Grego deu adeus ao basquete brasileiro ao retirar sua furada candidatura para a reeleição à presidência da CBB. Ia perder; para evitar a humilhação das urnas, caiu fora.
Já vai tarde, pois nada fez em prol do basquete brasileiro. Sua passagem foi um desastre.
Em suas mãos o Brasil escreveu uma de suas páginas mais tétricas. Há três edições que não vai à Olimpíada no masculino e no feminino, nos Jogos de Pequim, ficou em penúltimo lugar.
Nas categorias de base, o país tornou-se freguês de caderneta da Argentina no masculino e no feminino passou a perder – o que jamais havia ocorrido.
Um desastre.
Mas falar mal da administração Gerasime Bozikis é como empurrar bêbado em ladeira. Covardia pura, pois ele só errou. Criticá-lo é fácil dada a incompetência de sua administração.
Página virada, mas que não pode ser esquecida para que não repitamos os mesmos erros. Tem que ficar bem guardadinha.
Ontem, segunda-feira, Carlos Nunes foi eleito o novo presidente. Quem é Carlos Nunes?
Eu o conheci na época em que trabalhei no SporTV como comentarista de basquete. Nosso primeiro encontro foi em São Luís (MA), onde foi realizada a eleição de 1997 que tirou Renato Brito Cunha do poder e lá introduziu Grego, a quem ele, como presidente da Federação Gaúcha, apoiou.
Falamos, depois disso, pouquíssimas vezes. Sempre mostrou-se cordial e atencioso – mas não é isso que interessa.
O que interessa é saber se ele tem condições de gerir o basquete brasileiro nos próximos anos.
Se tomarmos a Federação Gaúcha como base, o cenário é preocupante. O basquete do Rio Grande do Sul não vai muito bem das pernas; ao contrário.
O Corinthians de Santa Cruz do Sul, uma das equipes mais fortes e tradicionais do estado, eu acho que nem existe mais. As categorias de base gaúcha também vão de mal a pior.
E pesa contra ele, via internet, várias acusações sobre desmandos na federação local. Coisas como venda de bolas de basquete para clubes quando deveria dá-las graciosamente uma vez que o fornecedor nada cobra da entidade; falta de apoio para os treinamentos das categorias de base, fazendo com que os atletas e treinadores tenham que gastar do próprio bolso para trabalhar, ignorando as verbas recebidas da CBB; e também que ele vive às custas da própria federação sem ter profissão definida.
Realmente eu não sei se é verdade. O que sei é que ele era do grupo do Grego.
Mas isso também não quer dizer muita coisa, pois lembro-me muito bem da última gestão de Renato Brito Cunha: excelente. Até então, ele tinha sido um péssimo dirigente.
Foi Brito Cunha quem fechou contrato com a agência de marketing esportivo de João Henrique Areias. E foi Areias quem fechou contrato com o SporTV, com a Molten (bola dos mundiais e olimpíadas), com a Unisys, informatizando o Campeonato Brasileiro, e com a TAM – e mais alguns pequenos acordos que nem me lembro mais.
Aqueles dois últimos anos do nosso basquete nas mãos de Brito Cunha foram excelentes. Mas os presidentes de federações estavam saturados da figura arrogante e ditatorial do então presidente e mesmo com um cenário amplamente favorável, acabaram tirando-o do comando da CBB nas eleições de São Luís.
Por isso, o fato de Nunes ter apoiado Grego tem importância relativa, pois ele pode muito bem ter se tocado do momento trágico do nosso basquete. Imagina, a partir de agora, um novo ciclo dentro de sua vida esportiva tentando virar essa página cheia de erros do nosso basquete, páginas escritas, como vimos, por Grego.
Mas suas primeiras entrevistas como presidente deixaram-me preocupado.
Elas dão conta que vai tirar Paulo Bassul do comando da seleção feminina. Motivo: fazer Iziane retornar ao nosso time.
“O Brasil precisa dela”, justificou Nunes.
Não gostei, pois mais do que Iziane o Brasil precisa é de dignidade. E Iziane não mostrou ser digna de trabalhar em grupo depois do que fez no Pré-Olímpico Mundial disputado na Espanha quando recusou-se a entrar em quadra.
Claro que o tempo passa e o que disse sobre Nunes e Brito Cunha pode servir perfeitamente para Iziane. Ela pode estar terrivelmente arrependida do que fez e é claro que merece nova chance.
Mas ela tem que mostrar seu arrependimento. Do jeito que o processo está sendo conduzido, Iziane vai voltar à seleção nos braços de sua arrogância e egocentrismo, certa de que derrubou Bassul e passou por cima de conceitos imprescindíveis num trabalho de equipe como o respeito ao próximo e, no caso, à camisa da seleção brasileira.
Vai se sentir a intocável e a indispensável. Vai se achar mais do que ela é; mais do que Paula, Hortência e Janeth. Vai se sentir o próprio basquete feminino.
No entanto, para o meu conforto, leio também que nossa eterna rainha foi convidada para administrar o feminino. Se Hortência aceitar, com certeza vai enquadrar Iziane, vai colocá-la em seu devido lugar, bem lá embaixo, pois Iziane ainda nada fez de importante para o Brasil quando colocou a camisa da nossa seleção.
Sobre Moncho Monsalve, Nunes disse que ele precisa mostrar resultados. Indício claro de que torce o nariz para o espanhol, descoberta de Grego.
Se verdade, um equívoco, pois Moncho fez um excelente trabalho à frente da nossa seleção no pouco tempo que teve para trabalhar. Lembre-se: ele não pôde contar com nossos jogadores que atuam na NBA – o que não aconteceu com outros treinadores, que tiveram esse privilégio e pouco fizeram de prático para o nosso time.
Temo que, do jeito que o espanhol é sangue quente, ao tomar conhecimento dessas declarações do novo presidente, Moncho peça para sair.
Seria um retrocesso, pois, como disse, o espanhol vem trabalhando muito bem e, mais ainda, prepara José Neto, seu atual auxiliar técnico, para ser o futuro treinador da seleção brasileira.
Finalmente, leio também que o atual presidente da CBB anuncia parceria com a empresa de marketing esportivo de José Carlos Brunoro, que trabalhou com Grego quando este rompeu contrato com Areias.
Há muito que Brunoro não faz um grande trabalho na área. É do ramo, sem dúvida alguma. Conhece teoria como poucos, mas, como disse, resultados faltam-lhe nos últimos tempos em seu currículo.
Seria uma oportunidade a mais para ele e sua agência. Tomara que dê certo, pois, pessoalmente, conheço e gosto de Brunoro.
Dito tudo isso, você pergunta: vai dar certo agora com Carlos Nunes?
Prefiro a cautela neste momento: vamos dar tempo ao tempo e ver o que vai acontecer. Os primeiros meses de Nunes à frente da CBB vão nos dizer qual será o rumo que esta nova administração vai tomar.
Aguardemos, pois.