12/11/2009 - 12:49
Não teve jogo ontem em Orlando; LeBron James não deixou. Shaquille O´Neal e Mo Williams também não.
LBJ anotou 36 pontos e Williams 28. Juntos marcaram 64 dos 102 pontos do Cleveland. Ou seja: 62.7% da produção ofensiva do Cavs.
Shaq anotou apenas dez pontinhos e pegou só quatro rebotes. Mas enlatou Dwight Howard, o melhor jogador do Magic. O Super-Homem marcou inexpressivos 11 pontos e confiscou apenas sete rebotes.
DH, é bom lembrar, antes do jogo de ontem tinha médias de 19.3 pontos e exatos 11 rebotes por partida.
Com tantos pontos da dupla LeBron/Williams e com Howard controlado por Shaq , o Cleveland fechou com facilidade a partida de ontem da Flórida e venceu por 102-93.
O que nos leva a pensar: se os três jogarem a maioria das partidas desta maneira, o Cleveland poderá encarar o Boston de igual para igual numa possível final de conferência. Caso contrário, se jogar o que vinha jogando, esquece: o Cavs não será páreo para o pessoal das bandas de Massachusetts.
Portanto, vamos esperar. Só o tempo vai nos dizer qual o caminho o Cavs vai escolher para trilhar nesta temporada.

LeBron James passa por Mickael Pietrus na vitória do Cavs sobre o Magic (foto: Getty Images)
MULEQUE!
Alguém viu Oklahoma City x Clippers em Los Angeles? Se não viu, perdeu outro show de Kevin Durant.
O “muleque” do Thunder fez de tudo um pouco – e é assim que os grandes jogadores se comportam. Anotou 30 pontos, sendo que acertou 12 de seus 20 arremessos (60.0%). Nas bolas de três, foi econômico nas tentativas: três; mas acertou uma delas.
Pegou dez rebotes, deu quatro assistências, fez dois desarmes e deu um toco.
Mais ainda: jogou um balde de água fria pra cima dos angelinos quando faltavam 38 segundos para o final e mandou uma bola certeira da ponta esquerda do ataque, abrindo dois pontos de vantagem, que foi ampliada com dois certeiros lances livres cobrados pelo veterano Kevin Ollie.
Final: Thunder 83-79 Clippers.
Quem ainda não viu Durant em ação, reserve um tempinho, pois vale mais do que a pena.
DERBY
Em San Antonio, no clássico do Texas entre Spurs e Dallas, novamente o time da casa jogou sem dois de seus tenores. Tim Duncan e Tony Parker, lesionados, viram a partida em trajes civis.
Mas Richard Jefferson, uniformizado, compensou a ausência do duo. Fazendo finalmente um jogo consistente, o ala anotou 29 pontos (11-23) e foi um tormento para a defesa do Cavs.
Manu Ginobili? Vindo do banco, cravou apenas 13 pontos, bem abaixo dos 36 anotados na partida anterior diante do Toronto.
Acho que o veneno do morcego perdeu a eficácia. É bom alguém vasculhar cavernas nos arredores da cidade, apanhar mais um mamífero voador e soltá-lo no AT&T Center e torcer para que o argentino seja mordido.
Brincadeiras à parte, resultado justo, que deixa o San Antonio em 4-0 em casa e anima os torcedores do alvinegro, pois Jefferson fez um jogo consistente, como disse.
E muito se espera dele nesta temporada.
Quanto ao Dallas, depois de ter feito 30 pontos nos dois primeiros jogos que marcaram seu retorno, ontem Josh Howard não foi bem: só oito pontos. E ainda deixou o jogo com dores no tornozelo.
Problema? Os próximos dias dirão.
O desempenho dos outros titulares, excetuando Dirk Nowitzki, foi muito ruim: anotaram juntos 25 pontos, contra 29 do alemão.
Velho Dallas, velhos problemas, tudo nas costas do velho Nowitzki.
RODADA
Os demais jogos em não acompanhei. Quem os viu e quiser nos contar, somos todos ouvidos aqui no botequim.
Labica, mais uma cerva, por favor!
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Cleveland, Dwight Howard, Kevin Durant, LeBron James, Magic, Mo Williams, Oklahoma City, Orlando, Richard Jefferson, San Antonio, Shaquille O´Neal, Spurs, Thunder
02/11/2009 - 12:14
O Denver construiu ontem à noite sua terceira vitória na temporada. Bateu o Memphis por 133-123; não foi fácil.
O time do Tennessee vendeu caro a vitória. OJ Mayo esteve impossível em quadra: anotou 40 pontos para o Grizzlies; poderia ter roubado a vitória do Denver.
É, mas do outro lado havia Carmelo Anthony. O ala do Denver marcou nada menos do que 42 pontos e comandou o time colorado.
Melo é o cestinha do campeonato até o momento com uma média de 37.7 pontos por jogo! Muita coisa.
Nas três partidas disputadas até agora, sua menor produção foi na contenda de estréia, quando marcou “apenas” 30 pontos frente ao Utah. Na sequência, anotou 41 contra o Portland, fora de casa — e fez 42 ontem, como vimos.
ECO
É claro que a vitória do Denver não se resumiu aos 42 pontos de Carmelo Anthony. Seu jogo reverberou em seus companheiros.
Outros quatro atletas do Nuggets terminaram a partida com um duplo dígito na pontuação. A saber: Chauncey Billups 22, Nenê Hilário 18, Kenyon Martin 16 e Chris Andersen 12.
Mais do que isso: o Denver foi um time solidário em quadra. Fez 36 assistências contra 27 do Memphis.
BRASUCA
Nenê realizou uma grande partida. Não apenas pelos 18 pontos marcados, mas também pelo seu aproveitamento nos arremessos: acertou os seis tentados (100%).
Além disso, apanhou nove rebotes e deu seis assistências. Quase um “triple-double”? Não, ficou um pouco longe.
Mas quase saiu mais cedo do jogo: cometeu cinco faltas. Nenê precisa resolver esta questão, pois, como sempre digo, ele é importante para o time em quadra e não sentado no banco.
DEFESA
Kobe Bryant fez 41 pontos na vitória do Lakers diante do Atlanta por 118-110. Mas o nome do jogo foi Ron Artest.
Phil Jackson, ao ver Joe Johnson anotar 18 pontos no primeiro quarto do jogo, chamou Artest e disse que ele teria que conter o avanço inimigo.
Não deu outra: nos três quartos seguintes, com Artest fungando no cangote, JJ anotou apenas nove pontos.
E assim o Lakers construiu sua segunda vitória na competição.
Se alguém tinha dúvida se a troca de Artest por Trevor Ariza foi boa ou não, creio que depois do que foi mostrado ontem no Staples Center de Los Angeles essa dúvida dissipou-se.
VITÓRIA
Vocês se lembram do Toronto, que na segunda rodada deu uma sova no Cleveland em seu Air Canadá Centre? Pois bem: ontem, no mesmo palco, o Orlando, outro dos favoritos ao título, foi lá e venceu.
E mesmo sem Vince Carter, lesionado no tornozelo.
A vitória tem que ser creditada para os armadores do time: Jameer Nelson e JJ Redick. O primeiro fez 30 pontos, o segundo, 27.
Ah, sim, o Orlando jogou não apenas sem Carter, mas também sem Rashard Lewis, que segue suspenso pela NBA.
Quando esses quatro estiverem ao mesmo tempo em quadra, sai debaixo.
Os que apontaram o Orlando como um dos favoritos ao título do Leste, esfregam as mãos neste momento. O Magic, realmente, encanta com seu jogo sólido e equilibrado.
ROTINA

O Boston venceu novamente. Chegou a seu quarto triunfo nesta temporada, onde permanece invicto.
Diante dos fãs em seu TD Garden, o Celtics impôs-se ao New Orleans ao fazer 97-87.
Deem uma olhada nas pontuações: Paul Pierce 27, Ray Allen 17, Kevin Garnett 14 e Kendrick Perkins e Rasheed Wallace com 12 pontos cada um.
Podemos chamar isso de socialismo alaranjado?
Creio que sim.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Atlanta, Boston, Carmelo Anthony, Celtics, Denver, Jameer Nelson, JJ Reddick, Joe Johnson, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Nenê Hilário, Nuggets, O. J. Mayo, Orlando, Paul Pierce, Ray Allen, Ron Artest, Vince Carter
24/10/2009 - 22:40
Alguns parceiros deste botequim têm chamado-me a atenção para o Orlando. No ver deles, o time com Vince Carter no lugar de Hedo Turkoglu mudou da água para o vinho.
Pois bem, a equipe da terra do Mickey Mouse encerrou na noite desta sexta-feira uma perfeita “Pre-Season” ao bater o Atlanta, em sua Amway Arena, por 123-86. Um massacre.
Com a vitória, ou melhor, com o massacre, como disse, o Magic terminou essa fase de amistosos com uma campanha de oito vitórias e nenhuma derrota. Único time da NBA nesta fase a não perder.
Foi, também, a primeira vez na história da franquia que isso ocorreu.
Mas o time já vinha buscando a perfeição desde 2007, quando Stan Van Gundy assumiu o comando. Somados os dois anos anteriores, o recorde do Magic era de 12 vitórias e apenas duas derrotas; agora, pulou para 20-2.
Carter (foto AP), de quem eu falei no início do nosso papo, anotou 26 pontos diante do Hawks, tendo incrível desempenho de 9-10 nos arremessos. Nos sete jogos em que entrou em quadra, marcou uma média de 18.6 tentos por partida.
Terminou esta “Pre-Season” como artilheiro do Orlando.
Sempre desconfiei do potencial de Carter em fazer do Magic um time melhor. Parece que me enganei.
O Orlando dá sinais de que volta com tudo nesta temporada.
CLASSIFICAÇÃO
Vamos à classificação final desta temporada de amistosos:
Leste
1) Orlando 8-0
2) Boston 6-2
3) Chicago 6-2
4) Atlanta 5-2
5) New York 5-2
6) Philadelphia 5-3
7) Cleveland 4-4
8) Detroit 4-4
9) Washington 4-4
10) Indiana 3-4
11) Milwaukee 3-5
12) Miami 2-5
13) Charlotte 2-6
14) Toronto 2-6
15) New Jersey 1-5
Oeste
1) Clippers 6-2
2) Lakers 6-2
3) Utah 6-2
4) Dallas 5-2
5) San Antonio 4-3
6) Denver 4-4
7) Golden State 4-4
8) Houston 4-4
9) Phoenix 4-4
10) Portland 4-4
11) Memphis 3-5
12) Minnesotta 3-5
13) Oklahoma City 2-5
14) Sacramento 2-5
15) New Orleans 2-6
SURPRESAS
O Clippers na liderança do Oeste surpreendeu-me, mesmo com a presença do novato Blake Griffin, draft número 1 desta temporada.
O New Orleans, na rabeira da mesma divisão, igualmente deixou-me intrigado.
Do outro lado, vibrei com a campanha do Chicago. Tomara que não seja fogo de palha.
BRASUCAS
Assim foram os três brasileiros nesta “Pre-Season”:
Nenê Hilário – 9.3 pontos e 4.4 rebotes;
Leandrinho Barbosa – 13.4 pontos e 45.0% nas bolas de três;
Anderson Varejão – 8.2 pontos e 6.0 rebotes.
Sorte a eles nesta temporada!
ROUBO
É inacreditável, mas é verdade. Jogadores do Maccabi Tel Aviv foram roubados na noite da última terça-feira em Los Angeles.
O time fazia um amistoso contra o Clippers (108-96 para os angelinos) no Staples Center e enquanto a bola pingava o roubo ocorreu. Albert Gavin, tenente da polícia de Los Angeles, disse que algumas pessoas entraram no vestiário da equipe israelense e fizeram a festa.
Foram roubados relógios, jóias e US$ 15 mil em dinheiro. Dez membros do grupo foram prejudicados e o desfalque foi estimado em US$ 22 mil.
Lamentável.
AJUDA
Michael Beasley, ala/pivô do Miami, é bom jogador. Mas na mesma proporção, é problemático.
Ano passado, vocês devem se lembrar, ao lado de Mario Chalmers e Darrell Arthur ele foi pego num quarto de hotel com duas prostituas e uma quantidade de maconha não divulgada.
À época, participava do programa da NBA de iniciação ao novo mundo da maior liga de basquete do planeta. Foi expulso; teria que voltar nesta temporada. Nem sei se isso ocorreu.
Se não ocorreu, talvez tenha sido porque no final de agosto passado ele internou-se em uma clínica de reabilitação no Texas para se desintoxicar. Motivo: drogas.
Problemas resolvidos? Nada disso.
Nesta semana, uma foto do jogador, dormindo num iate na marina de Miami, ao lado de uma mulher e várias garrafas de cerveja na mesa próxima ao sofá, foi mostrada pelo site de fofocas TMZ.
Beasley (foto AP) divulgou um comentário dizendo que não tocou nas garrafas de cerveja. O capitão do iate fez coro com o jogador.
Dirigentes do Miami disseram que ele não fez nada de errado.
Beasley tem apenas 20 anos e um grande futuro pela frente. Se algo der errado, o culpado será apenas ele.
ACORDO
Assunto resolvido: a NBA e o sindicato dos árbitros entraram em um acordo e os homens do apito estarão presentes na primeira rodada desta temporada, marcada para a próxima terça-feira.
O acordo vale para as próximas duas competições.
Os árbitros voltaram aos treinamentos neste sábado para recuperar a forma. Será que os 57 profissionais do apito estarão em forma?
Melhor com eles fora de forma do que seus substitutos em forma.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Anderson Varejão, Leandrinho Barbosa, Magic, Miami, Michael Beasley, Nenê Hilário, Orlando, Vince Carter
10/07/2009 - 11:54
Seguinte: a gente tem que tentar entender algumas negociações que são feitas na NBA. Vamos pegar o caso de Anderson Varejão.
Norte-americanos e brasileiros, em sua grande maioria, estão indignados com a grana que o Cleveland ofereceu para Anderson Varejão. Muitos entendem que ele não vale os US$ 42.5 milhões que a franquia ofereceu a ele por seis anos de acordo.
Conversando com Pedro José, um dos parceiros deste botequim, disse a ele que o novo contrato oferecido pelo Cavs ao capixaba não é uma garantia de que o jogador vá mesmo permanecer em Ohio esse tempo todo.
Tudo indica que sim, mas pode ser também uma maneira de se driblar o “salary cap” no futuro, ainda mais agora com a diminuição do teto salarial.
Um clube pode oferecer quanto quiser para um jogador que faça parte de seu elenco sem ter que se preocupar em estourar o teto e nem ter que pagar nenhum dólar de multa por isso. Desta maneira, você fica com o bolso mais cheio no momento de fazer negócios.
Por exemplo: digamos que o Cleveland tivesse renovado com Varejão por US$ 2 milhões por temporada. Na metade do próximo campeonato o Cavs se interessa por Ron Artest, que assinou com o Lakers por US$ 6 milhões.
E o Lakers, também chateado com o comportamento de Artest, queira trocá-lo e pense em um cara para jogar dentro do garrafão com as características de Varejão.
Para concretizar o negócio, o Cleveland teria que mandar para o Lakers Varejão e mais um jogador de seu elenco que ganhe US$ 4 milhões para totalizar os US$ 6 milhões do salário de Artest.
Ao assinar com o brasuca por US$ 7 milhões nesta temporada, o Cleveland poderia colocar Varejão na troca e ainda pegar um troco.
Vamos até a Flórida agora.

De Orlando vem a notícia de que o Magic está renovando o contrato do medíocre Marcin Gortat (foto) por US$ 34 milhões por cinco anos, o que dá algo em torno de US$ 6.8 milhões por temporada.
Junto com os números vem a informação que o Magic vai renovar para depois trocar.
Vamos pegar o mesmo exemplo citado acima e trocar um dos personagens; no caso, Anderson Varejão. Agora é o Orlando quem se interessa por Artest e o Lakers precisa de um pivô.
A troca seria perfeita: Artest por Gortat e ponto final.
É assim que os clubes fazem para driblar o “cap”. Mas é uma faca de dois gumes, pois não é garantia de se trocar esse jogador futuramente; a menos que você já tenha engatilhado um negócio – que é o que parece estar acontecendo com o Orlando envolvendo o Dallas.
Pra encerrar nossa conversa, é bom deixar claro que não há sinal algum em Cleveland de que o Cavs vá fazer isso com Varejão. A franquia entende que Varejão é merecedor do que foi-lhe oferecido.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Anderson Varejão, Cleveland, Dallas, Lakers, Magic, Marcin Gortat, NBA, Orlando, Ron Artest
15/06/2009 - 02:21

Ganhou o melhor; o Lakers é o legítimo campeão desta temporada.
Com a vitória por 99-86 sobre o Orlando o time californiano fez 4-1 na série e conquistou seu 15º. título. Fica com dois a menos que o Boston, o maior vencedor na história da NBA.
Apesar de ter chegado desacreditado por alguns para esta decisão – especialmente depois de uma excelente final que o Orlando fez diante do Cleveland ganhando o título do Leste –, o Lakers mostrou mais uma vez que tem camisa e foi talhado para ser campeão.
E isso conta muito – não é o mais importante, mas conta muito.
Para ser campeão, é preciso superar os oponentes em quadra. Para ser campeão, é preciso ter um grande jogador e um treinador capaz. Para ser campeão é preciso ter um projeto.
Sem isso fica difícil ganhar um campeonato. E o Lakers os tem.
Kobe Bryant mostrou mais uma vez que é definitivamente o melhor jogador de basquete do planeta na atualidade; Phil Jackson inseriu indiscutivelmente seu nome como o maior treinador na história da NBA.
E tudo acabou sendo mais fácil do que muitos pensavam – inclusive eu.
Muitos – inclusive eu – esperavam mais do Orlando. O time da Flórida fez o que pôde, é verdade, mas o que pôde fazer foi pouco diante de uma equipe que tem Kobe e Phil.
A disciplina tática do Magic, sua maior variação de jogo, sua independência em relação a Dwight Howard, seu “dominant player”, acabaram nos enganando a todos.
Dwight é um grande jogador – mas para o futuro; Stan Van Gundy montou um time na unha – mas não está ainda no ponto para ser campeão.
Ficou provado, uma vez mais, que um time para ser campeão precisa ser dependente de seu “dominant player”. Ficou provado, uma vez mais, que um time para ser campeão precisa ter um treinador que faça a diferença.
Seu “dominant player” não pode ser mais um – como Howard é para o Orlando.
Kobe, o “dominant player” do Lakers, fez a diferença quando foi preciso – o que Dwight não conseguiu com o Orlando. K24 foi eleito merecidamente o MVP destas finais. Ganhou o troféu “Bill Russell”, em homenagem a este que foi, na minha opinião, o maior jogador da história da NBA – Michael Jordan não conta, pois, assim como Pelé, é de outro planeta.
Kobe anotou ontem 30 pontos. Completou seus números com mais seis rebotes, cinco assistências e quatro tocos.
Terminou estas finais com uma média de 32.4 pontos por partida – a quarta maior na história da NBA em jogos finais.
Seu instinto matador, sua gana, sua vontade de vencer, sua determinação, seu amadurecimento o tornaram grande. Mesmo quando cometeu equívocos em quadra conseguiu ser o “factor” do time.
Mas ontem Kobe esteve perfeito.
Ganhou seu quarto título na liga, o primeiro como ator principal. Não há mais como duvidar de seu talento e de sua genialidade.
Perguntado, na entrevista coletiva, após a partida, sobre se incomodava o fato de as pessoas dizerem que ele tinha vencido três campeonatos por causa de Shaquille O’Neal, Kobe respondeu que sim, claro que sim.
“Parecia uma tortura chinesa, mas aceitei como um desafio”, disse ele.
Humildemente, Kobe foi trabalhando, trabalhando e trabalhando. Perdeu duas semifinais no Oeste para o Phoenix. Depois foi derrotado na final da NBA pelo Boston, ano passado, até que, finalmente, ganhou o título como ator principal.
“As pessoas têm que entender que todo time campeão tem um duo”, disse Kobe – e com razão. Não dá para ganhar nada sozinho. Sem ele Shaq não teria conseguido levar o Lakers a três títulos no começo desta década.
E o Kobe de Kobe, nesta conquista, foi Pau Gasol. O espanhol calou a boca dos críticos – inclusive eu – que diziam ser ele um jogador soft demais para ganhar um título.
O pivô mostrou ter colhões maiores do que muitos imaginavam. Brigou de igual para igual com Dwight Howard. Não se encolheu jamais diante do Super-Homem.
Terminou a partida de ontem com 14 pontos, 15 rebotes, quatro tocos e três assistências.
No intervalo do jogo, Stuart Scott, âncora da ESPN, perguntou a Magic Johnson que prêmio Kobe deveria dar a Gasol. O maior armador da história da NBA respondeu: “Dividir o salário com Pau”.
E complementou: “Excluindo Kevin Garnett, Gasol é o melhor ala de força da NBA. Sem ele Kobe não estaria aqui”.
E não estaria mesmo, pois, como disse Kobe, um time para ser campeão precisa de uma dupla dinâmica.
Mas não foi fácil transformar Gasol neste jogador que ele é hoje. Foi um trabalho árduo que durou uma temporada.
“Seu crescimento defensivo nos ajudou demais”, disse Kobe depois da partida.
Já falamos sobre isso. Esta melhora tem a ver com o trabalho de Phil Jackson.
P-Jax relutou em aceitar o convite de Jeannie Buss, filha de Jerry Buss, dono do Lakers para voltar a comandar o time. Jeannie, se você não sabe, é quase que mulher de P-Jax. Vivem maritalmente, embora não sejam casados no papel.
Phil estava na Austrália, em 2005, quando o telefone tocou. Era Jeannie. “Volte, seu lugar é aqui, treinando o time”, disse ela.
P-Jax, como disse, relutou. “Não era justo comigo e com a equipe, que estava se acostumando a viver sem mim”, disse o treinador, que ficou um ano longe da Califórnia, desempregado, mas curtindo a vida. “Apesar do Kobe, não via potencial para fazer do Lakers um time campeão. Iria reconstruir a franquia para outro ganhar. Não sentia que iria ganhar um título novamente”.
Mas aceitou assim mesmo. E deu certo: o Lakers foi campeão antes mesmo que ele imaginava.
P-Jax conquistou seu 10º. troféu. Ultrapassou Red Auerbach, que amealhou nove com o Boston nas décadas de 1950 e 1960.
Na coletiva após a partida, Stan Van Gundy foi perguntado se Jackson é o maior treinador da história da NBA. Disse o treinador do Orlando: “Oh, yeah”.
Questionado sobre o que isso significava para ele, Phil respondeu: “Vou comemorar fumando um charuto”.
Homenagem e tanto a Auerbach, que nunca foi visto sem um cubano entre os dedos da mão direita. Para quem nunca esteve em Boston, há uma estátua de Auerbach no Faneuil Hall Marketplace, um dos cartões postais da cidade.
Red foi esculpido sentado em um dos bancos do calçadão, bengala na mão esquerda e o charuto na mão direita.
Doctor Red Auerbach – assim era chamado; assim é conhecido.

Um repórter indagou P-Jax sobre a alcunha: gostaria ele também de ser chamado de Doctor Phil Jackson? “Não, do jeito que está, está bom”, respondeu Phil.
Jackson nunca se importou com os holofotes. Seu jeitão “low profile” depois do jogo foi uma vez mais o retrato fiel de sua alma.
Enquanto Kobe pulava, alucinadamente, socando o ar num gesto imortalizado por Pelé e copiado por muitos no mundo inteiro, P-Jax sorria para ele mesmo. Abraçou seus jogadores, seus auxiliares, Joey Buss, filho de Jerry e quem recebeu o troféu, mas tudo com muita discrição.
Phil nunca quis ser o melhor de todos. Sempre fez questão de destacar a genialidade de Tex Winter, seu auxiliar técnico e criador do sistema dos triângulo. Winter, seu parceiro desde os tempos de Chicago, não esteve em Orlando, pois recupera-se em Portland de um AVC.
Qualquer outro de caráter duvidoso teria roubado a invenção de Winter. Teria dito ao quatro cantos do mundo que ele criou o sistema. Phil não fez isso, pois não precisa; é um cara muito bem resolvido.
E genial – assim como Kobe.
P-Jax fez do Chicago o primeiro campeão da NBA sem ter um pivô dominante, mudando a história do basquete profissional norte-americano. Antes desse time, toda equipe para ser vencedora na liga tinha que ter um grandalhão competente.
Era regra – tanto que o Houston selecionou Hakeem Olajuwon como primeiro draft de 1984, o Portland pegou San Bowie, como o segundo e o Chicago escolheu MJ, na terceira posição, pois os dois pivôs dominantes do “college” já tinham sido recrutados.
Agora, voltou ao Lakers para reconstruir a franquia. Encontrou-a escangalhada, completamente perdida, sem rumo, com Shaq no Miami e Kobe desnorteado.
Devagarzinho foi fazendo o que tinha que ser feito. Recuperou Derek Fisher, que estava no Utah, contratou Pau Gasol, do Memphis e passou um ano trabalhando a equipe.
E o resultado chegou: o Lakers foi campeão.
Ganhou, como disse, o melhor.
Sem Kobe e sem P-Jax isso não seria possível.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Boston, Celtics, Dwight Howard, Kobe Bryant, Magic, NBA, Orlando, Phil Jackson, Red Auerbach
13/06/2009 - 13:30
Alguém neste botequim comentou que Dwight Howard deveria treinar mais lances livres depois dos dois desperdícios a 11 segundos do final da partida, que poderiam ter levado a vantagem do Orlando para cinco pontos e praticamente ter selada a vitória do time da Flórida.
Informação importante: Dwight gastou noite e mais noites treinando lances livres. Sabe o que ele fazia? Depois do treino do Magic, cansado, fazia entrar no ginásio de treinamento amigos que gritavam no momento dos arremessos para que ele perdesse a concentração.
Como disse, foram noites e mais noites neste exercício. Howard (foto AP) chegava a bater 300 tiros livres depois dos treinos do time.
Ficava sozinho, junto com os barulhentos amigos, treinando. E só parava quando acertava 20 seguidos.
Quando isso acontecia, ia pro banho e depois pra casa. Quer dizer: o problema do Super-Homem não é falta de treino.
“Ninguém sente mais o que aconteceu naquela noite [quinta-feira passada] do que eu, mas eu não posso perder a cabeça”, disse Dwight em seu blog. “Eu gostaria de ter aqueles lances livres à minha disposição novamente, mas eu não posso mais arremessá-los. Tudo o que eu posso fazer neste momento é seguir adiante e tentar fazer melhor da próxima vez”.
Em Orlando, a maioria das pessoas atribui a derrota do time a esses dois lances livres perdidos. Isso aconteceu também com Nick Anderson na primeira partida da final de 1995 diante do Houston, quando o ala perdeu quatro lances seguidos, ele que tinha um grande aproveitamento.
O Rockets varreu o Orlando. Nick disse que tem sido consumido pelos erros desde então. Não consegue esquecê-los.
Não deve ser fácil mesmo.
Se o Orlando perder este campeonato, como tudo indica que vai acontecer, os torcedores vão, com o tempo, se esquecer desses lances livres perdidos; mas Dwight não.
Os grandes jogadores são assim mesmo: extremamente competitivos. Não aceitam a derrota de jeito nenhum – especialmente as pessoais.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Dwight Howard, Lakers, Magic, Orlando
12/06/2009 - 11:20

Seis são as alternativas para se tentar entender por que o Lakers ganhou e o Orlando perdeu. Vamos a elas:
1) Por causa dos arremessos mortais de três pontos de Derek Fisher;
2) Por causa do espaço dado por Jameer Nelson no momento do tiro de Derek Fisher que empatou o jogo (imagem acima, da Getty Images) em 87 pontos e levou-o à prorrogação;
3) Pelo fato de Jameer Nelson não ter feito falta em Derek Fisher e ter obrigado o armador do Lakers a bater dois lances livres;
4) Por causa dos dois lances livres que Dwight Howard errou a 11 segundos do final do tempo normal, que poderiam ter levado a diferença do Orlando para cinco pontos e liquidado o jogo;
5) Pela opção de Phil Jackson em fazer a reposição de bola no fundo da quadra e não no meio, o que possibilitou aos jogadores se espalharem e evitar que Derek Fisher sofresse a falta de Jameer Nelson.
6) Todas as alternativas anteriores são corretas.
Em qual você crava?
CALIBRE
Como disse no papo passado, Derek Fisher voltou a dar o ar da graça. Ontem, não fosse ele, e o Lakers teria perdido.
O Orlando vencia o jogo por três pontos (87-84). Na reposição pelo fundo, após um pedido de tempo feito por Trevor Ariza, que apanhou o rebote do segundo lance livre perdido por Dwight Howard, Fisher recebeu a bola, levou-a tranquilamente até próximo da linha dos três e quando o relógio marcava 4.6 segundos para a buzinada final saiu o tiro.
Foi certeiro: bingo!, como gostam de dizer os americanos.
Ou então: money!, como eles também se referem a estes arremessos mortais.
Jogo empatado em 87 pontos.
Na prorrogação, a 31 segundos do encerramento, uma vez mais Fish apareceu para outro tiro aniquilador. E de três novamente: 94-91.
A vantagem de três pontos jogou uma pressão enorme nos ombros do Orlando, que acabou sucumbindo.
Pau Gasol fez os últimos cinco pontos do Lakers e levou o placar para os definitivos 99-91.
DESLEAL
Leandrinho teria dito que Kobe Bryant é sujo porque gosta de usar os cotovelos em quadra. Sinceramente, eu nunca observei isso e nunca li nada a respeito de outros jogadores reclamando deste possível comportamento do jogador do Lakers.
Por falar nisso, o que dizer da fraqueza emocional de Michael Pietrus no final da partida, quando, feito uma menina histérica, esmurrou as costas de Pau Gasol quando ele iria fazer mais dois pontos em uma enterrada?
Pietrus parece-me gente boníssima, não dá para dizer que ele é sujo pela jogada de ontem. Creio que foi apenas um momento de fraqueza pela frustração de ter visto escapar pelos dedos uma partida que estava mais do que ganha.
GÊNIO

Acho que todos concordam que Kobe Bryant (acima, foto Getty Images) voltou a jogar mal. Forçou novamente o jogo, cometeu erros bobos e no momento crucial parecia uma criança mimada em quadra tentando, sozinho, definir a partida.
No entanto, mais uma vez, a gente olha para os números e estes nos dizem: 32 pontos, oito assistências e sete rebotes.
Quer dizer: se Kobe tivesse jogado o seu normal, teria feito mais de 50 pontos e marcaria um “triple-double”.
Mesmo jogando mal, o cara faz 32 pontos, dá oito assistências e apanha sete rebotes.
Gênio.
CULPADO
Se alguém quiser justificar a derrota do Orlando e cravar na alternativa quatro (“Por causa dos dois lances livres que Dwight Howard errou a 11 segundos do final do tempo normal, que poderiam ter levado a diferença do Orlando para cinco pontos e liquidado o jogo”), vejam só como um jogo de basquete é cruel: DH quase fez um “triple-double”.
O Super-Homem da Flórida marcou 16 pontos, fisgou 21 rebotes e deu nove tocos!
Mas errou dois lances livres a 11 segundos do final do tempo normal, que poderiam ter levado a diferença para cinco pontos e liquidado o jogo.
Isso também é fato.
CORRIDA
O Lakers fez uma corrida de 12-1 após Rashard Lewis ter feito uma cesta de três e levado a vantagem do Orlando para 90-87. Isso a 4:33 minutos do fim.
Os pontos do Lakers foram assim distribuídos: Pau Gasol, cinco; Kobe Bryant, quatro; Derek Fisher três.
SUPERSTIÇÃO
A menina Gina Marie Incandela havia cantando o hino dos EUA em sete jogos do Orlando em sua Amway Arena. E o recorde do Magic era de 7-0.
Ontem, como aconteceu no jogo de terça-feira, Gina Marie voltou a cantar a canção “Star Spangled Banner”, o hino norte-americano.
Não deu certo.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Derek Fisher, Dwight Howard, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Pau Gasol, Phil Jackson
11/06/2009 - 18:01
O jogo é hoje. Para o Orlando; ainda não para o Lakers.
Os floridenses conseguiram vencer pela primeira vez na série, terça-feira passada, diminuindo-a para 2-1 em favor dos angelinos. Venceram porque estiveram com a mão muitíssimo bem calibrada.
Repetir a dose esta noite será muito difícil, não impossível, mas pouco provável. Acertar 62.5% dos arremessos não acontece toda hora, menos ainda dois jogos seguidos.
Portanto, penso que se o Orlando quiser igualar a série, terá que inventar algo. O ideal seria criar estratagemas para surpreender os californianos.
O que fazer? Já dei minha contribuição: colocar Tony Battie como ala de força, passar Rashard Lewis para a ala e jogar Hedo Turkoglu na armação. Sobraria para Rafer Alston.
Isso desmontaria o sistema do Lakers. Sobraria para Derek Fisher, que ficaria sem função defensiva.
E com ele de fora, o Los Angeles perderia sua força nas bolas de três, uma vez que Fish melhorou seu rendimento de dois jogos para cá. Já não era sem tempo.
Alston jogou muito na terça, especialmente no primeiro quarto. Fez 20 pontos na partida, dez a mais do que a pontuação das duas pelejas anteriores.
Mas não acredito que o armador do Orlando vá repetir a dose. O jogo passado representou seus 15 minutos de fama, como dizia Andy Warhol.
Stan Van Gundy usou Battie e Rashard ao lado de Dwight Howard no encontro anterior. Não funcionou bem – mas foi por pouco tempo e pareciam desentrosados.
Enfim, esta é a minha contribuição. Mas quem tem que resolver o problema é Van Gundy, funcionário da franquia e muito bem pago para encontrar soluções para seus dilemas.
Para isso serve o treinador. Criar estratagemas, ciladas para o adversário principalmente quando se está em desvantagem.

Por falar em treinador, vocês viram o que Alonzo Mourning falou de Phil Jackson (acima, ao lado de Kobe, em foto AP)? Que o técnico do Lakers está no banco apenas para pedir tempo, que dorme o jogo inteiro e que o sucesso do time é fruto do talento de Kobe Bryant.
Mentiu?
De jeito nenhum; infelizmente, P-Jax tornou-se sinônimo de sonolência.
Além de dormir, tem tomado decisões equivocadas. No jogo passado, deixou Kobe de fora no começo do último quarto, colocando-o em quadra quando faltavam 7:13 minutos para o final da partida.
Quer dizer: desperdiçou quase cinco minutos do tempo derradeiro, que se iniciou com o Lakers atrás no marcador em oito pontos (83-75).
A justificativa de P-Jax: Kobe estava cansado. K24, no entanto, disse que não estava.
Falta se comunicação, de sintonia; sei lá, algo assim. Não só entre o treinador, mas entre os jogadores, em quadra, quando a tarefa era defender.
O Lakers vai ter que melhorar sua atitude defensiva se quiser ganhar. Ofensivamente o time já mostrou que está em ordem.
Ofensiva, aliás, que tem se mostrado o calcanhar de Aquiles do pivô Dwight Howard, como temos visto. Muitos frequentadores deste botequim têm dito exatamente isso: o Super-Homem só tem força, falta-lhe técnica.
Kareem Abdul-Jabbar, o maior artilheiro de todos os tempos na NBA e um dos maiores pivôs da história do basquete, disse isso esta semana. “Ofensivamente, ele [Dwight] é cru”, afirmou Kareem.
Mentiu?
De jeito nenhum; o próprio Howard reconhece que tem limitações. “O Kareem está certo”, admitiu, humildemente, o pivô do Orlando. “Eu preciso melhorar o meu repertório”.
Enfim, já falei demais. Estou ansioso, aguardando pelo início do quarto confronto.
O que eu acho que vai acontecer? Sou apenas o “barman”, vocês é que são os frequentadores deste botequim.
O que eu acho pouco importa, quero saber o que vocês acham.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Dwight Howard, Kareem Abdul-Jabbar, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Phil Jackson, Rashard Lewis, Stan Van Gundy
10/06/2009 - 11:48
Foi um jogo esquisito, diz o título.
O Orlando teve um aproveitamento incrível de 62.5% de seus arremessos, recorde da NBA em uma decisão de título (no primeiro tempo foi de 75%, outro recorde), mas ganhou a partida por apenas quatro pontos: 108-104 – quando na verdade poderia ter sido de apenas dois se Kobe Bryant não fizesse aquela falta desnecessária no final da peleja.
Qual a mensagem que a porfia de ontem nos deixou?
Que o se o Orlando tivesse tido um aproveitamento dentro da normalidade (na fase de classificação foi de 43.3%), teria perdido o jogo novamente. Mais ainda: se o Magic quiser ganhar outra vez amanhã à noite – e quer –, vai ter que seguir batendo recordes de arremessos.

Sim, pois sua defesa não oferece resistência ao Lakers.
No primeiro jogo da série, o Los Angeles teve aproveitamento de 46.1%; no segundo, 46.2%; e ontem 51.3%.
Muita coisa.
Assim vai ficar difícil reverter a série e viajar para a Califórnia com uma vantagem de 3-2, jogando a pressão todinha pra cima do adversário e, quem sabe, entrar para a história da NBA como a quarta franquia a sair de uma desvantagem de 2-0 para conquistar o título.
O Orlando tem que entender que não dá para ter um aproveitamento de 62.5% nos chutes todas as noites. Há que se melhorar a defesa e segurar o Lakers abaixo dos 40% (35% seria o ideal) e aproveitar mais de 45% de seus tiros nos próximos dois jogos se quiser, como disse, reverter a série.
Caso contrário, não vai ganhar o título de jeito nenhum.
CONFUSÃO
E tem mais: não vai ser todas as noites que o Lakers vai mostrar-se confuso em quadra como o fez no final do jogo de ontem.
Mickael Pietrus acertou dois lances livres e colocou o Orlando na frente em 106-102 a 28.7 segundos do final. Com todo esse tempo disponível, os jogadores do Lakers, inexplicavelmente, começaram um festival de arremessos de três sem o menor sentido.
Primeiro foi Kobe Bryant quem errou; depois Trevor Ariza; na sequência, novamente Kobe; e finalmente Derek Fisher.
Pra que esse desespero? Era armar uma jogada simples, para um tiro curto, de dois pontos, baixar a diferença para dois pontos, pressionar a saída de bola do Orlando e se não obtivesse sucesso no desarme, buscar a falta.
O Magic poderia errar um dos dois arremessos, e, aí sim, buscar uma cesta de três para levar o jogo para a prorrogação. Ou não, pois dependendo do tempo que faltaria para acabar a partida uma nova cesta segura, da zona morta ou no pivô, poderia ser a melhor solução.
Mas não foi o que se viu.
O que se viu foi um Lakers que mais parecia o Orlando no final da partida: um time imaturo em quadra, que parecia estar disputando sua primeira partida numa decisão de título.
Onde estavam a experiência e a sabedoria de Kobe e Phil Jackson naquele momento?
Foi a sétima derrota seguida do Lakers fora de casa em uma decisão. Igualou-se ao Fort Wayne Pistons, que na decisão do título da temporada 1955-56 atingiu esta marca.
ENGANO
Como disse no jogo passado, não se deixe levar pelos números. Kobe Bryant marcou 31 pontos, terminou como cestinha do jogo, mas voltou a pecar – e muito.
Primeiro foi nos lances livres. Teve um aproveitamento pífio: 50% (5-10). Se tivesse chegado a 90% (dentro de sua média nestes playoffs), teria levado o jogo para a prorrogação.
Depois, negou fogo durante quase todo o jogo. Seu desempenho limitou-se basicamente ao primeiro quarto, quando anotou 17 pontos – fez mais quatro no segundo e fechou o primeiro tempo com 21.
No segundo tempo, fez apenas dez pontos e mostrou um aproveitamento de 4-15 (26.7%). Foi neste período que Bryant errou a maioria de seus lances livres.
Finalmente, fracassou no final da partida duas vezes em menos de três segundos. No início da jogada, foi desarmado por Dwight Howard; Pau Gasol conseguiu recuperar a bola e passar para Kobe, que perdeu o controle e deixou-a nas mãos de Mickael Pietrus.
Um horror.

Agora, sabe o que a estatística anotou? Está sentado? Se não tiver, sente. A estatística anotou erro para Gasol que fez um passe equivocado para Kobe.
Pode? Gasol errou aonde? Ele recuperou, isto sim, a bola e jogou-a nas mãos de Bryant e este não teve agilidade e domínio suficientes para não deixá-la escapar novamente.
Por isso que eu sempre digo aqui neste botequim: não se fie sempre nas estatísticas, pois elas mentem – e não são poucas as vezes.
CALIBRE
O Orlando teve cinco jogadores com um duplo dígito nos arremessos. Dwight Howard e Rashard Lewis fizeram, cada um, 21 pontos e foram os cestinhas do time.
Depois apareceu Rafer Alston, que teve uma atuação de gala. O armador anotou 20 pontos e merecia mais minutos em quadra do que os 37 que Stan Van Gundy reservou para ele.
Finalmente, com 18 tentos cada um, Hedo Turkoglu e Mickael Pietrus.
Vejam que o Magic teve, portanto, cinco jogadores que fizeram 18 pontos ou mais.
Inacreditável.
REBOTES
Com um aproveitamento de 62.5% por parte do Orlando em seus arremessos e de 51.3% do lado do Lakers, foram poucos os ressaltos disponíveis na partida. Para ser exato, 56 no total.
O Magic fisgou 29, dois a mais que o time californiano.
Pau Gasol, por exemplo, pegou apenas três. Mas Dwight Howard confiscou 14 e foi o único jogador em quadra a ter um duplo dígito neste fundamento.
Foi, também, o solitário atleta nos “double-doubles”.
Como disse na abertura de nosso papo, foi um jogo esquisito.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: Derek Fisher, Dwight Howard, Hedo Turkoglu, Kobe Bryant, Lakers, Magic, Mickael Pietrus, NBA, Orlando, Pau Gasol, Phil Jackson, Rafer Alston, Rashar Lewis, Stan Van Gundy, Trevor Ariza
09/06/2009 - 14:46
O jogo é hoje. Para o Orlando; não para o Lakers.
Os amarelinhos sabem que há dois encontros reservados para Los Angeles, caso haja necessidade, onde eles já venceram duas vezes. Outro par de vitórias caseiras e o time conquista seu 15o. título de campeão.
Portanto, jogar pressionado por quê?
A responsabilidade de vitória está mesmo nas costas do Orlando. Aliás, não só esta noite, mas também na quinta e no domingo – se houver este confronto, diga-se.
Estará, o Magic, desta forma, sempre pressionado. Já o Lakers….
O formato 2-3-2, questionado por alguns frequentadores deste botequim, é de fato excelente para quem tem a vantagem – no caso, o time da terra do cinema.
Lakers, abrindo um parêntese, que foi um dos três times a perder uma decisão depois de ter aberto 2-0 na série final. Isso aconteceu em 1969 diante do Boston.
(Nas outras duas ocasiões, o Portland bateu o Philadelphia em 1997 por 4-2 e em 2006, como falamos ontem, o Miami ganhou do Dallas.)
Apesar de ter sido derrotado pelo Celtics, o MVP daquela final de 69 foi parar nas mãos de Jerry West. Foi a única vez na história da liga que um jogador do time perdedor ficou com o troféu.
Jerry West, cujo logotipo da NBA foi inspirado, teve média de 38 pontos por partida, mas não conseguiu evitar a derrota do Lakers. Mesmo jogando em casa o sétimo embate, foi batido por 108-106.
No final da partida, os jogadores do Boston foram até o vestiário do Lakers consolar West, um cavalheiro em quadra, admirado pelos oponentes e adorado pelos companheiros.
Naquela época, o formato das finais era diferente. Este era o desenho: 2-2-1-1-1 – exatamente o mesmo dos playoffs dentro das conferências.
O Lakers abriu 2-0. Depois foi derrotado nos dois encontros em Boston. Voltou a ganhar em LA, mas perdeu na sequência em Massachusetts. No sétimo prélio, como vimos, perdeu o campeonato, dentro do Forum de Inglewood.
A situação agora é diferente. O Orlando não é o Boston, nem tem um jogador como Bill Russell, apesar de contar com Dwight Howard.
O Magic procura inspiração no Celtics, mas não o de 69, mas sim no atual. Inspira-se nas semifinais destes playoffs, quando o time ganhou o sétimo jogo em Massachusetts e classificou-se para decidir a conferência diante do Cleveland.
Por que não repetir agora? Não é impossível, mas é muito pouco provável, até porque o Orlando não é o Boston, a eterna pedra no sapato do Lakers.
“O Lakers é um grande time, mas não podemos desistir”, disse o técnico Stan Van Gundy.
Não podem mesmo.
Nem nós queremos que isso aconteça, pois torcemos por uma série longa. Caso contrário, voltaremos a ver a bola pingando apenas em novembro.
É muito tempo.
MUDANÇAS

Penso todos os dias nesta mudança tática que o Orlando poderia promover no jogo desta noite. Acho que, realmente, Stan Van Gundy poderia dar mais minutos em quadra para um time mais alto e forte no garrafão.
O que eu faria?
Simples: passaria Hedo Turkoglu para a armação, colocaria Mickael Pietrus e Rashard Lewis nas alas e no pivô faria Tony Battie fazer companhia para Dwight Howard.
Rafer Alston e Jameer Nelson, os dois armadores do Orlando, não estão jogando tanto assim a ponto de nem se pensar nesta alternativa. Turkoglu já mostrou que pode muito bem levar a bola.
Ademais, não seria uma formação para jogar os 48 minutos. Seria alternativa de jogo, para tentar mudar o cenário, desfavorável ao Orlando neste momento.
IGUAL
Quanto ao Lakers, não há motivo algum para promover mudanças. Venceu os dois jogos em casa.
No primeiro, com uma atuação de gala de Kobe Bryant; no segundo, com Pau Gasol e Lamar Odom segurando a onda legal por causa de uma atuação confusa de Kobe.
Melhor ainda: Derek Fisher deu o ar da graça no encontro de domingo passado.
Só falta Andrew Bynum.
OBRIGADO
Perguntado sobre por que jamais dirigiu a seleção dos EUA em Olimpíada ou Mundiais, Phil Jackson deu a resposta ontem em Orlando. Disse ele: “Há seis, oito anos, quando Mitch Kupchack [gerente geral do Lakers] trabalhava na USA Basketball, ele me perguntou se eu gostaria de fazer parte do ´staff´ técnico e eu disse não”.
Disse mais: “Não era algo que eu gostaria de fazer. [Por isso] optei por não aceitar o convite”.
Mais ainda: naquela época, P-Jax revelou que também foi convidado para dirigir o time do Canadá nos Jogos Olímpicos, mas não aceitou. “Steve Nash não era, naquela época, um jogador maduro”.
ALL-STAR GAME
A NBA anunciou ontem que o “All-Star Game” de 2011 será em Los Angeles. É bom lembrar que a cidade sediou o evento há seis anos.
A festa, ano que vem, acontecerá em Dallas. Este ano, como a gente sabe, foi em Phoenix.
Anteriormente, em New Orleans, Las Vegas, Houston…
O que estas cidades têm em comum? São quentes mesmo na época do inverno norte-americano.
O comissário David Stern, presidente da NBA, admitiu que o clima tem peso importante na decisão da liga no momento da escolha das cidades.
“Estas cidades são mais atrativas para os fãs”, disse Stern.
Azar de Boston, que luta para abrigar o evento, o que não ocorre desde 1964.
Autor: Fábio Sormani - Categoria(s): NBA
Tags: all-star game, David Stern, Dwight Howard, Kobe Bryant, Lakers, Magic, NBA, Orlando, Phil Jackson, Stan Van Gundy
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