MIAMI, COMO NOS VELHOS TEMPOS
Quando o mês de março chegou, o Miami brigava pela oitava posição no Leste com uma miserável campanha de 30 vitórias e 31 derrotas. Seu percentual de aproveitamento era de 49.1%.
Quando o mês de março chegou ao fim, o Miami posicionava-se na sexta colocação graças a uma campanha de 12 vitórias e apenas três derrotas. Desde a temporada 2007 que o Heat não apresentava um desempenho desses num mês de disputa: 12 vitórias e apenas três derrotas.
Ontem, em sua primeira partida no mês de abril, o time da Flórida voltou a vencer. Bateu o Indiana por 105-96, na prorrogação, e estendeu seus triunfos para 42 e manteve suas derrotas em 34. O que dá um aproveitamento de 55.3%.
Mais do que isso, pulou da sexta para a quinta posição. Mais ainda: não perde há sete partidas e somou sua quinta vitória consecutiva fora de casa. Quer mais? Ao bater o Pacers, evitou que o adversário chegasse a nove triunfos seguidos dentro de seu Conseco Fieldhouse.
O Miami chega de mansinho. E não é um time qualquer; é o time de Dwyane Wade, que ontem anotou nada menos do que 43 pontos, oito deles na prorrogação. É um time, não se esqueçam, que já foi campeão da NBA.
Até onde o Heat pode chegar? Estivesse no Oeste e eu diria que poderia disputar a final da conferência. No Leste, com Cleveland e Orlando, na melhor das hipóteses ele alcança a semifinal.
E se isso acontecer, já será um feito e tanto; concordam?
YOU SAY GOODBYE AND I SAY HELLO
Quem nunca ouviu a canção “Hello Goodbye” dos Beatles? Acho que somente os que vivem no mundo da lua nunca ouviram o tema escrito por John Lennon e Paul McCartney.
O terceiro verso desta obra prima do rock diz exatamente isso: “You say goodbye and I say hello”. Por que eu falo sobre isso? Porque eu estava pensando em Dwyane Wade.
O armador terá seu vínculo encerrado com o Miami ao final desta temporada. Pra onde ele vai ninguém sabe; ainda.
Especula-se que ele pode: 1) Ficar na Flórida; 2) Retornar para Chicago, sua terra natal, e jogar pelo Bulls.
D-Wade voltou a jogar uma barbaridade com a camisa 3 do Heat. Empolgou-se novamente com o time e a cidade? Ou estaria ele deixando uma última grande impressão para os fãs de Miami e, ao dizer, adeus, seria lembrado com carinho eternamente por todos na cidade?
Em Chicago, Jerry Reinsdorf, dono do Bulls, espera que o terceiro verso de “Hello Goodbye” possa se transformar em uma frase para D-Wade.
“You say goodbye [para o Miami] and I say hello”.
MANU E POP
Ontem foi a noite dos “free agents”. Em San Antonio, Manu Ginobili, que encontra-se na mesma posição de Dwyane Wade, acabou com o Orlando. O argentino anotou os mesmos 43 pontos do armador do Miami e conduziu o Spurs a uma espetacular vitória.
Os 112-100 foram realmente empolgantes, mas vieram manchados pela tática pouco elegante do San Antonio em fazer o “Hack-a-Shaq” em cima de Dwight Howard.
Essa estratégia nojenta de Gregg Popovic é realmente desprezível. Considero Pop um dos treinadores mais brilhantes da história da NBA, mas ele macula sua trajetória na liga ao usar deste expediente condenável.
Alguém pode dizer que não existe nada na regra que impeça a atitude. De fato, não há mesmo, mas eu faço replico com um antigo dito popular que diz: “Nem tudo que é legal é moral”.
Ao recorrer ao “Hack-a-Shaq”, o San Antonio deixou claro que não tem time para vencer o Orlando. Caso contrário, não faria isso.
SURPRESA
Quando Tony Allen tomou a bola de Luis Scola como se toma doce de criança, a 27 segundos do final da partida e com o placar favorável ao Boston em 107-104, eu desisti do jogo. Acabou, concluí.
Além da vantagem de três pontos, Allen sofreu falta de Aaron Brooks e foi para a linha do lance livre. Voltei para San Antonio x Orlando.
De repente, aparece uma janelinha na TV mostrando um arremesso certeiro de Scola da meia esquerda do ataque do Rockets e embaixo escrito: Houston 119-114 (OT – Final).
Como assim? O Boston conseguiu não vencer a partida mesmo tendo dois lances livres e três pontos de vantagem sobre o time texano e mesmo jogando em casa, isso tudo a 27 segundos do final?
É por isso que o basquete é o mais empolgante de todos os esportes. Trouxa de quem se comporta como eu me comportei.
NOVAMENTE
O Phoenix ganhou mais uma e Leandrinho Barbosa perdeu mais uma. Ontem à noite, no Palácio de Auburn Hills, o Suns fez 109-94 diante do Detroit e o paulistano jogou apenas nove minutos; anotou só dois pontos.
Não vi o jogo, mas nos relatos nada encontrei sobre contusão do brasuca. O “box score” mostra que ele cometeu apenas duas faltas. Estava livre, portanto, para jogar mais.
Por que não joga?
RENOVOU
Kobe Bryant renovou seu contrato com o Lakers por mais três temporadas. Vai receber US$ 84 milhões.
Kobe estava feliz da vida; e nem era para ser diferente. Com US$ 4 milhões eu já dava cambotas de alegria.
Mas não pensem que esses US$ 84 milhões começarão a ser pagos a partir da próxima temporada. Nada disso; KB recebeu US$ 23 milhões por este campeonato, fará mais US$ 24.8 no próximo e a partir do ano que vem é que os US$ 84 milhões começarão a cair na conta bancária do jogador.
Na entrevista coletiva, ele contou: “É uma grande honra [renovar com o Lakers]. Quando eu hoje cheguei para assinar o contrato, eles me mostraram uma foto do meu primeiro deles quando eu tinha 17 anos e nenhuma barba no rosto”.
Hoje Kobe tem 31 anos. Tem barba e quatro anéis nos dedos.
“Lembro-me daquele dia como se fosse ontem”, prosseguiu o armador. “Foi tudo muito rápido até os dias de hoje e eu me sinto muito, muito abençoado por estar nesta cidade”.
Mais tarde, de uniforme amarelo, viu Lamar Odom livrar sua cara. Sim, pois Kobe fez 5-23 nos arremessos e terminou a partida com 25 pontos, mas 15 deles vieram de lances livres.
Lamar, ao contrário, acertou 11 de seus 14 chutes (encestou três de seus quatro tiros triplos) e terminou a partida com 26 pontos. Uma sequência de cestas na metade do último quarto evitou que o Utah estragasse a festa dos angelinos.
O jogo terminou em 106-92 para o Lakers e Kobe pôde ir para casa feliz da vida.
Pelo contrato, pela vitória e pelo fato de o time ter evitado a terceira derrota consecutiva. E também por ter visto o Orlando perder e aliviar a briga pela segunda colocação geral.
RODADA
Os outros resultados de ontem foram:
Washington 87-95 Chicago
Charlotte 87-86 Milwaukee (OT)
Cleveland 93-88 Atlanta
Memphis 107-96 New Orleans
Golden State 128-117 New York
QUIZ
Quase ninguém respondeu o quiz de ontem. Mas vamos à resposta: os dois jogadores que jogam atualmente na NBA e cujos pais atuaram no basquete brasileiro são Al Horford (Atlanta), filho de Tito Horford, que vestiu a camisa do Sírio, e Wesley Matthews (Utah), cujo pai, Wes Matthews, atuou em Ribeirão Preto na época do defunto COC.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Dwight Howard, Dwyane Wade, Gregg Popovic, Jerry Reinsdorf, Kobe Bryant, Lamar Odom, Leandrinho Barbosa, Luis Scola, Manu Ginóbili, Tony Allen
APAGADO
Mesmo com tanta dificuldade pela frente, o Lakers desembarcou em Salt Lake City, rumou para o ginásio e venceu o Jazz por 96-81. Venceu porque contou com um jogador que aos olhos de muitos passa despercebido, mas não aos mais atentos e nem ao de Coach K, que acabou de selecioná-lo para participar dos treinamentos no verão americano que vão apontar os 12 jogadores que estarão no Mundial da Turquia.



