Nenê Hilário voltou a jogar bem com a camisa 31 do Nuggets. Na vitória de ontem sobre o Chicago por 112-93, o são-carlense fez dez pontos e apanhou nove rebotes.
Mais do que isso: limitou Joakim Noah a apenas oito rebotes, quebrando uma sequência de oito jogos do filho de Yannick com um duplo dígito nos ressaltos.
Aliás, o respeito que jornalistas, torcedores e o povo de Denver — e também do Colorado — têm para com o brasuca é empolgante.
Nenê (foto Reuters em jogada contra Joakim Noah) é sempre focalizado pelas câmeras de tevê, é aplaudido quando surge a oportunidade e respeitado por todos os companheiros. No prélio de ontem, quando saiu para descansar, Scott Hastings, ex-jogador do próprio Denver, comentarista da Altitude Television, falou: “Sem Nenê o Denver perde em intensidade em seu jogo interior”.
E perde mesmo.
Kenyon Martin e Chris Andersen não têm a qualidade de jogo de Nenê. São guerreiros — especialmente Birdman —, mas tecnicamente não se comparam ao são-carlense.
Ao lado de Chauncey Billups e Carmelo Anthony, forma o pilar que sustenta a franquia nesses últimos anos. Basquete vistoso, eficiente e admirado por todos.
A seleção e a torcida brasileira aguardam ansiosamente por sua chegada, Nenê. Ano que vem, na Turquia, você terá a missão de comandar esse time em quadra.
VAREJÃO
Nosso outro brasuca na NBA teve atuação tímida na rodada deste sábado. Ontem, na vitória do Cleveland sobre o Philadelphia por 97-91, foram quatro pontos e sete rebotes; mas houve dois tocos também, que a gente não pode e nem deve desprezar.
Ficou 27 minutos em quadra; J.J. Hickson jogou 32. Hickson, que tomou conta da posição, marcou 14 pontos.
Pontuar é muito importante no Cavs. Tira um pouco da pressão em cima de LeBron James.
Não é fácil ficar o tempo todo tendo a responsabilidade de pontuar. Pontuar, pontuar, pontuar; não deve ser fácil interpretar esse papel.
Por isso, Hickson tomou a vaga de Varejão. Desde que isso aconteceu, a média do ex-pivô de North Carolina State passou de 2.5 pontos para 15.7 pontos por jogo.
Os números justificam a predileção de Mike Brown por Hickson neste momento.
Mas a temporada está apenas começando. Varejão tem ótimos serviços prestados pela franquia.
Aliás, todos reconhecem isso. Não fosse assim, não o Cavs não estaria pagando US$ 6.36 milhões para o capixaba jogar esta temporada.
CONSTRANGEDOR
É de dar pena, é de partir o coração o momento em que vive o New Jersey. É a única franquia que não conseguiu vencer no campeonato.
Foram 13 jogos e 13 derrotas. Perdeu seis jogos em casa e sete fora. O pior início na história da franquia.
Ontem o time foi dobrado pelo New York (isso mesmo, pelo New York!) dentro de casa, por 98-91. É de dar pena, é de partir o coração.
O Nets cai na estrada a partir de terça-feira. Serão quatro jogos longe do Garden State. Na ordem: Denver, Portland, Sacramento e Lakers.
Alguém aposta em vitória do New Jersey?
Se o Nets ganhar um jogo, eu pago a próxima rodada. Já avisei o Labica.
ALELUIA!
JP e a galera que torce pelo San Antonio deve estar de ressaca neste domingo. Tomaram todo o estoque de cerveja do nosso botequim.
O time voltou a vencer depois de três derrotas consecutivas! E a vítima não pode ser desprezada: Washington (106-84).
Colocar 22 pontos em cima do Wizards, com Gilbert Arenas, Antawn Jamison e Caron Butler não é mole não; e foi o que aconteceu.
Os Três Tenores só não estiveram afinadíssimo porque Manu Ginobili, contundido, ficou com trajes civis vendo a partida do lado de fora. Em compensação, Tony Parker (fotro AP) cravou 17 pontos, oito assistências e seis rebotes, enquanto que Tim Duncan marcou 16 pontos, nove rebotes e sete assistências.
Uma dupla da pesada, que provocou muito barulho no AT&T Center.
Richard Jefferson aos poucos vai se entrosando com o time e com o sistema de jogo de Gregg Popovich. Marcou 15 pontos, mas o mais importante é que anulou Butler, que ficou limitado a míseros oito pontos, ele que tinha 17.7 pontos de média por partida.
Foi a quinta vitória do Spurs na temporada. Todas elas dentro de casa.
Pequeno desvio de rota ou o peso da idade já se faz sentir num time reconhecidamente idoso?
Ou então: será que aqueles caras (Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen) jogaram tudo o que podiam há dois campeonatos, quando foram campeões e agora voltaram ao seu normal?
É claro que a resposta só o tempo vai dar. Mas, sinceramente, há pouco tempo eu não estaria cogitando nem sequer esse tipo de pergunta.
O Celtics voltou a perder ontem. Quem tirou a casquinha, agora, foi o Orlando. E em Boston: 83-78.
Aliás, o alviverde tornou-se freguês do tricolor. Dos últimos 15 jogos da fase de classificação, o Magic venceu dez.
E nos playoffs do ano passado, nova vitória do time da Flórida.
Mas não é esse o tema em questão; o tema em questão é: o que acontece com o Boston?
Dos últimos cinco jogos, perdeu três. Para piorar a situação, Rajon Rondo, um dos jovens atletas do time, um dos pilares da estrutura futura da equipe, está com um aproveitamento tétrico de seus arremessos — especialmente no lance livre.
Na linha fatal, acertou até agora em todo o campeonato apenas quatro dos 20 tentados (25.0%). Nos outros arremessos, 66-188 (55.9%).
Desta forma, nos finais das partidas, quando o jogo está por se resolver (como foi o caso do encontro de ontem), Rajon vai para o banco de reservas. Eddie House, que não tem a imaginação e nem a habilidade de Rondo para conduzir o time, tem que ir à luta, pois é firme nos arremessos.
Mas não é apenas Rajon quem desaponta. Os outros jogadores também.
Na derrota de ontem, por exemplo, o time teve um desempenho de apenas 10.5% nas bolas de três: 2-19. Paul Pierce errou seu quatro arremessos. Ruim, não é mesmo? Então veja o que Rasheed Wallace fez: 0-8!
Não dá para ganhar de ninguém desse jeito.
Eu volto a perguntar: o peso da idade já se faz sentir num time reconhecidamente idoso? É claro que a resposta só o tempo vai dar, mas que eu estou desconfiado do Boston, isso eu estou.
SURPRESA
O Denver perdeu para o Clippers. O jogo foi em Los Angeles e os anfitriões fizeram 106-99.
Perder para o Clippers sem Blake Griffin é preocupante. Time que quer ser campeão não pode desperdiçar pontos com o tricolor angelino.
Até que o Denver começou bem a partida. Comandou o primeiro quarto (26-21), mas quando veio o segundo veio também a débâcle: 35-20 para o Clippers.
O time reagiu no final do terceiro período, foi melhor no derradeiro, mas a diferença a ser tirada era grande demais. Por isso mesmo, tornou-se impossível.
O bom do jogo foi que Nenê Hilário (foto AP) novamente jogou bem: 18 pontos, 12 rebotes e três desarmes. É disparadamente o melhor jogador brasileiro na atualidade.
Se Nenê foi aprovado, Chauncey Billups foi reprovado: cinco pontos em meia hora de jogo. Um desastre.
George Karl colocou Ty Lawson para tentar resolver o problema. E o muleke de North Carolina correspondeu: 12 pontos em 18 minutos. 4-4 nos lances livres, 2-2 nas bolas de três e 1-2 nas duplas.
Inexplicavelmente, no final da partida, com o time reagindo, Karl fez Billups retornar. E a reação foi para o espaço.
REGRESSO
Anderson Varejão (foto AP) voltou ao time do Cleveland no cotejo de ontem à noite em Indianapolis. E com destaque: marcou dez pontos e pegou sete rebotes.
Veio do banco e ficou 28 minutos em quadra. J.J. Hickson, para quem ele perdeu a posição, jogou 33. Fez cinco pontos a mais e pegou o mesmo número de rebotes.
A vitória diante do Pacers por 105-95, no entanto, só foi possível por causa de quem? Isso mesmo: LeBron James.
LBJ marcou 40 pontos. Dez deles foram anotados nos últimos 7:07 minutos.
Este filme já foi visto várias vezes e o roteiro ninguém se atreve a mudar: King James resolvendo os problemas do Cavs.
Os demais…
Ontem, Zydrunas Ilgauskas fez 1-12 nos arremessos, Mo Williams 3-11 e Daniel Gibson 1-6.
Tem cabimento? Claro que não.
O que se pergunta é: até onde LeBron vai conseguir levar o Cleveland nas costas? Terá fôlego, saúde e forças para chegar até meados de junho do ano que vem em forma e saudável?
A rodada de ontem foi repleta de jogos interessantes, disputados, jogadores se destacando e time fincando o pé dentre os melhores da temporada, muito embora eu sei que muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte, já diz o velho ditado.
Em Miami, começando nossa conversa, o Oklahoma City enfiou no bolso Dwyane Wade (22 pontos, 6-19) e companhia e venceu a partida facilmente: 100-87. Quem foi o destaque do Thunder?
Ora, precisa perguntar? Ele, Kevin Durant: 32 pontos (11-23 nos arremessos, 9-9 nos lances livres), nove rebotes e cinco assistências.
Tem a batuta do time nas mãos. É o maestro que rege uma orquestra muitíssimo bem afinada.
Gravitam ao redor de Durant jogadores de muito bom calibre, especialmente o armador Russell Westbrook (27 pontos e sete assistências). Westbrook tem o controle do jogo o tempo todo; ainda carece de mais experiência, mas dá mostras de que será um jogador impactante em pouquíssimo espaço de tempo.
Outro armador que tem os holofotes da mídia é Derrick Rose. Mas o jogador do Chicago tem-se mostrado um trapalhão em quadra nos últimos combates do time da cidade dos ventos.
O Bulls ganha solidez quando D-Rose dá seu lugar a Kirk Hinrich. E isso ocorreu novamente ontem em Sacramento.
O Chicago fez uma corrida de 34-24 no segundo quarto (com Kirk organizando o time) e ali venceu a partida diante do Kings por 101-87.
D-Rose é bom defensor, na linha do lance livre não costuma desperdiçar arremesso, mas precisa urgentemente treinar mais arremessos. Ontem, fez 2-12 e terminou a partida com dez pontos (seis deles na linha do lance livre).
O destaque do Bulls ficou por conta de Janero Pargo e seus 12 pontos, nove exatamente no segundo quarto, quando, como disse, o Bulls venceu a partida.
A decepção ficou por conta do jogo miúdo do armador Tyreke Evans. Pontuou bastante (20 tentos), mas não conseguiu em momento algum ter o controle do time e do jogo e fazer do Sacramento o manda-chuva em quadra.
Precisa melhorar.
Quem não precisa melhorar é Kobe Bryant. Sim, pois já melhorou ontem.
Depois de partidas apagadas diante do Denver e Houston, o carbono de Michael Jordan anotou 40 pontos frente ao Detroit e comandou o Lakers na vitória por 106-93.
Foi a 100ª. vez que Kobe anotou 40 tentos em sua carreira. Jogou muito.
Aliás, depois da partida, perguntado a razão pela qual o time voltou a vencer e evitou a terceira derrota consecutiva, Lamar Odom, cercado de jornalistas, fez um movimento com a cabeça, projetando o queijo para frente em direção ao companheiro e disse: “Kobe Bryant”.
Pra quem gosta de estatística, o jogador que mais vezes chegou às quatro dezenas de pontos foi Wilt Chamberlain: 271. Depois aparece Michael Jordan, 173. Na sequência, Black Mamba.
Andrew Bynum voltou a jogar bem. Anotou ontem 17 pontos e pegou 12 rebotes, cravando seu oitavo “double-double” nas últimas nove partidas.
Quem também marcou um duplo-duplo foi Nenê Hilário. O são-carlense deixou 20 pontos nas redes do Toronto; confiscou também dez rebotes.
Foi seu terceiro “double-double” na temporada.
Mas o destaque da vitória do Denver sobre o Raptors (130-112) foi Carmelo Anthony. O ala do Nuggets, mesmo sofrendo de enxaqueca, foi doloroso aos canadenses: marcou 32 pontos na meia hora em que ficou em quadra.
Encontrou eco em J.R. Smith, que fez 29.
Quer dizer: com Melo, Smith e Nenê marcando juntos 81 pontos, realmente fica difícil perder.
Se Nenê foi bem, novamente Leandrinho Barbosa foi um fiasco. Jogou apenas 16 minutos, tempo suficiente para fazer um monte de bobagens.
Errou seis de suas dez tentativas de arremessos. Tentou encestar apenas uma bola de três (seu carro-chefe, certo?) e só visitou a linha do lance livre uma três vezes (errou duas).
Terminou o jogo com nove pontos, mas não é nem de longe aquele jogador importante para a franquia, que chegou inclusive a ser eleito o melhor reserva da NBA.
O Phoenix ganhou mais uma (111-105 no Houston, fora de casa), mas o paulistano saiu novamente derrotado de quadra, ao contrário de Steve Nash, que se marcou só 12 pontos, deixou 16 assistências registradas na estatística do jogo.
Nash e Leandrinho surpreendem; o canadense positivamente (eu não esperava tanto dele nessa temporada), o brasuca negativamente (eu não esperava tão pouco dele nessa temporada).
E o outro brasuca da NBA, Anderson Varejão, não entrou em quadra. Contundido, viu das poltronas da Q Arena a vitória do Cleveland sobre o Golden State por 114-108.
LeBron James: 31 pontos, 12 assistências e cinco rebotes. Dentro de seu padrão habitual.
Foi uma lavada! Os 19 pontos de diferença a favor do Lakers (121-102) ao final da partida contra o Phoenix foram pouco perto do que os angelinos mostraram.
Foram pouco também porque o técnico Alvin Gentry colocou um time reserva em quadra em todo o último quarto e Phil Jackson, ao perceber a situação, fez sentar no banco de reservas seu quinteto titular.
Se o jogo continuasse no pau durante o quarto derradeiro, a diferença teria sido muito maior.
O que aconteceu com aquele Phoenix que vinha derrubando oponente atrás de oponente? Caiu a máscara ou foi um acidente de percurso?
Há um aspecto importantíssimo que a gente tem que considerar ao fazer a análise do jogo de ontem em Los Angeles: o Suns está “on the road” desde o dia 3 de novembro passado.
Sim, eu sei, o time jogou em casa contra o New Orleans na quarta-feira. É, mas na quinta já estava em Los Angeles para mais uma partida fora de casa.
Não é mole andar de avião o tempo todo. O time começou sua “trip” no dia 3, como disse, saindo de Phoenix e indo até Miami, passando por Orlando, Boston, Washington, Philadelphia, voltou para Phoenix e ontem esteve em Los Angeles.
Cansa, ô se cansa!
Por outro lado, o Lakers estava descansadinho da silva. Vivia em Los Angeles desde o dia 6 passado.
E antes da partida de ontem, os amarelinhos haviam descansado três dias.
Isso pesa, ô se pesa!
Por outro lado, não há como não reconhecer a superioridade do Lakers. Por mais que o Phoenix surpreenda nesse início de temporada, a diferença entre as equipes é grande.
O Suns não tem jogo interior para encarar o Lakers. Prova disso foram os 42 pontos que o Los Angeles fez dentro do garrafão apenas no primeiro tempo.
Mais ainda: o Lakers soube como frear o “run and gun” do Suns. Prova disso foram os míseros 45 pontos que o time marcou no primeiro tempo, pontuação que só não foi mais baixa que os 44 que o Suns fez no Miami.
Ao controlar a correria do Phoenix, o Lakers subtraiu o jogo de Steve Nash. É verdade que o canadense descansou os últimos 15:40 minutos da partida, mas até então tinha feito 13 pontos e dado apenas cinco assistências.
Pelo que ele vinha jogando — e o time também —, dificilmente chegaria ao “double-double”.
Em contrapartida, o Lakers fez fluir seu jogo.
Kobe Bryant praticamente não atuou o último quarto. Mesmo assim, deixou a quadra com 29 pontos.
Andrew Bynum também viu o quarto derradeiro do lado de fora. Mesmo assim, anotou 26 pontos e pegou 15 rebotes.
Lamar Odom confiscou 12 ressaltos.
E por aí vai.
Passando a régua: o Phoenix está cansado, mas não tem jogo, no momento, para encarar o Lakers. E eu pergunto: essa correria toda em quadra vai durar por quanto tempo?
Steve Nash tem 35 anos e Grant Hill, 37. Mesmo que fossem mais jovens, atuar 82 vezes no sistema do “run and gun” acaba com qualquer um.
TRIO DE FERRO
Na Flórida, outro passeio. Mas desta vez não foi dos anfitriões; foi dos visitantes.
O Cleveland venceu por 111-104, mas no final da partida, com o resultado em mãos, aliviou. A diferença poderia ter sido maior.
LeBron James anotou 34 pontos, Mo Williams fez 25 e Shaquille O’Neal cravou 14. O trio de ferro anotou 73 pontos; ou seja, 65.7% dos tentos feitos pelo Cavs.
O bom dessa história é que Williams começou a jogar. Isso tem tirado muito da pressão em cima de LBJ e consequentemente confundindo a marcação adversária.
Nos últimos dois jogos (vitórias sobre Orlando e Miami), o armador marcou 53 pontos. Média de 26.5 por partida.
Ótimo! A continuar assim, o cenário muda de cor.
Quais serão essas cores? Vamos aguardar um pouco mais, mas acredito que o time troca de posição com o Orlando e passa a ser encarado com mais cuidado pelo Boston.
CRAVADA
A enterrada que Dwyane Wade deu em cima de Anderson Varejão foi humilhante para o brasileiro e emocionante para o americano. O capixaba tentou dar um toco em D-Wade, mas, além de não conseguir, viu o adversário dar uma enterrada bem em sua cara.
Pior ainda: Varejão caiu de costas, com as pernas para o ar, chocando-se com a base da tabela.
“O lance foi sensacional; provavelmente vai ser top 10 de todos os tempos. Foi uma jogada inacreditável”, reconheceu LeBron James, depois da partida.
Não teve jogo ontem em Orlando; LeBron James não deixou. Shaquille O´Neal e Mo Williams também não.
LBJ anotou 36 pontos e Williams 28. Juntos marcaram 64 dos 102 pontos do Cleveland. Ou seja: 62.7% da produção ofensiva do Cavs.
Shaq anotou apenas dez pontinhos e pegou só quatro rebotes. Mas enlatou Dwight Howard, o melhor jogador do Magic. O Super-Homem marcou inexpressivos 11 pontos e confiscou apenas sete rebotes.
DH, é bom lembrar, antes do jogo de ontem tinha médias de 19.3 pontos e exatos 11 rebotes por partida.
Com tantos pontos da dupla LeBron/Williams e com Howard controlado por Shaq , o Cleveland fechou com facilidade a partida de ontem da Flórida e venceu por 102-93.
O que nos leva a pensar: se os três jogarem a maioria das partidas desta maneira, o Cleveland poderá encarar o Boston de igual para igual numa possível final de conferência. Caso contrário, se jogar o que vinha jogando, esquece: o Cavs não será páreo para o pessoal das bandas de Massachusetts.
Portanto, vamos esperar. Só o tempo vai nos dizer qual o caminho o Cavs vai escolher para trilhar nesta temporada.
LeBron James passa por Mickael Pietrus na vitória do Cavs sobre o Magic (foto: Getty Images)
MULEQUE!
Alguém viu Oklahoma City x Clippers em Los Angeles? Se não viu, perdeu outro show de Kevin Durant.
O “muleque” do Thunder fez de tudo um pouco – e é assim que os grandes jogadores se comportam. Anotou 30 pontos, sendo que acertou 12 de seus 20 arremessos (60.0%). Nas bolas de três, foi econômico nas tentativas: três; mas acertou uma delas.
Pegou dez rebotes, deu quatro assistências, fez dois desarmes e deu um toco.
Mais ainda: jogou um balde de água fria pra cima dos angelinos quando faltavam 38 segundos para o final e mandou uma bola certeira da ponta esquerda do ataque, abrindo dois pontos de vantagem, que foi ampliada com dois certeiros lances livres cobrados pelo veterano Kevin Ollie.
Final: Thunder 83-79 Clippers.
Quem ainda não viu Durant em ação, reserve um tempinho, pois vale mais do que a pena.
DERBY
Em San Antonio, no clássico do Texas entre Spurs e Dallas, novamente o time da casa jogou sem dois de seus tenores. Tim Duncan e Tony Parker, lesionados, viram a partida em trajes civis.
Mas Richard Jefferson, uniformizado, compensou a ausência do duo. Fazendo finalmente um jogo consistente, o ala anotou 29 pontos (11-23) e foi um tormento para a defesa do Cavs.
Manu Ginobili? Vindo do banco, cravou apenas 13 pontos, bem abaixo dos 36 anotados na partida anterior diante do Toronto.
Acho que o veneno do morcego perdeu a eficácia. É bom alguém vasculhar cavernas nos arredores da cidade, apanhar mais um mamífero voador e soltá-lo no AT&T Center e torcer para que o argentino seja mordido.
Brincadeiras à parte, resultado justo, que deixa o San Antonio em 4-0 em casa e anima os torcedores do alvinegro, pois Jefferson fez um jogo consistente, como disse.
E muito se espera dele nesta temporada.
Quanto ao Dallas, depois de ter feito 30 pontos nos dois primeiros jogos que marcaram seu retorno, ontem Josh Howard não foi bem: só oito pontos. E ainda deixou o jogo com dores no tornozelo.
Problema? Os próximos dias dirão.
O desempenho dos outros titulares, excetuando Dirk Nowitzki, foi muito ruim: anotaram juntos 25 pontos, contra 29 do alemão.
Velho Dallas, velhos problemas, tudo nas costas do velho Nowitzki.
RODADA
Os demais jogos em não acompanhei. Quem os viu e quiser nos contar, somos todos ouvidos aqui no botequim.
Depois de ler a matéria de ontem do Peter Vecsey no “New York Post” (indicação de um dos parceiros deste botequim), eu, como torcedor confesso do Bulls, fiquei todo entusiasmado com a possibilidade de LeBron James ir para o Chicago. Vecsey, para quem não sabe, é um dos jornalistas mais bem informados sobre NBA.
Peguei meu celular e rapidamente mandei uma mensagem para um amigo, torcedor do Lakers, e que sabe quem Vecsey é. Escrevi:
“Peter Vecsey disse que LeBron pode ir para o Bulls!!!”.
Meu amigo rapidamente respondeu:
“Mais dez anos de fila para o Chicago…”
Eu rebati:
“Essa foi boa!!! Mas a diferença é que o Chicago tem camisa e o Cavs não tem”.
Meu amigo não se deu por vencido e replicou:
“Chicago tem camisa? Essa tb foi boa!!!”
Rebati:
“Ué, vc se esqueceu dos 6 títulos da era MJ?”
Não deu nem um minuto e o celular apitou novamente, indicando o recebimento de nova mensagem. Era do meu amigo novamente. Dizia ela:
“Tirando a década de 90, não tem mais nada de história. Tem tanta tradição qto o Spurs”.
Devolvi dizendo o seguinte:
“Bem, seguindo sua lógica, só tem dois times na NBA: Lakers e Boston”.
Novo apito do celular:
“Exatamente”.
Pois é, torcedor do Lakers, com todo o respeito, é duro de aguentar. Sim, pois os amarelinhos estão cheio de títulos e sempre chegando.
É por isso que eu digo: o Lakers é o São Paulo da NBA. E o Chicago é o Santos: teve o maior jogador de todos os tempos e depois daquela fase, pouca coisa mais.
Sabe o que é engraçado nessa história? Este meu amigo torcedor do Lakers é torcedor fanático sabe de quem? Do Santos…
No caso, americano. Quem assistiu ao jogo Chicago x Charlotte? Quem viu, deve ter constatado.
O ala John Salmons, do Bulls, terminou o primeiro quarto com a mão quente: 14 pontos. Não fosse sua performance e o Cats teria aberto uma grande diferença ao final do período, que terminou em 28-26 para o time da Carolina do Norte.
A 12 segundos do final do quarto em questão, o técnico do Chicago, Vinnie Del Negro, tirou Salmons do jogo, para descansar, claro. Em seu lugar fez entrar Janero Pargo. Deixou Salmons (foto AP) do lado de fora por 5min08seg.
Resultado: o Charlotte abriu uma diferença de nove pontos, 40-31. Salmons voltou correndo para a quadra, mas sem o ritmo do primeiro quarto.
Nos três seguintes, anotou 13 pontos. Terminou a partida com 27, mas se Del Negro não tivesse deixado-o mofando no banco de reservas por mais de cinco minutos, seguramente ele teria feito muito mais.
Por que fazer isso?
É mania de treinador; especialmente americano.
O jogador está bem, com a mão quente, pra que tirá-lo da partida? Pra descansar? Ora, há dois bons minutos disponíveis na troca de um quarto para o outro, suficientes para um refresco para o corpo e mente.
Além disso, Salmons não é um veterano como Shaquille O’Neal, por exemplo. Tem 29 anos e preparo para aguentar um jogo inteiro se possível.
Neste campeonato, seu melhor desempenho foi no cotejo de ontem, quando marcou os já mencionados 27 pontos. Depois desta marca, sua melhor exibição ofensiva foi na derrota diante do Miami, quando anotou 17 tentos.
Então, se o cara está inspirado, por que tirá-lo de quadra?
Mania de treinador; no caso, americano.
Mesmo assim, o Chicago venceu. Foi às duras penas, mas venceu: 93-90.
RODADA
O Denver voltou a decepcionar seus fãs. A sova, agora, foi em Atlanta. O time do brasileiro Nenê Hilário foi derrotado por 125-100. Como disse, uma surra. O são-carlense anotou 12 pontos e pegou sete rebotes. O desempenho do Nuggets nos dois últimos jogos deixa-me com a pulga atrás da orelha quanto ao futuro do time nesta temporada.
O Boston venceu o New Jersey, fora de casa, por uma dezena de pontos de vantagem: 86-76. Mas foi difícil. O jogo foi parelho em sua maior parte e o Nets chegou a liderar o marcado em várias oportunidades. O time perdeu a inspiração ofensiva, mas a defensiva, como os números provam, não.
E o New York? Será que os caras não percebem que Mike D’Antoni é um treinador completamente sem inspiração — pelo menos no momento? O time perdeu ontem, mais uma vez na competição (a sexta, diga-se, contra apenas uma vitória), agora para o Milwaukee, por 102-87. Vocês acham que LeBron James vai trocar o Cleveland por uma franquia tão caída como o New York? Eu não acredito.
Quanto ao Memphis… bem, este merece um capítulo à parte.
FIM DA LINHA?
O Memphis foi a Los Angeles e foi derrotado pela sexta vez no torneio — a quinta fora de casa. Tem apenas uma vitória na temporada.
Quem aproveitou para tirar uma lasquinha foi o Clippers: 113-110.
Mas não é apenas a derrota que preocupa. Allen Iverson pediu dispensa para resolver problemas particulares e disse não ter data para retornar.
O encontro de LeBron James com a mídia na última sexta-feira aumentou ainda mais o suspense quanto ao futuro do jogador. LBJ falou em letras garrafais que ele estará buscando título e não dinheiro no futuro.
Ou seja: quando seu contrato com o Cleveland terminar, ao final desta temporada, ele vai levar em consideração o potencial técnico e não financeiro de seu futuro time — que pode ser o Cavs também, diga-se.
Mas eu não acredito que King James vá ficar em Ohio. O Cleveland dá mostras de que é franquia que não consegue pensar grande.
Ficou claro, após a última temporada, que LeBron (foto AP), sozinho, não vai ganhar títulos. Precisa de apoio — e um treinador competente.
Danny Ferry, gerente geral do Cavs, foi atrás de Shaquille O’Neal para reforçar a equipe. Até agora não funcionou — e eu duvido que vá funcionar, muito embora, antes de a bola subir pela primeira vez nesta temporada, eu acreditava que pudesse dar certo.
Mas não está dando. Basta olhar os números.
Na vitória de ontem diante do Knicks, em Nova York, Shaq, uma vez mais, jogou poucos minutos: 19. Marcou apenas sete pontos e pegou míseros quatro rebotes.
Na temporada, tem médias de 11.1 pontos, 7.4 rebotes e cerca de 26 minutos de permanência em quadra.
Que ajuda é essa que Shaq tem dado ao time e principalmente a LeBron James? Quase nenhuma.
O time patina neste início de competição e, pelo menos por enquanto, não dá esperança alguma a seus torcedores de que pode brigar pelo título.
Quanto a Mike Brown, alguns parceiros deste botequim já haviam me alertado sobre suas limitações. E elas existem mesmo: ele não consegue criar um time em quadra que consiga gravitar ao redor de LeBron James.
Brown aceitou passivamente a oferta de Ferry com a contratação de Shaquille O’Neal como solução dos problemas da falta de apoio a LBJ. Ou, pior ainda, acreditou que Shaq pudesse ser o princípio de dias melhores.
Ele, como treinador, deveria ter detectado que isso (a contratação de Shaq) não seria suficiente. Não conseguiu.
Voltou a apostar em jogadores como Mo Williams e Delonte West. Mo é instável em quadra; Delonte na vida pessoal.
Quem cresceu demais de produção nesta temporada em comparação com a anterior foi Anderson Varejão. Ontem, pela primeira vez no campeonato, veio do banco.
Mas foi o grandalhão do Cavs que mais tempo permaneceu em quadra: 35 minutos. Fez oito pontos, pegou 14 rebotes, deu dois tocos e fez dois desarmes.
No campeonato, tem médias de 8.6 pontos e 9.4 rebotes. Nos últimos cinco jogos, o capixaba está com 11.1 rebotes de média.
Mas a gente sabe muito bem que Varejão vai ajudar o time a ganhar jogos — e quem sabe o campeonato — na defesa. No ataque, pouco pode se esperar dele. Pode funcionar como uma espécie de Dennis Rodman.
Mas quem será o Scottie Pippen de LeBron? Há que se ter um jogador que auxilie LBJ nesta missão; e no momento não há.
Por tudo isso eu acho que ele não fica em Cleveland.
FUTURO
De acordo com as leis da NBA, uma franquia pode oferecer um máximo de US$ 120 milhões em seis anos de contrato para um jogador renovar seu contrato. Apenas o Cleveland tem condições de fazer isso.
Muito bem; depois, apenas New Jersey e New York têm condições de oferecer o máximo que qualquer outra equipe pode oferecer: US$ 90 milhões por cinco anos de acordo.
Ontem, no Garden nova-iorquino, um torcedor com a camisa do Knicks com o número 23, e nela contida a inscrição “King James”, carregava um cartaz com a contagem regressiva para o final da temporada: 236 dias.
Os “new yorkers” sonham com LeBron. Mas eu também acho difícil que isso vá ocorrer.
Nova York daria mais visibilidade a LBJ e derramaria sobre ele todo o seu glamour de maior cidade do planeta ao lado de Paris. E título?
Não acredito. Embora o time seja um dos queridinhos da mídia norte-americana, o Knicks não é uma franquia vencedora; falta-lhe camisa.
Ah, mas o Chicago também não era e Michael Jordan ganhou seis títulos com a 23 tricolor. Sim, mas LeBron não é MJ; se fosse, já teria levado o Cleveland ao título.
Se em Nova York o cenário é este, imagine em New Jersey! Também não acho que LBJ vá para lá.
Fala-se muito na possibilidade de o Miami contratá-lo — bem como a Chris Bosh. O Heat teria espaço em seu “cap” para ofertar um bom dinheiro aos dois, mas não toda esta quantia mencionada acima (confesso que não sei quanto, se alguém souber, por favor, manifeste-se).
Aí o Miami ficaria com um quinteto com Mario Chalmers, Dwyane Wade, LeBron James, Michael Beasley e Chris Bosh. Seria quase que o time titular dos EUA que ganharam a medalha de ouro em Pequim.
É aí que eu aporto o meu barquinho: se LeBron estiver realmente pensando em ganhar um anel — ou melhor, anéis —, ele acabará no Sul da Flórida.
RODADA
Por falar em Miami, o Heat deu uma sova em um dos invictos da competição: bateu o Denver por 96-88. Os oito pontos finais enganam, pois a vantagem do Miami chegou a 28. No final, eles colocaram o pé no freio. Nenê Hilário anotou 11 pontos e pegou oito rebotes; sentiu a falta de Kenyon Martin, que saiu machucado depois de ter atuado apenas 12 minutos.
Outro invicto que caiu foi o Celtics (aliás, não há mais invictos no torneio). O alviverde de Massachusetts perdeu para o Phoenix em Boston! Dá para acreditar? Pois acredite: 110-103. Leandrinho Barbosa mais uma vez ficou de fora, contundido. Jason Richardson arrebentou a boca do balão com seus 34 pontos.
Já que o assunto é pontuação, o que dizer dos 41 que Kobe Bryant anotou diante do Memphis em Los Angeles? Foram fundamentais para que o time vencesse, pois seus dois pivôs titulares, Pau Gasol e Andrew Bynum, não jogaram por estarem lesionados. Com 34.5 pontos de média por partida, Kobe é o cestinha do campeonato no momento.
Vamos fechar o nosso papo com as decepções: 1) O San Antonio voltou a perder: 96-84 para o Blazers, em Portland; 2) O Atlanta foi esmagado pelo Charlotte, na Carolina do Norte, por 103-83; 3) O Washington somou mais um revés na competição: 102-86 para o Indiana; 4) O Oklahoma City, que conta com uma enorme simpatia dos torcedores e demonstra pouca eficiência em quadra, perdeu novamente: agora para o Houston, por 105-94.
A temporada mal começou e em apenas seis jogos o Cleveland já perdeu dois deles em casa, exatamente o mesmo número de vezes em que foi dobrado diante dos fãs em toda a temporada passada. Nos outros 39 embates em sua Q Arena, o Cavs foi para o vestiário carregado nos braços da torcida.
Para que isso ocorra novamente, o time de LeBron James não pode mais perder em seus domínios. É possível que isso ocorra?
Improvável, mas não impossível.
Mas não é isso o que interessa. O que importa é falarmos do jogo do Cavs, que realmente decepciona neste início de competição.
O time não funciona em quadra. A contratação de Shaquille O’Neal pouco ou quase nada adicionou ao time.
Talvez tenha-o deixado mais lento em quadra. Exatamente o que ocorreu em Phoenix.
Shaq, infelizmente, envelheceu. É vítima do tempo, como todos nós.
Tem freado o ritmo alucinante que LBJ imprime à equipe quando o time joga em casa e, com defesa consistente parte para a transição e nocauteia o oponente pela velocidade e eficiência de seu jogo.
Isso não tem sido visto como se via no campeonato passado. Shaq defende mal e é lento.
Seus números na derrota de ontem para o Chicago por 86-85 foram bons apenas nos rebotes: dez. Mas a pontuação foi mediana para que se valha a pena tê-lo em quadra: 14 pontos.
Anderson Varejão, por exemplo, teve números semelhantes: 12 pontos e 13 rebotes. Mas o jogo não fica concentrado no capixaba e ele, ao contrário de Shaq, não deixa o time em “slow motion”.
E mais: Shaq em quadra, atualmente, não é preocupação para o adversário. Dificilmente você vê o oponente fazer um “double team” (marcação dobrada) em cima do grandalhão.
Apenas um jogador é suficiente.
Será que Shaq vai naufragar também em Cleveland?
FELICIDADE
Em contrapartida, o Chicago levou às nuvens os seus torcedores. Ninguém, em sã consciência, poderia imaginar que o Bulls fosse vencer o Cavs — ainda mais em Cleveland.
Mas não é que o time venceu?
O final foi dramático. O tal do “double team” que eu disse há pouco que ninguém mais faz em Shaq, foi feito em LeBron James nos segundos finais da partida.
E o ala, ao tentar a bandeja para dar a vitória aos anfitriões, encontrou a porta fechada por Luol Deng e Joakim Noah (foto AP). Perfeito.
LBJ deixou a quadra reclamando de falta — que significaria a cobrança de dois lances livres. Mas foi choro de mal perdedor.
O que eu vi foi uma defesa perfeita em cima de um dos maiores jogadores de basquete da atualidade. Isso King James deveria dizer e reconhecer o trabalho da dupla adversária.
Vitória justa de um time que não se deixou intimidar em nenhum momento pela força do adversário e nem pelo barulho da torcida. Vitória justa de um time que acreditou até o fim que era possível vencer.
Chicago 86-85 Cleveland. Inacreditável!
IRREGULAR
O San Antonio também não empolga neste início de competição. Perdeu seus dois principais compromissos até o momento: Bulls, em Chicago, e Utah, em Salt Lake City.
Suas duas únicas vitórias em quatro partidas até o momento aconteceram no Texas: New Orleans e Sacramento. E, cá pra nós, dois times do bloco intermediário para baixo, o que não empolga ninguém.
A derrota de ontem na cidade do lago salgado por 113-99 preocupa os torcedores texanos. Afinal, o Jazz vinha de uma campanha de 1-3, com derrota até mesmo para o Houston (sem T-Mac e Yao Ming) em sua EnergySolutions Arena.
Carlos Boozer estava marcado pela torcida. Pegava na bola e era vaiado.
Até o jogo de ontem.
Na noite passada, Booz marcou 27 pontos, apanhou 14 rebotes, deu três assistências e dois tocos e ainda roubou duas bolas. E, mais importante de tudo, ajudou a controlar Tim Duncan, um dos maiores power foward da história da NBA.
A quinta-feira foi realmente atípica: os favoritos perderam; as zebras se deram bem.
Nossos meninos brilharam na rodada de ontem da NBA.
Anderson Varejão (foto AP) foi muito importante na primeira vitória do Cleveland nesta temporada, depois de duas derrotas consecutivas. O capixaba fez seu primeiro “double-double” neste campeonato ao anotar 13 pontos e apanhar 11 rebotes (quatro deles ofensivos).
Ajudou e muito o Cavs no largo triunfo de 104-87 diante do Minnesota no Target Center de Minneapolis, quase em solo canadense.
Sua atuação só não veio em letras garrafais porque LeBron James não deixou. LBJ cravou 24 pontos na cesta alheia, confiscou nove rebotes e deu sete passes que resultaram em cestas.
Bem mais ao Sul dos EUA, Leandrinho Barbosa foi o cestinha da partida onde o Phoenix ganhou do Golden State por 123-101. O paulistano cravou 24 pontos no aro californiano e ajudou a computar a segunda vitória em dois jogos do Suns na competição.
Só não deixou a quadra do US Airways Center sob os holofotes da mídia e os olhares contemplativos dos torcedores porque Steve Nash não deixou. O canadense deu 20 assistências e marcou 18 pontos no deserto do Arizona.
Bom para os dois brasucas, bom pra todo mundo. As vitórias, tanto do Cleveland quanto do Phoenix, estavam no script da rodada.
SURPRESA
O que não estava no roteiro foi a derrota do Lakers para o Dallas. Partida em Los Angeles, tabu em jogo (havia seis jogos que o Mavs não vencia os amarelinhos), eu não esperava por isso.
Ah, mas o Lakers jogou sem Pau Gasol. Verdade; mas os texanos atuaram sem Josh Howard.
Derrota indesculpável, mas previsível dentro de um campeonato longo e com jogos quase que diários.
Pra variar, Dirk Nowitzki foi o destaque dos visitantes: 21 pontos e 10 rebotes. Kobe Bryant marcou 20 pontos e pegou seis rebotes.
REALEZA
Com Michael Jordan (foto Reuters ao lado do técnico Larry Brown) vendo tudo de sua poltrona ao lado do banco de reservas, o Charlotte Bobcats bateu o New York por 102-100 depois de duas prorrogações. O final foi emocionante, com DJ Augustin derrubando dois lances livres a dois segundos do final da partida.
Mas o destaque do jogo foi mesmo o armador Raymond Felton, que um dia ganhou uma camisa do Palmeiras do técnico Caio Junior em visita ao CT alviverde, há dois anos. Felton, produto de North Carolina, marcou 22 pontos, deu nove assistências e pegou oito rebotes.
Quanto ao New York, enquanto não trocar o treinador, esquece. Pior do que isso: com este cenário, duvido que LeBron James considere a possibilidade de jogar na Big Apple no ano que vem.
Mesmo com todo o glamour da cidade que nunca adormece.
ALARME
Vince Carter pregou um baita susto nos torcedores do Orlando. No segundo quarto da partida de ontem contra o New Jersey, deixou a quadra lesionado no tornozelo esquerdo.
Era, até então, o cestinha do jogo com 16 pontos. Era, também, seu primeiro jogo diante de sua ex-equipe em seu antigo lar.
Estava impossível.
Imprevisto surgido, time em perigo, Super-Homem entrou em ação. Dwight Howard foi até a cabine telefônica mais próxima, tirou seu traje civil e entrou em cena.
Terminou a partida com 20 pontos, 22 rebotes e quatro tocos. Homem, ou melhor, super-homem do jogo.
Orlando 95-85 New Jersey.
QUARTETO
Se a noite retrasada foi inesquecível, a passada foi pra se esquecer. O Chicago tomou uma aula de basquete ontem à noite em Boston.
Foi surrado pelo Celtics por 118-90. Não viu a cor da bola.
O alviverde de Massachusetts somou seu terceiro triunfo na competição. Está invicto até o momento.
E dá mostras claras, com contornos bem definidos, de que realmente é um dos times a ser batidos nesta temporada.
Paul Pierce (22 pontos), Ray Allen (20) e Kevin Garnett (16) fazem mesmo a diferença, ninguém questiona isso. Mas está mais do que na hora de colocarmos Rajon Rondo no mesmo patamar do Big Three.
Rajon (foto Reuters entre Garnett e Allen) marcou dois míseros pontinhos, os relutantes podem dizer. Sim, é verdade, mas ele distribuiu 16 assistências e pegou oito rebotes.
Em meia hora desfilando seu talento no TD Banknorth Garden, cometeu apenas dois erros — o que para um armador é expressivo, pois ele tem a bola nas mãos a maioria do tempo.
Que tal substituirmos o Big Three por Quarteto Fantástico?
Já o Chicago… O que dizer? O time foi um fiasco.
Derrick Rose foi um fiasco: duas assistências e uma dezena de pontos. Tyrus Thomas foi um desastre na linha do lance livre: 4-9. Luol Deng só quatro pontos e dois acertos nas oito bolas atiradas contra o aro adversário.
E o que dizer de John Salmons? 2-14 nos arremessos!!!
Aliás, por falar nisso, olhem só o aproveitamento do Chicago nas bolas de três: 2-15 (13.3%).
Com números assim fica impossível destruir uma das fortalezas desta temporada.
Salvou-se apenas Joakim Noah com seus 16 pontos e dez rebotes. Lutou com um “bull” do começo ao fim do jogo.
Jogo, aliás, para ser esquecido.
COMPARAÇÃO
Fiquei pensando dia desses: não parece a vocês que LeBron James é a versão no basquete do tenista Andy Roddick?
Paulista de Araraquara, e agudense e bauruense de coração, trabalha há 30 anos como jornalista, formado que é pela Fundação Cásper Líbero. Direcionou sua carreira para o esporte, embora tenha atuado em outras editorias. Fez parte de importantes veículos de comunicação, como a revista “Placar”, o jornal “Folha de S.Paulo”, TVs Record e Bandeirantes, os canais a cabo ESPN Brasil, SporTV e Bandsports, Rádio Bandeirantes, Rádio Record e Jovem Pan, onde trabalha atualmente. Criou a coluna “Basquete no Mundo”, na “Folha de S.Paulo”, e os programas “Por Dentro do Basquete”, na ESPN Brasil, e “Basketmania”, no SporTV. Cobriu três finais da NBA, quatro “All-Star Weekend”, três “Final Four”, as Olimpíadas de Atlanta, Sydney e Pequim e a Copa do Mundo de Futebol na Alemanha. Viu Michael Jordan, ao vivo, em 16 ocasiões. Volta ao iG depois de aqui ter passado no começo desta década.