VALE QUANTO PESA
Nessa conversa toda envolvendo Michael Jordan e Kobe Bryant, lá pelas tantas, eu escrevi algo para o nosso parceiro Pedro José Patrocínio que me fez pensar mais sobre o assunto; levá-lo adiante, podemos dizer assim. Disse eu que uma das façanhas de MJ foi ser campeão com uma franquia sem tradição alguma na história da NBA.
Sim, pois uma coisa é ganhar um título com o Lakers ou com o Boston, outra é com o Chicago. Numa das respostas para outro parceiro, o Geraldo Nunes, eu comparei: ser campeão com o Lakers é o mesmo que ser campeão com o São Paulo; ganhar com o Chicago é como ficar com o título brasileiro jogando pelo Atlético Paranaense.
Lakers e Boston reinam nas quadras desde que a NBA começou a ser disputada, em 1946/47. O Celtics, como sabemos, tem 17 títulos; o Lakers, um a menos.
Juntas, estas duas franquias conquistaram 33 dos 63 campeonatos disputados até hoje. Ou seja: 52.3% — mais da metade.
É verdade que o Boston ficou 20 anos sem chegar a uma decisão. Mas a gente sabe que quando monta um time, parece que tudo converge para que ele chegue à final.
O Lakers nunca passou por isso. O máximo que ficou foram oito anos sem aparecer em uma decisão.
Portanto, quando um jogador veste a camisa de Lakers ou Boston ele sabe muito bem que a chance de ganhar um título é imensa. Que a chance de chegar a uma decisão é maior ainda.
O Boston decidiu o título em 21 oportunidades, nove a menos do que o Lakers, que disputou o NBA Finals em 30 ocasiões. Mas o Celtics tem um aproveitamento melhor, pois foi derrotado em apenas quatro oportunidades. Já o Los Angeles foi batido em 14 delas.
Então, pra mim, jogador que entra para a história vestindo a camisa de Boston ou Lakers tem um valor X. Os que entram para a história com um anel no dedo usando a camisa de outra franquia têm valor X ao quadrado — às vezes, ao cubo.
Por isso que eu disse que a façanha de Michael Jordan em ganhar seis títulos com o Chicago o tornava ainda maior do que Kobe Bryant (Foto Getty Images). O torna ainda maior do que Bill Russell ou Magic Johnson.
Voltando ao começo de nossa conversa, disse eu que gostaria de levá-la um pouco mais adiante. E o que eu proponho?
Falar sobre Kobe e LeBron James.
THE BEST
Já escrevi aqui neste blog que considero Kobe Bryant o melhor jogador depois da era Michael Jordan. Melhor do que LeBron James.
KB tem cinco anéis, como sabemos. Mas sabemos também que ele conquistou três destas joias tendo Shaquille O’Neal como companheiro.
Depois que Shaq foi mandado embora da franquia, Kobe foi transformado na estrela maior da companhia e o Lakers ficou três anos sem aparecer em uma final. Numa dessas temporadas (2005/06), nem sequer chegou aos playoffs.
Nesse período, tentava-se reconstruir a franquia. Era preciso arrumar um companheiro para Kobe, pois, sozinho, ele não levaria o Lakers novamente aos dias de glória.
O time finalmente encontrou o parceiro ideal para Kobe em 2008, quando contratou Pau Gasol do Memphis. Em três anos de existência desse duo, o Lakers disputou um trio de títulos e ficou com dois deles.
Como líder do time, Kobe tem, portanto, dois anéis, o primeiro deles conquistado quando tinha 30 anos. Conquistado com a camisa do Lakers, é bom que se diga novamente, pois este é o mote da nossa conversa.
LeBron James não tem anel algum. Levou nas costas o pequeno Cleveland à final em 2006/07, quando foi derrotado pelo San Antonio. Foi a única vez em toda a história da franquia, fundada em 1970, que ela apareceu para decidir um título da NBA. E mais nada.
Quando LBJ chegou à decisão, tinha só 22 anos. Hoje, aos 25 anos (completa 26 em 30 de dezembro próximo) pode mudar de time para tentar ganhar um anel.
‘Bron não conseguiu fazer no Cleveland o que Michael Jordan fez no Chicago: ganhar um anel vestindo a camisa de uma franquia que não está sob os holofotes da mídia. É verdade que MJ teve a sorte de ter encontrado um cara como Scottie Pippen e ter feito aflorar nele todo o potencial que lá estava — e que a gente não sabe se teria brotado se Pip jogasse por outro time, longe de Jordan.
Mas o fato é que tudo tem sido feito para que LeBron conquiste um anel com a camisa 23 do Cavs. A franquia buscou Mo Williams, revelação do Milwaukee, mas não deu certo: Mo meio que murchou em Cleveland e não deu vazão a todo o seu potencial — ou será que foi LBJ que não soube fazer isso?
Depois, vendo que o Orlando chegou à decisão capitaneado pelo pivô Dwight Howard, o Cavs foi buscar na experiência e na força do veterano Shaquille O’Neal o companheiro ideal para King James. Não deu certo novamente.
Agora, mandou embora o técnico Mike Brown e o GM Danny Ferry, o homem que tentou arquitetar o Cleveland para que LeBron James fosse campeão. É a nova tacada da franquia para ver se LBJ fica em Ohio e escolha, ele próprio, um treinador que possa guiá-lo ao título.
O que vem na próxima temporada a gente ainda não sabe. Somente a partir de 1º. de julho é que os times vão poder negociar com os jogadores livres — entre eles LBJ (Foto Getty Images).
King James tanto pode ficar como ir para o New York, New Jersey e até mesmo Chicago. Seja qual for a decisão de LeBron, o fato é que ele não vai nem para o Lakers e nem para o Boston.
Ou seja: se a partir da próxima temporada James começar a ganhar títulos (que é o que se espera dele), o final dessa história poderá ser outro. Se LeBron colocar nos dedos uma quantidade de anéis próxima, semelhante ou maior do que Kobe Bryant, LBJ será, para mim, o maior jogador de basquete pós era Michael Jordan.
Sim, pois ganhar títulos com a camisa do Lakers e do Boston, como vimos, é uma coisa; ganhá-los com a camisa de qualquer outro time é outra completamente diferente.
Tem muito mais valor, tem muito mais peso, é muito mais difícil.
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Autor: Fábio Sormani Tags: Kobe Bryant, LeBron James, Michael Jordan, Mo Williams, Pau Gasol, Shaquille O'Neal












