É natural que se olhe pra mulher bonita. Como dizia Vinícius de Moraes, “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. É natural que a gente coloque o foco em times como San Antonio, Boston, Lakers, Chicago, Dallas e Miami. São os melhores do campeonato.
São eles que provocam suspiros no torcedor.
Abro um parêntese neste momento e deixo de olhar para as belas e olho para as nem tão feiosas assim. Por isso, hoje não vou falar das beldades deste campeonato.
Abro um parêntese para falar do Philadelphia.
Na temporada passada, já disse aqui, o Sixers fez a terceira pior campanha da Conferência Leste com um recorde de 27-55 (32,9%). Foi, no geral, o 25º colocado.
Desde Larry Brown, que comandou o time entre as temporadas 1997/2003 (“Coach of the Year em 2001 quando foi vice-campeão) que o Sixers não causava suspiros nos fãs do time e da NBA.
Uma série de técnicos medianos dirigiu o time desde então. Entre eles Randy Ayers, Chris Ford (ex-Boston, um horror de ruim), Jim O’Brien, Maurice Cheeks, Tony DiLeo e Eddie Jordan.
Sete anos de vacas magras se passaram e a franquia resolveu que era chegado o momento de dar uma sacudida. Que era chegado o momento de tentar voltar aos tempos de glórias.
Que glórias? Ora, se você não sabe, o Sixers tem dois títulos na NBA.
Em 1966/67 bateu o San Francisco Warriors (que começou na Filadélfia e que atualmente é o Golden State) por 4 a 2, capitaneado por Wilt Chamberlain, que com a camisa 13 do Sixers (Foto Divulgação) acabou a temporada com médias de 24,1 pontos e 24,2 rebotes.
Wilt “The Stilt” não levou o troféu de MVP das finais porque naquela época não havia a premiação. Mas foi o MVP da temporada regular. Seguramente teria bisado.
Em 1982/83 veio o segundo título. Um contundente 4 a 0 diante do Lakers. A equipe contava com dois jogadores extraordinários: Moses Malone e Julius Erving. Malone foi o MVP da temporada regular e das finais.
O primeiro tênis criado para jogadores de basquete foi desenhado pela Nike em 1982. Foi o “Air Force One”. E foi idealizado para que Moses Malone usasse. E a empresa, até hoje, nunca encontrou um tênis que vendesse tanto quanto o “Air Force One” de Moses Malone.
Nem mesmo os “Air Jordan”; nem mesmo os tênis desenhados posteriormente para Kobe Bryant e LeBron James.
O “Air Force One” tornou-se um fenômeno sem paralelos na história da empresa de material esportivo. É certo que o tênis é “cool”. Mas Moses Malone o fez “cool”, porque Malone era “cool” em quadra.
O Philadelphia não tem mais Moses Malone, não tem mais Julius Erving e nem Wilt Chamberlain. Allen Iverson quase fez do Philadelphia campeão em 2001. Mas Shaquille O’Neal não deixou.
De lá pra cá, de Iverson e Brown pra cá, foi uma estiagem só.
Por isso, nesta temporada, a franquia foi atrás de um treinador que pudesse fazer o grupo, que não é tão ruim assim, jogar bola. Contratou Doug Collins, o primeiro técnico de Michael Jordan no Chicago.
Collins é gênio? Não, longe disso; mas diante do que vemos atualmente, diante dos Vinnie Del Negro e Mike D’Antoni da vida, um pouco de conhecimento serve para fazer um time jogar bola.
Collins não é gênio, mas é um bom treinador. Arrumou o time. E o Sixers, em menos de uma temporada, transformou-se completamente.
De 25º colocado do campeonato passado, ocupa atualmente o sexto lugar no Leste com uma campanha de 36 vitórias e 33 derrotas. Deixou para trás o New York, que desmontou seu time para contratar os fominhas Carmelo Anthony e Chauncey Billups.
De 25º colocado na temporada passada, transformou-se numa espécie de “asa negra” do Boston, o melhor time do Leste nas últimas temporadas.
O começo do trabalho não foi nada fácil, já disse aqui no botequim. Fez 1-10 e depois 3-13.
Mas neste ano de 2011 o time tem uma campanha de 23-12, o que dá um aproveitamento de 65,7%. Isso daria ao time o quarto lugar na conferência se o desempenho fosse o mesmo desde o início.
Collins vem arrumando esse Sixers aos poucos. Ontem o time surrou o Kings em Sacramento por 102 a 80. “Ele (Collins) trouxe um novo sistema e nos fez a todos responsáveis por ele”, disse o pivô Elton Brand.
O time é interessante. Tem jogadores promissores que misturados a veteranos pode se tornar ainda mais competitivo na próxima temporada.
O armador Jrue Holiday (UCLA) tem 6,2 assistências de média na temporada e 13,7 pontos. Lou Williams (fugiu da escola) o ajuda muito bem no serviço. Evan Turner, recrutado este ano e eleito o melhor jogador universitário da temporada passada jogando por Ohio State, tem tudo para deslanchar na liga.
Os três mais Elton Brand (Duke) e Andre Iguodala (Arizona) podem, como disse, tornar o Sixers ainda mais competitivo na próxima temporada.
Dá pra voltar aos tempos de glória? Não creio — a menos que o Sixers faça uma contratação contundente e não perca ninguém. Mas dá para fazer do time um time competitivo, longe daquele que envergonhou seus fãs ao acabar na 25ª posição na temporada passada, com a terceira pior campanha do Leste.
Isso dá; ô se dá.