Nate Archibald | Fábio Sormani

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terça-feira, 24 de abril de 2012 NBA, outras | 20:49

NEW JERSEY NETS, UMA HISTÓRIA DE 35 ANOS QUE CHEGA AO FIM

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Mal acabou o jogo de ontem entre New Jersey e Philadelphia e o Nets tornou-se Brooklyn. A franquia ainda tem uma partida a realizar como New Jersey (nesta quinta, em Toronto), mas no site oficial, assim que você o acessa, se depara com a seguinte frase: “Hello Brooklyn”. E apenas o contorno do logo, que deverá ser modificado (foto reprodução).

Depois de 35 anos como New Jersey Nets, a franquia agora será Brooklyn Nets. É oficial.

Assim que você entra no site, bem ao lado direito há um cronômetro em contagem regressiva dizendo que faltam seis dias e algumas horas, minutos e segundos para que o torcedor compre tíquetes para a próxima temporada. Entre os assuntos em destaque, um aviso: no próximo dia 2 de junho a franquia fará testes para escolher suas novas “cheerleaders”. Local: Long Island University Brooklyn Campus.

É possível ver também a quantas anda a construção da nova arena, o Barclays Center (foto reprodução). E como vocês bem sabem, a arena será de multiuso. Por isso, a abertura do ginásio vai ser com um show do rapper Jay-Z, um dos donos da franquia, no dia 28 de setembro próximo. No dia 2 de outubro haverá uma partida de hóquei entre o New Jersey Devils e o New York Islanders. E dá pra saber também que Andrea Bocelli fará um show no dia 5 de dezembro e que os ingressos já estão à disposição, que de 14 a 17 de março acontecerá o Tournament da Atlantic 10 Conference; e por aí vai.

Depois de 35 anos como New Jersey Nets, a franquia agora será Brooklyn Nets.

É uma história que se acaba; como acontece, já aconteceu e acontecerá com outras franquias norte-americanas, não importa a modalidade. É claro que há franquias que têm um grande comprometimento com a cidade, como Lakers, Knicks, Celtics e Bulls, por exemplo. Mas há muitas que não estão nem aí para a comunidade local e se mandam rapidinho se o lucro desaparece e surge no lugar dele o prejuízo; ou então, se dá pra ganhar mais dinheiro lá do que cá, vamos embora! O dinheiro fala mais alto, ainda mais no berço do capitalismo.

O Nets muda de endereço, mas isso também aconteceu com o Jazz, que deixou Nova Orleans e foi para Salt Lake City e transformou-se em Utah. Foi assim também com o Hornets, que deu adeus a Charlotte e foi para Nova Orleans e com o Seattle SuperSonics, que não apenas mudou de cidade, mas também de nome, transformando-se no Oklahoma City Thunder. Ah, sim, estava me esquecendo do Vancouver Grizzlies, que agora é o Memphis Grizzlies. Hoje é o Nets que muda de endereço e amanhã poderá ser o Kings, que pode deixar Sacramento e ir para Anaheim.

Voltemos ao New Jersey Nets, uma franquia que perambula não apenas de cidade, mas de liga também. Nos primórdios, ela se chamava New Jersey Americans e pertencia à ABA, American Basketball Association, que em 1976 foi encampada pela NBA e que trouxe consigo duas outras franquias: San Antonio Spurs e Indiana Pacers. Nos primórdios, eu dizia, o Americans não ficava em Newark, ficava em Teaneck, igualmente subúrbio de Nova York. Lá ficou até 1968, quando se transferiu para Long Island (norte de Nova York) e mudou seu nome para New York Nets. Foi então que em 1977 foi voltou para New Jersey, mas fixou endereço em Newark, igualmente subúrbio de Nova York, e passou a se chamar New Jersey Nets.

Agora essa história chega ao fim. Por New Jersey jogaram relíquias do basquete norte-americano, como Dr. J (foto), Nate Archibald, Rick Barry, Drazen Petrovic e Jason Kidd. E Phil Jackson, não como treinador, mas como jogador. Mas isso fica pra história, pois a mudança de endereço era questão de tempo.

Nova Jersey, infelizmente, não tem como comportar uma franquia de basquete. O Estado, aliás, é muito esquisito. A cidade mais conhecida é Atlantic City por conta de seus cassinos. A mais famosa é Hoboken, por causa de Frank Sinatra. Mas você anda por New Jersey e parece que não vê cidade alguma. O que a gente vê se parece com um bairro de Nova York. É esquisito, como disse. O aeroporto de Newark fica em Newark, mas você não vê o downtown de Newark. Eu pelo menos nunca vi.

Dizia que o fim dessa história era questão de tempo. O magnata russo Mikhail Prokhorov comprou a franquia em 2009 e por ela pagou US$ 200 milhões. Vendeu 5% de suas ações para Jay-Z. E embalado pelas ideias do rapper mudou de endereço.

Não tinha mesmo como ficar em New Jersey. Nesta temporada, por exemplo, a menor média de público entre os 30 times da liga foi exatamente do Nets: 13.961 pagantes por partida. Lembrando que o Prudential Center tem capacidade para 18.500. O novo lar, o Barclays Center, acomodará menos gente, 18.103, mas Prokhorov e Jay-Z esperam vê-lo sempre “sold out” e os ingressos sendo vendidos por um preço bem maior.

Estive no ginásio do Nets em Newark quando ele se chamava Continental Center, porque a defunta companhia aérea, comprada pela United Airlines, tinha sede em Newark. Estive no ginásio em três oportunidades: no Final Four de 1996 (o último disputado em ginásio; depois dele, o evento passou a ser jogado em domes) e em duas partidas da temporada regular do Nets contra Boston e Lakers. Não me lembro exatamente dos anos, foi no começo deste século (esquisito escrever e ler isso, não é mesmo?), mas dos jogos sim.

Lembro-me que Kentucky foi a escola campeã do Final Four batendo na final Syracuse. A universidade era dirigida por um ítalo-americano que despontava como um treinador de talento. Seu nome? Rick Pitino. Tony Delk , o armador da equipe, na época namorava a atriz Ashley Judd (foto), que tinha estudado em Kentucky e não perdia nenhum jogo do time. Delk foi eleito o MVP (no “college” é Most Outstanding Player) do torneio. Os dois perdedores do sábado foram U-Mass e Mississippi State. Em Massachusetts jogava Marcus Camby e o time era dirigido por outro ítalo-americano: John Calipari, que neste ano foi campeão com Kentucky, que naquele ano também ganhou o Final Four, como disse. Em Mississippi atuava Erick Dampier.

Lembro-me também da partida contra o Celtics. Eu estava sentado atrás do banco do Nets quando vi, numa das cadeiras de pistas do lado oposto, bem à minha frente, um cidadão de rosto bem familiar. Perguntei a um jornalista americano que estava a meu lado: quem é aquele cara? E ele respondeu: “Danny Aiello”. Se a ficha não caiu, Aiello é ator de cinema e participou de filmes como “O Poderoso Chefão 2”, “Faça a Coisa Certa”, “Era uma vez na América”, “A Era do Rádio”, “A Rosa Púrpura do Cairo” e “Feitiço da Lua”, entre outros. “Ele é um fã do Nets”, completou o jornalista.

Contra o Lakers eu já não sentei atrás do banco. Fiquei do lado, mas bem posicionado. Pela primeira vez eu vi uma partida do time angelino fora de Los Angeles e fiquei impressionado com o número de torcedores da equipe fora de casa. O ginásio estava dividido! Dirigido por Phil Jackson, que eu revia depois das finais de 1998, em Salt Lake City, o Lakers ganhou fácil a partida, comandado em quadra por Kobe Bryant e principalmente por Shaquille O’Neal, a grande estrela da companhia. Lembro-me que depois do jogo, no vestiário, esperando pela chegada dos jogadores, Shaq apareceu enrolado em uma toalha branca. Tinha um piercing em cada mamilo. Nós, jornalistas, caímos na risada ao vê-lo. Com aquele seu sorriso que ocupa metade da boca, bem tradicional, não se importou com a reação da mídia. Foi muito engraçada, a cena, e jamais vou me esquecer dela.

Também na Continental Arena eu me encontrei pela última vez com um amigo que me introduziu no mundo da NBA: Don Casey. Ele era treinador do Nets na ocasião. Casey começou trabalhando no “college”, dirigindo a Universidade de Temple de 1972 a 83. Depois foi ser assistente técnico do Chicago e Boston. Foi na época em que era auxiliar no C’s que Casey (foto) veio ao Brasil para uma clínica da NBA que aconteceu na Hebraica, em 1994. Apresentei-me a ele e entre uma conversa aqui, outra ali, ele me perguntou como é que eu me informava sobre a NBA. Eu disse que era com base nos noticiários das agências, pois trabalhava na “Folha de S.Paulo”, e também vendo o Sportscenter, da ESPN. Então ele me perguntou: “Você não conhece ninguém na NBA?”. Eu disse que não. Ele pegou meu bloco de anotações, minha caneta e escreveu um nome. Era o nome de um amigo dele que trabalhava no escritório da NBA em Nova York. Pegou sua agenda em seguida e me deu o fax do camarada, pois naquela época não tinha esse negócio de e-mail. E falou: “Mande um fax para ele e diga que a gente se conheceu no Brasil, que você é jornalista e que precisa de informações da liga. E peça pra ele te colocar no mailing da NBA”. Isso foi feito e desde então eu jamais me separei da liga. Graças a Don Casey.

Fiquei muito em Newark quando ia a Nova York querendo escapar dos preços exorbitantes dos hotéis. O hotel que eu ficava em New Jersey era perto do ginásio. Quando tinha que ir a Nova York, pegava o ônibus num ponto bem em frente ao hotel e descia na New York Port Authority, uma estação de ônibus e metrô que fica na Oitava entre a 41 e 42. Quando tinha jogos do New Jersey, eu pegava um táxi.

Isso agora é passado. Ir a Nova York de ônibus e aos jogos do New Jersey.

Notas relacionadas:

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  2. A HISTÓRIA DO DENVER E DOS GRANDES TREINADORES
  3. LOCAUTE PODE DURAR DOIS ANOS?!?!?!
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 28 de maio de 2011 NBA | 11:55

POR QUE MICHAEL JORDAN É O MAIOR DE TODOS

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Vamos seguir discutindo esta declaração polêmica de Scottie Pippen, que disse que LeBron James pode vir a ser melhor que Michael Jordan e, com isso, tornar-se o maior jogador da história do basquete.

O que eu acho é que o que torna Michael Jordan incomparável é que ele caiu em uma franquia mediana e dominou a liga e o jogo.

Magic Johnson foi extraordinário, mas caiu no Lakers de Kareem Abdul-Jabbar e depois teve craques como James Worthy, por exemplo, a seu lado. Larry Bird caiu no Boston Celtics e jogou com Kevin McHale, Robert Parish e Nate Archibald. Bill Russell era do Celtics, numa época em que não havia o “salary cap” e podia-se contratar quem quisesse — e todos queriam jogar no Boston ou no Lakers.

Aí eu fico pensando: será que Magic Johnson teria sido campeão da NBA jogando no Cleveland ao lado de Mo Williams e Anthony Parker? Será que Larry Bird teria sido o que foi jogando ao lado de Daniel Gibson e Zydrunas Ilgauskas? Será que Bill Russell teria conquistado dez títulos ao lado de Sasha Pavlovic e J.J. Hickson?

Esta é a questão.

LBJ teve que procurar um Kareem, um McHale, o que Magic e Bird não tiveram. E ambos, Magic e Bird, caíram em times grandes.

LBJ e MJ não caíram. Ambos pousaram em times médios, talvez pequenos.

MJ conseguiu ser seis vezes campeão (poderia ter sido oito, todos nós concordamos, se ele não tivesse ido brincar de jogar beisebol). Fez de Scottie Pippen um jogador fantástico, eleito que foi para o time dos “50 Maiores Jogadores da NBA”.

E não me venham dizer que Pippen era gênio, porque outro dia eu disse aqui que Pippen era melhor que LeBron (insanidade minha, admito) e todos neste botequim me chamaram de louco e disseram que Pippen só foi o que foi por causa de Michael Jordan.

LBJ, ao contrário de MJ, não conseguiu ser campeão em uma franquia pequena e nem conseguiu criar um Scottie Pippen. Teve que procurar um apoio, que Magic, Bird e Russell sempre tiveram.

Só isso basta, a meu ver, para provar que esse tipo de comparação, entre Jordan e James, é incabível.

E o mesmo vale para Kobe Bryant. Kobe foi recrutado pelo Charlotte Hornets — hoje New Orleans. Se lá ele tivesse conquistado cinco títulos como ator principal, se lá ele tivesse criado um Scottie Pippen para ajudá-lo, aí sim eu iria pensar em compará-lo a MJ.

Mas não: Kobe foi para o Lakers, um time grande, e teve em seus primeiros anos de liga Shaquille O’Neal (um dos maiores de todos os tempos) a seu lado. Depois, sem Shaq, não ganhou nada e a franquia teve que ir atrás de Pau Gasol para ele ajudar Kobe a vencer.

No Lakers, isso mesmo, no Lakers, Kobe não conseguiu criar um Scottie Pippen. A franquia, repito, teve que comprar um Pippen no supermercado ao lado para ajudar Kobe a vencer, pois, volto a repetir, Kobe não conseguiu criar um Scottie Pippen para si.

Kobe, Magic e Bird sempre jogaram em times grandes. Sempre tiveram gente grande a seu lado. Ser campeão com a camisa de um time grande é muito mais fácil; ser campeão ao lado de craques é muito mais fácil.

LeBron teve que procurar apoio, como Magic teria que procurar para aflorar o Magic Johnson e o mesmo para Larry Bird, Bill Russell e Kobe Bryant. Todos teriam que fazer isso; Michael Jordan não precisou.

Ele foi campeão em um time pequeno e criou um jogador fantástico para ajudá-lo a conquistar títulos e se transformar no maior jogador de basquete de todos os tempos. Quando alguém fizer o mesmo, volto a dizer, podemos pensar em compará-lo a MJ.

Como vimos, esse não é o caso de LeBron James.

Next question, please.

Notas relacionadas:

  1. O MAIOR DE TODOS
  2. MICHAEL JORDAN ETERNO
  3. MICHAEL JORDAN É INCOMPARÁVEL
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