VISÃO ESPLENDOROSA
LOS ANGELES – A visão de downtown LA vista a partir da 110 Freeway de quem vem do Sul é realmente magnífica. Eu adoro Los Angeles, ao contrário da maioria, que nada vê de especial na terra do cinema e se derrete por São Francisco — que também é espetacular. Sinto-me bem em LA.
Anda-se mais um pouco pela 110 e de repente, do lado esquerdo, aparece o Staples Center. A visão é igualmente estupenda. O Staples é um dos mais bonitos — se não for o mais bonito — ginásio da NBA. Por fora e por dentro.
Do lado de fora, ele é emoldurado pela freeway e pelos arranha-céus do centro da cidade. Dentro, a arquitetura chama a atenção. Os “skyboxes”, o restaurante, a distribuição das poltronas, enfim, tudo é moderno e harmônico.
E pra melhorar, sempre que se anda esbarra-se em alguém famoso. Leonardo di Caprio (foto AP) estava assistindo à vitória do Lakers sobre o Sacramento. Avistei-o de longe.
Mas a melhor das sensações eu tive quando me dirigia à sala de imprensa no intervalo do jogo. Peguei o elevador — a NBA me colocou lá no alto, mas eu até que gostei, porque pude ver a partida de um ângulo diferente e pude constatar que do alto vê-se a peleja numa boa sem essa de usar binóculo. De repente, o elevador parou no térreo — a sala de imprensa está um nível abaixo.
Quem entra? Maria Sharapova. Um espetáculo; tão ou mais bonita do que a tenista que a gente costuma ver na televisão. Mas Maria não deu bola pra ninguém e nem se esforçou para ser simpática.
As poltronas, no entanto, não são ocupadas apenas por estrelas. Diversos tipos de torcedores ajudam a compor o cenário. Desde os mais comuns, como no Brasil, com camisa do time e alguns cartazes, até figuras exóticas, como um afetado torcedor que desenhou Ron Artest em uma enorme toalha branca e ficava chamando o ala do Lakers a todo o instante enquanto ele se aquecia, antes de o jogo começar.
Mulheres bonitas ajudam a compor o cenário. Ou melhor, dão mais brilho ao já vistoso Staples Center, que se completa quando o jogo começa e outras estrelas, estas dentro da quadra, dão o toque final neste quadro que poderia ser exposto em qualquer museu famoso do planeta.
Que tal o Louvre ou o Metropolitan?
JOGO
Foi uma decepção do ponto de vista de que eu queria ver Kobe Bryant jogando ao vivo. O desapontamento aumentou quando Tyreke Evans foi expulso logo no começo do terceiro quarto, ele que estava irritado com a arbitragem por causa das três faltas marcadas contra si ainda no quarto inicial.
Mas eu procurei me desligar disso tudo e curtir o jogo. E teve o que curtir. A bandeja que Shannon Brown fez em cima de Evans ainda nos primeiros 12 minutos da contenda não ficou devendo em nada para as melhores jogadas de Michael Jordan com a camisa 23 do Chicago Bulls.
Se você não viu, procure nos “highlighs”. Ela com certeza aparecerá, pois foi eleita a jogada da partida — e não sem razão.
Shanonn, que tem atuado no lugar de KB, infiltrou pela direita, acompanhado de Tyreke, ganhou na corrida e quando subiu para a bandeja, o oponente subiu junto, inteligentemente obstando a passagem do armador do Lakers. Mas Shannon encontrou recurso em seu não tão vasto repertório de jogadas e no ar trocou a bola da mão direita para a esquerda para completar o lance.
Todos os 18.997 torcedores que compraram todos os bilhetes que estiveram à venda exultaram de alegria. Não era para menos. Afinal, além da beleza da jogada, constata-se que Brown está jogando bem (ontem fez 24 pontos e só ficou atrás de Pau Gasol (foto AP), que marcou 28) e pode ser uma excelente opção para o combalido Black Mamba.
PLAYOFF
Por falar em ginásio lotado, ontem mesmo o Lakers colocou à venda os bilhetes para o primeiro jogo dos playoffs diante do Oklahoma City. Não se sabe ainda quando ele acontecerá e nem a que horas.
Mas a fila para os ingressos estava enorme. Quem comprou viu estampado no tíquete: primeiro jogo dos playoffs. É só a NBA marcar a data e o horário, que o fã vai para a arena munido do ingresso, apresenta, senta e curte o show.
Que organização…
MARCAÇÃO
Depois do cotejo, mais do que falar sobre o Sacramento, Phil Jackson teve de responder perguntas sobre o Oklahoma City. Perguntas sobre Kevin Durant. KD que deve mesmo ficar com o título de cestinha do campeonato. KD que é o jogador que mais lances livres cobrou na competição (até ontem foram 825 contra 801 de Dwight Howard, o segundo colocado).
Depois dos reclamos de Kevin Garnett (“Parece que estamos jogando contra a p… do Michael Jordan do jeito que eles [árbitros] marcam as falta”), que custou-lhe US$ 25 mil de multa, P-Jax também deixou no ar sua insatisfação sobre esse “protecionismo” a Durant, esquecendo-se que a arbitragem faz o mesmo com Kobe Bryant.
E por falar em Kobe, P-Jax também falou sobre Thabo Sefolosha, que deverá ser o marcador de Black Mamba neste primeiro “round” dos playoffs. Ou melhor, não falou coisa nenhuma, apenas admitiu, durante a coletiva, que isso realmente vai acontecer e que espera de Kobe respostas para os problemas que o suíço vai impor-lhe.
Usando um sapatênis preto com o terno — confesso que eu esperava um sapato de cromo alemão —, o treinador do Lakers, mais magro do que o habitual (acho que as contusões estão tirando seu sono), não se furtou em responder quem seria o MVP do Lakers nesta fase de classificação.
Disse P-Jax: “Kobe jogou muito nas 15 primeiras partidas, outros jogadores foram muito bem na metade da competição, mas nesta reta final Pau [Gasol] jogou muito. Pau seria o meu MVP”.
Exagero? Creio que não, mas creio que a resposta foi também uma mensagem para o espanhol. P-Jax acredita nele e nele deposita muito de sua esperança em ver o time reprisando o feito da temporada passada, quando foi campeão.
DISTRIBUIÇÃO
Entrando no vestiário do Lakers — o Clippers tem o seu e não usa o do Lakers de jeito nenhum —, a distribuição dos armários é a seguinte, olhando da esquerda para a direita, sentido horário: Pau Gasol, Derek Fisher, Jordan Farmar e Luke Walton. Depois tem um corredor que leva para os chuveiros. Na sequência aparecem: Kobe Bryant, Sasha Vujacic e Josh Powell. Vem uma curva à direita e, colado ao de Powell vem o armário de Adam Morrison, Ron Artest, Lamar Odom, Shannon Brown, DJ Mbenga e Andrew Bynum.
AMISTOSOS
Se o Lakers já pensa lá na frente e vende bilhetes para o primeiro jogo dos playoffs, a NBA também não para. Já determinou que o Los Angeles fará dois cotejos em terras européias durante a fase de amistosos da próxima temporada.
O primeiro deles será contra o Minnesota, na O2 Arena de Londres. Data: 4 de outubro. Na seqüência, pega o Barcelona, na Espanha, jogo marcado para o Palau Saint Jordi. Data: 7 de outubro.
Que organização…
No vestiário do Sacramento, procurei Andrés Nocioni (foto AP, em duelo com Shannon Brown). O ala do Kings, como se sabe, é argentino de nascimento. Como também se sabe, é um dos principais jogadores do time nacional, comandado por Sergio Hernandez e que vai participar do Mundial da Turquia, entre agosto e setembro próximos.
Disse a ele que era brasileiro e Andrés foi muito receptivo. Depois, perguntou se queria que a entrevista fosse em inglês ou espanhol. Disse que não tanto fazia. Acabamos por misturar as duas línguas.
P – Como você está no Sacramento?
R – Bem, muito embora esta temporada não tenha sido muito legal. Ela foi cheia de altos e baixos.
P – E a seleção da Argentina, como estará no Mundial da Turquia?
R – A gente sempre entra para brigar pelo título. Esperamos chegar entre os quatro primeiros colocados. Temos potencial para isso.
P – Mesmo sem Manu Ginobili (o armador do San Antonio anunciou sua aposentadoria da seleção)?
R – Sim, mesmo sem ele, pois, como te falei, nosso time é muito competitivo e é igualmente maduro.
P – Você acredita que Manu possa mudar de idéia e jogar o Mundial?
R – Realmente, não sei.
P – Vocês não se falam?
R – Sim, nos falamos, mas quando nos falamos a gente não fala sobre basquete.
P – E o Brasil, o que você pensa?
R – Tem bons jogadores que podem formar uma grande equipe. Eles são competitivos e têm talento. Vai depender muito de como vai funcionar o grupo durante a preparação e a competição. União e amizade são muito importantes e saber jogar a competição também, pois o Mundial é curto.
P – O que te pareceu Rubén Magnano no comando técnico do time brasileiro?
R – Algumas pessoas podem ter ficado decepcionadas e/ou doídas com ele, mas isso é de cada um. Eu respeito a decisão dele, não vejo nenhum problema. Acho que ele tem tudo para fazer um grande trabalho com o Brasil.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Andres Nocioni, Kobe Bryant, Los Angeles, Los Angeles Lakers, Phil Jackson, Rubén Magnano, Tyreke Evans




