Foi um domingo perfeito para o Cleveland.
Primeiro, ele surrou o Dallas por 102-74; depois, um pouco mais tarde, o Lakers perdeu para o Atlanta por 86-76.
Resultado desta matinê dominical: o Los Angeles está com duas derrotas a mais que o Cleveland (15-13) e agora só fica com o primeiro lugar geral se vencer todos os seus nove jogos restantes e o Cavs perder pelo menos dois deles.
E o que a tabela reserva para cada um desses dois gigantes?
O Lakers terá pela frente, na sequência, Charlotte (F), Milwaukee (F), Houston (C), Clippers (C), Sacramento (F), Denver (C), Portland (F), Memphis (C) e Utah (C).
O Cleveland vai jogar, também na ordem, contra Detroit (C), Washington (F), Orlando (F), San Antonio (C), Washington (C), Philadelphia (F), Boston (C), Indiana (F) e Philadelphia (C).
Teoricamente, o único problema do time de Kobe Bryant (foto AP) é o Portland no Rose Garden. Os demais jogos como visitante não me parecem nada de outro mundo; dá para ganhar na boa.
Dos embates caseiros, o Houston é o que mais preocupa. O Denver é freguês de caderneta e o Utah, longe de Salt Lake City, não costuma cantar de galo.
Digamos que o time supere o Rockets em casa e perca apenas para o Portland.
Isso significa que o Cleveland teria que perder três de seus próximos nove enfrentamentos. Ou seja, ter um aproveitamento de apenas 60%, quando seu desempenho é de 82.2%.
Acho difícil…
Então vamos considerar que o Lakers vai vencer também o Portland fora de casa. Neste cenário, o Cavs tem que perder dois confrontos, como falamos anteriormente; ou seja: um aproveitamento de 77.7%.
Não é tão improvável assim.
Mas para quem o Cavs iria perder?
Vamos analisar…
Há um jogo bem complicado: o Orlando, na Flórida. Não acredito que o time vá perder nem para Philadelphia e muito menos para o Indiana fora de casa.
Desta forma, teria que ser batido em uma partida dentro da Quicken Loans Arena, onde ele só foi dobrado uma vez (Lakers) em 36 combates.
Perderia para quem?
Dois são os adversários que podem roubar uma vitória do Cavs: San Antonio e Boston.
Será?
Pode ser, mas acho pouco provável. Dos dois, acho que o Spurs é que tem mais chance.
Isso porque o Boston é freguês de caderneta do Cavs quando joga em Cleveland. Não ganha lá há trocentos jogos.
O San Antonio, com a volta de Manu Ginobili, volta a ser um time respeitável.
Mas a ponto de vencer em Cleveland?
Não creio.
Moral da história: para mim, o Cleveland termina a fase de classificação em primeiro lugar.
SURRA
Como mencionei no começo da nossa conversa, o Cleveland de Mo Williams (foto Reuters) deu uma sova no Dallas. Mas quem olha apenas para o resultado conclui, erroneamente, que o jogo foi “piece of cake”.
Não foi.
No primeiro quarto, o Mavericks chegou a abrir 15 pontos de vantagem, a maior que um adversário impôs ao Cavs dentro da Q Arena nesta temporada. Os texanos fecharam os primeiros 12 minutos com uma vantagem de dez pontos: 30-20.
A reação dos anfitriões começou no segundo quarto com uma vitória de 27-19, o que acabou por deixar o marcador final do primeiro tempo em 49-47 para o Dallas.
No segundo tempo, com uma defesa quase que intransponível, o Cleveland fez 30-11 no terceiro quarto e 24-14 no último, fechando o tempo final em 55-25 e a partida em 102-74.
O segundo tempo sim foi uma moleza para o Cleveland.
RECORDE 1
O Cleveland foi o primeiro time a atingir a marca de 60 vitórias nesta temporada. Junto com ele, o técnico Mike Brown tornou-se o quarto treinador mais jovem na história da NBA a alcançar tal feito.
E mais: o Cavs tem uma campanha de 15-1 neste mês de março, recorde em um mês na vida da franquia.
EQUÍVOCO
Jason Kidd chegou para Rick Carlisle, antes de o jogo começar, e disse para o treinador que seria o marcador ideal para LeBron James. Afinal, segundo Kidd, ele conhece bem o jogador, afinal, foram companheiros de seleção.
Carlisle concordou.
“Ele [LeBron] quase fez um ‘triple-double’ no primeiro tempo. Então, acho que não foi uma boa idéia”.
No segundo tempo a troca de marcação foi feita.
Mas aí a vaca já tinha ido para o brejo.
VAREJÃO
Desta vez o capixaba não foi tão bem nos rebotes. Pegou apenas cinco.
Mas alcançou um duplo dígito nos pontos: 10.
Como eu sempre digo em nosso botequim, esqueça os números quando você for analisar Varejão. O trabalho dele passa quase que invisível nas estatísticas.
Vocês sabem o que estou dizendo; não vou tornar-me repetitivo.
TROMBADA
Vocês viram a trombada que LeBron James (24 pontos, 12 assistências e seis rebotes) deu no árbitro Derek Richardson no terceiro quarto?
Se não viu, eu não posso deixar de contar: LBJ voltava para a defesa quando, sem perceber, atropelou o árbitro feito uma jamanta sem freio. Os dois foram para o chão (Lebron caído na foto AP).
O bizarro da história foi que Richardson levantou-se imediatamente; King James, muito maior, mais forte e mais jovem, ficou no chão, contorcendo-se em dor.
Frescura, pura frescura; queria os holofotes (como se precisasse…) e o afago de todos.
Conseguiu.
Ao final da partida, ainda brincou sobre o assunto: “Ele [árbitro] deveria ter sido expulso”.
Na verdade, quem deveria ter sido excluído era LeBron e não Richardson, pois foi o camisa 23 do Cavs quem fez a falta.
Hilário.
INCOMPREENSÍVEL 1
Quanto ao Dallas, não consegui entender dois erros do treinador Rick Carlisle.
O primeiro já foi comentado aqui: Jason Kidd marcando LeBron James; o segundo, foi ter esquecido no banco de reservas, durante todo o segundo quarto, o pivô Erick Dampier, que tinha enlouquecido a defesa do Cleveland nos 12 minutos iniciais.
Fez oito pontos e pegou seis rebotes e não encontrava barreira no “pick-and-roll” que realizou em conjunto com Jason Kidd.
Quando voltou ao jogo, a vaca já tinha ido para o brejo.
Moral da história: como dizia o finado e saudoso Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, técnico não ganha jogo; mas perde. Foi o caso de ontem: Carlisle ajudou o Cavs na corrida de 82-44 que o time de Ohio realizou nos três últimos quartos da peleja.
POBREZA
O que aconteceu com o Lakers na derrota diante do Atlanta? Simples: a mão dos jogadores estava completamente descalibrada.
O time de Pau Gasol (foto AP) anotou apenas 76 tentos, a menor pontuação da equipe nesta temporada. O aproveitamento geral dos arremessos foi de exatos 35% (28-80), sendo que nas bolas de três o constrangimento foi ainda maior: 20% (4-20).
Fica difícil vencer um adversário como o Atlanta quando a inspiração inexiste.
Kobe Bryant fez apenas 19 pontos (7-19 nos arremessos; 1-6 nos tiros triplos). Sua ruindade contagiou os demais.
Ou teria sido o contrário?
DOR
Sejamos, no entanto, justos: Kobe Bryant entrou em quadra apesar das dores no tornozelo direito, lesionado na vitória diante do New Jersey, na sexta-feira.
Para piorar, teve contrações estomacais desde o momento que acordou na manhã de domingo.
Num dos jogos finais da decisão do campeonato de 1998, Michael Jordan jogou com 40 graus de febre diante do Utah, em Salt Lake City.
Foi o melhor em quadra e o Chicago venceu.
Kobe não é MJ; definitivamente.
ERRO 1
Com a derrota diante do Atlanta por 86-76, quebrei a cara em minha previsão. Apostava que o Lakers faria 7-0.
Agora, na melhor das hipóteses, um 6-1 – que é o que eu acho que vai acontecer, pois acredito em vitória diante de Charlotte e Milwaukee.
RECORDE 2
O público de 20.148 torcedores foi o maior na história da Philips Arena.
Kobe pode não ser Michael Jordan, mas tem um baita carisma; se bem que a camisa do Lakers é responsável também por esta enorme afluência de público na arena de Atlanta.
INCOMPREENSÍVEL 2
O Chicago levou para a prorrogação um jogo perdido. Fez 42-29 no último quarto (isso mesmo, 42 pontos em um quarto!), empatou a contenda em 119 e quando todos apostavam em vitória no tempo extra, dada a vantagem emocional que o time tinha adquirido, veio a débâcle.
Perdeu por 15-10 na prorrogação e fechou a partida atrás em 134-129.
Ainda não digeri a derrota. Os dois pontos que mandaram o jogo para a prorrogação vieram com o cronômetro zerado, com um arremesso de Ben Gordon, do lado direito do ataque rubro-negro.
Na prorrogação…
Bem, no tempo adicional até que o time começou bem. Abriu 4-0, perdeu a vantagem, depois pulou na frente em um ponto (127-126) com uma cesta de Derrick Rose a 28 segundos do final da partida, mas aí permitiu uma corrida de 8-2 aos canadenses e a vitória foi para o beleléu.
De qualquer maneira, o Bulls mostrou que está evoluindo.
O problema é que o Detroit bateu o Philadelphia por 101-97 e está agora com duas derrotas a menos do que o Chicago.
Se acabar em oitavo lugar, esquece; missão impossível para qualquer um. Se o Chicago ficar em sétimo, até que dá para sonhar um pouquinho, principalmente se o adversário for o Orlando.
(Será que escrevo com o coração apaixonado?)
ERRO 2
O jogo terminou há alguns minutos. Meteram a mão no San Antonio.
A falta de Manu Ginobili em cima de Chris Paul, a sete segundos do final da partida, era para dois e não três lances livres. Vi o lance várias vezes e não mudo de opinião.
CP3 bateu as três penalidades, atingiu o alvo em 100%, e levou o marcador para os definitivos 90-86.
Antes da falta, o Spurs tinha feito seis pontos em sete segundos e encostado no marcador em 87-86. Frutos de dois tiros de três; o primeiro de Ginobili, o segundo de Michael Finley.
O Charlotte, acredite, vencia por 87-80 antes destes seis pontos mencionados. Isso a 29 segundos do final da partida.
Foi então que veio a primeira cesta de três do argentino. No fundo bola, um equívoco na saída e “El Narigón” roubou a pelota e sofreu falta. Depois do lateral bola, Finley enfiou mais três pontos na cesta adversária.
Faltavam sete segundos quando aconteceu o equívoco da arbitragem. Fossem dois e não três os arremessos, e o San Antonio teria sete segundos para armar uma jogada de três e levar o jogo para a prorrogação.
Mas a arbitragem não deixou.
Quem gostou do equívoco foram Denver e Houston, que agora têm 26 derrotas contra 25 do San Antonio.
Estão mais vivos do que nunca na briga pelo segundo lugar no Oeste.