JEREMY LIN E O RECORDE DE KOBE, QUE PODE SE TORNAR O MAIOR ARTILHEIRO DA NBA EM TODOS OS TEMPOS
Kobe Bryant tornou-se o quinto maior pontuador na história da NBA. Mas o assunto de ontem na NBA foi o armador chino-americano Jeremy Lin. Dele eu falo na sequência; de Kobe, um pouco mais abaixo.
SENSAÇÃO
Jeremy Lin é a grande sensação da NBA no momento. Esqueça Kobe Bryant, LeBron James, Dwayne Wade, Kevin Durant, Dwight Howard ou Derrick Rose. Nos EUA, no momento, quando o assunto é NBA, o nome mais falado é o de Jeremy Lin.
Se você não sabe o que está acontecendo, fique tranquilo, pois eu tenho um tempinho pra te contar a história deste norte-americano, filho de pais chineses, nascido em Palo Alto, sul de São Francisco, norte da Califórnia.
Jeremy na verdade é Jeremy Shu-How Lin. Trata-se de um magrelo de 90,7 quilos que tem 1,91m de altura e apenas 23 anos.
Sempre gostou de jogar basquete.
No “high school”, o nosso ensino médio, foi a grande sensação do Palo Alto High School em seu último ano. Capitaneou sua equipe a uma campanha de 32-1 e na decisão do título, bateu a favorita Mater Dei High School por 51-47.
Foi eleito o melhor jogador da Divisão II (a qual sua escola pertence) por quase todas as publicações da Bay Area. Suas médias: 15,1 pontos, 7,1 assistências, 6,2 rebotes e 5,0 desarmes.
Com um currículo desses, sonhava jogar no “college” com a camisa de UCLA. Mandou para a universidade de Los Angeles um DVD com “high lights” de seus jogos junto com seu desempenho escolar, que era muito bom. Pra não ser pego de surpresa, enviou também o mesmo material para a Universidade California Berkeley (a mesma de Jason Kidd), Stanford (onde Tiger Woods se graduou) e para todas as universidades da Ivy League, liga que contém as melhores, mais antigas e mais tradicionais escolas dos EUA, cujos programas acadêmicos são os melhores do país.
As universidades da Pac-12 (UCLA, California e Stanford) não quiseram dar bolsa para Lin, enquanto que as escolas da Ivy League são naturalmente proibidas de cedê-las. Harvard e Brown ofereceram a Lin um lugar no time de basquete e o atual armador do New York Knicks escolheu Harvard por conta do grau de exigência da faculdade.
Lin jogou em Harvard durante quatro anos e formou-se em economia. Deve entender mais do assunto do que muitos desses economistas brasileiros que integram e/ou integraram equipes do governo e que depois de fracassarem por lá ficam ditando (pra não dizer outra coisa) regras em tevês, rádios, jornais e internet.
Em Harvard (que na verdade fica em Cambridge e não em Boston, como muitos pensam), de 2006-7 até 2009-10, Lin acumulou médias de 12,9 pontos, 4,3 rebotes e 3,5 assistências. Seu melhor ano foi o penúltimo, quando marcou 17,8 pontos, 5,5 rebotes e 4,3 assistências por partida.
Estudo findado, resolveu tentar a sorte na NBA.
Lin não foi draftado por nenhum dos 30 times da liga no “NBA Draft” de 2010. Se tivesse sido, iria se tornar o primeiro jogador da Ivy League desde Jerome Allen (1995, University of Pennsylvania) a ser recrutado. Lin, no entanto, acabou sendo o primeiro jogador vindo de Harvard para a NBA depois de 57 anos. Antes dele, Ed Smith foi selecionado em 1954 exatamente pelo NYK.
Com uma mão na frente e outra atrás, sonhando em jogar na NBA, Lin participou de alguns “summer camps” e acabou assinando com o Golden State, mesmo tendo recebido ofertas do Dallas e do Lakers. Queria ficar em casa.
Jogou 29 partidas pelo Warriors e acumulou miseráveis médias de 2,6 pontos, 1,2 rebote e 1,4 assistência. Dividiu-se entre vestir a camisa do GSW e de sua franquia na NBDL, o Reno Big Horn.
Ao final do primeiro ano de um contrato de duas temporadas, no qual ganhou US$ 473,6 mil, Lin foi dispensado quando o locaute acabou. Tentou a sorte no Houston; não deu certo. Até que o New York, com a contusão de Iman Shumpert, ofereceu a ele um contrato no dia 27 de dezembro passado em troca de US$ 762,1 mil.
Pelos dois últimos jogos, está valendo cada centavo investido.
MVP!
Nas vitórias diante do New Jersey Nets (99-92) e ontem frente ao Utah Jazz (99-88), Lin fez um total de 53 pontos, 15 assistências e sete rebotes, o que deu uma média de 26,5 pontos, 7,5 assistências e 3,5 rebotes.
Diante do Utah, anotou seu recorde de pontos (28) e assistências (8). E o mais legal é que os 19.763 torcedores que lotaram o Madison Square Garden, nas nove oportunidades em que Lin foi para a linha do lance livre e sempre que pegava na bola, já ao final da partida, gritavam “MVP, MVP, MVP”.
“Deus trabalha de um jeito enigmático e milagroso”, disse Lin ao final da partida de ontem, sem disfarçar um contentamento impossível de ser escondido. Nem mesmo Lin esperava que ele pudesse bater neste confronto diante do Jazz seus 25 pontos e sete assistências anotados frente ao New Jersey no último sábado.
Recusando-se a economizar-se em quadra, Lin tornou-se perdulário com sua energia e isso custou-lhe um preço alto. Cansado (havia ficado apenas 3:08 minutos descansando), cometeu seu quinto de um total de oito no começo do último quarto (10:26 minutos para o final), com o placar apertado (78-75) em favor de seu time.
O técnico Mike D’Antoni pensou em tirá-lo do time. Lin encostou no treinador e disse: “Não quero sair”.
D’Antoni atendeu-o e deixou em quadra. Lin cometeu mais três equívocos, mas o treinador continuou apostando nele.
“Isso é incalculável, quando você é um jogador que comete oito erros em uma partida e continua em quadra. Foi inacreditável”, disse Lin.
Foi mesmo. Mas não apenas a atitude de D’Antoni, mas o que Lin mostrou nesses dois últimos jogos do New York Knicks. Não à toa, duas vitórias.
Se você não viu Lin em ação ou quer revê-lo em quadra, anote aí: amanhã, quarta-feira, às 22h de Brasília, ele terá uma dura parada pela frente: John Wall e o Washington Wizards.
Sairá como titular pela segunda vez na carreira.
Como disse, Kobe Bryant tornou-se ontem o quinto maior cestinha da história da NBA. Ultrapassou Shaquille O’Neal, seu ex-companheiro de time.
Kobe tem agora 28.599 pontos na carreira e posiciona-se atrás apenas de Wilt Chamberlain (31.419), Michael Jordan (32.292), Karl Malone (36.928) e Kareem Abdul-Jabbar (38.387).
Kobe tem tudo para ficar entre os três primeiros ou mesmo encerrar a carreira como segundo maior de todos os tempos.
Ele está com média de quase 30 pontos por jogo. Digamos que ela se mantenha até o final: Kobe adicionaria mais 1.230 pontos, totalizando 29.829 tentos.
Continuaria atrás de Wilt Chamberlain.
Na próxima temporada, digamos que KB, aos 34 anos e na mesma forma, tenha uma média um pouco menor: 28 pontos por jogo. Somaria mais 2.296 tentos, chegando à casa dos 32.125 pontos. Ultrapassaria Wilt Chamberlain e encerraria a temporada encostado em Michael Jordan.
Na seguinte, aos 35, digamos que sua média caia um pouco mais. Vamos falar em algo em torno de 25 pontos. Ele chegaria a 2.050 ao final do campeonato e atingiria a marca de 34.175 tentos, deixando Michael Jordan para trás.
Ficariam faltando mais 2.753 pontos para ele igualar Malone e 4.212 pontos para se equiparar a Kareem.
Jordan deixou de jogar aos 39 anos. Kobe estaria com esses números aos 35 anos. MJ, em seus dois últimos anos de carreira (com uma parada de quatro anos), teve médias de 21,2 pontos por jogo.
Digamos que Kobe tenha essa mesma média e jogue até os 39 anos, como Jordan. Ele adicionaria algo em torno de sete mil pontos aos seus números.
E desta forma tornaria-se o maior artilheiro da NBA em todos os tempos.
SHOW
Hoje à noite tem Anderson Varejão em quadra: 22h30 de Brasília. Seu Cleveland vai até Miami enfrentar o Heat.
O capixaba vem de três “doubles-doubles” seguidos. Tem, ao longo deste campeonato, um total de 12 duplo-duplos, dez a menos do que Kevin Love, o líder.
E tem também um “double-double” de média, com 10,8 pontos e 11,9 rebotes por contenda disputada.
Sem dúvida alguma, o confronto que eu estarei vendo esta noite.
Notas relacionadas:
- KOBE, O MAIOR CESTINHA DA HISTÓRIA?
- MJ DIZ QUE KOBE PODE SER COMPARADO A ELE. PODE MESMO?
- PHIL JACKSON ESCREVE SUAS MEMÓRIAS E VAI DIZER QUEM FOI MAIOR: MICHAEL JORDAN OU KOBE BRYANT?



















