A BOLA DO JOGO
Courtney Lee teve a bola do jogo nas mãos (acima, à direita, em imagem AP). Talvez a bola do campeonato.
Faltava 0.6 segundo para o final do tempo normal e o placar do telão central do Staples Center luzia um empate em 88 pontos. Kobe Bryant, momentos antes, acabara de levar um toco humilhante de Hedo Turkoglu (acima, à esquerda, em imagem AP), que pegou a bola e imediatamente pediu tempo.
O tempo era escasso para qualquer coisa. Menos para fazer uma cesta – o basquete é assim, nenhum outro esporte é como ele.
Dizia eu que faltava 0.6 segundo para o final do tempo normal e o placar do telão central do Staples Center luzia um empate em 88 pontos.
O passe lateral, feito por Turkoglu, foi perfeito. Lee correu pelas costas de Kobe, que o perdeu de vista de maneira comprometedora. A sorte do Lakers foi que o armador do Orlando deixou de fazer uma das cestas mais possíveis de serem feitas; seu erro impediu o Magic de conquistar sua primeira vitória em um jogo decisivo da NBA.
Sim, pois no tempo extra – que não foi evitado com o desperdício de Lee – o Lakers fez 13-8 no Orlando e venceu a contenda por 101-96. Agora o time da Flórida computa seis derrotas em seis jogos decisivos.
E o Lakers abriu 2-0 na série final. Coloca a mão na taça.
JUSTIÇA
Os torcedores do Lakers viram a viola em cacos. A sorte deles foi o azar de Courtney Lee – ou incompetência, como queiram.
A bem da verdade, o mais justo seria a vitória do Orlando. O time jogou muito bem, sem mexer na sua estrutura, atuando com um pivô e quatro abertos, como fez durante toda a competição.
Marcou com intensidade, especialmente Hedo Turkoglu a Kobe Bryant, fez seu jogo interior e exterior funcionarem e encarou de igual para igual os anfitriões, pouco se importando com a pressão que vinha do lado de fora, especialmente de Jack Nicholson, que tentou “apitar” a partida de sua privilegiada cadeira de pista.
Foi mesmo o Orlando que a gente viu na decisão do Leste diante do Cleveland.
Mas perdeu uma chance e tanto. Talvez não haja outra oportunidade como essa.
O Lakers abriu as portas ao Orlando; Kobe, esqueça os números, jogou mal.
Forçou demais o jogo em muitos momentos e por conta disso não envolveu seus companheiros como deveria.
A sorte dele foi que Lamar Odom e Pau Gasol seguraram a onda.
Lamar fez 19 pontos. No último quarto do tempo normal foi o suporte que Kobe precisava. Gasol cravou um “double-double” ao anotar 24 pontos e apanhar dez rebotes.
O espanhol foi de uma regularidade impressionante.
Como disse, os dois jogaram muito bem. Foram o desafogo do time em muitos momentos, especialmente aqueles em que Kobe esteve confuso.
BRILHO
Como disse acima, foi o Orlando que a gente viu diante do Cleveland.
Rashard Lewis desencantou: anotou 34 pontos e jogou como gente grande. Acertou 50% de seus arremessos de três (6-12) e ajudou na melhora do desempenho da equipe nesses tiros longos, não no percentual, mas no volume: o Orlando arremessou nada menos do que 30 bolas triplas e acertou dez.
Rashard apanhou ainda 11 rebotes e deu sete assistências; quase um “triple-double”. Foi o melhor jogador em quadra.
Hedo Turkoglu marcou 22 pontos, seis rebotes e quatro assistências. Mas o mais importante foi o trabalho defensivo em cima de Kobe Bryant.
Foi quem melhor marcou o armador do Lakers neste campeonato. Stan Van Gundy, com certeza, vai repetir este duelo amanhã à noite na Flórida, no primeiro de três jogos na quadra do Orlando.
Dwight Howard também fez um “upgrade” em seu desempenho. Acertou 50% de seus arremessos (5-10), errou apenas dois lances livres (7-9), totalizando 17 pontos. Confiscou 16 dos 44 rebotes que o Magic pegou na partida e foi decisivo para o time bater o Lakers neste fundamento em 44-35.
Teve dificuldades para marcar Pau Gasol, mas, como sabemos, ele joga praticamente sozinho dentro do garrafão. Não é fácil marcar todos os grandalhões adversários.
NÚMEROS
Em toda a história da NBA, sempre que um time da casa fez 2-0 ele acabou vencedor da série em 94.2% desses confrontos. Apenas três times conseguiram reverter esta situação, o último deles foi o Miami, em 2006, diante do Dallas.
Enquanto há vida, há esperança.
De fato, o Orlando tem mesmo que se apegar em frases feitas para não esmorecer neste instante. A situação ficou complicadíssima.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Courtney Lee, Dwight Howard, Hedo Turkoglu, Kobe Bryant, Lakers, Lamar Odom, Magic, NBA, Orlando, Pau Gasol, Rashard Lewis, Stan Van Gundy











