AGORA OS PLAYOFFS
SAN DIEGO – Aproveitei a folga da NBA e dei uma esticada até o sul da Califórnia. Como diz meu amigo Ricardo Capriotti, coisa linda. É a terceira vez que visito a região, uma das minhas favoritas. A natureza é belíssima e o americano sabe cuidar de suas coisas, o que nós, brasileiros, infelizmente não sabemos.
Aqui tudo é limpo, organizado e preservado. O respeito entre as pessoas empolga; o respeito das pessoas para com o meio ambiente encanta. E a integração entre o homem e a natureza funciona perfeitamente.
No Brasil, lamentavelmente, é o oposto. As pessoas não se respeitam, agridem o meio ambiente e, por isso mesmo, inexiste este elo entre o homem e a natureza. Precisamos crescer como nação não apenas do ponto de vista econômico, mas também do social. Educar nosso povo deveria ser uma das primeiras preocupações dos nossos governantes. Infelizmente, não é.
Mas vamos abrir o nosso botequim e falar do que a gente mais gosta: basquete. E analisar os playoffs, conforme prometido.
Pelo posicionamento dos times na fase de classificação, vê-se que esta será uma série bem desequilibrada. E será mesmo. Esqueça o retrospecto que mostra um empate em 2-2 entre as duas equipes neste campeonato. Ele não reflete a diferença das equipes.
O Cleveland é hoje o melhor time da NBA. É o melhor time porque tem o melhor jogador da liga no momento: LeBron James. Tem jogo sólido no interior, LBJ desequilibra e a armação está tinindo com Mo Williams e Delonte West.
O Chicago terá sérias dificuldades para fazer fluir seu jogo no garrafão. O Cavs tem muita gente de valor lá dentro, começando com Anderson Varejão, passando por Shaquille O´Neal, Zydrunas Ilgauskas, JJ Hickison e Antawn Jamison.
A saída seria o jogo de perímetro, mas o Bulls não tem bons arremessadores. Derrick Rose encontrará barreiras para fazer fluir seu jogo de infiltração. Mesmo que consiga iludir um ou outro, sozinho não resolverá o problema.
Placar: Cleveland 4-0 Chicago
ORLANDO x CHARLOTTE
Esta é uma série intrigante. No papel, o Orlando deve massacrar o Charlotte. Não há ninguém no time da Carolina do Norte capaz de desequilibrar o confronto.
Há jogadores esforçados e inteligentes e que formam um bom time. Tudo isso arquitetado por Larry Brown. Parece-me pouco para conter a força do jogo do Orlando.
Como o Cleveland, o Magic tem intensidade em todos os setores, capitaneado, é claro, por Dwight Howard. Por falar nele, pergunto: quem é que o Cats vai destacar para conter o Super-Homem? Ninguém, pois não há ninguém para isso.
Há, no entanto, gente aqui nos EUA que aposta no conjunto do Charlotte. Eles acreditam que isso possa machucar um pouco o Orlando. Eu não acredito.
Placar: Orlando 4-0 Charlotte
ATLANTA x MILWAUKEE
Sem Andrew Bogut o Milwaukee ficou capenga a ponto de entrar bem desequilibrado nesta série. Com o australiano, o confronto seria no pau.
O Bucks cresceu muito de produção no “segundo turno” do campeonato. Ou seja: após o “All-Star Game”. Scott Skiles conseguiu azeitar a máquina e tudo corria às mil maravilhas até que Bogut se lesionou.
Brandon Jennings é imaturo para segurar o rojão. John Salmons é inconstante e, por isso mesmo, não é confiável. Sobram os tiros de longa distância de Carlos Delfino. Mas é pouco.
Já o Atlanta vem junto há quatro temporadas. O time joga de olhos fechados. Para melhorar, a adição de Jamal Crawford graduou a artilharia do time, que já era muito boa com Joe Johnson.
Placar: Atlanta 4-1 Milwaukee
BOSTON x MIAMI
O Miami contrariou a tudo e a todos nesta temporada. Esperava-se mais do time, especialmente porque esta é a segunda temporada de Michael Beasley e Mario Chalmers. Beasley até que não decepcionou, mas Chalmers não chegou lá.
Por isso mesmo, o Heat oscilou na competição. Começou mal, mas cresceu nesta reta final. Isso dá esperança para seu torcedor. Mas ela seria muito maior se Dwyane Wade estivesse motivado — eu não sinto isso.
O Boston, mesmo cansado e envelhecido, é um time que tem treinador, conjunto e experiência. Rajon Rondo é um dos melhores jogadores da NBA e ao lado de Kendrick Perkins, que cresceu muito nesta temporada, compensa as pernas cansadas do Big Three.
Placar: Boston 4-2 Miami
LAKERS x OKLAHOMA CITY
Chegou o momento de Ron Artest provar que sua contratação foi acertada. Será sua a missão de vigiar e controlar o melhor jogador do time adversário. Kevin Durant vive grande fase e isso tem gerado ciúmes nas pessoas. Kevin Garnett já reclamou e anteontem foi a vez do técnico Phil Jackson fazer coro com o ala do Boston quanto ao que eles chamam de protecionismo da arbitragem ao jogador do Thunder.
Foi multado pela NBA em US$ 35 mil por causa da língua comprida. Mas, pior do que isso, pode ser o fato de que P-Jax deu mais combustível ainda para o ala do OKC. Motivado, Durant pode ser peça fundamental para que a equipe surpreenda nesta série.
Já o Lakers entra nesta fase decisiva para defender o título de campeão. Aposta em Artest, sim, mas aposta principalmente em Kobe Bryant. Black Mamba descansou os últimos jogos do time na fase de classificação. Isso foi bom.
Mas a equipe precisa do jogo de seus pivôs também. E como estará Andrew Bynum? Ele poderá ser problema para o futuro, pois nesta série, mesmo ainda fora de forma, não será problema: o Lakers é muito mais forte.
Placar: Lakers 4-1.
DALLAS x SAN ANTONIO
O San Antonio, quem diria, entra como azarão neste confronto. San Antonio que conta com Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker. Eu não faço parte destes apressadinhos. É prudente não descartar o alvinegro.
É certo que Duncan está mais velho e já não mostra mais o vigor de antigamente. Mas Ginobili voltou a jogar como se tivesse 25 anos. E Tony Parker passou quase que a segunda metade da competição do lado de fora, recuperando-se de uma lesão. Ou seja: está descansado.
Já o Dallas empolgou no “segundo turno”. Sapecou quase todo mundo. Jason Kidd está jogando o fino, embora em alguns jogos ele tenha negado fogo ofensivamente. Como já disse aqui neste botequim, J-Kidd precisa pontuar mais, até porque isso ajudaria a tirar a pressão das costas de Dirk Nowitzki, um jogador que costuma cair de produção nos playoffs.
É uma das séries mais equilibradas. O fator quadra deve decidir o vencedor.
Placar: Dallas 4-3 San Antonio
PHOENIX x PORTLAND
Este confronto seria maravilhoso se Brandon Roy pudesse jogar. Mas uma lesão no joelho obrigou-o a fazer uma pequena cirurgia no local. Pequena, mas o suficiente para deixá-lo de fora.
Disso deve se aproveitar o Phoenix, para mim a grande surpresa deste campeonato até o momento. Nas minhas previsões iniciais, não coloquei o Suns entre os classificados para estes playoffs — quebrei a cara.
E fico feliz, porque temos agora um brasuca a mais nesta fase decisiva: Leandrinho Barbosa. Por falar nele, seu desempenho será muito importante no futuro do time. Vindo do banco ele precisa não deixar o nível cair para que os titulares possam descansar.
Destaque, claro, para dois jogadores: Steve Nash e Amare Stoudemire. Eles estão jogando muita bola neste momento. Quanto a Nash, vamos ver como ele vai se comportar, pois tem histórico de arrebentar na fase de classificação e cair de produção nos playoffs.
Placar: Phoenix 4-1 Portland.
DENVER x UTAH
Série equilibrada e que poderá ser definida pelo fator quadra. Neste caso, o Denver levará a melhor. Mas o time de Nenê Hilário pode dispensar este handicap se os dois fominhas do time, Chauncey Billups e Carmelo Anthony, jogarem basquete.
E o que isso significa? Que eles precisam olhar mais para os lados e um pouco menos para a cesta. O jogo coletivo é muito importante para qualquer equipe vencedora. Individualidades são sempre bem vindas, mas nos momentos decisivo e não o tempo todo.
A doença de George Karl é outro problema que o Nuggets enfrenta. O treinador está ausente do trabalho por força do tratamento e Adrian Dantley não tem estofo para segurar tamanha pressão. É só olhar para a fisionomia dele durante as partidas.
O Utah, completo, é problema para qualquer equipe. Especialmente porque tem dois grandes jogadores: Deron Williams e Carlos Boozer — principalmente Deron, que para mim é o melhor armador da NBA no momento.
Há que se tomar cuidado com os arremessos longos do time, que são muito bons. Vem de gente pequena e de gente grande, como o pivô Mehmet Okur.
Como disse, creio que o fator quadra deverá definir o vencedor desta série.
Denver 4-3 Utah.
RECADO
Tenho postado todas as mensagens e lido igualmente todas elas. Não tenho respondido porque não me sobra tempo. Mas, como disse, estou atento a todas.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Anderson Varejão, Kobe Bryant, Leandrinho Barbosa, LeBron James, Nenê Hilário











