O QUE ACONTECE COM O CAMPEÃO DA NBA?
Quando o Miami ensacou o Dallas no domingo de Natal, chegando a abrir uma diferença de 35 pontos, mas fechando a partida em 105-94, o mundo ficou boquiaberto com o basquete mostrado pelo time do sul da Flórida; eu entre essas pessoas.
Como vocês bem sabem, eu considero o Heat o time mais poderoso de todos. Coloquei-o como o mais forte candidato ao título desta temporada.
Esta certeza se reforçou ainda mais depois da sova dada no Mavs em pleno Texas na partida que reeditou a final da temporada passada. Caramba, 35 pontos no Dallas, atual campeão da NBA, diante de seus fãs!
Quanto ao Dallas, bateu de frente com esta fortaleza num dia que nada deu certo. Acontece; foi o que a maioria pensou.
Ontem, novamente o Dallas entrou em quadra. E novamente em casa, no conforto do lar. Não dá para jogar mal dois dias seguidos, ainda mais em se tratando do campeão da NBA, todos nós pensamos.
E não é que o Dallas voltou a ser surrado dentro de casa! E desta vez a tunda não foi diante de um dos favoritos ao título. A tunda levada foi do Denver, um time que vai brigar, no máximo, por uma vaga nos playoffs desta temporada.
Assim como o Heat, o Nuggets abriu uma vantagem superior a 30 pontos; no caso, 33. Mas ao contrário do Miami, o Denver não deixou o ritmo cair: venceu a contenda por 22 pontos de diferença, 115-93.
A pergunta que cabe neste momento é: vamos analisar o Dallas ou vamos esperar pelo terceiro confronto? Vamos tentar descobrir o que se passa no “backstage” do time texano ou vamos aguardar pelo jogo diante do Thunder, em Oklahoma City, na próxima quinta-feira?
Quem me acompanha neste botequim sabe muito bem que eu nunca gostei do Dallas. O título da temporada passada foi para mim uma grande surpresa.
A faixa colocada nos jogadores do Dallas, a meu ver, foi mais por incompetência de dois grandes adversários (Lakers nas semifinais do Oeste e Miami na decisão do título) do que por qualidade dos texanos. Repito: nunca achei o Dallas essas coisas.
Mas o que acontece agora surpreende-me também. Não acho o Mavs essas coisas, mas esta porcaria que estamos vendo também não é o retrato da equipe campeã da NBA.
“Tenho muito trabalho pela frente”, disse o técnico Rick Carlisle (foto) depois da derrota de ontem diante do Denver. Sim, Rick, o mais tolo dos tolos sabe disso. O que queremos saber é: por que o time campeão virou um arremedo de time de basquete?
“Está claro que não estamos preparados (para jogar)”, prosseguiu Carlisle. Sim, Rick, está mais do que claro. Mas queremos saber: por que o Dallas está humilhando seus torcedores?
“A culpa é de todos, mas a minha é maior, pois a obrigação de prepará-los é minha”, finalizou o treinador. OK, Rick, mas por que não preparou a equipe até o momento?
O fato é que os torcedores do Dallas estão preocupados. Uma pesquisa no site do jornal “Dallas Morning News” nesta terça-feira pergunta aos fãs o seguinte: você está preocupado com o Mavericks depois das duas surras?
A opção sim recebeu até o momento 76,72% dos votos e a não 23,28%.
Vamos esperar pelo jogo de quinta diante do OKC ou vamos tentar entender o que se passa com o time? Vamos tentar entender o que acontece com o Dallas, de acordo?
Bem, como vocês estão de acordo, eu começo dizendo que J.J. Barea (foto) está fazendo falta (caramba, eu nunca pensei que fosse dizer um troço desses). Faz falta porque estava encaixado dentro do sistema de Carlisle.
O substituto imediato de Jason Kidd, um veterano de 38 anos e que em março próximo completará 39, é o francês Rodrigue Beaubois. Ele entra em quadra e nada acontece. Isso porque Beaubois se contundiu na temporada passada e mal atuou: fez apenas 28 partidas. Perdeu muito do que foi implantado no torneio anterior, torneio este que forjou o time campeão.
O resultado disso é que Carlisle tem improvisado Delonte West como armador principal quando J-Kidd tem que repousar. Delonte tem jogado mais de armador do que de ala-armador, sua real posição.
Outro ponto importante: Tyson Chandler foi embora e não houve reposição. Brendan Haywood é bom para desempenhar um papel semelhante ao de Barea: reserva que entra em quadra e não deixa a peteca cair. Mas como titular é problema.
Se o titular é problema, o que dizer do reserva? Ian Mahinmi, o substituto, ontem jogou apenas cinco míseros minutos. Pouco tempo em quadra porque não dá mesmo para deixá-lo mais exposto às feras.
Como não houve reposição, o resultado disso é que Carlisle está tentando tapar o sol com a peneira (desculpem o lugar-comum) improvisando uma vez mais. Chega a cúmulo de jogar com Brian Cardinal no pivô centralizado em uma defesa em zona, como o Dallas gosta de fazer em vários momentos da partida.
Não dá; em se tratando do campeão da NBA, um time ainda por cima riquíssimo, não dá. Se a gente estivesse falando do New Orleans, time que (não sei por quê) causa asco em muitos jogadores, eu até entenderia. Mas no Dallas, campeão da NBA e que tem, repito, os cofres abarrotados, isso não faz o menor sentido.
O que está fazendo Donnie Nelson, gerente geral da franquia? Por que o Mavs não tem um armador para ajudar J-Kidd a carregar o piano? Por que não tem um pivô decente para se revezar com Haywood?
E outra: por que é que o time não renovou com DeShawn Stevenson? O cara substituiu com um coração do tamanho do Estado do Texas o titular Caron Butler (outro que saiu), que se contundiu e não participou dos playoffs. Stevenson comprou uma briga particular com LeBron James nas finais e tirou do prumo o ala adversário, debochando do mesmo em quadra, em suas barbas, reduzindo-o a um Zé Ninguém. Sim, Stevenson reduziu LBJ a um Zé Ninguém nas finais com um jogo mental poderoso e um físico também.
Esse cara foi embora e o Dallas não fez nada para mantê-lo no grupo.
Ao contrário de repor essas peças perdidas, o Dallas contratou um atleta que de fato o time não precisava: Lamar Odom.
Lamar (foto) é jogador da posição de Dirk Nowitzki. Ok, alguém pode dizer, Lamar é o cara para entrar e não deixar a orquestra desafinar. Mas pagar uma fortuna para um jogador fazer isso?
Claro que Lamar faz muito mais do que isso. Ele pode jogar de ala e faz até o papel do armador se for preciso. Mas no sistema de Carlisle, diferente dos triângulos do Lakers de Phil Jackson, Lamar jamais ocupará esta função.
Mais equívocos? Vince Carter. O ala de 34 anos (completa 35 em 26 de janeiro próximo) nem de longe lembra aquele jogador explosivo dos tempos de Toronto e que ao lado de J-Kidd formou uma dupla muito interessante com a camisa do New Jersey Nets.
Hoje mais parece um ex-jogador em atividade (desculpem-me novamente o clichê), que dá impressão de carregar um pesado fardo nas costas que impede-o de se locomover com desenvoltura pela quadra. Pra que contratar Vinsanity?
O fato é que, como estamos vendo, o Dallas não soube se preparar para defender o título. Os jogadores correm e se esforçam. Tanto correm e se esforçam que o ala Sean Williams vomitou quando ia para o banco de reservas, exausto que estava, já ao final da partida de ontem contra o Denver.
Isso provocou risos em alguns jogadores e no dono da franquia, Mark Cuban. Mas não deveria. Isso deveria provocar sentimentos diversos, como preocupação, eu sugiro.
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