DEU A LÓGICA
LOS ANGELES – O Oklahoma City me surpreendeu; Kevin Durant, não.
Sinceramente, não esperava que o Thunder fosse jogar de igual para igual com o Lakers, especialmente em sua primeira partida de playoff e na casa do melhor time do Oeste e atual campeão da NBA. Mas foi o que aconteceu. O OKC vendeu caro a vitória ao Los Angeles, que penou para vencer por 87-79.
Durant… Bem, Durant continua devendo para mim. Desta vez foi ao vivo. Ele e eu debaixo do mesmo tempo. Minha expectativa era enorme, mas nada aconteceu novamente.
O pirulão do Thunder anotou 24 pontos, é verdade, mas nove deles vieram da linha do lance livre, pois nos arremessos KD fez 7-24 (29.1%). Nas bolas de três, então, foi deprimente: 1-8 (12.5%).
KD quase que pediu licença para jogar. Respeitou demais Ron Artest. Em playoffs, não se pode ter um comportamento desses. Durant é “bonzinho” demais, precisa mudar de atitude.
Na entrevista coletiva, depois da partida, perguntado se ele sentiu o peso de uma partida de playoff, a primeira em sua carreira, ele respondeu: “De verdade? Não; pra mim foi como uma partida da fase regular”.
Talvez esse tenha sido o problema, Kevin: partida de playoff não é igual à da fase de classificação. Se você não conseguiu perceber a diferença é sinal de que não entrou no jogo.
Quanto ao time, ele fez um bom papel defensivo. Limitou o Lakers a 41% de aproveitamento de seus arremessos. Muito disso tem a ver com a marcação que Jeff Green fez em cima de Kobe Bryant na maior parte do jogo. Mais alto e com boa agilidade, Green dificultou o trabalho do armador do Lakers.
No final da partida, Kobe deixou a quadra bem contrariado. Também pudera, acertou apenas 6-19 (31.5%). Pra piorar, fez 7-12 nos lances livres. Foi dominado pela marcação até porque esteve inativo por quatro dos últimos cinco jogos, demonstrando claramente a falta de ritmo de jogo.
Deu uma canseira terrível nos repórteres depois da partida. Phil Jackson apareceu rapidinho para a coletiva, foi substituído rapidamente por Kevin Durant, que deixou a cadeira para Andrew Bynum sentar-se em seguida.
Saía um e entrava outro. Esperava-se que Kobe fizesse o mesmo, mas não foi o que aconteceu. Depois de 40 minutos de espera, Black Mamba surgiu com cara de poucos amigos, usando óculos escuros em local onde a última coisa que se poderia ver era a luz do sol.
Vestia uma calça jeans cinza escuro, camisa de mangas compridas branca com riscas em xadrez azul. Estava pra fora da calça. Por cima dela ele vestia uma jaqueta de couro marrom clara. Tênis branco.
Monossilábico, não queria papo com ninguém. Aos poucos foi se soltando, mas continuou econômico com as palavras. Sorriu algumas vezes. Preferiu falar do time do que ele próprio. “Podemos jogar muito mais do que jogamos”. Todos concordaram.
Perguntado sobre o joelho, disse apenas: “Está bom”.
Mas bom mesmo foi Andrew Bynum. O pivô ficou de fora exatos 13 cotejos recuperando-se de uma contusão no tendão de Aquiles. Havia muita expectativa quanto ao seu retorno, mas Drew não desapontou seus fãs.
Anotou 13 pontos, pegou 12 rebotes e deu quatro tocos. Era a felicidade personificada na sala de entrevistas.
ALMOÇO
Almoçava eu sossegadamente na sala de imprensa do Staples Center. Sentava-me em uma das enormes mesas redondas cobertas com uma tolha preta. Mesa que acomoda tranquilamente 12 pessoas.
Os jornalistas se misturam; a maioria se conhece. Assistentes técnicos costumam aparecer para se alimentar também. Antes da partida contra o Sacramento, vi Frank Hamblen, um dos fiéis escudeiros de Phil Jackson, devorando um pratão de comida.
Faltavam 20 minutos do início da partida de ontem e eu me alimentava com uma saborosa salada verde. A sala já estava bem vazia por conta da hora. Estava solitário no mesão. De repente, vejo Mitch Kupchak com um prato na mão. Sentou-se bem à minha frente, à mesma mesa.
Cumprimentou-me e eu respondi. Aproveitei a brecha e me apresentei. Disse que era brasileiro e que no Brasil o Lakers tem uma legião de fãs. Aquilo não o surpreendeu, pois, como já disse neste botequim, o time californiano parece o Flamengo: tem torcedor em tudo quanto é lugar.
Mr. Kupchak, os fãs brasileiros acreditam que Kevin Durant vai jogar no Lakers brevemente, isso é possível? Estou foi minha primeira pergunta ao gerente geral do Lakers, o homem que pensa o time e que substituiu à altura Jerry West.
— Impossível — respondeu-me ele.
Eu também sei disso. Já escrevi sobre o assunto algumas vezes neste botequim, mas fui direto na fonte para que vocês não fiquem com qualquer dúvida.
— Impossível porque nós não temos “cap” para isso, nem mesmo quando o contrato dele acabar com o Oklahoma [daqui a dois anos]. Renovamos primeiro com Andrew [Bynum], depois com Pau [Gasol] e agora com Kobe. Além disso, o Oklahoma não tem o menor interesse em se desfazer do jogador”.
Fiz minha derradeira pergunta pra encerrar a questão: e daqui a cinco anos, por exemplo, ele não poderia assinar um contrato curto com o próprio Oklahoma e depois acertar com o Lakers, que, aí sim, teria espaço no “cap”?
— Quem sabe — respondeu Mitch num tom de que nem cogita essa possibilidade, pois nem está pensando no assunto.
Rapaziada, a realidade do Lakers está longe de ser a realidade de Kevin Durant. Esqueçam isso.
CIDADE
Falei sobre a sala de imprensa com o restaurante conjugado. Mas há muito mais no Staples Center, o imenso ginásio que fica no centro de Los Angeles.
Pra vocês entenderem as entranhas do edifício, existe uma espécie de rodoanel que circunda a quadra, com quatro saídas para o palco do espetáculo. Este rodoanel não é aparente. Fica escondido do público e das câmeras.
Mas eu convido vocês a darem um passeio comigo pelo ginásio, construído em 1999.
O piso é de cimento queimado, mas com uma camada de verniz que reluz esplendorosamente. As paredes têm os blocos da construção aparente, mas são pintadas em branco e são limpíssimas.
Saindo da sala de imprensa, virando à esquerda, vê-se a primeira das entradas em direção à quadra. Logo a seguir, há centenas de cadeiras adicionais empilhadas e que são usadas em shows ou eventos, como convenções de empresas ou partido político.
Avista-se também quatro traves de hóquei, pois o ginásio é igualmente usado pelo Los Angeles Kings. Ao lado, pequenos tratores que são usados no transporte de suprimentos.
Há seis vestiários dentro do ginásio. O primeiro que aparece é o do Lakers. Logo a seguir surge o do Clippers e do Kings. Mais para frente vem os aposentos dos visitantes, das Laker Girls e do trio de arbitragem.
Anda-se um pouco mais e aparece uma imensa lavanderia colada a um grande depósito onde há materiais de limpeza e alimentos, como se fosse um mercadinho de bairro.
Alguns passos são dados e vem o reservado VIP, bem grande, onde há um lounge e uma sala destinada a fumantes.
Na sequência aparecem o “electrical room”, o “telephone room” e o “uniform room”, onde ficam guardadas as vestimentas dos funcionários do Staples. Por falar nisso, cerca de mil pessoas trabalham no local.
Bem no final, avista-se o estacionamento onde os jogadores e personalidades deixam seus carros. Neste domingo, por exemplo, a atriz Teri Hatcher, uma das donas de casa desesperadas e ex-namorada do Super-Homem (o do gibi, não Dwight Howard), estacionou lá o seu veículo. Quando o jogo acabou, ao sair do elevador e pegar o corredor para ir aos vestiários, eu topei com Teri. Encantadora e bem miudinha.
O Staples, ao contrário, é encantador e gigantesco.
RODADA
O outro jogo deste domingo que eu vi (este pela TV) foi o último da noite. Ele contou-me a vitória do Portland diante do Phoenix, em pleno Arizona.
O que pude ver pelo monitor foi o técnico Alvin Gentry cometer uma injustiça com Leandrinho Barbosa. Retirou-o de quadra com o brasuca tendo computado 13 pontos e 100% de aproveitamento nos arremessos. Isso em sete minutos.
Sabem qual foi a desculpa esfarrapada? Que André Miller, o armador do Blazers, caía no pivô quando atacava e Leandrinho não estava conseguindo marcá-lo. Que seja, mas sacrificar um artilheiro por conta disso parece-me bem pouco inteligente. Muda-se a defesa e pronto.
Infelizmente, Leandrinho não é titular e nem a estrela do time. Se fosse, Gentry teria feito isso. Não fez, o paulistano foi para o banco e quando voltou mostrou-se descalibrado, pois perdeu o ritmo.
Mas quem perdeu mesmo com isso foi o Phoenix, que deixou de utilizar uma arma poderosa. Bobagem que custou caro: o Portland venceu por 105-100 e tornou-se o único visitante a ganhar fora de casa nesta primeira rodada dos playoffs.
Os outros resultados deste domingo foram: Orlando 98-89 Charlotte e Dallas 100-94 San Antonio.
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Autor: Fábio Sormani Tags: Kevin Durant, Kobe Byrant, Leandrinho Barbosa, Mitch Kupchak







