Foi um jogo de um time só. O Denver atropelou o Dallas ontem no Colorado e venceu por incontestáveis 109-95.
Nenê foi o nome do jogo com seus 24 pontos, sua melhor anotação em playoffs, diga-se. Fez quatro a menos que Dirk Nowitzki, o cestinha da partida, mas foi o “key factor” do Nuggets e do encontro, repito.
O são-carlense (foto Reuters ao lado de Chauncey Billups) apareceu num momento crucial. Carmelo Anthony se enrolou com as faltas e foi para o banco no começo da partida.
O que fazer sem seu artilheiro em quadra?
Simples, jogar a bola para Nenê.
E foi o que o time fez. O brazuca marcou 18 de seus 24 pontos no primeiro tempo. No segundo, com o cestinha de volta ao jogo, Nenê anotou apenas seis pontos, tentos importantes, no entanto, para consolidar a vitória dos anfitriões.
O brazuca pegou apenas cinco rebotes. Muitos vão encasquetar com esse número.
E para esses recalcitrantes eu volto a dizer: o forte do jogo de Nenê não são os rebotes, mas os pontos. Nenê é um pivô goleador, ao contrário, por exemplo, de Joakim Noah, do Chicago, um pivô que é especialista em pegar rebotes, mas pouco produz em termos de pontos.
Então, por favor, vamos olhar mais para os pontos dele do que para os rebotes.
Aceito discutir a baixa pontuação de Nenê na série contra o New Orleans. Mas falar de seus rebotes, realmente, está se tornando uma coisa chata.
INVENCIBILIDADE
O Denver não perde em seu Pepsi Center desde nove de março passado, quando caiu diante do Houston. De lá para cá foram 14 vitórias enfileiradas.
No confronto diante do Dallas, nesta temporada, a vitória de ontem representou a quinta em cinco jogos disputados.
NÚMEROS
Bem próximo ao final do encontro, a tevê que transmitiu a partida mostrou: time que ganha o primeiro embate tem 79% de chance de se classificar para a final da conferência.
E esses números aumentam quando abre-se 2-0. Sim, pois dos cinco possíveis jogos restantes, quem está em desvantagem tem que vencer nada menos do que quatro.
Tarefa árdua; quase impossível. Portanto, mais uma vitória do Nuggets, amanhã à noite, e ouso afirmar que o time estará na final da conferência.
O Denver deu mostras, uma vez mais, que está afinadíssimo para chegar à decisão do título do Oeste. Os números estamparam isso.
Vejam só: 1) Pontos no garrafão – Denver 58-30; 2) Pontos de contra-ataque – Denver 29-4; 3) Pontos do banco – Denver 39-30; 5) Erros – Dallas 20-14.
Agora, vamos nos ater aos números finais envolvendo o banco dos dois times:
Denver: 39 pontos, 12 rebotes, 12 assistências, sete tocos e seis desarmes.
Dallas: 30 pontos, 11 rebotes, duas assistências, um toco e um desarme.
Sem dúvida, uma lavada e tanto. Como se diz, barba e cabelo; titulares e reservas enquadraram o Dallas.
DECEPÇÃO
O jornal “Dallas Morning News” traz uma matéria em sua edição de hoje, segunda-feira, falando a queda de produção de Jason Terry nestes playoffs.
O texto lembra que o jogador, eleito o melhor reserva da temporada, teve média de 19.6 pontos por partida e nesta nova fase do campeonato anotou menos pontos que sua média da fase de classificação em cinco dos seis jogos disputados.
Para sermos mais claros, vamos lá: Terry encestou 12 pontos no primeiro jogo da série contra o San Antonio, 16 no segundo, dez no terceiro e quartos jogos, 19 na partida que encerrou o confronto contra o Spurs e 15 ontem diante do Denver.
Sua média nesses playoffs caiu para 13.7.
Mas, como eu disse, Terry (foto AP discutindo com Nenê), que atuava quase 35 minutos por partida (pode um cara que joga esta quantidade de minutos ser considerado reserva?), teve seu tempo diminuído em quadra com a volta de Josh Howard ao time.
Com quatro minutos a mais, JT poderia aumentar sua média de pontos, certamente.
Mas o que deve estar preocupando o pessoal do Dallas é que o percentual de aproveitamento do jogador decaiu nesta fase aguda. Ou seja: enquanto na “regular season” ele aproveitou 46.3% de seus arremessos, nos playoffs esse número caiu para 39.5%.
Desta forma, mesmo com menos minutos disponíveis em quadra, se tivesse com um desempenho normal, estaria perto de seu rendimento de pontos na fase de classificação.
Convidado a falar sobre o tema, Chauncey Billups, armador do Denver, desviou o assunto para seu time: “Sinto que nós temos o melhor banco da liga. Eles [reservas] venceram um monte de jogos para nós em um monte de noites. Hoje foi um desses dias”.
LÓGICA
Por mais que Dwyane Wade seja genial, sozinho, como eu disse, ele não levaria mesmo o Miami a realizar altos sonhos nesta temporada. Fez, aliás, muito ao empurrar esta série para o sétimo jogo.
Ontem, atuando em território alheio, não teve forças para evitar a eliminação. Marcou 31 pontos, mas não encontrou eco nos companheiros.
A vitória do Atlanta por 91-78 não pôde ser contestada em momento algum.
Joe Johnson (foto Reuters) foi o nome do jogo: 27 pontos, cinco desarmes, cinco rebotes e quatro assistências. Acertou seis de seus oito arremessos de três pontos e desconcertou a defesa adversária.
É a primeira vez, desde 1999, que o time avança para as semifinais do Leste.
Amanhã, começa a série, cansado seguramente, diante do gigante Cleveland, que vem descansado e liderado em quadra por LeBron James, o futuro MVP desta temporada.
Previsão: 4-1 Cavs.
BALANÇO
O parceiro Charles Nisz está com a planilha prontinha. Ela vai revelar como a gente se deu nos palpites desta primeira fase dos playoffs.
Enquanto ele não publica os números, passo a vocês o meu desempenho: errei apenas um vencedor, pois apostei no Portland diante do Houston e deu o contrário.
Os demais sete enfrentamentos eu acertei, alguns deles na mosca, como a varrida do
Cleveland diante do Detroit e a vitória do Atlanta sobre o Miami por 4-3.
NOITADA
Dois jogos esta noite: às 21h de Brasília começa a série entre Boston e Orlando com jogo marcado para Massachusetts.
Às 23h30, outro encontro que se inicia também: Lakers x Houston, na Califórnia, com transmissão ao vivo pela ESPN.