OESTE SUAVE
E não é que passear pelo Oeste americano virou um ótimo negócio para os líderes do Leste? Primeiro foi o Orlando que lá foi e voltou para casa em primeiro lugar na classificação geral da NBA.
Agora chegou a vez do Cleveland.
Apesar de ter sido batido pelo Lakers – sua única derrota nos quatro jogos disputados –, o Cavs desembarca nesta tarde de domingo em Cleveland ocupando o lugar que na semana passada foi do Magic, que deixou a ponta da competição exatamente porque perdeu para equipes do Leste.
O time de LeBron James (foto AP) tem neste momento a melhor campanha entre todas as 30 equipes que participam do campeonato. Seu recorde é de 34 vitórias e apenas oito derrotas, com um percentual de aproveitamento de suas partidas de 81.0%.
Apesar de o desempenho das franquias do Oeste ser melhor do que as do Leste – o Phoenix, que tem uma campanha de 23-18 (56.1%) e está em nono lugar, fora do G-8, se jogasse no Leste ocuparia a sexta posição –, a verdade é que Cleveland, Orlando e Boston são muito superiores às equipes do Oeste, à exceção do Lakers, que está no mesmo nível desses três times.
Assim, quando a tabela mostra para os três ponteiros do Leste que há uma longa viagem para o lado oposto, eles esfregam as mãos, pois sabem que é a chance de voltar a ocupar o primeiro lugar na classificação geral do campeonato.
Mesmo que percam para o Lakers, como aconteceu com o Cleveland.
ERROS
Há que se ter um olhar mais crítico para os jogos do Cleveland neste momento. O time teve dificuldades diante de adversários mais fracos.
Ganhou do Golden State na última bola; ontem, diante do Utah, venceu por 102-97, mas igualmente teve problemas.
LeBron foi o cara do embate contra o Warriors com seu chute milagroso no segundo final. Mas a gente não pode se esquecer que ele cometeu erros no terceiro quarto que quase custaram a vitória do time.
Ontem, novamente voltou a se equivocar, como por exemplo a bola que perdeu já próximo ao final da partida, que proporcionou um contra-ataque ao Jazz que poderia ter passado à frente naquele momento e ter comprometido o triunfo do Cavs.
Mas o erro é humano e LBJ não é Michael Jordan. Mesmo assim, tem muita poupança dentro do Cleveland.
Se errou durante o terceiro quarto contra o Golden State, ganhou a partida no último arremesso. Se bobeou na jogada referida contra o Utah, marcou, ao longo do jogo, 33 pontos, 14 rebotes e deu nove assistências.
Mais uma e teria completado um “triple-double”.
LeBron joga muito. É no momento o melhor jogador da NBA.
Com ele em quadra há 81% de possibilidade de o time ganhar a partida. Os números mostram isso.
DESFALQUES
O Cleveland, como disse, não fechou com convicção algumas partidas, mas venceu.
E é bom que a gente não se esqueça que a equipe viajou para o Oeste desfalcada de dois de seus principais jogadores: o pivô Zydrunas Ilgauskas e o ala/armador Delonte West.
Anderson Varejão (foto AP) voltou a jogar bem. Marcou 14 pontos (7-8 nos arremessos) e apanhou sete rebotes. Roubou também uma bola e deu dois tocos.
Mais uma vez jogou improvisado como pivô, cobrindo a lacuna do lituano Ilgauskas.
No segundo quarto, cavou uma falta de ataque de Mehmet Okur, a terceira, que mandou o turco para o banco, facilitando o trabalho do Cleveland dentro do garrafão.
Como tenho dito, essas jogadas não aparecem nas estatísticas. Mas contam muito, faz o time crescer e irrita o adversário.
O narrador da NBA TV, depois do lance, comentou: “É isso também que faz de Varejao (eles não conseguem falar Varejão) um grande defensor: ele sacrifica o corpo o jogo todo”.
Verdade: Varejão não se poupa em quadra em momento algum.
E isso reflete no comportamento de seus companheiros, que se não trabalharem no mesmo nível de competitividade do brazuca, fazem feio para a comissão técnica, companheiros, torcedores e para eles próprios.
REALIDADE
É, a vida no Leste, como falei, é mais complicada do que no Oeste. Depois de ter passeado diante de quatro oponentes do Pacífico – entre eles o Lakers –, o Orlando voltou para o Atlântico e tomou duas chacoalhadas.
Perdeu primeiro para o Boston (90-80), jogando em sua Amway Arena; ontem, no clássico estadual, viajou até Miami e apanhou por 103-97.
Poderia ter levado o jogo à prorrogação, especialmente se Jameer Nelson não fosse desarmado na última bola por Mario Chalmers da maneira que foi. Doeu bastante, até porque o contra-ataque surgiu depois de um toco sensacional de Dwight Howard (seu terceiro e último) em cima de Daequan Cook.
Por falar no Super-Homem, ele marcou 22 pontos e apanhou dez rebotes. Todos defensivos.
O campeonato é longo e cansativo. Howard já não mostra atualmente o mesmo desempenho do começo da competição, quando até um “triple-double” ele marcou.
Talvez esteja se poupando para quando chegar o que conta mesmo: os playoffs.
Do lado do Heat, a vitória foi muito comemorada, pois representou a primeira depois de dez derrotas consecutivas diante de seu rival regional
CLÁSSICO
Se os times do Leste são mais fortes – os principais, é claro –, o Oeste tem um clássico logo mais que vai parar os EUA: Lakers x San Antonio.
Os amarelinhos – que hoje jogarão de branco porque é domingo e todo domingo os amarelinhos jogam de branco – foram batidos no primeiro enfrentamento entre ambos, no dia 14 passado, por um pontinho apenas: 112-111.
O jogo até agora não foi digerido em Los Angeles. Muita reclamação contra a arbitragem e lamentação por ter deixado escapar uma vitória que parecia certa.
Logo mais, no Staples Center, o torcedor do Lakers garante que vai fazer a sua parte, gritando o tempo todo, para incentivar seus ídolos e intimidar os oponentes, entre eles os árbitros, pois lá como cá a arbitragem é sempre vista como um adversário a ser batido.
Os jogadores do San Antonio, experientes, não estão nem aí para os gritos que virão das arquibancadas.
Resta saber se o trio de arbitragem terá o mesmo comportamento, pois, no Texas, deixou-se levar pela pressão dos torcedores locais.
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Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Cleveland, Dwight Howard, Heat, Jazz, Lakers, LeBron James, Magic, Miami, Orlando, San Antonio, Utah


























