Começa neste domingo talvez a série mais aguardada destes playoffs. Miami e Boston duelam para ver quem chegará à final do Leste.
Muitos que frequentam este botequim não apostavam no Heat em uma semifinal do Leste. Outro tanto, considerável eu diria, até que apostava num avanço do time da Flórida, mas assim que cruzasse o Boston, numa semifinal ou mesmo na final, iria sucumbir.
Pois bem, o momento chegou. Miami e Boston começam neste domingo a série mais aguardada destes playoffs. Excluo da frase o advérbio, pois eu não tenho dúvida: este é mesmo o confronto mais aguardado destes playoffs.
Vai colocar frente a frente um time que está na praça há três temporadas e que agrada a gregos e troianos, mas que a cada temporada que começa é acusado de ser velho e que as pernas de seus veteranos jogadores vão pesar quando a intensidade dos jogos de playoffs chegarem.
O fato é que esse time, que tem nome, e todos nós chamamos de Boston Celtics, contraria a muitos. A idade está elevada, mas não atrapalha; longe disso. A idade serve, isto sim, como um aliado neste momento decisivo.
Ray Allen completará 36 em 20 de julho próximo. Kevin Garnett fará 35 anos no dia 19 de maio. E Paul Pierce está com 33 e apenas em 13 de outubro vai fazer aniversário. Somando a idade dos três, temos 104 anos. Isso dá uma média de 34,6 anos.
Muita coisa — mas não para eles. Os três parecem não envelhecer. O tempo passa e para eles é como se não passasse.
Eles ganharam nesta temporada um aliado importante, que tem adicionado combustível da mais alta qualidade ao jogo do time. Rajon Rondo já tinha mostrado suas credenciais nos playoffs da temporada passada. Nesta temporada, adquiriu maturidade.
Muitos daqueles que se referiam ao Boston como o time do “Big Three”, hoje falam em “Fab Four”. E não há exagero algum nisso. Rajon pode ainda não estar no mesmo nível de excelência do “Big Three”, mas está perto disso. Ele consegue fazer os três jogarem sem ter que se esforçar. Quer dizer: Rajon poupa energia aos três veteranos.
A essas quatro peças unem-se outras que fazem esta engrenagem funcionar muito bem.
Delonte West é um ótimo reserva para Rajon e Allen. Jeff Green chegou para ajudar no descanso de Pierce. E Glen Davis é o cara certo para rodiziar o garrafão, ajudando KG e Jermaine O’Neal, que passou quase que toda a temporada de fora, mas que voltou e parece estar com todo o gás.
Não falo em Shaquille O’Neal, pois dele não sabemos exatamente quando vai voltar. E, quando voltar, o que vai produzir. Está parado há alguns meses e já tem 39 anos. Não é mole.
Mas, de qualquer maneira, como disse, o Boston tem um banco de respeito.
É esse time que o Miami vai enfrentar. Se o Boston tem seu “Big Three”, o Heat conta com os Três Magníficos. LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh foram a sensação das férias da NBA quando se uniram. Transformaram o Heat no time mais badalado da liga antes de a bola subir.
Boa parte do eleitorado torce o nariz para Chris Bosh. Muitos dizem que ele é supervalorizado. Outra parcela diz que ele é “soft”. Não faço coro com nenhuma dessas alas: pra mim, CB1 é o complemento ideal para Dwyane Wade e LeBron James.
Suas médias são muito boas. Ele tem quase que 20 pontos e dez rebotes de nestes playoffs. Para ser preciso, 19,8 pontos e 9,0 rebotes. Bons números em pontos e rebotes num time que tem LeBron e D-Wade.
LBJ e Wade costumam monopolizar os pontos. Então, sobra pouco espaço para qualquer outro jogador ter médias acentuadas na pontuação. Por isso, esses 19,8 pontos são muito expressivos.
LBJ costuma pegar rebotes às pencas. Esta com 10,6 de média nestes playoffs. Então, também digo: o espaço diminuiu no garrafão para quem quer pegar rebotes. Por isso esses 9,0 rebotes de média são significativos.
Por isso considero o desempenho de Bosh muito acima da média e também do que muitos falam por aí.
Quanto ao time, foi acusado de não ter armador e nem pivô. E eu sempre disse que uma equipe que tinha esses três caras não precisava de armador e nem pivô. Até porque não existe time que tenha cinco jogadores com um mesmo nível de excelência. Só a seleção dos EUA.
LeBron tem levado a bola. Mario Chalmers ajuda a dividir a função. Chegou no meio do campeonato Mike Bibby, que também arma o jogo e ainda auxilia nos arremessos, desafogando um pouco o trabalho de D-Wade.
E no pivô, Joel Anthony, Zydrunas Ilgauskas, Jamal Magloire e até mesmo Jwan Howard se revezam.
James Jones ajuda no descanso de LBJ, mas LBJ parece incansável.
Ah, sim, nesta série haverá um duelo dentro do duelo principal. LBJ não consegue dobrar o Boston. Tombou duas vezes com a camisa do Cleveland. Dan Gilbert, dono do Cavs, disse que ele pipocou na série do ano passado.
LBJ diz pouco se importar com isso. Sabem o que ele fez nestes dias de descanso entre uma série é outra? Assistiu várias vezes os filmes dos quatro jogos que Miami e Boston realizaram neste campeonato. Procura defeitos no time adversário, defeitos que ele pretende explorar, é claro.
Ah, sim, quase que me esqueci: na temporada passada, quando Miami e Boston se enfrentaram na primeira rodada, D-Wade se desentendeu com alguns jogadores do Celtics e o clima pesou.
Quer dizer: LBJ e D-Wade estão com o Boston atravessado na garganta.
Um duelo e tanto. Como disse, o mais aguardado destes playoffs.
NOVIDADE
Também neste domingo começa outro confronto, mas este no Oeste. Oklahoma City e Memphis iniciam um duelo inédito. Jamais se enfrentaram em playoffs e jamais haviam vencido uma série de playoffs.
Mas chegaram para acabar com a mesmice da conferência. São caras novas que agradam em cheio, não só pelo nome, mas também por causa de seus jogadores.
Não se houve mais falar de Tim Duncan, Manu Ginobili, Tony Parker, Carmelo Anthony e Chauncey Billups, nomes que eram falados na temporada passada.
Agora ouve-se ecoar nomes como os de Kevin Durant, Russell Westbrook, Serge Ibaka, Zach Randolph, Marc Gasol e Tony Allen. Esta é a nova ordem no Oeste.
Durant amadurece a cada temporada. Nesta, entrou em quadra com uma medalha de ouro no peito conquistada no Mundial da Turquia e um troféu na mão direita que representava o prêmio de melhor jogador desta mesma competição. Além disso, foi eleito o melhor atleta de basquete dos EUA na temporada passada.
KD quer destronar Kobe Bryant. KD quer ser o dono, primeiro, do Oeste e, em seguida, da NBA. É o líder deste Oklahoma, mas tem em Westbrook um parceiro ideal. Um parceiro que o faz crescer e que ajuda a tirar muitas vezes o excesso de peso em seus ombros.
E para completar este trio, Ibaka vem jogando uma barbaridade. É o rei dos tocos na NBA. Comportamento que intimida o adversário, que teme, a todo o momento, que a bola jogada à cesta receba um safanão que a impeça de encontrar o destino a ela incumbido.
Não vou nem falar de falar de Mike Conley, Shane Battier e O.J. Mayo. São ótimos complementos, todos nós sabemos. E também não vou falar de Thabo Sefolosha, James Harden e Nick Collison. São igualmente ótimos complementos
Quero falar é do confronto que Ibaka vai travar com Z-Bo. Z-Bo, se você não sabe, é Zach Randolph, a nova sensação destes playoffs por causa da série que ele fez contra o San Antonio: 21,5 pontos e 9,2 rebotes por jogo. Foi um tormento para Tim Duncan e companhia.
Com certeza Z-Bo e Ibaka vão travar um duelo de sair faísca. Não que eles sejam encrenqueiros, longe disso. Vai sair faísca porque os dois estão jogando muito neste momento. Vai ser impossível acompanhar esta série sem ter um olhar atento aos passos dos dois.
Gasol tem jogado bem e se entendido com Zach perfeitamente no garrafão. Gasol vai enfrentar Kendrick Perkins, que chegou no meio desta temporada para dar um jeito no garrafão do Thunder, que tinha Nenad Krstic, que foi para o Boston. Krstic que é considerado por muitos “soft” demais para a posição.
Mas Perkins não fez uma boa série diante do Denver. Foi suplantado por Nenê Hilário. Apresentou médias de 5,4 pontos e apenas 6,6 rebotes, contra 14,2 pontos e 9,0 rebotes do brasileiro.
Contra Gasol, não terá vida fácil também não. O espanhol, no combate diante do San Antonio, acumulou médias de 14,2 pontos e 12,3 rebotes. E jogou com muita intensidade.
Quero falar agora de Allen; não de Ray, mas de Tony. Ele trouxe ao Memphis o algo mais que o time precisava. Contagia os companheiros em quadra e fora delas. E a ele é confiada a missão de marcar o melhor jogador do adversário. E ele nunca diz não.
Nesta série, a princípio, ele será o encarregado de marcar Durant. Missão, também a princípio, que parece ser impossível.
Além do jogo de KD ser quase que impecável, o ala do Thunder tem 2,06m de altura. Allen tem 1,93m. São 13 cm de diferença. Isso sem contar a envergadura de Durant, que é muito maior do que a de Allen.
O homem que teria a missão de marcar Durante seria Rudy Gay, 2,03m de altura. Foi companheiro de Durant no time dos EUA que ganhou o Mundial da Turquia, que esteve junto de Durant durante bom tempo, que treinou contra ele muitas vezes, que conhece bem KD.
Mas Rudy está contundido e não joga mais esta temporada. Isso pode fazer uma baita diferença neste confronto.
PALPITE
A série entre Miami e Boston eu aposto no Miami em sete jogos. A vantagem de quadra pode fazer a diferença. No confronto entre Oklahoma City e Memphis eu aposto no Thunder, mas em seis jogos.