23/11/2009 - 11:59
O Boston segue preocupando. Venceu ontem o Knicks, em Nova York, mas precisou de uma prorrogação. Isso mostra claramente que o time anda mal das pernas.
Outro dia, um parceiro nosso deste botequim perguntou-me quais são os dez melhores jogadores da NBA na atualidade. Não coloquei Kevin Garnett e nem Ray Allen; mas indiquei Paul Pierce.
Mantenho a opinião. Garnett e Allen deixam a desejar neste momento, apenas Pierce tem jogado o que dele se espera.
Ontem, no Garden nova-iorquino, Pierce marcou 33. Sua melhor pontuação na temporada. Desestruturou a defesa adversária.
Garnett teve um desempenho sofrível nos arremessos: 4-15. Deixou a quadra nos braços da torcida alviverde por ter acertado o chute derradeiro que deu a vitória por 107-105, com a buzina soando com a bola no ar (foto AP).
Mas há que se olhar o todo. E o todo foi decepcionante.
KG terminou o prélio com apenas dez pontos e sete rebotes. Nenhum toco, mesmo com aquele tamanhão (2m11) e um corpinho de toureiro (115 quilos), o que favorece pular e chegar à lua.
Quanto a Allen, 3-13, sendo que ele fez 1-6 nas bolas triplas. Marcou 13 pontos; sofrível também.
E o que dizer de Rasheed Wallace, a grande contratação do Celtics para esta temporada? Jogou 15:21 minutos, arremessou três bolas de três e errou todas, fazendo o mesmo nas bolas de dois. Ou seja: 0-6!
Deixou a quadra zerado.
De bom, a melhora de Rajon Rondo nos lances livres (4-8) e seu desempenho como um todo (14 pontos, dez assistências e nove rebotes). Além dele, Kendrick Perkins, para quem muitos não davam nem um figo podre: 16 pontos, 13 rebotes e quatro tocos.
O Boston preocupa, pois Rajon e Perkins não são o suporte que Pierce precisa para levar o Celtics ao título. Pierce precisa de KG e Allen.
SOBERANO
Em contrapartida, o Lakers nada de braçada. É certo que só joga em casa (dez no Staples Center e apenas três como visitante), mas demole quem aparece pela frente.
Ontem, preparei-me para ver o jogo contra o Oklahoma City. Queria ver como seria o confronto contra a molecadinha do Thunder: Kevin Durant, Russell Westbrook e companhia.
Começa a partida e Thabo Sefolosha faz 2-0 para os visitantes. Logo depois Ron Artest acerta uma bola de três e coloca o Lakers na frente.
No ataque seguinte, Jeff Green dá o troco na mesma moeda e faz 5-3 para o Thunder. Na sequência…
… Bem, na sequência o Lakers faz uma corrida de 18-0 e acaba com o jogo. Resisti até o final do primeiro quarto, tempo para ver Kobe Bryant (foto AP) fazer duas cestas espetaculares.
A primeira, com a bola passando por trás da tabela e caindo de chuá; a segunda, no soar da buzina indicando o final do primeiro quarto, uma cesta de mão esquerda!
Final do quarto: Lakers 35-16 Oklahoma City.
Desliguei o laptop e fui dormir.
Liguei o laptop há pouco e vejo que o Lakers venceu por 101-85. Vejo também que Kevin Durant fez 8-20 e terminou a partida com 19 pontos. Artest anulou o muleke.
Aliás, se o Lakers for mesmo campeão, como todos apregoam — inclusive eu —, Kobe deveria pegar uma parte do salário desta temporada e depositar na conta do companheiro.
Sim, pois Artest vai quase sempre marcar os melhores jogadores dos adversários.
Quando o jogo for contra o Cleveland, ele vigiará LeBron James; nos encontros diante do Denver, Carmelo Anthony; Oklahoma City, como vimos, Kevin Durant; contra o Boston, Paul Pierce; Orlando, Vince Carter.
Enfim, a maioria dos melhores jogadores da NBA que arremessa atua na ala, com algumas exceções, como Dwyane Wade, Brandon Roy e Joe Johnson.
LÍDER
O Phoenix segue mais líder do que nunca na Conferência Oeste. E ao contrário do Lakers, já fez um montão de jogos fora de casa.
Aliás, o Suns realizou mais partidas fora do que no deserto. Em sua American West Arena foram cinco pelejas e cinco vitórias.
Foram de casa foram nove contendas, com meia dúzia de vitórias.
Ontem à noite, o time recepcionou o Detroit. Foi gentil apenas no início da partida. Depois, mandou ver.
Venceu por 117-91, com 20 pontos e nove assistências de Steve Nash.
Leandrinho Barbosa jogou um pouquinho mais: 22 minutos. Anotou dez pontos.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Kevin Durant, kevin garnett, Kobe Bryant, Leandrinho Barbosa, Paul Pierce, Rajon Rondo, Ray Allen, Ron Artest, Steve Nash
21/11/2009 - 16:05
Pequeno desvio de rota ou o peso da idade já se faz sentir num time reconhecidamente idoso?
Ou então: será que aqueles caras (Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen) jogaram tudo o que podiam há dois campeonatos, quando foram campeões e agora voltaram ao seu normal?
É claro que a resposta só o tempo vai dar. Mas, sinceramente, há pouco tempo eu não estaria cogitando nem sequer esse tipo de pergunta.
O Celtics voltou a perder ontem. Quem tirou a casquinha, agora, foi o Orlando. E em Boston: 83-78.
Aliás, o alviverde tornou-se freguês do tricolor. Dos últimos 15 jogos da fase de classificação, o Magic venceu dez.
E nos playoffs do ano passado, nova vitória do time da Flórida.
Mas não é esse o tema em questão; o tema em questão é: o que acontece com o Boston?
Dos últimos cinco jogos, perdeu três. Para piorar a situação, Rajon Rondo, um dos jovens atletas do time, um dos pilares da estrutura futura da equipe, está com um aproveitamento tétrico de seus arremessos — especialmente no lance livre.
Na linha fatal, acertou até agora em todo o campeonato apenas quatro dos 20 tentados (25.0%). Nos outros arremessos, 66-188 (55.9%).
Desta forma, nos finais das partidas, quando o jogo está por se resolver (como foi o caso do encontro de ontem), Rajon vai para o banco de reservas. Eddie House, que não tem a imaginação e nem a habilidade de Rondo para conduzir o time, tem que ir à luta, pois é firme nos arremessos.
Mas não é apenas Rajon quem desaponta. Os outros jogadores também.
Na derrota de ontem, por exemplo, o time teve um desempenho de apenas 10.5% nas bolas de três: 2-19. Paul Pierce errou seu quatro arremessos. Ruim, não é mesmo? Então veja o que Rasheed Wallace fez: 0-8!
Não dá para ganhar de ninguém desse jeito.
Eu volto a perguntar: o peso da idade já se faz sentir num time reconhecidamente idoso? É claro que a resposta só o tempo vai dar, mas que eu estou desconfiado do Boston, isso eu estou.
SURPRESA
O Denver perdeu para o Clippers. O jogo foi em Los Angeles e os anfitriões fizeram 106-99.
Perder para o Clippers sem Blake Griffin é preocupante. Time que quer ser campeão não pode desperdiçar pontos com o tricolor angelino.
Até que o Denver começou bem a partida. Comandou o primeiro quarto (26-21), mas quando veio o segundo veio também a débâcle: 35-20 para o Clippers.
O time reagiu no final do terceiro período, foi melhor no derradeiro, mas a diferença a ser tirada era grande demais. Por isso mesmo, tornou-se impossível.
O bom do jogo foi que Nenê Hilário (foto AP) novamente jogou bem: 18 pontos, 12 rebotes e três desarmes. É disparadamente o melhor jogador brasileiro na atualidade.
Se Nenê foi aprovado, Chauncey Billups foi reprovado: cinco pontos em meia hora de jogo. Um desastre.
George Karl colocou Ty Lawson para tentar resolver o problema. E o muleke de North Carolina correspondeu: 12 pontos em 18 minutos. 4-4 nos lances livres, 2-2 nas bolas de três e 1-2 nas duplas.
Inexplicavelmente, no final da partida, com o time reagindo, Karl fez Billups retornar. E a reação foi para o espaço.
REGRESSO
Anderson Varejão (foto AP) voltou ao time do Cleveland no cotejo de ontem à noite em Indianapolis. E com destaque: marcou dez pontos e pegou sete rebotes.
Veio do banco e ficou 28 minutos em quadra. J.J. Hickson, para quem ele perdeu a posição, jogou 33. Fez cinco pontos a mais e pegou o mesmo número de rebotes.
A vitória diante do Pacers por 105-95, no entanto, só foi possível por causa de quem? Isso mesmo: LeBron James.
LBJ marcou 40 pontos. Dez deles foram anotados nos últimos 7:07 minutos.
Este filme já foi visto várias vezes e o roteiro ninguém se atreve a mudar: King James resolvendo os problemas do Cavs.
Os demais…
Ontem, Zydrunas Ilgauskas fez 1-12 nos arremessos, Mo Williams 3-11 e Daniel Gibson 1-6.
Tem cabimento? Claro que não.
O que se pergunta é: até onde LeBron vai conseguir levar o Cleveland nas costas? Terá fôlego, saúde e forças para chegar até meados de junho do ano que vem em forma e saudável?
É claro que a resposta só o tempo vai dar.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Anderson Varejão, kevin garnett, LeBron James, Nenê Hilário, Paul Pierce, Ray Allen
02/11/2009 - 12:14
O Denver construiu ontem à noite sua terceira vitória na temporada. Bateu o Memphis por 133-123; não foi fácil.
O time do Tennessee vendeu caro a vitória. OJ Mayo esteve impossível em quadra: anotou 40 pontos para o Grizzlies; poderia ter roubado a vitória do Denver.
É, mas do outro lado havia Carmelo Anthony. O ala do Denver marcou nada menos do que 42 pontos e comandou o time colorado.
Melo é o cestinha do campeonato até o momento com uma média de 37.7 pontos por jogo! Muita coisa.
Nas três partidas disputadas até agora, sua menor produção foi na contenda de estréia, quando marcou “apenas” 30 pontos frente ao Utah. Na sequência, anotou 41 contra o Portland, fora de casa — e fez 42 ontem, como vimos.
ECO
É claro que a vitória do Denver não se resumiu aos 42 pontos de Carmelo Anthony. Seu jogo reverberou em seus companheiros.
Outros quatro atletas do Nuggets terminaram a partida com um duplo dígito na pontuação. A saber: Chauncey Billups 22, Nenê Hilário 18, Kenyon Martin 16 e Chris Andersen 12.
Mais do que isso: o Denver foi um time solidário em quadra. Fez 36 assistências contra 27 do Memphis.
BRASUCA
Nenê realizou uma grande partida. Não apenas pelos 18 pontos marcados, mas também pelo seu aproveitamento nos arremessos: acertou os seis tentados (100%).
Além disso, apanhou nove rebotes e deu seis assistências. Quase um “triple-double”? Não, ficou um pouco longe.
Mas quase saiu mais cedo do jogo: cometeu cinco faltas. Nenê precisa resolver esta questão, pois, como sempre digo, ele é importante para o time em quadra e não sentado no banco.
DEFESA
Kobe Bryant fez 41 pontos na vitória do Lakers diante do Atlanta por 118-110. Mas o nome do jogo foi Ron Artest.
Phil Jackson, ao ver Joe Johnson anotar 18 pontos no primeiro quarto do jogo, chamou Artest e disse que ele teria que conter o avanço inimigo.
Não deu outra: nos três quartos seguintes, com Artest fungando no cangote, JJ anotou apenas nove pontos.
E assim o Lakers construiu sua segunda vitória na competição.
Se alguém tinha dúvida se a troca de Artest por Trevor Ariza foi boa ou não, creio que depois do que foi mostrado ontem no Staples Center de Los Angeles essa dúvida dissipou-se.
VITÓRIA
Vocês se lembram do Toronto, que na segunda rodada deu uma sova no Cleveland em seu Air Canadá Centre? Pois bem: ontem, no mesmo palco, o Orlando, outro dos favoritos ao título, foi lá e venceu.
E mesmo sem Vince Carter, lesionado no tornozelo.
A vitória tem que ser creditada para os armadores do time: Jameer Nelson e JJ Redick. O primeiro fez 30 pontos, o segundo, 27.
Ah, sim, o Orlando jogou não apenas sem Carter, mas também sem Rashard Lewis, que segue suspenso pela NBA.
Quando esses quatro estiverem ao mesmo tempo em quadra, sai debaixo.
Os que apontaram o Orlando como um dos favoritos ao título do Leste, esfregam as mãos neste momento. O Magic, realmente, encanta com seu jogo sólido e equilibrado.
ROTINA

O Boston venceu novamente. Chegou a seu quarto triunfo nesta temporada, onde permanece invicto.
Diante dos fãs em seu TD Garden, o Celtics impôs-se ao New Orleans ao fazer 97-87.
Deem uma olhada nas pontuações: Paul Pierce 27, Ray Allen 17, Kevin Garnett 14 e Kendrick Perkins e Rasheed Wallace com 12 pontos cada um.
Podemos chamar isso de socialismo alaranjado?
Creio que sim.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Atlanta, Boston, Carmelo Anthony, Celtics, Denver, Jameer Nelson, JJ Reddick, Joe Johnson, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Nenê Hilário, Nuggets, O. J. Mayo, Orlando, Paul Pierce, Ray Allen, Ron Artest, Vince Carter
31/10/2009 - 12:45
Nossos meninos brilharam na rodada de ontem da NBA.
Anderson Varejão (foto AP) foi muito importante na primeira vitória do Cleveland nesta temporada, depois de duas derrotas consecutivas. O capixaba fez seu primeiro “double-double” neste campeonato ao anotar 13 pontos e apanhar 11 rebotes (quatro deles ofensivos).
Ajudou e muito o Cavs no largo triunfo de 104-87 diante do Minnesota no Target Center de Minneapolis, quase em solo canadense.
Sua atuação só não veio em letras garrafais porque LeBron James não deixou. LBJ cravou 24 pontos na cesta alheia, confiscou nove rebotes e deu sete passes que resultaram em cestas.
Bem mais ao Sul dos EUA, Leandrinho Barbosa foi o cestinha da partida onde o Phoenix ganhou do Golden State por 123-101. O paulistano cravou 24 pontos no aro californiano e ajudou a computar a segunda vitória em dois jogos do Suns na competição.
Só não deixou a quadra do US Airways Center sob os holofotes da mídia e os olhares contemplativos dos torcedores porque Steve Nash não deixou. O canadense deu 20 assistências e marcou 18 pontos no deserto do Arizona.
Bom para os dois brasucas, bom pra todo mundo. As vitórias, tanto do Cleveland quanto do Phoenix, estavam no script da rodada.
SURPRESA
O que não estava no roteiro foi a derrota do Lakers para o Dallas. Partida em Los Angeles, tabu em jogo (havia seis jogos que o Mavs não vencia os amarelinhos), eu não esperava por isso.
Ah, mas o Lakers jogou sem Pau Gasol. Verdade; mas os texanos atuaram sem Josh Howard.
Derrota indesculpável, mas previsível dentro de um campeonato longo e com jogos quase que diários.
Pra variar, Dirk Nowitzki foi o destaque dos visitantes: 21 pontos e 10 rebotes. Kobe Bryant marcou 20 pontos e pegou seis rebotes.
REALEZA
Com Michael Jordan (foto Reuters ao lado do técnico Larry Brown) vendo tudo de sua poltrona ao lado do banco de reservas, o Charlotte Bobcats bateu o New York por 102-100 depois de duas prorrogações. O final foi emocionante, com DJ Augustin derrubando dois lances livres a dois segundos do final da partida.
Mas o destaque do jogo foi mesmo o armador Raymond Felton, que um dia ganhou uma camisa do Palmeiras do técnico Caio Junior em visita ao CT alviverde, há dois anos. Felton, produto de North Carolina, marcou 22 pontos, deu nove assistências e pegou oito rebotes.
Quanto ao New York, enquanto não trocar o treinador, esquece. Pior do que isso: com este cenário, duvido que LeBron James considere a possibilidade de jogar na Big Apple no ano que vem.
Mesmo com todo o glamour da cidade que nunca adormece.
ALARME
Vince Carter pregou um baita susto nos torcedores do Orlando. No segundo quarto da partida de ontem contra o New Jersey, deixou a quadra lesionado no tornozelo esquerdo.
Era, até então, o cestinha do jogo com 16 pontos. Era, também, seu primeiro jogo diante de sua ex-equipe em seu antigo lar.
Estava impossível.
Imprevisto surgido, time em perigo, Super-Homem entrou em ação. Dwight Howard foi até a cabine telefônica mais próxima, tirou seu traje civil e entrou em cena.
Terminou a partida com 20 pontos, 22 rebotes e quatro tocos. Homem, ou melhor, super-homem do jogo.
Orlando 95-85 New Jersey.
QUARTETO
Se a noite retrasada foi inesquecível, a passada foi pra se esquecer. O Chicago tomou uma aula de basquete ontem à noite em Boston.
Foi surrado pelo Celtics por 118-90. Não viu a cor da bola.
O alviverde de Massachusetts somou seu terceiro triunfo na competição. Está invicto até o momento.
E dá mostras claras, com contornos bem definidos, de que realmente é um dos times a ser batidos nesta temporada.
Paul Pierce (22 pontos), Ray Allen (20) e Kevin Garnett (16) fazem mesmo a diferença, ninguém questiona isso. Mas está mais do que na hora de colocarmos Rajon Rondo no mesmo patamar do Big Three.
Rajon (foto Reuters entre Garnett e Allen) marcou dois míseros pontinhos, os relutantes podem dizer. Sim, é verdade, mas ele distribuiu 16 assistências e pegou oito rebotes.
Em meia hora desfilando seu talento no TD Banknorth Garden, cometeu apenas dois erros — o que para um armador é expressivo, pois ele tem a bola nas mãos a maioria do tempo.
Que tal substituirmos o Big Three por Quarteto Fantástico?
Já o Chicago… O que dizer? O time foi um fiasco.
Derrick Rose foi um fiasco: duas assistências e uma dezena de pontos. Tyrus Thomas foi um desastre na linha do lance livre: 4-9. Luol Deng só quatro pontos e dois acertos nas oito bolas atiradas contra o aro adversário.
E o que dizer de John Salmons? 2-14 nos arremessos!!!
Aliás, por falar nisso, olhem só o aproveitamento do Chicago nas bolas de três: 2-15 (13.3%).
Com números assim fica impossível destruir uma das fortalezas desta temporada.
Salvou-se apenas Joakim Noah com seus 16 pontos e dez rebotes. Lutou com um “bull” do começo ao fim do jogo.
Jogo, aliás, para ser esquecido.
COMPARAÇÃO
Fiquei pensando dia desses: não parece a vocês que LeBron James é a versão no basquete do tenista Andy Roddick?
Pensem nisso.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Anderson Varejão, Boston, Bulls, Celtics, Chicago, Cleveland, Dallas, Derrick Rose, Dirk Nowitzki, Dwight Howard, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, Leandrinho Barbosa, LeBron James, Michael Jordan, Paul Pierce, Phoenix, Rajon Rondo, Ray Allen, Steve Nash, suns, Vince Carter
28/10/2009 - 11:36
A temporada mal começou, mas não gostei do que vi em Cleveland. Sim, pois o que vi em Cleveland foi o mesmo Cleveland da temporada passada: dependente ao extremo de LeBron James.
Se o que vi não foi a) análise equivocada de minha parte; b) desajuste natural de uma primeira partida de campeonato, seguramente o Cavs não terá chance alguma de conquistar seu primeiro título de campeão.
É impossível um jogador, sozinho, fazer uma equipe conquistar um campeonato. Já disse aqui: nem mesmo Michael Jordan conseguiu isso.
Enquanto LeBron James fazia tudo no Cleveland (38 pontos, oito assistências, quatro rebotes, quatro tocos e dois desarmes), no Boston a tarefa foi dividida. Como sempre.
Ray Allen anotou 16 pontos; Kevin Garnett deixou 13 no aro do Cavs e pegou ainda uma dezena de rebotes; o estreante Rasheed Wallace, que saiu do banco como todos previam, marcou 13 tentos em seu debu; e Paul Pierce cravou 23 pontos e confiscou ainda 11 rebotes.
Enquanto LBJ fazia uma força danada para pontuar, Pierce, calmamente, anotou os últimos oito pontos do Boston e decretou a vitória do Celtics por 95-89.
Pierce joga sem fazer força – o mesmo eu não consigo ver em LeBron.
Foi o primeiro triunfo do alviverde de Massachusetts em Ohio desde 2004. Colocou-se um ponto final neste incômodo tabu que durava oito partidas.
Depois do jogo de ontem fiquei mais convicto ainda: se nenhum jogador do Boston se contundir durante a temporada, não vai ter pra ninguém no Leste.
Enquanto isso, no Oeste, o Lakers fez uma festona dentro do Staples Center.
A cerimônia de entrega do troféu e dos anéis aos campeões da temporada passada foi muito bonita. E com direito a participação de alguns (poucos) veteranos jogadores que ganharam títulos desde que a franquia mudou-se de Minneapolis para Los Angeles.
Magic Johnson, Jerry West, James Worthy, Norm Nixon, Michael Cooper, Jamaal Wilkes, A.C. Green, Rick Fox e Robert Horry estiveram presentes ao evento. Fiquei pensando enquanto via a festa: Shaquille O’Neal não deveria estar de terno e gravata junto com os outros veteranos?
Sei lá, acho que ainda estava contaminado pelo que tinha acabado de ver na Quicken Loans Arena de Cleveland.
Mas voltando a Los Angeles, o jogo foi legal. Dava para ver que o Lakers não iria perder, como não perde, venceu por 99-92, mas o Clippers não fez feio.
Ficou provado, pelo que pude constatar, que o tricolor angelino, com a presença de Blake Griffin, será um time e tanto para se ver e se apostar.
O destaque da partida acabou sendo Kobe Bryant. Ele anotou 33 pontos e fisgou oito ressaltos.
Mas não dá para não falar dos 26 pontos e 13 rebotes de Andrew Bynum. Bem como os 16 pontos e 13 rebotes de Lamar Odom.
Ron Artest teve uma estréia discreta: dez pontos, cinco rebotes e quatro assistências.
Kobe, Bynum, Lamar e Artest. Ah, sim, Pau Gasol não jogou por estar machucado.
Enquanto isso, em Cleveland, tudo nas costas de LeBron James. Se Shaq não tirar o paletó e a gravata, vai mesmo ficar para o ano que vem.
Mas, como disse acima, a temporada mal começou. Vamos, pois, aguardar.
NOTINHAS
Não pude ver as vitórias do Washington diante do Dallas (102-91) e do Portland sobre o Houston (96-87). Se alguém assistiu e quiser nos informar o que aconteceu no Texas e no Oregon, nossos ouvidos estão atentos.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Boston, Celtics, Cleveland, Clippers, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, LeBron James, magic johnson, Paul Pierce, Ron Artest, Shaquille O'Neal
06/07/2009 - 12:42

Rasheed Wallace acertou com o Boston. Só não assinou ainda porque a permissão para isso ocorrerá na quarta-feira, dia 8, de acordo com as regras da NBA.
A informação foi dada pelo agente do jogador, Bill Strickland. O contrato será de dois anos e Sheed deverá ganhar cerca de US$ 5.6 milhões por temporada – dinheiro esse que vem da “midlevel exception”.
Esvaiu-se, portanto, o sonho de San Antonio, Charlotte e Orlando. Vitória do Celtics.
Sheed teria condições de ganhar mais em qualquer um das três equipes. Mas o dinheiro não falou mais alto.
Optou pelo Boston por quê?
Não só pela força do time e da camisa, mas principalmente pelo fato de poder jogar ao lado de Kevin Garnett, de quem é amicíssimo.
Com ele no time, o jogo interior do Celtics cresce dramaticamente; na frente e atrás. Sem contar que ele tem uma facilidade danada de mandar bolas longas e certeiras contra o aro alheio.
Rajon, Ray Allen, Paul Pierce, KG e Sheed. Nossa, timaço!
Que se cuidem Cleveland e Orlando – e Lakers e San Antonio também.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Boston, Celtics, kevin garnett, Paul Pierce, Rajon Rondo, Rasheed Wallace, Ray Allen
09/05/2009 - 13:08
Não foi apenas Kobe Bryant que jogou uma barbaridade. Todo o time do Lakers jogou uma barbaridade.
Os roxinhos calaram o Toyota Center ontem à noite com um jogo absolutamente equilibrado. Defensa forte e ataque envolvente.
O Houston não teve resposta para a equação montada pelo Lakers durante as 2h34 de partida. Isso acabou por silenciar os 18.495 torcedores que superlotaram o ginásio texano.
Quando muitos contavam com vitória do Rockets e um salto em 2-1 na série, por jogar em casa e por ver o adversário privado do experiente Derek Fisher, punido com um jogo de suspensão, o técnico Phil Jackson surpreende e escala Jordan Farmar. Jogador que atuou apenas quatro minutos por partida na série contra o Utah.
Ninguém esperava por isso.
Farmar saiu do esquecimento para ser um dos elementos chaves na vitória de ontem por 108-94. Fez 12 pontos, sete assistências, cinco rebotes, dois desarmes, um toco e nos 33 minutos que ficou em quadra comentou apenas um erro.
Desculpem o lugar-comum, mas não me ocorre nada melhor no momento: Farmar foi um gigante apesar de seu 1m88.
Mas Farmar é página virada; vamos falar do trabalho do “frontcourt” angelino. Um espetáculo.
Trevor Ariza esteve preciso nos arremessos de três: 3-4. Anotou 13 pontos, apanhou cinco rebotes e roubou quatro bolas.
Pau Gasol, se teve dificuldades para pontuar no primeiro tempo, quando marcou apenas quatro pontos, deslanchou no segundo com mais nove tentos. Mas o importante do seu trabalho foi conter Yao Ming.
Na etapa inicial, o chinês havia marcado 14 pontos e caminhou para o vestiário sob o olhar atento das lentes das câmeras da ESPN, que transmitiu a partida, e sob aplausos incessantes dos torcedores. No segundo tempo, Yao anotou apenas cinco pontos.
Sabe por quê? Foi presa da marcação do espanhol, que deve estar sob efeito de anti-inflamatórios neste momento, pois o chinês é maior em tamanho e largura do que o espanhol.
E o que dizer de Lamar Odom? Foi uma vez mais sensacional, especialmente nos momentos de muita pressão. Contribuiu com 16 pontos e ao apanhar 13 rebotes transformou-se no único jogador do time a ter um “double-double” na partida.
À PARTE
Kobe Bryant merece um capítulo dedicado somente a ele. Anotou ontem 33 tentos e chegou a 3.928 em playoffs.
Com isso, ultrapassou Larry Bird (3.897) e ocupa agora a sexta posição entre os maiores cestinhas desta fase decisiva da NBA.
Nos três confrontos disputados diante do Houston, ele tem uma média de 35 pontos. E jogando contra uma defesa que é uma das melhores da NBA e se sustenta com dois dos melhores marcadores da liga: Shane Battier e Ron Artest.
Jogar contra manés é um coisa; enfrentar gigantes do porte de Battier e Artes é outra completamente diferente.
Isso torna Kobe um jogador especial nesta série até o momento.
Mas não foi fácil para ele. Os dois – principalmente Battier – foram a sombra do armador do Lakers durante todo o jogo (foto AP).
Kobe arremessou sempre pressionado; não teve moleza em nenhum momento. Se teve problemas nas bolas duplas, tendo acertado apenas 7-22 (31.8%), nas de três, no entanto, ele saiu-se bem: 4-6 (66.7%). E nos lances livres, melhor ainda: 7-8 (87.5%).
O camisa 24 do Lakers não cometeu nenhum erro durante os 44 minutos em que esteve em quadra; emblemático. Completou seus números com mais seis rebotes, três assistências, dois desarmes e três tocos.
E um desses tocos foi em cima de Yao Ming, na etapa final. Foi como um quadro de Gustave Courbet.
MARCADO
Ron Artest foi expulso quase ao final da partida por ter feito uma falta flagrante 2 em cima de Pau Gasol no entender da arbitragem. Está claramente colhendo os frutos que plantou ao longo da carreira.
Como disse Kobe Bryant, não foi nem sequer uma falta flagrante. Foi uma falta de jogo, mais dura, é verdade, mas de jogo.
Mas Artest acabou expulso, como disse, mas de forma injusta.
O mesmo critério rigoroso usado contra Artest a arbitragem não colocou em prática ao analisar a falta que Sasha Vujacic fez em Von Wafer. Foi como a infração de Artest, mais dura, é verdade, mas de jogo.
E, por isso mesmo, não foi punido acertadamente com mais rigor.
O mesmo deveria acontecer com Artest, mas, como disse, o ala do Houston colhe hoje o que plantou ontem. Sua carreira é permeada por momentos de violência dentro e fora das quadras.
E isso tem um peso enorme no subconsciente de quem julga.
PREOCUPAÇÃO
Yao Ming torceu o tornozelo esquerdo quase que ao final do jogo. Deixou a quadra mancando, com o cronômetro zerado, ao dirigir-se ao vestiário alvirrubro.
O chinês será avaliado neste sábado. Mas prometeu que joga amanhã de qualquer maneira.
Se ele ficar de fora, a série, liderada pelo Lakers por 2-1 e com vantagem de quadra novamente, ficará mais complicada ainda para os texanos.
FLÓRIDA
O “frontcourt” titular do Orlando destruiu o Boston ontem no sul dos EUA. Hedo Turkoglu, Rashard Lewis (foto AP) e Dwight Howard anotaram, juntos, 69 pontos e apanharam, em conjunto, 20 dos 33 rebotes da equipe.
Foram o fator de desequilíbrio na partida.
Esmiuçando o desempenho deles, se Turkoglu e Lewis fizeram 52 desses 69 pontos, o Super-Homem da Flórida pegou 12 dos 18 rebotes.
Se os três continuarem com esta performance, a missão do Celtics em tentar amealhar uma vitória fora de casa será missão impossível. Especialmente porque dois de seus principais jogadores parecem brincar de gangorra.
Quando um joga bem, o outro joga mal. Na partida passada da série, Paul Pierce anotou apenas três pontos (sua menor pontuação em playoffs) enquanto que Ray Allen marcou 22.
Ontem, Pierce fez 27; Allen, oito.
Assim não dá, concordam?
Rajon Rondo, o melhor jogador do alviverde nestes playoffs, não esteve inspirado como em outras ocasiões: 15 pontos, seis assistências e cinco rebotes. De qualquer forma, tem mantido o nível nesta série, com médias de 14.7 pontos, 10.7 assistências e 8.7 rebotes.
Mas, como sabemos, a regularidade de apenas uma andorinha…
Com a vitória de 117-96 o Orlando pula novamente na frente neste confronto em 2-1. Se fizer 3-1 amanhã à noite, babau: adeus Celtics.
LUTO
A NBA está de luto. Morreu hoje pela manhã em sua casa na cidade de Júpiter, na Flórida, Chuck Daly (foto AP).
Foi o técnico do primeiro e único Dream Team, o de Barcelona, em 1992. Conhecia basquete como poucos.
Defesa e jogo físico eram sua obsessão. Fez do Detroit Pistons um dos maiores times de história da NBA usando exatamente estes dois elementos.
O quinteto formado por Isiah Thomas, Joe Dumars, Dennis Rodman, Bill Laimbeer e Rick Mahorn foi um daqueles inesquecíveis. Metiam medo nos adversários não apenas pela qualidade de seu jogo, mas também pela violência que muitas vezes usavam para intimidar adversários – Michael Jordan que o diga.
Daly ganhou um par de títulos na NBA. O primeiro em 1989; o segundo no ano seguinte.
O inicial, diante do Lakers de Pat Riley e Magic Johnson; o subsequente frente ao Portland de Rick Adelman e Clyde Drexler.
Perdeu uma final, em 1988, para o Lakers da dupla referida.
Era o técnico do momento quando os profissionais foram admitidos pela Fiba nos Jogos Olímpicos. Em conjunto com a NBA, a USA Basketball selecionou técnico e jogadores.
O nome de Daly só não foi unânime porque os torcedores do Chicago queriam Phil Jackson à frente do Dream Team. Naquele instante, o Bulls tinha acabado de conquistar seu segundo título, comandado por MJ e P-Jax.
Mas a experiência e o conhecimento tático, mais a liderança inconteste fizeram de Daly o treinador. E deu certo: os EUA ganharam o ouro em Barcelona triturando todos seus oponentes.
Alguém pode dizer: também, com um grupo que contava com Jordan, Magic e Larry Bird era impossível não ganhar.
Pois bem, a gente conhece um monte de histórias de times que não dão certo por contar com muitas estrelas. Egos inflados atrapalham qualquer projeto.
Aí entra outra qualidade de Daly: era conhecido por sua capacidade de tornar harmonioso qualquer local de trabalho. Foi um gênio como treinador.
Infelizmente, acabou derrotado aos 78 anos por um câncer no pâncreas.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Boston, Celtics, Chuck Daly, Dwight Howard, Houston, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Paul Pierce, Rajon Rondo, Rashard Lewis, Ray Allen, Rockets, Yao Ming
03/05/2009 - 00:44
O Boston acabou de conquistar a vaga para as semifinais da Conferência Leste. Bateu o Chicago, em casa, por 109-99.
O Bulls lutou o mais que pôde. Mas o que fez foi insuficiente para eliminar o atual campeão da NBA.
O time é jovem, sem experiência de playoffs e, por isso mesmo, sentiu demais no momento da decisão. O exemplo maior foi Ben Gordon, seu melhor jogador, que teve um péssimo aproveitamento em seus arremessos.
Começou a partida acertando os três primeiros tiros. Depois disso, encestou apenas quatro em 20.
Quando seu jogador mais decisivo tem uma performance dessas, não dá mesmo para sonhar com vitória. Gordon compensou nos lances livres: acertou todos os 15 arremessados. Por isso, terminou a partida com 33 pontos.
Tivesse um desempenho melhor e acabaria a peleja com 50 pontos ou mais e levaria o Chicago para as semifinais da conferência.
Mas não dá para condenar ele e nenhum outro jogador do Bulls. Essa experiência foi valiosa demais e o time vai tirar proveito disso na próxima temporada.
Mas há que reforçar a equipe.
De que maneira?
Carlos Boozer seria um ótimo reforço, mas não sei se a franquia vai fazer este investimento, porque ele inviabilizaria a contratação de Chris Bosh no final do campeonato próximo – Bosh que é o grande sonho do Bulls.
Talvez John Paxson, gerente geral do Chicago, queria dar mais um ano de estrada para esse time e depois ir às compras. Pode ser.
Vinnie Del Negro? Esquece, lá ele vai ficar, pois é a aposta de todos em Chicago.
Quanto ao Boston, a primeira impressão que fica é que não será páreo de jeito nenhum para o Orlando. O time da Florida, pelo que o Celtics jogou nesta série diante do Bulls, poderá varrer o atual campeão.
Por isso, um 4-0 não seria exagero algum. Não me surpreenderia jamais.
O retrospecto entre eles na fase de classificação mostra um 2-2, com cada time vencendo uma partida fora de casa.
Sem Kevin Garnett e Leon Powe, seu reserva imediato, a pergunta que fica é: conseguirá o Boston conter Dwight Howard?
Suas armas: Kendrick Perkins e Glen “Baleinha” Davis. Mikki Moore? Está tão mal que Brian Scalabrine (que horror!) entra na frente dele nos jogos.
O Celtics deve concentrar seu jogo no perímetro, com Paul Pierce (foto Reuters) e nos tiros longos de Ray Allen. Mas o Orlando tem armas poderosas também: Hedo Turkoglu e Rashard Lewis.
Pra mim, os contornos desta série têm as cores preta, azul e branca, pois ela deverá ser decidida no garrafão, onde o Celtics não tem remédio eficaz para este mal.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Ben Gordon, Boston, Bulls, Celtics, Chicago, Paul Pierce, Ray Allen
01/05/2009 - 12:58
Nas intermináveis discussões sobre futebol – paixão maior do planeta –, muitos debatedores costumam usar um argumento que a meu ver é falho demais e carece de sustentação lógica quando o tema das discussões são jogadores fora de série.
Assim, quando alguém quer diminuir o feito de um atleta campeão, o fora de série como disse acima, condutor de uma equipe na competição, é comum ouvirmos o seguinte argumento oco: mesmo sem Fulano de Tal (o fora de série em questão), o time seria campeão, pois era bom demais.
Já cansei de ouvir isso de gente inteligente, com vasta cultura esportiva, mas que é turrona ao extremo e não cede nem um milímetro sequer de suas convicções, exatamente porque, como disse, fica cego quando discute.
Gastei três parágrafos para falar de Kevin Garnett (foto à direita, Getty Images) e do confronto Boston x Chicago.
Ninguém discute a qualidade do Celtics. Para muitos – inclusive para mim –, o time era favorito ao título desta temporada. Um timaço com KG, Paul Pierce, Ray Allen, Rajon Rondo e companhia bela.
Mas KG se contundiu no joelho e está ausente destes embates contra o Bulls. Antes de a série começar, muitos – eu entre eles – disseram: mesmo sem Garnett o Boston bate o Chicago com facilidade.
O time é forte demais para, mesmo sem sua grande estrela, se complicar diante de uma equipe jovem, sem experiência e dirigida por um treinador sabidamente obtuso.
Fui irônico no texto de apresentação deste confronto: se Kevin Garnett não puder jogar os playoffs, o Celtics terá um pouco mais de trabalho para eliminar o Bulls (…) Previsão: Boston 4-1 sem Garnett; com KG, 4-0.
Quebrei a cara; muitos, como eu, também.
A série será decidida apenas no sétimo jogo, amanhã à noite, em Boston, às 21h de Brasília. Quer dizer: o vencedor o fará com o score de 4-3.
Resumindo: Kevin Garnett é a diferença desse time. O que a mim fica claro é que jogadores como Paul Pierce, Ray Allen e Rajon Rondo, se KG não estiver em quadra, não funcionam em sua totalidade.
Perguntei no referido texto de apresentação dos playoffs: será que Pierce e Allen conseguirão se impor sem a presença intimidadora de KG? Respondi: na série contra o Chicago, sim.
Mas não é o que está acontecendo, especialmente porque, no momento de defender, não o fazem com qualidade sem a sustentação de Garnett. KG é a referência defensiva do Boston; e emocional também.
Vejam, pois, a diferença que um jogador faz. Ou melhor, que um fora de série faz.
Portanto, pensem bem antes de afirmar: mesmo sem Fulano de Tal, o time seria campeão, pois era bom demais.
KG não está jogando e o Boston, fortíssimo candidato ao título, está se enrolando diante do Chicago, um time jovem, sem experiência e dirigido por um treinador sabidamente obtuso.
EMOÇÃO
Ontem, três prorrogações.
Boston e Chicago fazem a série mais emocionante em toda a história da NBA. Em seis jogos, sete prorrogações; o maior número em toda a história da liga.
Ontem, chegou-se ao cúmulo de três.
Paul Pierce poderia ter evitado tudo isso se tivesse sido mais eficiente nos momentos decisivos. Errou o arremesso derradeiro a quatro segundos do final do tempo normal, deixando o placar igual em 101 pontos e possibilitando a primeira prorrogação.
Voltou a errar o último chute do primeiro tempo extra com a buzina disparando pela última vez com sua bola no ar e que terminou chocando-se contra o aro inimigo.
Finalmente, com o jogo empatado em 123 pontos, na terceiro e última prorrogação, Paul Pierce perdeu a bola para Joakim Noah (foto abaixo, Reuters). Não se contentando com a bobagem feita, aumentou-a ao fazer uma falta no pivô do Bulls no momento da bandeja.
Isso possibilitou um ataque de três pontos, uma vez que Noah fez a cesta e converteu o lance de bonificação, levando os anfitriões a uma vantagem de três pontos (126-123) a 35 segundos do final desta terceira prorrogação.
Foi o lance, a meu ver, que determinou a vitória do Chicago. Tem que ser debitado na conta de Pierce.

DESTAQUES
Ray Allen – ele de novo! – foi o nome do Celtics. Anotou nada menos do que 51 pontos em quase uma hora na quadra.
Seus números: 18-32 (56.2%) nos arremessos, sendo que acertou nada menos do que nove das 18 bolas de três arremessadas na partida (50%); nos lances livres, 6-7 (85.7%).
Do lado do Chicago, John Salmons. O ala do Bulls terminou a partida com 35 pontos em uma hora de jogo.
Seus números: 13-22 (59%) nos arremessos, sendo que acertou cinco em nove dos tiros triplos (55.5%); nos lances livres, 4-4 (100%).
ÚLTIMO
Como disse acima, amanhã, 21h de Brasília, acontece o último jogo da série. Local: TD Banknorth Garden de Boston.
Favorito? O Celtics, pois jogará em casa e diante de seus fanáticos torcedores, aqueles mesmos que costumam chacoalhar ônibus adversários quando a delegação adversária está chegando e partindo do local da partida – e a NBA nada faz para punir a franquia, dando as costas para esses atos de vandalismo.
Como disse acima, o Chicago é um time jovem. Penso que esta juventude poderá pesar demais nesta hora crucial.
Sem contar que o trio de árbitros vai assoprar o apito mais favoravelmente ao time da casa – o que é normal em todo o planeta, pois seres humanos são suscetíveis a pressão.
CAFAJESTE?
Puxa vida, a gente tem admirado demais o trabalho de Rajon Rondo. Tem exaltado seus feitos, ressaltado sua evolução, enfim, dando voz a um jogador que, a meu ver, é subestimado pela imprensa norte-americana.
Mas, para minha surpresa, por detrás daquela carinha de anjo parece esconder-se um cafajeste.
O soco que ele acertou em Brad Miller nos segundos finais da partida de Boston, deixou-me em dúvida se foi intencional ou não. A NBA entendeu que não e por isso evitou a punição.
Sem histórico algum de confusão – pelo menos que eu me lembre –, Rajon foi beneficiado exatamente por isso quando foi julgado pela liga.
Ontem, no entanto, no final do primeiro quarto, enroscou-se com Kirk Hinrich e lançou o jogador como se estivesse se livrando de algo contagioso que enroscava-se em seu corpo.
Hinrich partiu para cima de Rajon e, não fosse a presença de um árbitro, os dois teriam proporcionado uma cena comum nos jogos de hóquei: troca de socos.
Por que Rajon comportou-se daquela maneira com Hinrich, um jogador limpo? O que acontece com o armador do Boston?
Vamos esperar para concluirmos se tudo não passa de tensão pela frustração diante de uma série que era dada como barbada e que se avolumou além da conta ou se realmente por detrás daquela carinha de anjo esconde-se um cafajeste.
FIM
Houston e Orlando classificaram-se ontem para as semifinais da NBA em suas respectivas conferências (à esquerda, Rashard Lewis e Stan Van Gundy, do Magic, em foto AP).
O time texano ao bater o Portland dentro de seu Toyota Center por 92-76; a equipe da Flórida ao ganhar do Sixers, na Filadélfia, por 114-89.
A vitória do Rockets obtida no Oregon, no primeiro jogo da série, por 108-81, foi determinante para este resultado final. O Blazers, outro time jovem nesta fase, não teve estofo para recuperar a vantagem de quadra.
Ontem, sucumbiu pela terceira vez na casa inimiga. Desta vez, vítima de sua pobreza ofensiva: apenas LaMarcus Aldridge (26) e Brandon Roy (22) tiveram duplo dígito na pontuação.
Do lado do Houston, Ron Artest liderou o time em quadra com 27 pontos. Yao Ming, que quebrou o pé na temporada passada e não participou dos playoffs, fez um jogo sólido também: 17 pontos e dez rebotes.
A vitória na série foi a primeira desde 1997. Traduzindo, havia sete playoffs que o time era barrado na primeira rodada.
Terá pela frente o Lakers nas semifinais. Os números do confronto neste campeonato são desanimadores: em quatro jogos, quatro derrotas.
O Lakers fez uma média de 102.8 pontos por partida, enquanto que o Rockets ficou na casa dos 89.8. Preocupante para os vermelhinhos, animador para os amarelinhos.
E emblemático porque o Houston tem em sua defesa (especialmente em Artest e Shane Battier, os dois marcadores de Kobe Bryant) o ponto alto de seu time. Será que o Lakers conhece o caminho das pedras diante deste inimigo?
Vamos esperar pelo começo deste confronto, que promete ser um dos mais disputados, a meu ver, apesar da ampla vantagem do Lakers na fase de classificação.
Quanto ao Orlando, mesmo sem Dwight Howard, suspenso pela NBA pela cotovelada desferida em Sam Dalembert, o time venceu fora de casa e fechou o confronto em 4-2.
Se lembramos que o Sixers fez 2-1 na série com uma vitória em casa no terceiro confronto, a gente constata que o Magic fez uma corrida de partidas de 3-0.
Ou seja: ganhou os três últimos prélios, classificando-se para as semifinais.
A vitória de ontem foi incontestável: 25 pontos de diferença. Foi, também, a pior derrota do Philadelphia desde os playoffs de 1970, quando perdeu para o Milwaukee por 156-120.
Qual foi o segredo do Orlando no jogo de ontem, sem poder contar com seu Super-Homem?
Rashard Lewis e Rafer Alston.
Lewis marcou 29 pontos, enquanto Alston cravou 21 tentos e dez assistências.
Mas não dá para escantear J. J. Redick, que anotou 15 pontos (seu recorde em playoffs), tendo encestado cinco bolas de três.
Ah, ia me esquecendo: o pivô polonês Marcin Gotart marcou 11 pontos, pegou 15 rebotes e fez quatro desarmes.
Enfim, como se vê, o Orlando foi um time equilibrado.
Aguarda pelo desfecho da série entre Boston e Chicago. Terá dois dias a mais para descansar – e isso é muito bom.
NOITADA
Hoje à noite, apenas uma partida: Miami x Atlanta. O jogo será na Florida e começa às 21h de Brasília.
O Hawks lidera a série por 3-2. Uma vitória do time da Geórgia e ele estará apto para enfrentar o Cleveland, que descansa merecidamente por tudo o que tem feito até agora neste campeonato.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Blazer, Boston, Bulls, Celtics, Chicago, Dwight Howard, Houston, Joakim Noah, kevin garnett, Magic, Orlando, Paul Pierce, Portland, Ray Allen, Rockets, Ron Artest, Yao Ming
29/04/2009 - 11:29

Eu já disse aqui neste botequim: não fosse a contusão de Josh Howard, que perdeu 30 partidas da fase de classificação, e o Dallas teria feito uma campanha muito melhor do que seu sexto lugar.
O time é muito melhor do que a posição sugere.
Ganhou em qualidade com a contratação do técnico Rick Carlisle. Inegavelmente superior a Avery Johnson, o treinador de campanhas passadas.
Com Carlisle à frente do time, o Dallas deixou de ser uma equipe dependente de apenas um jogador para se transformar em um time coeso, solidário. Foi assim que o Mavericks eliminou o San Antonio neste confronto texano.
Os 106-93 de ontem na cidade do Álamo foram incontestáveis.
O temor em San Antonio é que a eliminação, dentro do AT&T Center, não se torne fato corriqueiro. Ou vocês se esqueceram que foi também no ginásio do Spurs que o Dallas eliminou seu rival regional nas semifinais do Oeste nos playoffs de 2006?
“Eles tiveram mais poder de fogo do que nós”, admitiu Tim Duncan, depois da partida. “Eles jogaram mais do que a gente”.
Declaração equilibrada e cavalheira de um jogador equilibrado e cavalheiro.
Foi exatamente isso o que aconteceu: o Dallas sempre foi superior ao San Antonio neste confronto.
E mostrou-se, como disse na abertura do nosso bate papo, um time equilibrado. Vejam o que disse o técnico Carslile: “Penso que Howard foi provavelmente nosso MVP nesta série. Ele jogou muito”.
Apesar do equilíbrio, há sempre alguém a se destacar, isso é normal. Mas, pergunto: seria possível imaginar um cenário desses em temporadas passadas?
Penso que não, pois Dirk Nowitzki sempre foi o centro das atenções do Dallas.
Ontem, o alemão jogou muito, é verdade. Deixou a quadra com 31 pontos e foi o cestinha não só do time, mas da partida também.
Howard fez 17 pontos, mas apanhou oito rebotes e fez três desarmes. Erick Dampier – chamado jocosamente de “Ericka” por Shaquille O´Neal – foi o único atleta em quadra a fazer um “double-double”: 11 pontos e 12 rebotes. Jason Kidd anotou 12 pontos, J. J. Barea fez 10 e Jason Terry, o melhor reserva desta temporada, veio do banco e adicionou mais 19 pontos.
Como se vê, nada menos do que seis jogadores com um duplo dígito na pontuação.
Equilíbrio; este foi o segredo do Dallas nesta série, repito. Se continuar assim, dará muito trabalho ao Denver, que esta noite deverá eliminar o New Orleans (23h30 de Brasília).
LÓGICA
A eliminação do San Antonio seguiu a lógica. O alvinegro, sem Manu Ginobili, contundido no tornozelo, não era mesmo páreo para uma equipe em franca evolução como o Dallas.
Ontem, o time sofreu uma vez mais da inanição ofensiva de seus atores secundários. Enquanto Tim Duncan (30) e Tony Parker (26) anotaram juntos 56 pontos, os demais jogadores fizeram, somados, 37 tentos.
Dá para ganhar assim? Claro que não.
Roger Mason Jr., por exemplo, foi um jogador na fase de classificação; outro nos playoffs. Não conseguiu ser o “key factor” de momentos decisivos, como aconteceu contra o Phoenix, no dia de Natal, lembram-se?
Gregg Popovich vai ter trabalho nesta “off-season”. Precisa ver se Manu consegue recuperar a saúde e procurar jogadores para dar o suporte necessário para Timmy e Paker.
Caso contrário, pensar em títulos não passará de um sonho distante.
PROBLEMA
Depois de ter recuperado a vantagem de quadra ao bater o Philadelphia fora de casa, o Orlando voltou empavonada para a Flórida e venceu o Sixers com facilidade: 91-78.
Dwight Howard foi o nome do jogo. E por dois motivos: 1) Terminou a partida com 24 pontos e incríveis 24 rebotes (dez de ataque); 2) Deu uma cotovelada em Sam Dalembert no segundo quarto que pode custar-lhe uma suspensão de uma partida.
Esta foi a terceira vez que eu presenciei Howard tendo problemas com seus marcadores. A primeira foi diante de Pau Gasol, em Los Angeles, a segunda contra o nosso Nenê, em Denver; e agora a de ontem.
O que existe em comum entre Gasol, Nenê e Dalembert? Os três são estrangeiros.
Seria xenofobia de Howard ou apenas coincidência?
Espero que a alternativa “b” seja a correta, pois discriminação é algo repugnável, repulsivo, condenável, nojento, enfim, tudo o que de ruim passar pela sua cabeça.
RODADA
O Portland continua vivo na série diante do Houston. Venceu por 88-77 e diminuiu a diferença dos texanos, agora em 3-2. Os dois times voltam a se enfrentar amanhã no Toyota Center, lar do Rockets.
Se os anfitriões confirmarem o favoritismo, avançam para as semifinais do Oeste e serão adversários do Lakers, que sovou o Utah. Alcançará a classificação mesmo sem poder contar com seu principal jogador: Tracy McGrady.
Ou será que vai se qualificar exatamente porque T-Mac está de fora? Como se sabe, o jogador jamais conseguiu passar da primeira rodada dos playoffs.
Os supersticiosos de plantão rezam para que McGrady não consiga uma recuperação milagrosa.
É a vida.
Enquanto isso, novamente o Chicago deixou escapar em Boston mais uma vitória. Se tivesse obtido-a, teria pulado ele, e não o Celtics, na frente em 3-2 nesta que é a série mais emocionante até o momento nestes playoffs.
Nada menos do que três dos cinco jogos precisaram de prorrogações. Ontem foi mais um deles.
Como disse, o Bulls deixou a vitória escorregar por entre os dedos. Além de Kevin Garnett, ausente por contusão, Ray Allen foi eliminado do jogo com seis faltas a 5:26 minutos do final.
Naquele momento o Chicago estava na frente em 83-80. Chegou a vencer por 89-84, mas não sustentou a vantagem e bater um advesário debilitado.
Na prorrogação, uma bola dupla de Paul Pierce a dois segundos do fim do jogo colocou o Celtics na frente em 106-104 e o Bulls não conseguiu provocar a segunda prorrogação.
Time jovem, com potencial, mas inexperiente e com treinador jovem, inexperiente e sem potencial.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Blazers, Boston, Bulls, Celtics, Chicago, Dallas, Dirk Nowitzki, Dwight Howard, Houston, Josh Howar, Magic, Manu Ginóbili, Mavericks, Orlando, Paul Pierce, Philadelphia, Portland, Rockets, San Antonio, Spurs, Tim Duncan, Tony Parker, Tracy McGrady
Voltar ao topo