Kareem Abdul-Jabbar | Fábio Sormani

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terça-feira, 11 de setembro de 2012 NBA | 11:54

SLAM ELEGE OS 500 MAIORES JOGADORES DE TODOS OS TEMPOS NA NBA. ADIVINHA QUEM FICOU EM PRIMEIRO?

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A “SLAM”, uma espécie de bíblia do basquete dos EUA, acabou de postar um ranking com os 500 maiores jogadores da história da NBA. Clique aqui e veja o ranking completo.

O magazine levou em consideração jogadores que tenham atuado ao menos cinco anos na NBA. Levou em conta média de pontos, assistências, rebotes, desarmes, tocos, minutos jogados, percentual de acerto dos arremessos no geral, de três, de lances livres e o que eles batizaram de “win share” (percentual de vitórias obtidas por partidas disputadas) e “win share/48” (percentual de vitórias obtidas por minutos jogados). Os dados são do site Basketball Reference.

Adianto os dez primeiros:

1º Michael Jordan
2º Wilt Chamberlain
3º Bill Russell
4º Shaquille O’Neal
5º Oscar Robertson
6º Magic Johnson
7º Kareem Abdul-Jabbar
8º Tim Duncan
9º Larry Bird
10º Kobe Bryant

Aguardo ansiosamente pelas mensagens.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012 NBA | 20:31

EM NOITE DE LUA AZUL, LAKERS ANUNCIA RETIRADA DOS NÚMEROS DE SHAQ E JAMAAL DE SEU FARDAMENTO

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Alguns frequentadores deste botequim têm reclamado do cardápio. Estão cansados de virado à paulista; pedem dobradinha ou tutu à mineira. Ou seja: estão cansados de ler nesse blog menções e mais menções sobre o Lakers.

Acontece que eu, torcedor do Chicago, navego pela internet e em dias áridos como os atuais não encontro nada de proveitoso. Quando ele aparece, é do Lakers! Então, freguesia que eu tanto prezo, não há o que fazer: vamos de Lakers novamente nesta sexta-feira.

HOMENAGENS

Salerme me alertou logo pela manhã: o Lakers vai levantar a camisa de Shaquille O’Neal. Fui navegar e vejo que a de Jamaal Wilkes também. Ou seja: daqui para frente, ninguém mais poderá usar as regatas 34 e 52 dos amarelinhos. Foram eternizadas.

Bem, apresentar Shaq não é necessário. Apenas a molecada do fraldário não sabe quem é Shaq, mas como ela ainda não sabe ler, não preciso me preocupar com isso.

Mas de Jamaal (foto) há necessidade. Muitos não sabem de quem se trata. Nem mesmo se ele é branco ou negro (ou afro-americano, como os do norte da América gostam de dizer por conta do politicamente correto).

Jamaal é negro e hoje está com 59 anos. Jogava como ala. Em sua época, o seu 1,98m de altura era suficiente para jogar de ala. Hoje em dia, nem pensar. Foi recrutado pelo Golden State, ele que fez o “college” em UCLA e jogou ao lado de Bill Walton, onde conquistou dois títulos da NCAA (1972-73). Ficou três temporadas no GSW, tendo conquistado o troféu de “Rookie of the Year”. Depois foi para o Lakers. Assinou com os amarelinhos por conta de ser “free agent” (filme conhecido…).

Wilkes ganhou três títulos com a jersey do Lakers: 1980, 82 e 85.

No título de 80, a história que todos sabemos na ponta da língua fica por conta da atuação extraordinária de Magic Johnson, que substituiu Kareem Abdul-Jabbar como pivô no último jogo da série contra o Philadelphia, jogou 47 dos 48 minutos, anotou 42 pontos, pegou 15 rebotes e deu sete assistências, levando o Lakers ao título; título que não vinha desde 1972.

“Fiz muita coisa, mas não joguei sozinho”, disse Magic em seu livro “Minha Vida” sobre a partida derradeira vencida por 123-107. “Quase ninguém notou que Jamaal Wilkes terminou com 37 pontos, o máximo que já marcou desde a escola secundária, dez a mais do que Dr. J”.

Jamaal, como diz a “NBA Enciclopedia”, foi o “alicerce” para que Magic pudesse ter feito o que fez, e sua atuação “acabou sendo negligenciada por conta do desempenho espetacular de Johnson”.

Jamaal não era musculoso. Não era daqueles negros jogadores de basquete tipo LeBron James, onde a gente olha e se espanta com a montanha de músculos. Jamaal era magrinho, parecia Neymar. E como Neymar, aproveitava-se dessa elasticidade para deixar para trás seus oponentes. Isso rendeu-lhe o apelido de “Silk”; em português, “Seda”. Sim, seda, aquele tecido leve, brilhante, macio, suave, oriundo do casulo do bicho-da-seda, que não há cristão que não se emocione ao tocá-lo. Jamaal era como uma seda. Era assim como Neymar, rápido, ditava o ritmo de jogo do Lakers nos contragolpes, tendo através deles anotado grande parte de seus pontos (“showtime”!) em passes que acabavam em suas mãos vindos das mãos mágicas de Magic.

Wilkes encerrou a carreira com 14.644 pontos; média de 17,7 por partida e aproveitamento de 49,9% de seus arremessos. Nos três títulos conquistados pelo Lakers, acabou sempre como segundo maior cestinha do time.

HOF

Neste setembro Jamaal Wilkes entra para o “Hall of Fame” do basquete em Springfield, Massachusetts. Wilkes deixou o Lakers em 1985. Fica a pergunta: por que demoraram tanto para aposentar sua camisa 52?

QUESTÃO

Estou aqui, cá com os meus botões, nesta noite de sexta-feira de lua cheia, de lua azul se vocês não sabem. E se não sabem eu conto: o fenômeno batizado de lua azul (que de azul não tem nada) ocorre a cada dois, três anos, que consiste vermos a lua cheia duas vezes num mesmo mês. No primeiro dia deste agosto, foi noite de lua cheia; hoje, último dia, é também noite de lua cheia. Portanto, olhos para o céu. Aqui na Grande São Paulo é dia de noite estrelada. Céu que se parece um brigadeiro. Fui há pouco dar uma espiada pra cima e lá estava a lua, magnífica, opulenta, soberba, iluminando a tudo e a todos.

Mas, voltando à vaca fria, estou eu aqui, cá com meus botões, perguntando-me o seguinte: numa semana onde o Lakers resolveu edificar uma estátua para Kareem Abdul-Jabbar em frente ao Staples Center (Magic Johnson já tem a sua) e aposentar as camisas de Shaquille O’Neal e Jamaal Wilkes, o que Kobe Bryant vai querer da franquia quando se aposentar?

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , ,

quarta-feira, 29 de agosto de 2012 NBA | 23:37

PESQUISA INDICA MAGIC JOHNSON COMO O MAIOR JOGADOR DA HISTÓRIA DO LAKERS

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Pra vocês terem uma ideia da grandeza de Magic Johnson, o site RealGM postou uma enquete perguntando quem foi o maior jogador da história do Lakers. Nela aparecem os nomes de Magic, Kobe Bryant, Kareem Abdul-Jabbar, Jerry West, Shaquille O’Neal e Elgin Baylor.

O resultado, até este momento, mostra o seguinte:

1º Magic: 41,0%
2º Kobe: 36,4%
3º Kareem: 14,1%
4º Shaq: 4,2%
5º West: 3,6%
6º Baylor: 0,6%

Como todos sabemos, a maioria dos eleitores que acessa a internet é formada de gente que pouco ou nada viu do basquete esplendoroso de Magic Johnson. Mas a grandeza de seu jogo, a sua exuberância em quadra e o seu carisma diante de todos, tudo isso faz sua imagem transcender.

E olha que seu contendor é ninguém menos do que Kobe Bryant. Um jogador que tem uma identificação incrível com a franquia, uma identificação que Magic sempre teve, diga-se. Kobe é a cara do Lakers neste século. É queridíssimo pelos torcedores. É tão querido e idolatrado que muitos cometem o despautério de compará-lo a Michael Jordan; e outro tanto a heresia de dizer que ele é superior a MJ.

Pois bem, é desse jogador que Magic Johnson está levando vantagem. Esta vantagem deveria maior se a velha guarda pudesse pegar um computador e votar. A velha guarda não é muito chegada em computador, vocês bem sabem. E agora, com a tendência de se recuperar as velhas máquinas de escrever, aí é que a velha guarda não vai mesmo colocar as mãos no computador.

Então, volto a dizer: se o pessoal da antiga participasse mais ativamente desta enquete, a vantagem de Magic seria muito maior. E ele não seria ameaçado de jeito nenhum em sua hegemonia como o melhor jogador desde sempre da história do Lakers.

Não sei como vai terminar essa pesquisa. Espero que Kobe não o ultrapasse, pois vi os dois em ação e sei do que falo. Mas se isso acontecer, não será surpresa alguma, pois, como disse acima, é a molecada que vota, gente que viu pouco do basquete e acha que a história do Lakers se limita a Kobe Bryant, que merece todo o respeito pelo que tem feito pela franquia, mas que, até este momento, não pode nem sequer pensar em ser comparado a Magic Johnson.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012 NBA | 02:26

COM ATRASO DE UM ANO, MIAMI É O CAMPEÃO DA NBA

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Miami é o campeão da NBA. O título veio com um ano de atraso, mas veio. O Heat era para ter sido campeão na temporada passada. Perdeu para o Dallas por N motivos que não vale mais a pena a gente ficar debatendo.

A tunda aplicada em cima do Oklahoma City por 121-106 confirmou que o time do sul da Flórida é de fato o melhor da NBA neste momento. Fechou a série em 4-1; poderia ter varrido o OKC se não tivesse bobeado no primeiro jogo. Rajon Rondo postou em seu Twitter: “A verdadeira final foi entre Miami e Boston”. Concordo com ele. O Thunder não foi páreo para o Heat.

Quando esse time foi montado, no verão de 2010, fui um dos poucos (senão o único) que apostou que ele ganharia não apenas um, mas alguns campeonatos. Falei em três, talvez quatro. Muitos rebateram minhas previsões. Disseram que o time não tinha um técnico, que faltava um armador, que não havia pivôs e que a fogueira das vaidades iria arder até o final do contrato de LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh e, consequentemente, iria consumir a todos.

Rebati dizendo que com um time desses, com LBJ, D-Wade e CB1, não era preciso ter exatamente um Phil Jackson para conduzi-lo, que os jogadores, em quadra, resolveriam a parada. Claro que não foi bem assim, pois o trabalho de Erik Spoelstra, o tempo mostrou, é muito bom. Eu mesmo cheguei a duvidar, nesta temporada, acho que na série contra o Boston, da capacidade de Spo, mas o tempo mostrou que a minha primeira impressão era a correta. Muitos criticam o Miami por conta do “isolation” e da falta de “screens” e “pick’n’roll”.  De fato, o Heat não joga do jeito que muitos gostariam. O Heat faz a bola correr de mão em mão no ataque, mas ela sempre acaba nas mãos de quem está bem posicionado para o arremesso. De fato, alguns “picks” seriam importantes para facilitar a vida de LBJ e D-Wade. Quem sabe na próxima temporada?

Quanto a falta de armadores e pivôs, disse que apenas a seleção dos EUA era perfeita de cabo a rabo. Afirmei que D-Wade e principalmente LeBron James dariam conta de armar o jogo e que Mario Chalmers seria de grande valia. Foi a partir de então que eu comecei a defender a tese de que o futuro do basquete não teria lugar para armadores de ofício. O mesmo vale para os pivôs. Lembrei que CB1 seria o dono do garrafão do Miami e que Udonis Haslem lá estava para ajudar e muito. E que mais um grandalhão resolveria a parada.

Sobre a fogueira das vaidades, isso jamais ocorreu. A química, principalmente, entre LBJ e D-Wade sempre foi perfeita. Nunca houve um senão entre eles. Eles convivem como se fossem irmãos. E o discurso de Wade, depois do jogo, no pódio, confirma tudo isso: ele admitiu, uma vez mais, ter aberto mão do status de líder e dono do time, em favor de LeBron, para ganhar outro anel. Simples, sem vaidade alguma, reconhecendo que LBJ é mesmo o cara.

E CB1, o menos brilhante dos Três Magníficos, sempre foi um apoio para os dois. E em muitas situações segurou a onda, especialmente quando LBJ e D-Wade estavam mal.

Hoje, um ano mais velho, um ano mais experiente, com seus ferimentos cicatrizados, o Miami foi conduzido ao topo do pódio. E conduzido por LeBron James, que finalmente ganhou seu primeiro campeonato, depois de ter batido na trave em duas oportunidades, uma delas com o Cleveland. Com seu troféu de MVP das finais na mão, perguntado por Stuart Scott, da ESPN, qual a diferença entre o LeBron do ano passado para o LeBron deste ano, ele foi claro como a água: “Ano passado eu jogava com ódio, tentando provar uma série de coisas para as pessoas. Mas eu percebi que não tenho que provar nada a ninguém. Passei a jogar com amor”.

LBJ de fato sobrou neste campeonato como um todo. Se na fase de classificação Kevin Durant rivalizou com ele, nestas finais não teve pra ninguém. E mostrou na quadra, jogando, ou melhor, calou na quadra, jogando, seus críticos que insistiam que ele sofria de “bloqueio mental” nos finais das partidas. E sofria mesmo. Curou-se; hoje isso é passado. Curou-se; jogando e não vociferando. LBJ Anotou seu oitavo “triple-double” em playoffs, o primeiro nesta temporada, diga-se, ao cravar 26 pontos, 13 assistências e 11 rebotes. Iguala-se a Tim Duncan, James Worthy Larry Bird e Magic Johnson (duas vezes) que anotaram TD no último jogo das finais.

E tem mais: LBJ tornou-se também o terceiro jogador na história da NBA a liderar o time campão no “NBA Finals” em pontos, rebotes e assistências. Juntou-se a Tim Duncan e Magic Johnson.

Tornou-se também o décimo jogador na história da NBA a ganhar o MVP durante a fase de classificação e nas finais. Está agora ao lado de Tim Duncan, Shaquille O’Neal, Hakeem Olajuwon, Magic Johnson, Moses Malone, Kareem Abdul-Jabbar, Willis Reed, Larry Bird (duas vezes) e Michael Jordan (quatro vezes).

Digo uma vez mais: se o futuro vier do jeito que o presente se mostra, LBJ entrará para o rol dos maiores jogadores de todos os tempos da NBA. Digo uma vez mais: coloco-o no meu quinteto favorito na vaga de Larry Bird, ao lado de Magic Johnson, Michael Jordan, Bill Russell e Wilt Chamberlain.

LBJ joga muito. Domina todos os fundamentos do basquete. Por isso mesmo, pode jogar em todas as posições. É forte como um touro; sua saúde é de ferro. Vai ser dominante por alguns anos. Quando a idade começar a cobrar tributos, vamos ver como ele vai se renovar, como ele vai reconstruir seu jogo. Vamos ver se ele será capaz de se reinventar, como Michael Jordan e Kobe Bryant fizeram.

Quanto ao jogo, ele foi na verdade uma clínica. Se você preferir, uma aula de basquete. O Miami dominou o OKC de cabo a rabo. Além de LeBron, há que se destacar os 20 pontos e oito rebotes de D-Wade; os 24 pontos e 11 ressaltos (quatro de ataque) de CB1; os 11 pontos de Shane Battier e os dez de Mario Chalmers, que deu ainda sete assistências. Mas o cara que ajudou a fazer a diferença foi Mike Miller. Vindo do banco, anotou 23 pontos e acertou sete de seus oito tiros de três.

Finalmente, não há como não mencionar Pat Riley. Presidente da franquia, ele foi o mentor desse time e o homem que apostou em Erik Spoelstra. Sofreu um bocado no ano passado quando o Heat perdeu para o Dallas. Teve que ouvir um monte. Que montou mal o time e que apostou no técnico errado. Esta era a questão que mais o incomodava: Spo. O tempo mostrou que ele estava certo. Spo fez um grande trabalho. Liderar um time com três estrelas não é fácil. Ele sofreu no primeiro ano. Amadureceu no segundo e tornou-se melhor. E mais: segundo quem o circunda, Spo está sempre aberto a aprender. E tem que ser assim mesmo, pois tem apenas 42 anos. Phil Jackson ganhou seu primeiro campeonato aos 46 anos.

Veio com um ano de atraso, mas veio. O Miami é o legítimo campeão da NBA. O futuro promete ser promissor. Se ele vai ganhar mais dois ou três campeonatos, como previ, realmente não dá para saber. Até porque do outro lado surgiu um time que quando eu fiz a previsão dos títulos do Heat, esse time ainda não existia. Falo, obviamente, do Oklahoma City Thunder.

FUTURO

O futuro, já disse aqui, tende a colocar esses dois times frente a frente em outras finais. O OKC pagou pela inexperiência. Aliás, o time da terra dos tornados vem dando um passo de cada vez, como nos ensinou Michael Jordan em seu livro “Nunca Deixe de Tentar” (Editora Sextante, traduzido para o português).

Em 2010, em seu primeiro playoff, perdeu na primeira rodada para o Lakers. Ano passado, perdeu a final do Oeste para o Dallas. Este ano, perdeu a final para o Miami. Ano que vem, quem sabe, possa ganhar o título? Não tem ninguém com contrato encerrando. Portanto, o grupo será o mesmo para a próxima temporada. O mesmo, mas mais velho e mais experiente.

E virá com a faca nos dentes, com sangue nos olhos, tentando conquistar o que não conseguiu: o título de campeão.

A entrada dos jogadores no vestiário foi comovente. Kevin Durant, assim que pegou o corredor rumo aos aposentos do time, apareceu com lágrimas nos olhos. Quando viu a mãe e o irmão, abraçou-os e chorou feito criança. Kendrick Perkins, um título de campeão em 2008 com o Boston, veio logo atrás, chorando também. Idem para Serge Ibaka.

Ano passado, foram Chris Bosh, LeBron James e Dwyane Wade que choraram. Hoje eles sorriem. Amanhã, quem sabe, o riso possa ser ouvido no vestiário do OKC.

ESCLARECIMENTO

Depois do jogo, no ótimo debate que a ESPN promove, Jon Barry afirmou que não importa quantos anéis LeBron James venha conquistar, talvez fique nesse apenas, ele disse, para completar: eu o coloco no mesmo nível dos grandes jogadores, no mesmo nível de Michael Jordan.

A seu lado, Magic Johnson quase caiu da cadeira. Falou algo que os demais riram e eu não consegui entender (alguém entendeu?). E completou: “Nós vimos Michael Jordan dominar seis finais, três vezes seguidas em duas oportunidades. LeBron James não está no mesmo território de Michael Jordan. Kevin Durant também não. Nem mesmo Kobe Bryant está no nível de Michael Jordan”.

Desculpem-me os torcedores do Miami. Sei que a festa é de vocês. Mas este final era necessário.

FESTA

Dá-lhe Miami!

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sábado, 12 de maio de 2012 NBA | 17:02

LEBRON JAMES FOI MESMO O MVP DESTA TEMPORADA?

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LeBron James foi eleito o MVP da temporada regular da NBA (foto Getty Images). Bem, pra começo de conversa, quero deixar clara a minha opinião: o MVP que conta é o das finais. Esse da fase de classificação é importante até a página nove. Sim, pois se o cara brilha na “regular season” e depois murcha nos playoffs, é claro que ele não pode ser considerado o melhor jogador da temporada. O melhor da temporada é aquele que brilha quando separa-se os homens dos meninos.

Mas, de todo o modo, é um prêmio aguardado. E a pergunta que vocês querem que eu responda é: foi justo ou não?

Bem, antes de mais nada, quero deixar claro também o que penso sobre LeBron James. Pra mim, LBJ é o jogador que tem tudo para figurar no quinteto dos maiores de todos os tempos da NBA, ocupando a vaga que no meu time é de Larry Bird. Meu quinteto desde sempre (os que me acompanham sabem) é formado por Magic Johnson, Michael Jordan, Larry Bird, Bill Russell e Wilt Chamberlain. Mas LBJ, repito, pode entrar nesse time na vaga de Bird.

King James é um jogador completo tecnicamente falando. É o único desta geração que pode jogar em todas as posições. E joga não para quebrar o galho. Joga com qualidade e naturalidade. Já disse outras vezes e repito: a seu modo, LeBron é como Magic Johnson. Magic, assim como LeBron, jogava em todas as posições.

A história de Earvin no último jogo da final disputada no primeiro ano de sua carreira — isso mesmo, como “rookie” — é inesquecível e uma das páginas mais lindas da história do basquete mundial. Vale a pena relembrarmos.

Era o ano da graça de 1980. Kareem Abdul-Jabbar tinha sido eleito o MVP da temporada regular e era a figura central do Lakers. Tinha sido rejuvenescido pela chegada de Magic Johnson a Los Angeles. Kareem havia conquistado o título de campeão com o Milwaukee ao lado de Oscar Robertson na temporada 1970-71, quando o Bucks bateu na final o Baltimore Bullets (atual Washington Wizards) por 4-0. Kareem foi eleito o MVP das finais. Três anos depois, voltou novamente à decisão da NBA. A final diante do Boston foi no pau, decidida apenas no último jogo. E o Celtics sagrou-se campeão ao vencer o jogo derradeiro por 102-87. Foi o último campeonato de Big O, que se aposentaria ao final daquela temporada, entristecido pela perda do título, é claro. Kareem tornou-se estrela solitária na franquia de Wisconsin, que na ocasião jogava pela Conferência Oeste. Não aguentou o tranco. Jogou apenas mais um campeonato com o Bucks e foi para Los Angeles para trajar-se com a camisa 33 do Lakers. Foram mais três anos de seca; nem em final da liga Kareem conseguiu levar o Lakers.

Foi então que Earvin Johnson Jr chegou a Los Angeles.

O Lakers fez a segunda melhor campanha daquela temporada com um recorde de 60-22, atrás apenas do Boston, que marcou 61-21. Por conta de ter sido o melhor do Oeste, o Lakers já entrou direto nas semifinais da conferência (era assim que funcionava naquela época). Pegou o Phoenix e venceu o confronto por 4-1. Na final do Oeste, bateu o Seattle (atual Oklahoma City) pelo mesmo marcador. Do outro lado, o Philadelphia de Dr J, Darryl Dawkins, Mo Cheeks (auxiliar de Scott Brooks no OKC) e Lionel Hollins (técnico do Memphis) dobrou o Boston do também novato Larry Bird, Cedric Maxwell, David Cowens, Nate Archibald e do já veterano Pete Maravich por 4-1. Com isso, foi à final da NBA.

No primeiro jogo do “NBA Finals”, em LA, o Lakers fez 109-102. Kareem anotou 33 pontos. No segundo, também na Califórnia, o Sixers venceu: 107-104. Kareem cravou 38 insuficientes pontos. A série mudou-se então para a Pensilvânia e no primeiro jogo em terra estranha o Lakers recuperou o mando de quadra a bater o Phillies por 111-101. Kareem fez 33 pontos. Veio o jogo cinco e o Sixers empatou o confronto em 2-2 ao bater o Lakers por 105-102. Kareem estabeleceu 23 pontos e foi superado por Magic, com 28. O confronto voltou para a Califórnia e no jogo cinco o Lakers pulou à frente em 3-2 vencendo a contenda no inesquecível Forum de Inglewood por 108-103. Kareem marcou nada menos do que 40 pontos e acumulava média de 33,4 pontos por jogo nas finais.

Aconteceu, então, o que ninguém esperava: Kareem torceu o tornozelo durante a partida. Saiu de quadra por alguns minutos, mas voltou no último quarto, quando marcou 14 pontos. O preço disso tudo, todavia, foi cobrado no dia seguinte, quando o pivô do Lakers apresentou-se com o tornozelo do tamanho de uma bola de basquete. A sexta partida da série seria realizada dois dias depois na casa do adversário, uma sexta-feira à noite. Kareem ficou em Los Angeles e não viajou com o time. Não tinha a menor condição de colocar o pé no chão; quanto mais de jogar.

“Estávamos prestes a embarcar no voo para a Filadélfia quando fomos informados que Cap (como Kareem era chamado pelos companheiros) não viajaria”, contou Magic em seu livro “Minha Vida”. Paul Westhead, técnico do Lakers, chamou Earvin de lado, no aeroporto internacional de Los Angeles, e disse ao seu novato armador: “Vamos precisar de um pivô”. E Magic, sem titubear, disse ao treinador: “Não tem problema, joguei de pivô na universidade”. Westhead não tinha procurado Magic para dizer a ele que ele tinha que jogar de pivô. Westhead queria era dividir sua preocupação com Magic, que embora novato já era um líder do time e já dava mostras de seu alto QI de basquete. Mas Magic, sem vacilar, respondeu que jogaria de pivô.

Ao entrar no avião, Magic sentou-se na poltrona que era reservada para Kareem. A primeira do lado esquerdo da aeronave. Ela tinha mais espaço para que as longas pernas de Kareem não sofressem tanto. De repente, Magic levantou-se, virou-se para os apreensivos companheiros, que estavam mais atrás e disse: “Não tenham medo. E.J. está aqui”. Todos riram.

No dia seguinte, à noite, na quadra do Spectrum, os companheiros de Magic tiveram que engolir a risada debochada. Magic Johnson realizou talvez sua maior partida como jogador profissional na NBA. Com seus 42 pontos, 15 rebotes e sete assistências, conduziu o Lakers ao título na vitória de 123-107, calando o ginásio da Filadélfia.

Magic era assim. Jogava de amador, fazia um armador que arremessava, atuava de ala quando preciso, de ala de força (encerrou sua carreira no Lakers jogando nesta posição na temporada 1995-96) e até de pivô, como vimos.

Contei essa inesquecível e maravilhosa história uma vez mais pra dizer que LeBron James pode fazer isso que Magic fez. LBJ já atuou em todas as posições com a camisa do Cleveland e do Miami. Mas falta a LeBron exatamente uma partida como essa que Magic fez contra o Philadelphia na final de 1980. Ele ainda não o fez não porque não tenha condições técnicas e físicas para isso. King James ainda não fez uma partida dessas porque falta-lhe preparo mental. Depois de encolher-se em várias oportunidades nesta temporada em momentos decisivos de algumas partidas, LBJ começou a mudar o curso dessa história. De uns tempos até esta parte, o camisa 6 do Miami não tem se curvado ao peso da decisão, não tem se curvado à pressão que naturalmente recai sobre os grandes jogadores. Mas, como disse, em muitos momentos desta temporada ele “pipocou” nos finais de partidas e foi até alvo de caçoadas por parte de alguns jornalistas, muitos deles ex-jogadores, diga-se.

Kevin Durant jamais pipocou. Tony Parker também. Durant capitaneou o Oklahoma City a uma grande campanha. No final é que o time não suportou a correria do San Antonio e acabou cedendo seu primeiro posto ao time de Parker.

O francês fez uma temporada exemplar. Esqueçam os números. Nem vou dizer que ele teve médias de 18,3 pontos e 7,7 assistências. Nem vale a pena mencionar que o Parker ficou em quadra 32 minutos comandando o time enquanto Tim Duncan e Manu Ginobili descansavam a maior parte do tempo por causa da idade avançada. Nem vou dizer que ele chefiou uma trupe de garotos e deu-lhes confiança e experiência. E nem vou dizer que em muitos jogos decisivos, foi ele, e não Timmy e nem Manu, que levou a equipes às vitórias. Tony Parker jogou muito e em momento algum murchou ou fraquejou.

KD terminou sua terceira temporada como cestinha da NBA. Desta feita com exatos 28 pontos de média. Deu a impressão de que iria perder a disputa para Kobe Bryant. Mas não perdeu. Ao contrário de Parker, KD não tem um elenco de apoio onde se possam ler os nomes de Duncan e Ginobili. Seu elenco de apoio é mesmo um elenco de apoio, constituído por dois nomes que saltam aos olhos: Russell Westbrook e James Harden. Mas no OKC, quem dá as ordens é Durant. No OKC, quem tem sempre a missão de separar homens de meninos é exatamente KD. Seu fardo é muito mais pesado que o de Parker, que tem a comandá-lo um homem exigente e experiente, que moldou um time que pode entrar para a história da NBA sendo uma espécie de divisor de águas (e sobre isso eu falo mais pra frente). Gregg Popovich é muito mais técnico do que Scott Brooks, que está completando apenas sua quarta temporada. A expertise de Popovich, Brooks não tem. Por isso mesmo, muitas vezes é KD quem ajuda a resolver os problemas. Prato pronto no OKC não existe.

Por tudo isso, muito dividido entre Durant e Parker, eu acabei me decidindo por Kevin Durant. Pra mim ele foi o melhor jogador desta temporada regular. Parker foi o segundo melhor jogador. LeBron James? O terceiro. Ótima posição. Bronze para LBJ, mas ouro, de jeito nenhum.

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domingo, 11 de setembro de 2011 NBA, Seleção Brasileira, basquete brasileiro | 00:38

EU CONVOCARIA OS MELHORES PARA OS JOGOS DE LONDRES

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Bem, depois de soltar o grito contido por conta de uma espera de 16 anos, vamos ao assunto que movimenta a opinião da comunidade basqueteira: convoca-se Nenê Hilário, Leandrinho Barbosa e Anderson Varejão ou não?

Pra começo de conversa: Varejão não pode estar nesse rol. Ele não foi a Mar del Plata porque está com uma séria lesão no tendão de Aquiles do pé direito. Chegou, inclusive, a se apresentar. Portanto, Varejão não pode entrar nessa discussão.

Leandrinho deu uma desculpa bem esfarrapada horas antes de Rubén Magnano, nosso treinador, apresentar o grupo que iria para o Pré-Olímpico, grupo do qual ele, Leandrinho, fazia parte. Mandou um e-mail dizendo que não iria se apresentar por problemas particulares. Depois, disse que estava com uma lesão na munheca direita e pra evitar uma cirurgia ele teria que descansar.

A pergunta que ficou foi: por que não avisou antes, como fez Nenê?

O caso de Nenê, os que acompanham basquete sabem muito bem qual é: seu primeiro filho nasceu e ele preferiu acompanhar o parto e estar ao lado da mulher. Dias depois de Magnano ter anunciado a lista de convocação, ele pediu dispensa.

O que eu faria? Bem, os que me acompanham neste botequim sabem a minha opinião: ele chamaria os melhores. O Brasil tem que ir com o que tem de melhor, pois com o que tem de melhor ele pode brigar por medalha. Sem os melhores, vamos disputar as últimas colocações do torneio olímpico londrino.

Mas eu conversaria com o grupo. Chamaria os líderes, os dois Marcelinhos, Alex, Giovannoni e Splitter e perguntaria a eles: o que vocês acham?

E eu acho que é isso o que Magnano vai fazer. “O que vocês acham”, perguntará o argentino aos nossos líderes.

Se eles responderem: “Coach, esquece esses caras (Leandrinho e Nenê), pois, se eles aparecerem aqui, o grupo racha”.

Se essa for a resposta, não há o que fazer. Eu, se fosse o treinador, não chamaria. A unidade do grupo tem que estar em primeiro lugar. Grupo rachado não chega a nenhum lugar. E tenho certeza que Magnano pensa da mesma maneira.

Mas Magnano é um cara competitivo. Ele não aceitou esse desafio de tirar o basquete brasileiro do ostracismo apenas para levá-lo aos Jogos Olímpicos de Londres. Ele aceitou esse desafio querendo muito mais do que isso.

Magnano quer medalha, tenha certeza disso. Ele é competitivo. E todo ser competitivo não se contenta com pouco. E ele sabe que se o Brasil estiver completo em Londres pode brigar por medalha.

Creio que se Magnano ouvir do grupo: “Coach, esquece esses caras, pois, se eles aparecerem aqui, o grupo racha”, ele vai trabalhar a cabeça de todos no sentido de mostrar que o esforço para se conseguir uma medalha olímpica tem que sobrepor a qualquer sentimento, especialmente sentimentos rancorosos.

Volto a lembrar a pergunta que fiz a Kareem Abdul-Jabbar em 1994, quando ele esteve aqui no Brasil: Kareem, como está Magic? E ele respondeu: “Não faço a menor ideia, pois não sou amigo dele; apenas jogava com ele”.

É por aí. O fato de Kareem não ser amigo de Magic não quebrou a unidade do Lakers.

Uma medalha olímpica não tem preço. Vale qualquer sacrifício, até mesmo trabalhar durante alguns meses com quem você não se afina. O que precisa é ser profissional. Apenas isso. Não precisa sentar-se à mesa de quem você não tem afinidade. Mas quando o trabalho começa, todos têm que estar unidos, juntos, unidos pelo mesmo objetivo.

E eu acho que isso Magnano tentará mostrar ao grupo caso eles digam que não querem trabalhar com Nenê e Leandrinho.

Outra questão que se coloca é ser injusto com quem conquistou esta vaga olímpica.

A gente bem sabe que Magnano não contou com o grupo todo neste Pré-Olímpico. Alguns poucos jogadores não tinham condições de estar na seleção. Lá estavam por conta da ausência de Nenê, Leandrinho e Varejão e da naturalização de Larry Taylor, que não saiu.

Aliás, Magnano pediu a naturalização de Taylor porque sabia (como sabe) que temos carências, especialmente na armação das jogadas.

Vejam o caso do Rafael Luz. Tem apenas 19 anos. Neste sábado, contra os dominicanos, ele nem entrou em quadra. É sinal claro que não dá para contar com ele. Com o passar do tempo, Rafael amadurece e estará pronto para nos servir nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Ele é jovem e tem um longo caminho pela frente.

Nezinho dos Santos foi outro jogador que Magnano não pôde contar. Tremeu o tempo todo, infelizmente. Nesta partida diante da Dominicana, também não jogou. E já tem 30 anos.

Ou seja: nossos dois armadores reservas não entraram em quadra e isso fez com que Marcelinho Huertas tivesse que jogar os 40 minutos. No basquete moderno isso é inadmissível. Ninguém pode ficar em quadra o tempo todo do jogo.

São duas vagas disponíveis.

Vamos ao Caio Torres. A gente tem que elogiar o esforço dele, as porradas que ele tomou, a garra e o coração que ele teve durante todo o torneio. Mas, claramente, é um jogador que pode ficar de fora, pois seu tempo de permanência em quadra no torneio foi de apenas sete minutos. Muito pouco.

Ou seja: nosso próprio treinador sabe que não dá para contar com ele. Caio jogou principalmente porque Tiago Splitter enrolou-se com faltas e porque foi uma decepção no torneio.

Temos, portanto, mais uma vaga disponível.

Na somatória, temos três vagas que seriam preenchidas exatamente pelos três da NBA que não foram a Mar del Plata. Isso sem falar em Larry Taylor, que pode se naturalizar a qualquer momento.

Varejão, já vimos, está machucado e não pode ser questionado. Nenê, concordo com vocês, sempre tem um problema e não aparece faz tempo para vestir a camisa brasileira. E Leandrinho, de fato, pisou na bola.

Vamos recuar no tempo e ver o que jogadores de outras seleções fizeram.

Kobe Bryant recusou convocação para a Olimpíada de Sydney, em 2000. “Há muita coisa que quero fazer neste verão (férias). Passar tempo com minha família, casar, relaxar”, disse Kobe para justificar sua ausência na Austrália.

Repetiu o gesto no Mundial de Indianápolis, em 2002, em Atenas, 2004, e no Mundial do Japão, em 2006.

No Pré-Olímpico de Las Vegas, em 2007, que também reservou duas vagas para os Jogos Olímpicos de Pequim, Manu Ginobili, Fabricio Oberto e Andres Nocioni disseram não à convocação. Falaram que iriam descansar naquele verão e que se a Argentina não conquistasse a vaga jogariam o Pré-Mundial do ano seguinte, na Grécia.

Você engole isso? Eu não engulo.

Ou seja: recusar convocação não é privilégio de brasileiros. Mas nem por isso Kobe, Ginobili, Nocioni e Oberto foram banidos das seleções de seus países.

Jogos Olímpicos são a maior competição esportiva do planeta, maior do que a Copa do Mundo de futebol. Se o Brasil tem condições de fazer bonito, por que vai fazer feio?

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 12 de agosto de 2011 Basquete europeu, NBA | 21:06

UMA NOITE QUE DEVERIA SER APENAS DE ARVYDAS SABONIS

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Logo mais à noite, 22h de Brasília, a classe de 2011 será adicionada ao Salão da Fama do Basquete (Basketball Hall of Fame). A cerimônia acontecerá em Springfield, Massachusetts, onde o basquete foi criado na YMCA local no longínquo ano de 1891.

Já visitei o local em duas oportunidades. Pra nós que gostamos de basquete é um prato cheio.

Bem, mas dizia eu, logo mais à noite a classe de 2011 será adicionada ao HOF de Springfield. Os nomes são estes:

Chris Mullin — Medalha de ouro com os EUA nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984 e Barcelona, 1992;

Dennis Rodman — Cinco vezes campeão da NBA;

Artis Gilmore — Campeão da ABA (que foi encampada pela NBA) em 1975 com o Kentucky Colonels;

Tara VanDerveer — Quatro vezes eleita melhor treinadora da NCAA;

Teresa Edwards — Quatro vezes medalha de ouro nos Jogos Olímpicos;

Herb Magee — Treinador mais vitorioso na história da NCAA;

Tom “Satch” Sanders — Oito vezes campeão da NBA com o Boston Celtics;

Tex Winter — O inventor do sistema dos triângulos, que fez a fama de Phil Jackson;

Reece “Goose” Tatum — ex-jogador do Harlem Globetrotters.

Deixei de colocar o nome de outro homenageado desta noite. A não-inclusão foi proposital, pois, na minha opinião, ele deveria o centro das atenções da cerimônia desta sexta-feira.

Mas seguramente não será, pois o evento acontecerá nos EUA e os americanos não fazem muita ideia do que Arvydas Sabonis significou para o basquete.

INÍCIO

Sabonis nasceu em Kaunas, Lituânia, no dia 9 de dezembro de 1964. Começou a carreira no Zalgiris, um dos mais famosos e populares times do país. Tinha apenas 17 anos quando entrou em quadra pela primeira vez jogando entre os adultos.

Foi tricampeão soviético com o Zalgiris. Sim, soviético, pois na época em que Sabonis nasceu, cresceu, aprendeu a jogar e desenvolveu seu basquete a Lituânia era uma das 15 repúblicas da União Soviética.

Sabonis ficou no Zalgiris até 1989, quando transferiu-se para o basquete da Espanha. Tinha sido, no entanto, recrutado pela NBA em 1985.

GUERRA FRIA

Arvydas Sabonis foi selecionado pelo Atlanta Hawks na 77ª posição, numa época que não havia o limite de duas rodadas no “NBA Draft”. O recrutamento de Sabonis, no entanto, foi invalidado, pois ele não tinha completado 21 anos e a NBA exigia isso.

No ano seguinte, mesmo tendo rompido dramaticamente o tendão de Aquiles, foi selecionado pelo Portland na 24ª posição. As autoridades soviéticas, no entanto, proibiram Sabonis ir para os EUA.

A Guerra Fria já dava sinais de arrefecimento, mas ainda vigorava. Sabonis ficou no meio deste fogo-cruzado e não pôde ir para a NBA quando mais queria.

Acabou na Espanha.

EUROPA

O primeiro time de Sabonis na Espanha foi o Valladollid. Lá ficou por três temporadas.

Transferiu-se para o Real Madrid em seguida. No time merengue, foi bicampeão espanhol e em seu derradeiro ano no time da capital espanhola tornou-se campeão europeu ao bater na final o Olympiakos da Grécia por 73 a 61.

Na decisão, Sabonis anotou 23 pontos e foi eleito o MVP das finais. Mas não foi seu único prêmio individual. Foi eleito o melhor jogador europeu em oito de suas 14 temporadas europeias antes de ir para a NBA.

Deixou a Europa aos 31 anos. Depois de cruzar o Oceano Atlântico, desembarcou nos EUA para atuar pelo Portland.

Mas não era mais aquele menino cheio de sonhos e seus dois tendões já haviam sido operados. Foram duas contusões graves. E os joelhos também o traíam.

Mesmo assim, a expectativa era grande nos EUA. Afinal de contas, além dos títulos pelo Zalgiris e Real Madrid e dos oito prêmios de melhor jogador da Europa, com a camisa da União Soviética Sabonis havia conquistado o campeonato mundial de 1982 (Colômbia), o europeu em 1985 (extinta Alemanha Oriental) e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1988 (Seul).

Além desses ouros, houve uma prata no Mundial da Espanha em 1982 e dois bronzes dos europeus disputados na França (1983) e na extinta Iugoslávia (1989).

LIMITADO

Como disse, Sabonis chegou à NBA com 31 anos. Chegou com os tendões comprometidos e os joelhos doendo demais. Segundo os que o acompanhavam, Sabonis chegou à NBA jogando apenas 30% do que jogava no auge de sua carreira na Europa.

Mesmo assim, em seu primeiro ano com o Portland, ajudou a levar a equipe aos playoffs. Na primeira rodada, o time do Oregon pegou o Utah Jazz: foi batido por 3-2 (naquela época, a primeira rodada dos playoffs era em melhor de cinco), mas mesmo derrotado, Sabonis deixou o confronto com médias de 23,6 pontos e 10,2 rebotes por partida.

Mesmo atuando apenas um terço do que podia, Sabonis impactou a NBA em seu primeiro ano. E aos 31 anos, ironicamente acabou eleito para o time dos “rookies”.

Foi motivo de piadas, claro; mas todas numa boa, zoando apenas a idade e não o jogador.

BEBIDA

Na mesma proporção em que fazia cestas, pegava rebotes e dava tocos, Sabonis bebia. E bebia feito um gambá.

Adorava vodka. E no verão, sua bebida favorita era a cerveja.

Nas ocasiões em que estive nas finais da NBA, conversando com jornalistas espanhóis, eles me contaram que Sabonis chegava para os treinos do Real Madrid carregando aquelas caixinhas de seis cervejas. Uma em cada mão.

Deixava a bebida em uma das geladeiras do vestiário. Quando o treino acabava, tomava todas. Não repartia com ninguém.

Na premiação nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, Sabonis não conseguiu subir no pódio para receber a medalha de bronze. Estava completamente bêbado.

Isso porque a partida que definiu o terceiro colocado foi antes da decisão entre o Dream Team e a Croácia. “Era muito tempo para ele esperar”, disse Donnie Nelson, filho de Don Nelson, que trabalhou como assistente técnico da Lituânia em Barcelona.

Sabonis comemorou a valer a vitória por 82-78 diante da CEI (o que restou da União Soviética). Sabonis não apenas celebrou o bronze, mas o fato de ir ido à forra diante do regime que o impediu de jogar na NBA no auge de sua forma, impediu-o de realizar seu grande sonho, numa época em que, para muitos, ele era o maior pivô do planeta.

MAIOR DE TODOS?

Certa vez, conversando com Claudio Mortari, ex-treinador da seleção brasileira e daquele timaço do Sírio que foi campeão do mundo, ele me disse: “Sabonis foi o maior pivô da história do basquete”.

Isso foi no final dos anos 1980. Patrick Ewing estava no auge; David Robinson também.

Maior do que Ewing e Robinson?, cutuquei Mortari. “Não tenha dúvida disso”, respondeu ele, convicto de que seu depoimento não o faria cair no ridículo.

“Ele jogava muito mais do que esses caras, porque eu vi, ninguém me contou; eu vi”, disse-me Marcel Souza, um dos maiores jogadores da história no nosso basquete. “Vi o Sabonis acabar com esses caras no mano-a-mano”, completou Marcel, que chegou a enfrentar Sabonis em algumas ocasiões com a camisa da seleção brasileira.

“A primeira vez que eu vi o Sabonis jogar foi no Mundial de 1982, na Colômbia”, recorda-se Marcel. “Ele tinha apenas 22 anos e era reserva do (Vladimir) Tkachenko. Não jogava muito, mas quando entrava em quadra, barbarizava”.

Oscar Schmidt também jogou contra Sabonis. Não apenas com a camisa da seleção, mas também quando estava na Europa jogando pelo Caserta e o Sabonis no Real Madrid.

“Era um craque”, definiu este outro gênio do basquete brasileiro. “Se não tivesse tido problema nos dois tendões e tivesse ido cedo para a NBA, teria sido seguramente o maior pivô de todos os tempos, maior do que (Kareem Abdul) Jabbar, (Wilt) Chamberlain, (Bill) Russell, (Patrick) Ewing, maior do que todos esses”, decretou Oscar.

Bill Walton, certa vez, definiu assim Sabonis: “É o Larry Bird com 2,21m”.

E o que ele quis dizer com isso? Que Sabonis sabia fazer de tudo em quadra: apanhar rebotes, dar tocos, enterrar, pontuar dentro do garrafão, arremessar de meia e de longa distância. Suas bolas de três pontos eram mortais.

“A saída de contra-ataque dele, depois de pegar o rebote, era uma das coisas mais lindas que eu vi como jogador de basquete”, disse-me Oscar. “O passe longo que ele dava era perfeito”.

“Ele jogava como se tivesse apenas dois metros”, definiu Marcel.

EPÍLOGO

Arvydas Sabonis, infelizmente, enfrentou problemas ao longo de sua carreira. Seus dois tendões não deram sossego ao longo de toda a sua carreira. E o regime totalitário soviético, lamentavelmente, impediu-o de chegar à NBA no melhor momento de sua carreira.

Mas quem o viu jogar não vai esquecê-lo jamais. Quem o viu jogar no auge, a maioria dessas pessoas, garante que ele foi o maior pivô da história do basquete mundial.

Eu nunca vi Sabonis ao vivo; lamento muito por isso. Em Atlanta, 1996, onde trabalhei como repórter do SporTV, não consegui ver nenhum jogo da Lituânia.

Mas não vou me esquecer jamais do único momento em que Sabonis esteve a poucos metros de mim: foi no aeroporto internacional de Atlanta, eu voltando para o Brasil e Sabonis para a Lituânia. Sabonis passou bem do meu lado, acompanhando de Sarunas Marciulionis, que era armador do Golden State Warriors e também o seu melhor amigo.

Parei de empurrar o meu carrinho com as duas malas que abrigava roupas dos mais de 30 dias em que “morei” em Atlanta. Fiquei alguns minutos olhando para Sabonis, quase que petrificado, mal podendo acreditar que estava a alguns metros desta lenda do basquete mundial.

Parece que foi ontem.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011 NBA | 20:45

MAGIC ESCOLHE KAREEM AO INVÉS DE KOBE

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Torcedores do Lakers da velha guarda não têm dúvida: Magic Johnson é o maior jogador da história da franquia.

Os torcedores atuais não têm dúvida: Kobe Bryant é o maior jogador da história da franquia.

Em entrevista ao site do jornal “LA Times”, Magic Johnson foi perguntado: se você pudesse construir um time em torno de apenas um jogador da história do Lakers, do passado ou do presente, você escolheria Kobe Bryant ou Kareem Abdul-Jabbar?

“Não tenho a menor dúvida: Kareem”, respondeu Magic. “Kareem ainda é o jogador mais dominante na história do Lakers”.

O ex-armador, aliás, se derrete em elogios quando o assunto é Kareem. “Sou abençoado por ter jogado ao lado dele”, prosseguiu Magic. “Kareem elevou nosso jogo a outro nível. Quando você fala dos grandes pivôs, você tem que se lembrar de (Bill) Russell, mas Kareem está no mesmo patamar. Ninguém na história desse jogo teve um arremesso tão dominante e um gancho como o dele”.

E finalizou: “Provavelmente, ele foi um dos jogadores mais inteligentes da história desse jogo; por isso, eu escolheria Kareem”.

TIETE

Como disse acima, antes de Magic ser companheiro de Kareem ele era tiete de Kareem. “Entre todas as coisas emocionantes que me aconteceram quando ingressei no Lakers, pensar em mim mesmo como companheiro de time de Kareem Abdul-Jabbar foi a mais espantosa”, escreveu Magic em seu livro “Minha Vida” (Editora Ediouro, esgotado).

Disse mais: “Além de ser o atleta mais inteligente que já conheci, ele era o mais misterioso também. Jamais compreendi Kareem plenamente, e creio que isso jamais acontecerá. Mas talvez isso não seja surpreendente em se tratando de um cara que mal falou comigo durante meus primeiros cinco anos no Lakers”.

EM SAMPA

Em 1994, Kareem esteve aqui em São Paulo para apadrinhar um evento da Reebok. Entre algumas perguntas que fiz a ele durante a coletiva de imprensa, questionei: como está Magic?

Queria saber, pois o ex-armador do Lakers tinha revelado ao mundo ser portador do vírus HIV havia apenas três anos. A última imagem que tínhamos de Magic era dos Jogos Olímpicos de Barcelona, dois anos antes.

Naquela época, a internet não existia nos moldes de hoje. Era restrita a algumas pessoas — e assim mesmo apenas nos EUA, creio eu; não me lembro ao certo. O que quero dizer é que naquela época a gente não tinha acesso ao noticiário como temos nos dias de hoje.

Tevê a cabo? Existia o Canal+, que retransmitia a programação da ESPN. Lembro-me que quando queria ver um jogo da NBA, eu pedia para um funcionário da “Folha de S.Paulo”, onde eu trabalhava na ocasião, para gravar a partida em uma fita VHS que levava pra ele, pois eu não tinha assinatura do cabo.

Por isso, quando vi Kareem não pude deixar de perguntar: como estava Magic Johnson?

Quando Kareem ouviu a pergunta e começou a respondê-la, lembrei-me de uma descrição que Magic fez do companheiro em seu livro. Disse Magic: “O público via a máscara que Kareem usava na quadra — os óculos protetores, que se tornaram sua marca registrada. Por baixo desses óculos, porém, havia outra máscara: seu rosto, que raramente deixava transparecer qualquer emoção”.

Sem mover mais músculos faciais do que o necessário, ou seja, sem demonstrar qualquer emoção pelo ex-companheiro que era soropositivo, Kareem respondeu: “Não tenho ideia, pois nunca fomos amigos. Apenas jogávamos no mesmo time”.

Caramba! Aquilo espantou-me. Mesmo que não fossem amigos por que tornar aquilo público? Custava ter se condoído com o ex-companheiro que vivia um drama?

Nós que estamos acostumados com o mundo do futebol ou mesmo com o nosso basquete brasileiro, sabemos da união que existe entre os jogadores. Pode até haver atrito entre atletas, mas um ignorar o outro durante uma vida, isso eu desconheço.

Como disse Magic, Kareem era mesmo um cara misterioso.

GAFE

Na noite do mesmo dia em que ele deu a entrevista coletiva, houve uma recepção em um hotel cinco estrelas na região da Avenida Paulista, onde Kareem estava hospedado na suíte presidencial. Convidados, entre jornalistas, funcionários da empresa e gente ligada ao basquete, apareceram para o acontecimento trajando no mínimo um paletó. Muitos usavam terno e gravata.

O bar onde aconteceu a recepção tinha pouca iluminação. Nas caixas de som ouvia-se jazz da melhor qualidade; um Miles Davis aqui, um John Coltrane ali; permeados por Duke Ellington, Count Basie, Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Afinal, jazz é a música favorita de Kareem.

A estrela do evento demorou a aparecer. Quando apareceu, chamou a atenção. Não pelo porte físico, pelos seus 2,18m, mas sim pela roupa que usava.

Kareem chegou trajando um short cinza chumbo, tão curto quanto os que ele usava como jogador. Talvez imaginasse que por estar no Brasil, um país tropical, devesse se vestir daquela maneira.

Estava sem meias e calçava um mocassin preto de pelica e usava uma camiseta pólo da mesma cor que tinha uma fileira de pelo menos uma dúzia de botões na frente. Descia do pescoço e parava pouco abaixo do tórax.

As pernas de Kareem eram imensas. Não dava para não observá-las. Virou o assunto do evento. Com o passar dos minutos, Kareem percebeu que suas vestes estavam inadequadas e que, por isso, chamava a atenção — e não por quem ele era.

E o que fez ele? Subiu até a suíte e trocou de roupa. Ou melhor: manteve os sapatos e a camiseta pólo, mas no lugar do short curtíssimo, veio trajando uma calça de pregas cinza chumbo, bem larga.

Conversou com poucas pessoas. Todas elas ligadas à Reebok. Jornalistas? Nem pensar; sua cota esgotou-se na coletiva da tarde.

Aceitou, todavia, posar para fotos. Fiz uma a seu lado: ele sentado e eu em pé, para que assim ficássemos da mesma altura.

Procuro feito um maluco esta foto há anos. Jamais encontrei.

Depois de ver essa entrevista de Magic Johnson no “LA Times”, dizendo que o jogador mais importante da história do Lakers foi Kareem e que ele escolheria Kareem para construir um time ao redor e não Kobe Bryant, eu comecei a tirar tudo do lugar aqui em casa à procura da foto.

E nada do retrato.

Mas sei que algum dia ainda vou encontrá-lo. E quando isso acontecer, prometo que mostro a vocês.

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Autor: Fábio Sormani Tags: , ,

sexta-feira, 29 de julho de 2011 NBA | 00:15

O DIA EM QUE EARVIN TORNOU-SE MAGIC JOHNSON

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A temporada 1979/80 da NBA foi marcada por muitos fatos interessantes e importantes.

O Chicago Bulls jogou sua última temporada pela Conferência do Oeste, bem como o Milwaukee Bucks. Na seguinte, ambos mudaram-se para o Leste. Houston Rockets e San Antonio Spurs fizeram viagem inversa: deixaram o Leste e foram para o Oeste.

Foi exatamente nesta temporada que o Jazz saiu de New Orleans e transferiu-se para Salt Lake City. Passou a se chamar Utah Jazz.

Esta foi também a temporada que a NBA adotou a linha dos três pontos, que era muito popular na ABA, a outra liga de basquete profissional dos EUA, que foi incorporada pela NBA em 1976.

Mas o que marcou mesmo esta temporada foi a chegada de dois jogadores que causariam um grande impacto nos anos seguinte: Larry Bird e Magic Johnson.

DECLÍNIO

O Celtics vivia encalacrado por um grande ponto de interrogação. John Havlicek, último dos remanescentes da dinastia que assombrou a NBA nos anos 1960, oito vezes campeão com a franquia e MVP das finais de 1974, aposentara-se ao final da temporada 1977/78.

Nela, o Celtics, já sem a força do passado e com seu grande jogador com as pernas cansadas, nem sequer se classificou para os playoffs. Repetiu a dose na seguinte para desespero de seus fãs, acostumados com títulos temporada sim e temporada também.

Se no campeonato finalizado em 1978 a campanha foi 32 vitórias e 50 derrotas, no seguinte, foi pior: 29 vitórias e 53 derrotas.

A luz no fim do túnel veio com a chegada de Larry Bird. Logo em seu primeiro ano, foi eleito “Rookie of the Year” e conduziu o Celtics a uma campanha de 61 vitórias e 21 derrotas. A melhor da NBA.

Foi o cestinha do time com média de 21,3 pontos por jogo.

DESAFIO

Magic chegou ao Lakers com duas difíceis missões: ser o condutor em quadra de um time que não ganhava um campeonato desde 1972 e fazer de Kareem Abdul-Jabbar novamente campeão.

Kareem tinha vencido seu primeiro e único título em 1971, em sua segunda temporada na NBA. Vestia a camisa 33 do Milwaukee Bucks e jogava ao lado de Oscar Robertson. Juntos, lideram o Milwaukee no massacre em 4 a 0 diante do Baltimore Bullets, que se transformaria em Capital Bullets, Washington Bullets e finalmente em Washington Wizards.

Kareem ficou mais quatro campeonatos em Wisconsin. Voltou à final em 1974, mais foi dobrado pelo Boston em 4 a 3.

Ao final do campeonato seguinte, transferiu-se para o Lakers.

Foram mais quatro anos de seca. Mesmo sendo um dos melhores jogadores da NBA naquele momento, Kareem não conseguia fazer do Lakers um time campeão.

Nem nas finais Kareem conseguia levar o time. Foram quatro temporadas tentando, mas sem obter sucesso. Em sua primeira, o Lakers nem sequer chegou aos playoffs. Na seguinte, perdeu a final para o Portland por 4 a 0 e depois foi batido pelo Seattle duas vezes: 2 a 1 nas semifinais de 1978 e 4 a 1 na mesma fase no ano seguinte.

Foi então que Magic chegou. Chegou e mudou a cara do Lakers.

PLAYOFFS

Com Magic em quadra, o Lakers fez uma campanha com 60 vitórias e 22 derrotas. A melhor do Oeste; a segunda melhor da liga, atrás apenas do Boston de Larry Bird.

O Lakers era outro time.

Naquela época, o vencedor da conferência entrava direto nas semifinais dos playoffs. O Celtics varreu o Houston, enquanto que o Lakers fez 4 a 1 no Phoenix.

Nas finais de conferência, todavia, o Boston de Larry Bird sucumbiu diante do Philadelphia de Julius Erving, o Dr J. Foi um massacre: 4 a 1.

Enquanto isso, o Lakers repetia o marcador diante do Seattle, devolvendo a humilhante derrota das semifinais do ano anterior.

Philadelphia e Lakers decidiriam o título da temporada 1979/80 da NBA.

INÍCIO

Magic Johnson fez seu primeiro treino com o Lakers já no outono de 1979. Estava deslumbrado com o time e com a NBA.

Nos treinamentos, corria e se empenhava como se estivesse nos playoffs.

“Earvin está correndo como um jovem gamo (buck em inglês)”, comentou Norm Nixon, um dos veteranos do time. Pronto! O apelido pegou. Magic ainda não era Magic e Earvin tansformou-se em Buck para seus companheiros.

O início, no entanto, foi embaraçoso para Magic. O time estreou diante do Clippers, em San Diego. Sim, o Clippers era de San Diego antes de ir para Los Angeles.

Magic estava nervosíssimo. Quando o Lakers entrou em quadra e Magic pegou a bola para fazer uma bandeja, parte do aquecimento, ele caiu de cara no chão. Tropeçou na calça do macacão, que não amarrou direito por conta da ansiedade.

Jogadores — inclusive do Lakers — e torcedores se esborracharam de rir. Constrangido, Magic tentou fazer o mesmo, mas era difícil.

O constrangimento foi em rede nacional, pois a CBS, canal aberto dos EUA que transmitia a temporada, escolheu exatamente Clippers x Lakers como primeira partida a ser exibida.

O Lakers venceu o Clippers em San Diego graças a uma assistência de Magic para Kareem que acabou com um gancho. Foi sua primeira das 60 vitórias na temporada.

SHOW

Em “Minha Vida” (Ediouro, fora de catálogo), sua autobiografia, Magic escreveu: “Se os meus primeiros minutos como um jogador do Lakers foram um desastre total, o último jogo de minha temporada de estreia mais do que compensou. Para ser franco, a partida final contra o Philadelphia foi provavelmente o melhor desempenho de minha vida; e foi, com toda certeza, o mais dramático”.

E foi mesmo; dramático e exuberante.

APREENSÃO

Kareem era a referência do Lakers. Estava jogando muita bola e comandava o Lakers nas finais diante do Sixers. Tinha média de 33 pontos por partida.

O time angelino vencia a série por 3 a 2. A sexta partida estava marcada para uma sexta-feira à noite, 16 de maio, na Filadélfia. Se o Sixers empatasse o confronto, o jogo decisivo seria em Los Angeles, pois o Lakers, como vimos, fez a segunda melhor campanha da temporada, atrás apenas do Boston.

A série estava empatada em 2 a 2 e o quinto confronto tinha o Forum de Englewood como palco. Kareem, uma vez mais, estava acabando com a partida e encantando a todos.

Foi então que o pivô do Lakers sofreu uma torção no tornozelo, na metade do terceiro quarto. Teve de sair de quadra; foi direto para o vestiário.

O silêncio no ginásio foi sepulcral. Os torcedores do Lakers não podiam acreditar. Será que o destino vai nos fazer vice-campeões novamente?, pensaram eles.

O Lakers tinha um histórico de nove vice-campeonatos, sendo que o último título, como vimos, tinha sido conquistado em 1972, num time que tinha Jerry West, Wilt Chamberlain, Gail Goodrich e Elgin Baylor.

Kareem, no entanto, voltou no último quarto. Mesmo lesionado, anotou 14 pontos e o Lakers venceu por 108 a 103.

CONSAGRAÇÃO

Jack Curran, médico do Lakers, pouco antes do embarque do time para a Filadélfia visando a sexta partida da série, chamou a todos, inclusive o técnico Paul Westhead, e informou-os: Kareem não faria parte da delegação. Contundido, Cap, como Kareem era chamado pelos companheiros, ficaria em Los Angeles, em tratamento, resguardando-se para uma possível sétima partida.

“Vamos precisar que você jogue de pivô”, disse Westhead para Magic, assim que o armador pegou seu tíquete de embarque. “Não tem problema, joguei como pivô no ‘high school’ (ensino médio no Brasil)”, respondeu Magic.

Assim que entrou no avião, Magic sentou-se exatamente na poltrona que era de Kareem. Ela ficava no lado esquerdo do avião e tinha mais espaço para acomodar as pernas — e as de Magic eram bem grandes.

“Não tenham medo, E.J. está aqui”, disse Magic para os companheiros.

“Todos riram, mas eu não estava brincando”, contou Magic.

Já na Filadélfia, os repórteres, de uma maneira geral, falavam mais do sétimo jogo do que da partida que aconteceria em algumas horas. Sem Kareem, poucos acreditavam que o Lakers pudesse vencer.

“O Philadelphia acha que este jogo já está liquidado, mas podemos tirar proveito disso”, afirmou Magic para os companheiros, no vestiário. “Podemos conquistar a vitória, porque eles têm um problema: a obrigação de ganhar. Mas só conseguiremos isso se entrarmos no jogo acreditando que somos capazes de vencer”.

Sem Kareem e com Magic como pivô, o Lakers entrou com Michael Cooper no quinteto titular. Coop, como era chamado, era um ala-armador que marcava pra burro. E era rápido.

A rapidez foi uma das armas que o Lakers apresentou para vencer o Sixers, que estava acostumado a jogar contra um adversário que atuava de maneira cadenciada, concentrando todo seu jogo em Kareem.

“Sem Kareem, não podíamos nos dar ao luxo do jogo de meia quadra. Teríamos que jogar na quadra inteira”, disse Magic.

Dito e feito. Com a bola nas mãos, Magic imprimiu um ritmo de jogo que o Sixers não esperava. O Lakers abriu 7 a 0.

Quando o Philadelphia compreendeu o jogo do Lakers, igualou a partida. No segundo quarto chegou a abrir oito pontos de vantagem.

Sixers x Lakers parecia Santos x Flamengo. O primeiro tempo terminou 60 a 60.

Magic era um tormento para os adversários. Billy Cunningham, técnico do Sixers, não sabia o que fazer para marcar Magic Johnson. Revezou os armadores Maurice Cheeks (hoje assistente técnico do OKC) e Lionel Hollins (técnico do Memphis) em Magic, mas não deu certo. Tentou Dr. J, mas também não surtiu efeito. Colocou o ala-pivô Bob Jones e o resultado não apareceu.

No terceiro quarto, o Lakers fez uma corrida de 14 a 0 e fechou o período com dez pontos de vantagem. “Podíamos sentir o sabor do título”, disse Magic, que emendou: “Cada vez que eles se aproximavam no marcador, tornávamos a pisar no acelerador e nos distanciávamos. Por três vezes eles reduziram a diferença para dois pontos. Mas apesar dos esforços heróicos de Julius Erving, sempre acelerávamos e os deixávamos para trás. O placar final foi 123 a 107. Pela primeira vez, desde 1972, o Lakers voltar a ser campeão”.

Magic jogou 47 dos 48 minutos. Anotou 42 pontos, apanhou 15 rebotes e deu sete assistências. Cobrou 14 lances livres e acertou todos.

Brent Misburger, comentarista da CBS, disse após a partida: “Magic jogou de pivô, armador e ala neste jogo. Vai ter que tirar todos os uniformes no vestiário”.

Exatamente isso. Ninguém, em toda a história do basquete, fez o que Magic fez naquela sexta-feira à noite na Filadélfia. Magic esteve em todos os cantos da quadra. Encestou de todas as maneiras. E foi um gigante nos rebotes.

Se pudesse transformar em assistências as jogadas que ele criou para si mesmo, talvez tivesse batido o recorde na história da liga.

“Fiz muita coisa, mas não joguei sozinho”, disse humildemente, depois da partida. Magic tinha razão, mas os arrogantes, após jogos como o que Magic fez, costumam aceitar os louros da glória, esquecendo-se de que o basquete é um esporte coletivo.

O ala-armador Jamaal Wilkes anotou 37 pontos, seu recorde na temporada e seu recorde na NBA. Michael Cooper adicionou 16. Norm Nixon, que apelidou Magic de Buck, lembram-se?, deu nove assistências, recorde da partida derradeira. E o pivô Jim Chones, que teve a amarga tarefa de marcar Darryl Dawkins, uma das estrelas do Sixers, apanhou dez rebotes.

Mas Magic foi a estrela da partida. Repito: ninguém, jamais, em toda a história do basquete fez o que Magic fez naquela sexta-feira, 16 de maio, na Filadélfia. Nem mesmo Michael Jordan.

Magic foi eleito o MVP das finais, tornando-se o primeiro e único “rookie” a conquistar o prêmio.  Tinha apenas 20 anos.

Depois da peleja, Lionel Hollins aproximou-se de Magic e disse: “Magic, este mesmo é o seu nome”.

Abaixo, vejam em vídeo o resumo do jogo e me digam se tenho ou não razão:

Notas relacionadas:

  1. AVERY JOHNSON: “KOBE E JORDAN SÃO IGUAIS”
  2. LBJ, ATUAÇÃO EM HOMENAGEM A MAGIC JOHNSON
  3. UM POUCO DO VELHO MAGIC JOHNSON
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , ,

sábado, 28 de maio de 2011 NBA | 11:55

POR QUE MICHAEL JORDAN É O MAIOR DE TODOS

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Vamos seguir discutindo esta declaração polêmica de Scottie Pippen, que disse que LeBron James pode vir a ser melhor que Michael Jordan e, com isso, tornar-se o maior jogador da história do basquete.

O que eu acho é que o que torna Michael Jordan incomparável é que ele caiu em uma franquia mediana e dominou a liga e o jogo.

Magic Johnson foi extraordinário, mas caiu no Lakers de Kareem Abdul-Jabbar e depois teve craques como James Worthy, por exemplo, a seu lado. Larry Bird caiu no Boston Celtics e jogou com Kevin McHale, Robert Parish e Nate Archibald. Bill Russell era do Celtics, numa época em que não havia o “salary cap” e podia-se contratar quem quisesse — e todos queriam jogar no Boston ou no Lakers.

Aí eu fico pensando: será que Magic Johnson teria sido campeão da NBA jogando no Cleveland ao lado de Mo Williams e Anthony Parker? Será que Larry Bird teria sido o que foi jogando ao lado de Daniel Gibson e Zydrunas Ilgauskas? Será que Bill Russell teria conquistado dez títulos ao lado de Sasha Pavlovic e J.J. Hickson?

Esta é a questão.

LBJ teve que procurar um Kareem, um McHale, o que Magic e Bird não tiveram. E ambos, Magic e Bird, caíram em times grandes.

LBJ e MJ não caíram. Ambos pousaram em times médios, talvez pequenos.

MJ conseguiu ser seis vezes campeão (poderia ter sido oito, todos nós concordamos, se ele não tivesse ido brincar de jogar beisebol). Fez de Scottie Pippen um jogador fantástico, eleito que foi para o time dos “50 Maiores Jogadores da NBA”.

E não me venham dizer que Pippen era gênio, porque outro dia eu disse aqui que Pippen era melhor que LeBron (insanidade minha, admito) e todos neste botequim me chamaram de louco e disseram que Pippen só foi o que foi por causa de Michael Jordan.

LBJ, ao contrário de MJ, não conseguiu ser campeão em uma franquia pequena e nem conseguiu criar um Scottie Pippen. Teve que procurar um apoio, que Magic, Bird e Russell sempre tiveram.

Só isso basta, a meu ver, para provar que esse tipo de comparação, entre Jordan e James, é incabível.

E o mesmo vale para Kobe Bryant. Kobe foi recrutado pelo Charlotte Hornets — hoje New Orleans. Se lá ele tivesse conquistado cinco títulos como ator principal, se lá ele tivesse criado um Scottie Pippen para ajudá-lo, aí sim eu iria pensar em compará-lo a MJ.

Mas não: Kobe foi para o Lakers, um time grande, e teve em seus primeiros anos de liga Shaquille O’Neal (um dos maiores de todos os tempos) a seu lado. Depois, sem Shaq, não ganhou nada e a franquia teve que ir atrás de Pau Gasol para ele ajudar Kobe a vencer.

No Lakers, isso mesmo, no Lakers, Kobe não conseguiu criar um Scottie Pippen. A franquia, repito, teve que comprar um Pippen no supermercado ao lado para ajudar Kobe a vencer, pois, volto a repetir, Kobe não conseguiu criar um Scottie Pippen para si.

Kobe, Magic e Bird sempre jogaram em times grandes. Sempre tiveram gente grande a seu lado. Ser campeão com a camisa de um time grande é muito mais fácil; ser campeão ao lado de craques é muito mais fácil.

LeBron teve que procurar apoio, como Magic teria que procurar para aflorar o Magic Johnson e o mesmo para Larry Bird, Bill Russell e Kobe Bryant. Todos teriam que fazer isso; Michael Jordan não precisou.

Ele foi campeão em um time pequeno e criou um jogador fantástico para ajudá-lo a conquistar títulos e se transformar no maior jogador de basquete de todos os tempos. Quando alguém fizer o mesmo, volto a dizer, podemos pensar em compará-lo a MJ.

Como vimos, esse não é o caso de LeBron James.

Next question, please.

Notas relacionadas:

  1. O MAIOR DE TODOS
  2. MICHAEL JORDAN ETERNO
  3. MICHAEL JORDAN É INCOMPARÁVEL
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , ,

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