O HOMEM QUE CALOU O PEPSI CENTER
O Pepsi Center Center explodiu em euforia a 37.3 segundos do final da partida quando Nenê pegou um rebote de um lance livre perdido por Carmelo Anthony, fez um passe a la globetrotter para o mesmo Carmelo, que enterrou e deixou o placar igual em 98 pontos.
Os 15.563 torcedores faziam um barulho quase que ensurdecer, pedindo especialmente defesa, mas os ouvidos de James Posey (foto AP no momento do arremesso) pareciam transformar tudo aquilo em som de pássaros ao longe ou mesmo em ondas do mar batendo mansamente no rochedo.
Dezesseis segundos depois da enterrada de Carmelo, ou seja, a 19 segundos do final, Posey fez um arremesso triplo e a bola entrou: 101-98. Ali acabou o jogo.
Posey foi contratado exatamente para isso.
CONFIANÇA
O ex-ala campeão com o Boston ficou meia hora em quadra. Sua atuação era apagada para não dizer desastrosa. O lance livre perdido por Melo, relatado acima, foi o terceiro de uma falta estúpida que Posey fez no ala do Nuggets e que quase levou o New Orleans à derrota.
Mas não levou.
Não levou porque o técnico Byron Scott é um iceberg do lado de fora da quadra, não se irritou com a bobagem feita pelo seu fuzileiro e apostou nele para o momento decisivo.
Deu certo.
“Eu tenho confiança para fazer esses arremessos”, garantiu Posey depois da partida. “Já estive nesta mesma situação várias vezes”.
New Orleans 105-101 Denver.
CRESCIMENTO
Com a vitória, a quarta consecutiva, o Hornets começa a reencontrar o mesmo basquete que o levou às semifinais da Conferência Oeste na temporada passada. Antes desta quadra de triunfos, a franquia vinha de três derrotas em quatro jogos.
A campanha vitoriosa carregou o time à terceira posição no Oeste. Seu recorde é 9-5 (64.3%).
É bom que se diga, o New Orleans não pôde contar com dois importantes jogadores diante do Denver: Mo Peterson ainda briga com seu joelho direito torcido e Tyson Chandler foi a Los Angeles acompanhar o nascimento do filho, de igual nome. Mesmo assim, a equipe mostrou no Colorado a mesma intensidade de jogo exibida, como já disse, na temporada passada.
“Esta foi uma das maiores vitórias que conquistamos nesta temporada”, afirmou um eufórico Byron Scott depois da partida. “Eu senti desde o início que estávamos jogando como um time esta noite”.
Hoje o New Orleans faz seu terceiro jogo fora de casa. Pega o Portland, no Oregon, a partir da 1h da manhã. Blazers que ocupa a quinta colocação no Oeste, que tem um recorde de 10-6 (62.5%) e que com uma vitória sobe na tabela de classificação e faz o oponente ir para baixo.
Portland que para muitos pode ser o New Orleans da temporada passada neste campeonato.
Um jogo e tanto; diria que imperdível.
CP3
Se James Posey foi o “clutch player”, Chris Paul foi o nome do jogo mais uma vez. Produto da universidade de Wake Forest – a mesma de Tim Duncan – CP3 fez 22 pontos, deu dez assistências, pegou quatro rebotes e roubou três bolas.
Viu ser quebrada, no entanto, uma seqüência de dois jogos onde fez “triple-double”. O primeiro contra o Oklahoma City, em casa (29 pontos, 16 assistências e dez rebotes), o seguinte diante do Clippers, em Los Angeles (14 pontos, 17 assistências e dez rebotes).
Em apenas dois dos 14 embates desta temporada Paul não deixou a quadra com um “double-double”. Muita coisa para quem tem apenas 1m83 de altura.
DEFESA FRACA
J.R. Smith não fez faculdade. Deixou o St. Benedict’s Prep High School em Nova Jersey e aventurou-se no NBA Draft de 2004. Acabou recrutado pelo New Orleans na 18ª. posição.
Após duas temporadas com a camisa 23 do Hornets, não conseguiu convencer Byron Scott de que poderia ficar na franquia. Foi incluído numa negociação que acabou levando Tyson Chandler para New Orleans.
Dispensado foi por causa de sua fragilidade defensiva. Que permanece até hoje. Tanto que sempre vem do banco para a quadra; e não o contrário. No Denver, perde posição para o fraco Dahntay Jones, que compensa sua fraqueza ofensiva com muita disposição defensiva.
ATAQUE MÉDIO
J.R. Smith tenta manter-se ativo pontuando. Mas nem sempre obtém sucesso. Ontem foi uma das poucas noites em que ele brilhou.
Deixou a quadra do Pepsi Center sem falar com os jornalistas, irritado com a derrota, mas satisfeito com seus 32 pontos, sua maior façanha nesta temporada. Sua média, no entanto, é baixa: 11.5 pontos por jogo.
DELETE
A partida de ontem tem que ser deletada do arquivo de Nenê. O brazuca teve seu pior desempenho nesta temporada. Nove pontos e apenas dois rebotes.
A jogada a 37 segundos do final, relatada na abertura da nossa conversa, poderia ter apagado tudo o que de errado ele fez.
Mas James Posey não deixou.
PEDRA NO SAPATO
Se o Denver não consegue vencer o Lakers há seis partidas consecutivas, contando os embates dos playoffs da temporada passada, quando o oponente é o New Orleans a situação não é também das melhores.
Dos últimos quatro confrontos contra o Hornets, o Nuggets perdeu três. Quer dizer: se a franquia colorada quiser alguma coisa nesta temporada, muitos ajustes terão que ser feitos.
QUIETINHO, QUIETINHO
Enquanto os holofotes voltam-se para Lakers, Boston e Cleveland, o Orlando vence sem fazer estardalhaços. Você atentou para o fato de que o time da Flórida venceu oito de seus últimos nove jogos? Pois é, só foi dobrado uma vez neste período.
Melhor ainda: ao contrário do Lakers, que só joga em casa, desses nove enfrentamentos, seis foram em quadra estrangeira. Ou seja: venceu meia dúzia de confrontos seguidos longe de seus torcedores.
Com a vitória de ontem diante do Washington, na capital federal (o quinto jogo em sete noites), por 105-90, o Magic manteve-se na terceira colocação na Conferência Leste com um recorde de 12-4 (75.0%).
Dwight Howard (foto AP) foi novamente o melhor em quadra. Ganhou, obviamente, o moto-rádio por seus 26 pontos, 14 rebotes e três tocos.
O interessante é que Howard já tinha 17 pontos e 13 rebotes só no primeiro tempo. Ou seja: pegou apenas mais um no segundo tempo inteiro.
Domingos Maracanã, da geração de prata do vôlei brasileiro, disse-me, certa vez, que o difícil quando você enfrenta times fracos é manter a concentração. Isso deve ter acontecido com Dwight no segundo tempo.
RODADA
Nada menos do que 11 partidas foram agendadas para a noite desta sexta-feira, um dia depois de os norte-americanos terem se esbaldado com o peru.
Às 22h de Brasília, apenas um embate: Toronto x Atlanta.
Meia hora depois, Boston x Philadelphia e Cleveland x Golden State.
Quatro confrontos começam às 23h: Detroit x Milwaukee, Indiana x Charlotte, Oklahoma City x Minnesota (quem assistir a este jogo é um herói) e a partida que a ESPN mostra ao vivo para o Brasil entre Phoenix e Miami – chance de ver Leandrinho em ação.
Às 23h30, San Antonio x Memphis; meia-noite: Utah x Sacramento.
Uma da matina, Portland x New Orleans – o melhor jogo da noite – e meia hora mais tarde o caseiro Lakers recebe o Dallas.
COMOVENTE
Na home da NBA tem um vídeo comovente contando a história de Wayman Tisdale. Se você pega este bonde em movimento, conto-lhe que Tisdale foi medalha de ouro com os EUA nos Jogos de Los Angeles em 1984, ao lado de Michael Jordan e Patrick Ewing. Jogou no Sacramento e no Phoenix.
Encerrou a carreira e dedicou-se completamente à sua grande paixão: a música; ou melhor, o jazz.
Há três meses, teve de amputar a parte debaixo da perna direita por causa de um câncer ósseo. Venceu a batalha, mas não foi fácil.
Assistam o vídeo.
TORCIDA
Novos votos chegaram. Atingimos a marca de 77 internautas que votaram aqui neste blog para demonstrar sua preferência na NBA. E o Lakers continua na ponta.
O novo quadro é este:
1) Lakers – 27.2%
2) Chicago – 16.8%
3) Phoenix – 9.1%
4) Boston – 7.8%
5) Detroit – 6.5%
6) San Antonio – 6.5%
7) Cleveland – 5.2%
8) Denver – 2.6%
9) Houston – 2.6%
10) Miami – 2.6%
11) New York – 2.6%
12) Toronto – 2.6%
13) Dallas – 1.3%
14) Indiana – 1.3%
15) Minnesota – 1.3%
16) New Jersey – 1.3%
17) Philadelphia – 1.3%
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Chris Paul, Denver, Dwight Howard, Hornets, James Posey, Magic, NBA, Nenê, New Orleans, Nuggets, Orlando, Tim Duncan, Wayman Tisdale













