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segunda-feira, 21 de junho de 2010 NBA | 19:38

VALE QUANTO PESA

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Nessa conversa toda envolvendo Michael Jordan e Kobe Bryant, lá pelas tantas, eu escrevi algo para o nosso parceiro Pedro José Patrocínio que me fez pensar mais sobre o assunto; levá-lo adiante, podemos dizer assim. Disse eu que uma das façanhas de MJ foi ser campeão com uma franquia sem tradição alguma na história da NBA.

Sim, pois uma coisa é ganhar um título com o Lakers ou com o Boston, outra é com o Chicago. Numa das respostas para outro parceiro, o Geraldo Nunes, eu comparei: ser campeão com o Lakers é o mesmo que ser campeão com o São Paulo; ganhar com o Chicago é como ficar com o título brasileiro jogando pelo Atlético Paranaense.

Lakers e Boston reinam nas quadras desde que a NBA começou a ser disputada, em 1946/47. O Celtics, como sabemos, tem 17 títulos; o Lakers, um a menos.

Juntas, estas duas franquias conquistaram 33 dos 63 campeonatos disputados até hoje. Ou seja: 52.3% — mais da metade.

É verdade que o Boston ficou 20 anos sem chegar a uma decisão. Mas a gente sabe que quando monta um time, parece que tudo converge para que ele chegue à final.

O Lakers nunca passou por isso. O máximo que ficou foram oito anos sem aparecer em uma decisão.

Portanto, quando um jogador veste a camisa de Lakers ou Boston ele sabe muito bem que a chance de ganhar um título é imensa. Que a chance de chegar a uma decisão é maior ainda.

O Boston decidiu o título em 21 oportunidades, nove a menos do que o Lakers, que disputou o NBA Finals em 30 ocasiões. Mas o Celtics tem um aproveitamento melhor, pois foi derrotado em apenas quatro oportunidades. Já o Los Angeles foi batido em 14 delas.

Então, pra mim, jogador que entra para a história vestindo a camisa de Boston ou Lakers tem um valor X. Os que entram para a história com um anel no dedo usando a camisa de outra franquia têm valor X ao quadrado — às vezes, ao cubo.

Por isso que eu disse que a façanha de Michael Jordan em ganhar seis títulos com o Chicago o tornava ainda maior do que Kobe Bryant (Foto Getty Images). O torna ainda maior do que Bill Russell ou Magic Johnson.

Voltando ao começo de nossa conversa, disse eu que gostaria de levá-la um pouco mais adiante. E o que eu proponho?

Falar sobre Kobe e LeBron James.

THE BEST

Já escrevi aqui neste blog que considero Kobe Bryant o melhor jogador depois da era Michael Jordan. Melhor do que LeBron James.

KB tem cinco anéis, como sabemos. Mas sabemos também que ele conquistou três destas joias tendo Shaquille O’Neal como companheiro.

Depois que Shaq foi mandado embora da franquia, Kobe foi transformado na estrela maior da companhia e o Lakers ficou três anos sem aparecer em uma final. Numa dessas temporadas (2005/06), nem sequer chegou aos playoffs.

Nesse período, tentava-se reconstruir a franquia. Era preciso arrumar um companheiro para Kobe, pois, sozinho, ele não levaria o Lakers novamente aos dias de glória.

O time finalmente encontrou o parceiro ideal para Kobe em 2008, quando contratou Pau Gasol do Memphis. Em três anos de existência desse duo, o Lakers disputou um trio de títulos e ficou com dois deles.

Como líder do time, Kobe tem, portanto, dois anéis, o primeiro deles conquistado quando tinha 30 anos. Conquistado com a camisa do Lakers, é bom que se diga novamente, pois este é o mote da nossa conversa.

LeBron James não tem anel algum. Levou nas costas o pequeno Cleveland à final em 2006/07, quando foi derrotado pelo San Antonio. Foi a única vez em toda a história da franquia, fundada em 1970, que ela apareceu para decidir um título da NBA. E mais nada.

Quando LBJ chegou à decisão, tinha só 22 anos. Hoje, aos 25 anos (completa 26 em 30 de dezembro próximo) pode mudar de time para tentar ganhar um anel.

‘Bron não conseguiu fazer no Cleveland o que Michael Jordan fez no Chicago: ganhar um anel vestindo a camisa de uma franquia que não está sob os holofotes da mídia. É verdade que MJ teve a sorte de ter encontrado um cara como Scottie Pippen e ter feito aflorar nele todo o potencial que lá estava — e que a gente não sabe se teria brotado se Pip jogasse por outro time, longe de Jordan.

Mas o fato é que tudo tem sido feito para que LeBron conquiste um anel com a camisa 23 do Cavs. A franquia buscou Mo Williams, revelação do Milwaukee, mas não deu certo: Mo meio que murchou em Cleveland e não deu vazão a todo o seu potencial — ou será que foi LBJ que não soube fazer isso?

Depois, vendo que o Orlando chegou à decisão capitaneado pelo pivô Dwight Howard, o Cavs foi buscar na experiência e na força do veterano Shaquille O’Neal o companheiro ideal para King James. Não deu certo novamente.

Agora, mandou embora o técnico Mike Brown e o GM Danny Ferry, o homem que tentou arquitetar o Cleveland para que LeBron James fosse campeão. É a nova tacada da franquia para ver se LBJ fica em Ohio e escolha, ele próprio, um treinador que possa guiá-lo ao título.

O que vem na próxima temporada a gente ainda não sabe. Somente a partir de 1º. de julho é que os times vão poder negociar com os jogadores livres — entre eles LBJ (Foto Getty Images).

King James tanto pode ficar como ir para o New York, New Jersey e até mesmo Chicago. Seja qual for a decisão de LeBron, o fato é que ele não vai nem para o Lakers e nem para o Boston.

Ou seja: se a partir da próxima temporada James começar a ganhar títulos (que é o que se espera dele), o final dessa história poderá ser outro. Se LeBron colocar nos dedos uma quantidade de anéis próxima, semelhante ou maior do que Kobe Bryant, LBJ será, para mim, o maior jogador de basquete pós era Michael Jordan.

Sim, pois ganhar títulos com a camisa do Lakers e do Boston, como vimos, é uma coisa; ganhá-los com a camisa de qualquer outro time é outra completamente diferente.

Tem muito mais valor, tem muito mais peso, é muito mais difícil.

Notas relacionadas:

  1. UM ARGENTINO QUE VALE O QUE PESA
  2. DERROTA COMEMORADA
  3. LAKERS E KOBE NA FRENTE
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , ,

domingo, 20 de junho de 2010 NBA, outras | 13:10

DISCUSSÃO EM TEMPOS DE FUTEBOL

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Mesmo em dias de Copa do Mundo de futebol, nosso botequim segue quente, debatendo o basquete, em particular a NBA. E surge agora uma discussão que parece deixar os ânimos exaltados.

Tudo começou com uma mensagem do Pedro José Patrocínio, que apresentou números de Michael Jordan mostrando, segundo ele, que MJ fraquejou em alguns momentos decisivos de sua carreira. Reproduzo, a seguir, o que PJ escreveu a outro parceiro deste botequim, o Vasco:

“Falar que Jordan sempre teve desempenhos que beiram a perfeição é um erro que você diz. Diante disso, fui atrás de algumas estatísticas de jogos importantes (na maioria Finais da NBA) onde Jordan também teve seu momento “pífio”, como você mencionou sobre Kobe. Vamos às estatísticas de arremesso:

Jogo 3 Finais 91 contra o Lakers, marcado por Byron Scott e Terry Teagle – 11-28 (39%);
Jogo 3 Finais 92 contra o Portland, marcado por Jerome Kersey e Cliff Robinson – 19-43!!! (44%);
Jogo 1 Semifinais 95 contra o Orlando, marcado por Nick Anderson e Anthony Bowie – 8-22 (36%);
Jogo 2 Finais 96 contra o Sonics, marcado por Hersey Hawkins e Gary Payton – 9-22 (40%);
Jogo 4 Finais 96 contra o Sonics, marcado por Hersey Hawkins e Gary Payton – 6-19 (31%);
Jogo 6 Finais 96 contra o Sonics, marcado por Hersey Hawkins e Gary Payton – 5-19 (26%!!);
Jogo 3 Finais 97 contra o Utah, marcado por Bryon Russel e Shandon Anderson – 9-22 (40%);
Jogo 4 Finais 97 contra o Utah, marcado por Bryon Russel e Shandon Anderson – 11-27 (40%);
Jogo 5 Finais 98 contra o Utah, marcado por Bryon Russel e Shandon Anderson – 9-26 (34%).

Portanto, desempenhos muito abaixo de quem é considerado o Pelé do basquete. E não vou nem contar os números da época de Wizards, pois não era mais o verdadeiro Jordan. Obviamente que isso não tira a grandeza de MJ, mas acho que temos que saber admitir que o mesmo também teve desempenhos “pífios” durante a sua carreira”.

Respondi a PJ dizendo que aproveitamento em torno de 40%, 45% é aceitável para jogadores que atuam nas posições dois e três, pois arremessam de uma distância maior em relação aos pivôs. Disse também que é um erro de PJ classificar de “pífio” aproveitamentos de MJ próximos a esse percentual.

A meu ver, da lista acima, eu classificaria como ruim (e não “pífio”) o jogo 4 das Finais de 96 contra o Sonics, quando ele fez 6-19 (31%) e o jogo 5 das Finais de 98 contra o Utah, 9-26 (34%). Pífio, apenas um: jogo 6 das Finais de 96, contra o Sonics, 5-19 (26%!!). Mesmo assim, melhor que o aproveitamento de Kobe (Foto Getty Images) na quinta-feira, quando ele fez 6-24 (25%).

Mesmo assim, O Chicago venceu o Seattle por 87-75 e não no sufoco que o Lakers bateu o Boston na quinta (93-89). Além disso, mostrei a PJ que Gary Payton (que verdadeiramente marcou MJ) foi um dos maiores marcadores da história da NBA, nove vezes eleito para o melhor time defensivo da NBA.

Disse também que Ray Allen, que anulou KB na partida de quinta-feira passada, não engraxava o tênis nem de Bryon Russell, que foi o marcador de MJ nas Finais de 98.

PJ respondeu:

“Pelo contrário, Ray Allen é um dos grandes marcadores da NBA. Tanto que ele é o cara que marca Kobe nos jogos contra o Lakers, e não Paul Pierce. Ele era o principal marcador do Milwaukee, principal marcador do Seattle e agora o principal marcador do Boston no perímetro. Portanto, não podemos jamais dizer que Ray Allen não é um grande marcador, pelo contrário, além dos arremessos, sempre primou por uma defesa muito eficiente”.

E eu replico: que grande marcador é esse que nunca figurou no principal time defensivo da NBA? O fato de ele ser o principal marcador do Milwaukee pouco (ou nada) quer dizer, pois o Milwaukee foi grande apenas na época de Oscar Robertson e Lew Alcindor (Kareem Abdul-Jabbar).

E mais: seria pouco inteligente da parte de Doc Rivers colocar Paul Pierce (como PJ mencionou) marcando Kobe. Pierce é pesado e lento e joga de ala. Seria engolido por KB, que é mais ágil e joga de armador. O único jogador que tinha condições de marcar KB no time titular do Boston era mesmo Allen. E quando ele tinha que descansar Tony Allen (quem?) entrava para marcar e em muitas ocasiões anulou Kobe.

Bryon Russell também nunca figurou no melhor time defensivo da NBA, mas, do jeito que eu entendo o jogo de basquete, ele era muito mais marcador do que Ray Allen. Tanto que, mesmo sendo ala, foi destacado por Jerry Sloan para marcar MJ no lugar de Jeff Hornaceck, que jogava na mesma posição de Jordan.

Mas é claro que, neste caso, vai muito do entendimento de cada um — o que não é caso de Payton, indiscutivelmente um dos maiores marcadores da história da NBA.

Mais para frente, PJ disse:

“(…) para um jogador da grandeza de MJ, 40% de FG é realmente baixo, considerando que ele teve médias de 50% em algumas temporadas”.

Eu digo: MJ teve aproveitamento igual ou superior a 50% em cinco das 13 temporadas em que ele participou dos playoffs. A saber: 1) temporada 85/86, 50.5%; 2) 87/88, 53.1%; 3) 88/89, 51.0%; 4) 89/90, 51.4%; 5) 90/91, 52.4%. Na média, em suas 13 temporadas, MJ teve aproveitamento de 48.7%.

Como eu disse, 40%, 45% é aceitável. Esta é a média da maioria. MJ é que teve médias superiores aos demais e quando apresentava números mais baixos chamava a atenção.

Kobe Bryant, por exemplo, nas 13 temporadas em que chegou aos playoffs, teve desempenho de 44.8% de seus arremessos. Jamais chegou a 50%. O melhor que conseguiu foi 49.7% no campeonato de 2005/06. Depois disso, 47.9% em 07/08. De resto, números próximos a 45%.

PJ também disse:

“O Jordan nunca ganhou título em cima de Kareem ou Larry Bird. Aliás, ele nunca ganhou uma série contra o time liderado por Larry Bird. Escrevi abaixo também que nas finais de 92, P-Jax se viu obrigado a colocar Jordan no banco porque o mesmo não estava jogando nada e os Blazers estavam massacrando o Bulls em pleno Chicago Stadium. Inclusive, nesse jogo teve um toco memorável do Drexler pra cima do Jordan, que ele acabou raspando a cabeça na redinha.

Enfim, Jordan teve diversos jogos ruins, assim como Kobe. Jordan sempre será Jordan, mas não podemos endeusá-lo e dizer que ele foi perfeito sempre. Da mesma maneira que Kobe não é. Porém, como Altair disse, Kobe hoje incomoda os admiradores de Jordan. Ao invés de reverenciarem Kobe, como fizemos com Jordan em sua época, ficam diminuindo suas conquistas.

E se parar para analisar Jordan também não fez nada nos primeiros seis anos de NBA, ou se preferir, até os 28 ou 29 anos de idade. Portanto, analisar os três primeiros títulos de Kobe sem considerar a idade que ele tinha ou experiência que tinha de NBA é completamente equivocado.

E Ray Allen não é um grande marcador?!?! Então, o que dizer de John Starks, Craig Ehlo, Gerald Wilkins, Jerome Kersey, Hersey Hawkins, Bryon Russell, Shandon Anderson etc? Algum representa alguma coisa, historicamente, na NBA? Esses foram uns dos principais marcadores de Jordan no seu auge. Portanto, não vamos desmerecer Ray Allen e outros marcadores, pois eficiência defensiva não significa eficiência ofensiva e grande legado na liga”.

Começando pelo final, dos jogadores mencionados por PJ, apenas Starks, Wilkins e Hawkins eram jogadores da posição de Jordan. Os demais eram alas (assim como Cliff Robinson e Jerome Kersey, que marcaram MJ nas finais de 92). E, como disse, Hawkins mal viu MJ em quadra nas finais de 96, pois foi Payton quem fez a marcação.

Sobre Ray Allen eu já falei.

Quanto ao começo da última mensagem de PJ, eu fiz alguns reparos. Vamos a eles:

1) Quando MJ enfrentou o Boston de Bird, Parrish e McHale ele era uma criança e o trio do Boston estava no esplendor de sua forma. Mesmo assim, criança que era, depois de ter perdido quase que toda a fase de classificação por causa de uma grave contusão no joelho (fez apenas 18 jogos), MJ fez 63 pontos diante do trio do Boston dentro do Boston Garden no segundo jogo da primeira rodada dos playoffs de 1986. Ele tinha apenas 23 anos e vestia a camisa de um time que tinha chegado a apenas duas finais de conferência em 18 anos de existência. Um time que tinha pouca ou quase nenhuma tradição dentro da NBA, ao contrário do Lakers, que é, indiscutivelmente, a camisa mais poderosa da liga. É como a gente sempre diz: ganhar títulos em time grande é uma coisa, com time pequeno é outra. Se MJ tivesse vestido a camisa 23 do Lakers ou do Boston, com certeza ele teria conquistado muito mais do que os seis títulos que ele conquistou. MJ jogou no Chicago, um time médio (pra sermos bonzinhos), mas que ele tirou de um patamar inferior e colocou-o em um patamar superior;

2) Quanto a Kareem, MJ nunca o enfrentou em uma final, pois não tinha idade para isso;

3) Quanto MJ ir para o banco em um jogo das finais contra o Portland, qual jogador nunca passou por isso? Nenhum jogador atua no esplendor de sua forma os 48 minutos. O toco do Drexler é coisa do jogo, ou será que PJ imaginava que MJ nunca tinha tomado um toco? E lembrei a ele que Magic Johnson (que para mim foi o maior que eu vi jogar depois de MJ) foi chamado de “Tragic Johnson” pela mídia nos EUA por ter sido engolido por Dennis Johnson, armador do Boston, nas finais de 84. Teve média de apenas 17 pontos nos últimos quatro jogos e cometeu erros pífios. MJ foi mal em meia partida (depois que ele ficou no banco, voltou e comandou o time à vitória), Magic foi mal em uma série.

4) Antes da chegada de MJ, o Bulls tinha se classificado apenas uma vez para os playoffs nos sete anos anteriores. E depois que ele lá chegou, o Chicago sempre esteve nos playoffs, não falhou jamais. Em 85, seu primeiro playoff, o Chicago perdeu para o Boston, que disputou as finais da NBA. No segundo, idem. No terceiro, tb. No quarto ano, caiu nas semifinais diante do Detroit, que também disputou o título daquela temporada. Nos dois anos seguintes, perdeu novamente para o Detroit, mas nas finais da conferência, Detroit que ganharia os dois títulos da NBA diante de Lakers (4-0) e Portland (4-1). Kobe, ao contrário de MJ, mesmo jogando com a camisa do Lakers, não conseguiu levar o Lakers aos playoffs na temporada 2004/05. Esta é uma mancha que não consta no currículo de MJ e que, para mim, é muito pior do que passar os seis primeiros anos de uma carreira sem ganhar títulos, mas freqüentando sempre os playoffs — e com a camisa de um time pequeno.

Finalmente, PJ mandou a seguinte mensagem:

“Vocês estão confundindo as coisas. Eu coloquei todos esses pontos de MJ porque estou contradizendo o pessoal que diz que Jordan foi perfeito, que para Kobe ser comparado a Jordan não pode ter exibições ruins como teve no jogo 7. Apenas mostrei que Jordan não é perfeito e que teve momentos ruins em sua carreira, como qualquer outro grande jogador. Isso não tira a grandeza de MJ, pelo contrário, mostra quão dedicado ele era para tentar novamente e ser o melhor novamente. Da mesma maneira com Magic, que teve seus momentos ruins e soube superá-los para ganhar 5 títulos. E para dizer que Jordan não teve uma mancha na carreira, claro que teve. Foram 2 anos de fracasso no Wizards. E nem venham falar que eram outras épocas, pois era a mesma pessoa que vestia a 23 do Washington. Jordan não foi perfeito, como nenhum jogador será. Desempenhos como o de Kobe no jogo 7 todos os grandes jogadores tiveram, INCLUSIVE MJ. Portanto, não vamos ser cegos a ponto de dizer que MJ foi perfeito e Kobe tem que ser para ser comparado com MJ”.

PJ, só pra encerrar duas coisas da minha parte:

1) Você, como eu, como todos, sabe muito bem que o Jordan do Washington não pode ser lembrado em momento algum; é o mesmo que tentar se lembrar de Pelé no Cosmos;

2) Jordan jamais deixou seu time chegar ao jogo 7 das finais.

Notas relacionadas:

  1. O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS
  2. COMO NOS VELHOS TEMPOS
  3. MIAMI, COMO NOS VELHOS TEMPOS
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 18 de junho de 2010 NBA, outras | 03:20

LAKERS, JUSTO CAMPEÃO

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Foi um dos jogos finais mais fracos da história da NBA. Mas foi também um dos mais emocionantes, decidido no fim, quase que na última bola.

No final, deu Lakers: 83-79. Lakers campeão, o 16º. título na história desta que é a mais popular, a mais rica e a mais charmosa franquia da NBA.

Com esse troféu, o time de Los Angeles fica agora apenas um atrás do Boston, seu arqui-rival, que soma 17. Mas ainda continua longe do Celtics na disputa entre eles em decisões.

Foi a 12ª. vez que ambos se encontraram em uma final. O Boston leva vantagem em 9-3.

Foi também a quinta vez que esses dois times chegaram ao sétimo jogo decisivo. E o Boston também está na frente: 4-1

Estas duas franquias são um capítulo à parte na história da NBA. Juntas, conquistaram 33 dos 64 campeonatos disputados até hoje na história desta que é a principal liga de basquete do planeta, pois é a mais organizada e a mais difícil, porque nela se concentra a esmagadora maioria dos melhores jogadores de basquete do planeta.

Quem quer ser grande, tem que vencer lá. Quem quer ser rei, tem que reinar lá.

Kobe Bryant é atualmente o maior jogador de basquete do planeta porque desfila com seu cetro e sua coroa pelas quadras da NBA. Exatamente por isso, acabou levando o troféu de MVP das finais; seu segundo.

Mas ele não jogou nada ontem à noite. Nem de longe lembrou suas performances anteriores.

Muito menos as de Michael Jordan, com quem alguns fãs teimosamente insistem em compará-lo. Não há a menor comparação entre eles.

Embora Kobe lembre muito Jordan no jeito de jogar e na liderança em quadra, MJ deixa KB no chinelo. O verdadeiro Pelé do basquete nunca teve uma atuação desastrosa em uma final como Kobe teve ontem à noite, ao contrário. Além disso, Jordan nunca perdeu uma decisão — Kobe já perdeu duas.

Como se diz popularmente, parecia Kobe que tinha comido uma feijoada antes de entrar em quadra. Acabou anulado por Ray Allen.

Seu aproveitamento nos arremessos foi pavoroso: 6-24 (25.0%). Nas bolas de três, chutou meia dúzia e errou todas (0%). Visitou 15 vezes a linha do lance livre e encestou 11 bolas (73.3%).

Terminou a peleja com 23 pontos. Tivesse em um de seus dias normais, com seus 43.2% nesta série diante do Boston nos seis jogos anteriores, teria passado dos 30.

Compensou uma noite ruim com vontade, esforço e gana em quadra. Por isso mesmo, pegou 15 rebotes.

Foi eleito o MVP, como também já falei, mas levou o troféu para casa pelo conjunto da obra. Terminou a série final com médias de 28.6 pontos e exatos oitos rebotes.

Mas ontem à noite… Se o troféu tivesse ficado com Pau Gasol não seria nenhuma surpresa.

O espanhol foi um gigante em quadra. Anotou 19 pontos e apanhou 18 rebotes, sendo que a metade deles foi no ataque.

Na série teve médias de 18.5 pontos e 11.5 rebotes, bem inferiores às de Kobe, mas ontem à noite o ibérico foi um gigante. Foi um gigante no jogo mais importante. Não fosse ele e talvez o Boston tivesse ficado com o título.

Ele e Ron Artest, é bom que se diga.

O maluco ala do Lakers, que abraçou a repórter Doris Burke, da ABC/ESPN, ao final da partida, lembrou o velho Maguila. Mandou abraços pra todo mundo, em particular para sua psiquiatra. “Ela realmente me deixou muito relaxado”.

Não para esta final, mas para a vida, quis dizer Artest. Sem dúvida, pois ele esteve “pianinho” nesta temporada; nem de longe lembrou aquele jogador tresloucado que a gente se acostumou a ver em quadra.

Ontem, Artest (Foto Getty Images) teve uma daquelas noites que são a exceção que confirma a regra: jogou muito. Nem de longe lembrou o mão-de-pau que ele é.

Foram 20 pontos. Duas dezenas de tentos e uma bola de três sensacional que ele meteu quase que no final da partida, quando faltava um minuto para o jogo findar e que trouxe alívio para o Lakers.

Sim, pois Rasheed Wallace tinha acabado de encestar uma bola tripla, baixando a diferença para três pontos: 76-73. Com coragem e sangue-frio, Artest deu o troco levando novamente a vantagem do Lakers para seis tentos: 79-73.

Um gigante, assim como Gasol.

Aliás, o final da partida foi permeado por lances que merecem registro.

Além da bola de três de Artest, Gasol pegou um rebote de mais um tiro torto de Kobe quando o cronômetro mostrava que faltavam 27 segundos para o final e o placar estava em 79-76 para o Lakers.

O espanhol jogou a bola para KB, que sofreu falta de Sheed. Kobe foi para a linha do lance livre e acertou o par de arremessos.

O terceiro lance que vale registrar ficou a cargo de Sasha Vujacic. O esloveno entrou em quadra a 11 segundos do final. O placar mostrava 81-79 para o Lakers. Coube a ele a missão de receber a bola, segurá-la, sofrer falta e encaixar os dois lances livres que levaram a vantagem do Lakers para os definitivos 83-79.

Lakers campeão, justo campeão.

O VICE

Quanto ao Boston, uso um clichê do esporte para dizer que ele caiu em pé. Vendeu caro a vitória ao Lakers.

Não sei se este foi o ocaso desse time. Acho muito difícil que o Big Three volte em forma para a próxima temporada.

Ray Allen, Kevin Garnett e Paul Pierce estarão um ano mais velho. Mais velho e mais cansados.

Além disso, Doc Rivers, o homem que arquitetou esse time que chegou pela segunda vez em uma decisão nos últimos três campeonatos (ganhou em 2008), pode cair fora.

Ele ainda não tomou a decisão final, mas pode parar. Acho bobagem; deveria ficar. Ficar e remontar esse time, que tem camisa, tradição e muita história.

Há jogadores interessantes no time e que são jovens e bons de bola. Falo de Rajon Rondo, Kendrick Perkins e Glen Davis.

Além disso, o contrato de Allen acabou e sobram agora US$ 19.7 milhões para o time contratar alguém de alto calibre. O mercado estará saboroso a partir de 1º. de julho.

Por tudo isso, acho que Rivers não deveria deixar o barco. Ele tem talento e energia para refazer esse time.

REBOTE

Ofensivo. Sim, o rebote ofensivo foi o responsável pela vitória do Lakers. Graças a ele o time de Los Angeles pôde arremessar 12 bolas a mais do que o Boston e ter visitado a linha do lance livre 20 vezes mais do que o Celtics.

Sim, pois com um aproveitamento de 32.5% nos arremessos (20.0% nas bolas de três) e 67.6% nos lances livres, o time não teria jamais condições de bater um adversário que teve um desempenho de 40.8% nos arremessos (37.5% nas bolas longas) e 88.2% nos lances da linha fatal.

O Lakers pegou nada menos do que 23 rebotes de ataque, contra apenas oito do Celtics. No geral, foram 53 a 40.

Pat Head Summit, uma das mais vitoriosas treinadoras de basquete dos EUA, mulher que comanda brilhantemente o time universitário do Tennessee, certa vez disse o seguinte: “Ataque vende ingressos, defesa ganham jogos e rebotes ganham campeonatos”.

O jogo de ontem mostrou que Pat Summit está coberta de razão.

FRASE 1

“Seguinte, vamos dar crédito ao Lakers. Eles foram sensacionais” — Doc Rivers, técnico do Boston.

Gesto grandioso de uma pessoa educada e bem preparada. Um exemplo que deveria ser seguido por muitos treinadores, principalmente aqui no Brasil; especialmente no futebol brasileiro.

FRASE 2

“Este [título] é de longe o mais saboroso de todos, porque são eles [Boston]” — Kobe Bryant.

Deve ter sido mesmo, especialmente para um jogador que ganhou seus primeiros três troféus diante de Indiana, Philadelphia e New Jersey, quando desempenhou brilhante papel de coadjuvante de Shaquille O’Neal. Quando pegou a batuta, ganhou um título diante do Orlando, uma franquia sem história na NBA.

RECORDES

Phil Jackson conquistou seu 11º. título de campeão. Espaça em dois sua vantagem em relação a Red Auerback, o patriarca do Boston, considerado pela esmagadora maioria da crítica norte-americana como o maior treinador da história da NBA.

Além disso, P-Jax nunca perdeu uma série melhor de sete quando ele ganha o primeiro jogo. Seu recorde, agora é de… Esqueci!

Também, pudera, às 3h30 da madrugada, minha cabeça já não funciona direito. Preciso postar este texto e ir dormir. Se alguém se lembrar quantas séries P-Jax venceu sempre que ganha o primeiro jogo, por favor, me fale.

Mas antes de ir dormir, quero fazer um agradecimento.

AMIGO

Eduardo Agra, excepcional comentarista da ESPN, mencionou esse botequim na transmissão de ontem. Mandou-me um abraço, mas ele foi extensivo a todos vocês, creiam.

Quero retribuir o carinho do amigo Agra e abraçar também Zé Boquinha, a quem também admiro e gosto muito.

E parabenizá-los pelo trabalho que fizeram nesta temporada, tornando mais compreensível um jogo que para muitos é bem misterioso.

Notas relacionadas:

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 16 de junho de 2010 NBA | 11:37

COMO UM TIME, COMO O BOSTON

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Estou gripado, não como Sinatra; mas sinto-me em pandarecos.

Tomei um banho bem quente no intervalo do jogo de ontem. Dormi no final, pois não aguentava mais. Não perdi nada, pois dormi no “garbage time”.

E o “garbage time” surgiu porque no Lakers triturou o Boston. Por favor, não me venham dizer que isso ocorreu porque Kendrick Perkins se machucou ainda no primeiro quarto.

O Celtics ficou seu Ray Allen no jogo quatro e mesmo assim venceu. Venceu aquela contenda porque Paul Pierce jogou bola; mas venceu principalmente porque dois reservas acabaram com o jogo: Glen “Baleinha” Davis e Nate Robinson.

Ontem ninguém deu o ar da graça. Ou melhor, apenas Allen (ele) jogou dentro do nível esperado. Fez 19 pontos e voltou a encestar bolas de três depois de uma estiagem de três partidas ou 18 laranjinhas fora do cesto.

De resto, um horror. O time terminou a partida com apenas 33.3% de aproveitamento de seus arremessos. Nas bolas de três, só 21.7%.

Em contrapartida, o Lakers jogou como um time; aliás, como o Celtics na peleja passada, em Boston. E Kobe Bryant conseguiu envolver seus companheiros no cotejo, o que ele não conseguiu fazer na mesma partida citada.

Nela, ao forçar jogadas, deixou seus companheiros alheios ao trabalho. Quando foram convocados a jogar, estavam completamente descalibrados, assustados e, por isso mesmo, sem confiança.

Ontem KB foi outro jogador. Fez 26 pontos (muito bom), frutos de 19 bolas arremessadas. Na passada, fez 38 tentos, mas, como disse, forçou demais os arremessos, tendo atirado 27 bolas contra o cesto alviverde.

Por ter feito um jogo mais equilibrado e por ter envolvido mais seus companheiros, estes mostraram-se mais atentos e ligados no que ocorria em quadra. E o resultado foi a ótima pontuação das estrelas coadjuvantes da companhia californiana.

Ron Artest fez 15 pontos (acertou três bolas triplas!) e Pau Gasol deixou 17 na cesta adversária. Do banco, Lamar Odom contribuiu com oito pontos.

Por falar em banco, taí outro fator que ajudou a definir a goleada em favor dos amarelinhos. Os reservas angelinos anotaram nada menos do que 25 pontos, enquanto que o pessoal do banco visitante contribuiu com 13. Mas estes pontos vieram no final, quando tudo já estava resolvido.

Quando a batalha ainda se travava, o placar mostrava que os reservas do Boston não tinham contribuído nem com uma mísera cesta sequer. E é bom lembrar que os reservas do Celtics venceram os do Lakers em quatro das cinco partidas passadas.

Agora, é claro que um jogador titular, quando sai do jogo, deixa saudades. Mas, como disse acima, não a ponto de ensopar um lenço.

Perkins fez falta no quesito rebotes. O Lakers deu uma sova no Boston neste fundamento: 52-39 (Gasol pegou 13 e Kobe 11). Isso teve peso, Perkins fez falta, mas o que contou mesmo foi tudo o que eu enumerei anteriormente:

1) Má produtividade ofensiva do Celtics (com exceção de Ray Allen);

2) Grande partida de Kobe Bryant, que soube envolver seus companheiros no jogo;

3) Boa resposta da tropa do Lakers quando foi convocada a jogar;

4) Ótimo desempenho dos reservas caseiros.

Tudo isso somado teve um peso muito maior do que a ausência de Kendrick Perkins. Tudo isso somado explica o placar final: Lakers 89-67 Boston, a maior diferença desta série final.

Fatura liquidada em favor do Lakers, pois o Celtics estaria combalido emocionalmente a ponto de não conseguir se recuperar desta surra? Negativo: o Boston tem time, maturidade e camisa suficientes para sair desse lamaçal e bater o Lakers dentro do Staples Center.

Portanto, que ninguém ache que a decisão está decidida. Longe disso; amanhã à noite muita água vai passar por debaixo da ponte.

Qualquer um dos dois pode vencer.

APARIÇÃO

Pau Gasol, que reviveu o “Gasoft” de 2008 no jogo passado, além dos 17 pontos e 13 rebotes, deu ainda nove assistências. Quase um “triple-double”. Isso sem falar nos três tocos distribuídos.

E mostrou muita categoria em quadra, principalmente no ataque, seu forte. Uma cesta de canhota, feita no segundo tempo, na ponta esquerda, depois de um drible de corpo pra cima de Kevin Garnett foi, pra mim, o segundo lance mais bonito do jogo.

E por falar em KG, o espanhol marcou bem o ala de força adversário. Garnett fez 12 pontos, mas parou em meia dúzia de rebotes.

É desse Gasol que o Lakers vai precisar no jogo de amanhã à noite; não é esse KG que o Boston espera ver em quadra na última partida da série.

Enterrada de Shannon Brown para o Lakers - Getty Images

Enterrada de Shannon Brown para o Lakers - Getty Images

PONTE-AÉREA

O lance mais bonito do jogo (acho que todos concordam) foi a ponte-aérea de Shannon Brown no segundo tempo da partida de ontem. Shannon, que foi um fiasco no torneio de enterrados do “All-Star Weekend” desta temporada, em Dallas, fez, disparadamente, a cesta mais bela e empolgante deste campeonato.

Alguém discorda? Se discorda, por favor, diga-me qual foi a mais bonita, por favor.

PERKINS

Mais sobre a ausência do pivô do Boston. Se ele ficou praticamente de fora de toda a partida, é bom lembrar que Andrew Bynum, o similar do Lakers, passou parte do segundo tempo do jogo de ontem no vestiário do Lakers, lesionado que também está.

É bom lembrar também que Bynum joga esta final completamente baleado. Então, nada a reclamar, torcedores do Boston, nada a reclamar sobre a ausência de Perkins.

DIAGNÓSTICO

Segundo leio na internet, uma fonte dentro do Boston afirmou que Kendrick Perkins dificilmente jogará a partida de amanhã por causa da lesão no joelho direito.

Se eu bem conheço os meandros do esporte, acho blefe. Perkins estará em quadra, nem que seja de muletas.

FRASE (QUE RESUME TUDO)

“Eu fiquei muito feliz. Nós fizemos um grande trabalho defensivo. Nós os mantivemos longe da zona de arremesso, do garrafão e fizemos um grande trabalho nos rebotes. Fomos um time muito aplicado” — Kobe Bryant.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010 NBA | 00:44

3-2; E TOME PRESSÃO!

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O Boston acabou de pular em 3-2 na série final da NBA ao bater novamente o Lakers, agora por 92-86. Com isso, coloca uma pressão imensa em cima do adversário, que se vê na obrigação de ganhar a próxima partida sobe pena de perder o campeonato.

OK, o próximo confronto será em Los Angeles, terça-feira, lar do Lakers. Mesmo assim, mesmo contando com o fator quadra e com o apoio da torcida, a pressão será enorme. O Lakers não pode errar, sobe pena de perder o campeonato — e mais uma vez para o Boston, o que seria humilhante, pois confirmaria uma vez mais a sina de freguês.

Por isso, a pressão será imensa. Será imensa também porque o time parece ter grandes dificuldades para enfrentar o Celtics. Como disse o comentarista Eduardo Agra na transmissão pela ESPN, “o Lakers precisa achar outras opções ofensivas”.

O que Agra quis dizer é que o Lakers está nas mãos de apenas um jogador: Kobe Bryant. KB fez 38 pontos no jogo de agora há pouco. Mas o Los Angeles perdeu. E sabem por que perdeu? Porque os demais se acomodaram, ficaram na melhor posição do ginásio vendo Kobe jogar: dentro da quadra.

Assistiram e não jogaram; tietaram o companheiro e não jogaram. À exceção de Bryant, apenas Pau Gasol teve duplo dígito na pontuação. O espanhol anotou 12 pontos.

Os outros (ridículos) jogadores fizeram: Derek Fisher, 9; Ron Artest, 7; Andrew Bynum, 6; Lamar Odom, 8; Sasha Vujacic, 5; Jordan Farmar 1; e Luke Walton, 0.

O resultado é que o Lakers teve um aproveitamento de inexpressivos 39.7% de seus tiros. Um horror. Foi mal também nos lances livres: 65.4%.

Embora tenha feito mais de dez pontos, Gasol teve um desempenho pífio nos arremessos: 5-12. E ele, como costumo dizer, joga com o beiço colado no aro. Se o espanhol não der o ar da graça na contenda desta terça-feira, vai ficar muito difícil para o Lakers.

Sozinho, Kobe não terá condições de levar o time ao título.

Por outro lado, o Boston joga como um time. Um garoto usava uma camiseta verde com o seguinte escrito em branco: “Nós e não eu”.

O que ele queria dizer com isso? Que time campeão não se faz com apenas um jogador. E o Boston é um time.

Quem se destaca? Depende do dia e do jogo. Depende da noite e do desenho da partida. Agora há pouco o cara foi Paul Pierce (Foto Getty Images): 27 pontos e presença intensa em quadra o tempo todo. Não se omitiu jamais. Foi seu melhor desempenho nesta série.

A precisão com que pegou um lateral-bola mal batido por Kevin Garnett, bem no final da partida, e, mesmo desequilibrado, fez o passe certeiro para Rajon Rondo, foi a jogada da noite.

Rajon também teve desempenho primoroso. Foram 18 pontos, nove a menos do que The Truth, mas sua performance nos arremessos foi incrível: 9-12. Deu ainda oito assistências e até briga ele comprou em quadra, quando KG tomou uma bordoada de Artest e desabou.

O baixinho (1m85 de altura) do Celtics partiu pra cima de Artest e mandou-o àquele lugar. Agora, sabe o que me intrigou? Foi na frente da arbitragem. Ou seja: pode xingar à vontade que ninguém tomará um cartão vermelho por isso. Deveria, creio eu.

Falei há pouco de Garnett. Se aquele lateral-bola foi mal dado, o resto do jogo foi muito positivo para o ala de força alviverde. Foram 18 pontos e 10 rebotes. Calado responde a todas as provocações, especialmente as de Gasol, que não tem estofo físico e emocional para fazer o que fez.

Finalmente Ray Allen. O armador do Boston novamente foi um fiasco nas bolas de três: 0-4. Somadas às dos jogos passados (contando as duas últimas que ele errou ao final do confronto dois, em LA), Allen tem o seguinte desempenho: 0-18.

Em compensação, Ray não errou nenhum lance livre sequer nesta série. Foram 12 em 12. Ou seja: segurança em quadra, especialmente no final das partidas, quando o adversário tem que parar o jogo para tentar uma recuperação desesperada.

E mais: no prélio deste domingo, percebendo que a bola de três não caía, teve “semancol” e mudou sua postura. Passou a jogar dentro do arco, fazendo arremessos seguros. Foram 5-6. Livrou a cara e salvou a noite.

Creio que tudo o que disse resume o que ocorreu no TD Garden nesta noite dominical.

O que vai ocorrer agora? O Lakers terá condições de virar a partida? Ninguém sabe, pois a série está disputadíssima e completamente aberta.

A única coisa que eu posso dizer é que a NBA informa que nas 25 oportunidades quando uma série esteve empatada em 2-2, o vencedor do quinto jogo ganhou o título em 19 ocasiões. Ou seja: o Celtics tem 76% de chance de ficar com o campeonato.

Mais pressão pra cima do Lakers.

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sexta-feira, 11 de junho de 2010 NBA | 20:35

RESERVAS DE OURO

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Não vi o jogo de ontem; abaixo vocês vão saber por quê. Mas sei que o Boston venceu por 96-89 e empatou a série em 2-2. Vejo que contou com a ajuda inestimável de seus reservas, um deles em especial: Glen “Baleinha” Davis.

Há uma foto do Baleinha comemorando um ponto, babando, carregando Nate Robinson nas costas, que parece refletir o que ocorreu em quadra. A energia de “Big Baby” (como ele é chamado nos EUA, não neste botequim) e dos reservas foram fundamentais para que o Celtics empatasse a série decisiva.

Davis (Foto Getty Images levando uma porrada de Ron Artest) fez 18 pontos, sendo que nove deles vieram no momento crucial: no último quarto, definindo a partida em favor do alviverde, partida que, o play-by-play nos conta, estava bem aberta. Seus primeiros pontos no quarto derradeiro vieram para empatar a contenda em 62 tentos. Depois, seus outros sete ajudaram a construir a vantagem de uma dezena.

Mas não foi só ele, certo? Pelos relatos, vejo que o banco do Boston contribuiu com 36 pontos, enquanto que o do Lakers fez a metade: 18. Vejo que o banco do Celtics arremessou 27 bolas contra o aro californiano, sendo que os reservas angelinos foram mais econômicos: 18. Vejo, finalmente, que foram sete as visitas à linha do lance livre, enquanto que a turma de LA foi só duas vezes.

Enquanto Glen Davis, Nate Robinson, Rasheed Wallace e Tony Allen estiveram 9:09 minutos em quadra no último quarto, o Boston teve 14 posses de bola e uma vantagem de dez pontos.

Mas contem-me mais. Falem-me mais sobre a nova atuação apagada de Ray Allen (12 pontos, 0-4 nas bolas de três; agora já são 12 erradas seguidamente) ou dos 33 pontos de Kobe Bryant (6-11 nas triplas), que não foram suficientes para fazer dos roxinhos vencedores.

Espero pelas manifestações, pois estou curioso para saber como vocês viram o jogo de ontem.

DOMINGUEIRA

Bem, o jogo cinco da série será o último em Boston; domingo, 21h de Brasília novamente ao vivo pela ESPN Internacional. Se o time da casa vencer, promove uma nova virada no marcador, pulando na frente em 3-2.

Se isso realmente ocorrer (a gente não sabe, pois este confronto está absolutamente igual e imprevisível), a pressão pra cima do Lakers será imensa. Caso isso não ocorra, o Lakers coloca uma mão e uma parte da outra no troféu, pois acho pouco provável que o Celtics terá condições de vencer dois jogos seguidos em Los Angeles.

Aguardemos, pois, pelo domingo.

AGRADECIMENTOS

Queridos amigos:

Meu papai, infelizmente não aguentou. No final da tarde da última quarta-feira ele se foi.

Quero agradecer a todos que cuidaram dele. Agradecer ao Dr. Marcelo Alias e toda a equipe de médicos intensivistas do Hospital da Unimed de Bauru. A todos os enfermeiros, enfim, aos que estiveram próximos dele nas últimas três semanas e tudo fizeram para que ele continuasse conosco.

Infelizmente, não deu.

Quero agradecer também a todos vocês que torceram e rezaram por ele. As manifestações que encontrei aqui neste botequim me deixaram sensibilizado e certo de que formamos um time: o time do Blog do Sormani.

Esse botequim não é meu nem seu; é nosso.

A atenção e o carinho de vocês eu jamais vou esquecer; como jamais vou esquecer do meu querido pai. Obrigado a todos vocês.

E obrigado a ele, por tudo o que me ensinou e por todo o carinho que ele me deu enquanto estivemos juntos.

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quarta-feira, 9 de junho de 2010 NBA | 02:14

COMO GENTE GRANDE, COM JEITO DE CAMPEÃO

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Kobe Bryant, Phil Jackson e companhia sabiam muito bem: era no jogo de ontem ou no de amanhã. Deixar para vencer na terceira partida em Boston seria muito complicado; quase impossível.

A gana e a garra do time de Los Angeles no jogo de ontem à noite em Boston foram impressionantes. O Lakers jogou feito gente grande que é; jogou feito campeão. Ninguém se intimidou com a barulhenta torcida bostoniana e nem com a força do time do Celtics.

Por tudo isso, quando a gente olha para o marcador e vê estampado Lakers 91-84 Celtics não se surpreende. E tinha que ser mesmo assim: com gana, com garra, feito gente grande e feito time campeão.

Não fosse assim, perdia o jogo. Mas ganhou; ganhou e pulou na frente na série melhor de sete em 2-1.

O time californiano precisa agora de mais duas vitórias. Dos quatro jogos restantes (se é que eles serão necessários), dois estão marcados para o Staples Center de Los Angeles.

Ou seja: é só o Lakers fazer a lição de casa que ganha o campeonato. Favas contadas? Claro que não, pois o Boston já ganhou em Los Angeles nesta final.

O mesmo se aplica aos dois próximos embates marcados para o TD Garden de Boston. O Celtics vencerá os dois e fará a virada no marcador, pulando na frente em 3-2? Difícil afirmar, pois o Lakers acabou de ganhar em Boston.

A final cumpre seu papel. Está aberta, com jogos bem disputados, com clima quente, mas, felizmente, sem pancadaria.

Por que o Lakers ganhou? Isso a gente fala nos próximos capítulos.

FACTORS

Os americanos adoram esta palavra: “factor”. E o que ela quer dizer quando aplicada a um atleta? Resposta: jogador decisivo.

Dois foram os jogadores decisivos do Lakers no jogo de ontem: Kobe Bryant e Derek Fisher (Foto Getty Images).

Kobe foi importante com seus 29 pontos, sete rebotes, quatro assistências, três tocos e dois desarmes. Números impressionantes. Destacou-se pelo conjunto da obra.

Sim, pois no último quarto, com a contenda pegando fogo, KB fez 1-5 nos seus arremessos. E o Boston encostando.

Não fosse a aparição do veterano armador Derek Fisher e o Lakers poderia ter amargado sua segunda derrota na série. Mas Fish impediu isso. Foram 11 pontos e uma coragem de emocionar.

A 48.3 segundos do final da partida, com o Lakers na frente em 84-80, Fish pegou o rebote de mais um arremesso torto de Ray Allen, partiu para o contra-ataque e foi para a bandeja. Foi para a bandeja mesmo crescendo pra cima dele Kevin Garnett, Glenn “Baleinha” Davis e o próprio Allen.

Fish não temeu nenhum deles. Fez a bandeja e tomou faltou do Baleinha; espatifou-se contra a base da tabela. Ataque de três pontos, que colocou o Lakers na frente em 87-80.

Um gigante, apesar de seu 1m85 de altura. Deixou a quadra emocionado, chorando. Foi realmente comovente.

SOMBRA

Vale destacar também dois outros jogadores, mas num patamar inferior: Pau Gasol e Lamar Odom.

O espanhol ajudou muito com seus 13 pontos e dez rebotes. E Lamar, finalmente, deu as caras na série, tento anotado 12 pontos e fisgado cinco rebotes.

HORROR

Depois de ter marcado 32 pontos no jogo passado, em Los Angeles, 27 deles no primeiro tempo, Ray Allen foi um desastre ontem à noite. Errou todos os seus 13 arremessos, oito deles de três, sendo que oito foram as bolas triplas encestadas por Allen no jogo passado em LA. Ele deixou a quadra ontem com apenas dois pontos, frutos de dois lances livres cobrados.

Foi marcado por Derek Fisher, um gigante, como vimos acima. Foi anulado por Fish.

Noite para ser esquecida, claro. O Celtics sentiu demais a falta de seus pontos. Se Allen tivesse pontuado um pouquinho mais, quem sabe o alviverde tivesse vencido a partida.

Ah, vale lembrar que apenas dois jogadores na história das finais foram piores do que Allen. Chip Reiser, que atuava no Baltimore, errou todos os seus 14 chutes na decisão de 1948 diante do Philadelphia; Dennis Johnson, ex-jogador do Celtics, fez o mesmo em 1978, mas com a camisa do Seattle frente ao Washington.

Outro que mandou mal foi Paul Pierce. Apesar de ter cometido cinco faltas, ficou bastante tempo em quadra. Mas foi sofrível nos arremessos: 5-12. Deixou a partida com 15 pontos.

No primeiro quarto, Allen e Pierce fizeram 1-13 nos arremessos. O Boston ficou quase seis minutos sem pontuar. Nesse tempo, o Lakers foi abrindo no marcador e não perdeu mais o controle do jogo.

(O aproveitamento do Boston nos lances livres também foi um horror: 16-24 [66.7%].)

DESTAQUE

Kevin Garnett livrou a cara no time do Boston. Depois de um jogo apagado em LA, no domingo, quando marcou só seis pontos, desta vez justificou os US$ 16.4 milhões que o Boston paga-lhe por temporada.

Marcou 25 pontos. Jogou praticamente sozinho.

SUBTRAÇÃO

Phil Jackson colocou o mão-de-pau do Ron Artest mais tempo no banco de reservas. Jogou apenas 23 minutos. Mas ele não planejou nada disso. Foi contingência mesmo.

Sim, pois no começo do jogo Artest fez duas faltas rapidinho e foi para o banco. Para ser exato, jogou apenas 3:15 minutos quando deu lugar para Luke Walton.

O Boston vencia o jogo por 6-2.

Com Artest do lado de fora, o Lakers ganhou em qualidade ofensiva, pois Walton é mais habilidoso, inteligente e por isso mesmo muito menos confuso do que Artest. E mais rápido também.

Nesses 9:45 minutos em que ficou de fora, Paul Pierce (a quem ele marcava) não pontuou.

P-Jax colocou Artest no jogo no começo do segundo quarto. Faltavam 10:41 minutos para o final do período e o Lakers estava na frente em 31-17.

De repente, a diferença começou a baixar. Caiu para dez e ameaçava diminuir mais ainda. E o que fez P-Jax? Mandou Artest para o banco novamente e colocou Walton em quadra.

E foi assim, neste entra e sai que foi desenhada a história de Artest na partida.

Vamos ver como será amanhã. Creio que P-Jax fará o mesmo. A defesa de Artest não compensa a falta que ele faz ofensivamente ao time.

FRASES

“Ele venceu o jogo. Derek Fisher foi a diferença do jogo” — Doc Rivers, técnico do Boston.

“O trabalho que Fish fez em cima de Allen foi sensacional” — Phil Jackson, técnico do Lakers.

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segunda-feira, 7 de junho de 2010 NBA | 01:44

O DIA DA CAÇA

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Ray Allen não pôde jogar a partida passada. Pelejou mais com as faltas (fez cinco) do que contra os jogadores do Lakers. Esse foi, eu disse à época, um dos motivos que levaram o Boston a perder a primeira peleja da decisão da NBA.

Ontem, Allen (Foto Getty Images) fez só três faltas. Jogou 44 minutos, 17 a mais do que no confronto da última quinta-feira. Resultado: marcou 32 pontos e teve que dar entrevista para um batalhão de repórteres depois da partida, eleito que foi o melhor jogador em quadra.

Desses 32 pontos, 24 foram frutos das oito bolas de três que Allen encestou durante a contenda; sete delas no primeiro tempo. Esses oito tiros longos significam recorde na história das finais da NBA.

Foi um partidaço do camisa 20 alviverde.

Allen foi muitíssimo bem coadjuvado por Rajon Rondo. O armador do Celtics anotou seu quinto “triple-double” em playoffs: 19 pontos, 12 rebotes e 10 assistências.

Roubou, também, duas bolas: uma delas em cima de um arremesso de três de Derek Fisher e a outra em Kobe Bryant, quando o craque do Lakers tentava, desesperadamente, pontuar para encostar no placar, já no final da partida.

Rondo ficou dois minutos a menos em quadra do que Allen. Descansou seis dos 48 disponíveis. Todos eles no início do quarto final, quando o técnico Doc Rivers colocou em quadra seu reserva Nate Robinson.

Cabeça de treinador é algo que merece análise profunda. Com um jogador como Robinson no banco de reservas, por que Rivers exigiu tanto de Rondo? Não havia necessidade. Ele poderia — e deveria — ter equilibrado o descanso de Rajon.

MAIS

Continuemos a falar sobre a cabeça dos treinadores.

Kevin Garnett voltou a fazer uma partida apagada. Seis pontos apenas em 24 minutos de trabalho. Rasheed Wallace estava muito melhor, poderia — e deveria — ter ganhado mais minutos. Tinha anotado sete pontos em 18 minutos. Mas não: Rivers escondeu-se nas quatro faltas que Sheed cometeu para afundá-lo no banco.

A mesma coisa vale para Phil Jackson. Não é possível que ele não tenha feito nada para mudar a defesa em cima de Ray Allen. O armador do Boston gosta de arremessar sem fintar ou bater a bola. Ela a pega em movimento ou parado e… pimba! Quase sempre cai.

Quando um pivô do Celtics fazia o corta luz para o movimento de Allen, o grandalhão do Lakers poderia ficar em cima do armador e não fazer com que Kobe ou Shannon Brown corresse atrás. Essa perda de tempo era suficiente para que o jogador do Boston recebesse a bola e arremessasse.

E das 11 bolas de três que ele chutou, oito entraram.

Por que o pivô não ficava em Allen? Se ele fizesse o corte, o arremesso seria de dois e não de três.

Além do estrago no marcador, o efeito que essas bolas têm é muito grande. Fortalece quem as derruba e nocauteia quem está na marcação e não consegue impedir o tiro longo.

ATUAÇÕES

Falei de Ray Allen e de Rajon Rondo, bem como de Kevin Garnett e Rasheed Wallace. Garnett merece uma observação final: jogador que ganha US$ 16.4 milhões por temporada não pode jogar tão mal como KG jogou ontem à noite.

Quanto ao Lakers, Kobe Bryant sentiu na pele o que Allen sentiu no jogo passado. Cometeu cinco faltas e teve seu tempo de quadra abreviado. Jogou 34 minutos, cinco a menos do que no prélio inaugural da série decisiva.

Cinco minutos a menos e nove pontos a menos do que ele marcou na vitória da última quinta-feira. KB cravou 21 pontos no aro do Boston, mas teve um aproveitamento bem ruim nos arremessos: 8-20, sendo que nas bolas de três foi 2-7.

Outro que merece um capítulo especial é Ron Artest. O ala do Lakers é muito ruim de bola. Já o chamei de mão de pau. Ruim é pouco para defini-lo quando ele tem a laranjinha sob poder: ele é grosso mesmo.

Ou seja: quando o Lakers ataca, o faz com quatro jogadores, pois não dá para confiar em Artest. Ele é lento, atrapalhado e não tem habilidade alguma.

Seu desempenho foi pífio no jogo de ontem: 1-10 nos arremessos, sendo 1-6 nas bolas de três. Ficou em quadra desnecessários 41 minutos e marcou só seis pontos.

OK, eu sei que ele marcou muito bem a Paul Pierce. O ala do Boston anotou só dez pontos (2-11). Não conseguiu arremessar nenhuma bola de três.

Mas, mesmo assim, eu me pergunto se vale a pena contar com Artest em quadra. Sua ruindade é contagiante — e estimulante, no caso, para o adversário.

Artest vive de repentes. Não dá para apostar num jogador desses.

Andrew Bynum salvou a pele. Fez 21 pontos, mas pouco ajudou nos rebotes: só seis. Em compensação deu sete dos 14 tocos que o Lakers distribuiu na partida.

Esses 14 tocos foram, também, recorde da NBA em uma partida decisiva.

DESCANSO?

Que nada. Os dois times pegaram o avião ontem à noite mesmo e desembarcaram esta manhã em Boston.

O próximo confronto está marcado para as 22h de Brasília deste terça-feira. Todo mundo está careca de saber, mas não custa nada relembrar: se o Celtics ganhar os três próximos jogos em seu TD Garden, fará 4-1 e ganhará o título da NBA pela 18ª. oportunidade, a décima em cima do time de Los Angeles, que até hoje só venceu dois títulos diante do Boston.

Se isso ocorrer mesmo, eu vou perguntar a vocês: rivalidade, que rivalidade?

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sábado, 5 de junho de 2010 Basquete europeu, NBA, outras | 13:20

OS FÃS AINDA PREFEREM MICHAEL JORDAN

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O primeiro jogo da final da NBA entre Lakers e Boston (Foto Getty Images), na última quinta-feira, marcou 10.4 pontos de audiência. Foi 17% superior ao confronto inicial da série do ano passado entre o próprio time de Los Angeles diante do Orlando.

Chegou em dois dígitos, algo que não ocorria desde a final de 2004, entre Lakers e Detroit (11.5).

Apesar disso, houve certo abatimento na cúpula da NBA ao tomar conhecimento dos números. David Stern e seus pares esperavam ver audiência semelhante à dos tempos de Michael Jordan.

Nem de longe. Com MJ em ação, a NBA obteve os melhores índices de audiência de todos os tempos.

Na decisão de 1991, diante do Lakers, a primeira do Chicago de Jordan, os índices apontaram 15.8. No ano seguinte, frente ao Portland, caiu para 14.2. Depois veio a série decisiva contra o Phoenix e aumento nos números: 17.9.

É bom lembrar que a decisão Chicago x Phoenix colocou frente a frente MJ e Charles Barkley. Um ingrediente e tanto.

MJ parou por dois anos e os índices caíram: 12 na final entre Houston e New York e 13.9 na decisão Houston x Orlando.

Com a volta de Jordan às finais, os números voltaram a subir.

Na série decisiva frente ao Seattle, 16.7 — e nas duas diante do Utah, 16.8 e 18.7.

Esses 18.7 representam a maior audiência na história de uma final da NBA.

Ou seja: por mais que o Lakers seja popular, por mais que Kobe Bryant desfrute de grande prestígio, Michael Jordan segue sendo incomparável. Os números, como vimos, provam isso.

Mas, a bem da verdade, é importante que a gente frise que houve apenas um jogo entre Lakers e Boston até o momento. Vamos ver como será daqui para frente.

Mas eu aposto uma rodada neste botequim se esta série se equiparar a qualquer uma envolvendo Michael Jordan e o Chicago Bulls.

ESPANHA

O Caja Laboral segue correndo riscos nesta semifinal diante do Real Madrid. Quem viu o jogo de ontem na capital espanhola há de concordar comigo.

O Madrid vive um momento superior ao do adversário, time que fica no país basco e onde jogam os brasileiros Tiago Splitter e Marcelinho Huertas. Mesmo sem contar com Jorge Garbajosa, lesionado, e em todo o segundo tempo com Sergio Llul, o Real venceu mais uma vez com facilidade o Caja, desta feita por 80-62.
O grande homem do Madrid foi o gigante Ante Tomic. Numa batalha intensa com Splitter, o croata levou a melhor com seus 19 pontos e 14 rebotes, enquanto que o barriga-verde anotou 20 pontos, mas apanhou oito rebotes.

Nos últimos tempos, tinha-se a sensação de que nosso Tiago era imbatível no garrafão. Tinha-se a sensação de que nenhum outro jogador poderia encará-lo de igual para igual.

Engano; Tomic mostrou nesta sexta-feira que passou que isso é possível. Splitter é um belíssimo jogador, talvez o melhor entre todos os que jogam na Europa atualmente, mas ele não é super-homem; precisa de ajuda.

O caminho de Tomic ficou ainda mais aberto no segundo quarto, quando Splitter viu aqueles dez minutos do banco de reservas, impedido que foi de jogar pelo excesso de faltas.

Quanto ao jogo, desde o começo o Real deixou claro suas pretensões: levar a série para o quinto cotejo. Abriu 11-2 e não perdeu o controle da partida no primeiro tempo, tendo ido para o vestiário com uma vantagem de 47-39.

No terceiro quarto, uma corrida de 7-0 aumentou ainda mais a diferença, facilitando a missão dos madrilenhos, que acabaram fechando a contenda, repito, em 80-62.

O quinto e último jogo deste confronto acontece amanhã, às 17h30 de Brasília, agora em Vitória, lar do Caja Laboral. Os torcedores locais vão ter que ajudar — e muito. Se isso não ocorrer, a tarefa dos anfitriões ficará ainda mais difícil.

Já disse e repito: o Real Madrid vive um momento melhor. Não me surpreenderia vitória em favor dos visitantes na contenda de amanhã.

O BandSports promete transmitir a partida. Novamente com a dupla Ivan Zimmermann e Zé Neto.

FOLGA

Enquanto Caja Laboral e Real Madrid se engalfinham, o Barcelona ri à toa, treina e descansa. Afinal, o pessoal da Catalunha fez 3-0 no Unicaja e liquidou sua série sem grandes dificuldades.

Entra como favorito na decisão seja lá contra quem for; Caja ou Real.

Por falar na Barça, a gente se lembra de Ricky Rubio. O armador, quinta escolha do Minnesota no draft do ano passado, declarou ontem que não vai para a NBA na próxima temporada.

Ele tem até a próxima para definir o seu futuro.

O que pega é que ele não quer deixar a belíssima vida que leva na capital catalã, os milhões de dólares que ganha por lá, o brilho que tem por jogar em uma das melhores equipes europeias para se transferir para um país de língua e cultura diferentes, onde ganharia menos num primeiro momento e jogaria em um time sem qualquer expressão.

A saída para todos seria o Wolves envolvê-lo em uma transação, jogando-o para um time de ponta. Ganhariam todos: jogador e clube. E também a NBA

Caso contrário, penso que seria difícil a gente ver Rubio desfilando seu talento por quadras dos EUA.

DRAFT

Por falar em recrutamento, esta pode ser a primeira vez desde 1995 que nenhum jogador europeu seja escolhido na primeira rodada do NBA Draft. Isso porque três dos principais favoritos não estarão presentes na lista dos candidatos.

O checo Jan Veselý (20 anos), que joga no Partizan Belgrado, e o lituano Donatas Motiejunas (19), que atua no Benetton Treviso, retiraram seus nomes, enquanto que o francês Kevin Seraphin (20), do Cholet, lesionado, também deverá ficar de fora.

MORTE

Morreu ontem nos EUA John Wooden (Foto Getty Images), o treinador com o maior número de títulos na história do basquete universitário norte-americano. Tinha 99 anos e foi dez vezes campeão da NCAA com UCLA.

Ensinou basquete para jogadores como Walt Hazzard, Gail Goodrich, Kareem Abdul-Jabbar (à época Lew Alcindor), Jamaal Wilkes, Bill Walton, Artis Gilmore, entre outros.

Morreu de causas naturais, informou o boletim do Ronaldo Reagan UCLA Medical Center, onde ele estava internado desde o dia 26 de maio passado.

Foi treinador durante 27 anos e conquistou 620 vitórias. Foram 88 seguidas ao vencer os dez campeonatos por UCLA.

Wooden é a única personalidade presente no Salão da Fama do Basquete de Springfield (Massachusetts) como jogador e treinador.

Como disse, Wooden ganhou uma dezena de títulos na NCAA. Depois dele aparecem Mike Krzyzewski (Duke) e Adolph Rupp (Kentucky) com 4, Bob Knight (Indiana) com 3, Dean Smith (North Carolina), Roy Williams (North Carolina), Jim Calhoun (UConn), Denny Crum (Louisville), Billy Donovan (Florida), Henry Iba (Oklahoma A&M), Edu Jucker (Cincinnati), Branch McCracken (Indiana) e Phil Woolpert (San Francisco), todos com dois títulos cada um.

Como diz meu amigo Daniel Piza, uma lágrima para John Wooden.

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sexta-feira, 4 de junho de 2010 NBA | 12:21

VITÓRIA INCONSTESTÁVEL

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Alguns foram os fatores que levaram o Lakers a vencer o Boston ontem à noite por 102-89 e abrir 1-0 na decisão desta temporada da NBA. Vamos a eles:

1)    Defesa — O Lakers defendeu talvez como nunca tenha defendido neste campeonato. Segurou o Boston em 89 pontos, lembrando que o time permitiu aos adversários, até ontem, 100.9 pontos de média. Ou seja: subtraiu nada menos do que 12 pontos do oponente. E o Boston, que estava acostumado a marcar 96.2 tentos por partida disputada nestes playoffs, cravou sete a menos.

2)    Kobe Bryant — Black Mamba (Foto Getty Images) esteve novamente esplêndido em quadra. Foram 30 pontos, sete rebotes e seis assistências. Um espetáculo. Dos últimos 12 jogos, em 11 deles KB anotou 30 ou mais pontos. Está com uma média de 32.7 pontos por jogo nesta dúzia de contendas em playoffs. Escondeu-se feito menino levado de seus marcadores.

3)    Pau Gasol — O espanhol esteve igualmente soberbo no jogo de ontem à noite. Foram 23 pontos e 14 rebotes. E um recado bem claro para o “frontcourt” do Boston: não sou mais aquele pivô “soft” da final de 2008.

4)    Garrafão 1 — O Lakers surrou o Boston dentro do garrafão. Fez 48 de seus 102 pontos lá dentro, enquanto que o Celtics anotou só 30. Como já vimos, Gasol foi um tormento para Kevin Garnett, que não encontrou resposta para os problemas sugeridos pelo espanhol. Seria dificuldade da língua?

5)     Garrafão 2 — Nova sova do Lakers pra cima do Boston. O time de Los Angeles confiscou 42 ressaltos; o Celtics ficou com apenas 31. Nos ofensivos, o placar mostrou 12-8 em favor dos californianos. Embora tenha pegado apenas seis rebotes, Andrew Bynum, que não participou das finais de 2008 frente ao time de Massachusetts, foi superimportante na “limpeza” do garrafão, possibilitando que seus companheiros se fartassem com as sobras, e que não eram migalhas, longe disso. Kevin Garnett pegou só quatro rebotes. Deixou tudo nas mãos de Paul Pierce.

6)    Lambuja — Depois de um ataque errado, o Lakers conseguiu fazer 16 pontos ao recuperar a bola. O Boston? Nenhum.

7)    Contra-ataque — Os angelinos anotaram 12 pontos, os bostonianos, apenas cinco.

8)    Controle — O Lakers dominou o jogo do começo ao fim. Esteve atrás no marcador apenas quando Rajon Rondo fez os dois primeiros pontos da partida. Dali para frente (a vantagem do Boston durou apenas 59 segundos), chegou a 20 de vantagem, relaxou um pouco e fechou a partida com 13 pontos a mais que o oponente.

9)    Ray Allen — O armador do Boston permaneceu em quadra apenas 27:20 minutos por causa do excesso de faltas. Isso teve um peso grande no que ocorreu na partida. Allen exibiu uma média durante a fase de classificação de 35:20 minutos de prestação de serviços, na final contra o Orlando, ela subiu para 40:20 minutos. Ou seja: ontem, Allen jogou 13 minutos a menos se formos levar em conta os números da decisão do Leste. E temos realmente que dar um peso maior a ele do que ao da fase de classificação. Afinal, decisão é decisão; na temporada regular, treinador poupa jogador. Na final diante do Orlando, Allen teve média de 15.7 pontos por jogo. Ontem, mesmo tendo seu tempo limitado em quadra ele anotou 12 pontos. Quer dizer: tivesse tido mais minutos à disposição, certamente teria pontuado muito mais e poderia ter sido o parceiro que Paul Pierce (24 pontos e nove rebotes) tanto precisou.

O que fica depois do jogo de ontem? Que o Lakers mandou uma clara mensagem ao Boston: somos um time completamente diferente daquele que vocês enfrentaram na final de 2008.

FRASES

“O Lakers foi claramente [um time] mais físico. Eles foram agressivos. Eles nos atacaram a noite toda” — Doc Rivers, técnico do Boston.

“Não foi o jogo mais bonito que vi na minha vida, mas foi uma boa vitória para nós”— Phil Jackson, técnico do Lakers.

Pergunto: vocês acharam o jogo tão ruim assim?

ESCRITA

Para aqueles que gostam de tabu ou de história, como queiram: sempre que um time dirigido por Phil Jackson faz 1-0 numa série de playoff, acaba vencedor. Isso já se deu em 47 oportunidades.

Ou seja, se a escrita for mantida, o Lakers já pode se considerar campeão.

DOMINGO

Sim, será no próximo domingo, às 21h de Brasília, o segundo confronto desta final. Se o Lakers abrir 2-0, a situação do Boston ficará complicadíssima.

Jogará pressionado pela obrigatoriedade de fazer três vitórias em seu trio de partidas dentro do TD Garden. Nunca é bom jogar assim. De todo o modo, o time é experiente pra aguentar uma barra dessas.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

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