FATOS QUE MUDAM O CASO DA CONTRATAÇÃO DE CHRIS PAUL PELO LAKERS
Leio na manhã deste sábado que Lakers, Houston e New Orleans vão melhorar a proposta de modo que ela seja melhor para o Hornets. Ops! Se os times estão fazendo isso é porque a proposta inicial não era boa para o time da Louisiana, concordam?
Aparentemente, o negócio foi muito bom para o NOH. Eu mesmo escrevi isso. Mas vejam só o que aconteceu nessa troca: o New Orleans assumiria US$ 31 milhões em salários com Luis Scola, Kevin Martin, Goran Dragic e Lamar Odom, e cederia apenas Chris Paul, cujo salário é de US$ 16,3 milhões.
Ou seja: para uma franquia claramente deficitária, que não conseguiu até o momento vender o “naming rights” de seu ginásio e que nem dono tem porque ninguém quer comprá-la por conta do prejuízo, o negócio, do ponto de vista financeiro, foi péssimo.
E eu pergunto: o New Orleans consegue arrecadar o suficiente para arcar com sua folha de pagamento? Pelo que se viu na temporada passada, não.
Nosso parceiro Trapizomba, torcedor do Lakers e morador de Culver City, Los Angeles, mandou-me um link de um artigo do jornalista Larry Coon, do site da ESPN norte-americana. Coon desce a lenha no comportamento de David Stern, o comissário da NBA que vetou o negócio dizendo que este foi danoso ao NOH — e pelos números a gente vê que foi mesmo.
Vejam bem: Stern em nenhum momento disse que vetou o negócio porque o Lakers sairia fortalecido no acordo. Ele disse que vetou o negócio porque ele não foi bom para o New Orleans e o New Orleans pertence à NBA.
No artigo, Coon confirma que os argumentos de Dan Gilbert, dono do Cleveland Cavaliers, são verdadeiros: o Lakers pegaria CP3 e iria economizar US$ 40 milhões em salários.
Esquisito, vocês não acham? Eu acho.
Quando a gente compra algo valioso, não dá pra sair com dinheiro no bolso; se sai é porque tem algo errado. Quando a gente compra algo valioso, a gente se endivida, seja na compra de uma casa, de um carro ou de um terreno há muito cobiçado. Ou de uma joia para a mulher amada.
Se o Lakers pegou Chris Paul e ainda economizou US$ 40 milhões, tem, repito, coisa errada. Dan Gilbert, no e-mail (e não carta) enviado a Stern, lembra o caso da contratação de Pau Gasol, negócio este na época condenado por todos (menos pelos torcedores do Lakers), mas que fez o time de Los Angeles receber “dezenas de milhões de dólares em salário adicional e em Luxury Tax”.
É certo que não houve nada de errado na troca da última quinta-feira. Já disse isso e faço questão de frisar. Tudo limpo aos olhos da lei vigente na NBA.
Mas que é muito esquisito, isso é.
Vejam o caso do Houston. Embora o Rockets tenha aberto mão de US$ 22,7 milhões em salários e assumido US$ 18,7 milhões do Pau Gasol, a diferença é pequena para justificar o desmanche de um time, que ainda perdeu um draft para o New Orleans.
Vejam que o Houston abriria mão de dois jogadores valiosos de seu time titular: Luis Scola e Kevin Martin.
Com o quebra-cabeça sendo montado (mas ainda incompleto), começo a pensar que a NBA deveria investigar o dono do Houston, Leslie Alexander, e seu gerente geral, Daryl Morey. Bem como Dell Demps, manager do NOH.
Acordo que, volto a repetir, aos olhos da lei é legítimo. Mas, pelo que vemos, foi imoral, pois acabou por beneficiar apenas uma equipe: o Lakers.
Por isso, até que novos fatos e elementos apareçam, a conclusão que chego é que ele foi muito bem vetado pela NBA.
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