MO E GIBSON EMPOLGAM LEBRON
LeBron James disse que foi emblemático. Não sei se foi para tanto, mas que foi significativo, isso foi.
Conto melhor a história, se é que você não sabe.
O terceiro quarto terminou com Allen Iverson fazendo uma bandeja e aumentando para oito pontos a vantagem do Detroit sobre o Cleveland.
King James precisava de um repouso, mas o placar do Palace of Auburn Hills exibia, para orgulho dos 22.076 torcedores do Pistons, Detroit 66-58 Cleveland.
Tudo corria bem para os anfitriões. Embora faltasse um tempo ainda pela frente, tudo indicava que o time conseguiria uma importante vitória diante do Cavs.
A confiança vinha do bom basquete da equipe e do retrospecto recente do Cleveland, que dos últimos nove jogos fora de casa havia perdido cinco deles.
E King James precisava de um repouso no início do último quarto. A diferença, que era de oito pontos, como vimos, poderia chegar a uma dúzia – quem sabe até mais.
O técnico Mike Brown sabia que King James precisava de um repouso naquele momento. Não foi cruel com seu melhor jogador; deixou-o no banco, que na verdade é uma cadeira toda estofada.
Para surpresa geral dos 22.076 torcedores que estiveram em Auburn Hills, o Cleveland, com King James repousando, fez uma corrida de 15-2 e assumiu definitivamente o controle do jogo.
Wally Szczerbiak começou o quarto derradeiro no lugar de LeBron, mas foram Daniel Gibson (foto AP) e Mo Williams que destruíram o Detroit. Williams fez oito pontos e Gibson anotou sete.
Os dois necessitaram de apenas 4:36 minutos para colocar um ponto final nas pretensões do Detroit, que neste período curto de tempo marcou apenas dois pontos, fruto de um arremesso de Rip Hamilton.
“Esta temporada está sendo diferente, porque temos jogadores que podem assumir o controle do jogo defensiva e ofensivamente”, garantiu LBJ. “Em nenhum momento neste campeonato eu senti pressão por estar do lado de fora da quadra”.
Será que é para tudo isso mesmo?
Não sei se o time está pronto para ser forte também fora de casa. O retrospecto recente, como vimos, não indica isso.
Mas a vitória diante do Detroit, por 90-80, foi importante – não sei se emblemática.
O Pistons não é mais aquele time difícil de ser dobrado quando joga diante dos fãs. Auburn Hills não causa mais tanto temor nos visitantes por causa da balbúrdia de seus torcedores, que têm estado bem mais comportado, fruto da pouca inspirada temporada do Detroit.
Nesta temporada a equipe venceu 13 e perdeu 11 partidas no não mais assustador Auburn Hills.
Portanto, eu diria: menos, LeBron, menos.
CRÉDITO
Ao mesmo tempo, não há como não reconhecer o valor da contratação de Mo Williams.
O baixinho (1m85) que veio do Milwaukee no começo deste campeonato deu um novo tempero ao time de Ohio.
Ele exibe uma média de 17.2 pontos por partida, praticamente a mesma das duas últimas temporadas em Wisconsin.
Mas ele desempenha outro papel em quadra, tão importante quanto pontuar, que não aparece nas estatísticas: com ele jogando, a marcação pensa duas vezes se vai dobrar em cima de LeBron.
Se o fizer, Mo Williams terá liberdade em quadra. E com liberdade, o armador do Cavs torna-se um tormento para qualquer zaga.
Ao flutuar na marcação, sobra espaço para LeBron jogar do jeito que ele mais gosta: no um contra um, onde ele pode exibir todo o seu talento e dar vazão à sua descomunal força física.
LBJ fechou a partida com 33 pontos; Mo, com 22.
Foram os dois cestinhas do time na vitória de ontem.
PSICOLÓGICO
A euforia de LeBron James talvez tenha origem no fato de que o Cleveland tinha perdido os últimos quatro embates diante do Detroit em Auburn Hills.
Tabu é um negócio que machuca. Enfurece e deprime ao mesmo tempo.
Talvez por isso, ganhar ontem em Michigan tenha sido tão significativo para LeBron, a ponto de ele ter dito o que disse: “Esta temporada está sendo diferente, porque temos jogadores que podem assumir o controle do jogo defensiva e ofensivamente. Em nenhum momento neste campeonato eu senti pressão por estar do lado de fora da quadra”.
Mas eu volto a dizer: menos, LeBron, menos.
BANCO
Zydrunas Ilgauskas voltou ao time do Cleveland no jogo passado, na vitória do Cavs sobre o Clippers por 112-95. Atuou 29 minutos.
Deixou na estatística do jogo diante dos californianos números como 20 pontos e 11 rebotes.
Ontem, jogou cinco minutos a mais e anotou 13 pontos e seis rebotes.
Em Anderson Varejão (foto AP), é claro, que ontem marcou dois pontos e pegou seis rebotes.
O capixaba, que chegou a ficar em quadra até 40 minutos em duas partidas com a ausência do lituano, viu seu tempo se reduzir dramaticamente.
Com a contusão de Ilgauskas, Varejão teve uma média de atuação de 34:20 minutos por jogo. Nos dois últimos embates do Cleveland, já com Z em quadra, Andie atuou exatos 24 minutos.
Dez minutos e vinte segundos a menos.
Mas não é para ficar enfurecido e nem deprimido. É assim que o técnico Mike Brown quer; foi isso que ele planejou antes de a temporada começar.
O brazuca sabe muito bem que tem lugar cativo nos planos do técnico Brown.
Ao contrário do que ocorre com Leandrinho, lá do outro lado do território norte-americano.
DOENTE
Kevin Garnett amanheceu gripado no dia de ontem. Febre alta, dores pelo corpo, mal estar, indisposição, dor de cabeça, enfim, sintomas que todo ser humano conhece quando o influenza pega-nos de surpresa.
Doc Rivers, coach do Celtics, decidiu deixar KG em casa, repousando. Nada de ir para o jogo.
O adversário era o Minnesota, que em janeiro fez uma campanha de dez vitórias e apenas quatro derrotas. Inferior apenas ao recorde do San Antonio, que marcou 12-3 no primogênito mês do ano.
E a ausência de KG quase custou a vitória do Boston. Não fosse Paul Pierce (foto Reuters), que cravou 36 pontos no aro do Wolves, e o Celtics poderia ter amargado uma derrota inesperada.
Os anfitriões chegaram a abrir uma diferença de 21 pontos no terceiro quarto, quando marcou 71-50. Os visitantes, no entanto, foram baixando a diferença, mas faltaram forças para igualar e passar à frente.
Resultado final: Celtics 109-101 Wolves.
Tivesse o Minnesota dois Al Jefferson em quadra e a vitória teria vindo. O ex-pivô do Boston, que entrou na troca com Garnett, anotou 34 pontos e 11 rebotes.
Um gigante; mas não na proporção de KG.
A troca, insisto, valeu a pena.
Post scriptum: Garnett está realmente bem debilitado; deve se ausentar também da partida de amanhã contra o Sixers, na Filadélfia.
RESSONÂNCIA
O resultado dos exames que o pivô Andrew Bynum fez ontem em Nova York será conhecido hoje. Todos esperavam pelo resultado ontem.
Bynum fez a ressonância às 11h da manhã na Big Apple. Mas o médico David Altchek, que fez a cirurgia no joelho esquerdo do jogador na temporada passada, estava na Flórida e só iria chegar em Nova York no final da noite.
Portanto, como disse John Black, assessor de imprensa do Lakers, resultado, só hoje, para agonia geral da nação amarelinha.
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Autor: Fábio Sormani Tags: Al Jefferson, Anderson Varejão, Andrew Bynum, Boston, Cavaliers, Celtics, Cleveland, Daniel Gibson, kevin garnett, LeBron James, Minnesota, Mo Williams, Paul Pierce





















