Não há mais invictos na NBA. Os dois últimos caíram ontem à noite. Primeiro foi o Miami, que perdeu surpreendentemente para o Atlanta (100-92) em casa; depois quem se rendeu foi o Oklahoma City, que em terras inimigas foi batido pelo Dallas.
Disse surpreendente em relação ao revés do Miami porque o Atlanta, embora reconheçamos tenha um bom time, não passa de um bom time. E jogando fora de casa, contra um dos favoritos ao título, não imaginava que a equipe do sul da Flórida fosse perder.
Mas um olhar mais atento ao desempenho do Heat na competição nos revela que o time não está justificando tantos holofotes. Venceu brilhantemente o Dallas fora de casa em seu debute no torneio, numa época em que o Mavs ainda estava de ressaca pelo título conquistado. De lá pra cá, fez uma boa vitória, em casa, diante de um Boston desfalcado de Paul Pierce, e só voltou a convencer quando pegou, diante dos fãs, uma galinha morta chamada Charlotte (129-90), lembrando que quando jogou no galinheiro alheio suou para vencer (96-95).
Definitivamente, o Miami ainda não está no ponto. E nem poderia ser diferente. Os times têm que estar no ponto quando os playoffs chegarem.
Mas, sinceramente, eu esperava mais do Heat nesse início de campeonato. Acho que LeBron James também (foto AP).
Já o OKC perdeu uma partida perdível. Ou seja: foi derrotado pelo atual campeão da NBA por 100-87. Portanto, nada de anormal — ao contrário do que aconteceu com o Miami.
Se olharmos em retrospecto para a campanha do Thunder, não vamos encontrar nenhum jogo precioso, mas o time somou vitórias diante de oponentes de respeito: Orlando, Dallas e Phoenix, todos em casa, e Minnesota e Memphis, fora.
Se a bola que o Miami joga merece reflexão, o desempenho do OKC agrada.
RECUPERAÇÃO
Ricardo Camilo, um dos mais antigos frequentadores deste botequim, que nos últimos dias a gente o tem reparado taciturno e sorumbático, jogou ontem a toalha por conta do desempenho de seu Dallas neste campeonato. Mas foi precipitado, pois o confronto da noite contra o Oklahoma City nem havia sido disputado.
Aliás, vale repetir o teor da mensagem do Ricardo:
Sormani,
Já teve algum campeão que ficou de fora dos playoffs no ano seguinte ou o Dallas será o 1º a ter essa “honra”?
Depois do que eu vi ontem, desisti completamente: aquilo não é um time, é um catadão digno de pelada no parque. Ninguém defende, o ataque é cada um por si, o garrafão é uma piada, só faltam estender um tapete vermelho para os adversários.
Se não bastassem os 17 desperdícios de posse, Rick Carlisle teve a “brilhante” ideia de colocar Dirk Nowitzki pra marcar Kevin Love, ou seja, um jogador fraco defensivamente para marcar o melhor atleta do adversário, “genial”.
Outra coisa que vou custar a entender: pq renovaram o contrato do (Brian) Cardinal? Se havia um jogador do elenco do ano passado que era descartável (pode ser cruel, mas a palavra é essa), era exatamente Cardinal e não os 4 que saíram. Além deste amor gigantesco por (Rodrigue) Beaubois.
O que começa errado termina errado. Agora inventaram o tal de Yi Jianlian, mais um chinês alto e bichado, acho que seria mais barato renovar com (Tyson) Chandler que manter Cardinal, (Brendan) Haywood e (Ian) Mahinmi, e contratar Sean Willians e Yi Jianlian.
Feliz 2013 Dallas!
Respondi a Camilo: tenha calma, a casa será arrumada.
E acho que a faxina começou a ser feita ontem à noite. O time já mostrou outro basquete. A principal mudança se deu na defesa: compactada, pressionando sempre o homem da bola e ótima movimentação dos jogadores que estavam no lado fraco, impedindo, com isso, que alguém aparecesse livre para pontuar.
O resultado desta mudança de atitude os números nos contam como foi. O aproveitamento do OKC nos arremessos de um modo geral foi ruim: 40,3% (31-77). Mas os tiros longos, aqueles que valem três pontos, esses foram muito pior: 26,3% (5-19).
O Dallas parece ter encontrado o caminho perdido. Por conta disso, eu não tenho a menor receio em dizer que o time estará nos playoffs desta temporada, temor esse que, tenho certeza, deve ter diminuído no coração do nosso bravo parceiro Ricardo Camilo.
PERDA
Manu Ginobili fraturou a mão esquerda. Os doutores que examinaram o caso, logo após o incidente, disseram que ele ficará de fora pelo menos um mês, embora o jogador faça um exame mais apurado nesta terça-feira.
Uma perda e tanto. Como postei ontem no meu Twitter (@FRSormani) durante a partida, Manu joga demais! E joga mesmo.
Não há substituto para ele no elenco e na NBA são poucos os jogadores que podem fazer o mesmo trabalho que ele faz: precisão nos arremessos e passes, defesa forte, liderança e aporrinhar adversários e arbitragem.
A gente não pode se esquecer que este campeonato tem 66 partidas na fase de classificação e não as 82 habituais. Neste janeiro, o time fará 17 partidas. Ou seja: 25% do “schedule”.
É bom o SAS se cuidar, pois a Conferência Oeste, ao contrário do que muitos imaginam, não é nenhuma barbada. Está muito equilibrada e o Minnesota está de olho numa vaga no grupo de elite.
SURPRESA
Ontem falamos de Ricky Rubio. Deitamos elogios ao armador espanhol e dissemos que o jogo contra o San Antonio seria o melhor da noitada.
Para surpresa geral na nação, Luke Ridnour, o armador titular e que sempre cede seus minutos para Rubio jogar, foi o grande nome da vitória do Wolves sobre os texanos por 106-96.
Luke anotou 19 pontos e deu nove assistências em 36 minutos. Por conta disso, deixou apenas 24 minutos para o espanhol jogar. E o ibérico foi uma decepção: seis pontos e três assistências.
Ah, sim, alguém pode dizer: como Ridnour foi o melhor em quadra se Kevin Love marcou 24 pontos e pegou 15 rebotes? Esses números do ala-pivô do amor são corriqueiros e já não chamam mais tanta a atenção.
Aliás, sobre Kevin vou falar qualquer dia dessas, mais detalhadamente.
INFLAMAÇÃO
No pé esquerdo. Por conta disso Nenê não atuou na vitória de ontem do Denver diante do Milwaukee por 91-86. Deve voltar no confronto destaque quarta diante do Sacramento.
Sem Nenê, dois outros brasileiros estiveram em quadra na noite de ontem, segunda-feira. Primeiro foi Leandrinho Barbosa, que anotou uma dezena de pontos na vitória de seu Toronto sobre o Knicks, em plena Nova York, por 90-85. Tiago Splitter atuou com a camisa 22 do San Antonio na derrota diante do Wolves, derrota que foi mencionada anteriormente. Splitter veio do banco e anotou 12 pontos e pegou três rebotes apenas. Está mostrando evolução a cada dia que passa.
ENGODO?
O New York perdeu para o Toronto. Muitos parceiros deste botequim estão esperando muito do Knicks neste campeonato.
Não faço parte deste coro.
Mas do Knicks eu ainda vou falar; mas mais para frente.