Depois de cinco jogos seguidos no conforto do lar, o Lakers viajou; e se deu mal. Mas poderia ter se dado bem. Abriu 16 pontos de vantagem diante do Indiana no começo do último quarto, mas viu o adversário tirar a diferença e vencer a partida por um pontinho apenas: 118-117.
A bola que decidiu a partida, um tapinha de Troy Murphy, quando caiu, lambeu a rede do aro californiano ao mesmo tempo em que a buzina do Conseco Fieldhouse Center soava pela última vez. A maioria dos 16.412 torcedores que lotaram a arena indiana foi à loucura com a cesta de Murphy. Disse a maioria, e não a totalidade, porque, como sempre acontece, o Lakers tinha muitos, mas muitos torcedores assistindo à partida.
Por que o Los Angeles perdeu o confronto? Muitos criticam até agora o técnico Phil Jackson. Mas será que isso é verdadeiro?
Vamos relembrar um pouco a partida…
Faltavam 2:36 minutos para o final do terceiro quarto, quando Danny Granger derrubou dois lances livres para o Indiana e levou o placar para 86-84. Nesses pouco mais de dois minutos e meio, o Lakers fez uma incrível corrida de 17-0 e encerrou o quarto na frente em 101-86.
Estavam em quadra, naquele momento, Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Trevor Ariza, Lamar Odom e Andrew Bynum. À exceção do pivô, os demais são reservas. No banco figuravam Derek Fisher, Kobe Bryant, Vladimir Radmanovic e Pau Gasol.
Dos sentados, Radmanovic poderia continuar por lá até o final do embate, pois Ariza joga mais do que ele. Foi Trevor, aliás, que iniciou a corrida dos 17-0 com duas roubadas de bola sensacionais.
A 11:03 do final, uma bola tripla de Vujacic colocou o time na frente em 104-88, a maior diferença a favor dos visitantes. Foi então que o Pacers iniciou sua espetacular corrida que liquidou o Lakers.
Primeiro, fez um 8-0 que obrigou Jackson a pedir tempo. 104-96 para o Lakers. Nesse momento, o treinador californiano fez voltar ao time os quatro titulares que estavam no banco: Fisher, Kobe, Rad e Gasol. Manteve em quadra apenas Bynum.
De nada adiantou. O Indiana fez uma nova corrida, esta decisiva, de 22-13 e ganhou a partida na última bola, como vimos.
CRÍTICA
Por que criticam Phil Jackson? Porque, dizem, ele deveria ter deixado os reservas em quadra mais tempo. O próprio pivô Andrew Bynum disse isso no vestiário, em conversa com os repórteres. Afinal, argumentaram, foram os reservas que fizeram a corrida de 17-0 e quase deram a vitória ao Lakers.
Discordo.
Com eles em quadra a diferença começou a despencar. De 16 caiu para oito quando Phil pediu o tempo com o placar em 104-96. Eles davam sinais mais do que claros de que não estavam agüentando a reação do adversário. A diferença iria desabar, inevitavelmente.
Phil acertou em colocar os titulares, passando a eles a responsabilidade de segurar o marcador – oito pontos de vantagem. Qualquer um teria feito isso com o quadro que estava se desenhando à frente de todos.
FOGO MORTO
Acontece que os titulares negaram fogo no momento decisivo. Como Kobe Bryant, que se tivesse acertado um arremesso simples a 14 segundos do final, teria levado a vantagem para três pontos, o que evitaria a derrota pelo menos no tempo normal.
O aproveitamento dos titulares foi horrível na reta final.
Kobe acertou apenas um de seus cinco arremessos; Gasol fez 2-4; Rad 0-3. Fisher só arremessou dois lances livres certeiros, mesmo desempenho de Ariza, que voltou ao jogo a 5:31 do final no lugar de Bynum, com Gasol passando para o pivô e Lamar – que retornou na vaga de Radmanovic – ficando como ala/pivô. Ah, sim, Kobe ainda perdeu um de seus dois lances livres cobrados neste tempo referido.
DE QUEM É A CULPA?
Pergunta básica: de quem é a culpa, do treinador ou dos jogadores?
RESPOSTA
Dos jogadores, pois eles entraram mal na partida. Treinador não entra em quadra.
MARCAÇÃO
A culpa de Phil Jackson se dá pelo fato de o Lakers estar marcando muito mal. Talvez devesse exigir mais dos jogadores nos treinamentos.
Jerry Tarkanian, ex-treinador do universitário (UNLV e Fresno State) e que teve uma curta passagem pelo San Antonio, disse certa vez: “Defesa é a fundação e o coração de um time de basquete”. Adolph Ruup, aquele mesmo, que não gostava de negros, treinador de Kentucky, mandou bem, certa vez, quando decretou: “A defesa vai te salvar nas noites em que seu ataque não estiver funcionando”.
Foi o que aconteceu na reta final da partida. O ataque do Lakers empobreceu e a defesa desapareceu.
REBOTE
Além da inanição defensiva, o Lakers não mostrou-se faminto pelos rebotes. Vejam os números: 50-41 para o Indiana. Mas o que mais salta aos olhos foi a briga pelas sobras de ataque: o Pacers apanhou nada menos do que 19 contra apenas oito do Lakers.
Charles Barkley, já aposentado, declarou certa vez: “Eu marquei mais de 20 mil pontos, mas a coisa que eu mais me orgulho em minha carreira foram os meus rebotes”.
Sir Charles anotou exatos 23.757 pontos durante a temporada regular e apanhou 12.546 rebotes.
CONCLUSÃO
Todos têm sua parcela de culpa; Phil Jackson não pode ser responsabilizado sozinho pelo fracasso de ontem à noite em Indiana. A fatia maior desse bolo azedo tem que ser dos jogadores.
Como disse, técnico não entra em quadra.
VICE-LÍDER
Com a derrota, o Lakers deixa de ser a melhor campanha na atual temporada. Tem dois revezes, assim como o Boston, mas o Celtics, por ter feito duas partidas a mais, chegou a 17 triunfos, contra 15 do Los Angeles.
Desta forma, o aproveitamento é este: Boston, 89.5%; Lakers, 87.5%.
OUTRO LADO
Mas vamos falar do Indiana, porque, do jeito que o nosso papo vai, parece que havia apenas um time em quadra. Nada disso, o Pacers também esteve lá.
O ala/pivô Troy Murphy foi um gigante na briga pelas sobras. Foi o reboteiro do jogo, com 17 no total, seis deles no ataque, inclusive o tapinha que fez o Indiana vencer, como falamos anteriormente.
Os 17 rebotes de ontem representaram o nono jogo seguido onde Murphy pegou um duplo dígito nas sobras defensivas e ofensivas.
“Troy foi um monstro nos rebotes”, elogiou Danny Granger, seu companheiro de time, outro portento em quadra. “Ele batalhou por cada rebote apanhado e eu fico feliz por isso, pois eu mesmo não estava conseguindo [pegar os rebotes]”.
Granger fisgou apenas quatro defensivos em toda a partida, mas…
SCORE MACHINE
Danny Granger, como disse, foi portentoso com a bola nas mãos. Terminou o confronto como o cestinha ao anotar 32 pontos.
Foi o quinto jogo nesta temporada que este produto de duas universidades – começou em Bradley, a mesma escola onde Marcel Souza jogou, e depois em New Mexico – anotou mais de 30 pontos. Está com 26.4 pontos de média e é o sexto melhor pontuador da atual temporada.
CASEIRO
Semana passada, enviei um e-mail para a NBA perguntando por que o Lakers teve um calendário tão favorável neste início de competição. Eis a resposta da liga:
“Os jogos são difíceis de serem programados, pois os ginásios são reservados para vários tipos de eventos. A programação é bem igual a cada ano, com algumas mudanças de acordo com os eventos já reservados em cada ginásio. Mas no fim um time faz o mesmo número de jogos em casa como fora”.
De fato, as arenas são multiuso. O Staples Center, por exemplo, é lar do Lakers e do Clippers. Além deles, o Los Angeles Kings, time de hóquei, também usa o local.
Sem contar os shows que lá acontecem. Amanhã, por exemplo, o grupo de rock Oasis lá estará se apresentando.
Ainda bem que os caras estão “on the road”.
MASSACRE
O Denver massacrou o Toronto ontem à noite no Colorado. A vitória de 39 pontos (132-93) poderia ter sido muito mais espaçosa.
No último quarto, o técnico George Karl colocou em quadra seus reservas. Entre eles o senegalês Cheikh Samb, 24 anos, 2m16 de altura, ruim na mesma proporção de seu tamanho.
O jogo estava tão fácil que Samb conseguiu fazer quatro pontos. Aliás, seus primeiros na atual temporada.
Com a vitória, o Nuggets tem agora um recorde de 13-6 (68.4%). Fincou o pé na terceira colocação do Oeste, atrás apenas de Lakers, mas com a mesma campanha do Portland, o segundo – perde nos critérios de desempate.
Vem de três vitórias consecutivas e dos últimos dez jogos, venceu oito. Desde que Chauncey Billups chegou foram 12 vitórias e só três derrotas.
Os 132 tentos marcados ontem foram a máxima pontuação do Denver na temporada. Outro recorde: as 37 assistências, 14 delas de Billups, que ainda cravou 24 pontos.
“DOUBLE-DOUBLE”
Pelo segundo jogo consecutivo Nenê fez um “double-double”. Ontem foram 19 pontos e 11 rebotes, três deles na frente. Foi o único jogador do Denver a pegar mais de dez sobras.
Completou a noite com duas assistências e dois tocos. Mas poderia ter feito muito mais se não passasse a maior parte do jogo no banco, descansando.
Nenê atuou apenas 27 dos 48 minutos, mesmo tempo de Kenyon Martin, seu companheiro de garrafão, três a menos do que Carmelo Anthony, que completa o “frontcourt” titular do time colorado.
Foi o quinto jogo em sete noites. Por isso, ninguém reclamou; ao contrário, todos aplaudiram a atitude do técnico George Karl.
Além disso, a equipe terá pela frente, amanhã, o San Antonio. O jogo será novamente no Pepsi Center e mesmo com um Spurs cambaleante, Spurs é sempre Spurs.
Do San Antonio a gente fala daqui a pouco.
LIDERANÇA
Disse Carmelo Anthony depois da partida sobre a presença de Chauncey Billups com a camisa 7 do Denver: “Tenho dito o tempo todo, ele [Billups] trouxe liderança para o nosso time, ajudando todo mundo, fazendo todos melhorarem. Você dá uma olhada no ‘scoreboard’ e vê, cinco, seis jogadores com um duplo dígito [na pontuação], sendo que no passado nós não tínhamos isso”.
O passado a que Carmelo se refere é recente, exatamente o tempo em que Allen Iverson jogava no Nuggets. Nem precisava dizer, mas não custa nada.
RESPOSTA
Allen Iverson, por falar nele, tem se revelado um jogador ciclotímico com a camisa 1 do Detroit. Conseqüentemente, o time também.
Ontem em San Antonio, AI marcou 19 pontos, deu seis assistências e roubou quatro bolas. Enfim, fez um jogo consistente.
Resultado: O Detroit bateu o Spurs por 89-77.
SHEED
O cara do jogo, todavia, foi Rasheed Wallace.
O maluco pivô e ala/pivô do Detroit tomou uma falta técnica a 6:09 minutos do final do terceiro quarto. Murchou?
Nada disso; ficou maluco e anotou 17 pontos a partir de então – tinha feito apenas dois até aquele momento –, sendo que nove deles vieram em três bolas triplas. Contagiou o time e fez o Pistons somar sua terceira vitória nos últimos quatro jogos.
Levou o moto-rádio como o melhor em quadra.
CANSAÇO
Tim Duncan marcou 23 pontos, mas fez apenas um no último quarto.
Peso da idade?
Médio, um pouco disso e também pelo fato de estar carregando o time nas costas. Manu Ginobili voltou há cinco partidas e Tony Parker há três de um total de 15 embates já feitos pelo San Antonio.
Timmy não é nenhuma criança. Tem 32 anos e não é mole carregar os seus 118 quilos cada vez que entra em quadra.
Não há costas e joelhos que agüentem.
PÚBLICO
Ontem, o parceiro Cassio Luan bem observou que o jogo entre Charlotte e Minnesota teve o menor público até agora desta temporada: 9.285 torcedores estiveram na Time Warner Cable Arena da Carolina do Norte.
Semana passada, no mesmo e-mail enviado à NBA, perguntei a respeito da média de público neste campeonato em comparação com o passado. A resposta chegou no começo da noite de ontem e, por isso, não leva em consideração a rodada passada, que não teve, diga-se, nenhuma partida com público inferior a 10 mil pessoas.
Como até ontem 204 embates tinham sido disputados, a NBA comparou-os com a mesma quantidade do torneio passado. Os números são os seguintes:
Média de público
2008-09: 17.059
2007-08: 16.974
Total de Público:
2008-09: 3.479.953
2007-08: 3.462.680
Ocupação dos ginásio:
2008-09: 88.94%
2007-08: 88.84%
Jogos com todos os ingressos vendidos:
2008-09: 88 partidas
2007-08: 103 partidas
Como se vê, houve decréscimo apenas no quesito de ocupação total das arenas nesses primeiros 204 jogos. Mas a média de público – e conseqüentemente o público total – aumentou.
Bom sinal. Parece que a crise ainda não deu as caras na NBA.
E tomara que isso não aconteça.
TORCIDA
Apareceu um torcedor do Orlando. Muito legal. Os votos não param de chegar. Já atingimos 109 torcedores votantes.
O New York cresce a cada dia que passa e já chegou a dois dígitos na preferência dos torcedores, deixando o Boston para trás.
O novo quadro é este:
1) Lakers – 27.5%
2) Chicago – 15.5%
3) New York – 9.1%
4) Boston – 7.3%
5) Detroit – 7.3%
6) Phoenix – 6.4%
7) San Antonio – 5.5%
8) Cleveland – 3.6%
9) Denver – 1.8%
10) Houston – 1.8%
11) Indiana – 1.8%
12) Miami – 1.8%
13) Toronto – 1.8%
14) Dallas – 0.9%
15) Minnesota – 0.9%
16) New Jersey – 0.9%
17) Orlando – 0.9%
18) Philadelphia – 0.9%
19) Portland – 0.9%
20) Utah – 0.9%