LEBRON JAMES RESPONDE EM QUADRA CRÍTICAS DA MÍDIA E DOS FÃS
Foi o jogo que LeBron James tanto precisava. E não foi contra qualquer adversário. E também não foi marcado por qualquer mané. O jogo foi contra o Oklahoma City, pra muitos o melhor time da NBA no momento, e o oponente foi Kevin Durant para muitos o melhor jogador da liga na atualidade.
Mesmo assim, mesmo enfrentando duros oponentes e vivendo uma fase de desconfianças por parte da mídia e da torcida, LeBron (foto AP) fez o jogo de sua vida nesta temporada. Comandou o Miami Heat à vitória por 98-93 apoiado em números espetaculares: 34 pontos, dez assistências, sete rebotes, quatro roubos de bola e um toco. Tudo isso em 41:30 minutos, quando teve a laranjinha nas mãos praticamente o tempo todo. Mesmo assim, cometeu apenas dois erros.
LeBron respondeu em quadra as críticas que tem recebido. Críticas, diga-se, justas. Mas ao contrário, por exemplo, de Kobe Bryant, que é dado a chiliques, LBJ ouve tudo calado. Respeita o direito da mídia de opinar e dos fãs de se manifestar.
Esta é uma faceta de LBJ que eu aprecio demais: ele não é marrento, não tem faniquitos. Ouve, lê e vê as manifestações contrárias e, ao que parece, procura tirar proveito delas. De que maneira? Usando-as como combustível para seu crescimento.
LeBron James joga muita bola — todos nós sabemos. O que tem pegado em seu jogo são os momentos decisivos, quando ele desaparece.
Mas ontem não foi assim. LBJ esteve ativo e atento o tempo todo. O resultado? Calou a todos: mídia e fãs. E disso se aproveitaram ele e o Miami Heat.
Foi a noite de LeBron James.
ASTERISCO
Escrevi outro dia que o Oklahoma City é o melhor time da NBA no momento. Ratifico o que disse: é mesmo.
Escrevi outras vezes que considero o Miami o favorito ao título. Coloquei um asterisco neste juízo ao afirmar que o OKC é o melhor time da liga na atualidade. Pode não ser no futuro, não sabemos.
Volúvel que sou por ser uma pessoa aberta aos fatos e sensível aos acontecimentos, coloco um segundo asterisco nessa história. E à frente dele escrevo: se LeBron James jogar assim nos playoffs, o Miami volta a ser o favorito ao título.
Sim, favorito, pois, ao contrário do OKC, tem uma final nas costas. É um time mais maduro (Dwyane Wade tem um anel de campeão, LeBron já participou de duas finais e Chris Bosh de uma), ao contrário do OKC, que cresce à medida que as temporadas se sucedem. Há dois campeonatos, classificou-se pela primeira vez para os playoffs. Caiu na primeira rodada, mas vendeu caro a classificação ao Lakers. No torneio, seguinte, o passado, chegou à final da conferência, sendo dobrado pelo futuro campeão Dallas Mavericks. Acho que o Thunder pode estar pavimentando seu caminho rumo ao título do Oeste, mas o buraco para se vencer o título é mais embaixo.
Não digo que é impossível, longe disso, mas experiências acumuladas servem para nos amadurecer. E o Miami é hoje um time mais maduro do que o OKC por conta de muitas coisas, como a perda do título ano passado e das porradas que toma da mídia.
Se LeBron James mantiver o nível do jogo de ontem na maioria das partidas até o final da temporada, repito: o Miami é mesmo o favorito ao título.
ALERTA
O Oklahoma City perdeu seu segundo jogo consecutivo. Não é inédito. No começo do campeonato, fora de casa, apanhou do Dallas (100-87) em 2 de janeiro; e no dia seguinte, diante dos fãs, foi dobrado pelo Portland (103-93).
Não há motivo algum para o OKC ligar o sinal de alerta neste momento. Afinal, acidentes acontecem (o acidente, no caso, foi o fato de o time ter perdido em sua Chesapeake Energy Arena para o Memphis, na segunda-feira, por 94-88), e se curvar diante do Miami, fora de casa, não é nada de outro mundo.
Some-se a isso o fato de que Kevin Durant e Russell Westbrook jogaram muita bola. KD anotou 30 pontos e Westbrook, 28. Os dois juntos fizeram, portanto, 58 pontos. Ponto pra burro, convenhamos.
Isso significa o quê? Que foi o Miami quem ganhou o jogo e não o OKC quem perdeu.
PARÊNTESE
Abro um parêntese em nossa conversa pra falar de um fato curioso. Vocês reparam que Russell Westbrook, entre os grandes jogadores, é o único que não tem um apelido?
Kobe Bryant é o Black Mamba. LeBron é King James. Derrick Rose é chamado de D-Rose, assim como Deron Williams é D-Will e Dwyane Wade é D-Wade ou “The Flash”. Dwight Howard é D12 ou Superman. Kevin Durant é Durantula. Chris Paul é CP3 e Chris Bosh é CB1. Paul Pierce é The Truth e Kevin Garnett KD. Tim Duncan é Timmy. E assim vai.
Perguntado sobre o assunto, Westbrook respondeu: “De fato, não tenho apelido. Aliás, nunca tive apelido em toda a minha vida. Mas isso não me importa. Quero é jogar o jogo”.
ENCOSTANDO…
Quieto, como não querendo nada, bem a seu estilo, o San Antonio encostou no Oklahoma City na classificação do Oeste. Isso graças não apenas à derrota do Thunder para o Miami, mas também à vitória do Spurs diante do Celtics, em Boston, por 87-86.
O SAS tem as mesmas 14 derrotas do OKC, mas está em segundo lugar porque realizou três partidas a menos. Por isso mesmo, tem um aproveitamento menor: 74,1% contra 73,1%.
Se o alvinegro texano fizer três vitórias nestas partidas futuras, iguala a campanha, mas fica em primeiro na conferência por conta do tópico número um no critério de desempate: confronto direto.
Os dois times já se enfrentaram em três oportunidades neste campeonato e não vão mais se encontrar. Com os mandantes em primeiro lugar, os resultados foram:
OKC 108-96 SAS (08/01)
SAS 107-96 OKC (04/02)
OKC 105-114 SAS (16/03)
Portanto, vitória do San Antonio por 2-1 “head-to-head”, o que dá a ele o privilégio de fazer uma campanha igual ao do Thunder e mesmo assim acabar em primeiro lugar.
Quieto, como não querendo nada, bem a seu estilo, o San Antonio somou sua nona vitória consecutiva. O triunfo diante do alviverde de Massachusetts foi duro, o resultado mostra isso, em que pese o fato de o SAS ter aberto largas vantagens no decorrer da contenda.
Mas no final, o C’s teve a bola do jogo nas mãos de Paul Pierce. O arremesso saiu e não atingiu o alvo. “Apenas errei”, disse The Truth depois da partida, respondendo a pergunta se o erro não adveio do fato de ele ter sido marcado por Tim Duncan (foto AP).
A derrota do Boston pode ser explicado pelo baixo aproveitamento nos lances livres (6-13, 46,2%). Dois a mais e o futuro linear nos teria mostrado a vitória do C’s e não do San Antonio.
Mas como isso não ocorreu e o futuro linear não existe, o SAS ganhou, encostou no OKC e já atemoriza rivais.
AUSÊNCIA
O San Antonio está numa fase espetacular e nosso parceiro JP não dá mais as caras no botequim. Acho que ele não está mais apreciando o chopp servido ou, quem sabe, a cerveja não esteja mais no ponto que ele aprecia.
FREGUÊS?
Freguês que nada. Essa história que eu mesmo contei no começo da temporada, quando o Clippers enfileirou três vitórias diante do Lakers (duas na fase de amistosos e outra no primeiro confronto desta regular season) não existe. Os amarelinhos voltaram a vencer seu rival local (rival?) por 113-108 e somou o segundo triunfo seguido diante do Clips, os dois válidos por esta fase de classificação.
Kobe Bryant e principalmente Andrew Bynum jogaram muito. KB anotou 31 pontos; Bynum, 36. Mas o fato que chama a atenção é que o pivô arremessou 20 bolas contra a cesta adversária e Black Mamba 19.
Sim, é verdade, não vi nada de errado no “box score”! Dá pra acreditar? Num jogo do Lakers alguém arremessar mais bola do que Kobe? Claro que dá, até porque não é inédito, mas que chama a atenção, isso chama.
SUJO
Por falar em chamar a atenção, o que dizer da cotovelada maldosa de Blake Griffin em cima de Pau Gasol no lance da enterrada? Agora, sabem o que é pior? Ninguém falou nada na transmissão da ESPN (Jeff Van Gundy comentava a partida e dele eu esperava indignação que não veio). Ninguém falou nada na transmissão e a mídia, até onde li, também se calou. Todos ficaram enaltecendo a enterrada, que veio por conta da falta, repito.
No site da NBA, está escrito: “The Clippers closed the gap on the Lakers again Wednesday night, spurred by another spectacular slam dunk by Blake Griffin”. Ou seja: o Clips diminuiu ainda mais a diferença em relação ao Lakers na quarta-feira à noite embalado por outra enterrada espetacular de Blake Griffin.
Como disse ontem, estava curtindo esse time do Clips no começo da temporada. Por conta de Griffin, assistirei aos jogos e o farei com olhos de jornalista. O entusiasmo de torcedor, que nos apodera por conta da paixão que nos leva a escolher esta profissão, já não existe mais.
Blake Griffin é sujo e eu não gosto dele.
RESPOSTA
Andrew Bynum respondeu o seguinte sobre a enterrada de Blake Griffin em cima de Pau Gasol: “Nós vencemos e ele ficou com a jogada da noite”.
Ou seja: o que é melhor, vencer ou ter a jogada da noite?
DUELO
Que não existiu, pois Nenê Hilário, ainda contundido, não pôde participar da partida do Washington contra o Indiana. Não vi o jogo, vencido pelo Pacers por 109-96, mas vejo que LB anotou 14 pontos em 14:44 minutos. Foi 6-10 nos arremessos e 2-2 nas bolas de três. Surrupiou, ainda por cima, duas bolas do adversário. Muito bom.
Tomara que, mesmo que aos poucos, o paulistano esteja se soltando e entendendo melhor o sistema de jogo do time.
SILÊNCIO
Tiago Splitter? Não tenho entusiasmo algum pra falar coisa alguma sobre o catarinense, pois ele simplesmente mal pisa em quadra.
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