PERSONALIDADES OPINIAM SOBRE O CASO NENÊ-LEANDRINHO
Conversei nesta segunda-feira com algumas personalidades do nosso basquete sobre o assunto que mais gera polêmica no momento: convocar ou não Nenê e Leandrinho para os Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem.
A pergunta que fiz foi: você convocaria os dois? Vejam o que eles disseram:
OSCAR SCHMIDT (ex-jogador) – “Claro que não! Em 1995, o Ary Vidal me fez voltar à seleção juntamente com o Israel e o Maury. Conseguimos a vaga para os Jogos Olímpicos de Atlanta com as calças nas mãos. Aí os dois não foram chamados para as Olimpíadas. Eu fui egoísta, pensei apenas no fato de que iria disputar minha quinta Olimpíada, mas eu não deveria ter ido. Falei um monte para o Ary, que é meu amigo, mas não deveria ter ido. Convocar agora Nenê e Leandrinho é uma bofetada na cara dos jogadores que conquistaram a vaga em Mar del Plata. E tem mais: sabe o que eu fiquei sabendo? Que o Leandrinho estava na balada na hora do jogo. Ou seja: nem se interessou em ver a partida. Claro que com o Nenê a nossa foto é outra, mas ele também não merece ser convocado”.
HORTÊNCIA MARCARI (ex-jogadora e atual dirigente da CBB) – “Não convocaria, porque no momento mais importante, mais crucial, que mais precisou, eles não foram. Há uma diferença do caso deles do caso da Iziane, que está com um contrato terminando com seu time na WNBA e em meio a um campeonato. Nenê e Leandrinho estão de férias. Os outros jogadores da NBA estão disputando o Pré-Olímpico na Europa. Por que eles não vieram? Gosto muito do Leandrinho, quero o bem dele, mas pergunto: ele não estava machucado? Mas aí eu o vejo treinando no Flamengo, batendo bola e pronto pra jogar. Não entendi. Temos que ir bem nas Olimpíadas? Lógico que sim. É óbvio que os dois são importantes. Mas quem tem que decidir isso é o Magnano. Ele é inteligente e experiente. A decisão que ele tomar nós na CBB vamos acatar. E não tem que ouvir o grupo: o Magnano é quem tem que decidir. O grupo, pode ter certeza, quer ser campeão”.
MARCEL SOUZA (ex-jogador) – “Fácil, convocaria os dois sim. Porque não tem reserva de mercado para o sucesso. Convoco e deixo a bomba nas mãos dos dois. Pra termos chances de medalha nas Olimpíadas temos que levar nossos melhores jogadores. Só por que eles não foram ao Pré-Olímpico? Imagina o Brasil com mais três jogadores de nível. No basquete moderno, um jogador não pode ficar em quadra 40 minutos, como aconteceu com o Alex e o Huertas na final contra a Argentina. Então, você tem que ter opção para isso. Temos que jogar as Olimpíadas no estilo do Barcelona, campeão da ACB. Eu acompanhei todo o campeonato. Entre no site e veja: quem jogou mais, jogou 19 minutos por partida. A média ficou entre 14, 15, 16 minutos. Ninguém teve 25 minutos. É assim que tem que ser, pois hoje em dia o basquete é no pau! E pra se fazer isso tem que ter opção”.
MAGIC PAULA (ex-jogadora) – “Não convocaria. A convocação deles quebraria a harmonia do grupo. Além disso, eu nunca vi um treinador ter os 12 jogadores na mão. Em toda a história do basquete brasileiro, nem no masculino e nem no feminino, eu nunca vi um treinador dominar o grupo como o Magnano fez com esse time. Ninguém estava com o saco cheio de estar no banco. Esse time funciona coletivamente. Alguém pode dizer que ele conseguiria o mesmo com Nenê e Leandrinho. Mas eu acho que não vale a pena chamá-los, pois eles são coadjuvantes em seus times na NBA. Perderam a capacidade de decidir o jogo, perderam a capacidade de liderar. Veja o caso do Marcelinho Huertas: estou impressionada com ele. Esses caras da NBA não têm isso que o Huertas tem”.
ZÉ BOQUINHA (comentarista da ESPN Brasil) – “O momento é de muita euforia. Não podemos decidir nada com paixão, com o coração. Agora é o momento de curtir a conquista da vaga. Vamos dar um tempo. Daqui seis meses, sem paixão, sem euforia, toma-se uma decisão. Mas, analisando os fatos, o que a gente tem que dizer é que o Leandrinho sempre esteve à disposição; o Nenê é que vinha arrastado. Além disso, quando todos estiveram juntos, sempre houve confusão, pois não havia liderança. Veja que nesse grupo não tem isso. Ao mesmo tempo, eu penso: temos que ser profissionais, não podemos abrir mão de nossas estrelas. Uma coisa é ganhar a vaga para as Olimpíadas, outra coisa é jogar as Olimpíadas”.
LULA FERREIRA (ex-treinador da seleção) – “A única pessoa que pode falar sobre o assunto é o Rubén Magnano. Somente ele sabe exatamente o que aconteceu no pedido de dispensa do Nenê e do Leandrinho. Ele tem os motivos reais das ausências. O que a gente ouve falar nem sempre é o que de fato aconteceu. Mas eu digo que uma decisão dessas tem que estar acima de vaidades pessoais. Ela tem que ser tomada para o bem do nosso basquete. Rubén tem que formar o melhor time no seu entender. Não estou com isso dizendo que se tem que levar os dois, pois nem sempre os melhores jogadores formam o melhor time”.
CLÁUDIO MORTARI (ex-treinador da seleção brasileira) – “O momento não favorece os dois, mas temos um ano pela frente, pra pensar. De repente, as coisas caminham de um jeito que a gente não esperava. Temos que saber como o elenco reagiu à negativa do Nenê e do Leandrinho. Isso é importante. Mais ainda: precisamos saber como essa conquista repercutiu no grupo. Portanto, agora, temos que raciocinar, ter cautela. E, acima de tudo, procurar saber quais são as verdades nesse caso todo”.
DANILO CASTRO (comentarista do BandSports) – “Eu perguntaria para o grupo. A opinião dos jogadores é muito importante. Tecnicamente o Nenê e o Leandrinho acrescentam? Claro que sim. Mas se eu convocá-los o grupo pode rachar? Temos que saber isso. Veja que os jogadores estão muito unidos. Você viu o corte de cabelo deles? Isso demonstra união. A opinião dos jogadores tem que ter o peso maior nesse caso. O Magnano precisa ouvir o Marcelinho Huertas, o Machado, Tiago Splitter, Guilherme Giovanni e o Alex Garcia”.
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