EM NOITE DE GALA DE LEBRON JAMES, MIAMI VENCE LAKERS E MANTÉM TABU
Foi o terceiro embate entre Lakers e Miami desde que o Miami dos “Três Magníficos” foi criado. E o Lakers perdeu pela terceira vez consecutiva. O Lakers jamais ganhou do Miami de LeBron James.
Na temporada passada, o primeiro encontro foi marcado para o dia de Natal. Em Los Angeles; final: Miami 96-80 Lakers. Naquela tarde californiana, LBJ barbarizou anotando um “triple-double”: 27 pontos, 11 rebotes e 10 assistências. Kobe, por seu turno, não foi nada bem: 17 pontos apenas, com um aproveitamento de 6-16 nos arremessos (1-3 nas bolas triplas).
O segundo clássico veio no dia 10 de março, desta vez no sul da Flórida. Final: Miami 94-88 Lakers. Naquela noite, LBJ teve novamente uma atuação destacada, ficando próximo de um novo “triple-double”: 19 pontos, nove assistências e oito rebotes. Kobe anotou 24 pontos, mas teve aproveitamento de 8-21 nos arremessos, o que provocou ira nele, que ficou em quadra depois da partida treinando arremessos por cerca de uma hora.
E ontem, finalmente, o terceiro encontro entre eles. Novamente noturno e no sul da Flórida. Final: Miami 98-87 Lakers.
Um pequeno tabu, que pode ser quebrado na próxima partida entre ambos, no dia 4 de março, desta vez em Los Angeles. Até lá, os californianos terão que curtir esta derrota, em cotejo que LeBron James (foto Getty Images), uma vez mais, barbarizou pra cima de Kobe Bryant.
MENSAGEM
O Miami entrou todo de negro. Uniforme novo, impactante, belíssimo. Como belíssima foi a atuação de LeBron James: 31 pontos, oito rebotes oito assistências e quatro roubos de bola.
E ele ainda estava gripado; quase não jogou. No treino de arremessos da manhã, LBJ não apareceu: ficou em casa repousando, resguardando-se para o jogo da noite, que ele não queria perder por nada neste mundo.
Foi a noite da redenção. Foi a noite que LBJ escolheu para responder a seus críticos. Foi a noite que LBJ escolheu para dizer a seus detratores: “Aguardem-me”.
Esta foi a mensagem depois do jogo que ele nos deu.
COMPARAÇÃO
LBJ foi comparado por Kobe com Oscar Robertson. Kobe nunca viu Big O jogar. Nem eu. Kobe ouvir falar de Big O; eu também. Por ter ouvido falar e estar vendo LBJ jogar, Kobe chegou à conclusão que LeBron pode ser comparado com Big O.
Talvez esta seja mesmo a melhor comparação.
Eu vi Magic Johnson jogar. Já cheguei a dizer aqui que o jogo dos dois se assemelha porque é baseado em todos os fundamentos e não apenas em um só.
Mas Magic era mágico; LeBron não é. Talvez Big O não fosse mágico, mas era genial. Como LBJ, em muitas ocasiões (como ontem, por exemplo), se mostra genial.
Big O (foto) terminou a carreira com médias de 25,7 pontos, 9,5 assistências e 7,5 rebotes. LBJ acumula médias, até o momento, de 27,7 pontos, 7,1 rebotes e 7,0 assistências.
Números que quase se assemelham.
(Abro este parêntese para dizer que Oscar Robertson é único jogador na história da NBA a ter um “triple-double” de média em uma temporada. Foi em 1961-62, quando, com a camisa do Milwaukee, ele anotou 30,8 pontos, 12,5 rebotes e 11,4 assistência. Fecho aqui o parêntese.)
CONFIANÇA
LBJ parece ter recuperado a confiança. Se isso realmente aconteceu e se ele mantiver esse nível até o final da competição, o Miami recupera o status de favorito ao título e LeBron pode sonhar em um dia ocupar uma cadeira na academia dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos.
Mas vamos dar tempo ao tempo e ver como será daqui para frente.
CARÁTER
Kobe Bryant pisou no impecável parquete da American Airlines Arena (20.004 pagantes) como o cestinha da temporada até o momento. Por conta disso e de seu basquete magnífico, o técnico Erik Spoelstra designou Shane Battier para vigiar seus passos.
É importante dizer que Battier é um marcador duro, mas é legal. Dos marcadores de Kobe, é dos poucos que não descem maldosamente o braço no ala-armador do Lakers tentando intimidá-lo e desestabilizá-lo.
E de maneira limpa, jogando basquete, Battier permitiu a Kobe 24 pontos. Não é pouco, é verdade, mas o aproveitamento foi de apenas 38,1% de seus arremessos (8-21), o mesmo aproveitamento que irritou-o em março do ano passado.
COMPORTAMENTO
Como disse, Shane Battier é um cara leal. Bem diferente, por exemplo, de Metta World Peace, que sempre foi sujo ao marcar Kobe. Diferente de Matt Barnes, que também sempre foi desleal quando enfrentou KB.
Aliás, o Lakers reuniu três cafajestes em seu elenco: World Peace, Barnes e Josh McRoberts.
Vocês viram a cotovelada covarde que ele deu em LeBron James no final do primeiro quarto? Deveria ter sido expulso, mas não foi.
Aliás, não foi surpresa pra mim a atitude de McRoberts. Ele veio do Indiana, um time com um bando de animais que nos playoffs da temporada passada passou toda a série dando bordoadas nos jogadores do Chicago tentando ganhar no braço uma série que era impossível ganhar na bola.
ELEGÂNCIA
Ao final do jogo, suando em bicas, LeBron James foi entrevistado por Craig Sager, o espalhafatoso repórter da TNT.
Pediu uma toalha para o pessoal do banco de reservas. Enxugava o rosto para apresentar-se dignamente diante das câmeras e para não respingar seu suor em Sager. São poucos os jogadores que fazem isso.
Mesmo entrevistados por mulheres, a maioria não se dá ao trabalho de se enxugar em sinal de respeito. LeBron, ao contrário, preocupa-se com isso, pois preocupa-se com o próximo.
Na entrevista, falando sobre Kobe Bryant, disse que ganhar dele tem sempre um sabor especial. Sabem por quê? Disse LBJ: “Porque Kobe é um dos maiores jogadores de todos os tempos e o maior da atualidade”.
CARÁTER
No segundo quarto, LeBron James tentou evitar um lateral bola e este esforço custou-lhe cair em um torcedor que estava acomodado em uma cadeira de pista da primeira fileira. LBJ rapidamente segurou a cadeira e não deixou o espectador espatifar-se no chão, correndo o risco de bater a cabeça no solo e, Deus nos livre, ocorrer um traumatismo craniano.
A cena foi espetacular pelo cuidado mostrado por LBJ, que mais tarde foi informado por Craig Sager ser David P. Samson, presidente do Miami Marlins, time de beisebol, rival do New York Yankees, time do coração de LBJ.
Nova demonstração de caráter de LBJ.
(Aqui eu abro outro parêntese para dizer que nestas situações Metta World Peace costuma mergulhar nos torcedores, pouco se importando com o que posso acontecer com eles. Dito isso, fecho o parêntese.)
QUEDA
Depois de anotar, respectivamente, 48 pontos (Phoenix), 40 (Utah), 42 (Cleveland) e 42 (Clippers) e ter um desempenho de 61-121 (50,4%), nos dois últimos jogos Kobe Bryant fez 15-43 (34,9%).
Nos dois últimos jogos, KB (foto Getty Images) somou apenas 38 pontos.
O JOGO
Além da partida espetacular de LeBron James e da marcação ferrenha de Shane Battier em cima de Kobe Bryant, outros fatores determinaram a vitória do Miami sobre o Lakers.
1) Ao final do primeiro tempo, o Heat vencia por 52-37 e tinha acertado nada menos do que 8-13 nas bolas de três;
2) O desempenho de Matt Barnes na partida foi comprometedor. Além de não conseguir marcar LBJ, fez apenas três pontos, fruto de uma bola longa. Terminou a partida com 1-6 nos arremessos;
3) Derek Fisher, uma vez mais, comprometeu o time: dois pontos (1-5) e uma assistência;
4) Os pivôs titulares do Lakers salvaram-se. Juntos, Pau Gasol (26) e Andrew Bynum (15) anotaram 41 dos 87 pontos do time angelino; juntos, pegaram 20 dos 38 rebotes da equipe (12 de Bynum, que foi o único jogador do Lakers e da partida a cravar um “double-double”);
5) As bolas de três dos californianos não encontraram a cesta como eles pretendiam: 6-20 (30,0%);
6) Em contrapartida, o desempenho do Miami nos tiros longos foi muito bom: 9-18 (50,0%);
7) No duelo dos bancos de reservas, o Miami venceu por 24-17 e nos rebotes foi 15-6;
8) Os lances livres continuam a tirar o sono do técnico Erik Spoelstra: 13-18 (72,2%); 8)
CURIOSIDADES
O Miami venceu seu quinto jogo sem Dwyane Wade; não perdeu nenhum com ele do lado de fora… O jogo foi resolvido nos três primeiros quartos, quando o Miami fez 77-56 e permitiu ao time um aproveitamento de apenas 37,9% de seus arremessos… A campanha do Lakers fora de casa é de 1-5. A única vitória foi conquistada diante do Utah, na prorrogação, por 90-87… Eddy Curry jogou com a camisa do Miami pela primeira vez: seis pontos e três rebotes em seis minutos… Leiam este parágrafo do relato do jogo feito pelo jornal “LA Times”: “The Lakers locker room was quiet after de game, but there were fireworks at halftime, couch Mike Brown loudly telling players to trust their defense. The problem, however, is the offense”… Do lado de fora, vendo a partida, lado-a-lado estiveram Pat Riley e Magic Johnson. Ah, tempos inesquecíveis do “Showtime”, um basquete que encantava mesmo aqueles que não se ligavam tanto na modalidade. E no banco de reservas do Miami, outro componente daquele time: Bob McAdoo, hoje assistente de Erik Spoelstra.
RECADO
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Notas relacionadas:
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- LEBRON JAMES GANHA RECONHECIMENTO E MOSTRA EVOLUÇÃO EM SEU JOGO














