O MAIOR CLÁSSICO DA NBA
CURITIBA – O Lakers fez um de seus melhores jogos nesta temporada e bateu o Hornets, em New Orleans, por 100-87. O Celtics usou do mesmo expediente diante do Philadelphia, em Boston, venceu por 110-91 e somou sua 19ª. vitória consecutiva.
Mas isso é passado; que lá fique, pois. É assim que as duas franquias pensam no momento. Ou melhor: pensam no futuro.
E o futuro marca um confronto entre ambas amanhã à noite. O palco: Staples Center de Los Angeles.
Será o primeiro embate entre elas depois da final da temporada passada, quando o Celtics bateu o Lakers por 4-2 e conquistou seu 17º. título na NBA.
Todos já estão no clima.
Em Boston, por exemplo, os 18.624 torcedores que lotaram o TD Banknorth Garden, logo após Gabe Pruitt fazer mais dois pontos e colocar o Celtics na frente por 93-71, com 6:57 para o final da partida, passaram a gritar, em uníssono: “Beat LA, beat LA, beat LA”.
O técnico Doc Rivers, do Boston, tentou desconversar depois da partida. “Não senti a magnitude disso [gritos dos torcedores], pois este ainda não é o momento”, disse ele. “Mas eu de fato entendo que as pessoas estejam ansiosas [pelo jogo]”.
Conversa fiada; Rivers sabe muito bem o que significa um Boston x Lakers.
Não tem rivalidade maior do que esta na NBA. É como se a gente estivesse diante de um Fla-Flu, Atle-Tiba, Gre-Nal; ou um Palmeiras x Corinthians ou então Cruzeiro x Atlético.
Os torcedores não podem nem se ver; os jogadores mantêm as aparências.
Amanhã à noite, como disse, mais um capítulo dessa rivalidade será contado.
NÚMEROS
Se você não sabe, Boston e Lakers já se enfrentaram em 268 partidas. O Celtics leva a melhor por 151-117.
O time de Massachusetts anotou 28.537 pontos diante da franquia californiana, que deu o troco com 27.982. O Boston marcou uma média de 106.5 pontos e o Lakers, 104.4.
Vantagem clara do time da costa Leste norte-americana.
Tem mais títulos, mais vitórias, marcou mais pontos e conseqüentemente tem uma média melhor.
RECORDE 1
O atual campeão da NBA quebrou o recorde da franquia de partidas invictas ao vencer o Philadelphia. O anterior pertencia ao time da temporada 1981-82.
Adicione a isso que o Boston tem agora o melhor início em 29 jogos em toda a biografia da NBA. São 27 vitórias e apenas duas derrotas. E deixou também para trás New York e Philadelphia, donos, até ontem, ao lado do próprio Celtics, desta marca histórica.
Muitos dizem que o Boston está gastando munição antes do tempo. Não concordo: o time tem ainda muito que mostrar nesta temporada, muito embora Leon Powe tenha declarado, com todas as letras, que a atual equipe está jogando mais do que a passada.
Como disse dias desses, neste mesmo botequim, o Celtics tem suplantado adversários com certa dificuldade. Pela qualidade do grupo e pelo que mostrou no campeonato anterior, há muito que crescer.
Kevin Garnett, por exemplo, pegou apenas quatro rebotes na partida de ontem, um deles no ataque. Pouco para quem tem pouco mais de 11 por partida em toda a carreira.
Paul Pierce (foto AP ao lado de Garnett) deixou apenas dez pontos na cesta do Sixers. Vocês acham que isso é pontuação para um jogador do calibre do atual MVP das finais? Claro que não.
Ele acertou apenas quatro arremessos de 11 tentados. Percentual de 36.2%. Desprezíveis se cotejarmos com seus números em toda a sua participação na NBA, que é de 44.1%.
Ambos jogaram cerca de meia hora.
Ray Allen não fez tudo o que pode, mas não decepcionou tanto: 16 pontos, 5-8, 62.5% — ótimo percentual; deveria ter arriscado mais durante a partida.
Mas eu pergunto: pra quê? Não precisava, o time estava jogando como um time. As individualidades estiveram adormecidas e deram vida ao coletivo.
RECORDE 2
Com a vitória diante do New Orleans, Phil Jackson conquistou seu triunfo de número 999.
O milésimo, marcante, segundo planeja Phil, tem data para vir.
Amanhã, é claro.
Roteiro perfeito para o treinador do time da terra do cinema.
DEFESA
Ontem, sim, o Lakers defendeu como um time campeão. Possibilitou ao New Orleans apenas 87 pontos.
Chris Paul (foto AP com Kobe Bryant) fez 17 pontos e dez assistências. Um bom jogo, mas pequeno diante do talento do maior armador do planeta no momento.
E David West foi absolutamente controlado por Pau Gasol. Fez só 13 pontos e teve um desprezível aproveitamento de 33.3% de seus arremessos.
É certo que Peja Stojakovic fez falta, especialmente porque seria o desafogo para CP3, que não encontrou eco em West. Mesmo assim, do jeito que o Lakers marcou, o sérvio se enroscaria na trama defensiva californiana.
MAIS UM
O Denver perdeu um jogo (101-92) que poderia ter vencido. Ficou boa parte do confronto na frente do Portland, mas na reta final seus cestinhas fracassaram.
Chauncey Billups, que começou tão bem a temporada com o Nuggets, novamente não brilhou. Fez 17 pontos, mas seu desempenho é para ser esquecido: 4-12 (33.3%); nas assistências, só três.
Foi a quarta derrota do time colorado nos últimos cinco jogos.
É bom o Denver abrir os olhos, pois do jeito que tem jogado, coloca em risco a vaga para os playoffs que parecia mais do que certa.
Carmelo Anthony não jogou novamente. Mas na minha avaliação não fez falta, pois não tem atuado coletivamente, como fazia no início da temporada.
O grupo do Lakers se reuniu, sem a comissão técnica, antes da partida contra o Memphis. Lavou a roupa suja, como se diz por aí.
O resultado foram duas vitórias seguidas.
Os caras do Denver têm que fazer a mesma coisa.
DUPLO-DUPLO
Nenê voltou a escapar da irregularidade do time. Fez seu terceiro “double-double” seguido ao anotar 17 pontos e apanhar 13 rebotes, sendo sete deles na frente.
Dá gosto ficar acordado madrugada a fora vendo o são-carlense jogar. Com ele não tem esse negócio de roteiro com poucas palavras.
Nenê aproveitou a chance para assumir o posto de titular com a saída de Marcus Camby. Soube ocupar seu espaço e hoje é um dos destaques do time.
Ontem, no terceiro quarto, quando parecia ter contundido o joelho, todos entraram em pânico com a possibilidade.
Nenê de fora, hoje, faz mais falta do que Carmelo Anthony.
GREETINGS
Como vocês puderam observar, estou na capital paranaense. Quero aproveitar para desejar um Feliz Natal para todos vocês, freqüentadores deste botequim – e para todos os seus familiares também.
Como não haverá partidas hoje, amanhã estarei descansando também.
Voltamos a nos encontrar na sexta-feira.
Até.
Notas relacionadas:
Autor: Fábio Sormani Tags: Boston, Carmelo Anthony, Celtics, Chris Paul, Denver, kevin garnett, Kobe Bryant, Lakers, Nenê, New Orleans, Nuggets, Pau Gasol, Paul Pierce















