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05/11/2009 - 13:03

DECLARAÇÃO CONFUSA

Lendrinho e Thiago Splitter

Lendrinho e Thiago Splitter na seleção brasileira

Li em “O Estado de S.Paulo” desta quinta-feira entrevista com Leandrinho Barbosa. Nela, ele diz que vai fazer de tudo para que Nenê Hilário esteja no Mundial do ano que vem na Turquia.

Disse Leandrinho: “Nenê seria uma grande ajuda e ele sabe. É um dos pontos fortes do basquete brasileiro. Nós estamos tentando convencê-lo a participar do Mundial”.

Confesso que não consigo entender o que Leandrinho quis dizer. Afinal, Nenê não atendeu as duas últimas convocações do técnico Moncho Monsalve por estar doente.

Na primeira oportunidade, retirou um tumor testicular; na segunda, quebrou o braço.

Ao fazer uma afirmação dessas, Leandrinho dá a entender que Nenê não esteve na seleção porque não quis. E isso não é verdade.

Pior: deixa Nenê em uma situação difícil junto aos torcedores, pois muita gente realmente acredita que Nenê não vestiu a camisa 13 da seleção porque não quis. E isso não é verdade.

Creio que Leandrinho não quis dizer o que disse.

Seguramente, ele quis dizer algo do tipo: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente ao grupo, pois precisamos dele demais.

Sim, acho que foi isso o que Leandrinho quis dizer.

MONCHO

O presidente da CBB, Carlos Nunes, estará na Europa acompanhando o sorteio dos Mundiais masculino e feminino que ocorrerão ano que vem na Turquia e República Tcheca, respectivamente.

Aproveitará a viagem para visitar Moncho Monsalve. O espanhol passou por uma cirurgia na coluna e recupera-se bem — felizmente.

Ainda segundo “O Estado de S.Paulo”, Nunes disse que Moncho tem um “gênio impossível” e que isso pode pesar no momento da renovação do contrato do ibérico, que encerra-se no final deste mês.

O que Nunes quer dizer com isso? — pergunto novamente.

É certo que Nunes é o patrão (por ser o presidente da CBB) e Moncho o empregado. Mas o relacionamento entre eles é pouco e não deve ser decisivo no momento de se decidir o futuro.

O relacionamento de Moncho é intenso com os jogadores, isto sim. São eles é que têm que avaliar a convivência com o treinador.

Se Moncho é bom para os jogadores, é bom para a seleção. Consequentemente, é bom para o basquete brasileiro.

E a avaliação dos atletas quanto ao espanhol é excelente: nota 10. Os basqueteiros querem a permanência dele à frente do grupo.

É isso o que conta — o resto é perfumaria.

Lou Williams tenta superar Marquis Daniels, Shelden Williams e Eddie House

Lou Williams tenta superar Marquis Daniels, Shelden Williams e Eddie House

NBA

A rodada de ontem da maior liga de basquete do planeta confirmou que: 1) O Boston continua “on fire”; 2) O Denver também; 3) O Lakers está um pouco abaixo de ambos.

O melhor de tudo, pelo menos para nós, brasileiros, é a bola que Nenê Hilário vem jogando. No triunfo de ontem diante do New Jersey, do outro lado do Rio Hudson, por 122-94, o são-carlense marcou 16 pontos, pegou nove rebotes, deu quatro assistências e três tocos.

E mais: 5-6 nos arremessos de quadra.

Suas médias no campeonato: 14.6 pontos e 9.6 rebotes. Seu percentual de aproveitamento nos arremessos é de 60%: 24-40. Muito bom.

Nenê confirma o que todos nós sabemos: é o melhor jogador brasileiro de basquete na atualidade.

Leandrinho tem razão: vamos todos torcer para que o destino não pregue outra peça em Nenê para que ele se junte finalmente à seleção, pois precisamos dele demais.

CANSAÇO

O primeiro parágrafo do texto do site da NBA que relata a vitória do Boston sobre Wolves, em Minneapolis, é muito bom. Traduzo-o para vocês:

“Suas pernas foram a razão pela qual o Celtics quase perdeu pela primeira vez. Suas cabeças foram a razão pela qual isso não aconteceu”.

Ou seja: o Boston teve dificuldades para defender porque faltaram pernas para seus principais jogadores, pois, todos sabemos, Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen e Rasheed Wallace não são mais crianças.

Mas a inteligência tática do quarteto e a compreensão que eles têm do jogo acabou evitando o primeiro revés da temporada.

Depois de 48 minutos de bola pingando aqui e ali, lá e acolá, o Celtics somou sua sexta vitória na competição: 92-90.

REENCONTRO

Ron Artest e Trevor Ariza reencontraram pela primeira vez suas ex-equipes. 18.291 torcedores lotaram o Toyota Center em Houston.

Estavam curiosos para ver como os dois se sairiam. No final, viram o óbvio: o desfile de Kobe Bryant em quadra.

O melhor jogador de basquete do planeta marcou 41 pontos e liderou o Lakers em mais uma vitória no torneio: 103-102. Mas não foi fácil; uma prorrogação foi necessária para se definir o vencedor.

E quem foi o “key factor” para que o Lakers vencesse o tempo extra por apenas um pontinho (11-10)? Sim, ele, “Black Mamba”.

Kobe marcou oito pontos e evitou a segunda derrota dos angelinos na temporada. Sua performance possibilitou, isto sim, o quarto triunfo na competição.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, basquete brasileiro Tags: , , , , , ,
09/10/2009 - 21:26

MONCHO ESTÁ DE MOLHO

Moncho Monsalve está de molho. Fez uma cirurgia na coluna e o tempo de recuperação é de quatro meses.

Outubro, novembro, dezembro, janeiro… Quer dizer, na pior das hipóteses o espanhol estará de volta ao batente no final de fevereiro.

MONCHOTempo suficiente para armar o time visando o Mundial do ano que vem na Turquia. Está nas mãos dele, pois o presidente da CBB, Carlos Nunes, em entrevista ao SporTV, declarou: “Em time que está ganhando não se mexe. Os atletas já se manifestaram a favor de ele ficar, mas o Moncho sempre coloca que precisa estar em perfeitas condições físicas para trabalhar”.

Moncho (foto AP) é forte, um batalhador. Tem apenas 64 anos; vai tirar de letra essa cirurgia.

Portanto, não há com o que se preocupar. Que Nunes trate logo de renovar o contrato do ibérico, que vence em 25 de novembro próximo.

E nesse tempo de convalescença, Moncho com certeza estará traçando os planos para o Mundial de Turquia.

Até onde ele poderá levar nossa seleção?

DEPENDE

Depende do quê?

Depende se Nenê, por exemplo, estará com o grupo. Com ele no elenco, o time brasileiro fica muito mais forte; não há como negar isso.

Moncho Monsalve, com o são-carlense à disposição, tem a opção de montar o time com Varejão na ala, Splitter como ala de força e Nenê no pivô.

Eu não gosto desta formação. O time perde nos arremessos longos (Varejão não é um especialista) e fica mais lento.

De todo o modo, o Miami vem fazendo isso nesta temporada de amistosos da NBA. Eric Spoelstra tem escalado o time assim.

Ora com Michael Beasley, Udonis Haslem e Jermaine O’Neal juntos; ora com Joel Anthony na vaga de Jermaine O’Neal.

Pode funcionar, muitos garantem isso. Mas eu não gosto – pelos motivos expostos.

Mas voltando ao time brasileiro, com Nenê no elenco nosso “frontcourt” fica bem mais forte. O jogador do Denver é um dos melhores da posição no planeta.

Sem ele, nossas possibilidades diminuem.

Diria que com Nenê a gente disputa de quinto a oitavo; sem ele, de nono a décimo segundo lugar.

BICUDA

Ainda na entrevista ao SporTV, Carlos Nunes disse que Hortência tem feito das tripas coração para convencer Iziane a voltar à seleção. Mas a jogadora, turrona como ela só, remói o passado e não consegue deixar lá o que lá pertence.

Disse Nunes sobre o caso: “Do lado do Paulo Bassul, já está tudo certo. Não existe veto nenhum. A Iziane não veio [para a Copa América] porque não quis”.

Todos os esforços estão sendo feitos no sentido de ela voltar a conversar com Bassul e trabalhar com a seleção. Mas enquanto ela não enterrar o passado, vai ser difícil.

Penso que mais do que conversar com Hortência, o que Iziane deveria fazer era conversar com um psicanalista.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Seleção Brasileira, basquete brasileiro Tags: , , , , ,
09/09/2009 - 18:39

A QUEM INTERESSA A QUEDA DE BRAÇO?

As críticas públicas de Vanderlei Mazzuchini, diretor da CBB, em relação ao técnico Moncho Monsalve não trazem nada de bom e positivo para a seleção brasileira.

Pergunto-me: pra que isso?

O que Vanderlei quer provar? Que ele manda mais que Moncho? Será que manda mesmo?

Numa queda de braço entre ele e o treinador, a quem os jogadores apoiariam? Não seria Moncho (foto CBB) o preferido? Penso que sim.

Afinal, o espanhol ganhou (até onde sabemos) a simpatia do grupo. Todos gostam dele. Todos o respeitam. O que ele diz é lei.

Assim, numa possível queda de braço entre o dirigente e o treinador, creio que os jogadores baterão o pé pedindo a permanência de Moncho. Isso, claro, caso o espanhol não engula o que Vanderlei declarou para a mídia aqui em São Paulo.

Dessa maneira, o que o presidente Carlos Nunes faria numa situação dessas? Apoiaria Vanderlei? Duvido.

Sem desmerecer o trabalho de Vanderlei, Moncho, se sair, fará muito mais falta. Depois de anos mergulhado na escuridão, o basquete brasileiro ressurgiu e resgatou o respeito dos adversários.

E quem foi o responsável por isso? Moncho Monsalve.

Eu, se fosse o ex-jogador da seleção brasileira, não compraria essa briga. A menos que por trás dessas declarações haja algo a mais e a mando de alguém mais importante.

Não, não quero crer que isso seja possível ou verdade. Esqueçamos, por favor, o que eu disse no parágrafo anterior.

Mas vamos esperar pelos próximos capítulos para ver para onde essa novela vai se enveredar. De novembro, quando o contrato de Moncho com a CBB se encerra, não passa.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Seleção Brasileira, basquete brasileiro Tags: , ,
07/09/2009 - 11:15

BRASIL CAMPEÃO COM BASQUETE MODERNO

Não me venham com essa história de que o título não vale nada, que o que interessava mesmo era a vaga para o Mundial da Turquia. A decisão diante de Porto Rico, ontem à noite, na casa do adversário, tem um significado muito grande.

Afinal, os porto-riquenhos, diante de 10 mil fanáticos torcedores, jogaram pra valer. Buscaram a vitória do começo ao fim do jogo, pois queriam o título de qualquer maneira.

Perder em casa é vergonhoso e vexatório. Por isso os caribenhos correram feito uns loucos atrás do triunfo.

Não conseguiram.

Leandrinho e Tiago Splitter/ReutersNão conseguiram porque o Brasil jogou muito; não foi perfeito, mostrou defeitos, especialmente a falta de um jogador decisivo nos momentos cruciais da partida, mas jogou muito.

Calou o superlotado Coliseu Roberto Clemente como há muito não fazia. Até mesmo a geração de Oscar e Marcel tinha dificuldades diante dos porto-riquenhos.

Éramos invariavelmente batidos, não importava a quadra. Mesmo com Oscar e Marcel jogando, como frisei.

O Brasil tornou-se um freguês de caderneta dos caribenhos. Mas ontem a história foi diferente.

Nosso selecionado venceu uma partida que muitos não acreditavam ser possível. E não apenas por tremermos diante dos rivais (na fase de classificação Porto Rico foi o único time a bater o Brasil [86-82]), mas também porque muitos sempre tiveram um pé atrás em relação ao que viam.

Depois da única derrota na competição, algumas pessoas disseram: “Tá vendo? Foi só pegar uma seleção mais forte que perdeu”.

Perdeu, mas perdeu por um placar satisfatório (mesmo com a derrota ficou em primeiro lugar na fase de classificação). Perdeu sem contar com Leandrinho Barbosa, seu melhor jogador nesta Copa América.

O Brasil mudou; o basquete do Brasil mudou. Não vê quem não quer.

DEFESA

A defesa brasileira – isso mesmo, a defesa! – quem diria! – foi gigante em quadra. Limitou os porto-riquenhos a míseros 60 pontos, contra 82.2 pontos de média durante a competição.

Nossa zaga subtraiu nada menos do que 22.2 pontos do rival! Muita coisa. Isso foi fruto, evidentemente, da diminuição do aproveitamento do time caribenho nos seus arremessos.

Vejamos: nos nove jogos anteriores, os anfitriões tinham uma média de acerto de 53.4% nas bolas de dois pontos – ontem foi de 41.3%; nas bolas de três (o carro-chefe de Porto Rico), o percentual de bolas certas era de 40.7%; ontem foi de miseráveis 23.8%.

Não à toa, depois da partida, na coletiva de imprensa, Moncho Monsalve, nosso treinador, declarou: “A vitória não significa nada para mim, mas muito para eles, que deram tudo neste torneio com uma grande defesa, que foi nossa principal arma”.

ATAQUE

Se nossa defensiva tirou nota dez, nossa ofensiva deixou a desejar nos momentos cruciais.

Esqueça que este foi o jogo em que menos pontuamos. Isso é verdade.

Mas tem a ver com nosso novo estilo de jogo, de valorização da bola, troca de passe, aproveitamento quase total dos 24 segundos para encontrar o melhor momento para arremessar, o espaço procurado, fruto do cansaço imposto à defensiva oponente.

O que me preocupou foi que, no final do jogo, quando Porto Rico tirou uma diferença de 16 pontos e baixou-a para dois, não apareceu nenhum jogador para pegar a bola e dizer: “O jogo é meu, deem a bola para mim que eu resolvo”.

Já disse aqui que Leandrinho tem que ser para o Brasil o que Kobe Bryant é para o Lakers. Nos momentos chaves, decisivos, ele tem que resolver a parada.

Quando Leandrinho fez uma cesta dupla a 6:32 minutos do final da partida, colocando o Brasil na frente em 55-42, ele não só viu os porto-riquenhos fazerem uma corrida de 18-6, como errou todos seus tiros contra a cesta adversária.

Foram duas três bolas erradas de dois pontos e duas equivocadas de três. Ou seja: 0/5 nos arremessos finais.

Isso preocupa.

COLETIVIDADE

Brasil campeão da Copa América/ReutersÉ por essas e por outras que eu tenho dito: se não jogarmos coletivamente, estaremos perdidos. Sim, pois se formos depender da individualidade, ela simplesmente não existe.

Vejam o caso de Marcelinho Machado, cestinha do último campeonato brasileiro e defendido por muitos parceiros deste botequim: em 19 minutos em quadra (quase um tempo de jogo), arremessou apenas quatro bolas contra o aro porto-riquenho, pois não conseguiu sair da marcação adversária.

Agora vem o pior: errou todos os quatro arremessos! Saiu zerado de quadra!

Falhou em uma bola de dois pontos e em todas as três triplas arremessadas.

E mais: ao final do primeiro tempo, ao invés de deixar o cronômetro correr e arremessar no segundo derradeiro (ou mesmo morrer com a bola nas mãos), Machado precipitou-se como um juvenil (ele tem 34 anos!) e atirou uma desnecessária bola de três a cinco segundos do final.

Errou.

Pior: Larry Ayuso acertou uma cesta dupla e baixou a diferença que era de dez para oito pontos, encerrando o primeiro tempo em 36-28 para o Brasil.

Rapaziada, não é marcação contra Marcelinho. Ele não é esse jogador decisivo que alguns imaginam que ele seja. Ele é grande num campeonato pequeno.

Entre os grandes, se apequena – sempre foi assim. Isso é fato – não vê quem não quer.

Por isso mesmo defendi aqui nesse botequim a limitação de tempo dele em quadra. Nos jogos anteriores importantes, Moncho Monsalve fez isso; ontem ele pisou na bola e deixou Machado em quadra mais tempo do que deveria.

Erro e tanto do espanhol, que quase nos custou a vitória – e consequentemente o título.

DESTAQUES

O argentino Luis Scola foi eleito o MVP da Copa América; ridículo. Na minha opinião, o galardão tem que ir sempre para um jogador do time campeão.

Meu favorito, até ontem, era Anderson Varejão. Mas o capixaba, na partida decisiva, não manteve o nível.

Daria o troféu para Leandrinho Barbosa, que mesmo falhando no momento crucial, terminou a partida de ontem com 24 pontos. Isso, apesar de ter tido um aproveitamento de 1/8 nas bolas de três (12.5%).

Deixo registrado o meu protesto.

FICA!

Moncho Monsalve fica ou não fica? Como já disse aqui, vai depender da grana (ele reclama que ganha pouco; comenta-se que recebe mensalmente oito mil euros, bem abaixo do que treinadores recebem na Europa).

Ele quer mais do que isso – e merece. Mas será que dá para a CBB pagar?

Nossa entidade não nada em dinheiro. Seria preciso encontrar um parceiro para bancar financeiramente a permanência do espanhol aqui no Brasil.

Outro ponto importante: ele quer vir menos para cá. Como assim? Menos do que já vem?

Se vier menos quase não estará entre nós! Esse é um ponto que a CBB não pode abrir mão.

Sim, pois a confederação deveria entregar a Moncho todas as categorias e fazê-lo ensinar a nossos treinadores o basquete moderno.

E daria, por sugestão do Bruno Camargo, clínicas nas principais cidades brasileiras, ensinando, como disse o basquete moderno a todos. Quem sabe assim, num futuro não muito distante, nossos técnicos estariam no mesmo patamar dos demais.

Este é um ponto onde a CBB não deve abrir mão de jeito nenhum. Moncho tem que vir mais para o Brasil. Se possível, morar aqui.

Seria apenas um ano, até o Mundial da Turquia. Tempo para ele sentir a vida aqui em nosso país.

Como se vê, a situação é fácil.

Mas a entidade tem que encontrar uma solução. Carlos Nunes, o presidente, e seus parceiros, têm que botar o cérebro para funcionar.

Afinal, Moncho mostrou que é o cara.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro Tags: , , , , ,
06/09/2009 - 15:51

SERÁ QUE MONCHO TEM RAZÃO?

Rapaziada, por favor, desculpe o demorado da hora. É que eu cheguei há pouco de Bauru, onde estive cumprindo deveres familiares.

A viagem – pra quem conhece – é longa. Saí da “Cidade Sem Limites” de manhãzinha e fui direto pra Jovem Pan.

Acabo de chegar ao aconchego do lar. Vamos, pois, conversar sobre a vitória do Brasil ontem à noite diante do Canadá por 73-65.

Com ela, a seleção brasileira garantiu vaga na decisão do título. E será contra Porto Rico, que despachou a Argentina por 85-80.

O jogo diante dos canadenses não apresentou mistério algum. Foi o que todo mundo viu: complicado no primeiro quarto; idem no segundo; grande atuação do time brasileiro no terceiro período e no quarto ficou claro mais uma vez que os outros cinco jogadores que estão em Porto Rico não têm nível para jogar na seleção.

Abriria uma exceção para Jonathan Tavernari. Novo ainda, há quatro anos jogador no basquete universitário norte-americano, ele está bem desentrosado com a nossa realidade.

Merece ser melhor observado. Quanto aos demais, infelizmente, bola pra frente. Como disse, não dá.

Por isso mesmo, entendo quando o Moncho faz os sete suarem sangue em quadra nos jogos mais complicados. Se tiver de recorrer aos demais, esquece, é derrota na certa.

Mesmo com essas limitações, o Brasil vem cumprindo um ótimo papel nesta Copa América. Perdeu apenas um jogo, para Porto Rico, na ultimar rodada da fase de classificação.

Assim mesmo por quatro pontos apenas: 86-82. E mais: Leandrinho Barbosa um de nossos melhores jogadores, não pôde atuar por causa de uma lesão.

Ontem diante do Canadá, Leandrinho mostrou uma vez mais a sua valia: foi o cestinha da equipe e do jogo com 22 pontos. Com ele em quadra o time é outro.

O mesmo vale para Anderson Varejão, talvez o melhor jogador do time brasileiro na competição. O capixaba anotou 16 pontos e confiscou oito dos 37 rebotes apanhados pelo time.

Destaque também para Marcelinho Machado e seus 15 tentos, bem como para Alex Garcia, incansável, que cravou dez pontos e deu cinco assistências.

Hoje à noite o Brasil tem a chance de ir à forra. Decide o título contra Porto Rico, único time que o derrotou na competição.

Ao contrário do jogo anterior, Leandrinho joga. Não vai ser fácil, ainda mais porque esses porto-riquenhos são largos demais nos arremessos de três.

Na derrota, Moncho Monsalve, a meu ver, cometeu o equívoco de mandar Alex marcar Carlos Arroyo. O cara a ser marcado é Larry Ayuso.

Ele fez a troca com a partida em andamento e… nada mudou, pois, como disse, esses porto-riquenhos são irritantemente bons nos arremessos triplos.

O que fazer? Torcer para que o aproveitamento dos nossos oponentes esteja abaixo do habitual, pois nossos bravos jogadores estão fazendo o máximo na marcação; mas há limitações.

Depois da partida contra a República Dominicana, na abertura da Copa América, Moncho declarou: “Ninguém vai nos derrotar com bolas de três”.

Porto Rico derrotou – mas Leandrinho não jogou. Hoje Moncho tem a chance de mostrar que está certo.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Basquete europeu, Seleção Brasileira Tags: , , , ,
05/09/2009 - 00:31

DERROTA, PRIMEIRO LUGAR E ALGUMAS REFLEXÕES

O Brasil perdeu, mas ganhou. A derrota por 86-82, quatro pontos de diferença a favor de Porto Rico, não foi suficiente para tirar do selecionado brasileiro a primeira colocação nesta fase inicial.

Mesmo perdendo, nosso time ficou com a primeira colocação porque teve melhor saldo de cesta. No tríplice empate, envolvendo também a Argentina, levamos a melhor.

O Brasil podia perder por até cinco pontos. Deu um de lambuja para porto-riquenhos e argentinos. Com isso, as semifinais da Copa América ficaram assim: Brasil x Canadá (19h30 de Brasília, neste sábado) e Porto Rico x Argentina (na sequência).

Vamos ao jogo; aconteceu de tudo. Até o Moncho Monsalve, nosso treinador, foi expulso.

Confesso que naquele instante veio-me à mente o filme “Hoosier”, que em português ganhou o nome “Momentos Decisivos”. Disparadamente o melhor filme de basquete de todos os tempos.

Nele, Norman Dale, o treinador de uma escola de “high school”, vivido por Gene Hackman, forja sua expulsão para que seu assistente – um indivíduo inseguro e alcoólatra contumaz – assumisse a direção da equipe.

Dale queria testar e amadurecer seu auxiliar, Shooter (cestinha), vivido por Dennis Hooper. Não conto o final porque quem não viu eu exijo que alugue o filme, que, até onde eu sei, só existe em VHS.

Pois bem, vocês podem me chamar de louco, mas eu acho que Moncho forçou as duas técnicas. Deixou o time nas mãos de José Neto, seu auxiliar, um treinador sem qualquer experiência internacional.

Mais: deixou também o time na mão, para que os jogadores, em quadra, resolvessem o problema.

A gente que acompanha de perto a NBA sabe muito bem que Phil Jackson cansa de fazer isso com seus jogadores. Primeiro no Chicago, agora no Lakers.

Quando o time está em uma sinuca de bico, em quadra, P-Jax evita pedir um tempo para que os jogadores encontrem a solução.

Acho que Moncho fez o mesmo agora há pouco. Esqueçam o que ele vai falar na coletiva de imprensa; vai ser jogo de cena.

Podem me chamar de louco, mas é o que eu acho.

PROBLEMAS

Moncho à parte, nosso selecionado mostrou alguns problemas: 1) marcou mal as bolas longas; 2) arremessou mal as bolas longas (8/21 – 38%); 3) foi mal novamente nos lances livres (12/18 – 67%); 4) executou mal os tiros duplos (23/50 – 46%).

E mais: Moncho utilizou apenas seis jogadores, pois Leandrinho Barbosa, contundido, ficou de fora. O desgaste foi inevitável.

Isso também foi importante na derrota do nosso time. Enquanto o Brasil teve pernas, marcou bem e esteve na frente; enquanto as pernas agüentaram, não ficou muito longe dos porto-riquenhos.

Baixou a diferença no final com o coração. E isso foi emocionante.

Espero que esse cansaço não repercuta na atuação do time neste sábado – e nem no domingo, na esperada decisão do título da Copa América.

DESTAQUES

Anderson Varejão, novamente, foi um monstro em quadra: 22 pontos e dez rebotes. Único jogador na partida a ter um “double-double”. Tiago Splitter também foi outro gigante: 19 pontos e oito rebotes.

Foram as duas maiores figuras brasileiras no jogo.

AUSÊNCIA

Perdemos por quatro pontos, mas Leandrinho não jogou. Com ele em quadra a história seria diferente.

Hoje temos time para bater Porto Rico (de quem somos fregueses de caderneta) em qualquer lugar. No Brasil ou no Coliseu Roberto Clemente.

Viva Moncho!

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro Tags: , , , , ,
03/09/2009 - 21:29

UMA PELADA; VAMOS OLHAR O FUTURO

A vitória diante do Uruguai (82-62) foi uma pelada. Voltamos aos velhos tempos, daquele basquete que a gente não quer mais ver.

Acho até que Moncho Monsalve consentiu, permitindo ao menino levado fazer uma traquinagem, própria dos imaturos que insistem em não crescer.

Portanto, recuso-me a falar da sétima vitória consecutiva brasileira em Porto Rico. O que vimos esta tarde/noite foi um “revival” do antigo basquete brasileiro.

E dele queremos distância.

AMANHÃ

Prefiro falar de dois pontos em relação ao futuro. Vamos a eles.

Essa história da renovação ou não do contrato do Moncho anda me preocupando. É claro que o ideal é o continuísmo do trabalho do espanhol, que tem sido, até o momento, excepcional.

Ao mesmo tempo, fico sabendo que ele quer passar menos tempo no Brasil. E isso não é bom.

Como já discutimos aqui nesse botequim, seria imperioso para o nosso futuro que Moncho olhasse também para as categorias de base. O espanhol teria como missão ensinar nossos treinadores a trabalhar.

Desta maneira, haveria uma uniformidade no trabalho. Da base até o adulto.

Assim, quando fosse necessário recorrer à base, o jogador estaria pronto para ingressar entre os adultos. Os conceitos estariam na ponta da língua do novato.

Moncho tem o direito de pedir um salário mais justo, que é o que ele reivindica também. Mas a CBB tem o direito também de exigir que ele faça um trabalho de cabo a rabo com o nosso basquete.

O outro ponto a que me referi na abertura desse tópico diz respeito ao Pré-Olímpico de 2011. O torneio será classificatório para os Jogos de Londres, no ano seguinte.

Ao contrário de Gerasime Bozikis, que sempre se esquivou e escondeu do assunto, leio que Carlos Nunes, o atual presidente da CBB, quer sediar a competição.

Muito bom; é assim mesmo que tem que ser. Estou cansado de ver torneios do continente sendo disputado em Porto Rico.

Se eles não são nos EUA, são na ilha caribenha.

Nunes engrossou a voz e já deixou claro que pretende trazer o torneio qualificatório para o nosso país. Com isso, as chances da seleção se classificar aumentam.

Jogar ao lado do torcedor é melhor; jogar no conforto do lar é melhor ainda. Fico imaginando o Maracanãzinho ou a Arena HSBC (seria o local ideal) recebendo os selecionados americanos.

Que não seja apenas vociferação do presidente. Que ele não esteja jogando para a torcida, como se diz popularmente. Que ele brigue realmente para que o Brasil sedie a competição.

Além de ser bom para o nosso time, seria uma exposição e tanto para a modalidade. E o basquete, a gente já falou muito sobre isso, precisa demais desse olhar intenso – especialmente da mídia – e isso, com o Pré-Olímpico aqui, seria inevitável.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): basquete brasileiro Tags: ,
31/08/2009 - 20:42

UMA COMPARAÇÃO ENTRE BRASIL E ARGENTINA

FaBio Alexandre, um dos frequentadores mais assíduos deste botequim, fez uma interessante observação em sua última mensagem. E ela me inspirou a conversa desta segunda-feira.

Disse o FaBio: “A atual safra brasileira é melhor que a da Argentina. O Brasil tem jovens talentos, Leandrinho, Varejão, Nenê, Splitter, Huertas, mesmo que a safra seja limitada. A Argentina tem uma safra muito boa, mas já está envelhecida. “El Narigón” e Nocioni não são nenhum adolescente, a curva é descendente e a do Brasil, como eu disse, é ascendente. Com um pouco de trabalho de base pode-se colher frutos melhores em 10 ou 15 anos. Que esses cinco que eu citei virem espelhos para as gerações futuras”.

A proposta de discussão é muito boa. Pois bem, vamos ao assunto.

ARGENTINA

Se Sérgio Hernández pudesse convocar quem quisesse, é claro que Manu Ginobili, Andres Nocioni e Carlos Delfino estariam no grupo. Fabricio Oberto, sinceramente, tenho dúvidas, pois o jogador tem tido problemas cardíacos e é veterano.

Dos 12 jogadores que estão em Porto Rico, sete estiveram nos Jogos Olímpicos de Pequim. A saber: Luis Scola (foto AP), Pablo Prigioni, Leo Gutierrez, Roman Gonzalez, Paolo Quinteros, Juan Gutierrez e Federico Kamericks.

Estiveram em Pequim e não estão em Porto Rico: Ginobili, Nocioni, Delfino, Oberto e Antonio Pernigotti.

O quinteto titular de Pequim era: Prigioni, Ginobili, Nocioni, Scola e Oberto. Na vaga de Manu entrou, na decisão do bronze, Delfino.

Acho difícil Oberto jogar na Turquia, pelo que falei. Dos outros três, Manu, Noce e Carlitos estarão. Sobram, portanto, duas vagas.

De quem seriam?

Alguém sugeriu Walter Hermmann, que amargou um banco danado no Detroit na última temporada, jogador de condições técnicas limitadas e que não esteve na Olimpíada. Mas é experiente e pode muito bem ser convocado, claro.

Então, digamos que Hermmann seja o 11º. Jogador. E o 12º., quem seria?

Leo Mainoldi, Diego Garcia, Juan Pablo Cantero, Matias Sander e Andres Pelussi estão em Porto Rico.

Sinceramente, não sei quem eu convocaria. Digamos então que Oberto seja requisitado e aos 35 anos dispute mais um Mundial.

Vamos ver então como é que fica a idade de cada um dos argentinos:

Prigioni = 32
Ginobili = 32
Delfino = 27
Nocioni = 30
Scola = 29
Oberto = 34
González = 31
Leo Gutiérrez = 31
Juan Gutiérrez = 26
Quinteros = 30
Kamericks = 29
Hermmann = 30

Média = 30 anos

O quinteto titular seria: Prigioni, Ginobili, Nocioni, Scola e Oberto. Média de idade: 31.4 anos.

BRASIL

Se Moncho Monsalve pudesse convocar quem quisesse, Nenê, Baby, Murilo e Paulão estariam no grupo. Como ele vem usando sistematicamente Marcelinho Huertas, Leandrinho Barbosa, Alex Garcia, Anderson Varejão (foto AP), Tiago Splitter, Guilherme Giovannoni e Marcelinho Machado, sobraria uma vaga.

De quem seria ela?

Huertas, Leandrinho e Alex seriam nossos armadores; Marcelinho e Guilherme, nossos alas; Varejão, Murilo, Baby, Nenê, Splitter e Paulão nossos pivôs.

Há gente grande demais. Digamos que Moncho corte um dos grandalhões – eu cortaria o Murilo. Sobrariam duas vagas.

Quem levar para essas duas posições? O ideal seria um armador nato e outro ala.

Vamos pensar para a ala em Jonathan Tavernari, que é jovem demais e aparenta ter um belo futuro pela frente. OK, falta então um armador.

Quem seria?

Hum… deixe-me ver… acho que o Moncho vai investir no Duda Machado.

Então, nosso grupo para a Turquia seria o seguinte, com as respectivas idades:

Huertas = 26
Leandrinho = 27
Alex = 29
Varejão = 27
Nenê= 27
Splitter = 24
Giovannoni = 30
Marcelinho = 34
Tavernari = 22
Baby = 30
Paulão = 21
Duda = 27

Média de idade = 27 anos.

COMPARAÇÃO

No ano que vem, no Mundial da Turquia, Prigioni entrará em quadra com 33 anos, o mesmo para Ginobili. Nocioni estará com 31, Scola com 30 e Oberto com 35. A média seria de 32.4 anos.

E quando Londres chegar? Bem, quando chegarem os Jogos Olímpicos, o time argentino terá: Prigioni (34), Ginobili (34), Nocioni (32), Scola (31) e Oberto (36). A média seria de 33.4 anos.

Digamos que o quinteto brasileiro titular na Turquia seja Huertas, Leandrinho, Alex, Varejão e Nenê. Nossa média de idade: 28.2 anos.

Em Londres – se lá chegarmos, claro –, a situação brasileira seria a seguinte: Huertas (28), Leandrinho (29), Alex (31), Varejão (29) e Nenê (29). Média: 29.2 anos.

Como se vê, uma diferença de 4.2 anos entre os quintetos titulares.

SPLITTER

Agora digamos que o Moncho resolva colocar Varejão, Splitter e Nenê juntos, sacando Alex do time e deixando apenas Huertas e Leandrinho na armação, invertendo a formação atual.

Nossa média de idade cairia, pois, como vimos, o catarinense (foto AP) tem apenas 24 anos.

Na Turquia, o time titular teria em média 27.2 anos; um ano mais novo. Em Londres, estaria com 28.2 anos.

Nesse caso, a diferença para o quinteto titular da Argentina seria de 5.2 anos. Muita coisa.

Nos Jogos de não sei ainda onde, depois de Londres, o quinteto titular do Brasil teria 32.2 anos de média, enquanto que o da Argentina estaria com 37.4 anos.

É claro que Hernández tem opções no banco.

Delfino, que hoje tem 27 anos, a mesma idade de Leandrinho, Nenê e Varejão, substituiria Ginobili. Juan Gutiérrez, atualmente com 26, a idade de Huertas, entraria na vaga de Oberto.

Os demais são veteranos. Beirando ou ultrapassando a casa dos 30.

Confesso que eu não tenho um conhecimento profundo do processo de renovação na Argentina. Mas pelo que a gente tem visto nesta Copa América, não me parece ser dos melhores.

Como disse FaBio Oliveira, a Argentina está em uma curva descendente, enquanto o Brasil está em uma ascendente. O futuro parece mais promissor para nós do que para eles.

Alguém discorda?

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro Tags: , , , , , , , , , ,
30/08/2009 - 22:34

DE CARA NOVA

O Brasil encerrou a primeira fase da Copa América em grande estilo. Quatro jogos, quatro vitórias.

Neste domingo o triunfo foi diante do Panamá: 84-64. Moleza; os panamenhos são fracos demais.

O time brasileiro está redondinho. Moncho Monsalve, o espanhol que treina nossa seleção, deu uma nova cara ao nosso time e ao nosso basquete.

O Brasil tem sido tratado pelos adversários como uma das forças da competição. As declarações dos argentinos, como disse aqui, são emblemáticas.

Venceu seus oponentes, nesta primeira fase, com uma média de 15.5 pontos de diferença. Pra ninguém botar defeito.

Amanhã, folga geral. Na terça-feira, estréia contra o quarto colocado do Grupo A.

O adversário será o México – fraquíssimo. Com certeza teremos a quinta vitória consecutiva do Brasil.

Na sequência virão Canadá, Uruguai e Porto Rico. Mais uma vitória e a nossa seleção garante matematicamente a vaga para o Mundial do ano que vem na Turquia.

Confesso que não esperava tanta facilidade. Temi, confesso também, em alguns momentos de reflexão, pela vaga.

Porto Rico, Argentina, República Dominicana, Venezuela, Canadá… Sei lá, acho que fui contaminado pelo histórico recente de fracassos desta geração.

Felizmente, as coisas estão mudando, como disse. E nunca é demais frisar: o principal responsável por tudo isso é o nosso treinador.

Moncho mudou a cara do nosso time e do nosso basquete porque viu o óbvio: nossos jogadores são fracos. Por isso, montar um sistema de jogo era preciso.

Foi o que ele fez. O Brasil de hoje é um time que sabe o que faz em quadra – e o que faz é o que todos fazem, e a gente não fazia.

Basquete consistente, onde o coletivo se sobrepõe à individualidade, valorização da bola, troca constante de passes de posicionamento para desequilibrar a defesa adversária, arremessos bem equilibrados. Tudo o que a gente não tinha até a chegada de Moncho.

E na defesa nossa solidez chama a atenção. Não tomamos 70 pontos de ninguém.

Quem mais pontuou contra a nossa defensiva foi a República Dominicana: 68 tentos. Excelente.

É o que o Moncho tem dito: se nosso time não tomar 70 pontos, dificilmente perde a partida. Até agora isso tem acontecido.

Como disse anteriormente, o time está redondinho. Tem tudo para fazer a final da competição contra Porto Rico.

Ganhar vai ser difícil, até porque somos fregueses de caderneta dos porto-riquenhos, o jogo será na casa deles e a arbitragem deverá ser caseira.

Mas, na verdade, isso é o que menos importa. O que conta é que a vaga está em nossas mãos e o nosso basquete voltou a ser competitivo.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags:
28/08/2009 - 17:25

BATEMOS A ARGENTINA, SAÚDE!

Ah, foi muito bom; ganhar da Argentina tem sempre um sabor especial. E ainda por cima foi em uma sexta-feira, dia internacional da cerveja.

Assim, o gole inicial desta noite será saudado por esses 76-67. Cheers!, como dizem os americanos; tim-tim, como nós brasileiros brindamos.

E a vitória, além de ter sido contra nossos maiores adversários, significou também o terceiro triunfo seguido do Brasil em uma trinca de partidas disputadas.

Com isso, o time do técnico Moncho Monsalve está matematicamente classificado para a próxima fase da competição. Descansa amanhã e no domingo fará um treino de luxo contra o Panamá, provavelmente na partida que será descartada, pois não acredito na classificação panamenha.

DESTAQUES POSITIVOS

Anderson Varejão e Marcelinho Huertas (foto AP) foram os grandes nomes do nosso time – e do jogo também. O capixaba anotou 19 pontos e pegou nove rebotes, enquanto que o paulistano cravou 18 pontos, sete rebotes e cinco assistências.

Varejão esteve quase que impecável na marcação a Luis Scola. O argentino só se deu bem na partida quando foi marcado por Tiago Splitter.

Este foi um dos grandes méritos do pivô brasileiro: fez seu jogo e impediu que o adversário jogasse.

Huertas, até rebote ofensivo pegou. No final da contenda, mereceu rasgados elogios de Leandrinho Barbosa.

“Esse baixinho é o nosso armador”, decretou Barbosa.

Assinamos embaixo.

DESTAQUES NEGATIVOS

Como disse, Tiago Splitter não obteve o mesmo sucesso quando foi incumbido por Moncho Monsalve de conter Luis Scola. O catarinense, aliás, foi um desastre quando teve que marcar o adversário, que anotou contra Splitter a maioria de seus 19 pontos.

Mas isso acontece; é do jogo. Splitter é um grande jogador – e não dá para jogar bem todos os dias.

E hoje não foi o dia de Splitter. Mesmo assim, ele contribuiu com sete pontos e oito rebotes.

Leandrinho uma vez mais deixou a quadra como o cestinha do jogo. Encestou 21 pontos no aro argentino.

Mas eu não gostei novamente do jogo do paulistano. Anotou a maioria dos pontos em contra-ataque fazendo bandeja. Por isso mesmo seu aproveitamento foi de 8-11 (72.7%) nas bolas duplas.

Quando Leandrinho teve que jogar no cinco contra cinco, mostrou-se frágil e com pouco domínio de bola. Esteve apagado na maioria desses momentos. Cometeu três erros.

Seu desempenho nos chutes de três novamente foi muito ruim. Acertou apenas um em cinco tentados.

Nesta Copa América, Barbosa atirou 16 bolas triplas e acertou apenas três. Isso dá uma preocupante média de 18.7%.

Outro que não esteve bem foi Alex Garcia: dois pontos apenas. E olha que ele ficou em quadra 38 minutos.

Vale para Alex o que eu disse para Splitter: não dá para jogar bem todos os dias. Hoje também não foi o dia de Alex.

Em compensação, o paulista doou-se em quadra de uma maneira comovente, sabedor que não estava bem na partida.

Um exemplo a ser seguido.

BANCO


Como aconteceu no primeiro jogo, contra a República Dominicana, Moncho Monsalve (foto AP) utilizou apenas dois reservas: Marcelinho Machado e Guilherme Giovannoni.

Utilizou, a bem da verdade, apenas Giovannoni, pois Machado ficou em quadra apenas seis minutos, quando cometeu quatro faltas. Saiu zerado em todos os fundamentos.

Em contrapartida, Giovannoni acertou suas três bolas de três e encerrou o jogo com nove pontos.

Foi muito importante no cômputo geral.

RIVALIDADE

Bem, mas como analisar esta vitória brasileira?

O Brasil enfrentou o time B da Argentina; isso é fato. Mas os reservas argentinos – reserva é maneira de dizer, pois, além de Scola, Leo Gutierrez foi outro campeão olímpico em quadra, sem contar que Pablo Prigioni é o atual armador titular do time, bem como Roman Gonzalez é o pivô titular também com o envelhecimento de Fabricio Oberto – são argentinos.

Vejam o que disse Huertas depois da partida: “Apesar do mau momento deles, a Argentina é um time que nunca desiste (…) Brasil e Argentina é uma coisa à parte. Quando eles não estão bem, querem levar o jogo para o físico, para a provocação. Querem tirar a gente do jogo pra nos deixar nervosos. É o jogo que eles querem fazer. Mas a gente não caiu na provocação deles”.

Este foi um dos grandes méritos do time brasileiro: não caiu em momento algum na cilada que os argentinos armaram durante o jogo. Nosso time soube como esquivar-se das arapucas.

Em outras palavras: a catimba argentina não funcionou. O Brasil teve equilíbrio nos momentos de aperto e isso foi muito importante para a vitória.

Como costumo dizer, os argentinos, quando sentem que estão inferiorizados na partida, procuram esculhambar o jogo para nivelá-lo por baixo. E quando isso acontece eles se superam.

Mas hoje não deu certo.

E mais: quando o nosso ataque estava desajustado, fruto da ótima marcação argentina principalmente nos começos dos períodos, quando eles estavam descansados, nossa defesa segurava as pontas. Por isso mesmo nossos rivais fizeram apenas 67 pontos.

NO CAMINHO

Não há como negar: o Brasil está no caminho certo. É verdade que há muita coisa pela frente, mas a amostra, até o momento, é boa.

Moncho tem o grupo na mão; e o grupo está unido.

Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Basquete europeu, CBB, NBA, Seleção Brasileira, WNBA, basquete brasileiro Tags: , , , , , , , ,
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