Como é bom ver Leandrinho sendo Leandrinho. Nem é preciso explicar o que digo; todos os freqüentadores deste botequim sabem muito bem.
O paulistano fez 28 pontos. Foi o cestinha do jogo em que o Phoenix venceu o Memphis, em plena terra de Elvis Presley, por 101-89.
Seu aproveitamento foi muito bom: 10-18 nos arremessos, 55.5%. Confiante, acertou quatro das seis pelotas de três que mandou contra o aro inimigo: 66.7%. Nos lances livres, quatro em cinco tentados: 80.0%.
Apanhou ainda seis rebotes defensivos. Deu apenas uma assistência e não roubou nenhuma bola, é bem verdade, mas aí já é querer demais.
Leandrinho (foto Reuters) voltou a ser o velho Leandrinho.
Goleador.
Este é o seu cartão de visita.
TURRÃO
A gente só espera que o técnico Terry Porter reconheça a qualidade de Leandrinho e dê a ele mais minutos em quadra. Ontem ele jogou exatos 33.
Teve mais tempo porque Steve Nash, com uma contusão lombar, ficou ausente da partida. Foi corretamente preservado.
Leandrinho bem que poderia ter ficado mais no jogo. Mas está bom; aos poucos ele recupera um espaço que conquistou dentro do time, mas que com a saída de Mike D’Antoni foi para o espaço.
DIVISÃO
Steve Nash não é nenhuma criança. Vai fazer 35 anos no dia 7 de fevereiro próximo.
Digo isso porque Terry Porter poderia muito bem dar um descanso para o canadense, preservando-o, inclusive, para os playoffs, quando o pau come.
Sem contar o jogo contra o Oklahoma City, quando ele ficou em quadra apenas nove minutos e saiu por causa da contusão, Nash tem uma média de 36:27 minutos de permanência em uma partida.
Exagero de Porter; não há necessidade alguma de expor tanto o jogador. Até porque ele tem Leandrinho para ajudar a descansar o canadense.
O treinador bem que poderia fazer o que Phil Jackson faz no Lakers: divide os minutos. Isso descansa e envolve o pessoal do banco, que atua mais e sempre está preparado para entrar, não tendo a inatividade como um adversário a ser batido também.
RECORDE
Shaquille O’Neal (foto AP) é agora o oitavo maior cestinha de toda a história da NBA. Com os 24 pontos marcados ontem, ele suplantou o incomparável Oscar Robertson.
Shaq tem agora 26.711 pontos, um a mais do que Big O, agora o nono colocado.
É sempre bom lembrar: a NBA computa, nessa estatística, apenas os pontos da fase de classificação. Os números dos playoffs não contam.
Isso porque a liga entende que não seria justo, pois 16 dos 30 times se classificam para a fase decisiva, impossibilitando que todos os jogadores tenham a oportunidade de jogar o mesmo número de partidas.
TRIPLE-DOUBLE
Você sabia que Oscar Robertson é o único jogador em toda a história da NBA a ter um “triple-double” de média em uma temporada?
No campeonato de 1961-62, Big O marcou 30.8 pontos, 12.5 rebotes e 11.4 assistências.
Inacreditável.
Na temporada 1970-71, foi campeão ao lado de Lew Alcindor, que mais tarde mudou o nome para Kareem Abdul-Jabbar. Robertson ganhou a medalha de ouro com os EUA nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, quando ainda não tinha entrado na NBA.
Aquela seleção, além dele, contava também com Jerry West, Walter Bellamy, Jerry Lucas e Adrian Smith.
Para muitos, o melhor time americano depois do Dream Team de Barcelona-92.
INFANTILIDADE
Você viram a expulsão de Amaré Stoudemire? O árbitro marcou uma falta dele em Hakim Warrick. Amaré não gostou e protestou.
Deve ter falado alguma abobrinha para o árbitro. Tomou uma técnica. Continuou falando bobagens: veio a segunda e a conseqüente exclusão.
O jogo estava no segundo quarto! Faltavam 3:51 minutos para o final do primeiro tempo e o Memphis vencia por apenas dois pontinhos: 45-43.
Por que essa perda de controle?
Aonde ele pretende chegar com esse comportamento?
A lugar nenhum.
Amaré é excelente jogador e também experiente. Mas o Phoenix quer contar com ele em quadra, e não fora dela.
Aí não interessa.
DEU WADE
No duelo entre Dwyane Wade e LeBron James (foto AP), companheiros de seleção nos Jogos de Pequim, deu o armador do Miami. O Heat bateu o Cleveland, na Flórida, por 104-95.
D Wade só não fez chover. Marcou 21 pontos, deu 12 assistências, pegou cinco rebotes, tomou três bolas do adversário e mesmo com apenas 1m93 de altura, conseguiu dar um toco.
LBJ também fez um grande jogo. Marcou 38 pontos e distribuiu sete assistências.
Mas defendeu pouco – bem como todo o time do Cleveland. Resultado: o Cavs perdeu uma invencibilidade de seis jogos.
Aliás, tem sido quase sempre assim quando os dois times se enfrentam em Miami. O Heat venceu os últimos dez dos 11 enfrentamentos.
VAREJÃO
O capixaba teve um jogo a la Dennis Rodman. Acrescentou rebotes ao time, mas nos pontos ficou não deu as caras.
Anderson Varejão pegou dez rebotes (três no ataque) e marcou apenas dois miseráveis pontinhos.
Pontuou pouco porque não olhou para a cesta o jogo inteiro. Fez apenas um arremesso – certo – e errou os dois lances livres que cobrou.
Ficou em quadra 24:02 minutos. Não é muito, é verdade, mas o suficiente para fazer mais do que um par de pontos.
COMEMORAÇÃO
LeBron James fez 24 anos ontem. A comemoração foi um dia antes.
Ele e Dwyane Wade, junto com amigos em comum, festejaram na segunda-feira à noite, em Miami mesmo, um dia antes do jogo.
Concentração do tipo creche, como existe no futebol brasileiro, é algo impensável na NBA. Os jogadores sabem muito bem até onde eles podem ir.
Limite é uma palavra mais do que clara para eles.
SURPRESA
Alguém podia imaginar que o Milwaukee pudesse vencer o San Antonio, em pleno Texas?
Eu não – nem os fanáticos torcedores do Spurs que freqüentam este botequim.
Mas foi o que aconteceu.
Com uma atuação de gala do ala/armador Michael Redd, bem coadjuvado pelo amador Luke Ridnour, o Bucks deu mole, é verdade, mas venceu.
Quando digo que o time de Wisconsin deu mole refiro-me ao final da partida. Roger Mason enfiou uma bola de três na cesta do Milwaukee e baixou a vantagem dos visitantes para apenas dois pontos: 100-98.
Nove segundos para o final; fundo bola para o Bucks. Bola nas mãos do experiente Richard Jefferson. Ele se atrapalhou e estourou o tempo de reposição.
O fundo bola, então, passou para o San Antonio. Tim Duncan, no entanto, errou uma das bandejas mais fáceis desde que entrou na NBA.
Mas ele tem poupança. Nenhum torcedor reclamou.
Só lamentou o resultado: 100-98 para o Bucks e o fim de uma invencibilidade de sete jogos no AT&T Center.
NÚMEROS
Como disse acima, Michael Redd teve uma atuação de gala. Marcou 28 pontos, apanhou dez rebotes, deu quatro assistências e fez um desarme.
Luke Ridnour contribuiu com 21 pontos, cinco rebotes e seis assistências.
Richard Jefferson, no entanto, ficou devendo. Marcou apenas oito pontos, se bem que pegou nove rebotes.
E no final quase entregou o jogo para o San Antonio.