pontinhos.
Poderia ter fechado a partida até com 30 pontos, por que não?
Esse assunto está me cansando, pois eu não me conformo com a situação.